sexta-feira, 27 de maio de 2016


O cardeal Canizares denuncia a aliança

contra a família do império dos invertidos,

feminismo e classe política



El cardenal y arzobispo de Valencia, S.E.R Antonio Cañizares, defendió ayer el «bien precioso de la familia cristiana» al tiempo que ha lamentó que en los últimos años «ha asistido a una importante escalada contra la familia por parte de dirigentes políticos, ayudados por otros poderes como el 'imperio gay' y ciertas ideologías feministas».

En una misa celebrada en el Pontificio Instituto Juan Pablo II de Valencia, Cañizares recordó a Benedicto XVI cuando, antes de su llegada a Valencia en el 2006 para el quinto Encuentro Mundial de las Familias, animó a todos los pueblos a «no ignorar el bien precioso de la familia» fundada sobre el matrimonio.

El cardenal dijo a continuación que ese llamamiento papal sigue siendo especialmente necesario en España, que en los últimos años «ha asistido a una importante escalada contra la familia por parte de dirigentes políticos, ayudados por otros poderes como el 'imperio gay' y ciertas ideologías feministas». Y añadió

«España ocupa uno de los últimos lugares de Europa en política familiar; junto con Grecia es el país con más bajo índice de natalidad, donde la población juvenil ha decrecido más en los últimos veinte años; y donde más se ha incrementado el número de abortos, las rupturas matrimoniales y las uniones de hecho»

En cuanto a la próxima aprobación en la Comunidad Valenciana y en otras regiones de una ley que formenta «la ideología de género», el prelado opinó que se trata de «la más insidiosa que ha habido en toda la historia de la humanidad».

Todo ello, a su juicio, provoca que se esté socavando «el núcleo central de toda sociedad, que es la familia, ámbito inigualable de la solidaridad y escuela de convivencia pacífica que merece toda tutela y ayuda para cumplir su cometido». Ante esta situación, el cardenal indicó que la Universidad Católica de Valencia «no puede permanecer inerte en absoluto» a estos «ataques», sino que toda la comunidad universitaria «debe trabajar por la familia, ya que es ahí donde está el futuro del hombre y de la humanidad».





quinta-feira, 26 de maio de 2016

quarta-feira, 25 de maio de 2016


«Toda a Vida tem Dignidade»



Para: Assembleia da República


Uma Sociedade baseada no Estado de Direito e no respeito pelos Direitos Humanos Fundamentais não pode ignorar nem calar-se perante as tentativas de ameaça ao Direito à Vida, de ameaça à Dignidade, e ameaça à Vida concreta de cada homem e de cada mulher. 

Assim, considerando: 

1 – Que a Vida Humana é o primeiro dos Direitos Fundamentais, donde decorrem todos os outros direitos, e que ela é inviolável, inalienável, indisponível, que esse é um valor estruturante da vida em sociedade e isso não depende de ideologias nem da decisão de um outro; 

2 – Que cabe ao Estado, como guardião dos Direitos Humanos e da Dignidade Humana, garantir e defender a Vida de todos os seres humanos, em quaisquer circunstâncias; 

3 – Que só se contribui para uma cultura construtiva e de solidariedade com opções claras em favor da Vida de cada homem e de cada mulher, como Bem superior que a todos importa, numa visão que entende que o exercício da Liberdade individual não pode ser uma afirmação de individualismos perigosos; 

4 – Que a eutanásia é sempre um homicídio apoiado pelo Estado (pretensamente através de algum profissional de saúde) ou um suicídio assistido pelo Estado, e que a este não cabe criar o direito de alguém ser morto por outrem, nem validar esta opção como legítima perante o colectivo; 

5 – Que o exercício da Liberdade e a vida humana comporta em si mesmo perdas e sofrimentos que, numa sociedade solidária, devem ser acautelados, devidamente prevenidos e evitados e, caso ocorram, serem apoiados pelas famílias, pela Sociedade e pelo Estado a fim de não se tornarem disruptivos para o individuo; 

Considerando,


6 – Que a solidão, a vulnerabilidade e as fragilidades se combatem com políticas sociais efectivas, com apoio e a promoção activa de esperança; 

7 – Que a doença, a dor e o sofrimento associados têm remédios a que todos devem ter acesso e que tais circunstâncias em nada diminuem a Dignidade da Vida Humana, nem lhe retiram qualquer valor; 

8 – Que em Portugal são ainda insuficientes as políticas de combate à exclusão de idosos e incapacitados, os apoios concretos às famílias para suporte dos mais debilitados, as respostas adequadas para o sofrimento dos doentes em estado terminal, nem existem informação e formação suficientes ao dispor da população sobre este tema; 

Entendemos e peticionamos à Assembleia da República que, usando dos poderes ao seu dispor, adopte as seguintes providências: 

1. Legisle no sentido de reforçar e proteger o valor objectivo da Vida Humana, garantindo, tal como previsto no art.º 24.º da Constituição Portuguesa, a sua inviolabilidade, independentemente das circunstâncias em que se encontre. 

2. Promova uma política mais eficaz de combate à exclusão de idosos e incapacitados, nomeadamente através de apoios concretos às Famílias. 

3. Recomende ao Governo, a extensão a toda a população e território português dos Cuidados Continuados e Paliativos, o reforço da formação dos profissionais de saúde nas questões de fim de vida, assim como o reforço de meios à disposição das unidades já existentes, garantindo os meios necessários a todos aqueles que deles necessitam. 

4. Rejeite toda e qualquer proposta que vá no sentido de conferir ao Estado o direito a dispor ou apoiar a eliminação de Vidas Humanas, ainda que com o alegado consentimento da pessoa. 

As sociedades dizem-se tanto mais modernas e avançadas quanto melhor valorizam e tratam os seus elementos mais vulneráveis. 

Desta forma, contribuiremos todos para um Portugal mais humano e mais moderno, um Portugal mais Livre e onde Toda a Vida Tem Dignidade. 

Lisboa, 13 de Maio de 2016








segunda-feira, 23 de maio de 2016


Kinsey, um inspirador da decadência sexual


Américo Brito Vitorino

Poucos são os políticos que estudam as ideias politicas que suportam os movimentos políticos e sociais.

Kinsey e o «Relatório Kinsey» é uma das bases ideológicas dos movimentos LGBTT e de muitos outros movimentos amorais e políticos que tem sido protagonizados em Portugal pelo Bloco de Esquerda (onde existe desde sempre um activo núcleo LGBTT) e cujas ideias tem encontrado eco em políticos de outros partidos e infiltrado muitas organizações.

Kinsey é um dos fundamentos ideológicos porque cada vez mais se fala de sexo e de género na politica portuguesa e para as últimas alterações legislativas.

O doente invertido doutor Kinsey
Aqui fica a ideologia de género de Kinsey:

A tese de Kinsey coloca todos os actos sexuais ao mesmo nível moral, social e biológico, dentro ou fora do casamento, entre pares do mesmo sexo ou de sexo diferente, com crianças e até com animais.

Kinsey defendeu que todos os comportamentos sexuais que se consideravam desviantes eram normais e, em particular, que o comportamento exclusivamente heterossexual era anormal e fruto de inibições culturais e condicionamentos sociais.

Kinsey defendeu e praticou a actividade sexual livre (não só com pessoas) e abominou a distinção entre homem e mulher, diferença que, para Kinsey, não estaria determinada pelo sexo, mas sim pela cultura.

Segundo Kinsey, as relações sexuais entre os animais eram um modelo para o comportamento sexual humano. A única diferença residia no facto de os animais actuarem sem inibições, as quais eram impostas pela sociedade aos seres humanos para impedir um «comportamento sexual natural» iniciando assim a fundamentação do movimento em prol de um novo comportamento sexual natural enquanto outros, e por outras razões, humanizam os animais.

Kinsey afirma que: «Levar a cabo qualquer tipo de actividade sexual é libertar-se do condicionamento cultural que a sociedade impõe, e que leva a fazer distinções entre o que é bem ou mal, entre o lícito e o ilícito, entre o normal e o anormal, entre o aceitável e o inaceitável na nossa sociedade».

No livro de Kinsey, todos os «desafogos sexuais» são aceitáveis e normais, embora a bissexualidade pareça surgir como a mais equilibrada de todas as orientações por incluir as actividades heterossexuais e as homossexuais.

Kinsey empenhou-se em fazer desaparecer do catálogo das doenças patológicas a homossexualidade tendo em 17 de Maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirado a homossexualidade da lista de doenças do Código Internacional de Doenças.

Pugnou por liberalizar as leis e reduzir as penas relacionadas com os crimes sexuais, processo este que continua em curso nas democracias ocidentais.

Mas Kinsey também defende a naturalidade do incesto e da pedofilia e para tentar provar que as crianças podiam ter actividade sexual desde o seu nascimento serviu-se de uma metodologia que implicou abusos sexuais cometidos de modo continuado em mais de 300 crianças menores de 2 meses, em sessões que chegavam a durar mais de 24 horas.

Kinsey defendeu a ideia de que as crianças deviam ser livres e autónomas para decidir por elas mesmas por que tipo de actividade sexual queriam enveredar, sem qualquer tipo de restrições ou regulações por parte do Estado ou dos pais.

Para tentar suportar esta afirmação, Kinsey baseou-se em entrevistas feitas a pedófilos, os quais «por serem adultos, eram capazes de reconhecer e interpretar as suas experiências com as crianças».

Em 1981, a dr.ª Judith Reishman pôs a descoberto, no 5.º Congresso de Sexologia de Jerusalém, o abuso sexual usado como método nos estudos de Kinsey.

Em 1990, Reishman e Edward W. Eichel publicaram «Kinsey, sexo e fraude», um livro que evidencia os horrores do Relatório Kinsey.

Kinsey é a suposta «justificação científica» do incesto e da pedofilia.

Kinsey afirmou que o problema da actividade sexual entre adultos e crianças era «a histeria e a super-protecção por parte dos pais e autoridades»; pensava que «as crianças precisavam da ajuda dos adultos para desenvolver técnicas sexuais efectivas e que, portanto «a sociedade devia reflectir isto, alterando os seus códigos morais».

Kinsey defendia que «se estas relações sexuais forem levadas a cabo em circunstâncias adequadas, ou seja, se o adulto sente genuinamente afecto pela criança tal como sentiria um pai ou outro parente, tais relações poderiam ser uma experiência saudável para a criança (…). Os resultados são desfavoráveis só quando as autoridades públicas ou os pais fizeram crer à criança que este comportamento é imoral ou incorrecto».

Wardell Pomeroy, co-autor do Relatório Kinsey, escreveu que a investigação de Kinsey descobriu «muitas relações agradáveis e satisfatórias entre os pais e as filhas». Ele mesmo afirmou que «o incesto entre adultos e crianças pequenas também podia ser uma experiência satisfatória; as relações incestuosas podem ser boas e, frequentemente, o são».

Um outro colaborador de Kinsey e pioneiro da educação sexual, Lester Kirkendall, escreveu em 1985 ; «que uma vez que o nosso sentido de culpabilidade diminua, as relações sexuais entre crianças e adultos e outras formas de expressão sexuais tornar-se-ão legítimas».

A este respeito no seu livro de educação sexual, «Crianças e sexo», defendeu as possíveis «relações sexuais» entre crianças e animais.

Kinsey reconheceu que algumas das suas experiências sexuais implicaram o uso da força física com os participantes não voluntários: «As crianças reagiram às manipulações sexuais por parte dos adultos de diversas maneiras: retorciam-se, gritavam horrivelmente, tinham violentas convulsões, grandes tremores e/ou experimentavam dores horríveis».

Segundo Paul Gebhard, colaborador do «Relatório Kinsey», os investigadores sabiam que as experiências eram ilegais: «Nós sempre insistimos para que fosse mantida a confidencialidade mesmo quando era amoral no melhor dos casos e criminoso no pior deles. (…) Um exemplo de criminalidade é a nossa renúncia em cooperar com as autoridades para apanhar um pedófilo que estava a ser procurado por um assassinato sexual com violação».

De Kinsey existem cartas de agradecimento dirigidas ao oficial nazi Fritz von Balluseck, pelos seus relatórios acerca das suas actividades de pederastia, advertindo-o, porém, para que «se precavesse de ser surpreendido durante as mesmas».

Uma das conclusões do suposto estudo que mais se difundiram é que 10% da população seria homossexual. Para além do facto do Relatório Kinsey não dar este dado quantitativo, (o qual procede antes da manipulação mediática de organizações e instituições partidárias da homossexualidade), o verdadeiro dado fornecido por Kinsey relativamente a pessoas exclusivamente homossexuais era de 4% da população.

Se por um lado, a amostra estatística usada continha presidiários e ex-presidários, violadores, exibicionistas, pedófilos, proxenetas, prostitutas e homossexuais, por outro lado Kinsey levou a cabo experiências aberrantes com centenas de crianças, com idades entre 2 meses e 15 anos.

Contudo, os números fornecidos pelas investigações sérias mais recentes situam-se muito abaixo de 1% da população; estas investigações demonstram que considerar uma percentagem pré-estabelecida implicaria uma série de afirmações contrárias aos postulados ideológicos do lobby LGBTT.

Kinsey é já Hollywood e a base de algumas alterações politicas e legislativas em Portugal...






E se fosse connosco?


Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 22 de Maio de 2016

Parece que a SIC exibe regularmente um programa chamado E Se Fosse Consigo?, que segundo os autores «testa a capacidade de intervenção dos portugueses na defesa do outro, a partir de situações ficcionadas». O problema é que nem todas as situações até agora ficcionadas exigem intervenção alheia, de portugueses ou de quem calha. Que eu visse — e não vi tudo dado passar imenso tempo à procura do «outro» para defender —não há simulação de terramotos, guerras, terrorismo islâmico, Rock in Rio ou calamidades afins. Há, ao que pude espreitar no site da estação, o tipo de comportamentos patetas que inspiram as almas sensíveis a fomentar a denúncia ao Estado, o Estado a produzir leis, as leis a legitimar um observatório e duas comissões de protecção (ou metade de um ministério).


Trata-se, claro, da «agenda» própria da época, que segrega bem segregadinhos os «oprimidos» (mulheres, gays, minorias étnicas, pobres, obesos, etc.) e os «opressores» (machos brancos, de preferência endinheirados) por categorias rígidas, num processo de simplificação que oscila entre o atraso mental e o puro preconceito. E, algures no meio, os tiros nos pés: parafraseando a Helena Matos, quantas apresentadoras da SIC são gordas, aborígenes, lésbicas e habitam um T2 de renda técnica em Chelas?

Num dos «casos» transmitidos, sobre o (atenção: aproximação de linguagem «especializada») bullying, três crianças aliviam a mochila de uma quarta e, enquanto lhe chamam «princesa», atiram-lhe os cadernos ao chão. Desde Treblinka que não se via semelhante drama humano. A SIC, porém, entende que tamanha irrelevância é de uma gravidade extrema, ou pelo menos a suficiente para que cada transeunte «consciente» (os restantes são uns bandalhos) ajude a vítima, a qual, se não for completamente choninhas, acabará ainda mais enxovalhada. Noutro «caso», uma senhora reclama, sem grande convicção (os «actores» não foram exactamente recrutados na Julliard), das intimidades de um casal homossexual na paragem de autocarro.

Mas o episódio de que se fala tenta exemplificar, evidentemente sem o conseguir, a violência no namoro. Num parque, um casal heterossexual (os homossexuais não têm desavenças) discute a propósito de um telemóvel. O rapaz encarrega-se do berreiro (as raparigas nunca levantam a voz) e das agressões, cujo alvo é um banco de jardim. A cena é tão ridícula e mal interpretada (?) que, naturalmente, leva quase todos os transeuntes a passar ao largo, com receio de interferirem nas filmagens de Morangos com Açúcar. Uma senhora, porém, atira-se de cabeça para o vórtice da discussão: coincidência das coincidências, é a dona Catarina do Bloco de Esquerda, que oferece ajuda à rapariga (o banco só se salvaria pela nacionalização imediata) e descarrega um sermão em cima do rapaz. O rapaz, com auricular e vontade de rir, olha para a dona Catarina. A dona Catarina olha para a câmara e dá o aval à coisa. A SIC exibe-a. O país descobre uma heroína.

Não pretendo insinuar que a SIC manipula o entretenimento de modo a favorecer políticos da sua simpatia, e que a dona Catarina participou na encenação. Pela seriedade com que engole as cabeludas patranhas que lhe põem à frente, apenas verifico que a credulidade dela em matérias políticas, económicas e sociais se estende aos pormenores do quotidiano. Subiu na minha consideração, perdão, comiseração.

De resto, na melhor das hipóteses, E Se Fosse Consigo? é uma alternativa particularmente infantil aos velhos «apanhados» de Joaquim Letria, e uma promoção da bisbilhotice, virtude que dispensaria incentivos. Na pior, procura consagrar o rol de «causas» admissíveis, e assim depreciar problemas autênticos ou complexos ou inconvenientes. Duvido, por exemplo, que venha a haver um episódio dedicado às vítimas do socialismo, os infelizes que, espezinhados pela prepotência dos poderes públicos, começam a ver o caso (sem aspas) malparado. São muitos, esperam alguém que os ajude e sabem que não será a dona Catarina. E se fosse consigo? É connosco.







Apelo sobre a Justiça em relação

ao caso Brandão Ferreira vs Manuel Alegre

e os comentários de um combatente

e de uma poetisa


À consideração de Sua Ex.ª o Presidente da República:

Justiça estranha em Portugal
Caso Brandão Ferreira versus Manuel Alegre

Juntam-se quatro anexos, sendo todos referentes a um caso da queixa de Manuel Alegre contra o tenente-coronel Brandão Ferreira. Depois do julgamento e do recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa, este publicou um acórdão em que se confirma a sentença da 1.ª instância, com absolvição deste militar (Anexo I). Salienta-se que no final é assinado em 26-02-2015, pelo juiz desembargador Dr. Carlos Benido, posteriormente jubilado.

A revista «Sábado» de 03-03-2015, deu o destaque ao sucedido. (Anexo II)

Mais de um ano depois, nesta 2.ª quinzena de Maio de 2016, surge uma notícia no «Público» de 17-05-2016, assinada pela jornalista Natália Faria (Anexo III), onde dois outros juízes tomam a decisão oposta à primeira.

O comentador Teixeira da Mota nesta data (20-05-2016), publica no «Público» um artigo de opinião onde avança com o ocorrido, dizendo que a decisão e a fundamentação dos dois últimos juízes é absurda e muito difícil de se perceber! (Anexo IV).

Quanto ao sucedido neste Tribunal apenas o caracterizo como inaceitável e inadmissível, sendo tal elucidado pelos referidos anexos.

Em relação à escrita da jornalista Natália Faria, considero feita com falta de ética profissional, pois em relação a um oficial que tem colaborado com o jornal era no mínimo exigível que fosse ouvido sobre a mesma. E que não fosse praticada a técnica da omissão para beneficiar Manuel Alegre perante a opinião pública. Como «salta à vista», para esta jornalista, o primeiro acórdão do Tribunal da Relação não existiu! E dois dias depois, o «Correio da Manhã» (19-05-2016) «embarca» nesta notícia com um texto intitulado «Jornalista absolvido e militar condenado».

Também convém lembrar que não se pode rotular alguém de ex-militar, pois quem entra para o quadro das Forças Armadas, normalmente apenas sai com a sua morte. O tenente-coronel Brandão Ferreira depois de sair do serviço activo, passa (passou) para a situação de reserva e finalmente de reforma, continuando sempre a ser militar. Isto sucede na maioria dos países civilizados. Na internet circula um vídeo com a significativa cerimónia que se realiza nos EUA, no falecimento de um militar.

Na qualidade de militar que prestou serviço cerca de uma dezena de anos nos ex-tribunais militares de Lisboa (Promotor de Justiça, e juiz vogal e presidente) apelo a sua Excelência o Presidente da República, desta maneira pública, para que nas suas funções de Comandante Supremo das Forças Armadas consiga normalizar tal incrível situação, de acordo com a Lei, e a sua conclusão seja feita de forma célere e naturalmente efectivada no Supremo Tribunal de Justiça.

20-05-2016Coronel (Ref.) 
Manuel Bernardo


Caríssimo:

Concordo plenamente não só com a exposição, como com toda a fundamentação com que, como sempre bem, sustentou a defesa da condição militar do Exm.º Senhor tenente-coronel Brandão Ferreira que não poderá nunca permitir a capciosa denominação de ex, esta passível de indiciar quem desrespeitando ou deslustrando a Instituição Militar incorreu em situação que levou à sua expulsão da mesma.

Concordo ainda com a nítida falta de ética da dita jornalista que se presta a escrever uma peça pouco sustentada não se dando ao cuidado e à obrigação deontológica – de ouvir um colaborador do órgão de informação em que ambos escrevem.

Quanto ao passado de ambos os opositores nesta questão – o Exmº Senhor tenente-coronel na situação de reforma Brandão Ferreira e Manuel Alegre, o passado de ambos e as atitudes praticadas pelo segundo nos idos anos das Guerras do Ultramar, em que os homens da nossa geração cumpriram serviço, recordados pelo primeiro em anos recentes, são para mim claros e suficientemente gravosos para merecerem o repúdio daqueles que lutaram pela Pátria, sem pensar nos seus interesses, nas suas ambições, ou nas suas certas ou erradas opções políticas.

Daqueles que se limitaram humildemente a Servir a Pátria pensando nela antes de pensarem – ou afirmarem que pensaram – mudar-lhe as formas de governo. Certamente por terem compreendido que, nas encruzilhadas históricas em que os interesses mundiais dos novos impérios em formação põem em risco as Pátrias, o primeiro dever dos seus cidadãos é defendê-las em vez de atacarem os respectivos governos, sobretudo quando se dispõem a fazê-lo colaborando com os inimigos que as atacam e colocando, com essas acções, em risco os seus compatriotas.

A designação dada a quem tal faz – ajudar os inimigos duma Nação ou de um Estado a combater ou levar à morte os cidadãos dessa Nação e desse Estado, neste caso os Portugueses – sempre foi a de traidores. É assim em todo o mundo. Foi sempre assim ao longo dos séculos e dos milénios.

Se os enquadramentos jurídicos alterados ao sabor dos tempos, dos interesses e da vontade de grupos de intervenientes se despirem das fundadas acusações para se vestirem de pseudo heróis, lhes permite esse «travestimento», ou se se divide em tão díspares decisões que permite a desonestos manobradores das letras impressas vestirem-nos de vítimas e de pseudo santos idolatrados, é uma circunstância triste.

Circunstância que, no entanto, nunca poderá limpar, ou apagar, as miseráveis atitudes dos que decidem por esta ou aquela razão juntarem-se aos que combatem os seus compatriotas.

Subscreverei em qualquer altura que entenda qualquer texto em que, repito, bem como sempre, decida defender a Honra e a Dignidade do Exm.º Senhor tenente-coronel Brandão Ferreira, como a de todos aqueles que lutaram por Portugal contra aqueles que o atacavam.

Estarei sempre ao seu lado na sua preocupada e constante vontade de que se defenda a Justiça que os que serviram a Pátria merecem em vez de permitir o injusto e indigno relaxamento cívico que permite que sejam desvalorizados, atacados ou condenados.

Um grande abraço do
João Alarcão





domingo, 15 de maio de 2016


A verdadeira Cristas num partido

que se pretende democrata-cristão








A filha de Stalin converteu-se

ao catolicismo ao visitar Fátima


«Fui acolhida nos braços da Virgem Maria, a quem nunca me havia habituado a chamar pelo seu nome», conta Svetlana Iosifovna Allilueva, filha do genocida comunista Stalin.


«He dejado de esperar poder liberarme algún día de la etiqueta ‘hija de Stalin’. No puedes llorar tu destino, aunque lamento que mi madre no se casara con un carpintero». Estas son las palabras pronunciadas, en una de sus últimas entrevistas, por Svetlana Iosifovna Allilueva, hija de Joseph Stalin y de su segunda mujer, Nadezhda Allilueva.

Svetlana nació en 1926, cuando su padre era ya secretario general del Partido comunista soviético. La madre murió seis años después, oficialmente de peritonitis pero casi seguramente por suicidio, en la noche del 8 noviembre de 1932. Ella vivió esporádicamente con sus padres (aunque era la preferida de su padre Joseph) y creció con una niñera.

La inocencia perdida

Sin embargo, ella cuenta que siempre fue mimada por el padre, el cual a veces se sentaba para ayudarla en las tareas y cenar con ella y con sus amigos, hijos de los colaboradores. En la escuela era tratada como una «zarina», un compañero suyo de clase recordaba que su banco brillaba como un espejo, el único que estaba pulido. Durante las purgas, cada vez que los padres de sus compañeros eran arrestados, estos eran cambiados de clase, para que ella no entrara en contacto con los «enemigos del pueblo».

Luego, las relaciones con su padre se deterioraron cuando ella tenía 16 años, sea porque Stalin hizo «desaparecer» a dos tíos a los que ella estaba muy unida, sea porque encontró un documento reservado sobre el suicidio de su madre, que le había sido ocultado. «Algo dentro de mí se destruyó», recordaba. «Ya no volvía a ser capaz de respetar la palabra y la voluntad de mi padre».

Poco después, de hecho, se enamoró de un director de cine judío de 40 años, Aleksei Kapler, que, con una excusa, fue condenado por Stalin a diez años de exilio en una ciudad siberiana, pues desaprobaba su relación. A los 17 años se casó con Grigory Morozov, un compañero de estudios, también judío, tras recibir el permiso – de mala gana – del padre («Es primavera. Si quieres casarte, hazlo, vete al infierno», fue su reacción), quien nunca quiso ver al esposo.

«Sofocado por la muerte»

En 1945 tuvieron un hijo, Joseph, pero se divorciaron en 1947. Dos años después, Stalin combinó su segundo matrimonio con Yuri Zhdanov (hijo de un colaborador suyo), pero también este matrimonio – del que nació su hija, Yekaterina – naufragó casi en seguida.

En 1953, Svetlana asistió a la muerte de su padre. La describió así: «La agonía era terrible, fue literalmente sofocado por la muerte. En el que parecía ser el último instante de vida, abrió de repente los ojos, arrojando una mirada sobre los presentes en la habitación, una mirada terrible, alocada o quizás de rabia, llena de miedo. Después, de repente, levantó la mano izquierda. El gesto era incomprensible, parecía de amenaza. Murió al instante siguiente». Muchos hablan de muerte por envenenamiento, y hay quien sospecha incluso de Svetlana.

Después de la muerte del padre, ella asumió el apellido de la madre, Allilueva, y trabajó como profesora y traductora en Moscú. En 1963 vivió con un político comunista indio de nombre Brajesh Singh, hasta el día de la muerte de él. Con ocasión de ello se traslado a la India, sumergiéndose en las costumbres locales y abandonando el ateísmo en el que había sido educada por su padre y por la sociedad soviética. Se bautizó en la Iglesia ortodoxa rusa y, tras un encuentro con el embajador americano en Nueva Delhi, decidió huir a Estados Unidos, donde obtuvo asilo político, viviendo bajo la protección de los servicios secretos.

Fátima, la clave

La conversión al catolicismo llegó gracias a su relación con el monasterio carmelita de Friburgo, donde estuvo oculta durante un mes, y a continuación, a su amistad con el padre Garbolino, un sacerdote italiano de Pennsylvania, que la invitó a ir en peregrinación a Fátima con ocasión del 70.° aniversario de las apariciones.

«En 1969 el padre Garbolino vino a visitarme a Princeton, entonces yo era divorciada e infeliz, pero él, como buen sacerdote, siempre encontró las palabras adecuadas y me prometió rezar por mi», escribió la mujer, que en aquel momento se había apasionado por los libros de Raïssa Maritain, mujer rusa de Jacques Maritain, también ella convertida al catolicismo tras haber sido criada en el judaísmo y en el ateísmo.

Tras haber escrito dos autobiografías – que se convirtieron en best-seller –, en las que denunció a su padre como un «monstruo» y atacaba a todo el sistema soviético –, entre 1970 y 1973 se unió en (tercer) matrimonio con William Wesley Peters, del que se separó cuatro años después. De esa unión nació Olga. Asumió el nombre de Lana Peters y en 1982 se transfirió a Cambridge, Inglaterra donde, con ocasión de la fiesta de Santa Lucía, pidió y obtuvo el bautismo católico. En cierto momento, contaba la propia Svetlana, incluso se planteó la posibilidad de ser monja. Tras una breve permanencia en la Unión Soviética (desencantada de Occidente) y en los Estados Unidos, volvió al Reino Unido hasta el 2009.

La correspondencia con el sacerdote católico inglés que la acogió en la Iglesia católica el 13 de diciembre de 1982, que vio la luz ya después de su muerte, revela la profundidad de su fe cristiana. «Gracias y de nuevo gracias», escribía al sacerdote pocos días después del bautismo. «Gracias por haber abierto esta puerta para mí. No puedo describir la oscuridad de los últimos años, y la gran paz interior que me posee ahora».

«Fui acogida en los brazos de la Virgen María»

El 7 de noviembre de 1982, antes de su bautismo, describió su «constante y persistente admiración por la Iglesia de Roma» y el deseo «de estar allí».

«Como una brújula gira siempre hacia el Polo Norte, yo sigo girando todo el tiempo hacia la misma dirección: Roma. Acudo a la misa en Cambridge, miro a los mártires ingleses y a la Virgen, observo la vuelta de los fieles a sus asientos, tras haber recibido la Comunión: miro los rostros limpios de la gente. Me gusta ver esa transformación tan visible».

La misma fe se ve también diez años más tarde, en una carta del 7 de diciembre de 1992, en la que cuenta que acudía cotidianamente los sacramentos y la iglesia carmelita de Kensington Church Street, al oeste de Londres. «Me siento fuerte y más fuerte después de estos 10 años, estoy en el lugar justo». La última carta al sacerdote está fechada el 23 de enero de 1993.

En el libro «The Last Words», dedicado a su amigo sacerdote, Svetlana hablaba de la abuela paterna, que mandó al joven Stalin al seminario ortodoxo de Tbilisi, en Georgia. «Pienso que todos los problemas y la crueldad de mi padre, la inhumanidad de su partido, fueron causadas por la abolición del cristianismo», escribió. «Sus problemas comenzaron cuando abandonó el seminario a la edad de 20 años. Fue entonces, justo entonces, cuando su joven alma dejó de combatir el mal, y fue aferrada por el Mal, que nunca la abandonaría».

«Recé a Dios por primera vez a los 36 años, pidiendo que curara a mi hermano Vasilij», escribió. «No sabía ninguna oración, ni siquiera el Padre Nuestro. Me bauticé como ortodoxa el 20 de mayo de 1962, tuve la alegría de conocer a Cristo, pero ignoraba casi toda la doctrina cristiana. Maduré la conversión católica durante mucho tiempo, y del catolicismo aprendí sobre todo esto: la bendición de la vida cotidiana, incluso de la acción más pequeña y oculta. Nunca había sido capaz de perdonar y de arrepentirme; hoy, como católica, soy distinta a antes, sobre todo desde que voy a misa a diario. Fui acogida entre los brazos de la Virgen María, a la que nunca me había acostumbrado a llamar por su nombre».

Svetlana Stalin murió el 22 de noviembre de 2011. Esta es la increíble historia de conversión de la hija del más sanguinario dictador de la historia, jefe del primer país oficial y políticamente ateo.


Original em: http://gaceta.es/noticias/hija-stalin-convirtio-catolicismo-visitar-fatima-30042016-1044.






Barrigas de aluguer: o testemunho de uma mãe




Catarina Nicolau Campos, Senza Pagare, 14 de Maio de 2016

Assim como chove lá fora, hoje também chove no meu coração.

No mesmo dia em que o Parlamento aprovou as «barrigas de aluguer» em Portugal. Ora o aluguer, como aprendi na faculdade de Direito, é uma forma de locação, quando esta incide sobre coisa móvel. E por locação entende-se o contracto pelo qual uma das partes se obriga a proporcionar à outra o gozo temporário de uma coisa, mediante retribuição. Só por isto poderíamos dizer, Dr. Passos Coelho: as barrigas não se alugam.

Mas a questão é bem mais radical. Em Agosto de 2010 soube que estava à espera da minha primeira filha. À espera não, porque na verdade ela já lá estava bem presente, e na segunda ecografia, com 8 semanas e picos, o coraçãozinho da Pilar já era bem audível, para sorriso rasgado do pai e lágrimas descontroladas da mãe. Durante 9 meses de enjoos, infecções sem fim, mais 26 quilos, noites sem dormir, dias inteiros só a dormir, aprendi a conviver com a minha bebé. Aprendi que sempre que ouvia os acordes de uma guitarra portuguesa, a Pilar saltava de alegria. E por isso, ao longo de 9 meses, muitas guitarradas lhe foram dedicadas. Aprendi que, sempre que me virava para dormir do lado direito, subia escadas a correr ou me enervava, a Pilar dava pontapés de insatisfação e só eu sabia disso, eu, a sua mãe. Geri toda a alimentação para que nada lhe fizesse mal, porque uma mãe quer o melhor para os seus filhos.

A barriga cresceu, o resto também, e ao fim de 9 meses percebi a relação íntima que uma mulher tem com o seu útero. E depois de uma cesariana, ficaram ainda mais visíveis as marcas físicas da passagem do ser maravilhoso que é a nossa filha pelo meu corpo. Meu corpo? Meu não, dela, porque o meu útero foi feito para lá estarem os meus filhos, e o meu peito para os amamentar. Nós mulheres, somos veículos de Vida. E quando a Pilar nasceu, acalmava-se quando a encostava ao meu coração, porque estes foram os batimentos que ela se habituou a ouvir.

A Pilar conhecia o meu cheiro e por isso, (e passados 8 meses ainda é assim), não há colo como o da mãe. E esta relação de cumplicidade, esta experiência, única e irrepetível, não se aluga, nem se compra. Assim como não se alugam e não se compram os bebés. A partir do momento em que tratamos as crianças como meros objectos, coisas, para preencher um vazio numa relação, para completar a fotografia de família ou apenas porque lhes apetece ter algo para entreter, temos crianças adoptadas que são devolvidas às instituições porque, simplesmente, não tiveram boas notas, como se fossem cães que não tivessem atingido o objectivo dos seu treinadores.

Assim, hoje, por estas crianças, e pelas que não nasceram porque não lhes foi dada sequer a oportunidade de viver, chove no meu coração.





quinta-feira, 12 de maio de 2016


O mistério dos camiões do São Carlos


Devia ter sido feito em segredo e pela calada da noite, mas o desvio de centenas de quilos de documentos da PIDE/DGS, no auge do Verão Quente de 1975, foi testemunhado pelo próprio comandante da PSP de Lisboa



José Pedro CastanheiraExpresso, 16 de Abril de 2016

Foi numa noite do Verão Quente de 1975 em que havia Conselho da Revolução. O comandante da PSP de Lisboa estava a comer no restaurante Belcanto quando um dos donos o alertou. No Largo de São Carlos, ao pé da ópera, estavam estacionados dois camiões da Armada, para onde um grupo de marinheiros ia transportando caixotes trazidos, escadas abaixo, das ruas vizinhas. Seriamente intrigado, o tenente-coronel José Aparício mandou dois dos seus homens investigar. Os volumes vinham da antiga sede da PIDE/DGS, a polícia política da ditadura, na Rua António Maria Cardoso. Assim que os camiões se puseram em marcha, foram seguidos por dois subchefes da PSP numa viatura à paisana. Quando regressaram ao Comando da Rua Capelo, os graduados contaram que os camiões foram directamente para o aeródromo militar de Figo Maduro, contíguo ao aeroporto da Portela, tendo transferido a mercadoria para um aparelho da Aeroflot, a companhia de aviação da União Soviética.

Testemunha. O coronel José Alberto Aparício, de 79 anos,
junto à antiga sede da PIDE/DGS (hoje, um condomínio de luxo)
Foi o antigo general do KGB Oleg Kalugin quem, em 1994, confirmou nas suas memórias o que há muito se suspeitava: o desvio de inúmera documentação da PIDE/DGS para Moscovo. Mais tarde, esta operação foi documentada de forma insofismável por Vasili Mitrokhin, ex-arquivista-chefe de um dos principais departamentos dos serviços secretos soviéticos. O Expresso, através do seu correspondente em Londres, Paulo Anunciação, teve acesso ao famoso arquivo Mitrokhin, que se encontra depositado na Universidade de Cambridge, onde o antigo alto funcionário do KGB pormenoriza parte do conteúdo do acervo documental desviado para a então União Soviética, num total de 474 quilos.

Não sendo capaz de datar de forma rigorosa a operação que testemunhou, o comandante distrital da PSP de Lisboa da altura, tenente-coronel José Aparício, garante ao Expresso que «foi no Verão de 1975, muito provavelmente no tempo dos governos de Vasco Gonçalves. Fiz um relatório para o Comando-Geral da PSP. Durante muitos anos guardei uma cópia desse e de outros documentos, mas que decidi destruir. Hoje, tenho pena...»

Nomeado por Costa Gomes na Assembleia do 11 de Março

José Aparício fora nomeado comandante da PSP de Lisboa logo a seguir ao 11 de Março de 1975, na sequência do malogro do golpe de Estado liderado pelo ex-Presidente da República, general António de Spínola. O oficial já estivera em comissão de serviço na PSP antes do 25 de Abril. «A primeira vez que estive na PSP foi em 1969, era capitão, num intervalo entre duas comissões» em África. A última fora na Guiné, e seguir-se-ia mais uma, em Moçambique, de onde regressou, já major, em finais de 1973. Voltou para a PSP uma semana antes do golpe dos capitães. «Estava colocado no Regimento de Infantaria N.º 10, em Aveiro. Convidaram-me para ir de novo para a PSP de Lisboa e aceitei.»

O Comando da PSP na capital estava instalado na Rua Capelo, paredes meias com o Governo Civil de Lisboa — no espaço onde foi recentemente instalado o Museu da Polícia de Segurança Pública. No 25 de Abril de 1974, o comandante era o coronel Pedro Barcelos. «Era um homem do curso do Spínola, que também estivera na guerra civil de Espanha, mas que se portou muito bem.» O major Aparício era o oficial de operações. Consumado e vitorioso o golpe dos capitães, Spínola, o novo Presidente da República, colocou à frente da PSP de Lisboa um dos seus homens de confiança, o major Casanova Ferreira, que manteve Aparício no mesmo cargo. «O Casanova não deixou que houvesse um único saneamento político na PSP.»


Envolvido no golpe spinolista de 11 de Março de 1975, Casanova Ferreira foi de imediato destituído. «Nessa noite, eu estava como habitualmente no Comando, quando fui chamado pelo general Costa Gomes.» O então Presidente da República estava no Instituto de Sociologia Militar, na Calçada das Necessidades — actual Instituto da Defesa Nacional —, onde dirigia a Assembleia do MFA. Uma reunião que passaria para a história como a «assembleia selvagem», onde foi decretada a nacionalização da banca e dos seguros e recusada a pena de morte contra os golpistas.

Aparício não estranhou o pedido de Costa Gomes. «Conhecia-o bem. Durante o período revolucionário, dava-nos muitas vezes ordens directas, passando por cima do ministro da Administração Interna, que tinha a tutela da PSP, e do próprio primeiro-ministro.» Nessa mesma noite, num intervalo da Assembleia, Costa Gomes comunicou a Aparício que seria nomeado novo comandante da PSP de Lisboa. Dependia hierarquicamente do general Pinto Ferreira, o comandante-geral da GNR, que passara a acumular com a PSP. Além disso, «passei também a despachar com o COPCON para as questões de ordem pública». Espécie de braço armado da revolução, o Comando Operacional do Continente (COPCON) era chefiado pelo general Otelo Saraiva de Carvalho. «Ia regularmente aos briefings do COPCON, no forte do Alto do Duque, com o Otelo.» Pouco depois, foi promovido a tenente-coronel.

Em 1975 frequentou um curso intensivo em Inglaterra. «Foi o general Pedro Cardoso, que era o ‘patrão’ das informações militares no EMGFA, que me mandou. Éramos quatro, entre os quais o major Cuco Rosa, da Polícia Militar. Os britânicos ajudaram-nos muito a aprender a lidar com manifestações e situações de violência urbana.» Do seu currículo na PSP constam ainda vários cursos nos EUA, França e Israel.

Inspirado na experiência britânica, «passámos a reunir em joint committees: nós, a PJ de Lisboa, a GNR, a Guarda Fiscal, os serviços de informações e os bombeiros. As reuniões eram normalmente no meu Comando ou na PJ, na Gomes Freire. Éramos mais ou menos dez, mas operacionais, não políticos. Havia uma partilha permanente de informação, de tal modo que eu sabia quase tudo o que se passava em Lisboa.» A cooperação entre os serviços era a palavra de ordem. «Só depois é que começaram a construir muros entre as várias quintas...» À sua disposição, a PSP de Lisboa possuía uma rede de rádios portáteis Motorola, «com pagers para nos chamarmos uns aos outros». O material havia sido adquirido «antes do 25 de Abril, mas ainda estava em fase experimental».

Durante o Verão Quente de 1975, «sempre que havia reuniões do Conselho da Revolução, a gente não saía do Comando». Principal órgão do poder político e militar, o Conselho da Revolução tinha reuniões com desfecho imprevisível. Prolongavam-se muitas vezes pela noite fora, não raro até ao nascer do sol. Havia decisões tomadas na hora, a que havia que dar cumprimento imediato — e a PSP, tal como o COPCON, tinha de estar disponível. «Ao lado do meu gabinete tinha um quarto com uma cama. Dormi ali muitas noites. E não era só eu: também os comandantes de Divisão, responsáveis por várias zonas da cidade, quase todos eles oficiais do meu curso.»

«Conheci muitos dos agentes do KGB»

Uma vez que a messe da polícia encerrava depois do jantar, durante a noite, «quando era preciso, íamos comer ao Belcanto, que passou a ser uma espécie de cantina». Um dos restaurantes mais afamados do Chiado — hoje dirigido pelo chefe José Avillez —, a uma trintena de metros da PSP, o Belcanto tinha uma freguesia muito variada. Desde meninas que se dedicavam ao engate até melómanos e amantes de ópera, que ali ceavam nas noites de récita no Teatro de São Carlos, passando por políticos, homens de negócios e — nos anos efervescentes de 1974 e 1975 — pessoal dos serviços de espionagem que se haviam instalado em Lisboa. «A fina-flor dos serviços secretos estrangeiros estava em Lisboa. Sabíamos que muitos deles ficavam no Hotel Tivoli.»

Caos 1. Militares da Marinha (e Exército) fazem guarda à sede nacional da PIDE/DGS,
na Rua António Maria Cardoso, após a tomada do edifício, a 26 de Abril
Aparício conhecia alguns. «Vi o Jacques Foccart no Belcanto mais de uma vez, logo a seguir ao 25 de Abril.» Foccart era um dos responsáveis dos serviços franceses de informação, muito atento a tudo quanto se passava em África, incluindo a lusófona... “Veio ver quem mandava nisto. Foi trazido pelo genro do Jorge Jardim, o comandante Themes de Oliveira, que eu conhecia muitíssimo bem.» O Belcanto era (e é) servido por duas portas, uma que dá para a Rua Anchieta, enquanto a principal está virada para o Largo de São Carlos. «O Foccart nunca entrava e saía pela mesma porta. E sei que o Marenches também lá foi — mas esse não o cheguei a ver pessoalmente.» Director do SDECE, os serviços secretos franceses, o famoso conde Alexandre de Marenches fora quem, na manhã de 25 de Abril de 1974, ao receber em Paris o subdiretor-geral da DGS, Barbieiri Cardoso, o informara de que estava a decorrer um golpe militar em... Lisboa.

«Pelo Belcanto passava sobretudo gente dos serviços ocidentais. Pelo menos que eu soubesse.» Aparício, no entanto, também conhecia os soviéticos — desconfiando desde sempre que pertenciam ao KGB, o que o arquivo Mitrokhin viria a confirmar. «Conheci muitos dos nomes referidos no Expresso. Encontrava-os muitas vezes nas recepções das embaixadas. O Semenychev era o mais relevante: era o primeiro-secretário da embaixada, mais importante do que o próprio embaixador. Era um prazer conversar com ele: um tipo muito culto e inteligente. Tentou convencer-me a aprender russo para melhor poder ler autores como Tolstói e Dostoiévski... Foi um dos ‘diplomatas’ russos expulsos em 1981 pelo governo de Sá Carneiro... Outros dois que também conhecia eram o Boris Kesarev, chefe da delegação comercial, e o correspondente do jornal ‘Izvestia’, Viktor Nesterov.»

Caos 2. Um jornalista britânico consulta diversa documentação numa sala
O Belcanto fora fundado, como muitos outros dos melhores restaurantes de Lisboa, por galegos, e não havia praticamente um dia em que Aparício não fosse lá. «Nem que fosse para tomar um café, que é talvez o meu maior vício. Ainda hoje sou capaz de beber uma dúzia de bicas por dia, mas na altura chegava às vinte...» Frequentador habitual, «conhecia todos os sócios e empregados. Informaram-me e avisaram-me de muita coisa que se passava na cidade...»

«Chamei dois subchefes muito batidos e mandei-os seguir os camiões»

Numa das muitas noites em que havia Conselho da Revolução, José Aparício foi como de costume ao Belcanto. «Seriam umas onze e meia, estava a comer qualquer coisa, quando o Aurélio, que era um dos sócios, veio ter comigo: ‘Venha ali ver uma coisa’, disse com ar misterioso. E levou-me para o exterior.» O Teatro de São Carlos estava encerrado e no Largo não havia quase vivalma. A não ser dois camiões com a traseira encostada ao muro fronteiro, de onde se desce pelas escadas que fazem a ligação à Rua Paiva de Andrada. Aparício apurou o olhar e percebeu de imediato que eram dois camiões militares de carga, de caixa fechada de lona. As matrículas eram da Marinha, facilmente identificáveis por começarem pelas letras «AP», de Armada Portuguesa. Em redor, o movimento era intenso, com marinheiros a descerem as escadas com caixotes nos braços, que depositavam no interior dos camiões. «Pareciam dois grupos, num total de uma dezena de marinheiros — ou pelo menos fardados de marinheiros —, aparentemente comandados por um sargento.»

Caos 3. Os responsáveis da polícia política deixaram deliberadamente
os papéis de forma caótica e desorganizada
Não tendo competência para intervir em situações envolvendo a Marinha ou qualquer outro ramo das Forças Armadas — só a Polícia Militar o poderia fazer —, mesmo assim Aparício tratou de averiguar o que se passava. Atravessou a Rua Capelo e entrou no Comando da PSP. «Chamei os dois primeiros homens que encontrei. Estavam à paisana, eram da Secção de Justiça, e mandei-os ver o que se passava, donde vinham aqueles marinheiros e o que transportavam. Eles subiram ao Largo do Chiado, entraram discretamente pela Rua António Maria Cardoso, foram andando até à sede da PIDE/DGS e vieram ter comigo ao Comando.» Era do interior das instalações da extinta polícia política da ditadura que estava a sair a misteriosa mercadoria, que os marinheiros transportavam pela António Maria Cardoso; passado o Teatro São Luiz, viravam à direita na Travessa dos Teatros, seguiam à esquerda pela Paiva de Andrada e, em frente do night club Nina (que não deixava de fazer concorrência às meninas do Belcanto), desciam as escadas que conduzem ao Largo de São Carlos, onde acondicionavam as caixas nos camiões.

Caos 4. Parte do armamento encontrado no interior ainda foi utilizado
pelos «pides», que dispararam sobre civis, fazendo cinco mortos
Tudo aquilo pareceu muito estranho ao comandante da PSP. Interrogando-se sobre o que estaria a ser retirado da sede da PIDE — documentação?, armas e munições?, o que mais poderia ser? —, quis saber o seu destino. «Chamei dois subchefes muito batidos, da velha guarda, e mandei-os ver para onde iam os camiões. Lembro-me de que um era o Silva, o tipo mais eficaz que eu já conheci, sempre disponível, que me resolveu várias encrencas. Morava na Rua Conde de Almoster, em Benfica, numas casas da PSP que por lá havia.»

Os dois subchefes meteram-se num carro da PSP sem qualquer identificação e foram atrás dos dois misteriosos camiões. «Seguiram-nos de forma discreta até ao aeródromo militar de Figo Maduro», contíguo ao aeroporto da Portela. «Os camiões entraram sem qualquer dificuldade, em direcção a um avião da Aeroflot», a companhia aérea da União Soviética, para cujo interior se fez a mudança dos caixotes.

Um «Relatório Imediato» para o Comando-Geral da PSP

De regresso ao Chiado, os dois subchefes fizeram um relato ao comandante, que, por sua vez, redigiu um «Relatório Imediato». «Era uma informação elementar, própria daquele tipo de relatórios. Seriam umas dez linhas, quase telegráficas.» Como era norma, afiança o agora coronel, «o relatório foi enviado para o Comando-Geral da PSP, e decerto que também para o COPCON. Além disso, falei no caso a vários camaradas de armas, incluindo alguns amigos meus que pertenciam ao Conselho da Revolução. Lembro-me de também ter falado ao general Galvão de Melo, porque tinha sido o primeiro responsável da Junta de Salvação Nacional pela Comissão de Extinção da PIDE/DGS. Mas ninguém ligou nada a isto».

Numa investigação sumária, a PSP procurou identificar e localizar os camiões a partir das matrículas da Armada. «Pedi aos meus serviços que os descobrissem, mas nenhuma das matrículas existia.» Ou seja, «eram falsas». Anos mais tarde, «pedi a alguns camaradas da Marinha para tentarem saber o que se passara, mas nunca conseguiram apurar nada».

Caos 5. Na delegação do Porto, um grupo de civis (entre os quais jornalistas) consulta
os muitos milhares de fichas feitas e guardadas pela PIDE/DGS
Aparício reconhece que cometeu «dois erros». «Todos os aviões têm uma identificação, mas não tomámos nota da matrícula do aparelho. Não o pedi aos meus homens, e eles não o fizeram. Esse foi o primeiro erro. O segundo é que podia ter pedido, mais tarde, o plano de voo. Porque não há aparelho que saia de um aeródromo que não tenha de comunicar o plano de voo, onde está incluído o respectivo destino. Não me lembrei de o fazer, de maneira que fiquei sem saber para onde voou: se para Berlim, se para Moscovo, se para outra cidade qualquer.» Ser-lhe-ia muito fácil obter o plano de voo. «Na altura, era membro por inerência de uma comissão de segurança aeroportuária. Mas, como era da Aeroflot, imagino que tenha voado para Moscovo.»

José Alberto Aparício manteve-se à frente da PSP da capital até 1980. Viria a ser substituído no governo da Aliança Democrática, presidido por Francisco Sá Carneiro. Coronel na reforma, hoje com 79 anos, é um dos militares que acumulou mais experiência na PSP em termos operacionais. Não duvida: «A operação foi muito bem montada. Foi escolhida uma noite em que estava reunido o Conselho da Revolução, em que sabiam que não haveria ninguém nas instalações da António Maria Cardoso. Os camiões ficaram estacionados suficientemente longe da sede da PIDE, para não levantar muitas suspeitas.» Aliás, nem poderiam ficar parados diante do edifício, uma vez que não deixariam os carros eléctricos circular — é por ali que passa a famosa carreira 28 da Carris. «As matrículas eram falsas e nada me diz que os marinheiros não o fossem: podiam ser civis disfarçados com fardas da Marinha. E no aeródromo de Figo Maduro estava tudo preparado para os receber. Pode escrever: eram profissionais com todos os efes e erres.»

Aparício é incapaz de dar uma data. «Foi no Verão de 1975, muito provavelmente ainda no tempo do Vasco Gonçalves como primeiro-ministro. E na vigência do general graduado Pinto Ferreira no Comando-Geral da PSP. Esteve lá até 29 de Setembro de 1975 e desde que foi substituído nunca mais me falou.» À demissão de Pinto Ferreira não terá sido alheio o assalto e incêndio, três dias antes, da embaixada de Espanha em Lisboa, a que as forças de segurança assistiram de forma passiva.

«Há coisas que nunca se esquecem na vida»

O Expresso contactou o Ministério da Administração Interna no sentido de localizar o relatório enviado para o Comando-Geral da PSP pelo seu então comandante distrital, tenente-coronel Aparício. A resposta, transmitida pelo gabinete da ministra Constança de Sousa, foi negativa: «Apesar das diligências do Departamento de Sistemas de Informação e Comunicações [DSIC] da Polícia de Segurança Pública, não foi possível encontrar qualquer documento referente ao tema.»

Igualmente contactado foi o então comandante do COPCON, a quem Aparício admite que também enviou uma cópia do relatório. «Não me lembro de qualquer relatório desse género», afirmou o coronel Otelo Saraiva de Carvalho. «Lembro-me muito bem de ter o José Aparício nos briefings matinais do COPCON — designadamente no dia do assalto ao consulado e à embaixada de Espanha, em que a PSP não fez nada. Mas esse tal relatório nunca o vi e nunca ouvi falar dele. E estou autorizado a dizer que o mesmo aconteceu com o coronel António Jorge Cardoso, que era o chefe da Repartição de Informações do COPCON, com quem falei.» Otelo, que tem acompanhado as revelações do Expresso a partir do arquivo Mitrokhin, acredita que «a maior parte da documentação terá sido levada para Moscovo não durante o PREC mas logo a seguir ao 25 de Abril, quando se formou a Comissão de Extinção da PIDE/DGS».

Acervo. O arquivo da PIDE/DGS, depositado na Torre do Tombo, em Lisboa,
devidamente guardado, organizado e com acesso público (em cima).
Dois «boletins de informação» elaborados pela PIDE sobre o cidadão
Francisco da Costa Gomes, futuro Presidente da República e marechal (em baixo)

Durante alguns anos, Aparício conservou uma cópia do relatório, que entretanto decidiu queimar. «Destruí há alguns anos pelo fogo, na Beira Baixa, o que pessoalmente tinha guardado do tempo do PREC.» Entre o material que guardara incluíam-se «cópias dos mandados de captura do COPCON enviados à PSP e nunca cumpridos; relatórios de alguns acontecimentos em que a PSP teve intervenção nesses tempos envolvendo figuras hoje importantes e ainda no activo; notas de algumas reuniões importantes; notícias e informações de ‘rasquices’ e ‘baldas’ de muitos intervenientes desses tempos revoltos; fitas de gravação de comunicações telefónicas de, e para, o telefone directo que tinha no meu gabinete». Até que chegou um dia em que «decidi destruir tudo. Reuni tudo o que tinha, e algum tempo depois, zás, tudo ficou em cinzas». «Hoje penso que fiz bem», mesmo tendo «consciência que sob o ponto de vista histórico fiz mal».

Quanto a outras testemunhas, «infelizmente já ninguém está vivo: nem os dois polícias que mandei fazer o reconhecimento do terreno, nem os subchefes que seguiram os camiões, nem o meu amigo Aurélio, sócio do Belcanto, nem o general Pinto Ferreira, a quem apresentei o relatório». José Aparício confia, porém, na sua (excelente) memória. «Há coisas que nunca se esquecem na vida. Uma delas, por exemplo, é a origem do avião que levou os caixotes da PIDE. É que não era um avião da TWA, era da Aeroflot, não sei se me faço entender...»

O conteúdo dos caixotes só viria a ser conhecido em 1994, através do antigo general do KGB Oleg Kalugin. No seu livro «Memórias de Um Espião», aquele dissidente soviético refere a audaciosa operação que consistiu no transporte, num camião, de uma «montanha de dados classificados» para a embaixada da União Soviética em Lisboa, de onde transitaram de avião para Moscovo. Muitos outros detalhes surgiram a público em 1999, com a revelação do arquivo Mitrokhin — o ex-arquivista-chefe de um dos principais departamentos do KGB. O livro «O Arquivo Mitrokhin. O KGB na Europa e no Ocidente», da autoria do próprio Vasili Mitrokhin e do investigador britânico Christopher Andrew, foi traduzido e lançado em Portugal no ano seguinte, pela Dom Quixote. Mas os pormenores da rede portuguesa do KGB só recentemente foram divulgados pelo Expresso. Um dos apontamentos redigidos por aquele alto funcionário do KGB — que se refugiou em Inglaterra com todo o seu gigantesco acervo documental — confirma de forma inequívoca que, «no final de 1975», a organização do KGB (ou rezidentura) em Portugal «recebeu do PCP» diverso material pertencente ao arquivo da PIDE/DGS.

José Aparício leu obviamente tanto o livro de Kalugin como o de Mitrokhin. Não se espanta, porque assistiu. «O general Kalugin só comete um erro: não foi um camião, foram dois. Ah! E não foram para a embaixada da URSS, foram directamente para o aeroporto. A não ser que tenha havido mais do que uma operação!»