sábado, 5 de maio de 2018
O meu DNA é 96% igual ao do macaco. Então a Bíblia está errada?
Tassos Lycurgo, Defesa da Fé, 24 de Abril de 2018
Existe uma similaridade entre o DNA dos humanos e o dos chimpanzés. Embora o princípio seja debatido, todos os especialistas concordam que gira em torno de 96%.
O quê? Então quer dizer que somos quase iguais aos macacos? Sim, na perspectiva da semelhança de DNA, a resposta é mesmo positiva.
O que acontece é que também é muito semelhante ao de outros animais. O rato, por exemplo, tem connosco uma similaridade de DNA de aproximadamente 90%. E não termina aí. A nossa similaridade de DNA com o de uma banana gira em torno de 50%. Sim, metade de você é banana. Sem ofensas, claro.
O que quero deixar claro é que não está em jogo a nossa semelhança com macacos, ratos ou bananas. Somos mesmo parecidos no DNA, mas isso quererá dizer que viemos todos da banana, do mesmo antepassado? É claro que não.
Os evolucionistas alegam uma semelhança como uma prova da evolução. Não estão errados na alegação da semelhança, mas na interpretação que dela fazem. Porque essa similaridade também é natural na visão cristã do mundo.
O criador do ser humano, do macaco, do rato, da banana e de tudo mais é o universo (incluindo o próprio universo, o tempo, o espaço) é um só: Deus. Como não ser natural que haja semelhança entre os seres vivos de toda a criação?
Os evolucionistas enganam-se na sua visão do mundo ao procurarem um antepassado comum. A ideologia de certos cientistas perturba as suas mentes e impede-os de interpretar correctamente os factos. Eis o exemplo de uma ideologia cega.
O Dr. Tim Berra é Professor Emérito de Biologia, Evolução e Ecologia na prestigiada Universidade de Ohio, nos EUA. Ele publicou um livro chamado A Evolução e o Mito do Criacionismo. E dá aí um exemplo que resulta exactamente no contrário.
O exemplo é relativo ao carro desenvolvido pelo nome Chevrolet Corvette, que foi o primeiro carro desportivo vermelho produzido nos EUA e que, se não me engano, ainda hoje é fabricado. O Dr. Berra afirma: «Se você comparar um modelo de 1953 com um de 1954, e assim por diante, uma descendência é óbvia». Será que é isso mesmo?
Veja por favor este desenho que o Dr. Berra utiliza como exemplo.
Ao contrário do que o Dr. Berra pretende, ele apresenta um excelente exemplo de criação.
De facto, os sucessivos modelos não podem ser considerados uma descendência no sentido evolutivo, mas sim uma nova criação.
Tanto o modelo 1953 como os seguintes são criações independentes, criadas por uma inteligência, no caso a dos engenheiros.
É verdade que os vários modelos possuem muita similaridade (assim como o homem e o macaco). Por isso é fácil cair-se na tentadora visão evolucionista do mundo, em que um nasce do outro e não é em que ambos são frutos da acção de um criador inteligente.
A mudança nos modelos decorreu da acção de um projectista inteligente, não de um processo de selecção natural.
O mesmo ocorreu com os seres vivos. Os homens e os macacos desfrutam de semelhanças no seu DNA mas as suas ligações não são decorrentes do processo natural de selecção. São sim de uma inteligência maior do que a dos gerados por DNA, com propósitos também diferentes.
terça-feira, 24 de abril de 2018
Eutanásia: matam doentes com depressão
Henrique Raposo, Expresso, 20 de Abril de 2018
É espantosa a indiferença dos média portugueses em relação ao problema da eutanásia. A flauta da esquerda começa a tocar e, num ápice, todos seguem a musiquinha, não há discussão, não há curiosidade, não há enviados especiais a ver de perto as realidades onde já existem sistemas de morte nos hospitais, não há enviados especiais para ver que – na Holanda e na Bélgica – a eutanásia é usada para matar raparigas de vinte anos com depressão ou velhos que se sentem um fardo para a família. Sim, estamos muito longe da imagem icónica do Bardem tetraplégico deitado numa cama. A alegação «estou farto de viver» está a ser usada como justificação para a eutanásia.
Uma situação que desprestigia por completo
a psiquiatria: na Holanda, dezenas de pessoas com depressão pedem para morrer; alguns psiquiatras,
que deviam ser a primeira barreira contra o impulso suicida, validam o pedido
Uma lei geral da eutanásia tem de registar qualquer coisa como «sofrimento insuportável». Mas, como dizia há dias na Renascença Esme Wiegman (presidente da Associação Holandesa de Doentes), essa formulação é demasiado vaga. Em 2002, quando a lei foi aprovada na Holanda, toda a gente tinha na cabeça a imagem do doente terminal de cancro. Mas, hoje em dia, a eutanásia é pedida por pessoas que alegam «a perda de dignidade». Mas o que é «a perda de dignidade»? A situação fica ainda mais vaga quando se adiciona o sofrimento mental. Aliás, a situação pode transformar-se num esgoto moral a partir do momento em que entram em cena psiquiatras inqualificáveis. Sim, inqualificáveis.
Até o «The Guardian» tinha há dias uma peça que revelava esta situação que desprestigia por completo a psiquiatria: na Holanda, dezenas de pessoas com depressão pedem para morrer; alguns psiquiatras, que deviam ser a primeira barreira contra o impulso suicida, validam o pedido de suicídio dos doentes, alegando que a depressão de x e y é «incurável». Que absurdo é este? Mesmo que seja incurável, aprende-se a viver com a depressão da mesma forma que se aprende a viver com outra doença. Que mentalidade é esta? A presença da doença «incurável» é em si mesmo uma impureza que legitima a própria morte? Mas somos o quê, samurais ou nazis em busca da perfeição biológica e mental? E o absurdo continua: estes psiquiatras chegam ao ponto de criticar a lentidão do processo (que já é demasiado rápido). Uma lei geral da eutanásia abre espaço a esta perversão.
segunda-feira, 23 de abril de 2018
Bélgica: Primeiro estado islâmico na Europa?
Giulio Meotti, Gatestone, 22 de Abril de 2018
Giulio Meotti, editor cultural de Il Foglio, jornalista e escritor italiano.
Os líderes do Partido da Bélgica aparentemente querem transformar a Bélgica num Estado islâmico. Eles chamam a isso de «democracia islâmica» e estabeleceram uma data-alvo: 2030.
- «O programa é confusamente simples: substituir todos os códigos civis e penais pela lei charia. Período». – revista francesa Causeur.
- «A capital europeia [Bruxelas] será muçulmana em vinte anos». – Le Figaro.
De acordo com a revista francesa Causeur, «o programa é confusamente simples: substituir todos os códigos civis e penais pela lei charia. Período». Criado na véspera do escrutínio municipal de 2012, a Festa do ISLAM recebeu imediatamente resultados impressionantes. Os seus números são alarmantes.
O efeito desse novo partido, segundo Michaël Privot, especialista em islamismo, e Sebastien Boussois, cientista político, poderia ser a «implosão do corpo social». Alguns políticos belgas, como Richard Miller, estão agora a defender a proibição do Partido ISLAM.
A revista semanal francesa Le Point detalha os planos da Festa do ISLAM: Gostaria de «evitar o vício proibindo estabelecimentos de jogos (casinos, salas de jogos e agências de apostas) e a lotaria». Além de autorizar o uso do véu muçulmano na escola e um acordo sobre os feriados religiosos islâmicos, o partido quer que todas as escolas na Bélgica ofereçam carne halal nos cardápios escolares. Redouane Ahrouch, um dos três fundadores do partido, também propôs segregar homens e mulheres no transporte público. Ahrouch pertenceu na década de 1990 ao Centro Islâmico Belga, um ninho do fundamentalismo islâmico onde os candidatos à jihad no Afeganistão e no Iraque foram recrutados.
A festa do ISLAM sabe que a demografia está do seu lado. Ahrouch disse que «em 12 anos, Bruxelas será composta principalmente por muçulmanos». Nas próximas eleições belgas, o Partido ISLAM está agora pronto para administrar candidatos em 28 municípios. À primeira vista, parece uma proporção irrisória em comparação com 589 municípios belgas, mas demonstra o progresso e as ambições deste novo partido. Em Bruxelas, a festa estará representada em 14 listas de 19 possíveis.
Isso é mais provável porque o Partido Socialista agora teme a ascensão do Partido ISLAM. Em 2012, o partido conseguiu, ao concorrer em apenas três distritos de Bruxelas, obter um representante eleito em dois deles (Molenbeek e Anderlecht) e fracassar apenas por pouco em Bruxelas-Cidade.
Dois anos mais tarde, durante as eleições parlamentares de 2014, o Partido ISLAM tentou expandir a sua base em dois círculos eleitorais, Bruxelas-Cidade e Liège. Mais uma vez, os resultados foram impressionantes para um partido que favorece a introdução da sharia, a lei islâmica, na Bélgica. Em Bruxelas, eles conquistaram 9.421 votos (quase 2%).
Este movimento político aparentemente começou em Molenbeek, «a toca dos radicais belgas», um «foco de recrutadores para o Estado Islâmico do Iraque e o Levante». Jihadistas aparentemente planejavam ataques terroristas em toda a Europa e até no Afeganistão. O autor francês Éric Zemmour, em tom de brincadeira, sugeriu que, em vez de bombardear Raqqa, na Síria, a França deveria «bombardear Molenbeek». No momento em Molenbeek, 21 funcionários municipais de 46 são muçulmanos.
«A capital europeia», escreveu Le Figaro, «será muçulmana em vinte anos».
«Quase um terço da população de Bruxelas já é muçulmana», disse Olivier Servais, um sociólogo da Universidade Católica de Louvain. «Os praticantes do Islão, devido à sua alta taxa de natalidade, deveriam ser a maioria em quinze ou vinte anos». «Desde 2001 ... Mohamed é o nome mais comum dado aos meninos nascidos em Bruxelas».
A ISLAM Party está trabalhando num ambiente favorável. Segundo o prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, todas as mesquitas da capital europeia estão agora «nas mãos dos salafistas». Há algumas semanas, o governo belga encerrou o contracto de longo prazo da maior e mais antiga mesquita do país, a Grande Mesquita de Bruxelas, para a família real saudita, «como parte do que as autoridades dizem ser um esforço para combater a radicalização». As autoridades disseram que a mesquita era um «foco de extremismo».
Um relatório confidencial do ano passado revelou que a polícia havia descoberto 51 organizações em Molenbeek com suspeitas de ligações com o jihadismo.
Talvez seja a hora de a sonolenta Bélgica começar a acordar?
sábado, 14 de abril de 2018
O lento veneno das ideias más
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Todos os semestres lecciono uma cadeira de ética (filosofia moral) na faculdade onde trabalho. Digo aos alunos que não têm de concordar comigo; têm direito às suas próprias opiniões, ainda que estas estejam profundamente erradas. Mas tento persuadi-los de que algumas teorias de moralidade, embora populares, estão erradas.
- Em particular, argumento contra três teorias populares mas, em minha opinião, perniciosas:
- A teoria de que as normas que definem o que é certo ou errado são meras criações sociais
- A teoria de que somos livres de criar os nossos próprios códigos morais, individuais.
- A teoria de que tudo é moralmente permissível, desde que não prejudique terceiros de forma evidente e tangível, sem o seu consentimento.
Escusado será dizer que não convenço todos, nem sequer a maioria, dos meus alunos a concordar comigo. Consolo-me dizendo que isso não é grave. Porquê? Porque se calhar estou errado, e nesse caso espero que não concordem comigo. Ou se calhar estou certo e eles verão isso daqui a 30 ou 40 anos. Ou se calhar tenho razão mas eles nunca vão concordar comigo. Mas se Jesus apenas conseguiu persuadir 11 dos seus 12 discípulos, porque é que eu hei-de ficar desencorajado por não conseguir convencer todos os meus alunos?
Mas há dias um jovem da minha turma chocou-me (na verdade, achei piada), ao defender clara e francamente uma teoria da moralidade que eu considero verdadeiramente terrível. Ele é um bom aluno, sincero e simpático, e não é de todo o género de miúdo que os professores por vezes encontram, aqueles que discordam do professor só para chatear. De todo, longe disso, é um bom miúdo.
Ele defendeu (não obstante eu ter tentado refutar essa teoria no início desse mesmo semestre) que todos os indivíduos criam a sua própria moralidade e, por isso, que o que é certo ou errado para ti poderá não ser certo ou errado para mim. Desde que tu faças o que crês, pessoalmente, estar certo, então está certo. Da mesma forma, se eu fizer aquilo que pessoalmente considero estar certo, então está certo.
Agora, sempre que um aluno meu defende esta posição eu jogo a cartada do Hitler. «Se o Hitler acreditava que o holocausto era a coisa certa, então achas que ele estava certo em assassinar seis milhões de judeus, para não falar de milhões de outros? É isso que estás a dizer?»
Quando meto o Hitler ao barulho, o aluno tende a recuar da sua afirmação. (Às vezes desconfio que Deus tenha permitido a Hitler cometer estes homicídios em massa para que os professores possam usá-lo como exemplo horrível nas discussões nas salas de aula.) Mas este rapaz não recuou. Ele defendeu a lógica da sua posição, dizendo que o que Hitler fez estava certo porque ele acreditava que sim, e por isso este meu aluno não o condenaria por fazer a coisa errada.
Ao mesmo tempo assegurou-me que ele próprio tinha uma moral pessoal muito diferente. Pessoalmente, jamais cometeria genocídio; seria errado fazê-lo, porque isso vai contra o seu código moral pessoal. Não duvido que seja assim, como disse, é um miúdo porreiro. Não tenho qualquer medo de homicídio em massa quando entro na sala de aula e ele está lá.
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As nossas atitudes morais, porém, sejam boas ou más, são diferentes das nossas opiniões morais. É por isso que é tão difícil convencer uma pessoa a abandonar maus hábitos. Os conselhos que lhe damos podem ser 100% sãos, mas ainda assim ele não se mexe. O mesmo se aplica, mutatis mutandis, às pessoas que crescem com boas atitudes morais.
Isto significa que as teorias morais más são inofensivas ou que as boas são inúteis? De todo. Se for uma pessoa com boas atitudes morais, então as teorias más provavelmente terão pouco impacto na sua conduta moral. Mas podem vir a ter um impacto sobre os seus filhos.
À medida que os educa, estará a dar-lhes um bom exemplo através da sua conduta (digamos, por exemplo, pela sua honestidade); mas a sua teoria dirá: «pessoalmente, acredito na honestidade, e espero que vocês também acreditem quando forem adultos, mas lembrem-se sempre que esta honestidade não passa de uma preferência pessoal. Lembrem-se de ser tolerantes para com os patifes, mentirosos e ladrões que por acaso não acreditam na honestidade».
As teorias morais más, então, terão consequências morais más, e as teorias morais boas terão consequências boas. Mas isso não acontece de um dia para o outro. Levará uma ou duas gerações, talvez cem, duzentos ou trezentos anos. Jefferson escreveu: «todos os homens são criados iguais» em 1776. Isto implicava que a escravatura deveria ser abolida. Mas levou mais 87 anos e uma grande guerra civil até que isso acontecesse.
«As ideias governam o mundo», disse certa vez um filósofo francês. E é verdade. Mas na maior parte dos casos isso apenas acontece de forma gradual. Hoje existem muitas más teorias morais por aí, não apenas a do meu aluno. Se não os combatermos, acabarão por nos destruir – se não a curto prazo, gradualmente.
domingo, 21 de janeiro de 2018
Xutos e Pontapés na Igreja e no Estado
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada, Observador, 16/12/2017
(Extractos)
Não podendo o Parlamento honrar todos os cidadãos falecidos, é razoável que reserve as suas homenagens para os portugueses que mais se distinguiram pelo seu saber e serviço à comunidade.
Há já muito tempo que não via algo tão insólito como o Parlamento aprovar por unanimidade – que, poucos dias antes, foi negada à memória de Belmiro de Azevedo – um voto de pesar pelo Zé Pedro, músico da banda Xutos & Pontapés.
(...)
Quanto ao Zé Pedro, que também não conheci pessoalmente, sempre lhe tive simpatia, porque sou da sua geração – ele era pouco mais velho do que eu – e por isso cresci ouvindo a sua música e a de muitas outras bandas, nacionais e internacionais. Soube que na sua adolescência passou, como tantos outros, por algumas experiências menos felizes e, por isso, alegrou-me sabê-lo recuperado e empenhado em ajudar jovens na mesma situação, participando com regularidade em acções de sensibilização. Sei que, como ele próprio dizia, «casou para a vida», o que no meio artístico e nos tempos que correm é bastante meritório. Foi, sem dúvida, um músico muito conhecido e querido, sobretudo se comparado com o distante patrão da Sonae. Contudo, não conheço nenhuma intervenção relevante do Zé Pedro a nível nacional, ou no estrangeiro, que justifique o voto de pesar de todos os deputados de todos os partidos com assento parlamentar. Que significa esta rara unanimidade?! É só populismo?! Eleitoralismo barato?! Pieguice nacional?! Onde pára a respeitabilidade do Estado e dos seus órgãos de soberania?!
Por este andar, quando um popular locutor da televisão render a alma ao Criador, decreta-se luto nacional e vela-se o mediático sujeito na Assembleia da República. Ou, quando um mais ou menos conhecido cançonetista, ou jogador de futebol, tiver guia de marcha para a eternidade, fecham-se as escolas e põe-se a bandeira nacional a meia-haste.
Desejo uma longa vida e as maiores felicidades a todos os artistas portugueses, bem como aos desportistas nacionais, aos intervenientes nas marchas populares alfacinhas, aos figurantes do carnaval de Torres Vedras, aos participantes nos fóruns da TSF e às idosas que fazem de público nos programas matutinos da TVI. Mas, não podendo os deputados honrar todos os cidadãos falecidos, é razoável que reservem as suas condolências para os portugueses que mais se distinguiram pelo seu saber e serviço à comunidade. Aos «Belmiros», entenda-se, que são poucos, e não aos «Zés» que, com toda a consideração e simpatia pelo músico, são aos milhares.
Jean d’Ormesson disse, em 2008, que um escritor deve evitar o azar de morrer ao mesmo tempo que alguma celebridade mediática pois, nesse caso, arriscava-se a ser por ela eclipsado. Sábias palavras premonitórias: ele próprio faleceu recentemente, horas antes de Johnny Hallyday, que atraiu a atenção da imprensa, em detrimento da vida e obra do «imortal» membro da Academia Francesa.
Infelizmente, não foram só a comunicação social e o parlamento que promoveram esta triste encenação, pois a Igreja também se prestou a isso, segundo notícia recentemente divulgada: «A morte do fundador do Xutos & Pontapés provocou as mais diversas mensagens de pesar, bem como as mais originais homenagens um pouco por todo o país. E uma delas chega-nos de Guimarães, mais precisamente da Basílica de S. Pedro do Toural. Na missa realizada no domingo seguinte ao funeral, o pároco e o coro da igreja resolveram homenagear o Zé Pedro cantando ‘Não sou o único’. O vídeo mostra como o padre, o coro e os fiéis cantam a música do Xutos & Pontapés, numa homenagem ao falecido fundador da banda rock portuguesa».
Embora o masoquismo não seja o meu forte, não me poupei ao sacrifício de ver o vídeo da infeliz actuação do canoro e dançante presbítero, paramentado a rigor, com o coro e os fiéis que tiveram o mau gosto de, em plena igreja e na missa, segundo reza a peça, cantarem uma música dos Xutos & Pontapés. Se fosse uma homenagem a um futebolista, provavelmente promoveriam um jogo no adro da igreja, ou decorariam o altar com bolas de futebol, chuteiras, bonés e bandeiras do clube em questão. Tudo, claro, em honra do defunto que, como se sabe, desfruta imenso com modinhas pegadiças e efemérides futebolísticas em sufrágio da sua alma.
(...)
MILÍCIA DE SÃO MIGUEL
I — A CIVILIZAÇÃO E A SUA DEFESA
A
superioridade da Civilização cristã
(1) A Civilização ocidental, ou europeia, ou cristã, ou
judaico-cristã, de matriz greco-latina e tomando como princípio director a
ética cristã, reúne um conjunto de valores religiosos, normas morais e
sociais, padrões estéticos e níveis científicos e técnicos que a tornam em
todos os campos indubitavelmente superior a todas as outras. Pela sua
superioridade material, ela atrai povos de todas as latitudes. Pela sua
superioridade espiritual, ela atrai a ira dos bárbaros internos e externos do
nosso tempo.
A
superioridade da ética cristã
(2) A ética cristã, como conjunto de valores que devem guiar o
comportamento humano, constitui a base da nossa Civilização. A superioridade
da Civilização cristã reside, antes de mais, na superioridade da sua ética. Os
valores fundamentais da ética cristã — o respeito, a responsabilidade, a fidelidade,
a verdade e a bondade — são universais e válidos para todas as pessoas, em
todos os lugares, em todas as circunstâncias e em todos os tempos. São valores
perenes, não de um lugar ou época histórica. A ética cristã opõe-se
frontalmente ao relativismo moral, cultural e histórico do modernismo e da
pretensa «religião universal».
A
família natural e a sua defesa
(3) A família é a célula fundamental da sociedade e a sua única e autêntica
forma é a família natural. As chamadas «outras formas de
família», ou «formas alternativas de família», são na
realidade construções ideológicas contra a família e a ordem natural. Estas
construções ideológicas, engendradas por centrais promotoras da decadência,
contribuem para a degradação da família, da sociedade e da Civilização e
constituem um atentado ao equilíbrio psíquico das pessoas — quer sejam
crianças, jovens ou adultos, em especial de crianças quando entregues a essas
ditas «formas alternativas de família».
(4) É aos pais e não ao Estado a quem compete decidir que educação e
desenvolvimento moral, afectivo e intelectual dar aos seus próprios filhos.
A
crise demográfica e a sua solução
(5) A crise demográfica que atinge o Ocidente ameaça-o na sua
vitalidade e na sua defesa e segurança. A crise demográfica da Civilização não
se resolve preenchendo o vazio de população de cultura ocidental com
população de outras culturas, criando assim uma «sociedade multicultural»,
com culturas manifestamente incompatíveis e mesmo antagónicas, sobretudo no
plano da ética. Tal sociedade é infalivelmente um poço de conflitos, geradora
de insegurança e violência que acabará por descambar em guerra dentro das próprias
fronteiras. O multiculturalismo não só não resolve o problema demográfico
do Ocidente como gera outros problemas, principalmente a dissolução dos
valores da Civilização, a instabilidade, a insegurança e a quebra do elemento
agregador religioso.
(6) A crise demográfica que atinge o Ocidente apenas pode ser
resolvida internamente, e por duas vias. Tratando-se sobretudo de uma questão
cultural, resolve-se, antes de mais, promovendo a cultura da maternidade e
combatendo as contraculturas do feminismo e do hedonismo. Em segundo lugar,
aplicando uma série de políticas de apoio à maternidade e uma política
integrada de família.
A
defesa da vida
(7) A defesa da vida desde a concepção até à morte natural é um dos
corolários da Civilização e da ética cristã. O combate à cultura da morte é um
dos principais imperativos actuais em defesa da Civilização.
A luta
contra a ditadura do pensamento único
(8) Em oposição frontal à Civilização cristã, os «senhores do mundo»
tentam impor o pensamento único «politicamente correcto», baseado
num conjunto de filosofias e ideologias corrosivas do ser humano. São elas,
fundamentalmente, o subjectivismo, o sincretismo, o naturalismo, o
relativismo, o liberalismo e o hedonismo. O próprio homossexualismo já
adquiriu estatuto de ideologia e de normalidade, nomeadamente com a «ideologia
do género».
(9) O pensamento único «politicamente correcto» é
a expressão contemporânea do sincretismo maçónico.
(10) O pensamento único «politicamente correcto» inunda
as mentes através das artes, da cultura, da propaganda, dos meios de comunicação,
da escola, das várias políticas, etc. Este pensamento já penetrou na própria
ordem jurídica, impondo também por aí a sua ditadura.
(11) Também em oposição à Civilização, e paralelamente ao «politicamente
correcto», e difundido pelos mesmos canais, se apresentam o marxismo, o
criptomarxismo e o anarquismo. Estas doutrinas, de características próprias,
confundem-se em muitos pontos com o «politicamente correcto», com
o qual formam uma amálgama de ideias falsas tendo como denominador comum a corrupção
do ser humano, a oposição à ética cristã, à natureza humana e à Civilização.
O alvo
principal dos inimigos da Civilização
(12) Foi a Igreja que gerou a Civilização europeia, depois expandida
para outros continentes. Ao longo de vinte séculos, a Igreja foi a depositária
dos valores éticos fundamentais que definem a Civilização ocidental. Assim
se compreende que a Igreja se tenha tornado, principalmente nos últimos séculos,
o alvo principal das forças que fomentam a decadência da Civilização.
Sobretudo hoje, por fora e até por dentro da Igreja, assistimos a cerrados
ataques à doutrina e à instituição geradora da nossa Civilização.
As
centrais inimigas da Civilização
(13) As actividades contra a Civilização são desenvolvidas através de
múltiplas organizações, partidos e instituições de diversas matizes ideológicas,
no entanto todos convergindo para o mesmo fim destruidor. Algumas dessas
actividades são espontâneas, ou de âmbito local, ou nacional, enquanto outras
são fomentadas e coordenadas por centrais mundiais e à escala global.
(14) As principais centrais mundiais contra a Civilização — algumas
delas invisíveis — são a maçónica, a homossexualista, a feminista e o que
resta da rede soviética de partidos comunistas e submarxistas a ela agregados
ou não.
(15) Para veicular as suas ideologias e exercer o seu poder, estas
centrais mundiais criam instituições internacionais ou infiltram e utilizam as
existentes, como a ONU, as suas agências ou a União Europeia, e também
partidos políticos, a escola, as instituições culturais, etc.
(16) A ofensiva ideológica e política das centrais contra a Civilização
incide nos seguintes pontos principais: infiltração da Igreja pela maçonaria,
visando o esvaziamento da sua doutrina e transformando-a em apêndice da
religião mundial; a promoção do mundialismo e do europeísmo antipátrias,
visando a implantação do governo mundial; e a promoção do hedonismo, do
feminismo, do sexualismo, do homossexualismo e da cultura da morte, visando a
destruição da família.
A grave
crise da Civilização e a sua solução
(17) A grave crise da Civilização é consequência do afastamento dos
valores que a fundamentam. Por isso, a sua regeneração só pode verificar-se
pelo regresso às origens, isto é, pela reposição dos seus valores fundamentais.
(18) Perante a grave crise de valores da Civilização, falsas soluções
ressurgem assumindo novas formas, sempre desviando-se ou opondo-se
frontalmente à Civilização cristã. Entre essas falsas soluções, podemos referir
as pragmatistas, as vanguardistas e as pagãs.
Falsas
alternativas pragmatistas
(19) As crises provocadas pela inoperância económica do socialismo e do
liberalismo e os seus impactos na vida das pessoas têm, de tempos a tempos,
permitido o ressurgimento da falsa alternativa do tecnocratismo. Esta corrente
apresenta-se como anti-ideologia mas de facto assenta no pragmatismo e no
amoralismo. Tomando como valor supremo e como critério da verdade o útil,
ignora totalmente a ética e qualquer sistema de ideias e valores, e opõe-se
assim à Civilização cristã. Ao contrário de outros políticos inimigos da
Civilização cristã, os tecnocratas são pessoas de formação técnica mas de baixa
cultura e impreparados para a política, residindo a diferença essencial entre
eles no facto dos primeiros preconizarem o caminho para a decadência da
Civilização e estes aceitarem inconscientes esse caminho. Ignorando os
problemas de natureza moral, social, e política, a tecnocracia não só não
resolve os problemas técnicos a que se propõe como ainda agrava os de
natureza civilizacional.
(20) Em socorro ideológico do já visto tecnocratismo, surgiu no
terceiro quartel do século XX a falsa ideologia do «fim das ideologias».
Esta ideologia pretende passar uma esponja sobre o antagonismo entre os valores
cristãos e os antivalores do liberalismo e do marxismo, entre outros, apontando
para uma «sociedade pòs-industrial» na qual a questão dos
princípios éticos é marginalizada. A ideologia do «fim das
ideologias» representa uma reformulação intelectual do primarismo
tecnocratista, e assim mais um modo de oposição à Civilização cristã.
Falsas
alternativas vanguardistas
(21) Nos anos 80 do século XX, surge em grande plano o pòs-modernismo,
que tem Nietzsche como uma das suas referências. Ao contrário do que alguns
pretendem, esta corrente não se opõe ao modernismo mas apenas pretende ultrapassá-lo,
isto é, refinar a oposição do modernismo à Civilização cristã. O pòs-modernismo
pretende «reinventar», «reinterpretar», «desconstruir» a
verdade, não lhe interessando a verdade objectiva, abrindo assim o caminho ao
subjectivismo e ao relativismo, e portanto a tudo o que se oponha à verdade dos
valores da Civilização cristã, da Nação e do bem comum.
(22) Tal como nos seus movimentos artísticos, em política, a
falsidade da alternativa pòs-modernista é evidente. A sua proximidade com o
liberalismo e o anarquismo ou o anarco-liberalismo reconhecem-se em movimentos
pacifistas, altermundistas, feministas, homossexualistas, etc. Alguns
sectores pòs-modernistas proclamam-se neoconservadores mas nesses movimentos a
ética cristã fica sempre de fora.
Falsas
alternativas pagãs
(23) Ao longo da história, têm ainda surgido falsas alternativas ao
liberalismo e ao marxismo inspiradas no nihilismo e no paganismo, como é o caso
do fascismo e do nazismo. Estas doutrinas pagãs, irracionais e bárbaras
opõem-se igualmente, tanto filosófica como politicamente, à natureza humana e
à Civilização cristã.
(24) As correntes do fascismo e do nazismo, pelo seu carácter violento
e opressor e oposição aos naturais sentimentos humanos de liberdade,
tornaram-se impopulares em todo o mundo, facilitando assim no campo cultural e
político a instrumentalização dos povos pelo marxismo, arvorado
em alternativa salvadora não só dessas correntes como também de todos os
males da humanidade.
(25) O aventureirismo militar do bloco nazi-fascista resultou na sua
derrota na II Guerra Mundial, provocando a catástrofe do avanço territorial do
comunismo na Europa e na Ásia e a criação de uma grande ameaça para o mundo.
(26) Entretanto, numa manobra de desinformação, os inimigos «politicamente
correctos» da Civilização cristã tentam hoje, muitas vezes, tirar
partido da impopularidade do nazismo e do fascismo conotando as políticas
cristãs com essas doutrinas anticristãs. Tanto as esquerdas como as «direitas»
autorizadas pelas esquerdas participam nesta desinformação, especialmente no
que diz respeito às necessárias medidas de defesa da ordem pública, da justiça
e dos costumes. A separação das águas e a desmontagem desta manobra de
desinformação é mais uma tarefa imprescindível dos combatentes da Civilização
cristã.
II — A NAÇÃO PORTUGUESA E A SUA GUARDA
A
degradação da sociedade
(27) Assistimos hoje à degradação da sociedade portuguesa nos campos
da moral, da família, da demografia, da educação, da economia, da política, da
ordem e segurança pública — de todos os sectores em geral da vida nacional.
Esta degradação generalizada, de natureza moral e material, tem graves
consequências directas e indirectas na vida quotidiana dos Portugueses. Ela tem
causas internas bem identificadas e também origem nas forças que, a nível
mundial, operam contra a Civilização, as nações e o bem das pessoas.
Uma
classe política ao serviço de si própria e do inimigo
(28) Dominado por uma classe política olhando apenas para si própria,
incompetente e obediente aos «senhores do mundo», o Estado, que deveria ser um
instrumento de defesa da Civilização, da Nação e do bem comum, tornou-se um
instrumento de poderes subterrâneos, um meio de servir essa classe política,
um meio de opressão do cidadão e de arrastamento da Nação para o plano
maçónico de instauração da «nova ordem mundial».
O
ataque à identidade e à soberania nacional
(29) A identidade e a soberania nacionais têm sido trocadas pelo europeísmo
antipátrias e pelo maçónico mundialismo, visando o estabelecimento da «nova
ordem mundial» ao serviço dos «senhores do mundo». O desfigurante
multiculturalismo, embora em menor escala do que noutras nações, também nos
afecta e ameaça ampliar-se. Aparentemente longínquas, tais políticas têm
graves reflexos na vida quotidiana das pessoas.
A
subversão das pessoas e das instituições
(30) Parte da sociedade civil, influenciada pelo comportamento da classe
política e pela contracultura importada de Hollywood ou de produção nacional,
segue os maus exemplos. Até algumas instituições que, pela tradição e pela
vocação, defenderiam os valores da Civilização, da Nação e do bem comum se
renderam aos «senhores do mundo».
A
Nação dos portugueses e a Civilização que a gerou
(31) São Portugueses aqueles que, independentemente em que lugar no
mundo, nasceram de sangue português ou que, provenientes de outras gerações,
abraçaram fielmente Portugal e a sua Civilização. A Nação portuguesa é a
grande casa das famílias portuguesas, dispondo de um território delimitado
pelas fronteiras mais antigas da Europa, com uma riquíssima história de nove
séculos que nos orgulha, falando a mesma expressiva e doce língua, em quase
total unidade religiosa, carregada de valiosas tradições e costumes idênticos.
Tudo isto faz de Portugal uma nação mais nação, das que mais
factores de identidade e unidade reúnem. É um bem que muitos povos não possuem
e que os Portugueses devem saber preservar.
(32) A Nação portuguesa nasceu e existe como expressão da Civilização
cristã. A ruína da Civilização nos seus princípios fundamentais arrasta para a
ruína as nações que a compõem. A ruína da Civilização implica a ruína da
Nação. O destino da Nação portuguesa, nos seus pilares, está, pois, intimamente
ligado ao destino da Civilização que a gerou.
A
identidade e a independência da Nação portuguesa
(33) Para além dos valores da Civilização cristã, comuns a todas as
nações que a compõem, existem os valores específicos da Nação portuguesa, que
formam a sua identidade e cuja preservação e promoção estão dependentes da
sua independência política e cultural.
O
mundialismo, inimigo das nações
(34) Em oposição à independência da nação portuguesa e de todas as
nações, os «senhores do mundo», procuram confundir um mundo global e as
naturais relações globais com o mundialismo. Esta manipulação de linguagem e de
conceitos visa arrastar para o seu campo os incautos, levando-os a apoiar
inconscientemente o seu projecto de governo mundial.
(35) A independência das nações é o maior obstáculo político ao
projecto dominador e corruptor dos «senhores do mundo». Por isso as centrais do
europeísmo e do mundialismo, a par da propaganda mundialista que desenvolvem,
minam as nações na sua independência transferindo a sua soberania para poderes
supra-nacionais.
Esta União Europeia, inimiga das nações
(36) Se tivesse sido concebida como aliança de estados-nação, a União Europeia poderia constituir um instrumento útil para todos e para a Civilização que lhe é própria. Contudo, o plano dos manipuladores foi estabelecer um aglomerado de estados dirigido por burocratas servindo os grandes da Europa e do mundo. A União Europeia é um instrumento contra as nações onde a Nação deixa de sê-lo, ficando reduzida a uma província do império. Passo a passo, a União Europeia tem caminhado para o plano mundialista arquitectado desde o início.
A ameaça do multiculturalismo
(37) O multiculturalismo é um dos pratos fortes da ideologia do «politicamente correcto» promovido pelas centrais mundialistas. O multiculturalismo é um grave atentado à identidade nacional, à paz, à segurança nacional, à Nação, aos Portugueses, à Civilização.
(38) Para implementar o multiculturalismo, as centrais mundialistas recrutam como seus instrumentos no terreno os membros do complexo social-industrial, o qual movimenta gigantescos interesses financeiros e de carreiras sob a capa da «bondade» e do «humanismo».
(39) Ao acolher pessoas de outras nações, Portugal deve ser criterioso. Deve acolher na proporção da sua população e segundo a sua própria necessidade. Deve fazê-lo preferindo originários de nações da Civilização cristã, isto é, pessoas formadas na ética cristã, condição para uma integração viável, natural e pacífica.
(40) A língua, a história, as tradições e a religião são elementos definidores e agregadores da Nação. Por isso são atacadas pelos mundialistas. O ensino deficiente da língua pátria ou decisões políticas nocivas como o «Acordo Ortográfico», o laicismo, o apagamento e falsificação da nossa história e o desprezo pelas boas tradições são meios de dissolução da identidade nacional. A dissolução da identidade nacional prepara a destruição da Nação. A guarda da Nação exige, pois, a defesa da língua, da história, das boas tradições, da religião cristã e da sua ética.
A necessária defesa nacional
(41) A defesa do espaço português de agressões e cobiças vindas do exterior ou do interior das suas fronteiras é um imperativo sempre presente na vida da Nação. Sob pressão do mundialismo, do europeísmo, do economicismo, do tecnocratismo, do populismo e do pacifismo, criou-se em certos meios a ideia ilusória de que hoje já não são necessárias Forças Armadas para defender a Nação. A realidade é que, mesmo integrado num sistema de segurança colectiva, Portugal, no quadro regional, necessitará sempre de defender por si próprio, com toda a autonomia, as suas fronteiras terrestres, marítimas e aéreas.
III — O BEM COMUM E A SUA PROMOÇÃO
O bem comum, a governação e a Civilização
(42) O bem comum é uma categoria superior ao bem individual na medida em que este apenas é possível no quadro do bem geral em que o indivíduo está inserido, isto é, a Nação e a Civilização. São, em conjunto, os valores da Civilização e a boa governação da Nação que podem proporcionar a todos o bem-estar. Apenas neste enquadramento é possível às pessoas singulares obterem o bem-estar. Ao mesmo tempo, o bem das pessoas é o bem da Nação e o bem da Civilização.
A boa governação da Nação
(43) A boa governação da Nação requer, antes de tudo — sublinhe-se —, a sua independência política.
(44) A boa governação da Nação consiste, em primeiro lugar, na defesa dos valores da Civilização. Depois, consiste em garantir a segurança das pessoas e bens, uma justiça eficaz, um ensino de qualidade e acessível a todos segundo as suas capacidades, um serviço nacional proporcionando a todo o povo os cuidados de saúde, uma segurança social satisfatória e sustentada, uma assistência acudindo aos necessitados e uma economia capaz de suportar todos estes encargos das pessoas, da sociedade e do Estado.
A necessária independência do Estado
(45) Para cuidar devidamente do bem comum, o Estado necessita de dispor de autonomia face a interesses externos ou internos privados. Alguns interesses em jogo são estranhos à Nação e até a ela antagónicos. Certas directivas emanadas dos burocratas instalados nas centrais de poder mundiais ou europeias atentam quer contra os valores morais da Civilização, quer contra a sobrevivência de muitos portugueses. A perda da soberania nacional significa, pois, ficar refém de terceiros e dos seus interesses.
(46) Igualmente, o domínio do Estado por interesses privados ilegítimos, mesmo ditos «nacionais», é outro obstáculo a uma governação que coloque acima de tudo o bem da Civilização, o bem da Nação e o bem do povo.
A necessária segurança interna
(47) A segurança interna é um factor capital para a paz e tranquilidade das pessoas. Promover o bem comum passa por defender a propriedade, a ordem pública e a segurança. A permissividade e o multiculturalismo de liberais e forças com ele coligadas são os maiores fautores de perturbação da ordem pública e da segurança interna.
A necessária rejeição de ideologias nefastas
(48) Para cuidar devidamente do bem comum, o Estado necessita de estar libertado dos espartilhos de ideologias nefastas, como o socialismo em qualquer das suas formas, ou o liberalismo, ou o tecnocratismo, desde a área da economia à cultura, dos costumes à educação ou à segurança. As ideologias contrárias à natureza humana e aos valores da Civilização atentam na prática contra o bem comum e individual das pessoas.
IV — A ESTRATÉGIA E A TÁCTICA
DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL
Primeiro os valores
(49) A noção clara dos valores da Civilização, da Nação e do bem comum, em primeiro lugar, e a definição da estratégia e da táctica para defendê-los, em segundo lugar, constituem a chave para a correcta avaliação de cada situação e para a acção política, cultural e social organizada capaz de enfrentar vitoriosamente o inimigo.
A identificação clara do inimigo
(50) São inimigos da Civilização, da Nação e do bem comum, e portanto da Milícia de São Miguel, todos aqueles que, tanto no pensamento como na acção política, cultural ou social, se oponham aos seus valores. Alguns desses inimigos, pelo carácter altamente corrosivo do seu pensamento, pela sua persistência, pela maior influência que exercem na sociedade ou no mundo, e até controlando importantes sectores do Estado ou organizações de relevo, merecem especial referência:
a) as centrais mundiais da contracultura, do relativismo, da decadência moral, do mundialismo e do europeísmo antipátrias, as suas agências e seus representantes locais;
b) os partidos de ideologias políticas socialistas ou liberais, ambas manifestamente opostas à produção de riqueza e ao bem comum;
c) os chefes dos partidos de base social não liberal, não socialista, não mundialista e não decadente mas que traem a Civilização, a Nação, o seu eleitorado e os próprios membros de base dos seus partidos.
O principal ponto forte do inimigo
(51) O principal ponto forte do inimigo tem sido a sua liberdade de semear ideias e agir sem oposição durante um largo período histórico. Neste tempo, o inimigo não teve de enfrentar qualquer oposição efectiva — uma oposição simultaneamente coerente, firme e organizada no terreno. Por esta razão, a marcha do inimigo para o poder tem sido um simples passeio. Afinal, o principal ponto forte do inimigo tem sido a nossa falta de comparência.
(52) A nossa estratégia, consequentemente, é:
a) dotarmo-nos de uma política global coerente;
b) dotarmo-nos de uma organização fortemente implantada na sociedade, disputando palmo a palmo o terreno ao inimigo.
O principal ponto fraco do inimigo
(53) O principal ponto fraco do inimigo, em qualquer das matizes em que se apresente, é o antagonismo entre o seu pensamento e a natureza humana. Um pensamento antagónico à natureza humana não consegue captar adesões conscientes em massa.
(54) Em conformidade com esta realidade, a nossa acção no campo da comunicação consiste em:
a) contornar os meios tradicionais de comunicação, dominados quase na totalidade pelo inimigo e recorrer às redes sociais e a outros novos meios de comunicação, com os quais podemos enfrentá-lo;
b) esclarecer a massa em grande escala e formar quadros nas áreas da política e da cultura.
O segundo ponto fraco do inimigo
(55) O segundo ponto fraco do inimigo é ele próprio constituir uma minoria. O inimigo assenta a sua acção em locais estratégicos que as suas minorias activas tomaram de assalto. Essas forças minoritárias na sociedade e opostas à natureza humana são facilmente neutralizáveis desde que travemos contra elas um combate coerente, frontal, firme e organizado.
(56) A nossa medida estratégica de nos dotarmos de uma linha política coerente e de organização permite desalojar dos locais de poder as minorias activas do inimigo. O alvo estratégico principal da nossa acção política é precisamente a sede do poder político do regime em vigor. Torna-se possível atingir o alvo ao reunirmos um exército consciente constituído por múltiplas pequenas unidades.
A aparente força da classe política
(57) A classe política ao serviço do inimigo manipula a grande massa do eleitorado e até os membros dos respectivos partidos políticos, muitos não se identificando com eles. A classe política central e local desses partidos reina na aparência de gozar do apoio incondicional dos membros de base. Na realidade, esses membros de base, não vislumbrando internamente uma alternativa positiva, limitam-se ciclicamente a optar pelo mal supostamente menor.
Disputar todo o terreno ao inimigo
(58) A existência dessa grande massa humana no seio de alguns partidos políticos que se identifica em grande parte com os nossos valores mas que é manipulada pelos seus dirigentes levanta inevitavelmente o problema de se saber como proceder em relação a ela. A Milícia de São Miguel não se dá por vencida nestes terrenos, mesmo que pantanosos. O poder reside nesses terrenos pantanosos, centro nervoso do sistema, e é a sua conquista que coloca directamente em causa o poder desta classe política.
O nosso combate no campo cultural
(59) O objectivo estratégico da nossa acção cultural é a promoção da cultura da Civilização, da Nação e do bem comum e combater a contracultura. A guerra política tem como pano de fundo a guerra cultural, a guerra pela conquista das consciências. É sobretudo pela cultura, de forma subliminar ou aberta, que o inimigo, ardilosa e gradualmente, conquista as mentes da grande massa e as prepara para aceitar as suas políticas. O poder cultural do inimigo reside nos meios de comunicação tradicionais, nas artes e em certos sectores de instituições e do Estado. A redução da contracultura à sua ínfima expressão só será viável após a resolução do problema político. Entretanto, usaremos todos os meios disponíveis nesta guerra cultural.
O nosso trabalho com a sociedade civil
(60) O objectivo estratégico da nossa acção nas organizações da sociedade civil é procurar que elas se tornem efectivos retransmissores dos valores da Civilização, da Nação e do bem comum. Em sintonia com estes valores, além do seu papel educativo, as organizações da sociedade civil também podem exercer sobre as forças políticas uma pressão positiva.
Outros princípios estratégicos
(61) A estratégia da Milícia de São Miguel integra ainda outros princípios.
Primeiro. Desenvolver a organização da Milícia seleccionando os seus membros com o critério de adesão fiel aos valores da Civilização, da Nação e do bem comum. É esta uma condição sine qua non para os milicianos agirem em sintonia com os objectivos a que se propõe a Milícia de São Miguel.
Segundo. Formar quadros, em especial jovens, proporcionando-lhes formação filosófica, política e cultural que, no terreno, os habilite a esgrimir razões contra o inimigo.
Terceiro. Desenvolver a implantação no terreno de baixo para cima, dando especial importância às forças vivas da sociedade, mais do que a personalidades mediáticas. Eventualmente descontentes com uma ou outra política, muitas dessas personalidades nem sempre se encontram disponíveis para enfrentar o sistema. Poderão eventualmente vir a opor-se-lhe de forma clara quando enquadradas num movimento político não vacilante e já entretanto hegemónico.
Quarto. Desenvolver a implantação prioritariamente nas periferias, avançando do interior para os centros. Porque os centros se encontram mais infiltrados e corrompidos pelo inimigo, torna-se mais fácil derrotá-lo cercando-o pelas periferias.
O necessário trabalho em unidade
(62) É sabido que um certo número de pessoas apoia apenas na generalidade ou pontualmente os valores da Milícia de São Miguel. Assim, torna-se necessário encontrar formas de integrar essas pessoas no movimento de reconstrução civilizacional e nacional. Por esta razão, a Milícia de São Miguel ajuda a criar, fomenta e apoia movimentos integradores dessas pessoas que, na acção, convirjam para objectivos comuns com a Milícia de São Miguel.
Firmeza na estratégia e flexibilidade na táctica
(63) A Milícia de São Miguel não é nem uma salada política, ecléctica, dita «consensual» ou «abrangente», visando apenas a quantidade de aderentes, mesmo que ignorando os valores da Civilização, ou os valores nacionais, ou o bem comum, nem uma seita ideológica, de «grandes princípios» mas isolada da sociedade civil e da política concreta. A certeza nos valores, a firmeza na estratégia e a flexibilidade na táctica são os princípios fundamentais na acção política da Milícia de São Miguel e de cada miliciano em todos os momentos e em todas as circunstâncias.
V — DA BARBÁRIE E DO CAOS À CIVILIZAÇÃO
E À ORDEM NATURAL
(64) Está em causa o futuro dos nossos filhos, das nossas famílias, da nossa Nação, da nossa Civilização. Mas com clareza programática e força de organização, e sabendo juntar-se à grande massa de pessoas que intuitivamente procuram a ordem natural e não se revêem nas falsas elites do sistema, a Milícia de São Miguel é uma força motora da acção política e cultural em defesa da Civilização, da Nação e do bem comum dos Portugueses.
(65) Para termos êxito no nosso combate, nunca podemos subestimar o inimigo. Ele encontra-se entrincheirado nos partidos, no aparelho de Estado, na comunicação, nas artes, na cultura e em muitas instituições da sociedade civil. É apenas persistindo na defesa intransigente dos nossos princípios e na multilateral e permanente acção militante que conseguimos isolá-lo da massa e desalojá-lo do poder.
(66) Se é verdade que não devemos subestimar o inimigo, também não o devemos sobrevalorizar. Na realidade, o inimigo não passa de uma minoria cujo poder tem provindo da ausência de oposição frontal e organizada por parte das forças da Civilização. Na realidade, o inimigo é bem mais fraco do que aparenta. Sabendo explorar os seus pontos fracos, poderemos vencê-lo.
(67) Não podendo permanecer indiferente perante tais ameaças, a Milícia de São Miguel propõe-se unir as pessoas de boa vontade e conscientes da situação para agirem em bloco, derrotarem o inimigo declarado ou oculto e contribuírem para defender a Civilização, a Nação e o bem comum. A Milícia de São Miguel e os seus milicianos estarão à altura de contribuir eficazmente para a clarificação da vida política, cultural e social que nos traga a esperança de uma ordem onde a Civilização e a ética cristã prevaleçam sobre a barbárie e a contracultura. Onde a Nação e a identidade nacional prevaleçam sobre o mundialismo e o desenraizamento. Onde o bem comum e a solidariedade social prevaleçam sobre o lucro selvagem e o egoísmo. Eis a aposta da Milícia de São Miguel.
Aprovado pelo Conselho Superior a 13 de Maio de 2017.
Promulgado em Fátima a 9 de Junho de 2017.
Esta União Europeia, inimiga das nações
(36) Se tivesse sido concebida como aliança de estados-nação, a União Europeia poderia constituir um instrumento útil para todos e para a Civilização que lhe é própria. Contudo, o plano dos manipuladores foi estabelecer um aglomerado de estados dirigido por burocratas servindo os grandes da Europa e do mundo. A União Europeia é um instrumento contra as nações onde a Nação deixa de sê-lo, ficando reduzida a uma província do império. Passo a passo, a União Europeia tem caminhado para o plano mundialista arquitectado desde o início.
A ameaça do multiculturalismo
(37) O multiculturalismo é um dos pratos fortes da ideologia do «politicamente correcto» promovido pelas centrais mundialistas. O multiculturalismo é um grave atentado à identidade nacional, à paz, à segurança nacional, à Nação, aos Portugueses, à Civilização.
(38) Para implementar o multiculturalismo, as centrais mundialistas recrutam como seus instrumentos no terreno os membros do complexo social-industrial, o qual movimenta gigantescos interesses financeiros e de carreiras sob a capa da «bondade» e do «humanismo».
(39) Ao acolher pessoas de outras nações, Portugal deve ser criterioso. Deve acolher na proporção da sua população e segundo a sua própria necessidade. Deve fazê-lo preferindo originários de nações da Civilização cristã, isto é, pessoas formadas na ética cristã, condição para uma integração viável, natural e pacífica.
(40) A língua, a história, as tradições e a religião são elementos definidores e agregadores da Nação. Por isso são atacadas pelos mundialistas. O ensino deficiente da língua pátria ou decisões políticas nocivas como o «Acordo Ortográfico», o laicismo, o apagamento e falsificação da nossa história e o desprezo pelas boas tradições são meios de dissolução da identidade nacional. A dissolução da identidade nacional prepara a destruição da Nação. A guarda da Nação exige, pois, a defesa da língua, da história, das boas tradições, da religião cristã e da sua ética.
A necessária defesa nacional
(41) A defesa do espaço português de agressões e cobiças vindas do exterior ou do interior das suas fronteiras é um imperativo sempre presente na vida da Nação. Sob pressão do mundialismo, do europeísmo, do economicismo, do tecnocratismo, do populismo e do pacifismo, criou-se em certos meios a ideia ilusória de que hoje já não são necessárias Forças Armadas para defender a Nação. A realidade é que, mesmo integrado num sistema de segurança colectiva, Portugal, no quadro regional, necessitará sempre de defender por si próprio, com toda a autonomia, as suas fronteiras terrestres, marítimas e aéreas.
III — O BEM COMUM E A SUA PROMOÇÃO
O bem comum, a governação e a Civilização
(42) O bem comum é uma categoria superior ao bem individual na medida em que este apenas é possível no quadro do bem geral em que o indivíduo está inserido, isto é, a Nação e a Civilização. São, em conjunto, os valores da Civilização e a boa governação da Nação que podem proporcionar a todos o bem-estar. Apenas neste enquadramento é possível às pessoas singulares obterem o bem-estar. Ao mesmo tempo, o bem das pessoas é o bem da Nação e o bem da Civilização.
A boa governação da Nação
(43) A boa governação da Nação requer, antes de tudo — sublinhe-se —, a sua independência política.
(44) A boa governação da Nação consiste, em primeiro lugar, na defesa dos valores da Civilização. Depois, consiste em garantir a segurança das pessoas e bens, uma justiça eficaz, um ensino de qualidade e acessível a todos segundo as suas capacidades, um serviço nacional proporcionando a todo o povo os cuidados de saúde, uma segurança social satisfatória e sustentada, uma assistência acudindo aos necessitados e uma economia capaz de suportar todos estes encargos das pessoas, da sociedade e do Estado.
A necessária independência do Estado
(45) Para cuidar devidamente do bem comum, o Estado necessita de dispor de autonomia face a interesses externos ou internos privados. Alguns interesses em jogo são estranhos à Nação e até a ela antagónicos. Certas directivas emanadas dos burocratas instalados nas centrais de poder mundiais ou europeias atentam quer contra os valores morais da Civilização, quer contra a sobrevivência de muitos portugueses. A perda da soberania nacional significa, pois, ficar refém de terceiros e dos seus interesses.
(46) Igualmente, o domínio do Estado por interesses privados ilegítimos, mesmo ditos «nacionais», é outro obstáculo a uma governação que coloque acima de tudo o bem da Civilização, o bem da Nação e o bem do povo.
A necessária segurança interna
(47) A segurança interna é um factor capital para a paz e tranquilidade das pessoas. Promover o bem comum passa por defender a propriedade, a ordem pública e a segurança. A permissividade e o multiculturalismo de liberais e forças com ele coligadas são os maiores fautores de perturbação da ordem pública e da segurança interna.
A necessária rejeição de ideologias nefastas
(48) Para cuidar devidamente do bem comum, o Estado necessita de estar libertado dos espartilhos de ideologias nefastas, como o socialismo em qualquer das suas formas, ou o liberalismo, ou o tecnocratismo, desde a área da economia à cultura, dos costumes à educação ou à segurança. As ideologias contrárias à natureza humana e aos valores da Civilização atentam na prática contra o bem comum e individual das pessoas.
IV — A ESTRATÉGIA E A TÁCTICA
DA MILÍCIA DE SÃO MIGUEL
Primeiro os valores
(49) A noção clara dos valores da Civilização, da Nação e do bem comum, em primeiro lugar, e a definição da estratégia e da táctica para defendê-los, em segundo lugar, constituem a chave para a correcta avaliação de cada situação e para a acção política, cultural e social organizada capaz de enfrentar vitoriosamente o inimigo.
A identificação clara do inimigo
(50) São inimigos da Civilização, da Nação e do bem comum, e portanto da Milícia de São Miguel, todos aqueles que, tanto no pensamento como na acção política, cultural ou social, se oponham aos seus valores. Alguns desses inimigos, pelo carácter altamente corrosivo do seu pensamento, pela sua persistência, pela maior influência que exercem na sociedade ou no mundo, e até controlando importantes sectores do Estado ou organizações de relevo, merecem especial referência:
a) as centrais mundiais da contracultura, do relativismo, da decadência moral, do mundialismo e do europeísmo antipátrias, as suas agências e seus representantes locais;
b) os partidos de ideologias políticas socialistas ou liberais, ambas manifestamente opostas à produção de riqueza e ao bem comum;
c) os chefes dos partidos de base social não liberal, não socialista, não mundialista e não decadente mas que traem a Civilização, a Nação, o seu eleitorado e os próprios membros de base dos seus partidos.
O principal ponto forte do inimigo
(51) O principal ponto forte do inimigo tem sido a sua liberdade de semear ideias e agir sem oposição durante um largo período histórico. Neste tempo, o inimigo não teve de enfrentar qualquer oposição efectiva — uma oposição simultaneamente coerente, firme e organizada no terreno. Por esta razão, a marcha do inimigo para o poder tem sido um simples passeio. Afinal, o principal ponto forte do inimigo tem sido a nossa falta de comparência.
(52) A nossa estratégia, consequentemente, é:
a) dotarmo-nos de uma política global coerente;
b) dotarmo-nos de uma organização fortemente implantada na sociedade, disputando palmo a palmo o terreno ao inimigo.
O principal ponto fraco do inimigo
(53) O principal ponto fraco do inimigo, em qualquer das matizes em que se apresente, é o antagonismo entre o seu pensamento e a natureza humana. Um pensamento antagónico à natureza humana não consegue captar adesões conscientes em massa.
(54) Em conformidade com esta realidade, a nossa acção no campo da comunicação consiste em:
a) contornar os meios tradicionais de comunicação, dominados quase na totalidade pelo inimigo e recorrer às redes sociais e a outros novos meios de comunicação, com os quais podemos enfrentá-lo;
b) esclarecer a massa em grande escala e formar quadros nas áreas da política e da cultura.
O segundo ponto fraco do inimigo
(55) O segundo ponto fraco do inimigo é ele próprio constituir uma minoria. O inimigo assenta a sua acção em locais estratégicos que as suas minorias activas tomaram de assalto. Essas forças minoritárias na sociedade e opostas à natureza humana são facilmente neutralizáveis desde que travemos contra elas um combate coerente, frontal, firme e organizado.
(56) A nossa medida estratégica de nos dotarmos de uma linha política coerente e de organização permite desalojar dos locais de poder as minorias activas do inimigo. O alvo estratégico principal da nossa acção política é precisamente a sede do poder político do regime em vigor. Torna-se possível atingir o alvo ao reunirmos um exército consciente constituído por múltiplas pequenas unidades.
A aparente força da classe política
(57) A classe política ao serviço do inimigo manipula a grande massa do eleitorado e até os membros dos respectivos partidos políticos, muitos não se identificando com eles. A classe política central e local desses partidos reina na aparência de gozar do apoio incondicional dos membros de base. Na realidade, esses membros de base, não vislumbrando internamente uma alternativa positiva, limitam-se ciclicamente a optar pelo mal supostamente menor.
Disputar todo o terreno ao inimigo
(58) A existência dessa grande massa humana no seio de alguns partidos políticos que se identifica em grande parte com os nossos valores mas que é manipulada pelos seus dirigentes levanta inevitavelmente o problema de se saber como proceder em relação a ela. A Milícia de São Miguel não se dá por vencida nestes terrenos, mesmo que pantanosos. O poder reside nesses terrenos pantanosos, centro nervoso do sistema, e é a sua conquista que coloca directamente em causa o poder desta classe política.
O nosso combate no campo cultural
(59) O objectivo estratégico da nossa acção cultural é a promoção da cultura da Civilização, da Nação e do bem comum e combater a contracultura. A guerra política tem como pano de fundo a guerra cultural, a guerra pela conquista das consciências. É sobretudo pela cultura, de forma subliminar ou aberta, que o inimigo, ardilosa e gradualmente, conquista as mentes da grande massa e as prepara para aceitar as suas políticas. O poder cultural do inimigo reside nos meios de comunicação tradicionais, nas artes e em certos sectores de instituições e do Estado. A redução da contracultura à sua ínfima expressão só será viável após a resolução do problema político. Entretanto, usaremos todos os meios disponíveis nesta guerra cultural.
O nosso trabalho com a sociedade civil
(60) O objectivo estratégico da nossa acção nas organizações da sociedade civil é procurar que elas se tornem efectivos retransmissores dos valores da Civilização, da Nação e do bem comum. Em sintonia com estes valores, além do seu papel educativo, as organizações da sociedade civil também podem exercer sobre as forças políticas uma pressão positiva.
Outros princípios estratégicos
(61) A estratégia da Milícia de São Miguel integra ainda outros princípios.
Primeiro. Desenvolver a organização da Milícia seleccionando os seus membros com o critério de adesão fiel aos valores da Civilização, da Nação e do bem comum. É esta uma condição sine qua non para os milicianos agirem em sintonia com os objectivos a que se propõe a Milícia de São Miguel.
Segundo. Formar quadros, em especial jovens, proporcionando-lhes formação filosófica, política e cultural que, no terreno, os habilite a esgrimir razões contra o inimigo.
Terceiro. Desenvolver a implantação no terreno de baixo para cima, dando especial importância às forças vivas da sociedade, mais do que a personalidades mediáticas. Eventualmente descontentes com uma ou outra política, muitas dessas personalidades nem sempre se encontram disponíveis para enfrentar o sistema. Poderão eventualmente vir a opor-se-lhe de forma clara quando enquadradas num movimento político não vacilante e já entretanto hegemónico.
Quarto. Desenvolver a implantação prioritariamente nas periferias, avançando do interior para os centros. Porque os centros se encontram mais infiltrados e corrompidos pelo inimigo, torna-se mais fácil derrotá-lo cercando-o pelas periferias.
O necessário trabalho em unidade
(62) É sabido que um certo número de pessoas apoia apenas na generalidade ou pontualmente os valores da Milícia de São Miguel. Assim, torna-se necessário encontrar formas de integrar essas pessoas no movimento de reconstrução civilizacional e nacional. Por esta razão, a Milícia de São Miguel ajuda a criar, fomenta e apoia movimentos integradores dessas pessoas que, na acção, convirjam para objectivos comuns com a Milícia de São Miguel.
Firmeza na estratégia e flexibilidade na táctica
(63) A Milícia de São Miguel não é nem uma salada política, ecléctica, dita «consensual» ou «abrangente», visando apenas a quantidade de aderentes, mesmo que ignorando os valores da Civilização, ou os valores nacionais, ou o bem comum, nem uma seita ideológica, de «grandes princípios» mas isolada da sociedade civil e da política concreta. A certeza nos valores, a firmeza na estratégia e a flexibilidade na táctica são os princípios fundamentais na acção política da Milícia de São Miguel e de cada miliciano em todos os momentos e em todas as circunstâncias.
V — DA BARBÁRIE E DO CAOS À CIVILIZAÇÃO
E À ORDEM NATURAL
(64) Está em causa o futuro dos nossos filhos, das nossas famílias, da nossa Nação, da nossa Civilização. Mas com clareza programática e força de organização, e sabendo juntar-se à grande massa de pessoas que intuitivamente procuram a ordem natural e não se revêem nas falsas elites do sistema, a Milícia de São Miguel é uma força motora da acção política e cultural em defesa da Civilização, da Nação e do bem comum dos Portugueses.
(65) Para termos êxito no nosso combate, nunca podemos subestimar o inimigo. Ele encontra-se entrincheirado nos partidos, no aparelho de Estado, na comunicação, nas artes, na cultura e em muitas instituições da sociedade civil. É apenas persistindo na defesa intransigente dos nossos princípios e na multilateral e permanente acção militante que conseguimos isolá-lo da massa e desalojá-lo do poder.
(66) Se é verdade que não devemos subestimar o inimigo, também não o devemos sobrevalorizar. Na realidade, o inimigo não passa de uma minoria cujo poder tem provindo da ausência de oposição frontal e organizada por parte das forças da Civilização. Na realidade, o inimigo é bem mais fraco do que aparenta. Sabendo explorar os seus pontos fracos, poderemos vencê-lo.
(67) Não podendo permanecer indiferente perante tais ameaças, a Milícia de São Miguel propõe-se unir as pessoas de boa vontade e conscientes da situação para agirem em bloco, derrotarem o inimigo declarado ou oculto e contribuírem para defender a Civilização, a Nação e o bem comum. A Milícia de São Miguel e os seus milicianos estarão à altura de contribuir eficazmente para a clarificação da vida política, cultural e social que nos traga a esperança de uma ordem onde a Civilização e a ética cristã prevaleçam sobre a barbárie e a contracultura. Onde a Nação e a identidade nacional prevaleçam sobre o mundialismo e o desenraizamento. Onde o bem comum e a solidariedade social prevaleçam sobre o lucro selvagem e o egoísmo. Eis a aposta da Milícia de São Miguel.
Aprovado pelo Conselho Superior a 13 de Maio de 2017.
Promulgado em Fátima a 9 de Junho de 2017.
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