segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mensagem do Papa à Cúria Romana

(Extractos)
Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012
 
A FAMÍLIA
 
«Assim se tornou evidente que, na questão da família, não está em jogo meramente uma determinada forma social, mas o próprio homem: está em questão o que é o homem e o que é preciso fazer para ser justamente homem. Os desafios, neste contexto, são complexos. Há, antes de mais nada, a questão da capacidade que o homem tem de se vincular ou então da sua falta de vínculos. Pode o homem vincular-se para toda a vida? Isto está de acordo com a sua natureza? Ou não estará porventura em contraste com a sua liberdade e com a auto-realização em toda a sua amplitude? Será que o ser humano torna-se ele próprio, permanecendo autónomo e entrando em contacto com o outro apenas através de relações que pode interromper a qualquer momento? Um vínculo por toda a vida está em contraste com a liberdade? Vale a pena também sofrer por um vínculo? A recusa do vínculo humano, que se vai generalizando cada vez mais por causa duma noção errada de liberdade e de auto-realização e ainda devido à fuga da perspectiva duma paciente suportação do sofrimento, significa que o homem permanece fechado em si mesmo e, em última análise, conserva o próprio «eu» para si mesmo, não o supera verdadeiramente. Mas, só no dom de si é que o homem se alcança a si mesmo, e só abrindo-se ao outro, aos outros, aos filhos, à família, só deixando-se plasmar pelo sofrimento é que ele descobre a grandeza de ser pessoa humana. Com a recusa de tal vínculo, desaparecem também as figuras fundamentais da existência humana: o pai, a mãe, o filho; caem dimensões essenciais da experiência de ser pessoa humana.
 
A FILOSOFIA «DO GÉNERO»
 
«Num tratado cuidadosamente documentado e profundamente comovente, o rabino-chefe de França, Gilles Bernheim, mostrou que o ataque à forma autêntica da família (constituída por pai, mãe e filho), ao qual nos encontramos hoje expostos – um verdadeiro atentado –, atinge uma dimensão ainda mais profunda. Se antes tínhamos visto como causa da crise da família um mal-entendido acerca da essência da liberdade humana, agora torna-se claro que aqui está em jogo a visão do próprio ser, do que significa realmente ser homem. Ele cita o célebre aforismo de Simone de Beauvoir: «Não se nasce mulher; fazem-na mulher – pas femme, on le devient». Nestas palavras, manifesta-se o fundamento daquilo que hoje, sob o vocábulo «gender – género», é apresentado como nova filosofia da sexualidade. De acordo com tal filosofia, o sexo já! não é um dado originário da natureza que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de significado, mas uma função social que cada qual decide autonomamente, enquanto até agora era a sociedade quem a decidia. Salta aos olhos a profunda falsidade desta teoria e da revolução antropológica que lhe está subjacente. O homem contesta o facto de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um facto pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser lido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza; agora, é só espírito e vontade. A manipulação da natureza, que hoje deploramos relativamente ao meio ambiente, torna-se aqui a escolha básica do homem a respeito de si mesmo. Agora existe apenas o homem em abstracto, que em seguida escolhe para si, autonomamente, qualquer coisa como sua natureza. Homem e mulher são contestados como exigência, ditada pela criação, de haver formas da pessoa humana que se completam mutuamente. Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação. Mas, em tal caso, também a prole perdeu o lugar que até agora lhe competia, e a dignidade particular que lhe é própria; Bernheim mostra como o filho, de sujeito jurídico que era com direito próprio, passe agora necessariamente a objecto, ao qual se tem direito e que, como objecto de um direito, se pode adquirir. Onde a liberdade do fazer se torna liberdade de fazer-se por si mesmo, chega-se necessariamente a negar o próprio Criador; e, consequentemente, o próprio homem como criatura de Deus, como imagem de Deus, é degradado na essência do seu ser. Na luta pela família, está em jogo o próprio homem. E torna-se evidente que, onde Deus é negado, dissolve-se também a dignidade do homem. Quem defende Deus, defende o homem.
 
O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO
 
«Dito isto, gostava de chegar ao segundo grande tema que, desde Assis até ao Sínodo sobre a Nova Evangelização, permeou todo o ano que chega ao fim: a questão do diálogo e do anúncio. Comecemos pelo diálogo. No nosso tempo, para a Igreja, vejo principalmente três campos de diálogo, onde ela deve estar presente lutando pelo homem e pelo que significa ser pessoa humana: o diálogo com os Estados, o diálogo com a sociedade – aqui está incluído o diálogo com as culturas e com a ciência – e, finalmente, o diálogo com as religiões. Em todos estes diálogos, a Igreja fala a partir da luz que a fé lhe dá. Ao mesmo tempo, porém, ela encarna a memória da humanidade que, desde os primórdios e através dos tempos, é memória das experiências e dos sofrimentos da humanidade, onde a Igreja ap! rendeu o que significa ser homem, experimentando o seu limite e grandeza, as suas possibilidades e limitações. A cultura do humano, de que ela se faz garante, nasceu e desenvolveu-se a partir do encontro entre a revelação de Deus e a existência humana. A Igreja representa a memória do que é ser homem defronte a uma civilização do esquecimento que já só se conhece a si mesma e só reconhece o próprio critério de medição. Mas, assim como uma pessoa sem memória perdeu a sua identidade, assim também uma humanidade sem memória perderia a própria identidade. Aquilo que foi dado ver à Igreja, no encontro entre revelação e experiência humana, ultrapassa sem dúvida o mero âmbito da razão, mas não constitui um mundo particular que seria desprovido de interesse para o não-crente. Se o homem, com o próprio pensamento entra na reflexão e na compreensão daqueles conhecimentos, estes alargam o horizonte da razão e isto diz respeito também àqueles que não conseguem partilhar a fé da Igreja. No diálogo com o Estado e a sociedade, naturalmente a Igreja não tem soluções prontas para as diversas questões. Mas, unida às outras forças sociais, lutará pelas respostas que melhor correspondam à justa medida do ser humano. Aquilo que ela identificou como valores fundamentais, constitutivos e não negociáveis da existência humana, deve defendê-lo com a máxima clareza. Deve fazer todo o possível por criar uma convicção que possa depois traduzir-se em acção política.
 
Na situação actual da humanidade, o diálogo das religiões é uma condição necessária para a paz no mundo, constituindo por isso mesmo um dever para os cristãos bem como para as outras crenças religiosas. Este diálogo das religiões possui diversas dimensões. Há-de ser, antes de tudo, simplesmente um diálogo da vida, um diálogo da acção compartilhada. Nele, não se falará dos grandes temas da fé – se Deus é trinitário, ou como se deve entender a inspiração das Escrituras Sagradas, etc. –, mas trata-se dos problemas concretos da convivência e da responsabilidade comum pela sociedade, pelo Estado, pela humanidade. Aqui é preciso aprender a aceitar o outro na sua forma de ser e pensar de modo diverso. Para isso, é necessário fazer da responsabilidade comum pela justiça e a paz o critério basilar do diálogo. Um diálogo, onde se trate de paz e de justiça indo mais além do que é simplesmente pragmático, torna-se por si mesmo uma luta ética sobre os valores que são pressupostos em tudo. Assim o diálogo, ao princípio meramente prático, torna-se também uma luta pelo justo modo de ser pessoa humana. Embora as escolhas básicas não estejam enquanto tais em discussão, os esforços à volta duma questão concreta tornam-se um percurso no qual ambas as partes podem encontrar purificação e enriquecimento através da escuta do outro. Assim estes esforços podem ter o significado também de passos comuns rumo à única verdade, sem que as escolhas básicas sejam alteradas. Se ambas as partes se movem a partir duma hermenêutica de justiça e de paz, a diferenciação básica não desaparecerá, mas crescerá; uma proximidade mais profunda entre eles.
 
Hoje em geral, para a essência do diálogo inter-religioso, consideram fundamentais duas regras:
 
1.ª) O diálogo não tem como alvo a conversão, mas a compreensão. Nisto se distingue da evangelização, da missão.
 
2.ª) De acordo com isso, neste diálogo, ambas as partes permanecem deliberadamente na sua identidade própria, que, no diálogo, não põem em questão nem para si mesmo nem para os outros.
 
Estas regras são justas; mas penso que assim estejam formuladas demasiado superficialmente. Sim, o diálogo não visa a conversão, mas uma melhor compreensão recíproca: isto é correcto. Contudo a busca de conhecimento e compreensão sempre pretende ser também uma aproximação da verdade. Assim, ambas as partes, aproximando-se passo a passo da verdade, avançam e caminham para uma maior partilha, que se funda sobre a unidade da verdade. Quanto a permanecer fiéis à própria identidade, seria demasiado pouco se o cristão, com a sua decisão a favor da própria identidade, interrompesse por assim dizer por vontade própria o caminho para a verdade. Então o seu ser cristão tornar-se-ia algo de arbitrário, uma escolha simplesmente factual. Nesse caso, evidentemente, ele não teria em conta que a religião tem a ver com a verdade. A propósito disto, eu diria que o cristão possui a grande confiança, mais ainda, a certeza basilar de poder tranquilamente fazer-se ao largo no vasto mar da verdade, sem dever temer pela sua identidade de cristão. Sem dúvida, não somos nós que possuímos a verdade, mas é ela que nos possui a nós: Cristo, que é a Verdade, tomou-nos pela mão e, no caminho da nossa busca apaixonada de conhecimento, sabemos que a sua mão nos sustenta firmemente. O facto de sermos interiormente sustentados pela mão de Cristo torna-nos simultaneamente livres e seguros. Livres: se somos sustentados por Ele, podemos, abertamente e sem medo, entrar em qualquer diálogo. Seguros, porque Ele não nos deixa, a não ser que sejamos nós mesmos a desligar-nos d’Ele. Unidos a Ele, estamos na luz da verdade.»


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domingo, 23 de dezembro de 2012

O Papa e o Rabino-chefe de França
contra a ideologia do género

(Excerto do discurso do Papa à Curia Romana – 21. 12. 2012)

... (N)a questão da família, não está em jogo meramente uma determinada forma social, mas o próprio homem: está em questão o que é o homem e o que é preciso fazer para ser justamente homem. Os desafios, neste contexto, são complexos. Há, antes de mais nada, a questão da capacidade que o homem tem de se vincular ou então da sua falta de vínculos. Pode o homem vincular-se para toda a vida? Isto está de acordo com a sua natureza? Ou não estará porventura em contraste com a sua liberdade e com a auto-realização em toda a sua amplitude? Será que o ser humano torna-se ele próprio, permanecendo autónomo e entrando em contacto com o outro apenas através de relações que pode interromper a qualquer momento? Um vínculo por toda a vida está em contraste com a liberdade? Vale a pena também sofrer por um vínculo? A recusa do vínculo humano, que se vai generalizando cada vez mais por causa duma noção errada de liberdade e de auto-realização e ainda devido à fuga da perspectiva duma paciente suportação do sofrimento, significa que o homem permanece fechado em si mesmo e, em última análise, conserva o próprio «eu» para si mesmo, não o supera verdadeiramente. Mas, só no dom de si é que o homem se alcança a si mesmo, e só abrindo-se ao outro, aos outros, aos filhos, à família, só deixando-se plasmar pelo sofrimento é que ele descobre a grandeza de ser pessoa humana. Com a recusa de tal vínculo, desaparecem também as figuras fundamentais da existência humana: o pai, a mãe, o filho; caem dimensões essenciais da experiência de ser pessoa humana.

Num tratado cuidadosamente documentado e profundamente comovente, o rabino-chefe de França, Gilles Bernheim, mostrou que o ataque à forma autêntica da família (constituída por pai, mãe e filho), ao qual nos encontramos hoje expostos – um verdadeiro atentado –, atinge uma dimensão ainda mais profunda. Se antes tínhamos visto como causa da crise da família um mal-entendido acerca da essência da liberdade humana, agora torna-se claro que aqui está em jogo a visão do próprio ser, do que significa realmente ser homem. Ele cita o célebre aforismo de Simone de Beauvoir: «Não se nasce mulher; torna-se mulher – On ne naît pas femme, on le devient». Nestas palavras, manifesta-se o fundamento daquilo que hoje, sob o vocábulo «gender - género», é apresentado como nova filosofia da sexualidade. De acordo com tal filosofia, o sexo já não é um dado originário da natureza que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de significado, mas uma função social que cada qual decide autonomamente, enquanto até agora era a sociedade quem a decidia. Salta aos olhos a profunda falsidade desta teoria e da revolução antropológica que lhe está subjacente. O homem contesta o facto de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um facto pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza; agora, é só espírito e vontade. A manipulação da natureza, que hoje deploramos relativamente ao meio ambiente, torna-se aqui a escolha básica do homem a respeito de si mesmo. Agora existe apenas o homem em abstracto, que em seguida escolhe para si, autonomamente, qualquer coisa como sua natureza. Homem e mulher são contestados como exigência, ditada pela criação, de haver formas da pessoa humana que se completam mutuamente. Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação. Mas, em tal caso, também a prole perdeu o lugar que até agora lhe competia, e a dignidade particular que lhe é própria; Bernheim mostra como o filho, de sujeito jurídico que era com direito próprio, passe agora necessariamente a objecto, ao qual se tem direito e que, como objecto de um direito, se pode adquirir. Onde a liberdade do fazer se torna liberdade de fazer-se por si mesmo, chega-se necessariamente a negar o próprio Criador; e, consequentemente, o próprio homem como criatura de Deus, como imagem de Deus, é degradado na essência do seu ser. Na luta pela família, está em jogo o próprio homem. E torna-se evidente que, onde Deus é negado, dissolve-se também a dignidade do homem. Quem defende Deus, defende o homem.

Dito isto, gostava de chegar ao segundo grande tema que, desde Assis até ao Sínodo sobre a Nova Evangelização, permeou todo o ano que chega ao fim: a questão do diálogo e do anúncio. Comecemos pelo diálogo. No nosso tempo, para a Igreja, vejo principalmente três campos de diálogo, onde ela deve estar presente lutando pelo homem e pelo que significa ser pessoa humana: o diálogo com os Estados, o diálogo com a sociedade – aqui está incluído o diálogo com as culturas e com a ciência – e, finalmente, o diálogo com as religiões. Em todos estes diálogos, a Igreja fala a partir da luz que a fé lhe dá. Ao mesmo tempo, porém, ela encarna a memória da humanidade que, desde os primórdios e através dos tempos, é memória das experiências e dos sofrimentos da humanidade, onde a Igreja aprendeu o que significa ser homem, experimentando o seu limite e grandeza, as suas possibilidades e limitações. A cultura do humano, de que ela se faz garante, nasceu e desenvolveu-se a partir do encontro entre a revelação de Deus e a existência humana. A Igreja representa a memória do que é ser homem defronte a uma civilização do esquecimento que já só se conhece a si mesma e só reconhece o próprio critério de medição. Mas, assim como uma pessoa sem memória perdeu a sua identidade, assim também uma humanidade sem memória perderia a própria identidade. Aquilo que foi dado ver à Igreja, no encontro entre revelação e experiência humana, ultrapassa sem dúvida o mero âmbito da razão, mas não constitui um mundo particular que seria desprovido de interesse para o não-crente. Se o homem, com o próprio pensamento entra na reflexão e na compreensão daqueles conhecimentos, estes alargam o horizonte da razão e isto diz respeito também àqueles que não conseguem partilhar a fé da Igreja. No diálogo com o Estado e a sociedade, naturalmente a Igreja não tem soluções prontas para as diversas questões. Mas, unida às outras forças sociais, lutará pelas respostas que melhor correspondam à justa medida do ser humano. Aquilo que ela identificou como valores fundamentais, constitutivos e não negociáveis da existência humana, deve defendê-lo com a máxima clareza. Deve fazer todo o possível por criar uma convicção que possa depois traduzir-se em acção política.

Na situação actual da humanidade, o diálogo das religiões é uma condição necessária para a paz no mundo, constituindo por isso mesmo um dever para os cristãos bem como para as outras crenças religiosas. Este diálogo das religiões possui diversas dimensões. Há-de ser, antes de tudo, simplesmente um diálogo da vida, um diálogo da acção compartilhada. Nele, não se falará dos grandes temas da fé – se Deus é trinitário, ou como se deve entender a inspiração das Escrituras Sagradas, etc. –, mas trata-se dos problemas concretos da convivência e da responsabilidade comum pela sociedade, pelo Estado, pela humanidade. Aqui é preciso aprender a aceitar o outro na sua forma de ser e pensar de modo diverso. Para isso, é necessário fazer da responsabilidade comum pela justiça e a paz o critério basilar do diálogo. Um diálogo, onde se trate de paz e de justiça indo mais além do que é simplesmente pragmático, torna-se por si mesmo uma luta ética sobre a verdade e sobre o ser humano; um diálogo sobre os valores que são pressupostos em tudo. Assim o diálogo, ao princípio meramente prático, torna-se também uma luta pelo justo modo de ser pessoa humana. Embora as escolhas básicas não estejam enquanto tais em discussão, os esforços à volta duma questão concreta tornam-se um percurso no qual ambas as partes podem encontrar purificação e enriquecimento através da escuta do outro. Assim estes esforços podem ter o significado também de passos comuns rumo à única verdade, sem que as escolhas básicas sejam alteradas. Se ambas as partes se movem a partir duma hermenêutica de justiça e de paz, a diferença básica não desaparecerá, mas crescerá uma proximidade mais profunda entre eles.

Hoje em geral, para a essência do diálogo inter-religioso, consideram fundamentais duas regras:

1.ª) O diálogo não tem como alvo a conversão, mas a compreensão. Nisto se distingue da evangelização, da missão.

2.ª) De acordo com isso, neste diálogo, ambas as partes permanecem deliberadamente na sua identidade própria, que, no diálogo, não põem em questão nem para si mesmo nem para os outros.

Estas regras são justas; mas penso que assim estejam formuladas demasiado superficialmente. Sim, o diálogo não visa a conversão, mas uma melhor compreensão recíproca: isto é correcto. Contudo a busca de conhecimento e compreensão sempre pretende ser também uma aproximação da verdade. Assim, ambas as partes, aproximando-se passo a passo da verdade, avançam e caminham para uma maior partilha, que se funda sobre a unidade da verdade. Quanto a permanecer fiéis à própria identidade, seria demasiado pouco se o cristão, com a sua decisão a favor da própria identidade, interrompesse por assim dizer por vontade própria o caminho para a verdade. Então o seu ser cristão tornar-se-ia algo de arbitrário, uma escolha simplesmente factual. Nesse caso, evidentemente, ele não teria em conta que a religião tem a ver com a verdade. A propósito disto, eu diria que o cristão possui a grande confiança, mais ainda, a certeza basilar de poder tranquilamente fazer-se ao largo no vasto mar da verdade, sem dever temer pela sua identidade de cristão. Sem dúvida, não somos nós que possuímos a verdade, mas é ela que nos possui a nós: Cristo, que é a Verdade, tomou-nos pela mão e, no caminho da nossa busca apaixonada de conhecimento, sabemos que a sua mão nos sustenta firmemente. O facto de sermos interiormente sustentados pela mão de Cristo torna-nos simultaneamente livres e seguros. Livres: se somos sustentados por Ele, podemos, abertamente e sem medo, entrar em qualquer diálogo. Seguros, porque Ele não nos deixa, a não ser que sejamos nós mesmos a desligar-nos d’Ele. Unidos a Ele, estamos na luz da verdade. ...
 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Os nossos votos



Um Santo Natal
e um Novo Ano

mais aliviado do caos
a que os maus políticos
conduziram Portugal e o mundo
e pleno de êxitos
na defesa da Civilização cristã
e do bem comum
são os votos
do Conselho Superior
da Milícia de São Miguel.

 





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Universidade Católica escancara
as portas a Herodes

Nuno Serras Pereira

Uma vez que existe o costume de matar o mensageiro como se ele fora culpado da autoria dos acontecimentos que noticia declaro-me, se Deus me conceder essa Graça, pronto para a fogueira, o linchamento, ou qualquer outra forma de tortura metódica conducente a uma aniquilação lenta e macabra.
 
Infelizmente dá-se o caso de a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, apesar de prevenida por pessoas altamente qualificadas no sector da saúde mental, ter decidido organizar uma pós-graduação em serviço social na saúde mental leccionada por uma série de pessoas gravissimamente responsáveis por uma matança imensamente maior de crianças do que a de Herodes; autores de mentiras públicas escandalosas; advogadores da proibição de terapia para as pessoas homossexuais que o queiram; e instigadores da eutanásia.
 
Como se isto fora pouco, o curso destina-se a profissionais de serviço social, os quais, formatados por esta educação altamente católica, naturalmente trabalharão afincadamente em multiplicar caridosamente a carnagem.
 
Compreendo que alguém como eu que justamente não goza de nenhuma credibilidade seja objecto de qualquer confiança. Por isso deixo ao leitor interessado umas notas com notícias e citações que poderá examinar.

[ler em http://jesus-logos.blogspot.pt/2012/12/ucp-escancara-as-portas-herodes-por.html].
 
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1069-147 LISBOA
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Se não há igrejas na Arábia Saudita
não haverá mesquitas na Europa…

Jonas Gahr Store
Reciprocidade
 
A Noruega proibiu a Arábia Saudita de financiar mesquitas, enquanto não permitirem a construção de igrejas no seu país. 

O governo da Noruega acabou de dar um passo importante na hora de defender a liberdade da Europa, frente ao totalitarismo islâmico. 

Jonas Gahr Store, ministro dos Negócios Estrangeiros, decretou que não seriam aceites os donativos milionários da Arábia Saudita, assim como de empresários muçulmanos para financiar a construção de mesquitas na Noruega. 

Segundo o referido ministro, as comunidades religiosas têm direito a receber ajuda financeira, mas o governo norueguês, excepcionalmente e por razões óbvias, não aceitarão o financiamento islâmico de milhões de euros. 

Jonas Gahr Store argumenta que: 

«Seria um paradoxo e anti-natural aceitar essas fontes de financiamento de um país onde não existe liberdade religiosa». 

O ministro também afirma que «a aceitação desse dinheiro seria um contra-senso», recordando a proibição que existe nesse país árabe para a construção de igrejas de outras religiões. 

Jonas Gahr Store também anunciou que a «Noruega levará este assunto ao Conselho da Europa», donde defenderá esta decisão baseada na mais estrita reciprocidade com a Arábia Saudita.
 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Três mitos sobre a marijuana

Manuel Pinto Coelho

«Não há nada mais terrível que a ignorância activa» Goethe

Continua a ler-se com inusitada frequência na imprensa nacional declarações de pessoas que, embora habitualmente responsáveis, desde há muito, de forma mais ou menos declarada, se vêm batendo pela legalização da marijuana.
 
A bem da verdade e da saúde mental do leitor, esclarece-se:
 
Mito 1 - A marijuana fumada pode ter um aproveitamento médico.
 
Verdade - Pela impossibilidade de controlar a dose, os ingredientes e a potência, o fumo nunca poderá ser um modo seguro de administrar uma droga. Entre os seus 483 compostos químicos, o THC é fortemente psicoactivo, a sua potência não pára de aumentar - no espaço de 40 anos, passou de 1% para 35% - sendo que as concentrações desconhecidas deste composto químico tornam impossível a criação de uma dose uniforme com aplicação médica. Acresce ainda que a já há muito suspeitada ligação entre cannabis e a esquizofrenia vem sido repetidamente confirmada por estudos recentes, de tal forma que hoje ela é comparada com a conhecida ligação ao cancro do fumador de tabaco. Além de inquestionáveis danos no cérebro e aparelhos respiratório e reprodutor, estudos também recentes têm vindo a comprovar, no seio dos seus utilizadores, descidas do QI que podem ir até aos oito pontos.
 
Mito 2 - A legalização da marijuana iria diminuir o crime relacionado. As prisões estão superpovoadas de indivíduos acusados da sua posse, obrigando os Governos a gastar milhões pelas custas legais da sua detenção.
 
Verdade - A legalização da marijuana, com a consequente descida da percepção de risco, do preço, bem como o aumento da sua disponibilidade, faria dos jovens um alvo e um potencial mercado muito maior para os dealers. Nos EUA, de todos os detidos por problemas de droga, só 1,6% foram sentenciados unicamente por posse, sendo a quantidade média apreendida de 52 quilos, ou seja, muito mais do que a necessária para uso pessoal. Passa pela cabeça de alguém que a melhor forma de prevenir o crime e o consequente castigo/sobrelotação das prisões ocupadas com os seus prevaricadores, seja também a de legalizar a fraude, o roubo, o assassínio, o incesto, o estupro, a violação, a pedofilia, a violência doméstica, o tráfico humano ou o fogo posto?
 
Mito 3 - Taxar a marijuana como o álcool e o tabaco traduzir-se-ia num encaixe de milhares de euros que poderiam ser aplicados em serviços vitais, tais como nas escolas.
 
Verdade - O tabaco e o álcool são precisamente os maiores indicadores da razão por que legalizar a marijuana seria devastador em termos económicos e de sofrimento humano. Quem advoga a ideia esquece-se de mencionar que o dinheiro dos impostos cobrados ao tabaco e ao álcool cobrem menos de 15% dos custos económicos devidos ao uso destas substâncias, que incluem cuidados de saúde, perda de produtividade, custos com a justiça, acidentes de viação e absentismo, para nomear só alguns. Assim é razoável concluir que, no mínimo, os custos da legalização da marijuana iriam reproduzir em espelho os do tabaco e álcool.
 
É voz corrente que é impossível erradicar as drogas da sociedade; uma guerra perdida, diz-se. É nossa opinião que, embora seja impossível acabar com ela, qualquer sociedade consciente, com um mínimo de consciência ética, deverá caminhar no sentido da sua erradicação. O seu objectivo deverá ser sempre o de limitar o número de pessoas envolvidas e o correspondente impacto negativo. Do mesmo modo, o facto de ainda não se ter descoberto a cura do cancro não quer dizer que se deva deixar de a tentar. O mesmo raciocínio em relação a flagelos como a fome e a pobreza. Não passa pela cabeça de ninguém desistir de os combater pelo facto de os resultados estarem sempre muito aquém dos desejados.
 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os desportistas são chamados à perfeição
moral e espiritual acima de qualquer vitória,
diz o Papa Bento XVI

O Papa aos desportistas:
A humildade é o segredo da vitória
O Papa Bento XVI, no seu discurso aos representantes do 32.º Congresso Mundial de Medicina do Desporto, que se reuniram pela primeira vez em Roma para o seu congresso bienal, referiu que todos os desportistas, acima de qualquer vitória ou conquista, são chamados à perfeição moral e espiritual. Participaram no Congresso 117 países dos 5 continentes.
 
Depois de recordar as recentes olimpíadas e paraolimpíadas realizadas em Londres  como ocasiões para «unir as pessoas e os povos na busca comum da excelência competitiva pacífica», o Santo Padre salientou a dimensão espiritual de quem pratica desporto.
 
O Papa disse que «como peritos médicos reconhecem que o ponto inicial do seu trabalho é o atleta a quem eles servem.?Assim como o desporto é mais do que uma competição, cada homem e cada mulher desportivos são mais do que meros competidores: eles são detentores de moral e capacidade espiritual que deve ser enriquecida e aprofundada pelo desporto e medicina desportiva».
 
«Algumas vezes, sucesso, fama, medalhas e a busca de dinheiro tornam-se o primeiro, ou até mesmo o único, motivo para os envolvidos. Acontece por vezes que vencer a todo custo substituiu o verdadeiro espírito do desporto e leva ao abuso e uso indevido dos meios à disposição da medicina moderna».
 
Por isso, prosseguiu o Pontífice, «cientes desta tentação, eu sei que vocês irão discutir esta importante questão durante o vosso congresso. Independentemente das capacidades atléticas ou de qualquer realização física, a pessoa é chamada à perfeição moral e espiritual».
 
«De facto, São Paulo refere na sua primeira carta aos Coríntios, que a excelência espiritual e atlética estão estreitamente relacionadas, e exorta os crentes a treinarem-se na vida espiritual. ‘qualquer atleta`, diz ele, ‘priva-se de tudo para receber a coroa corruptível, mas nós fazemo-lo por uma coroa incorruptível».
 
Bento XVI exortou os profissionais de medicina desportiva a manter antes de tudo a dignidade de seus pacientes, «sendo para eles agentes não somente de cura física e excelência atlética, mas também de regeneração moral, espiritual e cultural».
 
«Como o próprio Senhor assumiu a carne humana tornou-se homem, então cada pessoa humana é chamada a reflectir perfeitamente à imagem e semelhança de Deus», precisou.
 
Por isso, concluiu, «rezo para vocês e para aqueles a quem o vosso trabalho beneficia, que os vossos esforços conduzirão para uma mais profunda apreciação da beleza, do mistério e do potencial de cada pessoa humana, atletas ou não, portadores de deficiência física ou não».
 

Homens e bichos

Pedro Vaz Patto
 
Cada vez mais se ouve falar da defesa do «bem-estar animal» e dos «direitos dos animais». Há quem pretenda boicotar o comércio de artigos em pele ou do foie gras. Há quem proteste contra a caça e as touradas. Foi anunciada uma proposta de alteração do Código Civil que cria o estatuto dos «animais não humanos» como categoria distinta da das «coisas».

Quando já há alguns anos iniciei os meus estudos de Direito, ainda prevalecia uma visão antropocêntrica, que considerava o direito como algo especificamente humano (não se concebiam direitos dos animais) e que encarava as normas de protecção dos animais como orientadas ao interesse (económico ou sentimental) que estes têm para com os humanos. Penso que continua a ter sentido rejeitar a noção de «direitos dos animais» (como das plantas ou das montanhas), porque o direito supõe atributos de liberdade e responsabilidade que são prerrogativa exclusiva dos seres humanos. O direito supõe a liberdade de o seu titular (ainda que por interposta pessoa, quando há incapacidade) o exercer ou não. E não há direitos sem deveres e sem responsabilidades. Deve, então, falar-se em normas de protecção dos animais, e não tanto em «direitos dos animais». Mas já me parece errado conceber essas normas sempre em função do interesse instrumental que os animais possam ter para com os humanos.

A mensagem bíblica conduz-nos à exigência de respeito pela integridade da criação, a qual na expressão de Bento XVI, «exprime um desígnio de amor e verdade». Pode, assim, justificar-se a protecção de uma espécie animal em extinção, independentemente do interesse económico que ela possa representar. E justifica-se um especial respeito para com os seres sencientes, capazes de sentir a dor, mesmo que esta sensação de dor não seja inteiramente equiparável à que experimentam os seres humanos. Por este motivo, compreende-se que os animais não sejam equiparados às coisas como algo que está à arbitrária disposição do seu proprietário, que as pode tratar e destruir como entender. Isso não significa que eles não possam ser instrumentalizados em função de interesses humanos legítimos e de maior relevo ético. É moralmente aceitável fazer dos animais um instrumento ao serviço de necessidades humanas como a alimentação ou a investigação científica tendente à cura de doenças. Já não o será quando estão em causa interesses de simples divertimento, puramente sumptuários, ou a maximização do lucro (para além do legítimo sustento económico), em razão do qual pode a criação intensiva dos animais sacrificar o bem-estar destes. É discutível se a preservação de uma arte tradicional, como a tauromáquica, que se considera parte de um património cultural, pode justificar o sacrifício desse bem-estar. Mas é também a mensagem bíblica que nos conduz a distinguir o estatuto ontológico e ético da pessoa humana do dos outros animais. Esta foi criada «à imagem e semelhança de Deus» e é destinada a partilhar a vida de Deus.

De um ponto de vista apenas racional (abstraindo da revelação bíblica), só as pessoas humanas são agentes morais, ou seja, podem distinguir o bem do mal e livremente fazer opções em função dessa distinção (só elas podem reflectir a respeito do estatuto ético dos outros animais, por exemplo). Daqui lhes advém um estatuto de dignidade sem paralelo. Não podem nunca (como podem os animais em determinadas condições) ser tratadas como meio em relação a um fim que lhes é alheio, devem ser sempre tratadas como fim em si mesmas. Essa dignidade é, em relação aos outros seres, um privilégio e uma responsabilidade. É sobre essa dignidade que assenta todo o edifício dos direitos humanos fundamentais e toda a ordem jurídica que deles decorre.

Por exigências do princípio da igualdade e não discriminação, a dignidade humana não depende da capacidade efectiva de exercício das faculdades racionais que distinguem os seres humanos, Pelo contrário, é quando, por razões de idade ou doença (de particular vulnerabilidade, portanto), essas faculdades ainda não são efectivas, ou deixaram de o ser, que mais se justifica a protecção da ordem jurídica. E é por isso que não pode deixar de se sublinhar o contraste entre, por um lado, a consideração atribuída a muitas reivindicações animalistas e, por outro lado, a indiferença e apoio perante atentados contra a vida humana em qualquer das suas fases, a partir da fase embrionária.
 

Participantes da conferência
ultra-elitista Bilderberg (2012)

Lista de participantes na conferência Bilderberg.

Chantilly, Virginia, USA

31 Maio – 03 Junho de 2012

Portugal representado por:

PRTBalsemão, Francisco Pinto – President and CEO, Impresa; Former Prime Minister
PRTAmado, Luís – Chairman, Banco Internacional do Funchal (BANIF)
PRTMoreira da Silva, Jorge – First Vice-President, Partido Social Democrata (PSD)
FRA – Castries, Henri de – Chairman and CEO, AXA Group
DEU – Ackermann, Josef – Chairman of the Management Board and the Group Executive Committee, Deutsche Bank AG
GBR – Agius, Marcus – Chairman, Barclays plc
USA – Ajami, Fouad – Senior Fellow, The Hoover Institution, Stanford University
USA – Alexander, Keith B. – Commander, US Cyber Command; Director, National Security Agency
INT – Almunia, Joaquín – Vice-President – Commissioner for Competition, European Commission
USA – Altman, Roger C. – Chairman, Evercore Partners
PRTAmado, Luís – Chairman, Banco Internacional do Funchal (BANIF)
NOR – Andresen, Johan H. – Owner and CEO, FERD
FIN – Apunen, Matti – Director, Finnish Business and Policy Forum EVA
TUR – Babacan, Ali – Deputy Prime Minister for Economic and Financial Affairs
PRTBalsemão, Francisco Pinto – President and CEO, Impresa; Former Prime Minister
FRA – Baverez, Nicolas – Partner, Gibson, Dunn & Crutcher LLP
FRA – Béchu, Christophe – Senator, and Chairman, General Council of Maine-et-Loire
BEL – Belgium, H.R.H. Prince Philippe of
TUR – Berberoğlu, Enis – Editor-in-Chief, Hürriyet Newspaper
ITA – Bernabè, Franco – Chairman and CEO, Telecom Italia
GBR – Boles, Nick – Member of Parliament
SWE – Bonnier, Jonas – President and CEO, Bonnier AB
NOR – Brandtzæg, Svein Richard – President and CEO, Norsk Hydro ASA
AUT – Bronner, Oscar – Publisher, Der Standard Medienwelt
SWE – Carlsson, Gunilla – Minister for International Development Cooperation
CAN – Carney, Mark J. – Governor, Bank of Canada
ESP – Cebrián, Juan Luis – CEO, PRISA; Chairman, El País
AUT – Cernko, Willibald – CEO, UniCredit Bank Austria AG
FRA – Chalendar, Pierre André de – Chairman and CEO, Saint-Gobain
DNK – Christiansen, Jeppe – CEO, Maj Invest
RUS – Chubais, Anatoly B. – CEO, OJSC RUSNANO
CAN – Clark, W. Edmund – Group President and CEO, TD Bank Group
GBR – Clarke, Kenneth – Member of Parliament, Lord Chancellor and Secretary of Justice
USA – Collins, Timothy C. – CEO and Senior Managing Director, Ripplewood Holdings, LLC
ITA – Conti, Fulvio – CEO and General Manager, Enel S.p.A.
USA – Daniels, Jr., Mitchell E. – Governor of Indiana
USA – DeMuth, Christopher – Distinguished Fellow, Hudson Institute
USA – Donilon, Thomas E. – National Security Advisor, The White House
GBR – Dudley, Robert – Group Chief Executive, BP plc
ITA – Elkann, John – Chairman, Fiat S.p.A.
DEU – Enders, Thomas – CEO, Airbus
USA – Evans, J. Michael – Vice Chairman, Global Head of Growth Markets, Goldman Sachs & Co.
AUT – Faymann, Werner – Federal Chancellor
DNK – Federspiel, Ulrik – Executive Vice President, Haldor Topsøe A/S
USA – Ferguson, Niall – Laurence A. Tisch Professor of History, Harvard University
GBR – Flint, Douglas J. – Group Chairman, HSBC Holdings plc
CHN – Fu, Ying – Vice Minister of Foreign Affairs
IRL – Gallagher, Paul – Former Attorney General; Senior Counsel
USA – Gephardt, Richard A. – President and CEO, Gephardt Group
GRC – Giannitsis, Anastasios – Former Minister of Interior; Professor of Development and International Economics, University of Athens
USA – Goolsbee, Austan D. – Professor of Economics, University of Chicago Booth School of Business
USA – Graham, Donald E. – Chairman and CEO, The Washington Post Company
ITA – Gruber, Lilli – Journalist – Anchorwoman, La 7 TV
INT – Gucht, Karel de – Commissioner for Trade, European Commission
NLD – Halberstadt, Victor – Professor of Economics, Leiden University; Former Honorary Secretary  General of Bilderberg Meetings
USA – Harris, Britt – CIO, Teacher Retirement System of Texas
USA – Hoffman, Reid – Co-founder and Executive Chairman, LinkedIn
CHN – Huang, Yiping – Professor of Economics, China Center for Economic Research, Peking University
USA – Huntsman, Jr., Jon M. – Chairman, Huntsman Cancer Foundation
DEU – Ischinger, Wolfgang – Chairman, Munich Security Conference; Global Head Government Relations, Allianz SE
RUS – Ivanov, Igor S. – Associate member, Russian Academy of Science; President, Russian International Affairs Council
FRA – Izraelewicz, Erik – CEO, Le Monde
USA – Jacobs, Kenneth M. – Chairman and CEO, Lazard
USA – Johnson, James A. – Vice Chairman, Perseus, LLC
USA – Jordan, Jr., Vernon E. – Senior Managing Director, Lazard
USA – Karp, Alexander – CEO, Palantir Technologies
USA – Karsner, Alexander – Executive Chairman, Manifest Energy, Inc
FRA – Karvar, Anousheh – Inspector, Inter-ministerial Audit and Evaluation Office for Social, Health, Employment and Labor Policies
RUS – Kasparov, Garry – Chairman, United Civil Front (of Russia)
GBR – Kerr, John – Independent Member, House of Lords
USA – Kerry, John – Senator for Massachusetts
TUR – Keyman, E. Fuat – Director, Istanbul Policy Center and Professor of International Relations, Sabanci University
USA – Kissinger, Henry A. – Chairman, Kissinger Associates, Inc.
USA – Kleinfeld, Klaus – Chairman and CEO, Alcoa
TUR – Koç, Mustafa – Chairman, Koç Holding A.Ş.
DEU – Koch, Roland – CEO, Bilfinger Berger SE
INT – Kodmani, Bassma – Member of the Executive Bureau and Head of Foreign Affairs, Syrian National Council
USA – Kravis, Henry R. – Co-Chairman and Co-CEO, Kohlberg Kravis Roberts & Co.
USA – Kravis, Marie-Josée – Senior Fellow, Hudson Institute
INT – Kroes, Neelie – Vice President, European Commission; Commissioner for Digital Agenda
USA – Krupp, Fred – President, Environmental Defense Fund
INT – Lamy, Pascal – Director-General, World Trade Organization
ITA – Letta, Enrico – Deputy Leader, Democratic Party (PD)
ISR – Levite, Ariel E. – Nonresident Senior Associate, Carnegie Endowment for International Peace
USA – Li, Cheng – Director of Research and Senior Fellow, John L. Thornton China Center, Brookings Institution
USA – Lipsky, John – Distinguished Visiting Scholar, Johns Hopkins University
USA – Liveris, Andrew N. – President, Chairman and CEO, The Dow Chemical Company
DEU – Löscher, Peter – President and CEO, Siemens AG
USA – Lynn, William J. – Chairman and CEO, DRS Technologies, Inc.
GBR – Mandelson, Peter – Member, House of Lords; Chairman, Global Counsel
USA – Mathews, Jessica T. – President, Carnegie Endowment for International Peace
DEN – Mchangama, Jacob – Director of Legal Affairs, Center for Political Studies (CEPOS)
CAN – McKenna, Frank – Deputy Chair, TD Bank Group
USA – Mehlman, Kenneth B. – Partner, Kohlberg Kravis Roberts & Co.
GBR – Micklethwait, John – Editor-in-Chief, The Economist
FRA – Montbrial, Thierry de – President, French Institute for International Relations
PRTMoreira da Silva, Jorge – First Vice-President, Partido Social Democrata (PSD)
USA – Mundie, Craig J. – Chief Research and Strategy Officer, Microsoft Corporation
DEU – Nass, Matthias – Chief International Correspondent, Die Zeit
NLD – Netherlands, H.M. the Queen of the
ESP – Nin Génova, Juan María – Deputy Chairman and CEO, Caixabank
IRL – Noonan, Michael – Minister for Finance
USA – Noonan, Peggy – Author, Columnist, The Wall Street Journal
FIN – Ollila, Jorma – Chairman, Royal Dutch Shell, plc
USA – Orszag, Peter R. – Vice Chairman, Citigroup
GRC – Papalexopoulos, Dimitri – Managing Director, Titan Cement Co.
NLD – Pechtold, Alexander – Parliamentary Leader, Democrats ’66 (D66)
USA – Perle, Richard N. – Resident Fellow, American Enterprise Institute
NLD – Polman, Paul – CEO, Unilever PLC
CAN – Prichard, J. Robert S. – Chair, Torys LLP
ISR – Rabinovich, Itamar – Global Distinguished Professor, New York University
GBR – Rachman, Gideon – Chief Foreign Affairs Commentator, The Financial Times
USA – Rattner, Steven – Chairman, Willett Advisors LLC
CAN – Redford, Alison M. – Premier of Alberta
CAN – Reisman, Heather M. – CEO, Indigo Books & Music Inc.
DEU – Reitzle, Wolfgang – CEO & President, Linde AG
USA – Rogoff, Kenneth S. – Professor of Economics, Harvard University
USA – Rose, Charlie – Executive Editor and Anchor, Charlie Rose
USA – Ross, Dennis B. – Counselor, Washington Institute for Near East Policy
POL – Rostowski, Jacek – Minister of Finance
USA – Rubin, Robert E. – Co-Chair, Council on Foreign Relations; Former Secretary of the Treasury
NLD – Rutte, Mark – Prime Minister
ESP – Sáenz de Santamaría Antón, Soraya – Vice President and Minister for the Presidency
NLD – Scheffer, Paul – Professor of European Studies, Tilburg University
USA – Schmidt, Eric E. – Executive Chairman, Google Inc.
AUT – Scholten, Rudolf – Member of the Board of Executive Directors, Oesterreichische Kontrollbank AG
FRA – Senard, Jean-Dominique – CEO, Michelin Group
USA – Shambaugh, David – Director, China Policy Program, George Washington University
INT – Sheeran, Josette – Vice Chairman, World Economic Forum
FIN – Siilasmaa, Risto – Chairman of the Board of Directors, Nokia Corporation
USA – Speyer, Jerry I. – Chairman and Co-CEO, Tishman Speyer
CHE – Supino, Pietro – Chairman and Publisher, Tamedia AG
IRL – Sutherland, Peter D. – Chairman, Goldman Sachs International
USA – Thiel, Peter A. – President, Clarium Capital / Thiel Capital
TUR – Timuray, Serpil – CEO, Vodafone Turkey
DEU – Trittin, Jürgen – Parliamentary Leader, Alliance 90/The Greens
GRC – Tsoukalis, Loukas – President, Hellenic Foundation for European and Foreign Policy
FIN – Urpilainen, Jutta – Minister of Finance
CHE – Vasella, Daniel L. – Chairman, Novartis AG
INT – Vimont, Pierre – Executive Secretary General, European External Action Service
GBR – Voser, Peter – CEO, Royal Dutch Shell plc
SWE – Wallenberg, Jacob – Chairman, Investor AB
USA – Warsh, Kevin – Distinguished Visiting Fellow, The Hoover Institution, Stanford University
GBR – Wolf, Martin H. – Chief Economics Commentator, The Financial Times
USA – Wolfensohn, James D. – Chairman and CEO, Wolfensohn and Company
CAN – Wright, Nigel S. – Chief of Staff, Office of the Prime Minister
USA – Yergin, Daniel – Chairman, IHS Cambridge Energy Research Associates
INT – Zoellick, Robert B. – President, The World Bank Group
Rapporteurs
GBR – Bredow, Vendeline von – Business Correspondent, The Economist
GBR – Wooldridge, Adrian D. – Foreign Correspondent, The Economist