quinta-feira, 8 de dezembro de 2016


França na iminência do colapso total




Guy Millière, Institute Gatestone, 5 de Dezembro de 2016

Dr. Guy Millière, professor da Universidade
de Paris, é autor de 27 livros sobre a França
e a Europa.


A França não percebeu isso naquela época, mas montou uma armadilha para si mesma e a armadilha agora está a começar a disparar.

Nos anos de 1970 os palestinos começaram a usar o terrorismo internacional e a França optou por aceitar esse terrorismo desde que ela não fosse afectada. Ao mesmo tempo a França acolheu a imigração em massa do mundo árabe-muçulmano, evidentemente, como parte do desejo muçulmano de expandir o Islão. A população muçulmana desde então aumentou em número, porém não se assimilou.

Os levantamentos mostram que um terço dos muçulmanos franceses querem a aplicação plena da Lei Islâmica (Sharia). Mostram também que a maioria esmagadora dos muçulmanos franceses apoia a jihad, especialmente a jihad contra Israel, um país que gostariam de ver varrido da face da terra.

«É melhor sair do que fugir.» – Sammy Ghozlan, Presidente da Agência Nacional de Vigilância contra o Anti-semitismo. Depois foi assaltado e o seu carro incendiado. Ele foi embora.

Villiers também menciona a existência de «zonas proibidas» com milhares de armas de guerra. Acrescenta que as armas provavelmente nem sequer serão utilizadas, os islamistas já venceram.

Originalmente os sonhos franceses poderiam ter sido os de desarticular os Estados Unidos como potência mundial, distanciá-lo do acesso ao petróleo barato e aos negócios com países islâmicos ricos em petróleo, além das preces de não terem terrorismo interno.

Em França reina a agitação descontrolada. «Migrantes» que chegam de África e do Médio Oriente semeiam a desordem e a insegurança em inúmeras cidades. O enorme bairro de lata, mais conhecido como a «selva de Calais», acaba de ser desmantelado, no entanto outros bairros de lata aparecem de repente todos os dias. Na zona leste de Paris, as ruas estão cobertas de telhas onduladas, toalhas de plástico ou de outro material e placas desconjuntadas. Violência é o lugar comum. As 572 «zonas proibidas», oficialmente denominadas «áreas urbanas sensíveis», continuam crescendo e os policias que se aproximam delas muitas vezes sofrem as consequências. Recentemente uma viatura da polícia foi emboscada, o veículo foi incendiado e os policias foram impedidos de sair. Se forem atacados, conforme as ordens dos superiores a indicação é fugir em vez de retaliar. Muitos policias, furiosos por terem que se comportar como covardes, organizaram manifestações. Não houve ataques terroristas desde o assassinato de um padre em Saint-Etienne-du-Rouvray em 26 de Julho de 2016, mas os serviços de inteligência sabem que os jihadistas que regressaram do Médio Oriente estão prontos para atacar e que os distúrbios podem explodir em qualquer lugar, a qualquer hora, sob qualquer pretexto.

Apesar de estar sobrecarregado com uma situação interna que mal consegue controlar, ainda assim o governo francês intervém em assuntos mundiais: um «estado palestino» ainda é a principal bandeira, Israel é o seu bode expiatório favorito.

Na Primavera passada, apesar de a França e dos territórios palestinos estarem em péssimo estado, o ministro das Relações Exteriores de França Jean-Marc Ayrault declarou que era «urgente» relançar o «processo de paz» e criar um estado palestino. Por conseguinte, a França convocou uma conferência internacional realizada em Paris em 3 de Junho. Nem Israel nem os palestinos foram convidados. A conferência foi um fracasso. Terminou com uma declaração insípida sobre a «imperiosa necessidade» de «avançar».

A França não parou por aí. O governo então decidiu organizar uma nova conferência em Dezembro. Desta vez juntamente com Israel e os palestinos. O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu observando que Israel não necessita de intermediários recusou o convite. Os líderes palestinos aceitaram-o. Saeb Erekat, porta-voz da Autoridade Palestina congratulou a França acrescentando, o que não é de se estranhar, que foi a Autoridade Palestina que «sugeriu» aos franceses a realização da conferência.

Donald Trump agora é o presidente eleito dos EUA e tudo leva a crer que Newt Gingrich desempenhará um papel-chave na Administração Trump. Gingrich destacou há alguns anos que não existe um povo palestino, acrescentando na semana passada que os ajustamentos não são de modo algum um obstáculo à paz. Sendo assim, ao que tudo indica, a conferência será outro fracasso.

Diplomatas franceses, no entanto, estão elaborando juntamente com funcionários da Autoridade Palestina uma resolução da ONU para reconhecer um estado palestino dentro das «fronteiras de 1967» (as linhas de armistício de 1949), isso sem nenhum tratado de paz. Eles têm aparentemente a esperança de que o presidente dos EUA Barack Obama, ainda no exercício das suas funções, não use o veto americano no Conselho de Segurança, permitindo a aprovação da resolução. Não é possível afirmar se Barack Obama vai querer terminar a sua presidência com um gesto tão flagrantemente traiçoeiro. É quase certo que o gesto francês não vai ter êxito novamente.

Durante muitos anos a França dá a entender ter construído toda a sua política externa em cima do alinhamento com a Organização de Cooperação Islâmica (OIC em inglês): 56 países islâmicos mais os palestinos. Originalmente os sonhos franceses poderiam ter sido os de desarticular os Estados Unidos como potência mundial, distanciá-lo do acesso ao petróleo barato e aos negócios com países islâmicos ricos em petróleo, além das preces de não terem terrorismo interno. Todas as quatro esperanças não deram em nada. É óbvio também que a França tem problemas mais urgentes para resolver.

A França persiste porque está tentando desesperadamente impor limites aos problemas que provavelmente não podem ser resolvidos.

Nos anos de 1950 a França era bem diferente do que é hoje. Era amiga de Israel. A «causa palestina» não existia. A guerra na Argélia estava no auge e a grande maioria dos políticos franceses nem sequer apertaria a mão de terroristas que não se tivessem arrependido dos seus actos.

Tudo isto mudou com o fim da guerra na Argélia. Charles de Gaulle entregou a Argélia a um movimento terrorista chamado Frente de Libertação Nacional. Ele então passou a criar uma reorientação estratégica da política externa da França, inaugurando o que chamou de «política árabe de França

A França assinou acordos comerciais e militares com diversas ditaduras árabes. Para seduzir os seus novos amigos, de maneira ávida, adoptou uma política anti-Israel. Quando na década de 1970, o terrorismo na forma de sequestros de aviões foi inventado pelos palestinos e, com o assassinato dos atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique em 1972, «os palestinos» de repente tornaram-se uma «causa sagrada» e uma ferramenta útil para alavancar a posição francesa no mundo árabe, a França ao adoptar a «causa», passou a ser inflexivelmente pró-palestina.

Os palestinos começaram a usar o terrorismo internacional e a França optou por aceitar esse terrorismo, desde que não fosse afectada. Ao mesmo tempo a França acolheu a imigração em massa do mundo árabe-muçulmano, evidentemente, como parte do desejo muçulmano de expandir o Islão. A população muçulmana desde então aumentou em número, porém não se assimilou.

A França não percebeu isso naquela época, mas montou uma armadilha para si mesma e a armadilha agora está a começar a disparar.

A população muçulmana de França dá a entender que é antifrancesa em termos judaico-cristãos, valores do Iluminismo e pró-francesa apenas na medida em que a França se curva às exigências do Islão. Não obstante, os muçulmanos de França que também são pró-palestinos, teoricamente não deveria ter havido nenhum problema. Mas a França subestimou os efeitos da ascensão do Islão radical no mundo muçulmano e além dele.

Cada vez mais os muçulmanos franceses se consideram acima de tudo muçulmanos. Muitos afirmam que o Ocidente está em guerra com o Islão, vêem a França e Israel como parte do Ocidente, assim sendo estão em guerra com os dois. Vêem que a França é anti-Israel e pró-Palestina, mas também vêem que vários políticos franceses mantêm laços com Israel, de modo que provavelmente acham que a França não é anti-Israel e pró-Palestina o suficiente.

Eles vêem que a França tolera o terrorismo palestino e parecem não compreender porque é que a França combate o terrorismo islâmico noutros lugares.

Para agradar aos muçulmanos que estão em França, o governo francês pode até acreditar que não há outra escolha senão ser ainda mais pró-palestina e anti-Israel o máximo possível – muito embora, conforme as pesquisas de opinião indicam, esta política é um fracasso estrondoso.

O governo francês, sem dúvida, vê que não tem condições de impedir o que cada vez mais parece ser um desastre iminente. Este desastre já está a ocorrer.

Talvez o actual governo de França ainda alimente a esperança de poder empurrar um pouco com a barriga o desastre e evitar uma guerra civil. Talvez possam ter a esperança de que as «zonas proibidas» não expludam – pelo menos durante o mandato deste governo.

Há hoje em França seis milhões de muçulmanos, 10% da população, e a percentagem está a aumentar. Os levantamentos mostram que um terço dos muçulmanos franceses querem a aplicação plena da Lei Islâmica (Sharia). Também mostram que a maioria esmagadora dos muçulmanos franceses apoia a jihad, especialmente a jihad contra Israel, um país que eles gostariam de ver varrido da face da terra.

A principal organização muçulmana francesa, a União das Organizações Islâmicas de França, é o ramo francês da Irmandade Muçulmana, um movimento que deveria ser incluído na lista das organizações terroristas pelo seu aberto desejo de derrubar governos ocidentais.

A Irmandade Muçulmana é primordialmente financiada pelo Qatar, país que investe intensamente em França – e que conta com a comodidade de ter a sua própria base aérea dos EUA.

Os judeus estão a deixar a França em número recorde e a debandada não pára. Sammy Ghozlan, presidente da Agência Nacional de Vigilância contra o Anti-semitismo, reiterou por muitos anos que: «é melhor sair do que fugir». Foi assaltado. O seu carro foi incendiado. Ele saiu e agora vive em Israel.

O restante da população francesa vê claramente a extrema gravidade do que está a acontecer. Alguns estão furiosos e em estado de revolta, outros parecem resignados esperando o pior: a tomada da Europa pelos islamistas.

As próximas eleições francesas estão programadas para Maio de 2017. O presidente francês François Hollande perdeu toda a credibilidade e não tem nenhuma probabilidade de ser reeleito. Quem chegar ao poder terá uma tarefa difícil.

Ao que tudo indica os franceses perderam a confiança em Nicolas Sarkozy, de modo que provavelmente escolherão entre os candidatos Marine Le Pen, Alain Juppé ou François Fillon.

Marine Le Pen é a candidata da Frente Nacional de extrema-direita.

Alain Juppé é o prefeito de Bordéus e muitas vezes faz campanha na companhia de Tareq Oubrou, imã da cidade. Até recentemente, Tareq Oubrou era membro da Irmandade Muçulmana. Alain Juppé parece acreditar que a presente desordem irá perder força se a França se curvar totalmente ao Islão.

François Fillon, será provavelmente o candidato da direita moderada.

Ele indicou recentemente que «o sectarismo islâmico» cria «problemas em França». 

Ele também destacou que se um estado palestino não for estabelecido brevemente, Israel será «a principal ameaça à paz mundial.»

Há três anos o filósofo francês Alain Finkielkraut publicou o livro: A Identidade Infeliz (L'identité malheureuse), no qual descreve os perigos inerentes à islamização da França e os principais distúrbios que se originam a partir daí. Juppé escolheu um lema de campanha que se destina a contradizer Finkielkraut: «A Identidade Feliz».

Desde a publicação do livro de Alain Finkielkraut, outros livros de carácter pessimista foram publicados e tornaram-se best-sellers em França. Em Outubro de 2014 o colunista Eric Zemmour publicou O Suicídio Francês (Le suicide français). Há poucas semanas publicou outro livro: Um Mandato de Cinco Anos Para Nada (Un quinquennat despeje rien). Descreve o que vê a acontecer com a França: «invasão, colonização, explosão.»

Zemmour define a chegada de milhões de muçulmanos em França nas últimas cinco décadas como uma invasão e a recente chegada de um turbilhão de imigrantes como a continuação daquela invasão. Descreve a criação de «zonas proibidas» como a criação de territórios islâmicos em solo francês e parte integrante de um processo de colonização.

Ele escreve que as erupções de violência que se espalham são sinais de uma explosão iminente, que cedo ou tarde, a revolta vai ganhar terreno.

Outro livro: Os Sinos da Igreja Tocarão Amanhã? (Les cloches sonneront-elles encore demain?), foi publicado recentemente por Philippe de Villiers, ex-membro do governo francês.

Villiers chama a atenção para o desaparecimento de igrejas em França e a sua substituição por mesquitas. Também menciona a existência de «zonas proibidas» com milhares de armas de guerra (fuzis automáticos AK-47, pistolas Tokarev, armas antitanque M80 Zolja, etc). Acrescenta que as armas provavelmente nem sequer serão utilizadas – os islamistas já venceram.

No seu novo livro: Os Sinos da Igreja Tocarão Amanhã?, Philippe de Villiers observa
o desaparecimento de igrejas em França e a sua substituição por mesquitas.
Na foto acima: em 3 de Agosto a polícia francesa retirou à força um padre e a sua congregação
da Igreja de Santa Rita em Paris antes dela ser demolida, conforme estava programado.
A líder da Frente Nacional Marine Le Pen salientou furiosamente:
«e se construíssem estacionamentos no lugar de mesquitas salafistas e não de nossas igrejas?»
(imagem: captura da tela de vídeo RT)
 

Em 13 de Novembro de 2016 a França assinalou o primeiro aniversário dos ataques de Paris. As placas foram descerradas em todos os lugares onde as pessoas foram mortas.

As placas diziam: «Em memória das vítimas feridas e assassinadas nos ataques». Nenhuma menção foi feita sobre a barbárie jihadista. À noite, a casa de espectáculos Bataclan foi reaberta com um concerto de Sting. A última canção do concerto foi «Insh' Allah»: «se Alá quiser». A direcção do Bataclan não permitiu a entrada de dois membros da banda norte-americana Eagles of Death Metal – que estavam no palco quando o ataque começou. Algumas semanas depois do ataque, Jesse Hughes, vocalista do grupo,  atreveu-se a criticar os muçulmanos que participaram no ataque. O director do Bataclan indicou acerca de Hughes: «há coisas que não dá para perdoar».


Tradução: Joseph Skilnik





domingo, 4 de dezembro de 2016


Anticomunista, graças a Deus




P. Gonçalo Portocarrero de Almada,
Observador, 3 de Dezembro de 2016

Os regimes não se medem pelas suas belezas retóricas mas pelas suas obras. O sonho revolucionário de Fidel, um terrível pesadelo para os cubanos, não o exime das atrocidades perpetradas pelo castrismo.

Apesar de esperada, a morte de Fidel Castro foi uma notícia surpreendente. Talvez porque a invulgar resistência do ancião guerrilheiro tivesse levado a crer que alcançara, como os antigos deuses, o dom da imortalidade. Mas, humano como era, embora não muito, Fidel também tinha os seus dias contados e, a estas horas, já prestou contas ao Criador. Paz à sua alma e, já agora, à nossa também. A sua morte não significa, para o seu país, o fim do comunismo mas, desaparecido o ditador, está mais próxima a tão desejada libertação de Cuba. Neste sentido, é um sinal de esperança.

Apesar de decorrida uma semana sobre a sua morte, continuam as inevitáveis reacções à sua vida e acção política, em catadupa de declarações mais ou menos hipócritas, ou mais ou menos comprometedoramente envergonhadas. É sabido que, no que se refere aos ditadores falecidos, a esquerda é como aquele detergente que lava duas vezes mais branco. A imprensa, enquanto por um lado diaboliza Adolf Hitler e Augusto Pinochet; pelo outro absolve e idealiza as atrocidades de Che Guevara e de Fidel Castro … enfim, o costume.

Não vale a pena insistir nas atrocidades protagonizadas por Fidel Castro, ou por ele consentidas, porque são já sobejamente conhecidas e foram, em sua vida, denunciadas pelos Repórteres sem Fronteiras
(O livro negro de Cuba, prefácio e introdução de José Manuel Fernandes, Aletheia, 2005). Mas vale a pena retirar uma conclusão a que nem todos se atrevem: a natureza essencialmente antidemocrática da ideologia comunista.

Há quem distinga a teoria da prática comunista: desculpam a realidade ditatorial dos regimes comunistas, à conta do alegado altruísmo do marxismo-leninismo. Uma atitude tão incoerente como seria condenar Hitler, mas ressalvando o nacional-socialismo. Os regimes políticos não se medem pelos seus encantos retóricos, mas pelas obras. O indiscutível ideal patriótico de Hitler não o desculpa dos crimes do nazismo, do mesmo modo como o sonho revolucionário de Fidel, que foi um terrível pesadelo para milhares de cubanos, o não exime das atrocidades perpetradas pelo castrismo. Como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio.

O nazismo não foi apenas um fracasso político mas, sobretudo, uma aberração ideológica. O comunismo não é apenas uma prática que nunca resultou, nem sequer economicamente, mas também uma ideologia intrinsecamente contrária à liberdade e à dignidade humana. Ou seja, não se pode ser comunista e democrata, nem humanista, como aliás a história não se cansa de provar e a trágica vida de Fidel Castro, mais uma vez, confirmou. Considerar o marxismo-leninismo como um regime democrático é já um embuste da propaganda comunista.

Mas mesmo sabendo, como ninguém minimamente honesto pode hoje ignorar, que o comunismo é uma ideologia per se antidemocrática, poucos são os que ousam dizê-lo. Todos os democratas são unânimes em excluir, em absoluto, qualquer regime fascista ou nazi mas, paradoxalmente, alguns ainda toleram o comunismo, que é analogamente antidemocrático. Ninguém tem qualquer pejo em se afirmar, sem tibiezas, antifascista, mas – muito embora seja evidente que um verdadeiro democrata não pode, sem cair em contradição, deixar de ser anticomunista – poucos são os que têm a coragem de o assumir. Quanto muito, alguns mais afoitos dirão que não são comunistas, ou que são não comunistas, mas não anticomunistas, porque uma tal afirmação parece relevar radicalismo e cheira a extremismo fascista, ou coisa que o valha. Contudo, o mesmo não se verifica quando alguém se define, sem rebuço, como antifascista, ou antinazi…

Marx e Engels invocaram a história como o garante da inevitabilidade das suas previsões políticas e económicas, mas a história não só não confirmou os seus prognósticos como os desmentiu categoricamente. Mais ainda, a história veio dar razão ao juízo profético da Igreja católica que, pela encíclica Qui pluribus, já em 1846 condenou o comunismo, precisamente por ser contrário à liberdade humana, à justiça social e ao bem comum.

Foi pena que o mundo ocidental não tivesse ouvido a voz autorizada do beato Pio IX e de todos os papas que lhe sucederam e que também condenaram, sem cobardes ambiguidades, o comunismo. Se se tivesse feito caso ao magistério da Igreja, hoje ninguém deploraria os muitos milhares de vítimas de meio século de ditadura comunista em Cuba. E, no mundo inteiro, haveria menos cem milhões de vítimas a lamentar.





sábado, 3 de dezembro de 2016


A pergunta crucial




Joaquim Mexia Alves, Monte Real, 9 de Agosto de 2010

[ AS SEGUNDA E TERCEIRA ILUSTRAÇÕES

SÃO DA RESPONSABILIDADE DA NOSSA REDACÇÃO ]


«Quem dizem as multidões que Eu sou?» Lc 9,18

Se hoje, Senhor Jesus, fizesses esta pergunta,
como te responderiam as multidões?

Uns dir-Te-iam que não exististe, e que nem sequer existes.

Outros dir-Te-iam que foste uma figura histórica, um revolucionário, um homem com um pensamento avançado para a sua época.

Outros dir-Te-iam ainda que não soubeste «cavalgar a onda do poder» e mudar tudo o que estava mal.

Uns quantos dir-Te-iam também que foste um grande meditador transcendental, uma espécie de mestre de yoga dos tempos antigos.

Mais uns quantos fingirão que nunca ouviram falar de Ti, ou que, não lhes interessa nada o que Tu foste ou possas ser.

Finalmente, uns quantos afirmando que Tu não exististe, desejarão mesmo que não tivesses existido.

«E vós quem dizeis que Eu sou?» Lc 9,20


E se hoje, Senhor Jesus, fizesses esta pergunta
àqueles que se dizem teus seguidores,
o que responderíamos nós?

Uns dir-Te-ão que sim, que Tu és o Filho de Deus, que nos trouxeste uns ensinamentos que devemos seguir segundo a nossa consciência, e que é a nossa consciência e só a nossa consciência a luz do nosso proceder.

Estes dir-Te-ão, sem dúvida, que a instituição da Igreja é uma mera interpretação que alguns fazem da Bíblia, porque verdadeiramente cada um sabe de si e da sua vida e que a Igreja não é precisa para nada.

Outros dir-Te-ão que Tu és o Filho de Deus, e que tudo o que Tu nos disseste e está nas Escrituras deve ser seguido exactamente como está escrito, que não há lugar a interpretações, que uns são escolhidos e outros excluídos, e que apenas e só nessa radical leitura e seguimento, se será verdadeiramente Teu discípulo.

Outros ainda dir-Te-ão que Tu és o Filho de Deus, mas que tudo aquilo que Tu nos disseste se destinava apenas àquele tempo e que por isso mesmo, tudo se deve adaptar aos tempos de agora, e assim sendo, a vida pode ser questionada, seja ela na gestação inicial, seja ela na sua recta final.

Que as relações entre mulheres e homens devem ser ao gosto de cada um, porque isso pertence ao homem definir, e aquilo que Tu nos disseste sobre isso mesmo, era apenas para aquele tempo, para aquela cultura.

Dir-Te-ão que nós homens já «matámos» o demónio, porque o «dito cujo» nunca existiu.

Dir-Te-ão que a Igreja, é afinal as igrejas, edifícios onde vão rezar, (de pé, claro), e que toda a estrutura da Igreja são afinal apenas meros funcionários ao sabor das vontades de cada um, bem como a Doutrina, que deve ser seguida segundo a própria interpretação dos que assim pensam, e sempre mudando ao sabor dos tempos.

E outros tantos Te dirão isto e aquilo nas mais variadas formas e interpretações, reclamando-se como teus verdadeiros seguidores e teus legítimos «intérpretes».


E haverá, finalmente, aqueles,
(e eu espero bem ser um deles),
que Te responderão dizendo:

«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» Mt 16,16

E nesta revelação, «porque não foi a carne nem o sangue que no-Lo revelou, mas o Pai que está no Céu» Mt 16,17, tudo estará contido e aceite como Caminho, Verdade e Vida, desde o Filho de Deus, Jesus Cristo Nosso Senhor, à Igreja e à Doutrina, que Tu mesmo nos ensinaste e deixaste.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.





terça-feira, 29 de novembro de 2016


Portugal na Ibéria




Repensar Portugal

A posição de Portugal na Ibéria deve ser vista à luz de vários factores.

Primeiro. Apenas uma forte identidade como a portu­guesa, fruto das parti­cularidades do seu povo e de novecen­tos anos de história rica de êxitos, poderia manter a sua indepen­dência face a um vizinho cobiçoso, militarmente mais po­deroso e ameaçador.

Segundo. O Estado espanhol, tutelado por Castela, per­manece um arqui-inimigo da independência portuguesa, ape­sar de hoje ser obrigado a agir de forma própria no quadro interna­cional actual, que já não lhe permite as veleidades militares de ou­trora, a que aliás assistimos até mesmo no século XX.

Terceiro. A luta dos movimentos independentistas das nações ibéricas hoje submetidas a Castela previsivelmente conduzirá, a prazo, ao desman­telamento do Estado espa­nhol, acontecimento apenas protelado pela ainda manuten­ção do regime monárquico, entretanto já posto em causa.

Quarto. A ultrapassagem económica de Portugal pela Espanha como consequência do acidente histórico do 25 de Abril de 1974 pode ser apenas um episódio conjuntural, dependendo a recolocação de Portugal na dianteira exclu­si­vamente das políticas portuguesas serem adequa­das, isto é, dependendo exclu­si­vamente dos Portugueses.

Quinto. O actual adiantamento conjuntural da Espanha se­duz alguns portugueses e é utilizado como isco por co­mer­­ciantes ávi­dos e sem valores patrióticos, tecnocratas apátridas e políticos e in­telec­tuais ven­didos a inte­resses castelhanos, que procuram camuflar os seus interesses materiais com variantes do velho ibe­rismo.

Sexto. A integração de Portugal e do Estado espanhol na União Europeia não significa de modo nenhum o desa­parecimento das fronteiras entre os dois estados, como pretendem falacio­samente os hiper-europeístas internos, com interesses co­merciais ou políticos, e os seus seguidores inconscientes.


Num momento em que se adivinha o desman­telamento do Estado espanhol, tornam-se visivelmente irrealistas as aspirações e a propaganda para realizar o sonho unifi­cador iberista de alguns. No entanto, o neo-iberismo, hoje mais de cariz mercanti­lista do que político, exerce sobre alguns responsáveis políticos portugueses, se não um certo fascínio, pelo menos uma influência inibidora dos seus deveres de Estado no relacionamento com o Estado espa­nhol, no­meadamente no cenário europeu.

Hoje, no cenário das instituições europeias, joga-se em grande parte não apenas o futuro de Portugal mas também as relações entre Portugal e o Estado espanhol. Aí, tal como ontem em Aljubarrota e Montes Claros, os representantes de Portugal devem demonstrar grande consciência e gran­de firmeza na defesa dos interesses portugue­ses.

O Estado espanhol ocupa ilegalmente as terras portu­guesas de Olivença e procura fazer cair no esquecimento o assunto. Portugal deve utilizar todas as tribunas interna­cionais à sua disposição, no­meadamente as insti­tuições europeias, a NATO e as Nações Unidas, para fazer valer os seus direitos e obter a reso­lução deste problema pendente.

Das previsíveis e inevitáveis mudanças profundas nas estruturas de Estado peninsulares resultará uma maior influência por­tuguesa no contexto ibérico. Com essa trans­formação política, também a língua castelhana per­derá influência na Europa e no mun­do e, consequente­mente, a língua portuguesa ganhará uma melhor posição relativa.






segunda-feira, 28 de novembro de 2016


A propósito de Olivença e da visita do novo Filipe


Declaração do Grupo dos Amigos de Olivença


Por ocasião da visita a Portugal do Chefe de Estado de Espanha,
Sua Majestade o Rei Filipe VI, o Grupo dos Amigos de Olivença, torna público o seguinte:

A Questão de Olivença, inquestionavelmente presente na realidade política luso-espanhola, continua por resolver, uma vez que Portugal não reconhece a soberania de Espanha sobre o território e considera o mesmo, de jure, português. Aliás, o Governo português, conforme o comando constitucional, tem reafirmado publicamente que «mantém a posição conhecida quanto à delimitação das fronteiras do território nacional» e que «Olivença é território português».

O litígio à volta da soberania de Olivença, propiciando, pela sua natureza, desconfiança e reserva entre os dois Estados, tem efeitos reais e negativos no seu relacionamento. Se o confronto se evidencia em episódios «menores», também é certo que muitos dos atritos e dificuldades verificados em áreas relevantes da política bilateral terão causa na persistência da Questão de Olivença.

Porque uma política de boa vizinhança entre os dois Estados não pode ser construída sobre equívocos e ressentimentos, sendo escusada, inadmissível e insustentável a tentativa de esconder a existência política da Questão de Olivença e os prejuízos que ela traz ao relacionamento peninsular, impõe-se que a mesma seja inscrita — com natural frontalidade e sem subterfúgios — na agenda diplomática luso-espanhola.

Nas circunstâncias actuais, em que se procura aprofundar essa visão de amizade fraterna entre os dois povos, assente numa amizade antiga e por conseguinte experimentada, exigente e desafiadora, e integrando Portugal e Espanha os mesmos espaços políticos, económicos e militares, com salutar aproximação e colaboração em vastas áreas, são propícias a que ambos os Estados assumam que é chegado o momento de discutir, de forma adequada, a Questão de Olivença e de dar cumprimento à legalidade e ao Direito Internacional.

O Grupo dos Amigos de Olivença, com a legitimidade que lhe conferem 78 anos de esforços pela retrocessão do território, lança um desafio aos Governantes dos dois Estados para que, no respeito pela História, pela Cultura e pelo Direito, dêem início a conversações que conduzam à solução justa do litígio.

O Grupo dos Amigos de Olivença, na véspera do 1.º de Dezembro, dia em que se assinala a Restauração da Independência Nacional, obra do glorioso e unânime esforço colectivo do povo português, fazendo seus os anseios de tantos e tantos portugueses, apela ao Governo de Portugal para que, resolutamente, leve por diante a sustentação dos direitos de Portugal. 

O Grupo dos Amigos de Olivença, apela a todos os cidadãos para que, no pleno exercício dos seus direitos, manifestem o seu apoio à defesa de Olivença Portuguesa.


OLIVENÇA É TERRA PORTUGUESA!

VIVA OLIVENÇA PORTUGUESA!





«Eu matei Castro — assinado: Deus»


Daniel Martins, IPCO, 26 de Novembro de 2016

Morre em Havana, aos 90 anos, o ditador comunista Fidel Castro. Perto de um século de tirania, de chantagem ao mundo Ocidental, de perseguição e matança de tantos e tantos que pereceram no seu paredón bradando «Viva Cristo Rei».

A sua morte faz lembrar a frase do ímpio filósofo Nietsche, cujos seguidores inscreveram no seu túmulo, logo após a sua morte: «Eu matei Deus – ass. Nietsche». Dias depois, um católico, não sem uma saborosa pitada de ironia, escreveu ao lado um epitáfio irrefutável e muito mais apropriado: «Eu matei Nietsche – ass. Deus». Contra factos, não há argumentos… Naquele lugar, jazia o cadáver de alguém que julgava ter morto, na mente dos homens, a ideia de um Deus transcendente e todo-poderoso.

Desejamos de todo o coração que, vencidas as convulsões que nos ameaçam de todas as partes, a Revolução, na qual Castro teve um infame papel, morra de uma vez por todas. É o que desejamos, motivo pelo qual lutamos, tendo Deus do nosso lado.




sábado, 26 de novembro de 2016


Como podem os media,

chefes de Estado e religião

enganar tanto sobre questões ambientais?


Para fazer rir: Obama e Xi Jinping presidem os países que mais produzem CO2.
Mas a trapaça é apresentar esse gás incolor como fumaça!

Luis Dufaur

Nicolas Loris, um economista especializado em questões energéticas e ambientais da The Heritage Foundation, levantou uma questão que parece engraçada.

Os grandes media estão sempre reverberando  boatos, trabalhos pseudocientíficos ou científicos enviesados sobre o aquecimento global. Até aqui, nada de novo.

Porém, esses supostamente bem informados ou até eruditos órgãos, na hora de informar sobre o demonizado CO2, ilustram as suas matérias com torres de fábricas soltando colunas de fumaça ou centrais nucleares emitindo vapor de água.

Mas o CO2 é um gás incolor! Será que esses zelotes do meio ambiente não têm conhecimento desse dado elementar?

O CO2, além de incolor, é inodoro e não tóxico. Os homens saudáveis exalam CO2 quando respiram e não sai fumaça. Acresce que o CO2 é o alimento indispensável para o crescimento dinâmico das plantas.

Quando o presidente Obama assinou juntamente com a China o acordo obtido na COP21 de Paris, o jornal oficial chinês The South China Morning Post foi o primeiro a transmitir a informação.

E ilustrou o assunto com imagens de fábricas emitindo repelentes e assustadoras colunas de fumaça preta. No pé da foto, a reputada agência Reuters explicava: «Colunas de fumaça saem das chaminés de uma fábrica química em Hefei, na província de Anhui».

Toda o assunto do artigo era sobre a redução das emissões de CO2 que estariam aquecendo o planeta por culpa da civilização humana!

Com esta foto, o site ambientalista sublinha a importância
de reduzir imediatamente as emissões de CO2.
A foto impressiona mas não tem nada a ver com o assunto.
É trapaça jornalística.
O que aconteceu com esses sábios do ambientalismo? Não lhes ocorre encontrar ilustrações que não patenteiem perfeita ignorância sobre o que é o CO2? Seria mais responsável e de causar menos vergonha!

É claro que os leitores comuns tampouco sabem da ausência total de cor do CO2. Os ambientalistas desejosos de impor as suas leis ao mundo podem, assim, enganá-los à vontade.

Mas isso é idoneidade científica? Deontologia jornalística? Ilustração séria?

A fantasia já foi impressa em massa, no papel ou em bytes, em jornais e revistas de papel ou em páginas virtuais, e aos biliões de exemplares.

Para maior injúria à razão, o próprio The South China Morning Post ilustrava o problema das mudanças climáticas com fotos de cidadãos chineses pedalando no meio de nuvens, essas sim tóxicas, de poluição em Pequim.

Jornais desde a Austrália até ao Brasil reproduzem cenas análogas com idênticos dizeres. Nada a ver com nada. A poluição chinesa não é fruto do CO2 e ninguém lhe diz para mudar o clima. Nem os mais descabelados ambientalistas!

Como pode essa mentira deslavada encher as páginas dos media? Não haverá um cientista pela «mudança climática» que avise os jornalistas seus amigos sobre o absurdo em que incorrem em larga escala? Ou não há?

Nada!

É como se esses famosos cientistas ambientalistas, ganhadores de prémios Nobel e comendas nacionais, além de substanciosos prémios económicos e até cadeiras de ministérios, não soubessem o elementar.

E o que dizer dos jornalistas que caíram nessa? Rir? Chorar? Rasgar as vestes? Faltam palavras…

Personalidades como o presidente dos EUA, Barack Obama, enchem a boca com expressões como «mudança climática». Mas não sabem que o clima está sempre mudando e que a expressão é uma mera redundância etimológica que não diz nada?

Num site ambientalista esta foto «prova» o mal que faz o CO2.
Noutro serve para «provar» o aquecimento climático.
Num outro, os perigos do cancro. Serve para «provar» tudo
menos que seja maléfico o CO2 inodoro, incolor e benéfico!
Trombetear a «mudança climática» como sendo uma realidade é o mesmo que alertar contra a «luz iluminante», a «água molhante», o «frio esfriante», e assim infinitamente, pronunciando muitas palavras e não dizendo nada.

Os problemas da China, com o seu ar e água poluídos, são verdadeiramente sérios. Obama poderia ter falado disso quando esteve nesse país para assinar o acordo de Paris, mas a sua preocupação foi com o inexistente!

Não havia um assessor, dos muitos que por ofício tem o presidente americano, que lhe sugerisse não falar de coisas em sentido lato, nem que lhe soprasse alguma outra fórmula, ainda que meramente verbal?

Mas os media mundiais levaram muito a sério os sem-sentidos, os vácuos verbais, as ausências de pensamento, o desconhecimento da ciência, a falta de percepção da natureza, patenteados por Obama na hora de assinar o Tratado de Paris. Aliás, é a de tantos outros «responsáveis pelo planeta».

O presidente Xi Jinping disse outras tantas, mas já avisou que não vai cumprir qualquer coisa relativamente ao que disser ou assinar. E ninguém lhe vai cobrar os incumprimentos.

Entretanto, há verdadeiros problemas ambientais. Basta ver as fotos de rapazes estudando com lanternas na Índia, por não terem acesso à electricidade. Ou as da Coreia do Norte sumida na escuridão por falta de energia. Ou ainda as obsoletas fábricas da era soviética envenenando o ar, os assentados na miséria em terras da reforma agrária em Cuba, ou até mesmo no Brasil, em via de degradação.

Mas, para os media e os oráculos da sabedoria ambientalista, nada disso importa. Nem sequer existe. Só há uma realidade (aliás, um dogma); só há uma Inquisição santa: é a verde anarquista.

Não adianta serem pegos em flagrante, pois continuam a enganar desinibidamente a humanidade. E tanto mais agora, quando dispõem de uma encíclica igualmente libertada da verdade científica e do respeito objectivo da natureza: a «Laudato Si’»!





quinta-feira, 24 de novembro de 2016


Der Spiegel

O plano secreto dos refugiados muçulmanos:


«islamizar a Alemanha» Der Spiegel

Uma trabalhadora dos campos de refugiados
elaborou um informe para os serviços secretos
em que alerta para o discurso de ódio
contra os cristãos e os alemães.


El número de musulmanes en Alemania / Actuall

Juan Robles, Actuall, 21 de Novembro de 2016

Refugiados musulmanes planean «islamizar» Alemania. La noticia la publicó uno de los medios más importantes de Europa, Der Spiegel, pero apenas ha tenido eco en el resto del continente, y eso que la amenaza no es menor.

La fuente no es otra que los servicios secretos alemanes, el Bundesverfassungsschutz, y se basa en un informe elaborado por una traductora de árabe que ha colaborado con los musulmanes llegados a Alemania durante los últimos meses.

VER MAIS EMhttp://www.actuall.com/persecucion/el-plan-secreto-de-los-refugiados-musulmanes-islamizar-alemania/






O pessimismo explicado

aos leitores de esquerda


João Miguel Tavares, Público, 22 de Novembro de 2016

Sais de fruto. Pastilhas Rennie. Comprimidos Omeprazol. Não se consegue escrever um texto a criticar o Governo de António Costa e a situação do país sem receber em troca uma receita médica, diligentemente prescrita pelos leitores de esquerda. O estado de saúde de quem votou no PSD ou no CDS inspira-lhes mais cuidados do que o estado do país: todo o nosso pessimismo é justificado por razões de azia e descontrolo dos sucos gástricos, devido à substituição do Governo de Pedro Passos Coelho pelo Governo de António Costa. É a homeopatia aplicada ao debate político — se diluirmos o pessimismo, o optimismo floresce, e Portugal voltará a convergir com a Europa.

Numa coisa, pelo menos, os leitores de esquerda têm razão: esta visão do estado do país e dos desafios que ele enfrenta é de tal forma alucinada que nem litro e meio de sais de fruto refreia a indigestão. Imagine, caro leitor, que você está endividado até ao pescoço. O seu ordenado cresce 1,5% ao ano (vamos ser optimistas), tem uma dívida gigantesca a crescer ao ritmo do seu ordenado, e paga ao banco juros anuais de 3,5%.

Diga-me, caro leitor: com o correr dos meses e dos anos, parece-lhe que a sua situação irá piorar ou melhorar? Eu diria (já digo há muito tempo) que não é uma questão de esquerda ou de direita, mas de matemática. Só que em Portugal há um número espantoso de pessoas que pensa da seguinte forma: a situação iria piorar, se fosse Pedro Passos Coelho que estivesse no governo, mas, estando lá António Costa, a situação vai com certeza melhorar. Não há matemática que perturbe o realismo mágico-ideológico da esquerda nacional.

Ao contrário do que se possa pensar, não sou um espectacular fã da anterior coligação PSD-CDS. Acho que se perdeu uma oportunidade para reformar mais profundamente o país. Acho que a explicação daquilo que se fez foi uma desgraça. Acho que Pedro Passos Coelho ficou preso a um chavão no Governo — «ir além da troika» —, como voltou a ficar preso a um chavão na oposição — «Vem aí o diabo» —, o que significa que, nesse aspecto, aprendeu muito pouco. Mas reconheço o seu esforço e coragem em várias áreas, e a capacidade para diminuir o défice de 11,2% em 2011 para 3% em 2015 (sem Banif, que foi já uma decisão de António Costa).

Ora, quando comparamos a indiferença generalizada perante a redução do défice em 8,2 pontos percentuais em quatro anos (média: 2,05%/ano) com o entusiasmo que uma possível redução de 0,5 pontos percentuais em 2016 está a provocar, percebemos que onde Costa arrasa Passos Coelho não é na capacidade de governar, mas sim na capacidade de se autopromover. Costa vende-se muito bem a gente cheia de vontade de o comprar, porque está farta do discurso dos sacrifícios e da tanga.

Só que, infelizmente para Portugal, o país não se reforma com excelente comunicação, e a tanga e os sacrifícios são realidades incontornáveis no estado em que nos encontramos. É claro que António Costa fez pela sorte, com uma solução de governo inesperada que se tem mostrado resiliente, e que a sorte não o tem abandonado — enquanto o BCE continuar a comprar dívida, há esperança para ele. Mas a economia não muda, os problemas estruturais não desaparecem, as regras da matemática não se alteram só porque Costa passeia a sua calma de monge budista pelas televisões. Lamento: quem for minimamente lúcido só pode estar pessimista em relação ao futuro do país. Por muita pastilha Rennie que meta no bucho.





quarta-feira, 23 de novembro de 2016


Triunfo de Trump: luzes e sombras


Republicanos comemoram a vitória de Donald Trump

Credo Chile, 14 de Novembro de 2016

O que triunfou nos Estados Unidos foi claramente uma reacção conservadora, desgostosa com os rumos que norteiam a política norte-americana nos últimos anos.

As consequências das eleições norte-americanas podem de tal modo significar uma grande reviravolta na situação do mundo, que seria completamente sem sentido uma «análise da semana» que não se referisse ao triunfo de Trump.

Abordamos a questão do ponto de vista estritamente apolítico e dos interesses da civilização cristã, que são as perspectivas do Credo Chile.

O que triunfou nos Estados Unidos foi claramente uma reacção conservadora, desgostosa com os rumos que norteiam a política norte-americana nos últimos anos. E o que nela houve de substancial confirma-se no amplo apoio obtido pelos candidatos republicanos em ambas as Câmaras.

Tudo isso indica uma recusa da opinião pública norte-americana àquela corrente de pensamento predominante entre os democratas, conhecida como «politicamente correcta», isto é, ao establishment.

Não obstante essa reacção anti-establishment seja profundamente saudável, ela não deixa ao mesmo tempo de projectar algumas sombras inquietantes.

Vejamos sumariamente ambas as perspectivas que se abrem com a nova presidência de Trump.

O saudável dessa reacção é tão evidente, que salta à vista. Se havia uma candidata «politicamente correcta», esta era Hillary Clinton. Ela representava todas as «conquistas sociais», a liberdade completa em matéria de costumes morais, aborto, uniões homossexuais, identidade de género etc. De onde a sua profunda hostilidade à religião, em especial à católica, e a tudo que fosse conservador.

Nem precisa dizer que, a julgar pela fisionomia do casal Clinton,
trata-se da foto do momento em que Hillary reconheceu
a sua derrota nas recentes eleições
A derrota eleitoral desse paradigma não pode deixar de ser vista com enorme alívio, e com simpatia e esperança o triunfo do candidato opositor.

Com o triunfo dos conservadores na pessoa de Trump surge sem embargo uma preocupação, cuja importância internacional não havia tido até aqui todo o seu destaque. É que, juntamente com os aspectos «conservadores» daqueles que sustentam posições «politicamente correctas» — como a defesa das identidades nacionais, da família, da religião etc. —, projectam-se algumas dúvidas, consistentes em saber até onde chegará o «incorrecto», ou, mais precisamente, quem guiará a «incorrecção» dessas políticas.

Um exemplo nos permitirá aquilatar essa preocupação. O actual presidente da Rússia.

Como se sabe, a propaganda russa apresenta um Putin [foto] que estaria liderando há vários anos uma política interior no bom sentido do «incorrecto».  Na última semana, por exemplo, inaugurou uma enorme estátua de 25 metros de altura, de São Wladimir (o seu próprio nome…), o fundador da Rússia cristã.

No entanto, simultaneamente, quase como outro braço do mesmo corpo, está promovendo a expansão das suas fronteiras à custa dos países libertados do jugo da ex-URSS, e ameaça aumentar ainda mais a dita expansão.

Faz parte da sua posição não excluir nem condenar os períodos de Lénin e de Stalin, e menos ainda a influência ideológica e territorial da ex-URSS sobre o mundo inteiro. Esses tentáculos russos ex-soviéticos celebraram nas últimas semanas acordos com a Venezuela de Maduro e a ditadura de Ortega na Nicarágua, não obstante, ou precisamente por isso, ambos não esconderem a sua filiação marxista.

Ou seja, as simpatias despertadas por Putin pela propaganda que o apresenta como favorável à família e contra o aborto (apesar de nada ter feito de substancial nesse sentido) diluem-se quando vistas sob o prisma do seu ânimo expansionista e favorável à época soviética.

No caso do Presidente eleito Trump, inquietam as suas declarações destemperadas como candidato; as suas promessas isolacionistas; a sua intenção de deixar a OTAN e a Coreia do Sul cuidarem das suas próprias defesas; os apoios internacionais suscitados numa vasta rede de partidos «populistas» em crescimento na Europa; a falta de referências morais e religiosas desses populismos; os vínculos com a Rússia de Putin; as diferentes  posições  assumidas ao longo da sua carreira etc. Todo esse conjunto de factores não pode deixar de projectar uma  pesada sombra no porvir.

Resumamos o dilema

Quando o «politicamente incorrecto» constitui a oposição e a parte débil do panorama, as suas posições em geral são boas, pois definem-se como contrárias a todo o mal do «politicamente correcto». Mas como se comportará essa política «incorrecta» quando passa a ser governo e representa a parte forte? Se ela se deixar levar somente pelos caprichos do «populismo», o futuro não será tão promissor, pois dos temores populistas puderam sair o nazismo, o socialismo, o peronismo, e muitos outros «ismos» de nefastas consequências para a civilização cristã.

Ainda é cedo para dizer se essas sombras darão origem a chuvas benéficas ou a tempestades devastadoras. Mas seria ingénuo abster-se de levantar o problema e somente festejar, fechando os olhos para os aspectos sombrios do panorama.

Não podemos concluir estas linhas sem manifestar as nossas esperanças de que os sectores pró-família e anti-aborto, que se manifestaram com tanta clareza nessas eleições, consigam dirigir essa poderosa nação pelos rumos que a fizeram autêntica, cristã e forte.





segunda-feira, 21 de novembro de 2016

domingo, 20 de novembro de 2016


Pode um psicólogo ser católico?


João Miguel Tavares, Público, 15 de Novembro de 2016

Guardemos a mordaça e lembremos os ensinamentos do bom e velho Stuart Mill: nunca devemos impedir de falar as pessoas que acreditamos estarem erradas.

Indignação da semana: Maria José Vilaçapsicóloga e responsável da Associação dos Psicólogos Católicos, disse nas páginas da revista Família Cristã que era possível aceitar um filho homossexual sem aceitar a homossexualidade. «Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.» E acrescentou: «É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.» Esta frase provocou o habitual incêndio das redes sociais e dezenas de queixas na Ordem dos Psicólogos, que emitiu um comunicado onde recorda que nas suas intervenções públicas os psicólogos estão obrigados a «observar o princípio do rigor e da independência, abstendo-se de fazer declarações falsas ou sem fundamentação científica». De seguida, a Ordem anunciou ir participar o caso ao Conselho Jurisdicional por considerar tais declarações «de extrema gravidade».

Cá está – um piscar de olhos e já se foi longe demais. A opinião que eu tenho em relação às declarações de Maria José Vilaça é igual à dos indignados: discordo profundamente dela e acho a comparação entre um filho homossexual e um filho toxicodependente de uma infelicidade extrema. Parece-me, por isso, perfeitamente natural que as pessoas manifestem a sua discordância pública em relação à senhora e que as redes sociais se incendeiem, como de costume. Nada contra até aqui. Tudo contra a partir daqui: há um momento, altamente desagradável, mas cada vez mais recorrente, em que se passa do direito de discordar para o desejo de despedir. As pessoas deixam de se limitar a criticar Maria José Vilaça por ter dito uma tontice, e a rebater a sua opinião com argumentos sustentados, e passam a defender que ela deve ser silenciada e proibida de exercer a sua profissão porque, pelos vistos, hoje em dia não se pode ser psicólogo e ao mesmo tempo considerar a homossexualidade uma prática «não natural».

Mas será que não se pode mesmo? É que se não se pode, como a Ordem dos Psicólogos parece defender, se passou a ser uma coisa tão inadmissível como a prática da lobotomia para curar doenças mentais, então há aqui uma notícia muito maior do que as declarações de Maria José Vilaça, e que está tristemente a passar ao lado da comunicação social. A primeira frase de todos os artigos sobre este tema deveria ser esta: «A Ordem dos Psicólogos Portugueses defende que um católico que aceite os ensinamentos da Igreja em relação à homossexualidade não tem condições para ser psicólogo e deve abandonar de imediato a sua profissão.» Esta é a notícia, meus senhores. Mandem imprimir, enviem para o Vaticano e informem o Papa Francisco.

Guardemos a mordaça e lembremos os ensinamentos do bom e velho Stuart Mill: nunca devemos impedir de falar as pessoas que acreditamos estarem erradas. Ao exporem as suas ideias, temos uma excelente oportunidade para as rebater e mostrar aos outros a superioridade dos nossos argumentos. Infelizmente, é cada vez menos isso que estamos a fazer. A linha entre o confronto de ideias e o silenciamento de ideias está a ser ultrapassada vezes sem fim, criando uma pressão insustentável sobre quem pensa diferente de nós. Depois espantamo-nos que as pessoas mintam nas sondagens sobre a sua orientação de voto e acabem a colocar a cruzinha em Donald Trump quando ninguém está a ver. Numa sociedade livre, a resposta a quem diz parvoeiras não é «cala-te!». É, isso sim, «que argumentos tens para defender tamanha parvoíce?».






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