domingo, 5 de agosto de 2018

Europa: «A Visão é a de um Estado islâmico»


De acordo com um estudo realizado em 2014 sobre os muçulmanos marroquinos e turcos
na Alemanha, França, Holanda, Bélgica, Áustria e Suécia, em média 60% dos muçulmanos entrevistados concordaram que os muçulmanos deveriam retornar às raízes do Islão
e 65% disseram que a Sharia é mais importante para eles do que as leis do país onde vivem.
Foto: orações de sexta-feira na mesquita IZW em Viena, Áustria.
(Foto: Thomas Kronsteiner/Getty Images)
Judith Bergman, Gatestone, 10 de Julho de 2018

Original em inglês: Europe: «The Vision ia an islamic State

«A crescente religiosidade
não é uma expressão de marginalização.
Estamos a falar de pessoas
bem integradas e que querem ser religiosas».
— Professor Viggo Mortensen.

  • «A visão é a de um Estado islâmico, uma sociedade islâmica... Os muçulmanos irão preferir um governo baseado na lei islâmica (Sharia). Mas a visão para daqui a vinte anos é que a lei da Sharia faça parte da Alemanha, que a Sharia será institucionalizada pelo próprio Estado». — «Yusuf», na série de documentários Falsa Identidade.
  • «Vou seleccioná-los a dedo, um de cada vez. Começarei com as pessoas ao meu redor... Se todo o muçulmano fizer o mesmo na sua redondeza, dará certo sem nenhum problema... Não se confronta o alemão através da força, é um processo a conta gotas. Haverá confrontos, mas aos poucos os choques diminuirão, as pessoas aceitarão a realidade.» — «Yusuf», na série de documentários Falsa Identidade.
  • A Europa ainda existirá mas, assim como ocorreu com o grande Império Bizantino Cristão que agora é a Turquia, ainda incorporará a civilização judaico-cristã?
Um levantamento do governo holandês publicado em Junho mostrou que os muçulmanos da Holanda se estão a tornar cada vez mais religiosos. O levantamento que foi realizado com base em informações de 2006 a 2015 é um estudo sobre mais de 7.249 cidadãos holandeses com raízes marroquinas e turcas. Dois terços dos muçulmanos da Holanda são provenientes da Turquia ou de Marrocos.

Segundo o levantamento, 78% dos muçulmanos marroquinos rezam cinco vezes por dia, bem como 33% dos muçulmanos turcos. Aproximadamente 40% dos dois grupos vão à mesquita pelo menos uma vez por semana. Mais jovens marroquinas usam o véu muçulmano (um salto de 64% em 2006 para 78% em 2015) e a maioria esmagadora de ambos os grupos comem halal (93% dos muçulmanos marroquinos e 80% dos muçulmanos turcos). Para 96% dos muçulmanos marroquinos a fé é um elemento extremamente importante nas suas vidas, para os muçulmanos turcos é de 89%. O número de muçulmanos marroquinos holandeses que podem ser considerados praticantes do Islão saltou de 77% em 2006 para 84% em 2015. No caso dos muçulmanos turcos, o salto foi de 37% para 45%. Há poucos muçulmanos seculares: 7% dos muçulmanos turcos, 2% dos muçulmanos marroquinos.

Na Dinamarca, a propensão dos muçulmanos de se tornarem mais religiosos já era visível em 2004, quando um inquérito mostrou que os muçulmanos estavam a tornar-se mais religiosos que os seus pais, especialmente «jovens do sexo feminino, com boa formação profissional e bem integradas». Na época, o professor Viggo Mortensen salientou: «a crescente religiosidade não é uma expressão de marginalização. Estamos a falar de pessoas bem integradas e que querem ser religiosas».

Um inquérito dinamarques mais detalhado realizado em 2015 constatou que os muçulmanos se tornaram mais religiosos desde que uma pesquisa, nos mesmos moldes, foi realizada em 2006: naquele ano, 37% oravam cinco vezes por dia, essa percentagem saltou para 50% em 2015. Em 2006, 63% acreditavam que o Alcorão deveria ser seguido ao pé da letra, em 2015 saltou para 77%. Brian Arly Jacobsen, sociólogo especializado em religião da Universidade de Copenhague, ficou surpreendido com os resultados da pesquisa de opinião. «Com o passar do tempo esperávamos que os muçulmanos se tornariam mais parecidos com o restante dos dinamarqueses, que não são particularmente activos na esfera religiosa», salientou. Jacobsen acredita que uma explicação plausível foi a construção de 20 a 30 novas mesquitas na década anterior a 2015.

As tendências reveladas pelos inquéritos são corroborados por estudos e pesquisas de opinião que mostram que muitos muçulmanos na Europa querem viver conforme a Lei islâmica (Sharia). De acordo com um estudo realizado em 2014 sobre os muçulmanos marroquinos e turcos na Alemanha, França, Holanda, Bélgica, Áustria e Suécia, em média 60% dos muçulmanos entrevistados concordaram que os muçulmanos deveriam retornar às raízes do Islão. Para 75% só há uma interpretação do Alcorão, 65% disseram que a Sharia é a mais importante para eles do que as leis do país onde vivem. Um inquérito de 2016 realizado no Reino Unido mostrou que 43% dos muçulmanos britânicos «acreditam que partes do sistema jurídico islâmico deveriam substituir a lei britânica e apenas 22% são contrários à ideia». Num estudo realizado em 2017, que incluía uma pesquisa de opinião realizada com 400 muçulmanos belgas, 29% disseram acreditar que as leis do Islão são superiores à lei belga e 34% disseram que «sem a menor sombra de dúvida prefeririam um sistema político inspirado no Alcorão».

Os mais de dois milhões de migrantes predominantemente muçulmanos que chegaram à Europa nos últimos anos estão a dar suporte à tendência da crescente religiosidade muçulmana no continente europeu. Um estudo de 2017 sobre candidatos a asilo predominantemente afegãos na cidade austríaca de Graz mostrou que, a maioria homens com idade inferior a 30 anos, eram todos favoráveis a preservarem os seus valores islâmicos tradicionais, sendo que 70% vão à mesquita todas as sextas-feiras. As mulheres eram ainda mais religiosas, 62,6% rezam cinco vezes ao dia, manifestamente mais que os homens (39,7%). Além disso, 66,3% das mulheres usam o véu muçulmano em público. Metade dos migrantes dizem que a religião agora desempenha um papel mais importante nas suas vidas na Europa do que na sua terra natal e 51,6% dos entrevistados disseram que a supremacia do Islão sobre outras religiões é indiscutível.

A tendência de muitos muçulmanos se tornarem mais religiosos uma vez que chegam à Europa também pode ser constatada na nova série de documentários «Falsa Identidade,» do jornalista de língua árabe Zvi Yehezkeli, que, disfarçado, fez reportagens sobre as actividades da Irmandade Muçulmana na Europa e nos EUA. Na Alemanha encontrou dois jovens muçulmanos da Síria, que vieram para a Alemanha via Kosovo, onde receberam ajuda de uma «organização islâmica britânica». Deixaram a Síria como muçulmanos seculares, mas no caminho para a Alemanha ficaram durante um ano em Pristina, no Kosovo, onde, segundo Yehezkeli, «as organizações da Irmandade Muçulmana são actuantes e ajudam os refugiados, ao mesmo tempo em que os transformam em muçulmanos devotos. Ahmed e Yusuf chegaram à Alemanha já a rezar cinco vezes ao dia».[1]

Segundo Ahmed:

«Quando deixei a Síria, mentalmente sentia-me mais tranquilo. A instituição de caridade islâmica desempenhou um papel importante nesse requisito. Na primeira vez que os encontrei, começaram logo a ajudar-me. Sentei-me a olhar para eles, a orar à minha frente e aqui estou, sou muçulmano, estudei o Alcorão, mas não rezo. De repente vejo-me sozinho a perguntar: porque não rezar como os demais?»

Yehezkeli perguntou-lhes qual era o sonho deles. «A visão é a de um Estado islâmico, uma sociedade islâmica», disse Yusuf, «os muçulmanos irão preferir um governo baseado na lei islâmica (Sharia). Mas a visão para daqui a vinte anos é que a lei da Sharia faça parte da Alemanha, que a Sharia será institucionalizada pelo próprio estado».

Ao contrastar com a crescente religiosidade dos muçulmanos na Europa, os cristãos estão-se a tornar cada vez menos religiosos. Num estudo sobre jovens europeus com idades entre 16 e 29 anos, publicado em Março, com base em dados de 2014 a 2016, o autor Stephen Bullivant, professor de teologia e sociologia da religião na St. Mary's University de Londres, concluiu o seguinte:

«Apesar do pequeno número das famosas excepções, os jovens cada vez mais não se identificam ou não praticam a religião... O cristianismo como padrão, como norma, desapareceu e provavelmente desapareceu para sempre ou pelo menos para os próximos 100 anos».

Segundo o estudo, entre 70% a 80% dos jovens da Estónia, Suécia e Holanda  consideram-se não religiosos. Entre 64% a 70% dos jovens consideram-se não religiosos em França, Bélgica, Hungria e Reino Unido. Os jovens mais religiosos encontram-se na Polónia, onde apenas 17% dos jovens se consideram não religiosos, seguidos pela Lituânia com 25%.

Jovens muçulmanos como Yusuf e Ahmed da Síria afirmam que querem disseminar o Islão convertendo os europeus, também conhecidos como dawa. São exemplos perfeitos do público-alvo da dawa, tornam-se muçulmanos devotos através da organização islâmica no Kosovo e na sequência se engajam na dawa. «Vou seleccioná-los a dedo, um de cada vez. Começarei com as pessoas ao meu redor. Eles irão ouvir. Se todo muçulmano fizer o mesmo na sua redondeza, dará certo sem nenhum problema», disse Yusuf. Ao perguntar se os alemães poderiam resistir à dawa, ele respondeu:

«Não se confronta o alemão através da força, é um processo a conta gotas... Haverá confrontos, mas aos poucos os choques diminuirão, as pessoas aceitarão a realidade. Não há como escapar, toda a mudança envolve confrontos».

Dada a falta de identidade religiosa dos jovens europeus e o vácuo deixado pela saída do cristianismo das vidas da maioria, a pergunta que não quer calar é o quão resistente será a sua capacidade de suportar as investidas do proselitismo. A Europa ainda existirá mas, assim como ocorreu com o grande Império Bizantino Cristão que agora é a Turquia, ainda incorporará a civilização judaico-cristã?

LINK: https://www.bitchute.com/video/BMpmOLCH6KvH/


[1] A citação começa aos 21 minutos 24 segundos do documentário. As declarações de Yusuf e Ahmed seguem-se imediatamente depois.


Tradução: Joseph Skilnik





quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Desfazendo mitos sobre a Idade Média


Quase todos nós aprendemos na escola que a Idade Média foi uma época de mil anos de trevas
e de fanatismo religioso, sem nada digno de ser mencionado nos séculos seguintes.
E não nos damos ao trabalho de estudar as obras, as instituições, a arquitectura, a vida de família
e, sobretudo, a profunda religiosidade, que a tornaram insuperável.

Plinio Maria Solimeo, IPCO, 17 de Julho de 2018

Segundo o prestigioso jornal «Economist», isso começa a mudar: «Desde os ataques de 11 de Setembro, a direita norte-americana desenvolveu um fascínio pela Idade Média e pela Renascença em particular, com a ideia do Ocidente como uma civilização que se estava defendendo de um desafio do Oriente. Essa tendência tem sido estimulada pela descoberta do movimento das suas contrapartes europeias que usavam imagens medievais e de cruzados desde o século XIX.»


Para o jornal, alguns exemplos disso são o frequente aparecimento e as ilustrações de cruzados revestidos de capacete e que bradam o grito de guerra Deus vult! Diz ainda: «Os jornais e sites contrários ao islamismo se nomeiam segundo o rei franco Charles Martel, [quadro abaixo], que lutou contra exércitos muçulmanos no século VIII, ou a derrota otomana (levemente pós-medieval) em Viena», enquanto «milhões de outros […] são atraídos pela era medieval, de que são testemunhos a popularidade de reconstituições renascentistas ou as fantasias medievais de inspiração, como Game of Thrones».

Charles Martel na batalha de Poitiers (732), obra de Charles de Steuben
(Museu de História da França, Versailles).
A esse respeito, o também muito conceituado site do «National Catholic Register» publica uma entrevista com o especialista da Idade Média, Andrew Willard Jones, professor de história da Igreja, teologia e doutrina social na Universidade Franciscana de Steubenville, Ohio, sobre o seu novo livro Diante da Igreja e do Estado: um estudo da ordem social no reino sacramental de São Luís IX [ao lado, foto da capa], no qual esse académico traz considerações acerca de verdades esquecidas e frequentemente negadas sobre a Idade Média, a qual foi chamada de «A Doce Primavera da Fé» por Montalembert.

Respondendo a uma pergunta sobre o que o levou a escrever o seu livro, ele explica: «Eu estava a estudar o papado do século XIII. E fui inspirado pelo que estava a ler. Era todo um mundo que não havia sido ainda investigado […]. Somos abençoados na história medieval. Eles [os medievais] tinham-se excedido nas operações de escrita de cartas. Havia cartas e manuscritos papais. […] É um tesouro de registos da Corte, de registos monárquicos e de crónicas».

Por isso, Jones afirma: «A Idade Média tem um papel na história do mundo moderno. Nós tendemos a vê-la como um mundo obscuro, de dogma e opressão, pelo que só agora entendemos o que significa liberdade.» O escritor faz então esta afirmação tantas vezes já repetida: «A visão da Idade Média como um período sombrio vem de um cepticismo moderno muito anticatólico.»

Para evitar equívocos, esclarece: «Eu não romantizo excessivamente a Idade Média como uma utopia.» Mas vê a era medieval como a de uma civilização sacramental e cristianizada. Pelo que afirma: «Nós somos tendentes a imaginar o catolicismo como vida privada. O catolicismo pede uma civilização da caridade. A Idade Média pode-nos ajudar a ver isso de novo.»

Hoje em dia fala-se muito em igualdade. É um dogma do mundo moderno. Jones explica: «A modernidade tem uma noção específica de igualdade. Vê a desigualdade [entre as pessoas] como fonte inerente de conflito e competição. No cristianismo, as desigualdades levam à paz. Nós vemos diferenças na família: manifestam-se na procura do bem comum». E ainda: “Usei o exemplo de um pai e um filho, dizendo que eles alcançam o bem comum através de diferentes papéis.» Quer dizer, as diferenças entre ambos os fazem se complementar e completar-se, o que é muito diferente do jargão esquerdista.


Jones afirma: «No mundo moderno, entende-se por paz fazer compromissos, enquanto na Idade Média a paz obtinha-se pelo modo de lidar com as diferenças de maneira adequada e caridosa. Enquanto os modernos vêem [as desigualdades como] uma violação dos direitos, na Idade Média consistiam em se restabelecer as diferenças de modo pacífico. O mundo moderno é céptico. Os medievais não tinham cinismo em relação à doação mútua. Por exemplo, há [hoje em dia] conflitos entre pai e filhos, porque não são propriamente diferentes. A mesmice é uma fonte de conflito. Apenas essa ideia seria proveitosa para a nossa sociedade meditar, quando considerarmos como a cultura popular se tornou infantilizada».


O autor trata também no seu livro do tão difamado tema da Inquisição, abordando o tema da Inquisição Francesa do século XIII. Jones afirma: «Há uma visão polémica e anticatólica da Inquisição. Naquela época havia muito pouco interesse em saber o que as pessoas conservavam nas suas mentes. O problema era se [na manifestação das ideias] havia rejeição da ordem social e se a heresia se tornava pública. Uma investigação poderia começar, não havia interesse em pegar ou enganar as pessoas. Na maioria das vezes, a penalidade era a correcção. Temos a nossa própria versão da Inquisição e da heresia com os mobs do Twitter».

E conclui: «Precisamos ampliar a nossa imaginação. A tentativa moderna de um mundo sem Deus vai falhar. Haverá uma concepção cristã de ordem social, mas não o mesmo que a Idade Média […]. O meu livro visa afastar os leitores do mundo ao seu redor, e a procurar vê-lo a partir de um ponto de vista mais elevado [como foi o mundo medieval]. Isso nos salva do desespero. As coisas mudam. A esperança é uma virtude. O bom e o verdadeiro vencerão».





São Tomás de Aquino: no islamismo acreditaram homens animalizados, ignorantes da Doutrina Divina, que obrigaram os outros pela violência das armas

São Tomás de Aquino, apoiado em Platão e Aristóteles, esmaga
Averroes, «sábio» maometano.
O que achar do islamismo e dos seus prosélitos? Como interpretar os crimes que estão a praticar contra os cristãos, a sua adesão ao Corão (Livro) de Maomé, e as tentativas de diálogo e ecumenismo com eles?

São Tomás nos ensina com a concisão e a sabedoria do maior mestre e doutor da Doutrina e do método de pensamento da Igreja católica:

«Tão maravilhosa conversão do mundo para a fé cristã é de tal modo certíssimo indício dos sinais havidos no passado, que eles não precisaram ser reiterados no futuro, visto que os seus efeitos os evidenciavam.

«Seria realmente o maior dos sinais miraculosos se o mundo tivesse sido induzido, sem aqueles maravilhosos sinais, por homens rudes e vulgares, a crer em verdades tão elevadas, a realizar coisas tão difíceis e a desprezar bens tão valiosos.

«Mas ainda: em nossos dias Deus, por meio dos seus santos, não cessa de operar milagres para a confirmação da fé.

«No entanto, os iniciadores de seitas erróneas seguiram o caminho oposto, como se tornou patente em Maomé (o fundador do Islão):

Militantes do ISIL no Iraque.
«a) Ele (Maomé) seduziu os povos com promessas referentes aos desejos carnais, excitados que são pela concupiscência.

«b) Formulou também preceitos conformes àquelas promessas, relaxando, desse modo, as rédeas que seguram os desejos da carne.

«c) Além disso, não apresentou testemunhos da verdade, senão aqueles que facilmente podem ser conhecidos pela razão natural de qualquer medíocre ilustrado. Além disso, introduziu, em verdades que tinha ensinado, fábulas e doutrinas falsas.

«d) Também não apresentou sinais sobrenaturais. Ora, só mediante estes há conveniente testemunho da inspiração divina, enquanto uma acção visível, que não pode ser senão divina, mostra que o mestre da Verdade está inspirado de modo invisível.

«Mas Maomé manifestou ter sido enviado pelo poder das armas, que também são sinais dos ladrões e dos tiranos.

«e) Ademais, desde o início, homens sábios, versados em coisas divinas e humanas, nele não acreditaram.

Chefe do Boko Haram e sequazes na Nigéria.
«Nele, porém, acreditaram homens que, animalizados no deserto, eram totalmente ignorantes da Doutrina Divina. No entanto, foi a multidão de tais homens que obrigou os outros a obedecerem, pela violência das armas, a uma lei.

«f) Finalmente, nenhum dos oráculos dos profetas que o antecederam dele deu testemunho, visto que ele deturpou com fabulosas narrativas quase todos os factos do Antigo e do Novo Testamento.

«Tudo isso pode ser verificado ao estudar-se a sua lei. Já também por isso, e de caso sagazmente pensado, não deixou para leitura dos seus seguidores os livros do Antigo Testamento, para que não o acusassem de impostura.

«g) Fica assim comprovado que os que lhe dão fé à palavra crêem levianamente».


(Autor: São Tomás de Aquino. Suma contra los Gentiles. Livro I, Capítulo VI, Club de Lectores, Buenos Aies, 1951, 321. p.76 e ss.).





quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Migração em massa: «A solução fatal da UE»


No corrente ano, o chanceler austríaco Sebastian Kurz (segundo à esquerda)
foi convidado a juntar-se aos líderes dos quatro países do «Grupo de Visegrád»

(República Checa, Hungria, Polónia e Eslováquia) na cimeira de 21 de Junho.
No topo da agenda estavam os problemas da migração em massa
e a protecção das fronteiras. (Imagem: Chancelaria Federal da Áustria).

Giulio Meotti, Gatestone, 29 de Julho de 2018

Original em inglês: Mass Migration: «The Fatal Solvent of the EU»

Hoje, 510 milhões de europeus vivem na União Europeia, 1,3 biliões de africanos estão de olho nela. Se os africanos seguirem o exemplo de outras partes do mundo em desenvolvimento como os mexicanos nos EUA, «em trinta anos... a Europa terá entre 150 a 200 milhões de afro-europeus, em comparação com os 9 milhões de hoje». Smith chamou a este cenário «Euráfrica».
  • O controverso sistema de quotas para migrantes já deu com os burros n'água. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos condenou a Hungria devido à detenção de migrantes. Os governos europeus não podem conter, deportar, deter e repatriar os migrantes. O que sugerem as autoridades em Bruxelas? Trazer todos para a Europa?
  • Os judeus franceses são vítimas de um tipo de limpeza étnica segundo um manifesto assinado entre outros pelo ex-presidente francês Nicholas Sarkozy e pelo ex-primeiro-ministro francês Manuel Valls.
«Longe de levar à união, a crise migratória da Europa está a levar à divisão», escreveu recentemente o historiador da Universidade de Stanford Niall Ferguson. «Acredito cada vez mais que o problema da migração será visto pelos futuros historiadores como a solução fatal da UE». Semana após semana a previsão de Ferguson, ao que tudo indica, está a tornar-se realidade.

A Europa não só continua a fragmentar-se à medida que o sentimento anti-imigração arrebanha força política mas também, em consequência da crise migratória, a zona interna sem fronteiras da UE, cereja do bolo mais apreciada da Europa pós-guerra, já está «ameaçada» pelo governo italiano, entre outros, como por exemplo, o governo da Áustria.

A imigração também está redefinindo o contrato intra-UE.

O assim chamado «Grupo de Visegrád» formado pela República Checa, Hungria, Polónia e Eslováquia, recentemente contestou a defesa das fronteiras da UE. «Temos que ter uma Europa capaz de nos defender». O chanceler austríaco Sebastian Kurz destacou a mesma coisa, ao ser convidado a participar no encontro de Visegrád.

O novo governo populista da Itália também abraçou a política de linha dura, depois de a Itália confirmar a chegada de mais de 700 mil migrantes ao seu litoral nos últimos cinco anos. O ministro do interior da Itália Matteo Salvini recentemente fechou os portos da Itália às embarcações com migrantes. Na Alemanha, após a chanceler alemã trocar farpas, no tocante à imigração, com o ministro do interior Horst Seehofer, a política sobre os migrantes também poderá levar ao «fim do mandato de Merkel».

«O novo governo populista da Itália assinala um enorme desafio ao status quo europeu, mas não no aspecto que a maioria dos observadores previam no começo», comentou recentemente o autor Walter Russell Mead no The Wall Street Journal. «O governo de coligação suspendeu o desafio à política do euro. Optou por se voltar para uma matéria sobre a qual o establishment europeu é mais vulnerável: a migração».

O consenso político europeu, como um todo, está a fragmentar-se sob o impacto sísmico da onda de migrantes. A migração para a Europa tornou-se um problema político «delicado como sempre», conforme acaba de salientar o New York Times em relação ao debate que está a ocorrer na União Europeia. O presente problema da UE aparenta vir de uma dormência que tomou conta das elites políticas que se recusam a levar em conta os problemas dos seus cidadãos que vieram na esteira da maciça imigração, sem nenhum tipo de critério.

A migração em massa dos últimos anos simplesmente criou gigantescos problemas para a estabilidade interna da Europa. Primeiro houve a ameaça à segurança. De acordo com um novo levantamento da Heritage Foundation:

«Virtualmente mil pessoas foram feridas ou mortas em ataques terroristas concluidos por candidatos a asilo ou por refugiados desde 2014. Nos últimos quatro anos, 16% das conspirações islamistas na Europa tiveram como pivô candidatos a asilo ou refugiados. O ISIS tem conexão directa com a maioria das conspirações», sendo a Alemanha o maior alvo e os sírios os mais frequentemente envolvidos se comparados a qualquer outra nacionalidade. Aproximadamente três quartos dos conspiradores cometem os atentados ou têm os planos frustrados, isto nos dois primeiros anos após a sua chegada à Europa.

*****

«Desde Janeiro de 2014, 44 refugiados ou candidatos a asilo estiveram envolvidos em 32 ataques terroristas islamistas na Europa. Os ataques feriram 814 pessoas e mataram outras 182».Há também um grave desafio à coexistência étnica e religiosa proveniente da imigração. Os judeus franceses são vítimas de um tipo de limpeza étnica segundo um manifesto assinado, entre outros, pelo ex-presidente francês Nicholas Sarkozy e pelo ex-primeiro-ministro francês Manuel Valls. «Dez por cento dos cidadãos judeus da região de Paris foram recentemente forçados a mudarem-se porque não estavam mais seguros em determinados conjuntos habitacionais» assinalou o manifesto. «Esta é uma limpeza étnica silenciosa».

A ameaça que a Europa enfrenta e continuará a enfrentar caso se recuse a fechar e controlar as fronteiras é examinada por Stephen Smith, especialista em África e admirado pelo presidente francês Emmanuel Macron, no seu novo livro, A Corrida para a Europa: a Jovem África a Caminho do Velho Mundo. Hoje, observa ele, 510 milhões de europeus vivem na União Europeia, 1,3 biliões de africanos estão de olho nela. «Em trinta e cinco anos, 450 milhões de europeus estarão diante de cerca de 2,5 biliões de africanos de olho nela, ou seja, cinco vezes mais», prevê Smith. Se os africanos seguirem o exemplo de outras partes do mundo em desenvolvimento como os mexicanos nos EUA, «em trinta anos», segundo Smith, «a Europa terá entre 150 a 200 milhões de afro-europeus, em comparação com os 9 milhões de hoje». Smith chamou a esse cenário «Euráfrica». A maior onda de migração da Europa desde a Segunda Guerra Mundial também se tornou um problema cada vez mais urgente, à medida que as populações autóctones da Europa continuam envelhecendo e encolhendo.

O controverso sistema de quotas para migrantes já deu com os burros n'água. Na realidade os governos europeus também não têm condições de deportar os migrantes. Em 2012 o Tribunal Europeu de Direitos Humanos (ECHR) condenou o governo italiano e ordenou o pagamento de milhares de euros a um punhado de imigrantes deportados para a Líbia. As autoridades italianas haviam interceptado os migrantes no Mar Mediterrâneo quando tentavam chegar à ilha italiana de Lampedusa vindos da Líbia. Três anos depois, o Tribunal Europeu novamente condenou o governo italiano por deportar migrantes. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos também condenou a Espanha num julgamento pela expulsão de um grupo de 75 a 80 migrantes do enclave de Melilla. O ECHR então condenou a Hungria devido à detenção de migrantes. A Europa não pode conter, deportar, deter e repatriar os migrantes. O que sugerem as autoridades em Bruxelas? Trazer todos para a Europa?

Andrew Michta, reitor do College of International and Security Studies do George C. Marshall European Center for Security Studies, escreveu recentemente que diante dessa migração em massa as democracias europeias arriscam as suas próprias «decomposições». Não veremos apenas a «divisão» da frágil União Europeia, veremos também a da Civilização ocidental.

Tradução: Joseph Skilnik





terça-feira, 10 de julho de 2018

O próximo governo italiano sem maçons e outros de mau porte


Uma das disposições do «programa de governo» da coligação formada pelo Movimento 5 Estrelas e a Liga visa simplesmente impedir qualquer maçon de participar no governo!

Eis o que é dito na p. 8 deste programa de 39 páginas:


(PODE LER A TRADUÇÃO NO FINAL)

CODICE ETICO DEI MEMBRI DEL GOVERNO

NON POSSONO ENTRARE A FAR PARTE DEL GOVERNO SOGGETTI CHE:

— abbiano riportato condanne penali, anche non definitive, per i reati dolosi di cui all’articolo 7 del decreto legislativo 31 dicembre 2012, n. 235 (legge «Severino»), nonché per i reati di riciclaggio, auto-riciclaggio e falso in bilancio;

— siano sotto processo per reati gravi (ad esempio: mafia, corruzione, concussione, etc.);

— appartengano alla massoneria o si trovino in conflitto di interessi con la materia oggetto di delega.

EIS A TRADUÇÃO:

CÓDIGO ÉTICO DOS MEMBROS DO GOVERNO

NÃO PODEM FAZER PARTE DO GOVERNO PESSOAS QUE:

 tenham sido objecto de condenações penais, mesmo sem serem definitivas, por crimes visados no artigo 7 do decreto legislativo
de 31 de Dezembro de 2012, n.º 235 (lei Severino), assim como por infracções de branqueamento de dinheiro, de auto-reciclagem e de comtabilidade falsa;

 tenham a decorrer processos por crimes graves (por exemplo: mafia, corrupção, peculato, etc.);

 pertençam à maçonaria ou estar em conflito de interesses com a matéria objecto da função.

*****

Alguém deu por cá por esta notícia?

É melhor não se falar, não vá a moda pegar por cá!...

Quantos do Governo PS NÃO SÃO da maçonaria?

Quantos da direcção do PPD e do CDS NÃO SÃO
da maçonaria?

Fica a pergunta no ar...





sábado, 5 de maio de 2018

O meu DNA é 96% igual ao do macaco. Então a Bíblia está errada?


Tassos Lycurgo, Defesa da Fé, 24 de Abril de 2018

Existe uma similaridade entre o DNA dos humanos e o dos chimpanzés. Embora o princípio seja debatido, todos os especialistas concordam que gira em torno de 96%.

O quê? Então quer dizer que somos quase iguais aos macacos? Sim, na perspectiva da semelhança de DNA, a resposta é mesmo positiva.

O que acontece é que também é muito semelhante ao de outros animais. O rato, por exemplo, tem connosco uma similaridade de DNA de aproximadamente 90%. E não termina aí. A nossa similaridade de DNA com o de uma banana gira em torno de 50%. Sim, metade de você é banana. Sem ofensas, claro.

O que quero deixar claro é que não está em jogo a nossa semelhança com macacos, ratos ou bananas. Somos mesmo parecidos no DNA, mas isso quererá dizer que viemos todos da banana, do mesmo antepassado? É claro que não.

Os evolucionistas alegam uma semelhança como uma prova da evolução. Não estão errados na alegação da semelhança, mas na interpretação que dela fazem. Porque essa similaridade também é natural na visão cristã do mundo.

O criador do ser humano, do macaco, do rato, da banana e de tudo mais é o universo (incluindo o próprio universo, o tempo, o espaço) é um só: Deus. Como não ser natural que haja semelhança entre os seres vivos de toda a criação?

Os evolucionistas enganam-se na sua visão do mundo ao procurarem um antepassado comum. A ideologia de certos cientistas perturba as suas mentes e impede-os de interpretar correctamente os factos. Eis o exemplo de uma ideologia cega.

O Dr. Tim Berra é Professor Emérito de Biologia, Evolução e Ecologia na prestigiada Universidade de Ohio, nos EUA. Ele publicou um livro chamado A Evolução e o Mito do Criacionismo. E dá aí um exemplo  que resulta exactamente no contrário.

O exemplo é relativo ao carro desenvolvido pelo nome Chevrolet Corvette, que foi o primeiro carro desportivo vermelho produzido nos EUA e que, se não me engano, ainda hoje é fabricado. O Dr. Berra afirma: «Se você comparar um modelo de 1953 com um de 1954, e assim por diante, uma descendência é óbvia». Será que é isso mesmo?

Veja por favor este desenho que o Dr. Berra utiliza como exemplo.


Ao contrário do que o Dr. Berra pretende, ele apresenta um excelente exemplo de criação.

De facto, os sucessivos modelos não podem ser considerados uma descendência no sentido evolutivo, mas sim uma nova criação.

Tanto o modelo 1953 como os seguintes são criações independentes, criadas por uma inteligência, no caso a dos engenheiros.

É verdade que os vários modelos possuem muita similaridade (assim como o homem e o macaco). Por isso é fácil cair-se na tentadora visão evolucionista do mundo, em que um nasce do outro e não é em que ambos são frutos da acção de um criador inteligente.

A mudança nos modelos decorreu da acção de um projectista inteligente, não de um processo de selecção natural.

O mesmo ocorreu com os seres vivos. Os homens e os macacos desfrutam de semelhanças no seu DNA mas as suas ligações não são decorrentes do processo natural de selecção. São sim de uma inteligência maior do que a dos gerados por DNA, com propósitos também diferentes.






terça-feira, 24 de abril de 2018

Eutanásia: matam doentes com depressão


Henrique Raposo, Expresso, 20 de Abril de 2018

É espantosa a indiferença dos média portugueses em relação ao problema da eutanásia. A flauta da esquerda começa a tocar e, num ápice, todos seguem a musiquinha, não há discussão, não há curiosidade, não há enviados especiais a ver de perto as realidades onde já existem sistemas de morte nos hospitais, não há enviados especiais para ver que – na Holanda e na Bélgica – a eutanásia é usada para matar raparigas de vinte anos com depressão ou velhos que se sentem um fardo para a família. Sim, estamos muito longe da imagem icónica do Bardem tetraplégico deitado numa cama. A alegação «estou farto de viver» está a ser usada como justificação para a eutanásia.

Uma situação que desprestigia por completo
a psiquiatria: na Holanda, dezenas de pessoas com depressão pedem para morrer; alguns psiquiatras,
que deviam ser a primeira barreira contra o impulso suicida, validam o pedido

Uma lei geral da eutanásia tem de registar qualquer coisa como «sofrimento insuportável». Mas, como dizia há dias na Renascença Esme Wiegman (presidente da Associação Holandesa de Doentes), essa formulação é demasiado vaga. Em 2002, quando a lei foi aprovada na Holanda, toda a gente tinha na cabeça a imagem do doente terminal de cancro. Mas, hoje em dia, a eutanásia é pedida por pessoas que alegam «a perda de dignidade». Mas o que é «a perda de dignidade»? A situação fica ainda mais vaga quando se adiciona o sofrimento mental. Aliás, a situação pode transformar-se num esgoto moral a partir do momento em que entram em cena psiquiatras inqualificáveis. Sim, inqualificáveis.

Até o «The Guardian» tinha há dias uma peça que revelava esta situação que desprestigia por completo a psiquiatria: na Holanda, dezenas de pessoas com depressão pedem para morrer; alguns psiquiatras, que deviam ser a primeira barreira contra o impulso suicida, validam o pedido de suicídio dos doentes, alegando que a depressão de x e y é «incurável». Que absurdo é este? Mesmo que seja incurável, aprende-se a viver com a depressão da mesma forma que se aprende a viver com outra doença. Que mentalidade é esta? A presença da doença «incurável» é em si mesmo uma impureza que legitima a própria morte? Mas somos o quê, samurais ou nazis em busca da perfeição biológica e mental? E o absurdo continua: estes psiquiatras chegam ao ponto de criticar a lentidão do processo (que já é demasiado rápido). Uma lei geral da eutanásia abre espaço a esta perversão.





segunda-feira, 23 de abril de 2018

Bélgica: Primeiro estado islâmico na Europa?


A polícia de choque guarda uma estrada no distrito de Molenbeek, em Bruxelas,
depois de ataques em que várias pessoas, incluindo Salah Abdeslam,
um dos responsáveis ​​pelos ataques de Paris em Novembro de 2015,
foram presos em 18 de Março de 2016. ((Photo by Carl Court/Getty Images)

Giulio Meotti, Gatestone, 22 de Abril de 2018
Giulio Meotti, editor cultural de Il Foglio, jornalista e escritor italiano.

Os líderes do Partido da Bélgica aparentemente querem transformar a Bélgica num Estado islâmico. Eles chamam a isso de «democracia islâmica» e estabeleceram uma data-alvo: 2030.

  • «O programa é confusamente simples: substituir todos os códigos civis e penais pela lei charia. Período». – revista francesa Causeur.
  • «A capital europeia [Bruxelas] será muçulmana em vinte anos». – Le Figaro.
A sigla do Partido ISLAM, da Bélgica, significa «Integridade, Solidariedade, Liberdade, Autenticidade, Moralidade». Os líderes do partido ISLAM aparentemente querem transformar a Bélgica num Estado islâmico. Eles chamam a isso de «democracia islâmica» e definiram uma data-alvo: 2030.

De acordo com a revista francesa Causeur, «o programa é confusamente simples: substituir todos os códigos civis e penais pela lei charia. Período». Criado na véspera do escrutínio municipal de 2012, a Festa do ISLAM recebeu imediatamente resultados impressionantes. Os seus números são alarmantes.

O efeito desse novo partido, segundo Michaël Privot, especialista em islamismo, e Sebastien Boussois, cientista político, poderia ser a «implosão do corpo social». Alguns políticos belgas, como Richard Miller, estão agora a defender a proibição do Partido ISLAM.

A revista semanal francesa Le Point detalha os planos da Festa do ISLAM: Gostaria de «evitar o vício proibindo estabelecimentos de jogos (casinos, salas de jogos e agências de apostas) e a lotaria». Além de autorizar o uso do véu muçulmano na escola e um acordo sobre os feriados religiosos islâmicos, o partido quer que todas as escolas na Bélgica ofereçam carne halal nos cardápios escolares. Redouane Ahrouch, um dos três fundadores do partido, também propôs segregar homens e mulheres no transporte público. Ahrouch pertenceu na década de 1990 ao Centro Islâmico Belga, um ninho do fundamentalismo islâmico onde os candidatos à jihad no Afeganistão e no Iraque foram recrutados.

A festa do ISLAM sabe que a demografia está do seu lado. Ahrouch disse que «em 12 anos, Bruxelas será composta principalmente por muçulmanos». Nas próximas eleições belgas, o Partido ISLAM está agora pronto para administrar candidatos em 28 municípios. À primeira vista, parece uma proporção irrisória em comparação com 589 municípios belgas, mas demonstra o progresso e as ambições deste novo partido. Em Bruxelas, a festa estará representada em 14 listas de 19 possíveis.

Isso é mais provável porque o Partido Socialista agora teme a ascensão do Partido ISLAM. Em 2012, o partido conseguiu, ao concorrer em apenas três distritos de Bruxelas, obter um representante eleito em dois deles (Molenbeek e Anderlecht) e fracassar apenas por pouco em Bruxelas-Cidade.

Dois anos mais tarde, durante as eleições parlamentares de 2014, o Partido ISLAM tentou expandir a sua base em dois círculos eleitorais, Bruxelas-Cidade e Liège. Mais uma vez, os resultados foram impressionantes para um partido que favorece a introdução da sharia, a lei islâmica, na Bélgica. Em Bruxelas, eles conquistaram 9.421 votos (quase 2%).

Este movimento político aparentemente começou em Molenbeek, «a toca dos radicais belgas», um «foco de recrutadores para o Estado Islâmico do Iraque e o Levante». Jihadistas aparentemente planejavam ataques terroristas em toda a Europa e até no Afeganistão. O autor francês Éric Zemmour, em tom de brincadeira, sugeriu que, em vez de bombardear Raqqa, na Síria, a França deveria «bombardear Molenbeek». No momento em Molenbeek, 21 funcionários municipais de 46 são muçulmanos.

«A capital europeia», escreveu Le Figaro, «será muçulmana em vinte anos».

«Quase um terço da população de Bruxelas já é muçulmana», disse Olivier Servais, um sociólogo da Universidade Católica de Louvain. «Os praticantes do Islão, devido à sua alta taxa de natalidade, deveriam ser a maioria em quinze ou vinte anos». «Desde 2001 ... Mohamed é o nome mais comum dado aos meninos nascidos em Bruxelas».

A ISLAM Party está trabalhando num ambiente favorável. Segundo o prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, todas as mesquitas da capital europeia estão agora «nas mãos dos salafistas». Há algumas semanas, o governo belga encerrou o contracto de longo prazo da maior e mais antiga mesquita do país, a Grande Mesquita de Bruxelas, para a família real saudita, «como parte do que as autoridades dizem ser um esforço para combater a radicalização». As autoridades disseram que a mesquita era um «foco de extremismo».

Um relatório confidencial do ano passado revelou que a polícia havia descoberto 51 organizações em Molenbeek com suspeitas de ligações com o jihadismo.

Talvez seja a hora de a sonolenta Bélgica começar a acordar?