sábado, 14 de abril de 2018

O lento veneno das ideias más

Partilha connosco a tua ideia própria de moralidade!

David Carlin, Actualidade Religiosa, 11 de Abril de 2018

Todos os semestres lecciono uma cadeira de ética (filosofia moral) na faculdade onde trabalho. Digo aos alunos que não têm de concordar comigo; têm direito às suas próprias opiniões, ainda que estas estejam profundamente erradas. Mas tento persuadi-los de que algumas teorias de moralidade, embora populares, estão erradas.
  • Em particular, argumento contra três teorias populares mas, em minha opinião, perniciosas:
  • A teoria de que as normas que definem o que é certo ou errado são meras criações sociais
  • A teoria de que somos livres de criar os nossos próprios códigos morais, individuais.
  • A teoria de que tudo é moralmente permissível, desde que não prejudique terceiros de forma evidente e tangível, sem o seu consentimento.
Por outro lado, argumento que existe uma teoria de moralidade verdadeira, nomeadamente a teoria de que todos os seres humanos normais têm um conhecimento inato das regras fundamentais da moralidade, por exemplo, não matar, não roubar, não cometer adultério, não abandonar os filhos, etc. Pode-se chamar a isto uma teoria de moralidade do «direito natural», mas não insisto nesse nome.

Escusado será dizer que não convenço todos, nem sequer a maioria, dos meus alunos a concordar comigo. Consolo-me dizendo que isso não é grave. Porquê? Porque se calhar estou errado, e nesse caso espero que não concordem comigo. Ou se calhar estou certo e eles verão isso daqui a 30 ou 40 anos. Ou se calhar tenho razão mas eles nunca vão concordar comigo. Mas se Jesus apenas conseguiu persuadir 11 dos seus 12 discípulos, porque é que eu hei-de ficar desencorajado por não conseguir convencer todos os meus alunos?

Mas há dias um jovem da minha turma chocou-me (na verdade, achei piada), ao defender clara e francamente uma teoria da moralidade que eu considero verdadeiramente terrível. Ele é um bom aluno, sincero e simpático, e não é de todo o género de miúdo que os professores por vezes encontram, aqueles que discordam do professor só para chatear. De todo, longe disso, é um bom miúdo.

Ele defendeu (não obstante eu ter tentado refutar essa teoria no início desse mesmo semestre) que todos os indivíduos criam a sua própria moralidade e, por isso, que o que é certo ou errado para ti poderá não ser certo ou errado para mim. Desde que tu faças o que crês, pessoalmente, estar certo, então está certo. Da mesma forma, se eu fizer aquilo que pessoalmente considero estar certo, então está certo.

Agora, sempre que um aluno meu defende esta posição eu jogo a cartada do Hitler. «Se o Hitler acreditava que o holocausto era a coisa certa, então achas que ele estava certo em assassinar seis milhões de judeus, para não falar de milhões de outros? É isso que estás a dizer?»

Quando meto o Hitler ao barulho, o aluno tende a recuar da sua afirmação. (Às vezes desconfio que Deus tenha permitido a Hitler cometer estes homicídios em massa para que os professores possam usá-lo como exemplo horrível nas discussões nas salas de aula.) Mas este rapaz não recuou. Ele defendeu a lógica da sua posição, dizendo que o que Hitler fez estava certo porque ele acreditava que sim, e por isso este meu aluno não o condenaria por fazer a coisa errada.

Ao mesmo tempo assegurou-me que ele próprio tinha uma moral pessoal muito diferente. Pessoalmente, jamais cometeria genocídio; seria errado fazê-lo, porque isso vai contra o seu código moral pessoal. Não duvido que seja assim, como disse, é um miúdo porreiro. Não tenho qualquer medo de homicídio em massa quando entro na sala de aula e ele está lá.

Partilha connosco a tua ideia própria de moralidade!
Mas isso recorda-me que podemos mudar de ideias mais facilmente do que de coração. Mudamos as nossas opiniões mais rapidamente do que os nossos sentimentos. E no mais fundo de todos os nossos sentimentos estão as atitudes morais que adquirimos na juventude e na adolescência.

As nossas atitudes morais, porém, sejam boas ou más, são diferentes das nossas opiniões morais. É por isso que é tão difícil convencer uma pessoa a abandonar maus hábitos. Os conselhos que lhe damos podem ser 100% sãos, mas ainda assim ele não se mexe. O mesmo se aplica, mutatis mutandis, às pessoas que crescem com boas atitudes morais.

Isto significa que as teorias morais más são inofensivas ou que as boas são inúteis? De todo. Se for uma pessoa com boas atitudes morais, então as teorias más provavelmente terão pouco impacto na sua conduta moral. Mas podem vir a ter um impacto sobre os seus filhos.

À medida que os educa, estará a dar-lhes um bom exemplo através da sua conduta (digamos, por exemplo, pela sua honestidade); mas a sua teoria dirá: «pessoalmente, acredito na honestidade, e espero que vocês também acreditem quando forem adultos, mas lembrem-se sempre que esta honestidade não passa de uma preferência pessoal. Lembrem-se de ser tolerantes para com os patifes, mentirosos e ladrões que por acaso não acreditam na honestidade».

As teorias morais más, então, terão consequências morais más, e as teorias morais boas terão consequências boas. Mas isso não acontece de um dia para o outro. Levará uma ou duas gerações, talvez cem, duzentos ou trezentos anos. Jefferson escreveu: «todos os homens são criados iguais» em 1776. Isto implicava que a escravatura deveria ser abolida. Mas levou mais 87 anos e uma grande guerra civil até que isso acontecesse.

«As ideias governam o mundo», disse certa vez um filósofo francês. E é verdade. Mas na maior parte dos casos isso apenas acontece de forma gradual. Hoje existem muitas más teorias morais por aí, não apenas a do meu aluno. Se não os combatermos, acabarão por nos destruir – se não a curto prazo, gradualmente.





domingo, 21 de janeiro de 2018

Xutos e Pontapés na Igreja e no Estado



Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada, Observador, 16/12/2017

(Extractos)

Não podendo o Parlamento honrar todos os cidadãos falecidos, é razoável que reserve as suas homenagens para os portugueses que mais se distinguiram pelo seu saber e serviço à comunidade.

Há já muito tempo que não via algo tão insólito como o Parlamento aprovar por unanimidade – que, poucos dias antes, foi negada à memória de Belmiro de Azevedo – um voto de pesar pelo Zé Pedro, músico da banda Xutos & Pontapés.

(...)
Quanto ao Zé Pedro, que também não conheci pessoalmente, sempre lhe tive simpatia, porque sou da sua geração – ele era pouco mais velho do que eu – e por isso cresci ouvindo a sua música e a de muitas outras bandas, nacionais e internacionais. Soube que na sua adolescência passou, como tantos outros, por algumas experiências menos felizes e, por isso, alegrou-me sabê-lo recuperado e empenhado em ajudar jovens na mesma situação, participando com regularidade em acções de sensibilização. Sei que, como ele próprio dizia, «casou para a vida», o que no meio artístico e nos tempos que correm é bastante meritório. Foi, sem dúvida, um músico muito conhecido e querido, sobretudo se comparado com o distante patrão da Sonae. Contudo, não conheço nenhuma intervenção relevante do Zé Pedro a nível nacional, ou no estrangeiro, que justifique o voto de pesar de todos os deputados de todos os partidos com assento parlamentar. Que significa esta rara unanimidade?! É só populismo?! Eleitoralismo barato?! Pieguice nacional?! Onde pára a respeitabilidade do Estado e dos seus órgãos de soberania?!

Por este andar, quando um popular locutor da televisão render a alma ao Criador, decreta-se luto nacional e vela-se o mediático sujeito na Assembleia da República. Ou, quando um mais ou menos conhecido cançonetista, ou jogador de futebol, tiver guia de marcha para a eternidade, fecham-se as escolas e põe-se a bandeira nacional a meia-haste.


Desejo uma longa vida e as maiores felicidades a todos os artistas portugueses, bem como aos desportistas nacionais, aos intervenientes nas marchas populares alfacinhas, aos figurantes do carnaval de Torres Vedras, aos participantes nos fóruns da TSF e às idosas que fazem de público nos programas matutinos da TVI. Mas, não podendo os deputados honrar todos os cidadãos falecidos, é razoável que reservem as suas condolências para os portugueses que mais se distinguiram pelo seu saber e serviço à comunidade. Aos «Belmiros», entenda-se, que são poucos, e não aos «Zés» que, com toda a consideração e simpatia pelo músico, são aos milhares.

Jean d’Ormesson disse, em 2008, que um escritor deve evitar o azar de morrer ao mesmo tempo que alguma celebridade mediática pois, nesse caso, arriscava-se a ser por ela eclipsado. Sábias palavras premonitórias: ele próprio faleceu recentemente, horas antes de Johnny Hallyday, que atraiu a atenção da imprensa, em detrimento da vida e obra do «imortal» membro da Academia Francesa.


Infelizmente, não foram só a comunicação social e o parlamento que promoveram esta triste encenação, pois a Igreja também se prestou a isso, segundo notícia recentemente divulgada: «A morte do fundador do Xutos & Pontapés provocou as mais diversas mensagens de pesar, bem como as mais originais homenagens um pouco por todo o país. E uma delas chega-nos de Guimarães, mais precisamente da Basílica de S. Pedro do Toural. Na missa realizada no domingo seguinte ao funeral, o pároco e o coro da igreja resolveram homenagear o Zé Pedro cantando ‘Não sou o único’. O vídeo mostra como o padre, o coro e os fiéis cantam a música do Xutos & Pontapés, numa homenagem ao falecido fundador da banda rock portuguesa».

Embora o masoquismo não seja o meu forte, não me poupei ao sacrifício de ver o vídeo da infeliz actuação do canoro e dançante presbítero, paramentado a rigor, com o coro e os fiéis que tiveram o mau gosto de, em plena igreja e na missa, segundo reza a peça, cantarem uma música dos Xutos & Pontapés. Se fosse uma homenagem a um futebolista, provavelmente promoveriam um jogo no adro da igreja, ou decorariam o altar com bolas de futebol, chuteiras, bonés e bandeiras do clube em questão. Tudo, claro, em honra do defunto que, como se sabe, desfruta imenso com modinhas pegadiças e efemérides futebolísticas em sufrágio da sua alma.

(...)





MILÍCIA DE SÃO MIGUEL


PROGRAMA DE ACÇÃO POLÍTICA, CULTURAL E SOCIAL

I — A CIVILIZAÇÃO E A SUA DEFESA

A superioridade da Civilização cristã

(1) A Civilização ocidental, ou europeia, ou cristã, ou judaico-cristã, de matriz greco-latina e tomando como prin­cípio director a ética cristã, reúne um con­junto de valores religiosos, normas morais e sociais, padrões estéticos e níveis científicos e técnicos que a tornam em todos os campos indubitavelmen­te superior a todas as outras. Pela sua superioridade material, ela atrai povos de todas as latitudes. Pela sua superioridade espiritual, ela atrai a ira dos bár­ba­ros internos e externos do nosso tempo.

A superioridade da ética cristã

(2)  A ética cristã, como conjunto de valores que devem guiar o comportamento humano, cons­titui a base da nossa Civilização. A superioridade da Civili­zação cristã reside, antes de mais, na superioridade da sua ética. Os valores fundamentais da ética cristã — o respeito, a responsabi­lidade, a fi­delidade, a ver­dade e a bondade — são universais e válidos para todas as pessoas, em todos os lugares, em todas as circunstâncias e em todos os tempos. São valores perenes, não de um lugar ou época his­tórica. A ética cristã opõe-se frontalmente ao relati­vismo moral, cultural e his­tórico do modernismo e da pretensa «reli­gião univer­sal».

A família natural e a sua defesa

(3) A família é a célula fundamental da socie­dade e a sua única e autêntica forma é a família natural. As chama­das «outras formas de família», ou «formas alternativas de família», são na realida­de construções ideológicas contra a família e a ordem natural. Estas constru­ções ideológicas, engen­dradas por centrais promo­toras da deca­dência, con­tribuem para a degradação da família, da socie­dade e da Ci­vilização e constituem um aten­tado ao equilíbrio psíquico das pessoas — quer sejam crianças, jovens ou adultos, em especial de crianças quando entre­gues a essas ditas «for­mas alternativas de família».

(4) É aos pais e não ao Estado a quem compete decidir que educação e desen­volvimento mo­ral, afectivo e inte­lectual dar aos seus próprios filhos.

A crise demográfica e a sua solução

(5) A crise demográfica que atinge o Ocidente ameaça-o na sua vitalidade e na sua defesa e se­gurança. A crise demográfica da Civilização não se resol­ve preenchendo o vazio de população de cul­tura ocidental com população de outras culturas, crian­do assim uma «sociedade multi­cultural», com cultu­ras manifestamente incompatíveis e mesmo antagónicas, sobretudo no plano da ética. Tal so­cie­dade é infalivel­mente um poço de conflitos, gera­dora de insegurança e violência que acabará por descambar em guerra dentro das pró­prias frontei­ras. O multicultu­ralismo não só não re­solve o pro­blema demográfico do Ocidente como gera outros problemas, principal­mente a dissolução dos valores da Civilização, a instabilidade, a insegurança e a que­bra do elemento agregador religioso.

(6) A crise demográfica que atinge o Ocidente apenas pode ser resolvida internamente, e por duas vias. Tratando-se sobretudo de uma questão cultu­ral, resolve-se, antes de mais, promovendo a cultura da maternidade e comba­tendo as contra­­culturas do feminismo e do hedonismo. Em segundo lugar, aplicando uma série de políticas de apoio à mater­nidade e uma política integrada de família.

A defesa da vida

(7)  A defesa da vida desde a concepção até à morte natural é um dos corolários da Civilização e da ética cristã. O combate à cultura da morte é um dos principais impera­tivos actuais em defesa da Civilização.

A luta contra a ditadura do pensamento único

(8) Em oposição frontal à Civilização cristã, os «senho­res do mundo» tentam impor o pensa­mento único «politi­camente correcto», baseado num con­junto de filosofias e ideologias corrosivas do ser hu­mano. São elas, fundamen­talmente, o subjectivismo, o sincretismo, o na­turalismo, o relativismo, o libera­lismo e o he­donismo. O próprio homos­se­xualismo já adquiriu estatuto de ideologia e de nor­ma­lidade, nomeada­mente com a «ideologia do género».

(9) O pensa­mento único «politicamente cor­rec­to» é a expressão contem­porâ­nea do sincretismo ma­çó­­nico.

(10) O pensa­mento único «politicamente cor­rec­to» inun­da as mentes atra­vés das ar­tes, da cultu­ra, da propaganda, dos meios de comu­nica­ção, da escola, das várias políti­cas, etc. Este pensamento já pe­ne­trou na própria or­dem jurídica, impondo também por aí a sua ditadura.

(11) Também em oposição à Civilização, e paralelamen­te ao «politicamente correcto», e difundido pelos mesmos canais, se apresentam o marxismo, o criptomar­xismo e o anarquismo. Estas doutrinas, de características próprias, confundem-se em mui­tos pontos com o «poli­ticamente correcto», com o qual formam uma amálgama de ideias falsas tendo como denominador comum a cor­rupção do ser hu­mano, a oposição à ética cristã, à natureza humana e à Civili­zação.

O alvo principal dos inimigos da Civilização

(12) Foi a Igreja que gerou a Civilização euro­peia, depois expandida para outros conti­nentes. Ao longo de vinte séculos, a Igreja foi a depo­sitária dos valores éticos funda­mentais que definem a Civi­liza­ção ocidental. Assim se compre­ende que a Igreja se tenha tornado, princi­palmente nos últimos sécu­los, o alvo principal das forças que fomen­tam a deca­­dência da Civilização. Sobretudo hoje, por fora e até por dentro da Igreja, assistimos a cerrados ataques à doutri­na e à instituição geradora da nos­sa Civi­liza­ção.


As centrais inimigas da Civilização

(13) As actividades contra a Civilização são desenvol­vidas através de múltiplas organizações, partidos e insti­tuições de diversas matizes ideoló­gicas, no entanto todos convergindo para o mesmo fim destruidor. Algumas dessas actividades são espontâneas, ou de âmbito local, ou nacio­nal, enquanto outras são fomentadas e coorde­nadas por centrais mundiais e à escala global.

(14) As principais centrais mundiais contra a Civilização — algumas delas invisíveis — são a maçóni­ca, a homos­sexualista, a feminista e o que resta da rede soviética de partidos comunistas e submarxistas a ela agregados ou não.

(15) Para veicular as suas ideologias e exercer o seu poder, estas centrais mundiais criam instituições interna­cionais ou infiltram e utilizam as existentes, como a ONU, as suas agên­cias ou a União Europeia, e também partidos políticos, a escola, as instituições culturais, etc.

(16) A ofensiva ideológica e política das centrais contra a Civilização incide nos seguintes pontos principais: infiltração da Igreja pela maçonaria, visando o esvazia­mento da sua doutrina e transformando-a em apêndice da religião mundial; a promoção do mundialismo e do europeísmo antipátrias, visando a implantação do governo mundial; e a promoção do hedonismo, do feminismo, do sexualismo, do homossexualismo e da cultura da morte, visando a destruição da família.

A grave crise da Civilização e a sua solução

(17) A grave crise da Civilização é consequência do afas­tamento dos valores que a fundamentam. Por isso, a sua regeneração só pode verificar-se pelo regresso às origens, isto é, pela reposição dos seus valores fundamentais.

(18) Perante a grave crise de valores da Civilização, fal­sas soluções ressurgem assumindo novas formas, sempre des­viando-se ou opondo-se frontalmente à Civilização cristã. Entre essas falsas soluções, podemos referir as prag­matis­­tas, as vanguardistas e as pagãs.


Falsas alternativas pragmatistas

(19) As crises provocadas pela inoperância económica do socialismo e do liberalismo e os seus impactos na vida das pessoas têm, de tempos a tempos, permitido o ressur­gimento da falsa alternativa do tecnocratismo. Esta corrente apresenta-se como anti-ideologia mas de facto assenta  no pragmatismo e no amoralismo. Tomando como valor su­premo e como critério da verdade o útil, ignora totalmente a ética e qualquer sistema de ideias e valores, e opõe-se assim à Civilização cristã. Ao contrário de outros políticos inimigos da Civilização cristã, os tecnocratas são pessoas de formação técnica mas de baixa cultura e impre­pa­rados para a política, residindo a diferença essencial entre eles no facto dos primeiros preconizarem o caminho para a de­cadência da Civilização e estes aceitarem inconscientes esse caminho. Ignorando os problemas de natureza moral, social, e política, a tecnocracia não só não resolve os pro­ble­mas téc­nicos a que se propõe como ainda agrava os de natureza civilizacional.

(20) Em socorro ideológico do já visto tecnocratismo, surgiu no terceiro quartel do século XX a falsa ideologia do «fim das ideologias». Esta ideologia pretende passar uma esponja sobre o antagonismo entre os valores cristãos e os antivalores do liberalismo e do marxismo, entre outros, apontando para uma «sociedade pòs-industrial» na qual a questão dos princípios éticos é marginalizada. A ideologia do «fim das ideologias» representa uma reformulação inte­lectual do primarismo tecnocratista, e assim mais um modo de oposição à Civilização cristã.


Falsas alternativas vanguardistas

(21) Nos anos 80 do século XX, surge em grande plano o pòs-modernismo, que tem Nietzsche como uma das suas referências. Ao contrário do que alguns pretendem, esta corrente não se opõe ao modernismo mas apenas pretende ultrapassá-lo, isto é, refinar a oposição do modernismo à Civilização cristã. O pòs-modernismo pretende «reinven­tar», «reinterpretar», «desconstruir» a verdade, não lhe interessando a verdade objectiva, abrindo assim o cami­nho ao subjectivismo e ao relativismo, e portanto a tudo o que se oponha à verdade dos valores da Civi­lização cristã, da Nação e do bem comum.

(22) Tal como nos seus movimentos artís­ticos, em polí­tica, a falsidade da alternativa pòs-moder­nista é evidente. A sua proximidade com o liberalismo e o anarquismo ou o anarco-liberalismo reconhecem-se em movimentos paci­fistas, altermundistas, feministas, homos­sexualistas, etc. Alguns sectores pòs-modernistas proclamam-se neo­conservadores mas nesses movimentos a ética cristã fica sempre de fora.


Falsas alternativas pagãs

(23) Ao longo da história, têm ainda surgido falsas alternativas ao liberalismo e ao marxismo inspiradas no nihilismo e no paganismo, como é o caso do fascismo e do nazismo. Estas doutrinas pagãs, irracionais e bárbaras opõem-se igualmente, tanto filosófica como politicamen­te, à natureza humana e à Civilização cristã.

(24) As correntes do fascismo e do nazismo, pelo seu carácter violento e opressor e oposição aos naturais sen­timentos humanos de liberdade, tornaram-se impopulares em todo o mundo, facilitando assim no campo cultural e político a instrumentalização dos povos pelo marxismo, arvorado em alternativa salvadora não só dessas correntes como também de todos os males da hu­manidade.

(25) O aventureirismo militar do bloco nazi-fascista resultou na sua derrota na II Guerra Mundial, pro­vocando a catástrofe do avanço territorial do comunismo na Euro­pa e na Ásia e a criação de uma grande ameaça para o mundo.

(26) Entretanto, numa manobra de desinforma­ção, os inimigos «politicamente cor­rec­tos» da Civilização cristã tentam hoje, muitas vezes, tirar partido da impopularidade do nazismo e do fascismo conotando as políticas cristãs com essas doutri­nas anticristãs. Tanto as esquerdas como as «direitas» autorizadas pelas esquerdas participam nesta desinformação, especialmente no que diz respeito às ne­cessárias medidas de defesa da ordem pública, da justiça e dos costumes. A separação das águas e a desmontagem des­ta manobra de desinformação é mais uma tarefa im­pres­cindível dos combatentes da Civilização cristã.


II — A NAÇÃO PORTUGUESA E A SUA GUARDA

A degradação da sociedade

(27) Assistimos hoje à degradação da sociedade por­tuguesa nos campos da moral, da família, da demografia, da educação, da economia, da política, da ordem e segu­rança pública — de todos os sectores em geral da vida na­cional.  Esta degradação generalizada, de natureza moral e material, tem graves consequências directas e indirectas na vida quotidiana dos Portugueses. Ela tem causas inter­nas bem identificadas e também origem nas for­ças que, a nível mundial, operam contra a Civilização, as nações e o bem das pessoas.

Uma classe política ao serviço de si própria e do inimigo

(28) Dominado por uma classe política olhando ape­nas para si própria, incompetente e obediente aos «senho­res do mundo», o Estado, que deveria ser um instrumento de de­fesa da Civilização, da Nação e do bem comum, tor­nou-se um instrumento de po­deres subterrâneos, um meio de servir essa classe política, um meio de opressão do cida­dão e de arrastamento da Nação para o plano maçónico de instau­ração da «nova ordem mundial».

O ataque à identidade e à soberania nacional

(29) A identidade e a soberania nacionais têm sido trocadas pelo europeísmo antipátrias e pelo maçó­nico mundialismo, visando o estabelecimento da «nova ordem mundial» ao serviço dos «senhores do mundo». O desfigu­rante multiculturalismo, embo­ra em menor escala do que noutras nações, também nos afecta e ameaça ampliar-se. Aparente­mente longínquas, tais políticas têm graves refle­xos na vida quotidiana das pes­soas.

A subversão das pessoas e das instituições

(30) Parte da sociedade civil, influencia­da pelo compor­tamento da classe política e pela contracultura im­portada de Hollywood ou de produção nacional, segue os maus exemplos. Até algumas instituições que, pela tra­dição e pela vocação, defenderiam os valores da Civiliza­ção, da Nação e do bem co­mum se renderam aos «senho­res do mundo».

A Nação dos portugueses e a Civilização que a gerou

(31) São Portugueses aqueles que, independente­­mente em que lugar no mundo, nasceram de sangue português ou que, provenientes de outras gerações, abraçaram fiel­mente Portugal e a sua Civilização. A Nação por­tuguesa é a grande casa das famílias por­tuguesas, dispondo de um território de­limitado pelas frontei­ras mais antigas da Europa, com uma riquís­sima história de nove séculos que nos orgulha, fa­lando a mesma expressiva e doce língua, em quase total unidade religiosa, carregada de valiosas tradi­ções e costumes idênticos. Tudo isto faz de Portugal uma nação mais nação, das que mais factores de iden­tidade e unidade reúnem. É um bem que mui­tos povos não pos­suem e que os Portu­gue­ses devem saber preservar.

(32) A Nação portuguesa nasceu e existe como ex­pressão da Civilização cristã. A ruína da Civilização nos seus princípios fundamentais arrasta para a ruí­na as nações que a compõem. A ruína da Civilização implica a ruína da Nação. O destino da Nação portu­guesa, nos seus pilares, está, pois, intima­mente liga­do ao destino da Civilização que a gerou.

A identidade e a independência da Nação portuguesa

(33) Para além dos valores da Civilização cristã, comuns a todas as nações que a compõem, existem os valores específicos da Nação portuguesa, que formam a sua identi­dade e cuja preservação e pro­moção estão dependentes da sua independência política e cultural.

O mundialismo, inimigo das nações

(34) Em oposição à independência da nação portuguesa e de todas as nações, os «senhores do mundo», procuram confundir um mundo global e as naturais relações globais com o mundialismo. Esta manipulação de linguagem e de conceitos visa arrastar para o seu campo os incau­tos, le­vando-os a apoiar inconscien­temente o seu projecto de governo mundial.

(35) A independência das nações é o maior obs­táculo político ao projecto dominador e corruptor dos «senhores do mundo». Por isso as centrais do euro­peísmo e do mun­dialismo, a par da propaganda mundialis­ta que desenvol­vem, minam as nações na sua inde­pendência transferindo a sua sobera­nia para pode­res supra-nacionais.

Esta União Europeia, inimiga das nações

(36) Se tivesse sido con­cebida como aliança de estados-nação, a União Europeia poderia constituir um instrumen­to útil para todos e para a Civilização que lhe é própria. Contudo, o plano dos manipula­do­res foi estabele­cer um aglo­merado de estados dirigido por burocratas servindo os grandes da Eu­ropa e do mundo. A União Eu­ropeia é um instrumen­to contra as nações onde a Nação deixa de sê-lo, fican­do reduzida a uma pro­víncia do impé­rio. Passo a passo, a União Euro­peia tem caminhado para o plano mundialista arquitec­tado desde o início.

A ameaça do multiculturalismo

(37) O multiculturalismo é um dos pratos fortes da ideo­logia do «politicamente correcto» promovido pelas centrais mundialistas. O multicul­turalismo é um grave aten­tado à identidade nacional, à paz, à segurança nacional, à Nação, aos Portu­gueses, à Civilização.

(38)  Para implementar o multicul­turalismo, as centrais mundialistas recrutam como seus instrumentos no terreno os membros do complexo social-industrial, o qual movimen­ta gigantescos interesses financeiros e de carrei­ras sob a capa da «bondade» e do «humanismo».

(39)  Ao acolher pessoas de outras nações, Portugal deve ser criterioso. Deve acolher na pro­porção da sua popu­lação e segundo a sua própria neces­sidade. Deve fazê-lo preferindo originários de nações da Civilização cristã, isto é, pessoas formadas na ética cristã, con­dição para uma inte­gração viável, natural e pací­fica.

(40)  A língua, a história, as tradições e a religião são ele­mentos definidores e agregadores da Nação. Por isso são atacadas pelos mundialistas. O ensino defi­ciente da língua pátria ou decisões políticas no­civas como o «Acordo Ortográfico», o laicismo, o apagamento e falsi­ficação da nossa história e o des­prezo pelas boas tra­dições são meios de dissolução da identidade nacional. A dis­solução da iden­tidade nacional pre­para a des­trui­ção da Nação. A guarda da Nação exi­ge, pois, a defesa da língua, da história, das boas tradições, da religião cristã e da sua ética.

A necessária defesa nacional

(41)  A defesa do espaço português de agressões e cobiças vindas do exterior ou do interior das suas fronteiras é um imperativo sempre presente na vida da Nação. Sob pressão do mundialismo, do euro­peís­mo, do economi­cismo, do tecnocratismo, do po­pulismo e do pacifismo, criou-se em certos meios a ideia ilusória de que hoje já não são ne­ces­sárias Forças Armadas para defender a Nação. A realidade é que, mes­mo inte­grado num sistema de seguran­ça colec­tiva, Portugal, no quadro regional, ne­ces­sitará sem­pre de defender por si próprio, com toda a autonomia, as suas fronteiras terres­tres, marí­timas e aéreas.



III — O BEM COMUM E A SUA PROMOÇÃO

O bem comum, a governação e a Civilização

(42)  O bem comum é uma categoria superior ao bem individual na medida em que este apenas é possível no quadro do bem geral em que o in­divíduo está inserido, isto é, a Nação e a Civilização. São, em conjunto, os valo­res da Civilização e a boa governação da Nação que podem pro­porcionar a todos o bem-estar. Ape­nas nes­te enquadra­mento é possível às pessoas sin­gulares obterem o bem-estar. Ao mesmo tempo, o bem das pessoas é o bem da Nação e o bem da Civilização.

A boa governação da Nação

(43)  A boa governação da Nação requer, antes de tudo — sublinhe-se —, a sua independência polí­tica.

(44)  A boa governação da Nação consiste, em primeiro lugar, na defesa dos valores da Civilização. Depois, consiste em garantir a segurança das pes­soas e bens, uma justiça eficaz, um ensino de qualidade e acessível a todos segundo as suas capacidades, um serviço nacional proporcionando a todo o povo os cuida­dos de saú­de, uma segurança social satisfatória e sustentada, uma assistência acudindo aos ne­cessitados e uma economia capaz de suportar todos estes encargos das pes­soas, da sociedade e do Estado.

A necessária independência do Estado

(45)  Para cuidar devidamente do bem comum, o Estado necessita de dispor de autonomia face a in­teresses exter­nos ou internos privados. Alguns interesses em jogo são estranhos à Nação e até a ela anta­gónicos. Certas direc­tivas emanadas dos buro­cratas instalados nas centrais de poder mun­diais ou euro­peias atentam quer contra os valores morais da Civilização, quer contra a sobre­vivência de mui­tos por­tugueses. A perda da sobe­rania nacional significa, pois, ficar refém de terceiros e dos seus interesses.

(46)  Igualmente, o domínio do Estado por interesses privados ilegítimos, mesmo ditos «nacionais», é outro obs­táculo a uma governação que coloque acima de tudo o bem da Civilização, o bem da Nação e o bem do povo.

A necessária segurança interna

(47) A segurança interna é um factor capital para a paz e tranquilidade das pessoas. Promover o bem comum passa por defender a propriedade, a ordem pública e a se­gurança. A per­missividade e o multi­culturalismo de liberais e forças com ele coliga­das são os maiores fautores de perturba­ção da ordem pública e da segurança interna.

A necessária rejeição de ideologias nefastas

(48) Para cuidar devidamente do bem comum, o Estado necessita de estar libertado dos es­­par­tilhos de ideologias nefastas, como o socialismo em qual­­quer das suas formas, ou o liberalismo, ou o tecnocratismo, desde a área da eco­nomia à cultura, dos costu­mes à educação ou à segu­rança. As ideolo­gias contrárias à natureza humana e aos valores da Civilização atentam na prática contra o bem comum e individual das pessoas.


IV — A ESTRATÉGIA E A TÁCTICA
DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL

Primeiro os valores

(49) A noção clara dos valores da Civilização, da Nação e do bem comum, em primeiro lugar, e a de­finição da es­tratégia e da táctica para defendê-los, em segundo lugar, constituem a chave para a correcta avaliação de cada si­tuação e para a acção política, cultural e social organizada capaz de en­fren­tar vitoriosamente o inimigo.

A identificação clara do inimigo

(50) São inimigos da Civilização, da Nação e do bem comum, e portanto da Milícia de São Miguel, todos aqueles que, tanto no pensamento como na acção política, cultu­ral ou social, se oponham aos seus valores. Alguns desses inimigos, pelo carácter altamente corrosivo do seu pensa­mento, pela sua persistência, pela maior influência que exercem na sociedade ou no mundo, e até controlan­do importantes sectores do Estado ou organizações de relevo, merecem es­pecial referência:

a) as centrais mundiais da contracultura, do relativismo, da decadência moral, do mundialismo e do euro­peísmo an­tipátrias, as suas agências e seus representantes locais;

b) os partidos de ideologias po­líticas socialistas ou libe­rais, ambas manifesta­mente opostas à pro­dução de riqueza e ao bem comum;

c) os chefes dos partidos de base social não libe­ral, não socialista, não mundialista e não decadente mas que traem a Civilização, a Nação, o seu eleitora­do e os pró­prios mem­bros de base dos seus partidos.

O principal ponto forte do inimigo

(51) O principal ponto forte do inimigo tem sido a sua liberdade de semear ideias e agir sem oposição du­rante um largo período histórico. Neste tempo, o inimigo não teve de enfrentar qual­­quer opo­sição efectiva — uma opo­sição simul­ta­neamen­te coe­rente, firme e organizada no ter­reno. Por esta razão, a marcha do inimi­go para o poder tem sido um sim­ples pas­seio. Afinal, o principal ponto forte do ini­­migo tem sido a nossa falta de comparência.

(52) A nossa estratégia, conse­quentemente, é:

a) dotarmo-nos de uma política global coerente;

b) dotarmo-nos de uma organiza­ção forte­mente implan­tada na socie­dade, disputando palmo a pal­mo o terreno ao ini­migo.

O principal ponto fraco do inimigo

(53) O principal ponto fraco do inimigo, em qual­quer das matizes em que se apresente, é o antago­nismo entre o seu pensamento e a natureza humana. Um pen­sa­mento anta­gónico à natureza humana não conse­gue captar adesões conscientes em massa.

(54) Em conformidade com esta realidade, a nos­sa acção no campo da comunicação consiste em:

a) contornar os meios tradicionais de comunica­ção, dominados quase na totalidade pelo inimigo e recorrer às redes sociais e a outros novos meios de comunicação, com os quais podemos enfrentá-lo;

b) esclarecer a massa em grande escala e formar qua­dros nas áreas da política e da cultura.

O segundo ponto fraco do inimigo

(55) O segundo ponto fraco do inimigo é ele pró­prio constituir uma minoria. O inimigo assenta a sua acção em locais estratégicos que as suas mino­rias activas tomaram de assalto. Essas forças mi­noritárias na socieda­de e opos­tas à natureza humana são facil­mente neutrali­záveis desde que tra­ve­mos contra elas um combate coerente, frontal, firme e orga­nizado.

(56) A nossa medida estratégica de nos dotar­mos de uma linha política coerente e de organização permite desa­lojar dos locais de poder as minorias activas do inimigo. O alvo estratégico principal da nossa acção política é pre­cisamente a sede do poder político do regime em vigor. Torna-se possível atingir o alvo ao reunirmos um exército consciente consti­tuído por múltiplas pequenas unida­des.

A aparente força da classe política

(57) A classe política ao serviço do inimigo mani­pula a grande massa do eleitorado e até os mem­bros dos respec­tivos partidos polí­ticos, muitos não se identificando com eles. A classe política central e local desses parti­dos reina na aparência de gozar do apoio incondicional dos membros de base. Na reali­dade, esses membros de base, não vislum­bran­do interna­mente uma alter­nativa positiva, limi­tam-se ciclica­mente a optar pelo mal supostamente menor.

Disputar todo o terreno ao inimigo

(58) A existência dessa grande massa humana no seio de alguns partidos políticos que se identi­fica em grande parte com os nossos valores mas que é manipulada pelos seus diri­gentes levanta ine­vita­vel­­mente o problema de se saber como pro­ceder em relação a ela. A Milícia de São Miguel não se dá por vencida nestes terrenos, mesmo que pan­tanosos. O poder reside nesses terrenos pantanosos, centro nervoso do sistema, e é a sua conquista que coloca directamen­te em causa o poder desta classe política.

O nosso combate no campo cultural

(59) O objectivo estratégico da nossa acção cultural é a promoção da cultura da Civili­zação, da Nação e do bem comum e combater a contracul­tura. A guerra política tem como pano de fundo a guerra cultural, a guerra pela con­quista das consciên­cias. É sobretudo pela cul­tura, de forma subli­minar ou aberta, que o ini­migo, ardilosa e gradualmen­te, conquis­ta as men­­tes da grande massa e as prepara para aceitar as suas políticas. O poder cultural do inimigo reside nos meios de comu­nicação tradicio­nais, nas artes e em certos sectores de institui­ções e do Estado. A redu­ção da contracultura à sua ínfima expressão só será viável após a resolução do prob­lema político. Entre­tanto, usaremos to­dos os meios dispo­níveis nesta guerra cultural.

O nosso trabalho com a sociedade civil

(60) O objectivo estratégico da nossa acção nas orga­nizações da sociedade civil é procurar que elas se tornem efectivos retransmissores dos valores da Civilização, da Nação e do bem comum. Em sintonia com estes valores, além do seu papel educativo, as organizações da sociedade civil também podem exercer sobre as forças políticas uma pressão positiva.

Outros princípios estratégicos

(61) A estratégia da Milícia de São Miguel integra ainda outros princípios.

Primeiro. Desenvolver a organização da Milícia selec­cionando os seus membros com o critério de adesão fiel aos valores da Civilização, da Nação e do bem comum. É esta uma condição sine qua non para os milicianos agirem em sintonia com os objec­tivos a que se propõe a Milícia de São Mi­guel.

Segundo. Formar quadros, em especial jo­vens, propor­cionando-lhes formação filo­sófica, po­lítica e cultural que, no terreno, os habi­lite a esgrimir ra­zões contra o inimigo.

Terceiro. Desenvolver a implantação no terreno de bai­xo para cima, dando especial importância às forças vivas da sociedade, mais do que a personali­dades me­diáticas. Eventualmente descontentes com uma ou outra política, muitas dessas persona­lida­des nem sempre se encontram dispo­níveis para enfrentar o sistema. Poderão eventual­mente vir a opor-se-lhe de forma clara quando enquadradas num movi­mento político não vacilante e já entretanto hege­mó­nico.

Quarto. Desenvolver a implantação prioritaria­mente nas periferias, avançando do interior para os cen­tros. Por­que os centros se encontram mais infil­trados e corrompidos pelo inimigo, torna-se mais fácil der­rotá-lo cercando-o pelas periferias.

O necessário trabalho em unidade

(62) É sabido que um certo número de pessoas apoia apenas na generalidade ou pontualmente os valores da Milícia de São Miguel. Assim, torna-se necessário encontrar formas de inte­grar essas pes­soas no movimento de recons­trução civilizacio­nal e nacional. Por esta razão, a Milícia de São Miguel ajuda a criar, fomenta e apoia movimen­tos inte­gra­dores dessas pessoas que, na acção, convirjam para objectivos comuns com a Milícia de São Miguel.

Firmeza na estratégia e flexibilidade na táctica

(63) A Milícia de São Miguel não é nem uma salada po­lítica, ecléctica, dita «consensual» ou «abrangente», visando apenas a quantidade de aderentes, mesmo que ignorando os valores da Civilização, ou os valores nacionais, ou o bem comum, nem uma seita ideológica, de «grandes prin­cípios» mas isolada da socie­dade civil e da política concre­ta. A certeza nos valores, a firmeza na estratégia e a flexibilidade na tácti­ca são os princípios fundamentais na acção política da Milícia de São Miguel e de cada miliciano em todos os momentos e em todas as cir­cunstâncias.


V —  DA BARBÁRIE E DO CAOS À CIVILIZAÇÃO
E À ORDEM NATURAL

(64) Está em causa o futuro dos nossos filhos, das nos­sas famílias, da nossa Nação, da nossa Civilização. Mas com clareza pro­gramática e força de orga­­­ni­za­ção, e sabendo juntar-se à grande massa de pessoas que intuitivamente pro­curam a ordem na­tural e não se revêem nas falsas elites do sistema, a Milícia de São Miguel é uma força moto­ra da acção política e cultural em defesa da Civili­zação, da Nação e do bem comum dos Portugueses.

(65) Para termos êxito no nosso combate, nunca pode­mos subestimar o inimigo. Ele encontra-se entrin­cheirado nos partidos, no apare­lho de Estado, na co­municação, nas artes, na cultura e em muitas ins­tituições da sociedade civil. É apenas persistin­do na defesa intransigente dos nossos princípios e na multilateral e permanente acção militante que con­seguimos isolá-lo da massa e desalojá-lo do po­der.

(66) Se é verdade que não devemos subestimar o ini­migo, também não o devemos sobrevalorizar. Na realidade, o inimigo não passa de uma minoria cujo poder tem provin­do da ausência de oposição frontal e organizada por parte das forças da Civili­zação. Na realidade, o inimigo é bem mais fraco do que aparenta. Sa­bendo explorar os seus pontos fracos, po­deremos vencê-lo.

(67) Não podendo permanecer indiferente peran­te tais ameaças, a Milícia de São Miguel pro­põe-se unir as pessoas de boa vontade e conscien­tes da situação para agirem em bloco, derrotarem o inimi­go declarado ou oculto e contri­buírem para defen­der a Civilização, a Nação e o bem comum. A Milícia de São Miguel e os seus milicianos estarão à altura de contribuir eficazmente para a clarifica­ção da vida políti­ca, cultural e social que nos traga a es­perança de uma ordem onde a Civili­zação e a ética cristã prevaleçam sobre a barbárie e a contracultu­ra. Onde a Nação e a iden­tida­de nacional prevale­çam so­bre o mundialismo e o desen­raiza­men­to. Onde o bem co­mum e a solida­riedade social pre­valeçam sobre o lucro selvagem e o egoís­mo. Eis a apos­ta da Milícia de São Miguel.


Aprovado pelo Conselho Superior a 13 de Maio de 2017.

Promulgado em Fátima a 9 de Junho de 2017.