terça-feira, 16 de maio de 2017

Nossa Senhora da Conceição, Padroeira e Rainha de Portugal


Portugal Glorioso, 8 de Dezembro de 2016

Como se tornou Nossa Senhora

a verdadeira Soberana de Portugal.

O culto a Santa Maria nasceu nos primórdios da nacionalidade. Desde o nosso primeiro Rei D. Afonso Henriques – um grande devoto de Nossa Senhora e que fez várias concessões a Santa Maria Bracarense, como tributo pela ajuda concedida na manutenção do seu território, designadamente engrandecendo a Catedral de Braga elevando-a à categoria de templo nacional, passando deste modo, Santa Maria de Braga, a ser a Padroeira do território portucalense – que todos os Reis da 1.ª dinastia praticaram o seu culto, agradecendo-lhe o auxílio prestado para a manutenção da independência do novo reino.

Também na 2.ª dinastia, iniciada com D. João, Mestre de Avis, este na Batalha de Aljubarrota incitou os seus companheiros de armas em nome de Deus e da Virgem Maria.

D. Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino, por ser devotíssimo da Virgem Santa Maria, que respondeu às suas preces em Valverde, Atoleiros e Aljubarrota, mandou construir a Igreja de N. ª Sr. ª da Conceição de Vila Viçosa, (imagem no fim do post) e encomendou, para o efeito, em Inglaterra a imagem de Nossa Senhora da Conceição. E quando ingressa no Convento do Carmo em Lisboa como irmão leigo, usa apenas o nome de Frei Nuno de Santa Maria.

A São Nuno de Santa Maria se deve a renovação de uma antiga Confraria de Vila Viçosa, existente pelo menos desde 1349 e por si consagrada a Nossa Senhora da Conceição, que ainda hoje subsiste, a «Régia Confraria de Nossa Senhora da Conceição».

Mas foi após a Restauração de 1640, com D. João IV, que se verifica um grande impulso na devoção à Senhora da Conceição, por todo o país.

No dia 8 de Dezembro de 1640, Frei João de S. Bernardino, ao pregar na capela Real de Lisboa na presença do Duque de Bragança, agora já Rei de Portugal, termina o sermão por uma solene promessa:

Seja assi, Senhora, seja assi; e eu vos prometo, em nome de todo este Reyno, que elle agradecido levante um tropheo a Vossa Immaculada Conceição, que vencendo os seculos, seja eterno monumento da Restauração de Portugal.

Em 25 de Março de 1646, o rei D. João IV organizou uma cerimónia solene, em Vila Viçosa, para agradecer a Nossa Senhora a restauração da independência em relação a Espanha. Foi até à igreja de Nossa Senhora da Conceição, ofereceu a coroa portuguesa a Nossa Senhora, colocando-a a seus pés proclamou-a Padroeira Portugal. O acto da proclamação alargou-se a todo o País, com o povo a celebrar, pelas ruas, entoando cânticos de júbilo.

Assim se tornou Nossa Senhora a verdadeira Soberana de Portugal, por isso, desde este dia, mais nenhum rei português usou a coroa real na cabeça, direito que passou a pertencer apenas à Nossa Senhora. Em cerimónias solenes, a coroa passou a ser colocada em cima de uma almofada, ao lado do rei. Um facto extraordinário e único no mundo.


Em 1648 D. João IV mandou cunhar medalhas de ouro e prata que correram como moeda, em honra da Padroeira de Portugal, tendo no reverso a imagem de Nossa Senhora da Conceição coroada de sete estrelas sobre o globo e a meia-lua, tendo aos lados o sol, o espelho, a casa de ouro, a arca da aliança, o porto e a fonte selada com a legenda: Tutelaris Regni. Foi, até, com duas destas moedas em ouro que o Rei pagou, nesse ano, o tributo prometido ao Santuário de Nossa Senhora de Vila Viçosa.


Outros reis, seus sucessores, continuaram a tradição deste culto de homenagem a Nossa Senhora, caso de D. João V, em 1717, que recomenda a todas as igrejas a celebração anual com pompa e solenidade da Festa da Imaculada Conceição, enquanto D. João VI emite um decreto criando a Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e a Cabeça da Ordem (lugar principal) na Sua Real Capela.

Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, também conhecido por Solar da Padroeira, por nele se encontrar a imagem da padroeira de Portugal.

Há uma grande peregrinação anual ao Santuário de Vila Viçosa que se celebra todos os anos a 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal. O Papa João Paulo II visitou este Santuário durante a sua primeira visita a Portugal, em 14 de Maio de 1982.


Fontes;

http://www.arqnet.pt/

http://refugiodomocho.blogspot.pt/

http://risco-continuo.blogs.sapo.pt/





segunda-feira, 15 de maio de 2017

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Nossa Senhora


José Régio (1901-1969)

    Tenho ao cimo da escada, de maneira
    Que logo entrando os olhos me dão nela,
    Uma Nossa Senhora de Madeira
    Arrancada a um Calvário de capela.

    Põe as mãos com fervor e angústia. O manto
    Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto;
    E uma expressão de febre e espanto
    Quase lhe afeia o fino rosto.

    Mãe das Dores, seus olhos enevoados
    Olham chorosos, fixos, muito além...
    E eu, ao passar, detenho os passos apressados
    Peço-lhe: – A sua bênção, Mãe!

    Sim, fazemo-nos boa companhia,
    E não me assusta a sua dor; quase me apraz.
    O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluia!
    Só isso bastaria a me dar paz.

    «Porque choras Mulher?... – docemente a repreendo,
    Mas à minh'alma, então, chega de longe a sua voz
    Que eu bem entendo:
    «Eu sei! Teus filhos somos nós».





quarta-feira, 10 de maio de 2017

Fátima: visões ou aparições?


Cónego José Manuel dos Santos Ferreira, Observador, 09/05/2017
Pároco de Santa Maria de Belém – Mosteiro dos Jerónimos

Pode haver visões ou aparições?
Como se distinguem?
E que aconteceu em Fátima?
Foram aparições ou simplesmente visões?

O filósofo francês Jean Guitton (1901-1999), num livro intitulado Os misteriosos poderes da fé, escrito em diálogo com o jornalista e escritor Jean-Jacques Antier, (edição francesa de 1997 e tradução portuguesa de 2000), observa que as pessoas com fé tendem a admitir que as visões ou aparições são possíveis e que até já aconteceram muitas vezes, ao passo que os descrentes ou cépticos dirão que não têm qualquer consistência ou realidade, nem sequer podem existir. Para estes, aquilo a que chamamos visão ou aparição não é mais do que um estado doentio em que o protagonista se apercebe de uma sensação sem que esta tenha nenhuma causa real na sua origem. Para os crentes, porém, a aparição ou visão é uma experiência real (p. 283 da edição portuguesa).

Admitindo que possam existir, como se distinguem «visões» de «aparições»?

O mesmo filósofo distingue entre visões exteriores e visões interiores. «As visões exteriores, ou visões sensíveis, ou aparições, implicam a representação de uma entidade sobrenatural – por exemplo a Virgem Maria – sob uma forma perceptível aos sentidos». Aqui, «o objecto apresenta-se no espaço real e aqueles que acompanham o vidente podem vê-lo ou não. Pelo contrário, as visões interiores são circunscritas exclusivamente à consciência do vidente, e as eventuais testemunhas não as vêem» (p. 284).

A distinção essencial é, portanto, entre «visão interior, cujo objecto está circunscrito à consciência do sujeito, e a visão exterior (ou aparição), cujo objecto se apresenta sensivelmente no espaço real» (p. 285).

O teólogo francês Louis Bouyer, no seu Dicionário de Teologia, define assim o conceito de aparição: «Chama-se aparição a uma manifestação de Deus, dos anjos ou até de seres humanos que já morreram, (santos ou não), que se apresenta de uma forma que impressiona os sentidos». E conclui: «Deus, os anjos e os santos podem manifestar-se a nós, se tal for a vontade divina, tanto por uma simples impressão sobrenatural feita sobre a nossa imaginação, como pela apresentação objectiva aos nossos sentidos de uma realidade corporal ou material de origem milagrosa» (trad. espanhola de 1990, p. 84).

E em Fátima, para aqueles que acreditam, houve visões ou aparições?

O filósofo português Carlos Henrique do Carmo Silva, num artigo publicado por ocasião do 80.º aniversário dos acontecimentos de Fátima («Aparições e experiências místicas: reflexão sobre o fenómeno de Fátima e contributo para uma sua renovada meditação espiritual», Didaskalia, Lisboa 1998), caracteriza o que aqui aconteceu como «um celeste contacto» (p. 21), expressão que, só por si, alude à mesma «realidade objectiva» de que falam os autores anteriormente citados.

Uma aparição é, portanto, «um celeste contacto», que ali está, «no espaço exterior», sob a forma de «uma realidade corporal ou material», mas indubitavelmente – e nem poderia ser de outra maneira – «de origem milagrosa».

Assim sempre se considerou terem sido os acontecimentos de Fátima: isto é, «aparições», e não simplesmente «visões» da Virgem Santa Maria.

«Na idílica, porém rústica, paisagem da Cova da Iria, como já nos Valinhos, e no pastoreio a que se dedicavam Lúcia, Francisco e Jacinta, surgem recortes de uma outra Presença que lhes aparece e se torna sensível». Assim resume Carlos Henrique do Carmo Silva estes acontecimentos, fazendo notar logo de seguida que «se toma aqui a aparição não como uma visão (de diversas «imagens invisíveis», de um magma fantasmático, ou de uma clarividência confusa, semelhante à da consciência onírica…), mas na acepção do aparecer visível de uma figura, um recorte presencial que distintamente se sobrepõe ao regime do mundo da percepção habitual» (p. 37 e nota 82).

As aparições de Fátima são esta presença objectiva e exterior da Virgem, manifestada aos três Videntes, presença tão objectiva como a das árvores ou das casas, ou das próprias ovelhas que pastoreavam, distinta destas ou de quaisquer outras realidades, porém, por ser sobrenatural e de origem miraculosa.

Em sentido contrário, porém, temos um texto assinado pelo Cardeal J. Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, ao tempo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sob o título de Comentário Teológico, e incluído num conjunto de Documentos sobre «A Mensagem de Fátima», com data de 26 de Junho de 2000.

O Comentário começa por recordar a distinção perfeitamente tradicional entre os três tipos de visões:

«A antropologia teológica distingue, neste âmbito, três formas de percepção ou «visão»: a visão pelos sentidos, ou seja, a percepção externa corpórea; a percepção interior; e a visão espiritual».

Mas, depois de ter reconhecido a existência de três tipos de visão, o Comentário limita consideravelmente o seu alcance, pois, segundo ele, quer a visão seja interna ou externa, o vidente deforma necessariamente o que viu.

O Comentário exclui em seguida categoricamente que os acontecimentos de Fátima (ou de Lourdes) possam ser visões exteriores ou sensíveis, e classifica-as deliberadamente entre as visões interiores:

«É claro que, nas visões de Lourdes, Fátima, etc., não se trata da percepção externa normal dos sentidos: as imagens e as figuras vistas não se encontram fora no espaço circundante, como está lá, por exemplo, uma árvore ou uma casa».

Para o provar, dá um exemplo que parece incontestável:

«Isto é bem evidente, por exemplo, no caso da visão do Inferno (descrita na primeira parte do «segredo» de Fátima) ou então na visão descrita na terceira parte do «segredo».

Mas também não se tratou de uma simples visão espiritual ou intelectual:

«De igual modo, é claro que não se trata duma «visão» intelectual sem imagens, como acontece nos altos graus da mística. Trata-se, portanto, da categoria intermédia, a percepção interior que, para o vidente, tem uma força de presença tal que equivale à manifestação externa sensível».

E acrescenta:

«Este ver interiormente não significa que se trata de fantasia, que seria apenas uma expressão da imaginação subjectiva. Significa, antes, que a alma recebe o toque suave de algo real mas que está para além do sensível, tornando-a capaz de ver o não-sensível, o não-visível aos sentidos: uma visão através dos «sentidos internos». Trata-se de verdadeiros «objectos» que tocam a alma, embora não pertençam ao mundo sensível que nos é habitual. (…) A pessoa é levada para além da pura exterioridade, onde é tocada por dimensões mais profundas da realidade que se lhe tornam visíveis».

E insiste:

(…) As imagens por eles [os pastorinhos de Fátima] delineadas (…) também não se hão-de imaginar como se por um instante se tivesse erguido a ponta do véu do Além, aparecendo o Céu na sua essencialidade pura, como esperamos vê-lo um dia na união definitiva com Deus».

O Comentário nega, portanto, a realidade dos fenómenos exteriores, e não vê, nas visões de Fátima, senão uma percepção interior dos videntes. Para ele, em Fátima como em Lourdes, as figuras vistas pelos videntes não se encontram exteriormente no espaço!

A descrição da Virgem pelas crianças não seria, portanto, mais do que uma imagem daquilo que eles captaram interiormente. Por outras palavras, Nossa Senhora não teria vindo a Fátima: os visitantes não tiveram senão uma percepção interior da sua presença.

Esta leitura do Cardeal Ratzinger pode ser contestada?

Pode, claramente, em primeiro lugar porque, embora seja um texto oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, não é uma «Instrução» nem uma «Notificação», como tantas que o Cardeal Ratzinger assinou, recebendo depois a aprovação do Papa, que ordena em seguida a sua publicação. Veja-se como termina, por exemplo, uma «Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura», publicada em 14 de Setembro de 2000: «O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida ao abaixo-assinado Prefeito, aprovou a presente Instrução, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e mandou que fosse publicada».

Este modo solene de conclusão com a aprovação papal não existe neste caso, o que se compreende, porque o texto em apreço não pretende ser mais do que um «Comentário», que intencionalmente não se reveste de especial autoridade no âmbito do Magistério da Igreja. Será legítimo, portanto, se houver razões para isso, pensar de modo diferente ou até discordar sobre matérias que nele se abordam, sem prejuízo do grande respeito que nos merecerá sempre o seu Autor.

Julgo, porém, que existem muitas razões para discordar da classificação dos acontecimentos de Fátima neste género intermédio, isto é, como sendo simples visões interiores, ainda que genuínas e de origem sobrenatural.

A verdade é que a Ir. Lúcia era de uma opinião totalmente contrária: ela estava certa de ter visto realmente a Virgem Maria, como esperava um dia vê-la no Céu. Em 1924, na comissão de inquérito canónico, foi-lhe feita esta pergunta: «Tens a certeza de que viste realmente uma Senhora em cima da carrasqueira e de que não te enganaste?»

E Lúcia respondeu: «Tenho a certeza de que a vi e de que não me enganei; ainda que me matassem, ninguém me faria dizer o contrário».

«E quem era essa Senhora?»

Respondeu: «Antes de ela dizer que era a Senhora do Rosário, não sabia quem era; agora estou convencida de que era Nossa Senhora» (Documentação Crítica de Fátima, doc. 82, p. 324).

No decurso da sua vida, a Ir. Lúcia não teve só visões sensíveis ou aparições, mas foi sujeita aos três tipos de visões acima referidos. As inspirações que receberá do Céu em resposta às suas interrogações serão frequentemente uma percepção interior. Já a visão de Tuy (13 de Junho de 1929) deverá, pelo contrário, integrar-se no segundo tipo, pois a Ir. Lúcia diz que viu, e não há nenhuma razão para duvidar do seu testemunho. Mas as personagens ou objectos desta imagem não estavam presentes fisicamente, em particular Deus Pai: portanto, dificilmente pode tratar-se de uma visão sensível.

A visão do Inferno pode igualmente ser inserida nesta categoria, visto que, como nota o Comentário do Cardeal Ratzinger, o fogo não se ateou na Cova da Iria! Claro que o Inferno não esteve, fisicamente, diante dos pequenos videntes: eles viram-no graças àquela luz que emanava das mãos da Virgem.

Mas o facto de a visão do Inferno ser da categoria das visões imaginativas, não prova que o resto da visão o seja, pois, como diz Adolfo Tanquerey, numa obra clássica sobre o assunto, nada impede que haja diversas percepções diferentes no decurso de uma mesma aparição. Esta dupla percepção já se produziu, aliás, na primeira aparição de 13 de Maio de 1917. Pelo reflexo vindo das mãos da Virgem, os pastorinhos viram-se em Deus: esta visão é muito provavelmente uma visão interior, que vem acrescentar-se à visão sensível da Senhora. Nas aparições de 1917, é fácil discernir as visões interiores, pois elas são precedidas de um gesto de abertura das mãos da Virgem e por um raio de luz que emana das suas mãos, como para materializar a graça da visão dada.

Mas as visões de Nossa Senhora são seguramente visões sensíveis. É seguro que a Virgem Maria apareceu aos pastorinhos sob uma forma exterior sensível. O carácter ofuscante das aparições é também uma prova da realidade do corpo glorioso da Santíssima Virgem. A Lúcia foi muitas vezes obrigada a baixar os olhos, tão viva era a luz que emanava da Virgem. O Cón. Formigão perguntou-lhe:

– Por que razão não raro baixas os olhos deixando de fitar a Senhora?

– É que ela às vezes cega (Documentação Crítica de Fátima, p. 58)

Na narrativa que fez da aparição de 13 de Outubro, disse:

«Veio no meio dum esplendor. Desta vez também cegava. De vez em quando eu tinha de esfregar os olhos» (J. de Marchi, Era uma Senhora mais branca que o sol, p. 177).

Também os fenómenos físicos que acompanharam os acontecimentos de Fátima e foram observados por numerosas testemunhas, não podem ser frutos de uma visão imaginativa. O seu número é impressionante. Esses fenómenos exteriores manifestam sem qualquer dúvida possível a presença efectiva de uma pessoa celeste.

Não só os videntes, mas também muitos daqueles que tiveram a graça de assistir (exteriormente) às aparições observaram esses fenómenos físicos, e isto em todas as aparições e não somente por ocasião do Milagre do Sol. Em parte nenhuma fora de Fátima, a Virgem rodeou a sua vinda e autenticou a sua presença de tantos sinais tão extraordinários. E essas testemunhas eram particularmente numerosas: cerca de 50 na 2.ª aparição, 4 000 na 3.ª, 18 a 20 000 na 4.ª, 25 a 30 000 na 5.ª e cerca de 70 000 na última, estando alguns por vezes a vários quilómetros do lugar das aparições!

Por ocasião dos acontecimentos de Fátima, as testemunhas mais próximas puderam observar diversos fenómenos dificilmente atribuíveis a visões interiores. Mas outros fenómenos puderam ser observados por um grande número de testemunhas exteriores.

Foram eles os seguintes:

I – Relâmpagos, que sempre antecedem as Aparições. Trovões, no momento preciso da Aparição, ou no seu termo, e cuja origem parecia provir da azinheira.

II – Curvatura do arbusto, como se tivesse estado coberto por um manto, e com as folhas todas inclinadas na mesma direcção (na segunda Aparição).

III – Perfume, de essência nova e desconhecida, evolando-se do ramo da azinheira cortado dos Valinhos, e sentido pela senhora Maria Rosa e circunstantes, após a quarta Aparição.

IV – Nubescente globo luminoso, avançado de Este para Oeste, e deslizando majestosamente através do espaço, até tocar a azinheira (na quinta Aparição).

V – Nuvem branca ou matizada, e de vista agradabilíssima, que várias vezes se formou em torno dos Videntes, com vaporizações de fumo ascendente até cinco ou seis metros de altura. E, isto, por três vezes bem distintas, na mesma Aparição.

VI – Chuva evanescente de rosas, com rosinhas brancas, maiores vistas de longe, e que, pouco a pouco, se vão tornando mais pequenas, com o aproximarem-se do chão, até desaparecendo de todo.

VII – Diminuição da luz solar em pleno meio-dia, sem nuvens nem eclipses. Viam-se a Lua e as estrelas. Este fenómeno verificou-se em todas as Aparições, à excepção da última. Quanto à primeira Aparição, não se sabe.

VIII – Milagre do Sol, que, segundo os testemunhos, consta de três fases:
  • a) O Sol torna-se opaco, com reflexos de madrepérola; pode-se fixar sem dificuldade, havendo ausência absoluta de nuvens e de eclipse;
  • b) Irradiações de cores, com rotação em feixes irisados que se difundem por todo o céu, semelhantes a fogo-de-artifício,
  • c) Movimento do disco solar, como que aumentando, ao princípio e dando a sensação de se precipitar sobre a terra; em seguida, movimento de translação do disco sobre o firmamento, de relance, tanto em linha retilínea, como quebrada.
«Em geral, podemos dividir, em duas classes, todos estes fenómenos: a primeira consta de fenómenos instantâneos; a segunda, de fenómenos estáveis. Os primeiros foram os relâmpagos e os trovões; os segundos, todos os outros. Compreende-se desta forma que Fátima se tenha imposto e triunfado…» (Sebastião Martins dos Reis, «Síntese crítica de Fátima», Junta Distrital de Lisboa, Boletim Cultural, 1987/68. p. 86-88).

O Cardeal J. Ratzinger foi eleito Papa em 2005. O seu pensamento sobre Fátima mudou?

Os seguintes pronunciamentos falam por si:

1. «Decorre hoje o nonagésimo aniversário das APARIÇÕES de Nossa Senhora em Fátima. Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das APARIÇÕES modernas. Vamos pedir à Mãe da Igreja, Ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades». (Papa Bento XVI, 13/5/2007)

2. «Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira VISITA feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana.» (Papa Bento XVI, 13/5/2010)

3. «Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, VEIO DO CÉU a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das APARIÇÕES apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima. (Papa Bento XVI, 13/5/2010)

4. «O meu pensamento vai para Nossa Senhora de Fátima, de quem hoje recordamos a última APARIÇÃO. À Celeste Mãe de Deus vos confio, caros jovens, para que possais generosamente responder à chamada do Senhor.» (Papa Bento XVI, 13/10/2010).





É bom conhecermos a verdadeira Marine Le Pen (2): influências maçónicas


https://www.youtube.com/watch?v=gi5405Bs7xc&feature=youtu.be






É bom conhecermos a verdadeira Marine Le Pen (1): abortista

A eurodéputée Sophie Montel do FN, que preside ao groupe frontistea no Conselho Regional de Bourgogne-Franche-Comté, pronunciou um discurso centrado no «direito das mulheres», apoiando o aborto:

«Nous ne faisons pas du vieux conservatisme en reprenant à notre compte des combats d'arrière-garde. Nous sublimons la femme, nous défendons la libre disposition de son corps qui passe naturellement par la sanctuarisation de la contraception et la non-remise en cause de l'avortement. Oui, mes amis, le Front national défend le droit de la femme à disposer de son corps.»

Marine Le Pen e a eurodéputée Sophie Montel do FN, que preside
ao groupe frontistea no Conselho Regional de Bourgogne-Franche-Comté

«Tens razão, Sophie» — exclama Marine

Sophie Montel foi aplaudida por parte da sala e assobiada por outra. Esta passagem soa a ataque a  Marion Maréchal-Le Pen, sobrinha de Marine Le Pen, e que tem sobre este assunto uma posição totalmente contrária.  Marion  refere-se à «banalização do aborto».

No seu discurso, Marine Le Pen disse a Sophie Montel:

«Tens razão, Sophie».





terça-feira, 25 de abril de 2017

A mensagem de Fátima

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

Joseph Card. Ratzinger

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

APRESENTAÇÃO

Na passagem do segundo para o terceiro milénio, o Papa João Paulo II decidiu tornar público o texto da terceira parte
do « segredo de Fátima ».

Depois dos acontecimentos dramáticos e cruéis do século XX, um dos mais tormentosos da história do homem, com o ponto culminante no cruento atentado ao « doce Cristo na terra », abre-se assim o véu sobre uma realidade que faz história e a interpreta na sua profundidade segundo uma dimensão espiritual, a que é refractária a mentalidade actual, frequentemente eivada de racionalismo.

Ler mais em:

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000626_message-fatima_po.html




segunda-feira, 17 de abril de 2017

Exorcistas dos Estados Unidos denunciam o alarmante aumento de actividade demoníaca e dizem de onde vem

El exorcista Vincent Lampert comparte con sus compañeros
la necesidad de que se sigan nombrando más exorcistas

Javier Lozano, ReligiõnenLibertad, 17 de Março de 2017

La actividad demoniaca está creciendo de manera alarmante. Quien así se manifiesta es uno de los exorcistas más conocidos del mundo, el padre Vincent Lampert, que ostenta este cargo en Indianapolis desde 2005. Cada vez los obispos están más concienciados con respecto a la lucha contra Satanás, y por ello más sacerdotes son formados y designados exorcistas por sus obispos.

El padre Lambert habla de la realidad de Estados Unidos, que en comparación con otros muchos países ha dado una respuesta más rápida al aumento de la influencia de Satanás.

El gran problema del porno, las drogas y el ocultismo

Además de dar charlas a laicos y sacerdotes sobre los verdaderos y reales peligros del mal, el padre Lampert afirma en una entrevista en el National Catholic Register que él está notando un aumento del número de personas que participan en rituales satánicos y que se abren al mal.

«El problema no es que el demonio haya aumentado su juego sino que más personas están dispuestas a jugar», asegura este exorcista estadounidense. Y se refería sobre todo al consumo masivo de pornografía desenfrenada, drogas ilegales y contactos con el ocultismo. Según este sacerdote, «donde hay actividad demoníaca, siempre hay un punto de entrada».

Una necesidad imperiosa de más exorcistas

De este modo, el padre Lampert coincide con la opinión generalizada que se dio en la reunión a la que asistió en Roma el pasado mes de octubre de la Asociación Internacional de Exorcistas de que hay una gran necesidad de exorcistas en las diócesis y que los que hay actualmente no son suficientes.

Rompiendo algunos mitos, este sacerdote cuenta que las posesiones demoníacas reales son poco frecuentes. «Sólo he visto tres posesiones en los últimos tres años», dijo, pero específico que sí hay muchos casos de infestación y vejación.

Vincent Lampert, conocido exorcista de Estados Unidos,
alerta del crecimiento de la influencia demoníaca
Una respuesta a un problema muy real

Cuando fue nombrado exorcista por su obispo en 2005, sólo había otros 12 como él en EEUU. Ahora hay unos 50 exorcistas que él conoce personalmente en los Estados Unidos, más algunos otros que no conoce.

Los obispos son conscientes del aumento de la actividad demoníaca porque un sacerdote sólo puede realizar un exorcismo con el permiso del obispo. En Estados Unidos no se han quedado de brazos cruzados y en 2012 se fundó el Instituto Papa León XIII para la «educación y formación de los sacerdotes en el santo ministerio del exorcismo y la liberación».

Comenzó como una serie de reuniones informales a petición de los obispos de Estados Unidos que desean la educación y la formación. También fue una respuesta a la recomendación de San Juan Pablo II de que todas las diócesis nombraran un exorcista. Un portavoz de la Conferencia Episcopal de Estados Unidos dijo que, aunque idealmente cada diócesis debe tener su propio exorcista, no conocen las estadísticas en cuanto a las cifras reales.

A más pecado en la sociedad, más actividad demoníaca

Monseñor John Esseff, presidente de la junta directiva del instituto, fue uno de los miembros fundadores. Ha sido sacerdote durante 63 años y exorcista en la diócesis de Scranton, Pensilvania, durante más de 40 años.

Este veterano exorcista explica que «a medida que la aceptación del pecado ha aumentado, también lo ha hecho la actividad demoníaca». Ante esta situación, añade, «los obispos veían la necesidad de que hubiera más exorcistas entrenados porque muchos casos eran enviados desde todo el país a las diócesis que sí tenían exorcistas». Y a su juicio, «una persona debe ser atendida en su propia diócesis».

John Essef es uno de los exorcistas más veteranos de Estados Unidos
Decenas de exorcistas se preparan en este instituto

En su primera promoción salieron 55 exorcistas preparados tras un programa de dos años. La formación consiste en sesiones de diez días que se imparten en el Seminario de la Archidiócesis de Chicago, dos veces al año durante dos años. En la segunda promoción, que saldrá este próximo otoño, se graduarán otros 52 sacerdotes dispuestos a luchar contra Satanás.

Monseñor Esseff dice estar esperanzado por el hecho de que cada vez más son los obispos que son conscientes de su papel como «exorcista jefe de la diócesis» aunque alertó de que «también hay cierta resistencia de la realidad de Satanás» en el seno de la Iglesia, entre sacerdotes y obispos que consideran como si sólo existiera «el mal y no el diablo».

«El único que puede vencer a Satanás es Jesús. Él vencerá el reino del mal con la luz. Y cada sacerdote representa a Jesús. El diablo no ve al sacerdote, él ve a Jesús», afirma este veterano exorcista.

Exorcismos mayores y menores

Por su parte, el obispo de Springfield, Thomas Paprocki, que ha impartido varias charlas en el Instituto León XIII hace hincapié en diferencias los exorcismos mayores y menores. «Un exorcismo menor se presenta con mucha frecuencia en la Iglesia, cada vez que hacemos un bautismo», explica, pues es «una cuestión de rechazar a Satanás y todas sus obras».

Monseñor Thomas Paprocki es uno de los obispos
más concienciados con respecto a la necesidad de que haya más exorcistas
Por ello, el prelado aclara que un sacerdote no necesita ningún permiso del obispo para hacer exorcismos menores en situaciones donde haya malas influencias, «es sólo una cuestión de orar a Dios para vencer las malas influencias».

Una advertencia a los laicos

El padre Lampert añade que un sacerdote, e incluso los laicos, pueden rezar las oraciones de exorcismo menor porque se dirigen a Dios pero advierte de que «los fieles laicos no deben dar órdenes a los demonios», dijo. «Los demonios reconocen la autoridad de los obispos y la Iglesia. Si reclaman autoridad por su cuenta, se pueden meter en problemas», advirtió a los laicos.

«No son los exorcistas quienes tienen el poder», dijo el Padre Lampert, «sino el poder y la autoridad de la Iglesia que viene de Jesucristo. Los católicos deben entender que los individuos no tienen ese poder».





Classicismo pagão e desvario neopagão


Plinio Corrêa de Oliveira, IPCO, 16 de Abril de 2017

O neopaganismo hodierno, fruto envenenado da apostasia, é de uma espécie mil vezes pior que o paganismo antigo, deforma muito mais a fundo o homem, a arte, a civilização e a vida, levando-os a um nível infra-humano em que triunfa sem restrições o Poder das Trevas. É noutros termos a vitória de Satanás através da vitória do maniqueísmo.

Emergindo de um arvoredo sombreado e ameno, e tendo como fundo de quadro as montanhas de delicados contornos e as águas plácidas do porto de Hong Kong, alteia-se, dominando a cidade com o seu vulto a um tempo forte e esguio, o famoso Pagode Branco.
Trata-se de uma construção de carácter religioso, pois o pagode é uma capela ou templo. Notável por o seu mérito artístico, o Pagode Branco pode ser apresentado como um tipo característico de certa arquitectura religiosa chinesa. E como tal espelha, pelo menos em muitos dos seus traços, a psicologia, a índole, o espírito da religião para cujo uso foi concebido e plasmado.

É bem certo que neste monumento não se nota o «quid» excelso, absolutamente imponderável, impalpável, mas impressionante e vivo, que marca os ambientes altamente impregnados pela influência católica, e que nos imerge por assim dizer numa atmosfera sobrenatural: basta lembrar certos lugares como a Sainte Chapelle de Paris, por exemplo, ou Assis, ou ainda certas cenas como o Sumo Pontífice a entrar em São Pedro na sédia gestatória, ou a procissão do Santíssimo Sacramento em Lourdes.

Não obstante, neste monumento manifestam-se tantos elementos de equilíbrio, harmonia, delicadeza e distinção, que nele poderia instalar-se sem desdouro – assim pensa pelo menos o autor deste comentário – uma Igreja católica. Quanto nos sorri a ideia de uma China enfim convertida à única Igreja de Deus, e este pagode consagrado ao culto da Rainha do Céu e da terra!

Uma torre inteiramente isolada de qualquer conjunto arquitectónico é obra difícil de se realizar com verdadeiro gosto. Pois facilmente cai nos extremos. Se se procura dar-lhe ares de força fica exposta a parecer vulgar e brutal. Se, pelo contrário, se a constrói muito esguia, é difícil que não dê a impressão de caniço insignificante.

Com quanto amor ao equilíbrio, à harmonia, ao bom senso enfim, os construtores desta torre souberam evitar ambos os excessos! A altura é perfeitamente proporcionada ao diâmetro da base. E, para tornar o edifício realmente leve, cada andar suporta outro menor. A leveza é realçada por parapeitos finamente trabalhados, e por magníficos beirais «franzidos», quase diríamos «flexíveis», que se terminam tão delicadamente que parecem até flutuar no ar, prontos a deixarem-se ondular com suavidade se por eles perpassar o sopro de alguma brisa. Para corrigir o que os beirais e os parapeitos pudessem ter de excessivamente frágil, cada andar constitui um octógono robusto, de paredes absolutamente lisas, aberto em cada faceta tão somente por um arco de linhas severas, coerentes e simples. Dir-se-ia que o octógono considerado em si mesmo tem toda a precisão, a força e o peso de um sólido raciocínio, e os parapeitos e beirais toda a leveza, a graça, a nobreza de uma suave fantasia.

Para terminar esta apreciação, imagine o leitor que um incêndio destruísse o tecto do último andar. E procure um outro desenho que o substituísse bem. Dificilmente encontraria ideia melhor. Dir-se-ia que este tecto é uma flor cuja corola tenha sido voltada para a terra. Os olhos acompanham insensivelmente as nervuras da corola, chegam até a haste, e comprazem-se em acompanhar a sequência dos anéis sempre mais finos que a compõem, detêm-se um último instante no ornato final, e perdem-se no céu…

Não é este o momento de fazer uma análise da religião chinesa. Sem nos esquecermos de que a gentilidade é o reino do demónio, é preciso reconhecer que o império do espírito das trevas não chegou a ponto de apagar entre os chineses um certo amor ao bom senso, ao equilíbrio, à beleza, que se patenteia de modo esplendido neste edifício. E de quantas outras culturas antigas se poderia fazer o mesmo elogio! É o que explica a dilecção, o cuidado, o gosto com que a Igreja, nos países de missão, se acerca destes restos, por vezes ainda palpitantes de velhas civilizações, conservando-os, estudando-os, purificando-os das sordícies pagãs, para finalmente lhes infundir outro espírito e os assumir e os integrar no imenso acervo da cultura católica.
Volvamos os olhos, da torre alva, esbelta, forte e delicada em que a razão e a fantasia tão harmoniosamente se fundem, para este pobre aleijão, que faz pensar num aerólito de cristal que se tivesse espatifado em terra, desfazendo-se em cacos, e dando no seu conjunto a impressão desordenada, disforme, escarrapachada (para certas realidades, só certos vocábulos!), algum tanto ridícula de tudo que se desmancha e estatela (mais uma vez. para certas realidades só certos vocábulos) no chão depois de uma pesada queda. Este violento e desastrado conjunto de aberrações é uma capela interconfessional desenhada para uma grande universidade do Novo Mundo. Mas segundo os cânones de certa «arte» internacional, poderia igualmente servir de capela católica, budista ou maometana em qualquer parte do globo [Bruce Goff’s proposed chapel for the University of Oklahoma (Bruce Goff’s Crystal Chapel )].

Encontra-se nesta produção tão típica do mundo moderno neopagão algo que exprima ainda as qualidades humanas que no próprio paganismo antigo se afirmavam? Ou pelo contrário se diria que se exprime neste estilo precisamente o contrário daqueles predicados, e que estamos em presença de um monumento erguido em homenagem à extravagância, à desproporção, à incongruência, ao grotesco enfim? Se um demónio, com permissão divina, sacudisse com ódio e brutalidade uma capela, não é bem assim que ela ficaria?

Triste verificação que serve de pequeno pórtico a uma grande conclusão. O neopaganismo hodierno, fruto envenenado da apostasia, é de uma espécie mil vezes pior que o paganismo antigo, deforma muito mais a fundo o homem, a arte, a civilização e a vida, levando-os a um nível infra-humano em que triunfa sem restrições o Poder das Trevas. É noutros termos a vitória de Satanás através da vitória do maniqueísmo.





domingo, 16 de abril de 2017

Jornalista portuguesa em Inglaterra denuncia jornalismo de Portugal

Mara Alves, 12 de Abril de 2017














COMUNICADO


Olá a todos, em virtude da reportagem da TVI Intitulada «O Novo Muro» acerca do Brexit que eu e o meu marido participámos, sou obrigada a escrever estas palavras, não só para reparar a verdade, como para poder descansar quem da minha rede de amigos tem enviado mensagens de indignação sobre o que viu.

O meu pai tem 76 anos e depois de ver esta reportagem ficou com medo de eu viver em Inglaterra, teme pela minha segurança. Por isso tenho obrigação de fazer este esclarecimento.

Comecemos pelo inicio, quando o jornalista nos contactou acerca da reportagem foi nos garantido que iriam abordados os dois lados, emigrantes que se sentem menos confortáveis com o Brexit e outros, quem como nós estão tranquilos.

Ao vermos ontem a reportagem, somos apanhados de surpresa, quando verificamos que o seu todo, se resume ao racismo e à xenofobia, por parte de ingleses a portuguesa. Ora bem, neste pais existem racistas, como em Portugal, agora «manipular» o conteúdo para parecer que são todos é um absurdo.

O meu marido vive há 20 anos neste país e teve apenas uma situação negativa e o resto? A oportunidade de uma carreira profissional que este país lhe deu? O património que tem construído, o ciclo de amigos, também ingleses. Duas das pessoas que mais me ajudaram na vida são ingleses.

É inaceitável uma reportagem não reportar a realidade e só mostrar, praticamente, testemunhos negativos. A parte positiva que foi falada na maior parte da entrevista foi reduzida a segundos e ao mais negativo que foi dito.

As audiências jamais deveriam ser a motivação para qualquer trabalho jornalístico. A transparência e a verdade para com os entrevistados jamais deveria falhar e falhou. Lamento que isto tenha acontecido, ainda mais sendo eu jornalista.

Obrigado a todos os que têm enviado mensagens. Nós estamos bem! Se regressarmos um dia a Portugal não será por causa do Brexit mas sim pelas saudades. Eu sempre fui bem tratada neste pais, sim há racistas, como em Portugal, agora dizer que um pais é inteiramente racista é surreal.