quarta-feira, 12 de julho de 2017

Preocupações sobre a situação do mundo e da Igreja


Revista Catolicismo, 10 de Julho de 2017



«Nossa Senhora também disse que Portugal jamais perderia a fé. E eu vejo isso a estender-se também ao Brasil, porque a união entre Portugal e o Brasil é simplesmente muito estreita.»

O Emmo. cardeal Raymond Leo Burke nasceu no dia 30 de Junho de 1948 em Richland Center (Wisconsin, EUA) e cursou o seminário Holy Cross e a Catholic University of America em Washington. Completou os seus estudos de direito canónico na universidade Gregoriana de Roma em 1971. Ordenou-se sacerdote quatro anos depois. O Papa João Paulo II nomeou-o bispo de La Crosse em 1994 e arcebispo de St. Louis em 2003. Bento XVI elevou-o ao cardinalato em 2010. Durante cinco anos — até 2015 — ocupou o cargo de prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, sendo actualmente patrono da Ordem Soberana e Militar de Malta. O insigne purpurado é uma voz proeminente nos ambientes conservadores, especialmente em assuntos atinentes à Igreja, à família e à situação norte-americana. Na sua recente visita ao Brasil, o cardeal Burke passou pelas capitais do Pará, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo para lançamento de seu livro O Amor Divino Encarnado – A Sagrada Eucaristia como Sacramento da Caridade [para a reportagem click aqui] —, obra que revela profunda devoção eucarística. Catolicismo obteve uma entrevista exclusiva por meio do nosso colaborador Dr. Mário Navarro da Costa, na sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.


«Fiquei muito impressionado com o entusiasmo das pessoas.
Pude constatar que são fiéis católicos muito ardorosos,
desejosos de conhecer mais profundamente
a sua fé e também praticá-la.»
Catolicismo — Eminência, muito obrigado por conceder esta entrevista à revista Catolicismo. Poderia dizer aos nossos leitores se já conhecia o Brasil, qual o motivo desta visita a algumas cidades brasileiras e a sua impressão sobre o nosso País?

Cardeal Burke — Esta é a minha primeira visita ao Brasil e o propósito dela foi apresentar a tradução em português do meu livro sobre a Sagrada Eucaristia, O Amor Divino Encarnado – A Sagrada Eucaristia como Sacramento da Caridade. Então escolhemos as maiores quatro cidades nas quais o apresentaríamos. Sei que o País é muito grande e não poderia percorrê-lo todo, mas foi óptima esta primeira vinda aqui, ocasião em que percorri Belém, Brasília, Rio de Janeiro, e, finalmente, São Paulo. Fiquei muito impressionado com o entusiasmo das pessoas que vieram em grande número para a apresentação do livro. Ao falar com elas, pude constatar que são fiéis católicos muito ardorosos, desejosos de conhecer mais profundamente a sua fé e também praticá-la.


«Diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida rezei
especialmente pelo Brasil, porque estou convencido
da importância do País em relação
ao mundo inteiro, por causa de sua fé católica.»
Catolicismo — Neste ano em que comemoramos o 300.º do aniversário de Nossa Senhora Aparecida, soubemos que Vossa Eminência esteve no Santuário d’Ela.

Cardeal Burke — Sim, eu pensei: «Eu não poderia vir ao Brasil e não visitar Nossa Senhora Aparecida». Vindo do Rio de Janeiro para São Paulo, passei por Aparecida do Norte e, claro, o destaque da peregrinação foi rezar directamente diante da sua imagem. Rezei especialmente pelo Brasil, porque estou convencido da importância do País em relação ao mundo inteiro, por causa da sua fé católica. Além de rezar nessa intenção, pude celebrar a Santa Missa num altar consagrado pelo Papa João Paulo II nas intenções dos católicos brasileiros.


«Creio firmemente que os portugueses têm uma missão
muito importante a cumprir no mundo inteiro,
em proclamar e ensinar a Mensagem de Fátima.
E agora diria o mesmo em relação ao Brasil.»
Catolicismo — Nas suas viagens Vossa Eminência visita muitas paróquias e grupos católicos. Quais as preocupações gerais que habitualmente os fiéis lhe exprimem a respeito da situação do mundo e da Igreja?

Cardeal Burke — Os fiéis manifestam-se muito preocupados com a situação do mundo cada vez mais laico, com o cruel ataque a vidas humanas inocentes de nascituros indefesos através do aborto, a generalização da prática da eutanásia, e até a negação da liberdade da Igreja de prosseguir com integridade a sua missão. E, mais recentemente, esta enormidade denominada «teoria de género», pela qual as pessoas tão presunçosas pensam poder redefinir a nossa natureza sexual, que naturalmente se destina a juntar homem e mulher numa vida inteira de fiel união, à qual Deus concede o dom da vida humana. Com a introdução dessa terrível teoria, a nossa natureza sexual será reduzida a uma espécie de avenida de luxúria e de graves actos imorais.

Todos esses fiéis vêem isso, que constitui um escândalo para eles, fonte de profundas angústias, porque vêem os seus filhos e netos a crescer nesse mundo, causa de não pequenas preocupações, pois ficam sem saber se permanecerão fiéis a Nosso Senhor ou se vão cair nessa grande infelicidade da vida de pecado. Sobretudo nos nossos dias, em que tanta confusão penetra até na própria Igreja. Por exemplo, está a acontecer toda essa confusão sobre actos intrinsecamente maus quanto à possibilidade de se receber a Sagrada Comunhão sem se confessar, apesar de a pessoa se encontrar em pecado mortal.

Todas essas questões fundamentais estão a ser postas em dúvida e causam, é claro, grande angústia nas pessoas. Tenho viajado bastante, limito-me a apresentar o ensinamento básico da Igreja e as pessoas ficam gratas ao ouvi-lo. Eu digo-lhes sempre: «Nada tenho de novo a oferecer-lhes, o que tenho a oferecer-lhes é o que continua sempre novo, ou seja, as verdades da nossa Fé».


«Está-se a dar toda essa confusão sobre actos intrinsecamente maus
quanto à possibilidade de se receber a Sagrada Comunhão
sem se confessar, apesar de a pessoa continuar em pecado mortal.»
Catolicismo — A viagem de Vossa Eminência ao Brasil está-se a dar no centenário das aparições e da Mensagem de Fátima, das quais os brasileiros se sentem muito próximos — não somente pelos laços históricos e psicológicos que os unem a Portugal, mas também porque o nosso povo nutre grande devoção por Nossa Senhora. E agora também, devido ao milagre que permitiu a canonização dos bem-aventurados Francisco e Jacinta Marto, com a cura de um menino brasileiro. Vossa Eminência julga que as revelações de Fátima se referem somente ao século XX, ou elas têm actualidade para os católicos de hoje?

Cardeal Burke — Elas são absolutamente relevantes para os dias de hoje, porque estão no centro da luta fundamental à qual Nossa Senhora se refere na sua mensagem: luta da fé, luta da Igreja contra as forças do mal, contra as forças do secularismo, do ateísmo, do relativismo, que nada mais fizeram senão continuar ao longo das décadas — agora faz um século — das aparições. Por ocasião deste centenário, fui estudar de novo toda a história das aparições e da mensagem, e julgo-as mais oportunas do que nunca, julgo-as de grande importância. Sobretudo na presente crise na Igreja, em que parece haver uma confusão e uma divisão estabelecer-se, o apelo de Nossa Senhora é para mantermos a fé na sua integridade, rezar, em especial o Santo Rosário, amar e participar na santa Eucaristia, particularmente nos primeiros sábados do mês, para nos fortificarmos e permanecermos próximos de Nosso Senhor nestes tempos muito terríveis. Nossa Senhora também disse que Portugal jamais perderia a Fé. E eu vejo isso a estender-se também ao Brasil, porque a união entre Portugal e o Brasil é simplesmente muito estreita. Numa recente apresentação que fiz para o Rome Life Forum, eu disse crer firmemente que os portugueses, e especialmente os bispos portugueses, têm uma missão muito importante a cumprir no mundo inteiro, em proclamar e ensinar a Mensagem de Fátima. E agora diria o mesmo em relação ao Brasil.


«Julgo [as aparições de Fátima] mais oportunas do que nunca,
de grande importância — sobretudo na presente crise na Igreja,
 em que parece haver uma confusão e uma divisão a estabelecer-se.»
 
Catolicismo — Numa carta ao cardeal Carlo Cafarra, a irmã Lúcia afirmou: «A batalha final entre o Senhor e o reino do demónio será sobre o matrimónio e a família». E que é para não temer,«porque Nossa Senhora já esmagou a cabeça de demónio». Vossa Eminência confirma essa apreciação? Em caso positivo, a propósito de que assuntos a batalha é actualmente mais forte, e como os fiéis poderão ser bons soldados de Cristo?

Cardeal Burke — Eu acho que a luta continua a ser em grande parte a batalha pelo matrimónio e pela família. E julgo que a irmã Lúcia, ao escrever ao então padre Carlo Caffarra — agora cardeal —, ela disse para não perder a esperança. Mas não afirmou que a luta tinha acabado! Por outras palavras, sabemos que a vitória será o triunfo do Coração Imaculado de Nossa Senhora, o triunfo de Nosso Senhor, mas penso que ainda virão muitos sofrimentos. Por exemplo, a «teoria de género», que agora se está a tornar tão disseminada nos Estados Unidos. Eles impõem isso no currículo das escolas, de modo que as crianças de muito tenra idade estão a aprender que podem mudar o seu género. Essas coisas são simplesmente inimagináveis! Então eu penso que a batalha pelo matrimónio e pela família continua. Precisamos ter essa esperança que a irmã Lúcia nos encoraja a ter, mas ao mesmo tempo saber que há uma luta na qual nos sentimos engajados.


«Nossa Senhora também disse que Portugal jamais perderia a Fé.
E eu vejo isso a estender-se também ao Brasil,
 porque a união entre Portugal e o Brasil
é simplesmente muito estreita.»
Catolicismo — Vossa Eminência julga que no mundo actual é importante para os católicos a Sagrada Escravidão a Nossa Senhora segundo o método de São Luís Grignion de Montfort? Em caso afirmativo, por que razões?

Cardeal Burke — Tornamo-nos escravos de Nossa Senhora para sermos discípulos fiéis de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nossa Senhora pertenceu a Nosso Senhor completa e totalmente desde o primeiro instante da concepção. Foi preservada de toda mancha do pecado original. Concebeu Nosso Senhor sob a sombra do Espírito Santo e O trouxe ao mundo sob o seu Imaculado Coração. Foi a primeira e melhor discípula d’Ele. O coração d’Ela foi misticamente transpassado ao pé da cruz pela lança do soldado romano que feriu o Sagrado Coração de Jesus. E Nossa Senhora  ensina-nos a ser totalmente de Nosso Senhor. As suas últimas palavras registradas no Evangelho foram nas Bodas de Caná, quando Ela disse ao mordomo do vinho para fazer tudo o que Ele lhe mandasse. Assim, queremos ser completamente um só coração com a nossa bem-aventurada Mãe, ser escravos no melhor sentido da palavra, pois damos a Ela todo o nosso coração. Porque com Ela podemos dar todo o nosso coração ao Sagrado Coração de Jesus.


Entrevista publicada na revista «Catolicismo», n.º 799, Julho/2017





sábado, 8 de julho de 2017

Agenda Transgénero vs. Ciência


Rick Fitzgibbons, Actualidade Religiosa, 5 de Julho de 2017

O Gabinete para os Direitos Civis do Departamento de Educação dos Estados Unidos emitiu recentemente uma série de instruções que indicam que se uma escola não utilizar os «nomes e pronomes escolhidos» pelos alunos transgénero, incorre em assédio.

De acordo com esta instrução da Administração Trump, o assédio inclui:

«Actos de agressão verbal, não-verbal ou físicos, intimidação ou hostilidade com base no sexo ou estereótipos sexuais, tal como a recusa em usar o nome ou o pronome escolhido por alunos transgénero quando a escola os usa para alunos não-transgénero ou quando a recusa é motivada por animosidade para com pessoas que não se encaixam em estereótipos sexuais».

Esta ameaça dirigida a professores, auxiliares e directores aumenta o risco de danos psicológicos e físicos/cirúrgicos para jovens e ignora completamente a literatura médica e psicológica sobre os factores de risco grave associados à criação de um ambiente favorável a que jovens se identifiquem com um sexo diferente daquele que é determinado biologicamente por cada célula do seu corpo.

A Administração Trump devia recuar destes artigos de fé politicamente correctos da administração anterior e examinar cuidadosamente, através do estabelecimento de um grupo de uma comissão presidencial, caso seja necessário, a ciência médica e psicológica associada com as tentativas de ajudar os jovens a lidar com atracções transexuais.

Os membros desta comissão poderiam incluir o Dr. Lawrence Mayer, professor de estatística e bio-estatística na Arizona State University, que se assume como um liberal e apoiante dos direitos LGBTQ e o Dr. Paul McHugh, que foi psiquiatra chefe da Universidade John Hopkins entre 1975 e 2001.

O artigo destes dois cientistas de 2016, «Sexuality and Gender: Findings from the Biological, Psychological and Social Sciences», é uma revisão exaustiva da literatura científica sobre identidade de género e orientação sexual, no qual examinaram mais de 500 artigos científicos. Ambos os médicos concordam que nem a orientação sexual nem a identidade de género é inata ou imutável (ou seja, ninguém nasce homossexual nem transgénero, ambos são fluidos). Mais, nem um nem outro encontrou qualquer prova de que se devia encorajar as crianças a identificarem-se como transgénero.

O Dr. Paul Hruz, um endocrinologista e professor associado de biologia celular e fisiologia na Washington University School of Medicine, de St. Louis, liderou um estudo de investigação chamado «Growing Pains: Problems With Puberty Suppression in Treating Gender Dysphoria» que levanta sérias questões sobre a forma como se tratam actualmente as crianças que padecem de disforia de género.

Esse relatório afirma que:

«Particularmente importante é o tratamento de crianças com disforia de género. Jovens com disforia de género constituem um grupo particularmente vulnerável e sofrem de altas taxas de depressão, automutilação e até suicídio. Acresce que as crianças não são ainda inteiramente capazes de compreender o que significa ser-se homem ou mulher. A maioria das crianças com problemas de identidade de género acabam eventualmente por aceitar o género associado ao seu sexo e deixam de se identificar com o sexo oposto.»

O artigo diz ainda que «à luz das muitas incertezas e do desconhecimento existente, seria apropriado descrever como experimental a utilização de tratamentos para bloquear a puberdade em crianças com disforia de género». Este novo tratamento tem sido oferecido a jovens sem as habituais salvaguardas que acompanham as terapias experimentais, tais como testes clínicos cuidadosamente controlados e estudos de seguimento a longo prazo.

O Dr. Kenneth Zucker, autor e psicólogo clínico, é outro académico importante e reconhecido internacionalmente no campo da disforia de género que seria um membro valioso de uma comissão presidencial sobre a forma mais apropriada de tratar estes jovens em termos médicos. Há trinta anos que ele trabalha neste campo e tem escrito uma quantidade enorme de artigos em revistas académicas sobre as origens e o tratamento dos muitos conflitos psicológicos em pais e jovens que dão aso a atracções transgénero. É co-autor do livro «Gender Identity Disorder in Children».

Os artigos do Dr. Zucker descrevem a forma como ele ajudou muitos jovens a aceitar a sua masculinidade ou feminidade biológica. O seu grupo só recomenda intervenções médicas quando a psicoterapia não funciona. Um recente documentário da BBC «Transgender Kids: Who Knows Best?» apresenta o seu trabalho e a controvérsia que actualmente rodeia as abordagens a jovens com atracções transexuais.

Os jovens e os seus pais têm direito ao consentimento informado sobre a atracção transexual, incluindo as opções de tratamento disponíveis, o facto de haver remissão na maioria dos casos e os riscos psicológicos e médicos graves associados ao uso experimental de hormonas e à cirurgia transexual.

Dois dos estudos mais importantes que devem ser discutidos dizem respeito aos efeitos da cirurgia transexual. Um estudo de 2015 determinou que num grupo de 180 adolescentes transexuais (106 mulher-para-homem e 74 homem-para-mulher) o risco de desordens psiquiátricas, incluindo depressão, ansiedade, ideias suicidas, tentativas de suicídio, automutilação sem intenções letais e tratamentos por saúde mental tanto em internato como em ambulatório era duas ou três vezes superior do que no grupo de controlo (Reisner, S.L., et al., 2015).

O maior estudo sobre transexuais pós-operatórios foi uma análise de mais de 300 pessoas na Suécia, ao longo dos últimos 30 anos. O estudo demonstra que depois de operações de mudança de sexo as pessoas incorrem em riscos de mortalidade, comportamento suicida e morbidade psiquiátrica consideravelmente superiores à população em geral (Dheine, C., et al. 2011).

Se o filho do Donald Trump lhe dissesse que se sentia uma mulher presa no corpo de um homem, o Presidente certamente quereria que ele tivesse conhecimento de todos os dados científicos associados a estas atracções emocionais e pensamentos confusos e ilusórios. E certamente não quereria que os professores e conselheiros seguissem as orientações do Departamento de Educação que promovem esses pensamentos ilusórios e sugerem tratá-lo por ela.

É urgente a criação de uma comissão presidencial que aborde esta pressão altamente politizada para se aceitar a agenda transgénero, para melhor proteger os jovens, as famílias e a cultura. Entretanto estas orientações draconianas que ignoram totalmente a ciência psicológica e colocam os jovens em risco deviam ser imediatamente revogadas.





quinta-feira, 6 de julho de 2017

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Como o problema da homossexualidade é tratado em certas paróquias

Ideias positivas, 3 de Maio de 2017

Carta enviada a duas catequistas

Queridas L. e K.,

Como vos tinha dito que havia de vos enviar um mail a dar conhecimento de um problema de um dos catequizandos do vosso grupo, eis o que deveis saber sobre o L. Para que melhor possais lidar com a situação e ao mesmo tempo fazer essa importante catequese para os demais catequizandos, devo informar-vos que ele, em seus treze anos, foi aconselhado, nas consultas de psicologia, a assumir-se sem problemas como homossexual, porque, segundo a psicóloga, deve seguir o que o seu coração sente…

Vós sabeis como eu que nada permanece sólido se não for criada primeiramente uma base segura. E nesta questão da homossexualidade,

— Quando parece já não haver telenovelas – e tantas outras séries e programas que concorrem para o mesmo – em que não seja inteligentemente apresentada a questão como sendo algo normal,

— Quando os próprios profissionais de saúde a procuram justificar de uma ou de outra forma,

— Quando dentro da própria Igreja se vêem posições de tolerância, por se confundir o que deve ser a visão a ter do pecador e a posição em relação ao pecado, maior tem que ser o cuidado a ter na preparação de uma catequese destas, aliás, como deve ser em todas as catequeses. Preparai, pois, com todo o cuidado, esta questão doutrinal, para que a catequese possa ser o eco da Palavra de Deus na inteligência e no coração dos vossos catequizandos.

Queridas irmãs em Cristo, quando digo para fazerdes eco da Palavra de Deus, sabeis bem o que isso implica, que é o esvaziardes-vos de vós mesmas, ou seja, das vossas ideias, para que, pela oração, a Palavra entre primeiramente no vosso coração e dele saia clara e de forma cativante para a inteligência de quem a recebe. Só assim é que ela pode chegar ao coração daquele que a ouve e aí se transformar em Dabar, que é como dizer, ser geradora da acção que o Senhor espera de cada um de nós.

Uma alma enamorada por Deus procura, também nos acontecimentos, perscrutar o Coração Amorosíssimo do Pai, condição sine qua non para se poder falar das coisas d’Ele garantindo maior fidelidade à Sua Divina Vontade. Pode à primeira vista parecer-nos algo muito difícil, isso de perscrutar o coração de Deus, dada a limitação imposta por toda a azáfama do nosso quotidiano, pensando que só numa vida monástica poderíamos ter as condições favoráveis. Sendo porém desejo de Nosso Senhor que não desviemos o olhar e o coração dessa dimensão contemplativa ao mesmo tempo que vivemos a condição secular, é não só possível mas um dever nosso o procurarmos viver uma cada vez maior intimidade com Deus Pai. E a prova de que não é tão difícil assim chegar a essa intimidade com Deus vivendo uma vida normal, temo-la no exemplo de tantos santos que enchem as páginas dos livros que nos falam das suas biografias. Se nos debruçarmos sobre o que foi a vida de muitos deles vemos que o que os levou à santidade não foram feitos de grande heroicidade, mas uma vida onde nunca faltou a oração, o amor à Eucaristia e o despojamento de si próprios, condição esta sem a qual ninguém consegue ter espaço para acolher a pedagogia de Deus. E sem ela, fazemos a nossa, cujo resultado é aquilo que se vê.

Num tempo e numa sociedade onde tudo constitui apelo à promoção pessoal em ordem à afirmação, a rejeição dessa virtude evangélica do negar-se a si próprio criou um problema que tem vindo a agudizar-se nas últimas décadas, na medida em que esse tal espaço, que deveríamos manter arejado a ponto de nele se respirarem só os mais celestes odores e tê-lo reservado apenas à Palavra de Deus, tem vindo a ser preenchido pelo enriquecimento de espírito – é sobre isto que Jesus fala: bem-aventurados os pobres em espírito – e por ideias trazidas para o interior da Igreja por novas correntes de pensamento, correntes essas condenadas em vários documentos pontifícios, desde S. Pio X a Bento XVI, passando por S. João Paulo II.

Queridas amigas, para estas idades dos 13-14 anos, pese embora a dificuldade já visível em muitos deles, urge sermos misericordiosos na verdade. E a verdade está em Deus, não há outra. Por mais teses teológicas que possamos ouvir, para termos a garantia de que seguimos a Vontade de Deus basta que façamos o exercício de, espiritualmente, nos colocarmos no meio das pessoas a quem Jesus falou – atitude interior possível pela leitura/oração dos relatos feitos pelos Apóstolos. E aí o que é que ouvimos de Jesus acerca da interpretação da Lei? Uma coisa muito simples: que ela foi dada ao Homem para lhe servir de espelho onde se reflectem ao mesmo tempo a justiça e a misericórdia de Deus. Sobre a misericórdia disse-nos que a salvação é para todo o pecador que se arrepende e deixa o pecado; já sobre a justiça Jesus nunca foi de meias palavras. Ela recairá sem piedade até mesmo sobre aqueles que parecem estar mais próximos d’Ele mas não o estão de coração. É tão duro que, aos que agora designamos de “politicamente correctos”, por Ele classificados como mornos por não serem nem quentes nem frios, diz que os vomita (Cf. Ap 3, 15-16). E se dúvidas se levantam quanto à actualidade da antiga Lei, o Verbo de Deus feito carne também é muito claro quando diz que não veio para a abolir, porque, sendo ela perfeita – porque o legislador é Deus – é para vigorar por todos os séculos, dizendo mesmo que é mais fácil que o céu e a terra passem do que cair um só assento da Lei (Cf. Mt 5,17-18).

Como Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança, divinizando-os, portanto, Satanás e o seu séquito nunca pouparam esforços para ludibriarem os planos de Deus, fazendo troça da Sua obra. Suscitaram então nos homens o desejo por outros homens, e nas mulheres o desejo por outras mulheres. E como é que o Diabo consegue fazer com que as pessoas se tornem perversas, nesse e em muitos outros sentidos? Explorando sem descanso a fraqueza ou fraquezas que encontra em cada um, sendo mais bem-sucedido quanto mais afastada a pessoa se mantém da prática dos sacramentos, principalmente da Eucaristia e da Penitência (confissão). E quando ele encontra na vida da pessoa um espaço que não esteja trancado com a oração e a prática dos sacramentos, apodera-se desse espaço e, a partir daí, montando nele o seu posto de comando procura estender o seu domínio sobre as restantes áreas da vida da pessoa. Ora, sendo o Homem um ser espiritual, com necessidade de equilíbrio a esse nível, ao não praticar a espiritualidade Cristã que emana do tesouro confiado à Santa Igreja Católica, cria a oportunidade para que o Maligno semeie no seu coração as sementes do seu reino, nascendo daí o desejo de encontrar algo que o preencha.

Este é um fenómeno que atravessa toda a história da humanidade, quando o homem deixa de se colocar diante do Criador com um coração de criança. E sem o influxo da graça em sua alma volta-se para os ídolos e para o ocultismo. Mas os que não seguem esses caminhos não deixam de estar sobre o mesmo domínio, pois, àqueles que não são tão dados às coisas da espiritualidade, é-lhes sugerido o hedonismo e outras irresistíveis tentações. Por isso, à semelhança dos tempos bíblicos, hoje como outrora, o homem deixa de sentir necessidade de Deus. É então que os demónios fazem festa, pela maior ascendência que exercem sobre todos os que deixaram ofuscar sua inteligência.

Falando exactamente sobre este problema, sobre os que voltaram costas a Deus e procuraram seus ídolos e que por isso viriam a cair nas malhas de Asmodeu – o demónio da impureza –, diz São Paulo aos Romanos: «Foi por isso que Deus os entregou a paixões degradantes. Assim, as suas mulheres trocaram as relações naturais por outras que são contra a natureza. E o mesmo acontece com os homens: deixando as relações naturais com a mulher, inflamaram-se em desejos de uns pelos outros, praticando, homens com homens, o que é vergonhoso, e recebendo em si mesmos a paga devida ao seu desregramento. Esses, muito embora conheçam o veredicto de Deus - de que são dignos de morte os que tais coisas praticam - não só as fazem, como até aprovam os que as praticam» (Rm 1, 26-27.32).

Amadas filhas do Altíssimo, como dizia anteriormente, sede misericordiosas na verdade, isto é, ter caridade para com os que vivem no erro ajudando-os a libertarem-se dele, sabendo porém que para isso não se pode nunca fugir à verdade; não à nossa, mas à de Jesus Cristo, à do Senhor do Céu, da Terra e de todo o Universo. Questionar a Sagrada Escritura é pecado gravíssimo, ainda mais depois de o Próprio Senhor Jesus dizer que nada na Lei pode ser mudado, e quando essa Lei diz claramente: «Se um homem coabitar sexualmente com um varão, cometeram ambos um acto abominável; serão os dois punidos com a morte» (Lv 20, 13).

Para além deste, que foi o motivo desta carta, há porém vários outros «fogos» a apagar, ateados que foram pelos demónios precisamente nos jardins da humanidade, que são as crianças e os adolescentes. Um desses grandes fogos ao qual não está a ser dada a devida importância é o da sensualidade, a grande porta para o reino de Asmodeu. Bem Nossa Senhora dizia aos Pastorinhos que iriam chegar umas modas que muito ofendem Nosso Senhor. E o que é o pecado senão a ofensa a Deus? Mas hoje, para maior sofrimento de Nossa Mãe Bendita e da Trindade Santíssima, tanto nas famílias como na própria Igreja fecham-se os olhos ao sofrimento de Nosso Senhor, permitindo que as flores do jardim de Deus – crianças e adolescentes – sejam  expostas desde muito cedo à cobiça de olhares não-sãos. E depois queixam-se das violações…

Um outro desses graves «fogos», que a mim me entristece tão profundamente – como não ficará Nosso Senhor… –, é o ver que todas as crianças e todos os adolescentes, quando na hora de catequese durante a semana estão na Santa Missa com os seus catequistas, se colocam na fila para receberem o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. A esse propósito diz-nos Ele que, todo aquele que se abeira da Comunhão sem estar em estado de graça é réu do Corpo e Sangue de Jesus e está a receber a sua própria condenação (Cf. 1Cor, 27-29). Mesmo que outro impedimento não tivessem, a forma de vestir da maioria já é motivo bastante para nem na igreja poderem entrar, quanto mais para receberem Nosso Senhor. Não há quem tenha piedade destas almas? Não há pais, não há catequistas, não há padres?

Amadas irmãs em Cristo, que desta já longa carta vos fique o encorajamento a serdes os sapadores de Deus na área que Ele vos confiou, combatendo com valentia a parte que vos cabe nos fogos que o Inferno ateou por todo o lado. Sede corajosas, e lembrai-vos das promessas de Nossa Senhora: «Por fim o meu Imaculado Coração triunfará», sabendo que para isso Ela conta convosco relativamente às almas que tendes ao vosso cuidado. Gritai bem alto no coração dessas crianças as palavras do Senhor: «Ao que vencer, farei que se sente comigo no meu trono (Ap 3, 21a).

Convosco louva o Altíssimo,

       (Assinado)





quinta-feira, 22 de junho de 2017

A ideologia de género é contra os termos «pai» e «mãe»


Jurandir Dias, Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, 20 de Junho de 2017

Adelaida de la Calle,
Conselheira de Educação
da Junta da Andaluzia
Em Espanha, o Ministério da Educação da Junta da Andaluzia decidiu suprimir os termos «pai» e «mãe» na inscrição para o próximo ano lectivo. Os pais são considerados apenas «tutores» – que têm a guarda – dos filhos. Na ficha de matrícula figuram apenas os campos «tutor 1» e «tutor 2» em vez de pai e mãe.

O blog «Heraldos de Sevilla» comentou: «A Junta da Andaluzia elimina os termos «pai» e «mãe» das suas matrículas para agradar ao colectivo homossexual. (…) A alteração parece ser uma tentativa de mudar o sexo das palavras em favor da igualdade».[1]

«Esta não é a primeira exigência do lobby [homossexual] nas escolas»  comenta o site La Gaceta – «já que considerou ‘discriminatória’ a celebração do Dia das mães e dos pais e pediu para mudar as festividades para o Dia Internacional das Famílias – 15 de Maio». Este seria um dia em que «todas as crianças podem celebrar a diversidade da família na nossa sociedade», argumentaram.[2]

A iniciativa do Governo causou a indignação dos pais, que a consideram absurda e ridícula.

Por aí se entende porque nos países onde a ideologia de género foi aplicada, sob qualquer pretexto, os pais perdem a guarda dos filhos para o Estado. Assim, chamou a atenção do mundo inteiro um facto que aconteceu na cidade de Naustdal, Noruega, onde «uma família cristã formada pelo romeno Marius Bodnariu e a norueguesa Ruth tiveram os seus cinco filhos sequestrados pelo Governo, após uma denúncia encaminhada para o serviço social do país, ‘alegando radicalização e doutrinação cristã’.» Na Alemanha, os pais de nove filhos foram presos porque uma filha se recusou a  participar na aula de «educação sexual».[3]

A famigerada ideologia de género não se contenta em suprimir os sexos masculino e feminino com o uso da palavra «género», mas quer suprimir também os termos «pai» e «mãe». Isto é a doutrina comunista posta em prática. Se os pais são apenas tutores dos filhos, quem serão então os pais verdadeiros? O Estado totalitário, que decidirá como devem ser educadas as crianças?


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domingo, 18 de junho de 2017

quarta-feira, 14 de junho de 2017

ACERCA DA NOTÍCIA DA FUNDAÇÃO DE UM PARTIDO LIBERAL

Nota do Secretariado da Milícia de São Miguel

Foi divulgado pelos meios de comunicação a intenção de um grupo de pessoas fundar um novo partido de ideologia integralmente liberal. Na realidade, a filoxera do liberalismo já se instalou nos vários partidos, principalmente nas questões de natureza moral. Qualquer dos partidos do sistema da III República é dominado por dirigentes de cariz liberal e decadente. Esse novo partido confessadamente liberal não virá trazer nada de novo ao caos já existente.

Para melhor esclarecimento, o Secretariado da Milícia de São Miguel
publica a seguinte nota.

1 — No seu Manifesto, em geral em tom tecnocratista retocado com um pseudo-humanismo, o grupo liberal abstém-se de qualquer palavra em defesa dos valores morais da nossa Civilização, em particular da família natural.

Mais, o grupo liberal afirma o seu respeito pela «família» «independentemente da sua forma» [I, 2].

E mais adiante explicita mesmo a defesa da igualdade de direitos «independentemente de (...) orientação sexual» [I, 4, j)].

Em tais declarações, nada a estranhar pois verificamos que o grupo liberal se coloca no seu terreno ideológico e moral, reclamando afinal o campo que é naturalmente seu ao CDS dos ditos cristãos Portas e Cristas e ao PPD-PSD de Passos e dos grupos cavaquista e maçónico que presentemente o pretendem derrubar.

Com esse novo partido liberal, a ILGA pode continuar tranquila.

2 — O grupo liberal, na linha ideológica que lhe é própria, diaboliza o Estado em absoluto. O grupo liberal confunde os conceitos, a saber.

O Estado em que vivemos, criado pela III República, já liberal nos aspectos morais, socialista noutros, agressor da família natural, opressor do cidadão e do investidor na fiscalidade e na burocracia, protector de interesses ilegítimos dos grandes grupos e maná para a classe política se nutrir.

O Estado liberal integral, pretendido pelo grupo fundador, que conserva a decadência moral do Estado actual e abre completamente as portas ao esmagamento económico dos pequenos pelos grandes.

E o Estado moral e regulador, ao qual aspira qualquer pessoa de bem, que defende os fracos dos fortes, os valores da Civilização, a Nação e o bem comum, regulando sem estorvar a livre iniciativa.

Tão maus para o cidadão e para o empresário são tanto o Estado em que vivemos como o Estado liberal integral. Apenas o Estado moral e regulador serve a Civilização, a Nação e o bem comum.

3 — O grupo liberal mostra-se zeloso na defesa do europeísmo, à la Merkel, isto é, em que Portugal abdica do controlo da sua economia [IV,d)].

4 — O grupo liberal utiliza na redacção do seu Manifesto o chamado «Acordo Ortográfico», o que não deixa de ser sintomático das suas preocupações sobre a cultura e a identidade nacional.


Lisboa, 13 de Junho de 2017






quinta-feira, 8 de junho de 2017

Mark Zuckerberg na intersecção entre capitalismo e socialismo


Nelson Ribeiro Fragelli, IPCO, 6 de Junho de 2017

O que terá levado o jornal «Le Monde» a estampar na primeira página da sua edição de 28-29 de Maio de 2017 uma grande foto de Mark Zuckerberg?

Não é fácil entender. O quotidiano francês é socialista e Zuckerberg, o criador do Facebook, é uma das estrelas do capitalismo mundial. O jornal é pelo nivelamento social completo enquanto a fortuna de Zuckerberg o coloca bem acima de todos os níveis. Qual a linha de intersecção na qual estas incongruências se juntam?

Zuckerberg foi patrono dos formandos 2017 da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Todo o patrono faz discurso. A prestidigitação jornalística apresenta o dele como portador de um ideal para a juventude a viver «num mundo que perdeu o seu sentido». Uma página inteira do jornal resume as suas palavras. Qual jovem Moisés, Zuckerberg é apresentado como capaz de levar a juventude a atravessar as águas estagnadas deste mundo sem ideal até à outra margem onde está o «sentido da vida». A sua filosofia equivale ao bastão de Moisés, a cujo toque os pântanos deste mundo estagnado se abrirão. Esta filosofia levou-o à fama e ao enriquecimento. Logo, seduzirá os que iniciam uma carreira.

Apoiado no seu sucesso, Zuckerberg passa à segunda parte da sua caminhada rumo à promissão. Explicita a sua filosofia, feita de conhecidos xaropes ideológicos alambicados pelos media. Trata-se de xaropada marxista, à qual se adicionaram novas ervas, bem mais tóxicas, de péssimo paladar. Eis uma pequena dose do seu enjoativo elixir filosófico: «O mundo perdeu o senso da sua existência; é preciso que todos encontrem a sua razão de ser; não se trata apenas de criar empregos, mas devemos procurar visões mais amplas; conheço tantos que abandonaram os seus sonhos sentindo-se desamparados em caso de fracasso etc.».

Após esta insípida grandiloquência, o orador reafirma velhas falácias da cartilha socialista, que nada mais são do que o velho marxismo com nova fantasia: «Lutemos contra o aquecimento global, contra os nacionalismos, contra aqueles que se opõem à imigração». Em determinado momento, volta-se para David Aznar, ali presente e que é convidado a levantar-se para ser aplaudido. Ex-vereador da cidade do México, David Aznar declarou a legalização das uniões homossexuais na sua cidade, aprovadas primeiro que em São Francisco.

Nestes erros encontra-se a linha de intersecção entre o capitalismo milionário e o socialismo pobretão. Mas, a que espécie de terra prometida Mark Zuckerberg leva a juventude?





terça-feira, 6 de junho de 2017

Sacerdotes e exorcistas respondem ao Superior dos jesuítas: «O diabo não é apenas um símbolo»

«Quien no cree en el demonio, no cree en el Evangelio» había explicado el Papa san Juan Pablo II al fallecido y renombrado exorcista y sacerdote Gabriel Amorth.


InfoCatólica, 3 de Junho de 2017

En una reciente entrevista con el diario español El Mundo, Arturo Sosa dijo que «hemos hecho figuras simbólicas, como el diablo, para expresar el mal».

«Los condicionamientos sociales también representan esa figura, ya que hay gente que actúa así porque está en un entorno donde es muy difícil hacer lo contrario» agregó Sosa.

Rechazo del sacerdote y exorcista Santé Babolin

A estas declaraciones el sacerdote y exorcista italiano, el padre  Sante Babolin afirmó que «Satanás existe» y que «el mal no es una abstracción».

En declaraciones a ACI Prensa el 2 de junio, Babolin hizo alusión a varios lugares en documentos y declaraciones de la Iglesia que muestran la verdadera existencia del demonio.

El padre Babolin recordó los documentos del IV Concilio Ecuménico de Letrán en el año 1215, que declaró que los cristianos «creen firmemente y confiesan» que Dios creó «de la nada a una y otra criatura, la espiritual y la corporal».

«El diablo y otros demonios fueron creados por Dios en naturaleza, pero ellos mismos a través de sí mismos se han vuelto malvados», señala el texto del Concilio.

El padre Babolin, conocido como el «exorcista de Padua», también recordó dos discursos del Papa Pablo VI en 1972, que también confirman la existencia del diablo «a los fieles, que tienden a dudar de la existencia de Satanás ... su presencia y acción».

El 29 de junio de 1972, Pablo VI, aludiendo a la situación contemporánea de la Iglesia, dijo en su homilía que parecía que «el humo de Satanás» entró en el templo de Dios. Ese mismo año, el 15 de noviembre, Pablo VI advirtió que «una de las mayores necesidades de la Iglesia» es defendernos «de ese mal que llamamos Diablo».

El padre Babolin también recordó que el Catecismo de la Iglesia Católica enseña que el diablo existe en la realidad, no en el abstracto. En la sección del Catecismo con respecto a la petición «líbranos del mal» del Padre Nuestro, en el número 2851, afirma que «En esta petición, el mal no es una abstracción, sino que designa una persona, Satanás, el Maligno, el ángel que se opone a Dios. El ‘diablo’ (diá-bolos) es aquél que ‘se atraviesa’ en el designio de Dios y su obra de salvación cumplida en Cristo».

El presbítero recordó además que los fieles deben ver la declaración del Cuarto Concilio Ecuménico de Letrán, las afirmaciones del Papa Pablo VI y lo que se enseña en el Catecismo como «tres pruebas irrefutables» sobre la existencia del demonio.

Rechazo del padre Alexander Lucie-Smith

Otro sacerdote que ha expresado su rechazo ante las declaraciones del superior de los jesuitas, es el padre Alexander Lucie-Smith, doctor en teología moral y editor-consultor de The Catholic Herald, quien ha escrito en su blog:

«Tristemente el padre Sosa acostumbra arrojar dudas sobre la credibilidad de la Escritura. Si bien es innegable que Satanás forma parte del gran cuadro que abarca la historia de la salvación de la humanidad, el padre Sosa ha afirmado que los Evangelios no pueden registrar fielmente las palabras de Jesús, porque en aquel tiempo ‘no había grabadoras’. No, no había grabadoras, pero eso no significa que las Escrituras no sean una fuente auténtica para conocer la enseñanza de nuestro Señor».

Luego de hacer referencia a otros hechos embarazosos que ha protagonizado el padre Sosa en el pasado, como su firma de un manifiesto elogiando calurosamente a Fidel Castro y dándole la bienvenida a Venezuela, agrega que «uno podría haber esperado alguna palabra de retractación del padre Sosa, pero no ha habido ninguna». «Quizás los superiores jesuitas no hacen retracciones. ¿Pero no sería mucho pedir que sus consejeros lo alejaran de los micrófonos en el futuro

«Quien no cree en el demonio no cree en el Evangelio»

El fallecido sacerdote y exorcista Gabriel Amorth en su momento había expresado a san Juan Pablo II su preocupación de que cada vez más sacerdotes habían dejado de creer en el demonio, a lo que el Papa respondió: «quien no cree en el demonio, no cree en el Evangelio».

https://www.youtube.com/watch?v=K6yw3g_4rBM



quarta-feira, 24 de maio de 2017

Anda um pai a criar uma filha para isto…


Laurinda Alves, Observador, 23 de Maio de 2017

Estes rapazes e raparigas terão os seus filhos e as filhas, e uma das grandes interrogações também passa por saber como agiriam se soubessem que as suas próprias filhas se vendem por um par de shots.

Ler mais em: http://uniaodasfamiliasportuguesas.blogspot.pt/2017/05/anda-um-pai-criar-uma-filha-para-isto.html





segunda-feira, 22 de maio de 2017

Quando Reagan disse que os pastorinhos eram mais poderosos que o seu exército

Quando Reagan disse que os pastorinhos eram mais poderosos que o seu exército

Filipe d’Avillez, 11 de Maio de 2017

O Presidente dos Estados Unidos evocou o exemplo dos pastorinhos de Fátima quando discursou no Parlamento, em Lisboa, em 1985.

Quando os deputados portugueses se sentaram na Assembleia da República para ouvir discursar Ronald Reagan, em 1985, poucos esperariam uma referência a Fátima e aos pastorinhos. Mas foi isso que aconteceu.

Já na fase final do seu discurso, Reagan abordou a dimensão religiosa do homem. «A nossa reivindicação de liberdade humana e a nossa sugestão de que os direitos inalienáveis vêm de alguém maior do que nós estão ancoradas no transcendente», disse, para depois evocar João Paulo II, seu amigo e aliado na luta contra o comunismo.

«Ninguém fez mais para recordar o mundo da verdade da dignidade humana, bem como do facto de que a paz e a justiça começam com cada um de nós, que aquele homem especial que veio a Portugal há uns anos depois de ter sofrido um terrível atentado. Veio cá, a Fátima, o local do vosso grande santuário, movido pela sua especial devoção a Maria, para pedir pelo perdão e pela compaixão entre os homens, para rezar pela paz e o reconhecimento da dignidade humana através do mundo», disse Reagan.

Mas o mais surpreendente ainda estava para vir. «Quando me encontrei com o Papa João Paulo II, no ano passado, no Alasca, agradeci-lhe pela sua vida e pelo seu apostolado. Atrevi-me a sugerir que o exemplo de homens como ele e nas orações de pessoas simples em todo o mundo, pessoas simples como os pastorinhos de Fátima, reside mais poder do que em todos os grandes exércitos e estadistas do mundo.»

Reagan concluiu então, dizendo que apesar de ele ser Presidente de uma das duas superpotências mundiais, vinha a Portugal também para aprender sobre o poder. «Isto também é algo que os portugueses podem ensinar ao mundo. Porque a grandeza da vossa nação, como a de qualquer nação, reside no vosso povo. Pode ser vista no seu dia-a-dia, nas suas comunidades e vilas, e sobretudo nas igrejas simples que pontuam a vossa terra e que dão testemunho de uma fé que justifica todas as reivindicações de dignidade e liberdade dos homens.»

«Digo-vos que é aqui que está o poder, aqui se encontra a realização final do sentido da vida e do propósito da história e aqui se encontra a fundação para uma ideia revolucionária – a ideia de que os homens têm o direito de determinar o seu próprio destino.»

A história deste discurso foi revelada num artigo escrito pelo historiador Paul Kengor, na revista Crisis. O autor recorda que Tony Dolan, o principal autor dos discursos de Reagan, era um católico devoto que conhecia bem Fátima. Dolan confirmou a Kengor que o Presidente, apesar de não ser católico, estava a par do fenómeno.

«Ele sabia de Fátima. Fátima era uma parte importante do movimento anticomunista. O movimento de Fátima era algo que ele teria conhecido e, para além disso, ele tinha uma vertente mística muito forte.»

Por isso Dolan incluiu a frase no discurso: «Eu sabia que ele ia gostar e que a iria usar. Tinha a certeza. Foi muito atrevido».

Mas o interesse de Reagan por Fátima não se ficou por aí. Em 1987 o Presidente ia novamente encontrar-se com o Papa, em Roma, e sabendo da importância de Fátima para João Paulo II quis inteirar-se totalmente sobre o assunto. O homem encarregue de o fazer foi o embaixador dos EUA junto da Santa Sé, Frank Shakespeare, que, por coincidência, tinha sido embaixador em Lisboa antes de ser colocado no Vaticano.

«Falei com o Reagan sobre Fátima na viagem, tanto no avião como no carro. E ele escutou com muita, muita atenção – estava muito atento. Estava mesmo muito interessado», recorda Shakespeare, em conversa com Kengor.

A julgar por estes testemunhos, dos líderes mundiais da altura, não era apenas o Papa João Paulo II que Fátima tinha um papel importante a desempenhar na luta contra o comunismo.




domingo, 21 de maio de 2017

Mais real que a pedra


José Maria C.S. André, Correio dos Açores, 21 de Maio de 2017
Verdadeiro Olhar,  ABC Portuguese Canadian Newspaper,  Spe Deus, Clarim, O Alcoa,

Correu nestes dias, nos meios de comunicação social, uma polémica muito «século XIX», acerca da natureza das aparições de Fátima. Uns 100 anos antes de Nossa Senhora aparecer em Fátima, estava no auge o esforço de classificação teológica, como se houvesse o intuito de fazer concorrência à matemática. Os manuais de doutrina cristã muito «século XIX» pareciam listas meticulosas de virtudes, de vícios, de graças ...enumerações de tudo! Felizmente, essa época chegou ao fim e não há entusiasmo para repetir a experiência. Fátima, que pertence já ao século XX, fica a anos-luz das alíneas de um catálogo.


Em primeiro lugar, apresenta-se com uma exigência invulgar. Não propõe uma religião anti-stress, em ritmo «Zen», mas fala de realidades extremas, como a vida e a morte, o Inferno e o Paraíso, num desafio sublime: «quereis oferecer-vos a vós mesmos?...», «quereis consolar o vosso Deus?...». Até onde vai o radicalismo do vosso amor?

Em face disto, discutir a classificação, ou as circunstâncias é ficar completamente aquém.

As aparições põem diante de nós um outro mundo, tão real como aquele que respiramos, mas diferente. Os Anjos não têm corpo. No entanto, os Pastorinhos viram e ouviram um Anjo. Em Fátima, em 1917, também outras pessoas, sem terem visto o Anjo ou Nossa Senhora, viram brilhos invulgares, viram os ramos das árvores vergar-se ao peso de um corpo invisível. Como é ver um Anjo? Explicar demasiado só acrescenta palavras à constatação.


Os corpos gloriosos têm igualmente o seu próprio mistério. A Bíblia apresenta-nos as aparições de Jesus ressuscitado aos discípulos e o mistério desses encontros. Algumas vezes, Jesus atravessou as paredes de uma casa fechada. Outras, tinha o aspecto habitual... mas era diferente. Pensaram numa fantasia e Jesus teve de comer com eles para lhes mostrar que era real. Para não parecer talvez um sósia estranho, foi preciso Jesus mostrar-lhes as feridas da crucifixão. Depois de uma pescaria impressionante, os apóstolos reconheceram que era Ele, mas não exactamente como antes, como quando se revê uma pessoa depois de muitos anos. Os dois discípulos de Emaús acompanham-no uma tarde inteira e só ao jantar O reconheceram e – de repente –, quando o reconhecem, desaparece da sua presença. Maria Madalena, dirige a palavra a Jesus junto do sepulcro, mas só percebe com quem está a falar quando Lhe ouve a voz e Jesus a chama pelo nome. O corpo ressuscitado de Jesus ou o corpo de Maria mudaram, mas não deixaram de ser reais.

S. Paulo encontrou uma maneira acertada de falar da ressurreição: semeia-se nesta terra uma semente terrena e encontraremos no Céu uma árvore frondosa. A árvore e a semente são a mesma planta, apesar de não parecerem. Quando ressuscitarmos continuaremos a ser nós próprios, ainda que agora não se consiga imaginar como seremos. Cada um é distinto em bebé, em adolescente, ou na idade adulta, mas é sempre a mesma pessoa. Assim também no Céu.


O real não se esgota no comum e Deus pode alargar a realidade que a vista alcança. Habitualmente, não vemos Anjos, nem vemos Jesus ou os Santos, tal como os Pastorinhos de Fátima também não viam habitualmente senão realidades comuns. No entanto, por momentos, apareceu-lhes o que não costuma ver-se nem ouvir-se.

Nas aparições de Fátima, Nossa Senhora brilha, como uma luz transparente, de uma beleza deslumbrante. Se é tão difícil descrever uma paisagem ou uma fisionomia comum, quanto mais difícil é falar do Céu e de pessoas que ressuscitaram.


Às vezes, proponho-me o desafio descrever aquele grupo escultórico que está no meio das rochas, na Loca do Cabeço, representando o Anjo e os três Pastorinhos. É pedra, bem sei, mas as figuras transparecem uma tensão calma, uma concentração interior que não cabem nas minhas palavras. Onde é que a Maria Amélia Carvalheira foi buscar a inspiração? Só uma escultora genial consegue captar uma realidade tão complexa e «extrair vida» de um bloco de pedra. Depois, tento imaginar a realidade. Porque, a realidade do Anjo e de Nossa Senhora é de ainda outra ordem, nada se lhe compara em brilho, em beleza, ou em importância. Se fosse imaginação, a mensagem de Fátima seria parecida ao relaxamento da música «Zen», mas é mais real que a pedra.