quarta-feira, 8 de maio de 2013

Francisco continuará
a «operação limpeza»
perante os abusos sexuais,
asseguram especialistas


Especialistas assinalaram que a luta do Papa Francisco contra os casos de abusos sexuais contra menores seguirá a mesma linha introduzida por Bento XVI continuando assim com a «operação limpeza».

Até agora, o Papa Francisco já condenou em duas ocasiões os abusos sexuais a menores, uma no dia 5 de Abril deste ano quando solicitou à Congregação para a Doutrina da Fé «actuar com decisão» ante estes casos e outra neste Domingo ao pedir um compromisso «com claridade e coragem».

Em declarações à Europa Press, o professor de Teologia da Universidade de Navarra, Pablo Blanco, referiu que, assim como Bento XVI foi «muito proativo» na luta contra os abusos sexuais, – «talvez o mais urgente e o que mais clamava ao céu» –, o Papa Francisco continuará provavelmente «na mesma direcção» de «purificação» na Igreja.

«Criou-se uma cultura de tolerância zero com estes temas, criaram-se também uns instrumentos jurídicos para erradicá-los; eu não sei se agora é mais ou menos urgente, mas o Papa Francisco quer recordar que não podemos cantar vitória embora tenham sido tomadas muitas medidas nesse sentido, que a necessária purificação tem que seguir em frente, esclarecer de modo definitivo estes temas e acabar com eles», indicou, ao mesmo tempo que precisou que é um problema urgente não só na Igreja, mas também «noutros âmbitos».

Entre os passos que se devem dar perante estes casos, Blanco apontou que a medida número um é sempre «cuidar das vítimas que foram ultrajadas e inclusive traumatizadas» para depois «seguir com o procedimento jurídico que é bastante inexorável». De facto, recordou que «o Parlamento Inglês tomou como modelo e exemplo as medidas que a Igreja Católica assumiu neste âmbito».

Por outro lado, o professor de História da Igreja da Universidade de São Dâmaso, Andrés Martínez, mostrou-se convencido de que o Papa Francisco continuará a linha de «tolerância zero» marcada pelo seu predecessor, algo que se observa não só nas suas últimas declarações como Papa, mas também nos seus pronunciamentos sobre este assunto «nas congregações gerais» dizendo «que era um escândalo para a Igreja».

Sobre o facto de que Bento XVI ter demorado mais de um ano para pronunciar-se publicamente sobre os abusos sexuais frente à rapidez de Francisco, Martínez explicou que se trata de «dois momentos distintos», pois quando Bento XVI foi eleito o processo estava a iniciar-se e era necessário um «tempo de prudência até saber o que é que havia» enquanto que na actualidade já se realizaram todas as investigações.

Martínez indicou que as medidas que têm que adoptar-se perante estes casos têm que ser «sempre preventivas para não chegar ao que se chegou» e, por isso, confia em que se cuidará muito mais da formação nos seminários e ter-se-á «um cuidado extremo» em tudo o que se refere à vida sacerdotal.

Na mesma linha, a catedrática de Direito Eclesial do Estado da Universidade de La Rioja, Ana Vega, considera que, com as suas condenações públicas, o Papa Francisco está dizendo ao mundo graças ao seu «marketing mediático» que tudo o que foi feito nesse sentido por Bento XVI «foi sério».

Para ela, o Bispo Emérito de Roma deu «uma resposta categórica juridicamente» e demonstrou «uma vontade clara de transparência» com intervenções «mais rápidas, mais incisivas e mais eficazes». Igualmente, tem constância de que o Papa Francisco, já como cardeal, foi «duro» com estas condutas apoiando todas as reformas introduzidas pelo seu predecessor.

Entre as reformas que se adoptaram, Vega destacou o facto de que se possa julgar os cardeais, patriarcas e bispos que incorram nestas condutas directamente, o aumento até 20 anos do prazo para a prescrição destas acções e o facto de que possam fazer parte dos tribunais não só sacerdotes mas também leigos.

Para a catedrática, a falta de informação no passado pode ter acontecido devido à forma «tão descentralizada» de organizar a Cúria, algo que fazia com que «a informação pudesse parar em qualquer um dos degraus – a paróquia, a diocese – », mas referiu que as reformas farão com que agora estes casos «saltem directamente para Roma».





segunda-feira, 6 de maio de 2013

A guerra relâmpago
dos ideólogos do anti-Cristo

Nuno Serras Pereira

É caso para grande espanto e enorme susto não só a penetração vertiginosa e avassaladora das ideologias «gay» e do «género» nas legislações, com a consequente aprovação do dolosamente chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo (uma impossibilidade absoluta) como também a «política de apaziguamento, à maneira pusilânime de Neville Chamberlain, que tem sido seguida quer por largos sectores da Igreja em diversas nações, quer por políticos cobardes, quer pela generalidade das sociedades confusas e manipuladas pelo desmedido poder, organização cuidada, estratégia inteligentemente delineada de que gozam os exércitos internacionais, que implacavelmente conduzem esta abominável guerra mundial não só contra o Judeu-cristianismo, mas contra a própria natureza da pessoa humana.

Que ninguém se iluda, trata-se de uma verdadeira e própria guerra comparável, em malignidade e poder de destruição, embora, para já, não tão visível, às conduzidas pelos perversos nazismo e comunismo. E a verdade é que nos estamos deixando invadir e colonizar com a maior das indiferenças, com raras excepções, semelhante aliás ao que sucedeu aquando do brotar e expandir dessas outras inumanidades. Sugiro que ninguém duvide do que afirmo, somente por ser um miserável e idiota franciscano a dizê-lo.

Objectos principais desta injusta agressão violentíssima são o casamento, a família e a Igreja, por serem os baluartes essenciais da pessoa, da sociedade, da liberdade – estas são as associações intermédias fundamentais que, interpondo-se entre o indivíduo e o estado impedem a atomização daquele e o protegem da consequente tirania por parte do totalitarismo estatal.

A França, apesar da derrota legislativa, mostrou, por parte do povo cristão e da Igreja, uma determinação que, ao que se pode saber, não desparecerá tão depressa, em defesa do Amor e da Verdade. Nos EUA travam-se batalhas renhidas entre a racionalidade do Amor e da Verdade e a inversão intrinsecamente perversa. Lá os Bispos não receiam proclamar a verdade e convidar insistentemente os cristãos à oração e ao jejum, e aos empenhos cívicos aos níveis legislativos e políticos necessários à defesa da pessoa humana.





domingo, 5 de maio de 2013

A Igreja deve ter coragem
e não deve ser de mornos, diz o Papa


Ao presidir à habitual Missa na manhã de hoje ( 3 de Maio ) na Casa de Santa Marta, o Papa Francisco disse que «quando a Igreja perde a coragem, entra nela uma atmosfera morna. Cristãos mornos, sem coragem... Isso prejudica a Igreja, começam os problemas entre nós: não temos horizonte, não temos coragem, nem a coragem da oração para o céu nem a coragem de anunciar o Evangelho. Somos mornos».

«E devemos ter a coragem de enfrentar as nossas pequenas coisas, os nossos ciúmes, as nossas invejas, o carreirismo, de avançar egoisticamente… Em todas estas coisas porque isto não faz bem à Igreja: A Igreja deve ser corajosa! Todos nós devemos ser corajosos na oração, confiando em Jesus!».




sábado, 4 de maio de 2013

O maior perigo para a Igreja
é que seja mundana, diz o Papa


Na homilia da Missa desta manhã (30 de Abril) na Casa de Santa Marta, o Papa Francisco disse que quando a Igreja se converte em mundana, por causa do demónio, faz-se incapaz de anunciar o Evangelho e o «escândalo» da Cruz. «Este é o maior perigo!».

Francisco explicou que «pode-se proteger a Igreja, pode-se curar a Igreja e nós devemos fazê-lo com o nosso trabalho; mas é mais importante o que faz o Senhor: Ele é o único que pode olhar cara a cara o maligno e vencê-lo. (…) Se queremos que o príncipe deste mundo não tome a Igreja nas suas mãos, devemos confiá-la ao único que pode vencê-lo». Ele pode levá-la adiante, protegê-la e fazê-la crescer, defendê-la de quem quer que a Igreja se torne mundana. «Este é o maior perigo!».





sexta-feira, 3 de maio de 2013

Putin estuda como não permitir
que «casais» invertidos adoptem
crianças russas em França


O presidente russo, Vladimir Putin, pediu esta sexta-feira que se modifiquem os acordos bilaterais em matéria de adopção com a França para evitar que as crianças do seu País sejam entregues a casais invertidos após a aprovação legal das uniões invertidas.

«Precisamos de reagir ao que acontece à nossa volta. Respeitamos os nossos parceiros, mas pedimos que respeitem as nossas tradições culturais, as nossas normas éticas, legislativas e morais», disse Putin citado pelas agências locais.

Putin respondeu assim à proposta apresentada pela presidente da assembleia do enclave báltico de Kaliningrado, Marina Orguíeva, que sugeriu mudanças no acordo com a França para que as crianças russas não sejam adoptadas por casais invertidos.

«Você tem razão (...). Considero que temos motivos para introduzir mudanças no chamado documento. O assunto está em aberto, temos que pensar sobre isso», acrescentou Putin.

O acordo bilateral com a França foi assinado em Novembro de 2011 e ratificado em Julho do ano passado.

A vice-presidente do comité para os Assuntos da Família da Duma Baixa e deputada oficialista, Olga Vatálina, assegurou que para emendar o acordo bilateral com Paris seria suficiente receber a conformidade, por escrito, dos franceses.

«A legalização das uniões invertidas preocupa muito os deputados, que reagiram de maneira sensível perante esta decisão em França e estão categoricamente contra a possibilidade da adopção de crianças russas por parte de famílias do mesmo sexo», assinalou.

O Defensor do Menor, Pável Astájov, que depende directamente do Kremlin, já expressou em várias ocasiões a sua oposição a que os casais invertidos adoptem crianças. O funcionário disse que a Rússia fará tudo o que for possível para impedir que no país se repita a situação da Espanha, Canadá ou França.





quinta-feira, 2 de maio de 2013

Os «casais» segundo a Rádio Renascença

Nuno Serras Pereira

«É verdadeiramente extraordinário que a autoproclamada, sem pingo de vergonha, rádio católica portuguesa (RR), propriedade do Episcopado português, chame sistematicamente casais àqueles que não o são nem o podem, de facto, ser, contribuindo assim, com inusitado fervor, para a propaganda lgbt.

«Mais inacreditável ainda é a passividade dos prelados portugueses, os quais porventura cuidarão que a publicação de uma nota pastoral sobre a família, aliás bem-feita e com linguagem acessível, é suficiente para se desobrigarem de qualquer outra acção no combate contra este violento vampirismo espiritual e moral. Mas a verdade é que, se puserem de lado as racionalizações autojustificativas e olharem de frente, diante de Deus, as suas consciências saberão muito bem que isso não passa de uma mentira infame. Nem será necessário meditarem atentamente na importantíssima entrevista recente, a propósito de um outro assunto, embora com este relacionado, mas igualmente aplicável neste caso, que o Cardeal Burke concedeu a uma prestigiada agência noticiosa.

«Evidentemente que quando falta o ensinamento insistente, repetido para ser assimilado, o exemplo, o encorajamento e a liderança, andam as ovelhas tresmalhadas, anuindo a tudo o que os lobos vorazes propõem, como meio mais pronto e eficaz para dizimarem facinorosamente o rebanho. Verdadeiramente há pastores que, se não são lobos, imitam muito bem.»





quarta-feira, 1 de maio de 2013

Papa Francisco: Deus nos dá a coragem
para caminhar contra a corrente


Neste Domingo, ao presidir à Missa na Praça de São Pedro, em que conferiu o Sacramento da Crisma a 44 fiéis de todo o mundo, o Papa Francisco assegurou que Deus «nos dá a coragem para caminhar contra a corrente», o qual, assegurou «fortalece o coração».

Perante 70 mil pessoas congregadas na Praça de São Pedro, o Santo Padre assegurou que «Ele nos dá a coragem para caminhar contra corrente? Sim, jovens; ouvistes bem: ir contra a corrente. Isto fortalece o coração, já que ir contra a corrente requer coragem e Ele nos dá esta coragem».







terça-feira, 30 de abril de 2013

A Sociedade Portuguesa de Autores
recusa o «Acordo Ortográfico»

A SPA não adopta o novo acordo ortográfico
perante as posições do Brasil e de Angola sobre a matéria

A SPA continuará a utilizar a norma ortográfica antiga nos seus documentos e na comunicação escrita com o exterior, uma vez que o Conselho de Administração considera que este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra longe de estar esclarecido, sobretudo depois de o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor do Acordo.

Assim, considera a SPA que não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola tomaram posições em diferente sentido. Perante esta evidência, a SPA continuará a utilizar a norma ortográfica anterior ao texto do Acordo, reafirmando a sua reprovação pela forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado Português, designadamente no período em que o Dr. Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas. Refira-se que também a Assembleia da República foi subalternizada no processo de debate deste assunto.

O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso, prejudicou seriamente todo este processo e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola.

Lisboa, 9 de Janeiro de 2013





domingo, 28 de abril de 2013

Argumento irrebatível
para «desaplicar» o AO

Ivo Miguel Barroso

1.º – A Resolução do Conselho de Ministros (RCM) n.º 8/2011, de 25-1, mandou aplicar o AO à Administração Pública e a todas as publicações no Diário da República (DR), a partir de 1-1-2012, bem como ao sistema educativo, a partir de Setembro de 2011. Ou seja, a RCM antecipou o fim do prazo de transição (17-9-2016) em 4 anos e 9 meses (!) para a Administração e DR, e em 5 anos para o ensino.

É curioso verificar que a «fonte de obrigatoriedade» no nosso país de «aplicação» do AO seja um «regulamento administrativo» independente, flagrantemente inconstitucional a título orgânico (invade a reserva de lei da AR – art. 165/1, b), da Constituição (CRP)) e formal (não é um decreto regulamentar – art. 112/6). A RCM é aplicável às publicações no DR. Ora, a RCM nunca deverá ser aplicada a actos de órgãos de pessoas colectivas que exercem outras funções jurídicas do Estado diversas da f. administrativa, sob pena de incorrer o grave vício de usurpação de poderes. A RCM não deveria ter sido aplicada nem à AR (exerce a função (f.) legislativa e a política), nem ao PR (f. política), nem aos tribunais (f. jurisdicional); nem a privados (com excepção das escolas particulares).

2.º – A maioria das normas do AO e das Resoluções que o implementam são inconstitucionais.

As pessoas que se queiram informar poderão ver as minutas (funcionários públicos, professores, pais e encarregados de educação, autores, particulares), no grupo «Em acção contra o AO», a que convido todos os anti-acordistas a aderir.

3.º – Em todo o caso, porque explicar as razões de inconstitucionalidade a não juristas pode levantar dúvidas aos superiores hierárquicos, etc., há uma forma, muito simples e eficaz de uma pessoa se eximir a uma «ordem de aplicação» do AO.

Lendo a petição, disponível no grupo «Em acção contra o AO» do Facebook, fica comprovado cientificamente que o AO é violado:

1) pelo conversor «Lince» (oficial, criado pela RCM);

2) pelos restantes instrumentos: Vocabulário Ortográfico do Português (VOP); pelos correctores privados, v. g., da Porto Editora, etc.; e ainda o VOLP brasileiro de 2009 (foi intentada uma acção popular no Brasil, por violar o AO). Este argumento, de o AO ser violado por todos os instrumentos de alegada «aplicação», é irrebatível, demonstrando as contradições de quem é «acordista», mas, ao tentar sê-lo, viola o próprio AO. Logo, ninguém pode utilizar os instrumentos aludidos, sob pena de ilegalidade sui generis, por violação do tratado internacional do AO. Basta alegar isto, para que qualquer pessoa se possa eximir à «aplicação» do AO: não se pode «aplicar» o AO violando-se o próprio AO... Com tanto mais razão, se uma pessoa for favorável ao AO («acordista»), então é que não pode mesmo utilizar o «Lince» nem os correctores; pois estaria a atraiçoar o AO.

4.º – A utilização do «Lince» viola regras elementares de citação das obras, adulterando a sua ortografia original. Viola também o direito ao nome (por ex., o apelido «BaPtista» é mudado para «Batista»).

O VOP também viola o AO (v. audição de Vasco Teixeira, da Porto Editora, no Grupo de Trabalho de Acompanhamento do AO, na 8.ª Comissão da AR).

5.º – Note-se que o AO difere do que designo por «acordês»; ou seja, dos instrumentos que, alegadamente, o «aplicam», mas que, na verdade, o violam. A «criatura» rebela-se contra o criador. O exposto deve-se às debilidades científicas na base do AO (o «critério da pronúncia»; a propalada aproximação da linguagem escrita à linguagem oral, obsoleta desde os anos 60), que geram discrepâncias, na prática, entre as várias formas de grafar um lema; e também devido às facultatividades, que o «Lince», por ex., não reconhece como válidas.

6.º – Em conclusão, exercer o direito-dever (por parte de entidades públicas) de não aplicar normas inconstitucionais, bem como o direito de resistência (por parte dos particulares – art. 21.º da CRP) podem ser muito facilmente exercidos.





sexta-feira, 26 de abril de 2013

Jornal do Vaticano
Futura Cúria, velho projecto


(Texto em francês e inglês)

Journal du Vatican / Future curie, vieux projet


Sandro Magister

Le document date de 1931. Il a eu pour auteur un cardinal néerlandais. Les réformes que l'on attend y figuraient déjà toutes. Et même les critiques étaient semblables à celles d'aujourd'hui, sinon plus dures

CITÉ DU VATICAN, le 25 avril 2013 – Une curie qui serait «plus représentative et plus collégiale». Une curie qui comporterait «davantage de dialogue dans les deux sens, dans le cadre d’une organisation moderne et efficace». Une curie qui réaliserait une pleine «revalorisation du ministère épiscopal». Une curie où il y aurait «surtout, moins d’Italiens».

Il semblerait que les points qui précèdent constituent le programme de cette réforme de la curie du Vatican que le pape François a mise en chantier – notamment en constituant un groupe de huit cardinaux chargés de le conseiller – afin d’appliquer les indications formulées, lors des congrégations générales qui ont précédé le conclave, par les cardinaux qui l’ont élu.

En réalité, ce programme n’est pas la réponse aux dysfonctionnements qui ont été mis en évidence à la curie, de manière dramatique, au cours du pontificat de Benoît XVI.

C’est un programme plus ancien. Beaucoup plus ancien. Il est carrément antérieur de trente ans au concile Vatican II.

Pour mieux se rendre compte que les problèmes de la curie romaine et les critiques qu’elle suscite ne sont pas apparus sous le pontificat du pape Joseph Ratzinger, il suffit de feuilleter un ouvrage qui a été publié récemment : des Mélanges offerts à l’historien jésuite Marcel Chappin pour son 70° anniversaire et publiés sous la direction des professeurs Paul van Geest, un Néerlandais, et Roberto Regoli, un Italien.

En effet l’ouvrage en question, édité par les Archives Secrètes du Vatican dont Chappin a été vice-préfet au cours de ces dernières années, contient une contribution curieuse et intéressante due à Hans de Valk. Elle analyse un document anonyme rédigé en 1931 et ayant pour titre «De quibusdam rebus in ecclesiastico regimine emendandis»: «Quelques points qu’il faudrait améliorer dans le gouvernement de l’Église».

Il s’agit d’un texte d’une vingtaine de pages qui a été retrouvé par les universitaires dans certaines archives ecclésiastiques (y compris les Archives Secrètes du Vatican) sous la forme d’une version en latin et d’une autre en allemand. Il porte la signature de «Paulus Bernardus a S. Catharina», un pseudonyme derrière lequel se cacherait – toutefois les preuves à ce sujet ne sont pas définitives – le Néerlandais Willem Marinus van Rossum (1854-1932, photo), rédemptoriste, qui fut créé cardinal par Pie X en 1911 et fut préfet de «Propaganda Fide» sous les pontificats de Benoît XV et de Pie XI.

«Les propositions de réforme de la curie – écrit de Valk dans son essai – sont aussi vieilles que les sept collines» de Rome. Et en effet, avant d’analyser le document de 1931, il rappelle que, déjà au début du XXe siècle, il y avait eu une floraison de programmes de réforme de la curie. Et il souligne que ceux-ci provenaient de milieux aussi bien progressistes que traditionalistes.

Le portrait de la hiérarchie ecclésiastique que fait apparaître le document de 1931 est impitoyable. Voici comment de Valk en fait la synthèse:

«Dans la majorité des cas, les évêques, au lieu d’être ces caractères forts dont on a besoin aujourd’hui, au lieu d’être des personnalités dynamiques et actives, sont effectivement médiocres, tout en étant en même temps des hommes pieux et religieux, et même moins que médiocres pour certains d’entre eux. Il y en a qui sont apathiques, timides, indolents ou vaniteux ; d’autres sont conformistes, bureaucrates ou introvertis; beaucoup d’entre eux sont des administrateurs maladroits et ignorants. […] Parfois, c’est la totalité de l’épiscopat d’un pays qui ressemble à une collection d’estropiés».

Dans une note, De Valk reproduit le texte original en latin, qui est encore plus coloré:

«Aliquando autem totus episcopatus alicuius nationis ita est compositus, veluti si coecorum, claudorum et infirmorum omne genus esset refugium».

Et il ajoute que «le problème est aggravé par la tendance du Saint-Siège à nommer des prélats qui ne sont qu’obéissants et conciliants».

Le portrait que le document fait du collège cardinalice est tout aussi impitoyable. Voici ce qu’écrit de Valk:

«En ce qui concerne les cardinaux, qui constituent le sénat de l’Église et sont les électeurs du pape, la situation est encore pire, particulièrement dans le cas de ceux qui travaillent à la curie romaine. Le sacré collège contient trop de prélats insignifiants qui sont parvenus à ce rang parce que jamais ils n’ont posé de questions embarrassantes. Le mérite de beaucoup d’éminences n’est pas de posséder une expérience pastorale ou une culture remarquables, mais d’avoir travaillé pendant très longtemps dans un service du Vatican. Sans aucune connaissance réelle du monde ou de la vie de l’Église universelle, ils sont de toute façon promus automatiquement et placés à des postes de commandement bien supérieurs à leurs modestes talents».

Le nombre excessif d’Italiens présents à la curie fait l’objet d’une critique particulièrement féroce. Voici ce que note de Valk:

«Près de la moitié des cardinaux et la grande majorité des membres de la curie sont des Italiens, comme si le Saint-Esprit avait une nette préférence pour la nation italienne («veluti si solos Italos Spiritus Sanctus dignos invenerit ut eos tamquam S. Pontificis et proximos consultores et electores illustraret»). Cela ne fa it qu’aggraver le problème, parce que même si les Italiens peuvent avoir beaucoup de talents, ils ne sont certainement pas réputés pour leurs compétences en matière d’organisation. Ce fait est, pour l’Église universelle, à la fois une insulte et une injustice. Les quelques excellents prélats étrangers présents à la curie sont l’exemple de ce que pourrait être une alternative».

Le document de 1931 n’épargne pas même les souverains pontifes, puisqu’il affirme que «depuis le XIXe siècle le trône pontifical a été orné d’une série de papes médiocres, à la possible exception de Léon XIII».

Mais, face à ce tableau, quelles sont les propositions de réformes définies par «Paulus Bernardus» ou plutôt (peut-être) par le cardinal van Rossum?

Voici ce qu’en dit de Valk, à propos des évêques:

«Il est nécessaire d’apporter des changements radicaux au système de recrutement ou d’élection [des évêques et des cardinaux]. La nomination des évêques ne devrait pas être confiée exclusivement au Saint-Siège, où les candidats sont généralement peu connus, alors que les informations recueillies sont souvent tendancieuses ou peu dignes de foi».

Et à propos des cardinaux:

«Afin de souligner le caractère universel de l’Église, il faudrait que le sacré collège soit rendu plus international et que le nombre d’Italiens y soit réduit de manière drastique. Le caractère international de la curie romaine devrait être développé, il faut supprimer ce que l’on appelle les fonctions cardinalices. Seuls les véritables princes de l’Église, connus pour leurs éminentes qualités, devraient être élevés à la pourpre; c’est-à-dire des hommes cultivés, pieux et pleins de zèle, qui connaissent le monde, des experts, bien informés et donc capables d’agir comme de vrais conseillers du pape».

En ce qui concerne le gouvernement de l’Église universelle, le rédacteur anonyme du document se plaint de ce que «le pape, le secrétaire d’état ou son substitut décident en dernier ressort de tout, ce qui fait qu’ils sont confrontés à une quantité de travail qu’il est humainement impossible d’accomplir. Si l’on ajoute à ce fait l’augmentation constante du nombre de questions à traiter et la propension excessive au secret, cela ne peut conduire qu’à du retard dans la gestion des affaires, y compris les plus urgentes».

Parmi les remèdes, le document de 1931 exprime le souhait qu’«une place plus grande soit faite à l’ancien système du gouvernement collégial».

D’autre part, la curie devrait être enrichie d’«experts sélectionnés au niveau international, de manière à pouvoir agir ou réagir avec rapidité; de nouveaux canaux de communication seraient ouverts, pour éviter que ne parviennent au Saint-Siège que des informations partielles et tendancieuses. Si l’on procède ainsi, l’évolution des affaires de l’Église universelle peut être pilotée de plus près et il pourra être plus facile de communiquer avec les évêques, en les guidant et en les mettant en garde si nécessaire».

Il s’agit là de propositions de réforme qui remontent désormais à plus de quatre-vingt ans. Le concile Vatican II a fait siennes quelques unes d’entre elles.

De son côté, de Valk écrit que, par leurs restructurations de la curie romaine, Paul VI en 1967 et Jean-Paul II en 1988 «ont accompli beaucoup de ces réformes» souhaitées dans le document de 1931.

Beaucoup mais pas toutes. Est-ce le pape François qui va réaliser celles qui manquent?

Le livre:

«Suavis laborum memoria. Chiesa, Papato e Curia Romana tra storia e teologia. Scritti in onore di Marcel Chappin SJ per il suo 70° compleanno», sous la direction de Paul van Geest – Roberto Regoli, Archives Secrètes du Vatican, Cité du Vatican, 2013, 618 pp., 35,00 euros.

Aux pages 183-205 de l’ouvrage se trouve l’essai de Hans de Valk dans la langue d’entrée, sous le titre : «'Some matters that should be improved in the government of the Church'. A remarkable Proposal for the Reform of the Roman Curia, 1931».


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Vatican Diary / Future curia, old project

The document is from 1931. Its author may have been a Dutch cardinal. The reforms that are awaited were already all there. And the criticisms were also the same as today, if not tougher

Sandro Magister

VATICAN CITY, April 25, 2013 – A curia with «more representation and a more collegial government.» A curia with «dialogue and bi-directional communications in a modern and efficient organization.» A curia with a full «re-evaluation of the episcopal office». A curia with «above all: fewer Italians.»

These would seem to be the lines of action of that reform of the curia which Pope Francis has set in motion – including through the constitution of a group of eight cardinal advisors – to apply the indications of the cardinals who elected him, formulated in the general congregations that preceded the conclave.

In reality, this program is not a response to the curial dysfunction that manifested itself in a dramatic way during the pontificate of Benedict XVI.

It is an older program. Much older. From thirty years before even Vatican Council II.

To understand better how the problems and criticisms of the Roman curia did not emerge with pope Joseph Ratzinger, it is enough to leaf through a recently published book, a miscellany in honor of the Jesuit historian Marcel Chappin for his 70th birthday, edited by the professors Paul van Geest, Dutch, and Roberto Regoli, Italian.

The work in question, in fact, published by the Vatican Secret Archive of which Chappin was vice-prefect in recent years, hosts a curious and interesting contribution from Hans de Valk that analyzes an anonymous document compiled in 1931 and entitled «De quibusdam rebus in ecclesiastico regimine emendandis»: «Some matters that should be improved in the government of the Church.»

It is a text of around twenty pages that scholars found in certain ecclesiastical archives (including the Vatican Secret Archive) in Latin and German versions, bearing the signature of «Paulus Bernardus a S. Catharina,» a pseudonym believed to conceal – although the proofs are not definitive – the Dutch Willem Marinus van Rossum (1854-1932, in the photo), a Redemptorist, made a cardinal by Pius X in 1911 and prefect of «Propaganda Fide» with Benedict XV and Pius XI.

«Proposals for a reform of the curia, however» – de Valk writes in his essay – «are as old as the seven hills» of Rome. And in effect, before analyzing the document from 1931, he recalls how already at the beginning of the twentieth century there had blossomed programs for the reform of the curia. And he emphasizes how they came from both progressive and traditional circles.

The depiction of the ecclesiastical hierarchy that emerges from the document of 1931 is merciless. Here is how de Valk summarizes it:

«Most of the bishops, instead of being the strong characters presently needed, dynamic and active personalities, even if indeed pious and religious men are in effect at the same time mediocre, or even below mediocrity. Some are apathetic, timid, indolent or vain; others are conformists, bureaucrats or introverts; many are ignorant and clumsy administrators. […]. Sometimes the whole episcopate of a country looks like a bunch of cripples».

De Valk reproduces in a footnote the original Latin, which is even more colorful:

«Aliquando autem totus episcopatus alicuius nationis ita est compositus, veluti si coecorum, claudorum et infirmorum omne genus esset refugium.»

And he adds that «the problem is aggravated by the Holy See’s tendency to appoint only obedient and complacent prelates.»

Just as merciless is the depiction that the document makes of the college of cardinals. De Valk reports:

«As for the cardinals, the senate of the Church and the electors of the pope, here the situation is even worse, particularly in the case of those attached to the Roman curia. The sacred college contains too many non-entities who have reached their rank by never asking awkward questions. The merit of many eminences is not their excellent pastoral experience or learning, but that of having staffed a Vatican desk for a very long time. Without any real knowledge of the world or the life of the universal Church, they are nevertheless automatically promoted and placed in executive jobs far above their modest talents.»

Particularly ferocious is the criticism of the excessive Italian composition of the curia. De Valk reports:

«Almost half of the cardinals and the great majority of the curial ones are Italians, as if the Holy Ghost had a distinct preference for the Italian nation («veluti si solos Italos Spiritus Sanctus dignos invenerit ut eos tamquam S. Pontificis et proximos consultores et electores illustraret»). This only aggravates the matter, for even if Italians may have many talents, they are certainly not noted for their organizational skills. For the universal Church, this is at the same time both an insult and an injustice. The few excellent foreign prelates present in the curia are examples of what the alternative might look like.»

The document of 1931 does not spare even the pontiffs, seeing that «since the nineteenth century the papal throne has been graced by a series of mediocre popes with the possible exception of Leo XIII.»

But in the face of this picture, what are the proposals for reform delineated by «Paulus Bernardus,» that is (perhaps) Cardinal van Rossum?

Here is how de Valk presents them, for the bishops:

«Radical changes are needed in the system of recruitment or election [of the bishops and cardinals]. The appointment of bishops should not be left exclusively to the Holy See, where generally the candidates are little known, while the information provided is often biased or unreliable.»

And for the cardinals:

«To emphasize the universal character of the Church, the sacred college should be internationalized by spreading its membership more evenly, while the number of Italian cardinals needs to be reduced drastically. The international character of the Roman curia as a whole should be promoted. Next, the so-called 'loca cardinalitia' must be abolished. Only real princes of the Church, known for their outstanding qualities, should be raised to the scarlet: that is, learned, pious and zealous men, who know the world, are experienced, well-informed and therefore able to act as real counsel to the pope.»

As for the governance of the universal Church, the anonymous drafter of the document complains that «the pope, the secretary of state or his substitute decide everything, thus providing them with a workload humanly impossible to finish. Combined with the ever-growing amount of business and the exaggerated propensity for secrecy, this can only result in delaying even the most urgent affairs.»

Among the remedies, the document of 1931 expresses the hope that «more space, therefore, should be given to the time-honoured system of the collegial govermnent.»

Moreover, the curial staff «should be increased by adding internationally selected experts, so that they can act and react quickly; new channels of communication will be opened up as well, to prevent that only one-sided and biased information reaches the Holy See. In this way, the state of affairs in the universal Church can be monitored more closely and it will be easier to communicate with the bishops, leading and admonishing them if necessary.»

This is a matter of proposals for reform that now date back to more than eighty years ago. Vatican Council II made some of them its own.

For his part, de Valk writes that Paul VI in 1967 and John Paul II in 1988 with their restructurings of the Roman curia «have indeed carried out several of these reforms» called for in the document of 1931.

Many, but not all. Will it be Pope Francis who realizes those which are lacking?

The book:

«Suavis laborum memoria. Church, Papacy, Roman Curia between History and Theology. Essays in honor of Marcel Chappin SJ on His 70° Birthday», edited by Paul van Geest – Roberto Regoli, Archivio Segreto Vaticano, Città del Vaticano, 2013, pp, 618, euro 35.00.

Pages 183-205 of the book with the essay by Hans de Valk are entitled: «'Some matters that should be improved in the government of the Church.' A remarkable proposal for the reform of the Roman curia, 1931.»





quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cerca de 15 mil prefeitos recusam
celebrar «casamentos» de invertidos


O porta-voz da organização Prefeitos pela Infância («Maires pour l’Enfance»), Franck Meyer, assegurou que pelo menos 14 900 prefeitos franceses recusarão «celebrar matrimónios entre duas pessoas do mesmo sexo», perante a possível aprovação em França.

O matrimónio civil entre um homem e uma mulher é ameaçado pelo projecto de lei do «matrimónio para todos», promovido pelo governo socialista de François Hollande, assim como a adopção por parte de casais de invertidos.

Em declarações à imprensa, Franck Meyer, também prefeito de Sotteville-sous-le-Val, no Norte da França, assinalou em 5 de Abril que «é ilusório pensar que a mobilização dos (prefeitos) eleitos irá parar se a lei for aprovada».

«Como cidadãos, as autoridades eleitas não ficarão de braços cruzados. Alguns de nós já anunciaram a sua renúncia no caso da adopção da lei. Outros dizem que se negarão a casá-los», advertiu.





terça-feira, 23 de abril de 2013

Vaticano: Papa critica
«arrivistas» na Igreja

O Papa Francisco alertou hoje no Vaticano para o que denominou como «arrivistas» na Igreja, convidando os católicos a serem «humildes, pobres e mansos».

«Nas comunidades cristãs há estes arrivistas, não? Procuram o seu e, consciente ou inconscientemente, fingem para poder entrar (na Igreja), mas são ladrões e salteadores», disse, na homilia da missa que celebrou na capela da Casa de Santa Marta.

Segundo o Papa, estas pessoas «roubam a glória a Jesus» por procurarem «a sua própria glória», numa religião «de negócio», em que as pessoas apenas se elogiam umas às outras.

«Estes não entraram pela verdadeira porta: a porta é Jesus e quem não entra por esta porta engana-se», observou.

Francisco apresentou as «bem-aventuranças» como a marca distintiva da vida dos católicos e deixou um pedido directo a cada um dos presentes: «Sê humilde, pobre, manso, justo».

«Alguém poderá dizer: ‘Padre, você é fundamentalista’. Não, isto é simplesmente o que disse Jesus: ‘Eu sou a porta’, ‘eu sou o caminho’, para dar-nos a vida», acrescentou.

Para o Papa argentino, esta é uma porta que «não engana, não é falsa» e mostra a verdade «com ternura, com amor».

«Por vezes (a porta) está fechada: nós estamos tristes, desolados, temos problemas em bater à porta. Não procuremos portas que parecem mais fáceis, mais confortáveis, mais à mão, mas sempre esta: Jesus», acrescentou.

Francisco considerou, por isso, que é necessário rejeitar a «tentação de procurar outras portas ou janelas para entrar no Reino de Deus», porque todos os que procuram «entrar pela janela» são «ladrões e salteadores».

Neste contexto, prosseguiu, quem quer «fazer proveito para si próprio» é alguém que «quer sair» da Igreja.





segunda-feira, 22 de abril de 2013

Há 50 anos
O Papa João XXIII alerta os jovens
portugueses para «os graves perigos»
da humanidade


O Papa escreveu uma mensagem aos jovens portugueses onde os alerta para os «graves perigos» dos homens, a ponto de esquecerem «a sua origem e o seu fim».


O Papa escreveu uma mensagem aos jovens portugueses onde os alerta para os «graves perigos» dos homens, a ponto de esquecerem «a sua origem e o seu fim».

A mensagem lida no dia 21 de Abril de 1963, no antigo Estádio José Alvalade, no grande encontro da juventude que reuniu mais de 50 mil jovens católicos, referia também que existia um sentimento de alegria «pelo interesse» dos jovens por «aprofundar o estudo da doutrina social da Igreja» e pela solicitude em fazê-la «penetrar, como fermento vivificante, nas estruturas da sociedade».

Na celebração do encontro de jovens, presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, o prelado afirma que «juventude que escolhe Deus é promessa de ideal heróico na fidelidade à verdade, ao bem, à justiça, ao amor» (Revista Estudos, órgão do Centro Académico de Democracia Cristã, Maio de 1963, N.º 417).

O Cardeal Cerejeira revelou também aos milhares de jovens que a Igreja e Portugal reviam-se na juventude «com orgulho» porque ambos [Portugal e a Igreja] a formaram, «um na sua ascendência histórica, outra na sua alma». E acrescenta: «Ao contemplar esta juventude nova, os dois repetem: como é bela».

Quando o episcopado português convocou os jovens para o encontro, convidando-os «à aventura heróica» da construção dum Portugal «mais rico, mais humano, mais cristão», a juventude respondeu afirmativamente o que levou D. Manuel Gonçalves Cerejeira a declarar: «E vós, ó nova Ala dos Namorados, puseste-vos em marcha, enchendo todos os caminhos de Portugal, para vir responder… os novos escolhem Deus».

No encontro magno da juventude portuguesa, o cardeal patriarca pediu também aos jovens para bendizerem a ciência que «repensa o pensamento de Deus, tudo o que foi criado é imagem do Verbo». Se o mundo «fosse absurdo, obra do acaso cego e arbitrário, sem inteligência criadora e ordenadora, como poderia a própria ciência existir?», questionou e acrescentou de seguida: «a ciência, ainda quando não afirma Deus, supõe-no».

Ao fazer referência ao pensamento moderno que se foi «afastando progressivamente de Deus», desde «Kant a Karl Marx, acabando no niilismo intelectual e moral do materialismo», o bispo de Lisboa realça: «o ateísmo nega Deus, mas igualmente a pessoa humana».

Em relação ao mundo do trabalho, o prelado português disse aos jovens que «não vos bastará ser cristãos fervorosos; será preciso que sejais também cientificamente competentes, tecnicamente capazes e profissionalmente peritos».

A «maior parte» da juventude de «todos os países do mundo» procura «em Deus luz de orientação, segurança de doutrina, paz de consciência, justiça e caridade difundidas em qualquer ordem e sector da convivência humana», escreveu o Papa. Por sua vez, D. Manuel Gonçalves Cerejeira disse à juventude presente no antigo Estádio de Alvalade que esta, ao escolher Deus, «salva ao mesmo tempo, a razão, a esperança e a liberdade».