sábado, 4 de abril de 2015


De médico abortista a líder pró-vida



O Dr. Anthony Levatino foi um dos milhares de manifestantes que participaram na Marcha pela Vida, realizada este mês na capital norte-americana. A marcha é um evento anual que os defensores do direito à vida organizam na mesma data em que os Estados Unidos aprovaram a sua lei do aborto, há mais de quarenta anos. É um protesto e um convite à reflexão sobre a vida dos ainda não nascidos.

Quando olhava para trás, no meio da multidão e sob a luz brilhante do sol, o doutor Levatino sentia a solidariedade à sua volta. «Eles não julgavam ninguém», comenta ele, cuja vida sofreu uma guinada de 180 graus: ele já foi médico abortista; hoje, é ginecologista pró-vida.

Levatino diz-se em paz com a transformação que viveu. De pé sobre um palanque improvisado após a Marcha pela Vida, ele sentia-se à vontade com os seus colegas pró-vida, especialmente com aqueles que, antigamente, também defendiam o «direito de escolha», metáfora politicamente correcta usada nos Estados Unidos para expressar o suposto direito feminino de eliminar um ser humano na sua fase inicial de desenvolvimento.

Uma mulher dirigiu-se à multidão e falou do «tormento aprisionador» que viveu depois de submeter-se a três abortos. Levatino, solidário, disse-lhe: «Bom testemunho, Tammy». Outra mulher, que também tinha abortado, contou a sua história comovente e encerrou o depoimento rezando um pai-nosso. Levatino fechou os olhos e rezou com toda a multidão. Assim que outros oradores se dirigiam ao público, o médico estendia um cartaz em que declarava: «Eu arrependo-me de ter realizado abortos».

Levatino já tinha participado na Marcha pela Vida em edições anteriores, mas ainda não tinha subido ao palanque para falar à multidão. «Esta experiência é diferente para mim. É uma experiência de cura pessoal», declarou ele, minutos depois de descer do palanque. Lá em cima, ele tinha-se lembrado do seu passado e, talvez, tenha pensado no seu futuro. Trinta ou quarenta metros à frente dele havia manifestantes segurando um grande cartaz com a imagem do falecido médico Bernard Nathanson.

No final da década de 1960 até ao final dos anos de 1970, o Dr. Nathanson realizou ou supervisionou mais de 75 000 abortos. Ele próprio relatou que o seu pensamento e o seu coração mudaram depois de ver, via fetoscopia e ultrassom, as imagens de uma criança ainda não nascida. No final dos anos 70, Bernard Nathanson escreveu o best-seller «Aborting America», sobre a sua tardia transformação de pensamento e coração. No começo dos anos 80, ele narrou o documentário «The Silent Scream» [«O grito silencioso»], um filme anti-aborto de 28 minutos, controverso e seminal, lançado em 1985.

Embora menos dramática, a história de Levatino é semelhante à de Bernard Nathanson. Levatino calcula que, entre 1981 e 1985, fez cerca de 1 200 abortos. Mas a sua atitude perante a vida foi mudando. Ele e a esposa não conseguiram gerar nenhum filho biológico. Além disso, a sua filha adoptiva, Heather, morreu num acidente de carro em 1985. Hoje trabalhando como ginecologista no estado do Novo México, Levatino é um activo membro do movimento de defesa da vida. Ele participou num filme pró-vida lançado em 2011, «The Gift of Life» [«O dom da vida»], e faz parte do conselho médico de assessores dos Priests for Life [Sacerdotes pela Vida], cujos líderes o convidaram a falar das suas campanhas «Silent No More» [«Não ficaremos mais em silêncio»] e «Shockwaves» [«Inquietações»], na Marcha pela Vida deste ano.

Nathanson e Levatino não são os únicos médicos que pararam de fazer abortos. Em 2008, os assim chamados «provedores de aborto» nos Estados Unidos já eram cerca de 40% a menos do que em 1982, ano em que o número de médicos que realizavam tal procedimento tinha chegado ao pico. Os dados são do Instituto Guttmacher, organização de pesquisa que apoia o aborto (recordando que, no Estado da Califórnia, enfermeiros também podem realizar abortos).





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