domingo, 14 de dezembro de 2014


Prémio Pessoa:

Henrique Leitão reconhecido

pelo sistema abrilista


L. Lemos

A maçonaria, os totós úteis que a servem e a intelligentia do regime abrilista decidiram atribuir o Prémio Pessoa ao intelectual Henrique Leitão, prémio antes atribuído, com uma ou outra excepção, ao que por cá de pior se fabrica em pensamento.

Terá sido por acaso ou por engano?

Não! O tipo está, intelectualmente falando, no papo! Dantes, eu pensava que ele era um simples católico confuso a falar de ciência mas percebi que o tipo estava no papo do regime ao ouvir os seus disparates no dia 10 de Junho de 2014, frente ao monumento aos combatentes do Ultramar, num desastrado discurso de intelectualóide cinzentão do sistema abrilista.

Acrescente-se que o Leitão é um disfarçado mas realmente fervoroso endeusador da ciência e adepto da fábula do «bom» evolucionismo.


Parafrasendo Salazar a propósito da Maria de Lurdes Pintassilgo*, o Leitão é um peixinho cinzento a nadar em água benta.

O meu comentário a propósito do discurso do Leitão no 10 de Junho.

Boa leitura!



* Salazar disse que ela era «um peixinho vermelho a nadar em água benta».





sexta-feira, 12 de dezembro de 2014


Castro foi a Moscovo


Putin foi a Cuba e ficou impressionado com o número de pessoas de sapatos com solas furadas, rasgados em cima, etc. Estranhou que, depois de passados 40 anos de «melhorias», as pessoas ainda estavam assim. Perguntou a Fidel a razão disso.

Fidel, indignado, respondeu com uma pergunta:

— E na Rússia, não é a mesma coisa? Vai-me dizer que lá toda a gente tem sapatos novos?

Putin respondeu a Fidel dizendo-lhe que fosse à Rússia para verificar. E se encontrasse um cidadão qualquer com sapatos furados, tinha a permissão para matar essa pessoa.

Fidel tomou um avião e foi para Moscovo. Quando desembarcou, depois de mais de duas semanas de vôo (o avião era de 5.º do mundo), a primeira pessoa que viu estava com sapatos rasgados e furados, parecendo ter pertencido ao avô. Não titubeou. Tirou a pistola e matou o sujeito. Afinal, tinha permissão do seu colega Putin para fazer isso.

No dia seguinte as manchetes dos jornais russos anunciaram:

ПРЕЗИДЕНТ БУШ ВАШ посла Кубы ваэропорту.
(PRESIDENTE DE CUBA MATA
O SEU EMBAIXADOR NO AEROPORTO.)






quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


Bento XVI nega intromissão no Sínodo da Família


O Sumo Pontífice Emérito Bento XVI negou que com a revisão do seu artigo de 1972, no qual aborda o tema da comunhão aos divorciados em nova união, tenha querido intrometer-se no debate posterior ao Sínodo da Família.

Em diálogo com o jornal alemão Frankfurter Allgemeine publicado no domingo, Bento XVI disse que é «um absurdo total» considerar que reviu a sua obra para intervir no debate posterior ao Sínodo, como afirmaram alguns. Na realidade, disse, «trato de ser o mais silencioso que posso» sobre estes temas.

O Papa Emérito explicou que fez a revisão do artigo de 1972 – que o Cardeal alemão Walter Kasper utiliza para defender a sua tese – no mês de Agosto, dois meses antes da realização do Sínodo e salientou que «não há nada de novo» no que foi publicado recentemente.

Também mencionou que ele «sempre tomou a postura» de que é «impossível» para os divorciados em nova união receber a Eucaristia.  «Como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé escrevi ainda mais drasticamente», revelou.

Para ele, os divorciados católicos devem «sentir o amor da Igreja» e «não se pode acrescentar-lhes mais cargas além daquelas com as quais já têm que lutar».

«Teria gostado de ser chamado de Padre Bento»

«Depois da renúncia teria gostado que me chamassem de ‘Padre Bento’, se tivesse tido mais força nesse momento, teria pedido», é uma das afirmações mais significativas da entrevista realizada na edição dominical do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.

O Papa emérito concedeu a entrevista – segundo AICA talvez seja melhor qualificá-la de conversa de meia hora – com o jornalista Joerg Bremer. Entre os temas abordados por Bento XVI está também a reelaboração, em vista da publicação do quarto volume da sua Opera omnia, das conclusões do seu artigo de 1972 a propósito da indissolubilidade do matrimónio e da possibilidade de conceder a Eucaristia às pessoas divorciadas em segunda união.

O jornalista perguntou-lhe se desta maneira quis adoptar uma postura no Sínodo dos Bispos sobre a família, recentemente celebrado no Vaticano, e o Papa emérito qualificou esta afirmação como sendo um absurdo total, já que não interveio nem quis intervir nas questões tratadas no Sínodo Extraordinário sobre a Família e a revisão do volume foi feita antes do Sínodo.

O texto publicado no site do jornal («Ein Besuch bei Vater Benedikt» Uma visita ao padre Bento) não está sob a modalidade pergunta-resposta, mas está escrito de forma narrativa, tem a vantagem de seguir um discurso linear, mas apresenta o inconveniente de não especificar exactamente qual foi a pergunta e a resposta na sua integridade e contexto.

O autor da nota destaca que o Papa emérito confirmou que mantém «contactos óptimos» com o Santo Padre Francisco. «Trato de ser o mais silencioso possível».

Finalmente o Papa emérito referiu-se ao Natal, e especialmente recordou a Terra Santa, a terra de Jesus, e Bento XVI, biógrafo de Jesus, assinalou que «Jesus não era só espírito e a sua dimensão terrestre é importante para a fé dos homens».

No momento das saudações, Bento mostrou ao jornalista as medalhas e lembranças do pontificado, brincando: «Pode guardá-las se quiser, mas não alimente com isso o culto da personalidade».






quarta-feira, 10 de dezembro de 2014


Pai cubano pergunta ao filho


O pai cubano pergunta ao filho pequeno:

— O que você quer ser quando crescer?

— Estrangeiro, responde o filho.





segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


A Imaculada Conceição

e a História de Portugal


P. Francisco Couto
P. Senra Coelho

As Nações sobrevivem à erosão do tempo e permanecem vivas na história dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A diluição espiritual e cultural de um povo significará inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fusão num hoje sem futuro.

A História de Portugal regista dois momentos altos na recuperação da sua independência: a Revolução 1383-1385 e a Restauração de 1640.


Na Revolução de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princípios de Setembro de 1384, acentuando-se durante o assédio, o significado da vitória alcançada por D. Nuno Álvares Pereira em Atoleiros a 6 de Abril de 1384 e a eleição do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de Abril de 1385. Em 15 de Agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Álvares Pereira, símbolo da vitória e da consolidação do processo revolucionário de 1383-1385.

No movimento da restauração destaca-se a coroação de D. João IV como Rei de Portugal, a 15 de Dezembro de 1640, no Terreiro do Paço em Lisboa.


A Solenidade da Imaculada Conceição liga estes dois acontecimentos decisivos na História da independência de Portugal e no contexto das Nações Europeias. Segundo secular tradição foi o condestável D. Nuno Álvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Viçosa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Condestável reconhece que a mística que levou Portugal à vitória veio da devoção de um povo a Nossa Senhora da Conceição.

Aliás, já desde o berço, já aquando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de acção de graças, em Lisboa, em honra da Imaculada Conceição.

A espiritualidade que brotava da devoção a Nossa Senhora da Conceição foi novamente sublinhada no gesto que D. João IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.


Esta espiritualidade imaculista foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Conceição sob a forma de um juramento solene.

De tal modo a Imaculada Conceição caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante séculos o dia 8 de Dezembro foi celebrado como «Dia da Mãe» e João Paulo II incluiu no seu inesquecível roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santuários que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Viçosa no Alentejo e o Sameiro no Minho.

O dia 8 de Dezembro transcende o «Dia Santo» dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de Dezembro retoma. O feriado do dia 8 de Dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português.

Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, será o também franciscano Sixto IV, Papa, que a inscreverá no calendário litúrgico romano em 1477.

De facto, o debate e a celebração desta festividade em toda a Europa é acompanhada pela História do próprio Portugal. Coimbra, como já vimos, tem um importante papel em todo este processo.

Em 8 de Dezembro de 1854, viverá a Igreja o auge de toda esta riqueza teológica e celebrativa. Através da bula «Ineffabilis Deus», Pio IX, após consultar os bispos do mundo, definirá solenemente o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Não estamos diante de uma simples festa cristã ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu até aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumentação nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos séculos, do ensinamento ordinário da Igreja.

Portugal, segundo Nuno Álvares Pereira, ou melhor, São Nuno de Santa Maria, e D. João IV isso mesmo o demonstram, não só como resultado da sua própria fé mas como expressão de um povo deveras agradecido pela sua Independência e Liberdade.

A Conceição Imaculada da Virgem é um dogma de fé segundo o qual Maria é considerada a primeira redimida pela Páscoa de Cristo.


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O P. Francisco Couto é Reitor do Santuário de Vila Viçosa e professor do Instituto Superior de Teologia de Évora.

O P. Senra Coelho é professor do Instituto Superior de Teologia de Évora.






Fidel faz um discurso


— E a partir de agora teremos de fazer mais sacrifícios!

Diz alguém na multidão:

— Trabalharemos o dobro!

Fidel continua..

.— E temos de entender que haverá menos alimentos!

Diz a mesma voz:

— Trabalharemos o triplo!

— E as dificuldades vão aumentar! continua Fidel.

Completa a mesma voz:

— Trabalharemos o quádruplo!

Nesse momento, Fidel pergunta ao chefe de segurança:

— Quem é esse sujeito que vai trabalhar tanto?

— O coveiro, mi Comandante!





domingo, 7 de dezembro de 2014


O acolhimento evangélico


P. Paul Scalia

A noção de acolhimento tem estado muito nas notícias católicas nos últimos tempos. O relatório intercalar do sínodo extraordinário sobre a família colocou questões, por exemplo, sobre a capacidade da Igreja de acolher homossexuais. Pouco depois, o padre jesuíta Timothy Lannon, presidente da Creighton University, explicou a sua curiosa decisão de alargar benefícios a «esposos» de funcionários homossexuais com a ainda mais curiosa frase: «Perguntei-me, o que é que Jesus faria num caso destes? Só consigo imaginar Jesus a acolher toda a gente».

Este Jesus Acolhedor é um bom trunfo. Não acolher, ou não parecer acolhedor, seria portanto equivalente a discordar de Jesus. Claro que o Jesus que «acolhia a todos» não é uma invenção do sacerdote. Pelo contrário, é profundamente real. Mais real do que muitos querem imaginar. Mas conceder benefícios a quem adopta um estilo de vida pecaminoso ultrapassa os limites do significado cristão de acolhimento. E isto leva-nos a questionar o verdadeiro significado de acolhimento cristão.

Todos nos queremos sentir acolhidos. Podemo-nos recordar de momentos em que o sentimento de acolhimento foi palpável, e por isso encorajador. Com igual facilidade, podemos apontar momentos em que nos sentimos profundamente mal acolhidos, e por isso sozinhos. Um dos efeitos do pecado é a alienação e o isolamento. Por isso, falar de Nosso Senhor como aquele que acolhe é algo que ressoa em todos os corações que desejam a reconciliação e a cura.

E Ele é, verdadeiramente, acolhedor. As suas acções e a suas palavras ecoam com acolhimento. As multidões vão ter com Ele precisamente porque se sentem acolhidas – porque Ele lhes fala de perdão; Ele dá prioridade aos pobres e excluídos; toca nos intocáveis. Em casa de Simão, o fariseu, acolhe a mulher arrependida. Zanga-se com os discípulos que impedem as crianças de vir ter com Ele. Acolhe o clamor do cego Bartimeu, mesmo quando as multidões o tentam silenciar. E numa variação do mesmo tema, faz-se acolhido em casa de Zaqueu. Os seus críticos dirigem-lhe palavras que supostamente serão um insulto: «Este homem acolhe pecadores e come à mesa com eles». (Lc 15,2)

A sua doutrina invoca esse mesmo acolhimento e inclusivismo. Entendemos a parábola do grão de mostarda como símbolo do acolhimento de todas as nações pela Igreja. Conta outra parábola de um Rei que, querendo encher a sua sala com convidados, ordena os servos: «Ide, pois, para as encruzilhadas, e convidai para a festa todos os que encontrardes». É o que eles fazem, trazendo: «Todos os que encontraram, bons e maus». (Mt. 22, 9-10). E talvez de forma mais significativa, na parábola que é vista como um resumo do Evangelho, o pai acolhe de novo em sua casa o filho pródigo.

Porém…

Jesus cura Bartimeu
Acolhimento Evangélico...
O seu acolhimento é curioso. Afinal de contas, as primeiras palavras do seu ministério são «Arrependei-vos»! e não «Bem-vindos»! Ele não acolhe aqueles que são falsos ou, mais directamente, aqueles que procuram justificar as suas próprias vidas, em vez de aderir à sua verdade. O seu acolhimento exige um mínimo de aceitação da sua verdade. Os Evangelhos narram várias vezes a sua frustração com as multidões. De vez em quando deixa mesmo escapar uma frase acusadora: «Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês e terei que suportar-vos?» (Lc 9,41) e «Esta geração é uma geração iníqua...» (Lc 11, 29)

E também não altera a sua doutrina para que as pessoas se sintam mais bem acolhidas. Quando a multidão fica ofendida com o seu ensinamento sobre a Eucaristia, é significativo que Ele os deixa partir. A belíssima parábola sobre a multidão chamada para a festa de casamento termina com a expulsão de um homem que entrou sem «veste nupcial» e a lição de Jesus: «Muitos são convidados, mas poucos os escolhidos» (Mt 22,14)

E são estas palavras que chegam ao cerne do que significa o acolhimento. Por mais que queiramos ser acolhidos e convidados, também sabemos que cada convite inclui uma expectativa e o entendimento de que não podemos fazer como nos apetecer quando entrarmos pela porta. «Muitos são convidados, mas poucos os escolhidos», porque nem todos moldam as suas vidas às exigências do convite.

Este acolhimento evangélico deve parecer muito estranho para o mundo. É um acolhimento... do arrependimento. Um convite... à mudança de coração. Ele acolhe todos os que se arrependem, que tiram proveito do seu perdão e da sua cura – todos os que, reconhecendo o seu pecado e a sua ignorância, abraçam a sua graça e verdade. É, na verdade, o acolhimento mais importante para uma humanidade pecadora: um acolhimento no seu Sagrado Coração... Isto, claro, se reconhecermos que precisamos dele.

Como o Senhor, assim a sua Igreja. Para a Igreja ser autêntica deve proclamar o convite de Jesus de forma universal e acolher todos os que desejam a graça da conversão. Mas não pode esvaziar esse acolhimento do seu significado, nem sendo demasiado severa, nem demasiado permissiva. Se os meios da graça não fossem postos à disposição de todos os que procuram Cristo, então não seria acolhimento nenhum. Mas ao mesmo tempo seria uma mentira, e por isso falta de caridade, não dar a conhecer as exigências desse acolhimento evangélico.

Defraudar tanto o convite como as exigências é não saber imitar o Bom Pastor.





sábado, 6 de dezembro de 2014


A fúria do Pai Natal


Nuno Serras Pereira

De S. Nicolau de Mira (cujo dia hoje celebramos), Bispo, figura que originou o Pai Natal, que infelizmente nos dias de hoje se apresenta degenerado, já escrevi há uns anos. No entanto, houve coisas que, por não virem ao intento, calei. Actualmente, quando muitos membros da Igreja se comportam obsessivamente como misses simpatias, silenciando ou deturpando a Verdade, com grande perigo da salvação das almas, suas e dos outros, parece-me apropositado narrar algo mais da sua esplenderosa vida.

... quando muitos membros da Igreja se comportam obsessivamente
como misses simpatias...
Foi o caso que estando reunido o primeiro Concílio de Niceia a certa altura o Bispo Ario subiu a uma cadeira para que se ouvisse melhor o discurso venenoso que expectorava. S. Nicolau, não suportando mais escutar as maviosas e sedutoras palavras que, com aparências de ortodoxia, negavam blasfemamente a Divindade de Jesus Cristo ergueu-se, dirigiu-se onde a Ario, puxou-lhe fortemente pela barba, de modo a apeá-lo da sua cátedra, e deu-lhe um monumental bofetão à-mão-tente. A assembleia alvorotou-se escandalizada e, à uma, decidiu depô-lo, despojá-lo das suas vestes episcopais e lançá-lo na enxovia, metendo-o em cadeias. Tal como sucederia nos dias de hoje.

Durante a noite, a Sagrada Família – Jesus, Maria e José – apareceram no calabouço a S. Nicolau, desligando-o das cadeias e revestido-o das vestes Arcebispais. Perante o estupendo milagre rendeu-se a assembleia do Concílio restituindo-lhe, arrependida, a sua dignidade. Afinal, uma vez que a Sagrada Família o tinha justificado, quem eram eles para o condenar.

Durante o resto do Concílio S. Nicolau, aos olhos dos demais dormia. Quando, de novo escandalizados, o arguiram de preguiça e negligência, confessou que estava durante esse tempo acudindo ao naufrágio de um barco (navio). S. Nicolau, como o Santo P. Pio, tinha o dom da bilocação, o qual por diversas vezes foi testemunhado por aqueles que por ele tinham sido salvos ou convertidos em virtude desses milagres. Os Padres Conciliares entenderam que esses extâses durante as assembleias eram devidos não só aos auxílios desses afundamentos mas também ao socorro e assistência da Santa Igreja, a qual é, nos Evangelhos, significada pela barca de Pedro.

O verdadeiro escândalo, e falta de Caridade e de Misericórdia, de facto, não foi, longe disso, a cólera, aliás santa neste caso, de S. Nicolau mas sim as propostas untuosas e meladas dos arianos, que, desvirtuando a Fé e a Verdade, constituiam uma traição aos Evangelhos e uma enorme crueldade, não só para com o Povo de Deus, mas para com toda a humanidade.

Santo Atanásio que participou nesse mesmo Concílo como Diácono, mais tarde será feito Bispo. No seguimento de S. Nicolau, quando a maioria dos bispos eram arianos, quando o próprio Papa Libério, nas palavras de St. Atanásio, «fraquejou», ele, com poucos mais que o seguiam, não obstante ter sido exilado, pelas eminências de então, da sua Diocese por cinco vezes e ter sido, inclusive, excomungado pelo Papa (que mais tarde levantou essa pena canónica), dado como rígido e inflexível, manteve-se firmíssimo na Fé verdadeira, salvando desse modo o Cristianismo.

Nestes tempos em que uma outra heresia campeia, com cúmplices nas eminências eclesiais desta época, recomenda-se que todos os cristãos invoquem a intercessão dos santos Nicolau e Atanásio pela Igreja, por todos os Bispos, pelo próximo Sínodo que se aproxima.






Pergunta aos alunos


Uma professora cubana mostra aos alunos um retrato do presidente Bush, e pergunta à turma:

— De quem é este retrato?

Silêncio absoluto....

— Eu vou ajudá-los. É por culpa deste senhor que nós estamos a passar fome.

— Ah, professora! É que sem a barba e o uniforme não conseguia reconhecer!





sexta-feira, 5 de dezembro de 2014


Acreditem no Vasco Lourenço.

Por vezes fala verdade. (II)


L. Lemos

Quando do escândalo da maçonaria envolvida na Ongoing e na espionagem, o impagável Vasco Lourenço  veio a público denunciar os «comportamentos de gang» dentro da maçonaria. Aqui era ele a falar verdade. Mas, para ele, pelos vistos, esses comportamentos seriam apenas na maçonaria regular (ele pertence ao GOL) e de maçons do PSD (ele é do PS).

No GOL e no PS, ladrões e pedófilos merecerão o adjectivo de gang?

Agarra, que é ladrão!




segunda-feira, 1 de dezembro de 2014


1.º De Dezembro


Diz o espanhol na Zarzuela:

— Este é dos nossos!






sexta-feira, 28 de novembro de 2014


Acreditem no Vasco Lourenço.

Por vezes fala verdade. (I)


L. Lemos

Entre os mamões do regime que já vieram a terreiro defender aquela peça que é o Sócrates, destaca-se o arqui-abrilista Vasco Lourenço. E este, tal como o «politólogo» canhoto André Freire, até aproveitou a ocasião para, tentando desacreditar os magistrados justos, lavar os pedófilos da Casa Pia.

Com aquele seu estilo muito intelectual, inteligente e bem educado que o caracteriza, costuma ele dizer que não foi para «isto» que fez o 25 de Abril.


O que será «isto»?

«Isto» é a corrupta III República, recheada de políticos corruptos, organizados em bandos de interesses diversos, incluindo a maçonaria, à qual, na pior versão, o Lourenço pertence. Mas, apesar da lamentável situação a que os abrilistas conduziram Portugal, ainda há pessoas sérias no sistema, nomeadamente entre a também afectada magistratura.

Pois bem, pelas referidas declarações do Lourenço, conclui-se que o que ele pretendia com o 25 de Abril era que a bandalheira fosse total. O que ele pretendia era que a justiça fosse totalmente inexistente e os corruptos e pedófilos ficassem impunes. Tudo em nome da «liberdade»...

Acreditem mesmo! Não foi para uma III República com algumas pessoas decentes na magistratura que o Lourenço fez o 25 de Abril! Se o seu Conselho da Revolução ainda existisse, essas pessoas eram imediatamente «saneadas»!






Hoje à tarde em Évora








Libération arrasa José Sócrates


Rosa Pedroso Lima

Jornal da esquerda francesa publicou um artigo sobre a prisão do ex-primeiro ministro.

Título: «Sócrates, a queda de um oportunista sem ideologia».


O caso Sócrates, diz o «Libération», «corresponde a um novo degrau de imoralidade na vida pública»

Um político «duvidoso», «sempre borderline», «sanguíneo, autoritário e de estilo cintilante à la Sarkosy». É assim que o jornal francês «Libération» descreve José Sócrates, num artigo, publicado esta quinta-feira, sobre a detenção do ex-primeiro ministro português.

O caso Sócrates, diz o jornal, «corresponde a um novo degrau  de imoralidade na vida pública». No artigo, assinado pelo correspondente do «Libération» em Madrid, descreve-se as suspeitas que levaram à acusação do ex-governante por fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capital. Explica-se como «o modo de vida em Paris chamou a atenção da brigada financeira portuguesa», como o seu motorista «fazia regulares viagens Lisboa-Paris para lhe entregar grandes quantidades de dinheiro em cash» e como o seu amigo e empresário Carlos Santos Silva serviu de pivô num esquema de transferencias financeiras. O «apartamento no valor de 2,8 milhões de euros, a frequência de restaurantes de luxo e as escutas telefónicas fizeram o resto».

E o resto é muito. Desde logo, o escândalo desmontou a imagem do «antigo líder socialista que, em maio de 2011 se demitiu, enquanto o seu país estava à beira da falência». Sócrates queimou o seu «retrato político bem merecido, de um cidadão honesto que serviu o seu país o melhor possível» e que «no final do seu primeiro mandato obteve resultados visíveis na mudança de uma administração pública anquilosada». Passou a ser «o líder duvidoso, esse produto mediático ou o politico Armani (citando o 'Público', que sublinhava o seu lado esquerda-caviar) envolvido em vários escândalos dos quais conseguiu, de cada vez, escapar às garras da justiça».

O texto do «Libération» termina com uma análise de Fernando Rosas, apresentado como historiador. «Desde o princípio, ele foi esse jovem lobo, oportunista, sem ideologia, obcecado por escalar todos os degraus até ao poder supremo, sempre borderline». Apresentado como «antigo militante do partido de direita, o PSD, passou para os socialistas em 1981» e acrescenta-se à biografia de Sócrates ter sido «admirador de Tony Blair» mas que «sempre conheceu um percurso pouco claro». «Há mesmo fortes hipóteses do seu diploma de engenheiro civil, obtido em 1980, ser falso», conclui o artigo.





segunda-feira, 24 de novembro de 2014


Um católico como deve ser


Heduíno Gomes

Em contraste com os católicos de salão, leigos ou padres (alguns até graduados...), sempre na televisão a bater com a mão no peito mas a esquecer os valores do cristianismo, temos católicos coerentes e discretos, que apenas aparecem na ribalta por força das circunstâncias (como também temos pessoas coerentes e discretas que não são católicas). É o caso do magistrado católico Carlos Alexandre.

Reproduzimos aqui um interessante artigo sobre a acção do magistrado Carlos Alexandre.



Carlos Alexandre: o juiz que enfrenta o sistema

INÊS DAVID BASTOS, Diário Económico 2 Ago 2014

Temido por muitos, admirado por tantos, o juiz do «ticão», que tem os principais processos de corrupção não cede a pressões.

Não gosta das «forças ocultas» e vê o combate ao crime como uma missão. Recebe ameaças mas insiste nas buscas a poderosos.

O seu refúgio é Mação, a terra que o viu nascer há 52 anos.

Há quem pense que o juiz «não tem medo», há quem diga que o controla.

Quando na passada quinta-feira, pouco depois das 9h00, os noticiários começaram a avançar que Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, estava a ser detido, as conversas nos cafés e nas ruas de Mação voltaram a focar-se em Carlos Alexandre.

O filho da terra que tinha partido há 35 anos para Lisboa em busca de um papel central na luta contra o crime ia interrogar o todo-poderoso da banca portuguesa e os seus conterrâneos voltaram a gabar-lhe a coragem.

Vasco Estrela é há dez meses presidente da Câmara de Mação, vila ribatejana que viu nascer a 24 de Março de 1962 Carlos Manuel Lopes Alexandre, filho mais novo de José Alexandre, carteiro de profissão, e de Narcisa, reformada da indústria de lanifícios.

O autarca não pertence à geração do juiz que fez buscas a Isaltino Morais e que levou Armado Vara a julgamento mas conhece-o bem. Até porque «toda a gente em Mação se conhece», diz ao Diário Económico, e o juiz nunca deixou de visitar a sua terra-natal aos fins de semana. É aí, aliás, que consegue descomprimir das complexas investigações aos crimes de colarinho branco que acompanha e desligar-se das pressões que, aqui e ali, vai sofrendo.

Mas quem é Carlos Alexandre? Para uns, é quase um «justiceiro», um Baltazar Garzon português.

É assim que é visto pela maioria dos seus conterrâneos, por amigos e por aqueles que com ele trabalham. Para outros, é um juiz com sede de protagonismo e intuitos persecutórios.

Uma crítica que usualmente é feita nos jornais mas sempre atribuída a fonte não identificada. Poucos arriscam dar a cara para criticar o juiz que nos últimos anos tem abanado o poder e o sistema e as declarações em «on» que existem são normalmente de amigos e aliados, que lhe elogiam a obstinação e reforçam essa imagem de «justiceiro». Tanto é amado, como odiado. Mas todos lhe têm respeito, nem que seja por temerem os segredos que possa conhecer depois de ouvir milhares e milhares de escutas que são feitas a individualidades portuguesas.

Juiz titular do Tribunal Central de Instrução Criminal, conhecido na gíria judiciária por «ticão», Carlos Alexandre teve e tem em mãos há oito anos os processos mais complexos e mediáticos no combate ao branqueamento de capitais, tráfico de influências, fuga ao fisco e associação criminosa.

Quem já não ouviu falar do caso Portucale, do BPN, da Operação Furacão, do Apito Dourado, do Face Oculta ou do Monte Branco? Tudo nomes de mega-investigações da PJ e do Ministério Público que passaram pela secretária do chamado «super-juiz». Todos processos que envolvem parte da elite política, empresarial e financeira nacional.

Sobre a sua vida privada e métodos de actuação pouco se sabe.

Carlos Alexandre não se expõe.

Estudou pela telescola, cursou Direito na Faculdade de Lisboa e começou desde logo a lutar por um lugar no «ticão», onde entrou como auxiliar em 2004. Dois anos depois era titular. Percebe-se que é firme na forma como actua. Diz quem o conhece que imprime um «cunho pessoal» ao que faz, que gosta de «participar em tudo», que tem preferência por fazer inquirições e despachos de pronúncia e faz questão de fazer buscas de surpresa, pela manhã.

Foi o que fez a Isaltino Morais, que lhe abriu a porta de casa ainda de roupão.

Este «voluntarismo» é o que mais irrita os suspeitos, os advogados e até muitos colegas magistrados. Na anterior direcção do sindicato, muitos não apreciavam os seus métodos.

Um juiz discreto que enfrenta as ameaças Carlos Alexandre não dá entrevistas, raramente fala à comunicação social e evita participar em seminários.

Mantendo esta linha não respondeu às questões do Diário Económico. As poucas vezes que falou foi para se insurgir contra o que pensava serem interferências no seu trabalho e para deixar o aviso de que não cede a pressões. Foi o que aconteceu em Fevereiro de 2011, quando o Governo de Sócrates lhe baixou o «plafond» do telemóvel para 15 euros e o juiz retaliou, entregando o aparelho ao tribunal. Ou quando – estava a pronúncia no Face Oculta prestes a sair – o PS veio dizer que ele não estava a conseguir dar conta de todos os processos e era preciso indicar um segundo juiz para o «ticão».

O magistrado não gostou, fez saber através de gente próxima que as estatísticas eram falsas e insinuou, numa carta dirigida ao Conselho Superior da Magistratura, que a intenção do governo podia «ter outros fundamentos». Afastá-lo, leia-se.

Mais tarde diria à revista Ânimo que, com ele, «a verdade fala sempre mais alto», como quem diz: não vale a pena ameaçarem. E as ameaças existiram, algumas veladas.

Ainda hoje, Carlos Alexandre se lembra do dia em que a sua casa em Linda-a-Velha, Oeiras, foi assaltada e deixaram um revólver desactivado em cima da foto de um dos filhos (tem dois).

Ainda hoje se comenta em Mação o estranho atropelamento de que foi vítima a sua mulher, Floribela, natural do Alandroal.

São recentes as ameaças veladas que recebeu de Angola – fotocópias de notícias publicadas no jornal do regime que chegaram ao seu correio – por causa da investigação a Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BES Angola.

Os amigos perguntam-lhe como consegue.

Responde que não pode ter medo, que a lei e a justiça estão acima.

«Não sei se tem receio ou não mas o que o move é o cumprimento da lei e se os dados entregues justificam uma busca ele avança», diz ao Diário Económico um procurador que trabalhou com o «super-juiz».

Um magistrado judicial que o conhece dos tempos de estágio, em Cascais, acredita mesmo que Carlos Alexandre «não tem medo» e actua como actua, afrontando poderosos, porque «tem um sentido de justiça arreigado» e uma aversão profunda «às forças ocultas».

Pronuncia mesmo perante «dúvida razoável».

Não gosta do sistema instalado, assumiu a luta contra a corrupção como missão e vive a insatisfação de saber que há muito crime que não é investigado, diz quem com ele priva.

O magistrado que defende o fim dos paraísos fiscais tem tendência para levar arguidos a julgamento mesmo que a investigação mostre apenas «dúvida razoável».

Mas a lei permite que o faça.

Acaba por ver arguidos serem absolvidos em julgamento e essa é uma crítica que os inimigos lhe fazem. O juiz responde com rigor no trabalho.

Sabe que é escrutinado à lupa e não deixa pontas soltas nos despachos, nem erros processuais.

Não tem queixas, nem processos disciplinares no CSM, apenas uma lista numerosa de pedidos de escusa de juiz.

Os advogados tentam afastá-lo. Temem-no.

Para reforçar a sua confiança pediu uma inspecção. Teve «Muito Bom».

É nesta tensão, neste limbo, que vive o «super-juiz».

Um fio da navalha que não o travou na hora de pronunciar ex-ministros do PSD, de investigar quadros do PS e da vida empresarial no Face Oculta e de aparecer de surpresa no BPN com Rosário Teixeira, o procurador com quem faz equipa em muitas operações.

Sabe que tem muitos inimigos.

Em 2006, quando comprou casa em Linda-a-Velha e quis fazer remodelações, a Câmara de Oeiras, então liderada por Isaltino, embargou a obra e encharcou o juiz – já a mexer na investigação ao autarca por fuga ao fisco – de burocracia.

No fim, conseguiu resolver a situação mas não se livrou de multas.

É entre amigos de longa data que o «super-juiz» tenta fugir à pressão diária. Muitos destes amigos nasceram em Mação. E voltamos à terra.

Não se pode falar de Carlos Alexandre sem falar de Mação.

É aqui que despe a capa do «super-juiz» e tenta ser um normal cidadão. Se é que isso é possível. Sim ou não, Carlos Alexandre tenta. Na terra, dispensa a segurança pessoal que se viu obrigado a ter quando começou a receber ameaças.

Passeia pelas ruas e participa em actividades.

Gosta de ler mas os processos complexos tiram-lhe tempo, gosta de estar em família, aprecia tradições e um bom convívio com amigos.

Mas de trabalho só fala mesmo (e pouco) com os amigos de profunda confiança. «Em Mação, veste outra pele, até costuma assumir o sotaque maçanico», conta o deputado Duarte Marques, seu conterrâneo.

Nas festas da Páscoa, faz questão de carregar o andor, como católico convicto que é, relata o presidente da Câmara, e só assuntos de trabalho o fazem faltar ao jantar dos ex-alunos do colégio, o que aconteceu este ano. Mação poderá não receber tão depressa a visita do juiz. As investigações do Monte Branco e ao BES estão no auge, operações que atingem o todo-poderoso que fez arguido a semana passada. E que prometem fazer tremer, de novo, o poder. E o sistema.