sexta-feira, 14 de abril de 2017

Torremolinos: bar aberto

Pedro Afonso, Observador, 12 de Abril de 2017

Muitos pais têm perdido a autoridade sobre os seus filhos, e com frequência capitulam quando é necessário impor limites ou aplicar castigos. Ouço-os dizer, num tom resignado, que «agora é tudo assim».

O País ficou chocado com a notícia da expulsão de mais de um milhar de jovens devido a actos de vandalismo num hotel de Torremolinos, onde estavam hospedados. Mas o que é que pode explicar esta autêntica olimpíada de vandalismo e de destruição? Existem várias razões, mas talvez a mais importante seja a ausência de uma capacidade que os clássicos chamavam de temperança (do latim temperantia), mais recentemente designada por autocontrolo e que faz parte da «Inteligência emocional».

Quando não se possui autocontrolo são transferidos para o comportamento um conjunto de impulsos mais primitivos, entre os quais se encontram a busca do prazer imediato e a violência. Nestas idades o córtex pré-frontal ainda não atingiu a maturidade necessária para controlar de forma adequada os impulsos e as emoções provenientes da activação de outra estrutura nervosa chamada amígdala e que integra o sistema límbico. Mas este aspecto não serve por si só para tornar inimputáveis os jovens, nem tão-pouco para justificar o seu comportamento, serve apenas para reforçar a necessidade de se defender uma educação com uma componente normativa, de modo a serem transmitidas regras e um sentido de responsabilidade.

Neste contexto, é totalmente incompreensível que se organize uma viagem de finalistas com o «bar aberto», possibilitando o consumo de bebidas alcoólicas a menores de forma totalmente desregrada. Ora, nestas idades é o mesmo que dizer «podes beber até caíres para o lado», e muitas vezes caem mesmo para o lado sem darem por isso. Quando se bebe álcool o objectivo é fazê-lo de forma moderada, facilitando o convívio social, e não propriamente beber até atingir o coma alcoólico, como infelizmente acontece cada vez mais nestas idades.

Se o autodomínio é uma virtude, há muitos jovens que não conseguem desenvolver esta capacidade e levam esta limitação para a vida adulta, tornando-se pessoas imaturas, escravos dos próprios desejos, com grandes dificuldades de adaptação e com poucas probabilidades de sucesso na sua vida familiar, social e profissional.

Nas últimas décadas houve uma tendência para se implementar modelos educativos experimentais teóricos, como uma vertente demasiado desresponsabilizadora, totalmente dissociados da realidade psicobiológica humana. Os resultados estão à vista: casos crescentes de indisciplina, desautorização da figura do professor e uma desvalorização do ensino. A sociedade não melhorou, e este modelo acaba por contribuir para que muitos jovens perpetuem a sua adolescência na idade adulta, através de uma atitude perante a vida irrealista, governada pelos desejos, repleta de direitos e desprovida de deveres.

Talvez por isso, as expulsões de alunos das salas de aula, por razões disciplinares, continuem a ser demasiado frequentes nalgumas escolas. Há dias escutei um relato de uma professora que tinha expulso 15 dos 30 alunos da turma por indisciplina. Percebe-se que há um ambiente difícil. Estes casos fazem da actividade docente um exercício insuportável de paciência, comprometem a saúde psíquica dos professores, e originam uma tensão constante que nem o melhor dos ansiolíticos consegue atenuar. Estas situações de indisciplina revelam comportamentos anti-sociais que — embora num modelo de menor escala, e sem o efeito potenciador do álcool e das drogas —, acabam por replicar a situação de expulsão dos finalistas em Torremolinos.

Muitos pais têm perdido a autoridade sobre os seus filhos, e com frequência capitulam quando é necessário impor limites ou aplicar castigos perante comportamentos desviantes. Ouço-os dizer, num tom resignado, «agora é tudo assim», «todos os amigos consomem álcool e drogas», etc. Porém os limites e as repreensões também têm uma função pedagógica, ajudam a estruturar a personalidade, preparando os adolescentes para a vida adulta, já que na vida real todos nós somos confrontados com limites e consequências quando desrespeitamos determinadas regras e obrigações.

Os actos de vandalismo ocorridos em Espanha, cometidos provavelmente por um número restrito de jovens, acabaram por dar uma péssima imagem dos colegas, humilharam os pais e desprestigiaram o País. Afinal, o autocontrolo é uma virtude humana que deve ser ensinada e aprendida. Como disse Benjamin Franklin «A fúria tem sempre uma razão, mas raramente uma boa razão».





sexta-feira, 24 de março de 2017

França: Desradicalização de jihadistas é um «Total Fiasco»


Soeren Kern, Gatestoneinstitute, 22 de Março de 2017

  • O relatório conclui que a desradicalização, seja em centros especializados ou em prisões, não funciona pelo facto da maioria dos radicais islâmicos não aceitarem a desradicalização.
  • Estima-se que haja em França cerca de 8 250 radicais islâmicos extremamente violentos, apenas 17 apresentaram a papelada e apenas nove de facto foram até lá. Nenhum dos residentes permaneceu para completar o currículo de dez meses.
  • Ao alojá-los em pavilhões prisionais separados, os islamistas na realidade  tornaram-se ainda mais violentos por se sentirem encorajados pelo que eles chamavam de «efeito grupal», segundo o ministro da Justiça Jean-Jacques Urvoas.
  • «Desradicalizar uma pessoa não é um trabalho de seis meses. Estas pessoas, às quais não foram dadas um ideal e que ainda não abraçaram a ideologia do Estado islâmico, não se irão livrar dela facilmente. Não há um abre-te sésamo» — senadora Esther Benbassa.
  • «O programa de desradicalização é um total fiasco. Tudo tem que ser repensado, tudo deve ser redesenhado a partir do zero». — senador Philippe Bas, presidente da comissão do Senado que encomendou o relatório. 
O principal programa do governo francês para desradicalizar jihadistas é um «fracasso total» e deve ser «completamente reconceituado» segundo as conclusões iniciais de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a desradicalização.

O relatório preliminar revela que o governo não tem nada de positivo para mostrar no tocante às dezenas de milhões de euros dos contribuintes gastos ao longo dos últimos anos para combater a radicalização islâmica em França, onde 238 pessoas foram mortas em ataques jihadistas desde Janeiro de 2015. O relatório conclui que a desradicalização, seja em centros especializados ou em prisões, não funciona pelo facto da maioria dos radicais islâmicos não aceitarem a desradicalização.

O relatório chamado de «Desdoutrinação, Desrecrutamento e Reintegração de Jihadistas em França e na Europa» (Désendoctrinement, désembrigadement et réinsertion des djihadistes en France et en Europe) — o título evita usar a palavra «desradicalização» por ser considerada por alguns como sendo politicamente incorreta — foi apresentado em 22 de Fevereiro ao comité do Senado para assuntos constitucionais e jurídicos.

O relatório é a versão preliminar de um estudo abrangente que está a ser conduzido por uma task force multipartidária encarregada de avaliar a eficácia dos programas de desradicalização do Governo. O relatório final deverá ser entregue em Julho.

Grande parte das críticas concentra-se num programa de US$42 bilhões para construir 13 centros de desradicalização — conhecidos como Centros de Prevenção, Integração e Cidadania (Centre de prévention, d'insertion et de citoyenneté, CPIC) — um em cada uma das regiões metropolitanas de França, que visa desradicalizar futuros jihadistas.

O plano original apresentado com grande alarde em Maio de 2016, conclamou que cada centro devesse acolher no máximo 25 pessoas com idades entre os 18 e 30 anos, por períodos de dez meses. O Governo comunicou que 3 600 indivíduos radicalizados seriam acolhidos nestes centros de desradicalização nos próximos dois anos.

O primeiro e único centro de desradicalização do Governo existente até agora instalado no Château de Pontourny, uma mansão isolada do século XVIII na região central de França, foi inaugurado em Setembro de 2016.

Quando as senadoras Esther Benbassa e Catherine Troendle, ambas líderes da task force visitaram Pontourny em 3 de Fevereiro, encontraram apenas um residente naquele abrigo. Desde então o referido residente encontra-se preso por ter cometido «actos de violência doméstica».

Depois de apenas cinco meses de trabalho, Pontourny encontra-se vazia, muito embora empregue (27 funcionários, incluindo 5 psicólogos, 1 psiquiatra e 9 educadores, a um custo anual US$2,6 milhões).

«Centro de Prevenção, Integração e Cidadania» Château de Pontourny, em França.
(Imagem: captura de tela de vídeo ARTE − 28 minutos)

Estima-se que haja em França cerca de 8 250 radicais islâmicos extremamente violentos, apenas 59 pessoas indagaram sobre a possibilidade de irem para Pontourny desde a sua inauguração. Destas, apenas 17 apresentaram a papelada e apenas nove de facto foram até lá. Nenhum dos residentes permaneceu para completar o currículo de dez meses.

Um dos residentes era um jihadista de 24 anos de idade chamado Mustafa S., que foi preso durante uma operação antiterrorista perto de Estrasburgo em 20 de Janeiro de 2017. A polícia disse que ele tinha ligações com um dos autores do ataque jihadista de Novembro 2015 na casa de espectáculos Bataclan em Paris. Mustafa S. foi preso quando estava de licença de Pontourny: ao que tudo indica, ele estava a caminho para se juntar ao Estado islâmico na Síria.

Outro residente de Pontourny era uma mulher de 24 anos de idade, grávida, chamada Sabrina C., que morou no alojamento de 19 de Setembro a 15 de Dezembro. Ela revelou a um jornal local que nunca foi radicalizada, mas aproveitou a oportunidade oferecida por Pontourny para escapar do seu «casulo familiar» e respirar um pouco de «ar fresco»:

«Eu jamais me interessei por qualquer religião. A minha família é católica, não praticante, nós vamos à Igreja de vez em quando, mas não mais do que isso. Meu namorado queria que eu usasse o véu islâmico, mas sempre me recusei a usá-lo».

A mãe de Sabrina disse que o centro de desradicalização «foi a oportunidade para a nossa filha participar na formação profissional, aprender a cozinhar, estar perto dos animais». Por outro lado Sabrina acrescentou que a permanência naquele lugar foi um pesadelo, salientando que: «chorava todas as noites, e não me sentia à vontade. Em Pontourny tratavam-me como uma criminosa». Acredita que a única razão dela ter sido autorizada a ficar no centro foi porque o governo precisava de «mostrar serviço».

O governo também fracassou nos seus programas para erradicar a radicalização islâmica nas prisões francesas. Em Outubro de 2016 o governo voltou atrás sobre a política de alojar presidiários radicalizados em unidades separadas após o aumento de ataques a guardas prisionais.

A ideia original era isolar os islamistas a fim de evitar que eles radicalizassem os outros detidos, mas o ministro da Justiça Jean-Jacques Urvoas reconheceu que ao alojá-los em pavilhões prisionais separados, os islamistas na realidade tornaram-se ainda mais violentos por se sentirem encorajados pelo que eles chamavam de «efeito grupal».

O relatório também denunciou o surgimento de uma «indústria da desradicalização», na qual associações e organizações não governamentais, sem nenhuma experiência em desradicalização, obtiveram contractos lucrativos do Governo. «Várias associações, procurando o financiamento público em períodos de vacas magras, viraram-se para o sector de desradicalização, sem nenhuma experiência», de acordo com a senadora Benbassa.

Benbassa salientou que o programa de desradicalização do Governo foi mal concebido, implantado apressadamente por razões políticas mediante a crescente ameaça jihadista. «O governo estava em pânico em consequência dos ataques jihadistas» assinalou. «Foi o pânico que guiou as acções do Governo. O timing político era curto, era necessário tranquilizar o público em geral.»

O sociólogo franco-iraniano Farhad Khosrokhavar, especialista em radicalização, realçou à France 24 que a única opção do Governo para lidar com os jihadistas violentos é encarcerá-los:

«Há aqueles passíveis de serem desradicalizados, mas nem todos. Isso é impossível com os jihadistas violentos, e totalmente convictos. Os jihadistas com estes perfis são extremamente perigosos, representam cerca de 10% a 15% dos radicalizados. A prisão provavelmente é uma das únicas maneiras de lidar com esses obstinados fiéis».

Em entrevista concedida ao L'Obs, Benbassa indicou que o governo também não teve sucesso quanto à prevenção:

«Jovens candidatos ao jihadismo devem ser socializados.Temos que profissionalizá-los, dar-lhes um acompanhamento individualizado. Isto envolve a ajuda da família, imãs, policiais locais, educadores, psicólogos e líderes empresariais, que também podem colaborar...»

«Eu também acho que os nossos líderes políticos deveriam adoptar um pouco mais de sobriedade e humildade ao abordarem este complexo fenómeno. A tarefa é extremamente complicada. 'Desradicalizar' uma pessoa não é um trabalho de seis meses. Estas pessoas, às quais não foram dadas um ideal e que ainda não abraçaram a ideologia do Estado islâmico, não se irão livrar dela facilmente. Não há um abre-te sésamo».

O senador Philippe Bas, presidente da comissão do Senado que encomendou o relatório descreveu o programa de desradicalização do Governo da seguinte maneira: «é um total fiasco. Tudo tem que ser repensado, tudo deve ser redesenhado a partir do zero».


Tradução: Joseph Skilnik





domingo, 19 de março de 2017

Deixemos de brincar ao «faz de conta» com o Islão


William Kilpatrick, The Catholica Thing, 9 de Março de 2017

É lamentável que o tenente-general William McMaster, o novo Conselheiro do Presidente Trump para assuntos de Segurança Nacional, tenha dito que o Estado Islâmico é «não islâmico». Insistiu também que organizações como o Estado Islâmico «utilizam cinicamente interpretações perversas da religião para incitar ao ódio e justificar crueldade horrenda contra inocentes». Em suma, ao que parece, o general considera que o terrorismo não tem nada a ver com o Islão.

Este era o pensamento dominante durante a administração de Obama. E ao longo desses oito anos a ameaça islâmica aumentou exponencialmente. Seria uma pena se uma figura chave da nova equipa de Segurança Nacional perpetuasse tais visões simplistas do terrorismo islâmico.

Muitos dos líderes eclesiais têm visões semelhantes. Ao longo dos últimos quatro anos temos ouvido uma série de pronunciamentos que indicam que existe um sólido muro que separa o Islão da violência.

Aparentemente há quem acredite nestas balelas. Outros talvez as vejam como uma boa estratégia, uma forma de fortalecer o «Islão moderado». Os estrategas gostam de afirmar que a crítica do Islão acaba por conduzir os moderados para o campo dos radicais. Deste ponto de vista, a única forma de promover a mudança no Islão é elogiando-o, na esperança de que isso leve a bom porto.

Mas não é uma grande estratégia. Na realidade, dá vantagem aos radicais. É que se toda a gente, desde os conselheiros para a segurança nacional até ao Papa, diz que o Islão está lindamente como está, então não há qualquer incentivo para mudar. Se não existe qualquer problema com o Islão, mas apenas com grupos extremistas «não islâmicos», estamos a cortar as pernas aos reformadores muçulmanos. Ser um muçulmano moderado já é difícil, porque é que os reformadores hão-de arriscar a pele, sabendo que não terão qualquer apoio de não muçulmanos proeminentes? E porque é que os restantes muçulmanos os hão-de escutar, se tudo está bem como está? Esta estratégia é que afasta os muçulmanos dos moderados e dos reformadores e os conduz para os braços dos imãs radicais.

Partimos do princípio que as mesquitas, as escolas islâmicas e os imãs terão um efeito moderador sobre os muçulmanos, mas a verdade é outra. Cinco estudos independentes (quatro nos Estados Unidos e um no Canadá) revelam que cerca de 80% das mesquitas promovem posições extremistas. A maioria mal pode ser considerada moderada. Por exemplo, quando o Movimento de Reforma Muçulmana enviou uma carta a mais de três mil mesquitas americanas em busca de apoio, receberam apenas quarenta respostas e dessas apenas nove eram positivas, segundo o seu líder Zuhdi Jasser. Talvez tenham visto Jasser na televisão, é a encarnação da moderação e da razoabilidade. Mas a maioria dos líderes muçulmanos não quer ter nada com ele. Aparentemente, eles não acham que exista qualquer razão para reforma.

Noutros países, como já sabemos, as mesquitas são frequentemente locais de recrutamento e radicalização. Às vezes até servem como depósitos de armas. Quando acontece um ataque terrorista em solo islâmico as autoridades respondem fazendo rusgas e fechando mesquitas. Até alguns países ocidentais «iluminados» adoptaram a política de «cherchez la mosquée». Depois de ataques terroristas tanto França como a Alemanha têm levado a cabo numerosas rusgas a mesquitas.

Por isso quando os líderes católicos afirmam existir uma equivalência entre o cristianismo e o Islão – como fazem frequentemente – estão a encorajar os muçulmanos a buscar sentido numa fé que encontra o seu sentido na jihad. O Papa Francisco chegou a dizer a um grupo de migrantes que poderiam encontrar orientações nos seus textos sagrados – a Bíblia para os cristãos e o Alcorão para os muçulmanos. Mas este tipo de conselhos apenas empurra os muçulmanos para os braços de um fundamentalismo que o Papa acredita que é defendido por poucos.

De acordo com a definição ocidental de «fundamentalismo», o Islão é uma religião fundamentalista. A maioria dos muçulmanos lê o Alcorão de forma literal e é assim mesmo que os seus imãs dizem que deve ser feito.

Mas se estamos verdadeiramente interessados em ver o Islão virar-se para um caminho moderado, então temos de deixar de o mimar e começar a criticar. Como escreve a ex-muçulmana Nonie Darwish, «o Ocidente não está a fazer favor algum aos muçulmanos, tratando-os como crianças que devem ser escudadas da realidade.»

A realidade é que há mesmo algo de errado com as duríssimas leis islâmicas contra a blasfémia e a apostasia, o tratamento das mulheres, crianças e minorias, entre muitas outras coisas, incluindo o apelo à jihad.

Chegou a hora de deixar de brincar ao «faz de conta». As nações islâmicas não vão resolver estes problemas enquanto as nações não-islâmicas e os líderes das igrejas não as pressionarem. A Arábia Saudita só aboliu formalmente a escravatura em 1962 por causa da intensa pressão ocidental.

Porquê? Porque, como muitos observadores já afirmaram, as sociedades islâmicas não são dadas à introspecção. Raphael Patai, autor do livro «A Mente Árabe», sugere que a crença islâmica no destino ou na predestinação leva a uma «desinclinação para fazer esforços para mudar ou melhorar as coisas».

Quando os líderes ocidentais dizem aos muçulmanos que a sua religião merece muito respeito isso pode ser bom para a auto-estima e fazer com que os ocidentais se sintam tolerantes, mas não os encoraja a ver que há algo de errado. Em vez disso devíamos estar a dizer aos muçulmanos, da forma mais diplomática possível, que muitos dos aspectos da sua fé são profundamente perturbadores e que enquanto não fizerem nada sobre o assunto teremos de considerar medidas severas, como interromper o diálogo (no que diz respeito à Igreja) ou retirar ajuda externa, aplicar sanções ou desinvestir (no que diz respeito a governos e empresas).

No mínimo, devíamos fechar as nossas portas à imigração dos estados islâmicos mais problemáticos. Algumas pessoas advertem que tal proibição apenas aumentará o ódio dos muçulmanos pelo Ocidente. Talvez isso aconteça com alguns muçulmanos. Mas uma posição firme e decisiva poderá também levar muitos a pensar duas vezes sobre o Islão.

O menino mimado só começa a questionar-se quando os outros meninos deixam de brincar com ele. Depois do 11 de Setembro muitos americanos perguntaram «Porque é que nos odeiam?». Por outras palavras, «O que é que fizemos de errado?». Chegou a altura de o mundo muçulmano começar a fazer a mesma pergunta. Mas nunca o fará enquanto o Ocidente mantiver a sua posição de que está tudo bem com o Islão. 

William Kilpatrick é autor do livro «Christianity, Islam and Atheism: The Struggle for the Sould of the West» e de «The Politically Incorrect Guide to Jihad». Para mais informação sobre a sua obra visitem o site The Turning Point Project.





segunda-feira, 13 de março de 2017

Embuste do «movimento feminista» prejudica a própria mulher


Mãe e filhas jogando xadrez
(obra de Francis Coates Jones, 1857 – 1932)

Paulo Roberto Campos, IPCO, 11 de Março de 2017

A respeito deste «Dia Internacional da Mulher», textos e mais textos foram publicados ad nauseam em todos os jornais impressos ou online. Tal dia não passa de uma absurda invenção imposta pelo movimento feminista, copiando uma propaganda do regime comunista na antiga URSS. Hoje vemos que realmente o comunismo não morreu — ele «espalhou os seus erros pelo mundo», sendo um deles o chamado «feminismo». E certos media colaboram prematuramente para espalhar tais erros.

Assim, os media repetiram baboseiras infindas e duras críticas a mulheres que se defendem enquanto «rainhas do lar», esposas e mães, como se estes atributos tão nobres e elevados não pudessem ser considerados «direitos da mulher». Para os media esquerdistas e o «movimento feminista», o «direito da mulher» é, por exemplo, o «direito ao aborto» — o direito da mulher matar o próprio filho que está a gestar!

Entretanto, na essência às mencionadas baboseiras, encontrei um texto primoroso. Foi publicado há cinco anos no «Dia Internacional da Mulher» («Folha de S. Paulo», 8-3-12), da autoria da jovem Talyta Carvalho [foto abaixo]. Imagino que este texto foi rasgado, pisado e queimado pelas «feministas» radicais, que, no fundo, desejariam mesmo era «queimar» como «herege» a própria autora, acusando-a de ser contrária ao «apoderamento feminino», à «igualdade de género», à «lei do feminicídio», de ser «politicamente incorreta», «preconceituosa» etc.. Acusações levianas, mas que nos estimulam a divulgar largamente o interessantíssimo artigo, que abaixo transcrevo.

Talyta Carvalho (Filósofa especialista em renascença
e mestre em ciências da religião pela PUC-SP)

Não devemos nada ao feminismo

Talyta Carvalho

As feministas chamaram «libertação» à saída forçada do lar para trabalhar; a sua intolerância tornou constrangedor decidir ser dona de casa e cuidar dos filhos.

Na história da espécie humana, a ideia de que a mulher deveria trabalhar prevaleceu com muito maior frequência do que a ideia de que deveria ficar em casa a cuidar dos filhos.

Não raro, o trabalho que cabia à mulher era árduo e de grande impacto físico. Para a mulher comum na Pré-história, na Idade Média, e até no século XIX, não trabalhar não era uma opção.

Uma das conquistas do sistema económico foi que, no século XX, a produtividade tinha aumentado tanto que um homem de classe média era capaz de ter um bom salário o suficiente para que a sua esposa não precisasse de trabalhar.

No período das grandes guerras e no entreguerras, a inflação, os altos impostos e o retorno da mulher ao mercado de trabalho (que significou um aumento da mão de obra disponível) diminuíram de tal maneira o rendimento do homem comum que já não era mais possível que a maioria das mulheres ficasse em casa.

A este movimento forçado da saída da mulher do lar para o trabalho as feministas chamaram «libertação».

É óbvio que não se está a defender aqui que as mulheres não possam trabalhar, não casar, não ter filhos ou que não possam agir de acordo com as suas escolhas em todos os âmbitos da vida. Não é essa a questão para as mulheres do século XXI pensarem a respeito.

O ponto da discussão é: em que medida a consequência do feminismo, para a mulher contemporânea, foi o estrangulamento da liberdade de escolha?


Explico-me. Por muito tempo, as feministas reivindicaram a posição de luta pelos direitos da mulher, excepto se esse direito for o direito de uma mulher não ser feminista.

Assumir uma posição crítica ao feminismo é hoje o equivalente a ser uma mulher que fala contra as mulheres. Ilude-se quem pensa que na universidade há um ambiente propício à liberdade de pensamento.

Como mulher e intelectual, posso afirmar sem pestanejar: nunca precisei «lutar» contra os meus colegas para ser ouvida, muito pelo contrário. A batalha é mesmo contra as colegas mulheres, intolerantes a qualquer outra mulher que pense diferente ou que não faça da «questão de género» uma bandeira.

Não ser feminista é heresia imperdoável, e a herege deve ser silenciada. Até mesmo porque há muito em jogo: financiamentos, vaidades, disputas de poder, privilégios em relação aos colegas homens — que, se não concordam, são machistas e preconceituosos, claro.

Outro direito que a mulher do século XXI não tem, graças ao feminismo, é o direito de não trabalhar e escolher ficar em casa e cuidar dos filhos — recomendo, sobre a questão, os livros «Feminist Fantasies», de Phyllis Schlaffly, e «Domestic Tranquility», de F. Carolyn Graglia. Na esfera económica, é inviável para boa parte das famílias que a esposa não trabalhe.

Na esfera social, é um constrangimento garantido quando perguntam «qual a sua ocupação?». A resposta «sou só dona de casa e mãe» já revela o alto custo sociopsicológico de uma escolha diferente daquela que as feministas fizeram por todas as mulheres que viriam depois delas.

O erro do feminismo foi reivindicar falar por todas, quando na verdade falava apenas por algumas. De facto, casamento e maternidade não são para todas as mulheres. Mas a nova geração deve debater estes dogmas modernos sem medo de fazer perguntas difíceis.

Da minha parte, afirmo: não devo nada ao feminismo.





O hábito e o monge


Plinio Corrêa de Oliveira, IPCO, 12 de Março de 2017

Parece acentuar-se em alguns meios a incompreensão quanto ao uso da batina por sacerdotes e religiosos. A sabedoria da Santa Igreja, entretanto, não falha. E é iniludível a sua preferência pela batina.

Não parecerá irrelevante o assunto? «Aquila non capit muscas». A Igreja não se preocupa com ninharias. E se toma posição em face da questão é porque esta não é supérflua nem vazia.

* * *

Para compreendermos o pensamento da Igreja, devemos subir a considerações mais gerais.

Está na ordem natural das coisas que o homem espelhe a sua alma na fisionomia, na voz, na atitude, nos movimentos. E como o traje deve revestir o corpo humano, é natural que o homem se sirva também dele como elemento de expressão. Tanto mais que o traje a isto se presta eximiamente.

Ora, a necessidade da expressão da alma é uma consequência imperiosa do instinto de sociabilidade. De onde, recusar ao homem esta possibilidade é, em si, falsear o próprio modo de ser da alma.

Por isto, os costumes sociais consagraram em todos os tempos e lugares certos trajes como característicos de profissões ou estado de vida, que exijam uma conformação da alma muito peculiar. E sempre se entendeu, com razão, que o traje profissional auxilia o homem a realizar inteiramente a sua mentalidade. De um militar que tivesse antipatia à farda, de um juiz que tivesse ódio à toga, nada se auguraria de bom. Como, pelo contrário, negar respeito ao clérigo que ama a sua batina, e dela se ufana? Se um exército suprimisse o uso do uniforme, não levaria um profundo golpe no seu espírito?

Dizer-se, pois, que o hábito não faz o monge, ou a farda não faz o herói, é e não é verdade. Com efeito, o homem não se torna monge, ou militar, autêntico só por adoptar o traje próprio a tal estado. Mas o hábito monástico facilita ao homem de boa vontade tornar-se bom monge. E o mesmo se pode dizer da farda.

* * *

Como ilustrar, dentro dos estilos desta secção, o efeito da indumentária sobre o estado de espírito de um homem?

Para não melindrar ninguém, abstemo-nos de exemplos muito recentes. E tomamos como material de estudo uma figura histórica que já começa a imergir na névoa de um passado remoto. Trata-se de Guilherme II, Rei da Prússia e Imperador alemão: o Kaiser, na linguagem caseira dos poucos brasileiros que ainda se ocupam dele.

Seria impossível contestar que Guilherme II foi militar até a medula da alma. Não foi grande general, nem era esta a sua função. Mas a sua mentalidade, o seu estilo de vida, o seu estilo de governo provam que como homem, como chefe de família, como soberano, o Kaiser foi sempre e antes de tudo um militar.


Ei-lo num campo de parada, a transmitir o bastão de comando a uma alta patente. Esplendidamente fardado, montando com uma naturalidade cheia de garbo o seu corcel, o Imperador sente-se visivelmente no seu elemento, numa situação em que se desdobra com segurança, com amplitude, com brilho e com toda a sua personalidade. O rosto, o porte, o gesto, manifestam a paixão militar que, quanto mais se externa tanto mais se afirma.

* * *

Pelo contrário, em traje civil dir-se-ia que nem é o mesmo homem. A sua personalidade parece desbotada e a sua atitude forçada. As suas qualidades militares transparecem na medida do suficiente para contrastar com a indumentária. Se o Kaiser e todas as suas tropas tivessem de usar tal traje civil, o exército alemão teria sido o que foi?

Evidentemente que não. Porque, se a farda não faz o bom soldado, ajuda muito o militar a adoptar o espírito da sua classe…

E porque não valeria para o clero, mutatis mutandis, o mesmo princípio?





domingo, 12 de março de 2017

A maçonaria quer mesmo destruir a Igreja ou os papas exageraram ao condená-la?



Gelsomino Del Guercio, Aleteia, 5 de Janeiro de 2016

Fala a historiadora Ângela Pellicciari: os maçons estudaram estratégias subversivas para acabar com o poder eclesiástico

A Maçonaria tentou destruir a religião em Itália?

Agiu para extinguir a acção e a existência da Igreja católica
naquele país?

A resposta de Ângela Pellicciari, italiana historiadora do «Risorgimento» e professora de História da Igreja, é positiva: desde o seu nascimento, a Maçonaria propôs-se acabar com o poder da Igreja mediante acções subversivas, em geral subtis, que foram vigorosamente denunciadas e repudiadas pelos papas.

Ângela explica para a Aleteia: «A Maçonaria moderna nasceu em Londres em 1717. A Igreja emitiu a primeira das suas centenas de condenações e excomunhões em 1738, com a carta apostólica ‘In Eminenti’, do Papa Clemente XII. ‘Cheios de certa aparência afectada de honradez natural’, escreve o Papa sobre os maçons. E o Papa tem razão: a Maçonaria sempre tem nos lábios a palavra ‘moral’, mas a moral a que se refere não é a moral revelada».

A perseguição anti-religiosa

Ângela Pellicciari destaca uma afirmação feita em 1853 por J.M. Ragon, autoridade da Maçonaria francesa: «A Maçonaria não recebe a lei; é ela mesma quem a estabelece». E a historiadora segue em frente: «Pio IX e Leão XIII, os papas que assistem [na Itália] ao desmantelamento de todas as ordens religiosas católicas (apesar de o catolicismo continuar a ser a religião de Estado), à perseguição contra bispos e sacerdotes, à redução da maioria da população [italiana] à pobreza absoluta, obrigada à emigração massiva, identificam no ódio maçónico e protestante a origem anticatólica e, portanto, anti-italiana, de tanta violência e decadência».

Como foi o caso de França durante a revolução e durante o império do maçom Napoleão, ou ainda na América Latina, em Portugal e em Espanha, a Maçonaria é uma sociedade revolucionária que os príncipes apoiam «sem se darem conta de que estão assinando a sua própria ruína», sentencia a historiadora. «Os papas lançam o alerta com frequência, mas não são ouvidos. Sob o pontificado de Gregório XVI, a polícia descobre uma documentação de grande interesse sobre os carbonários (uma sociedade secreta de derivação maçónica) que mostra como o ódio contra a Igreja é acompanhado pelo ódio à família».

De facto, o sectário conhecido pelo pseudónimo de «Piccolo Tigre» [«Pequeno Tigre»] escreve aos seus companheiros de seita: «O essencial é isolar o homem da família, é fazê-lo perder os seus costumes […] Quando tiverdes insinuado em alguma alma o desgosto pela família e pela religião (e uma é quase sempre a continuação da outra), deixai cair alguma palavra que provoque o desejo de filiar-se à loja [maçónica] mais próxima […] O fascínio pelo desconhecido exerce sobre o homem tal poder que ele prepara-se a tremer para as fantasmagóricas provas da iniciação e dos banquetes fraternos».

A advertência de Pio VII

Em 1821, Pio VII escreve a propósito dos carbonários: «Eles simulam um singular respeito e um certo zelo extraordinário pela religião católica», mas «não são nada mais que dardos disparados com mais firmeza por homens astutos para ferir os incautos; estes homens apresentam-se como cordeiros, mas são lobos vorazes».

Segundo Pellicciari, um documento de 1819, conhecido com o nome de «Instrução permanente», ensina aos carbonários: «Deveis apresentar-vos com todas as aparências do homem sério e moral. Uma vez estabelecida a vossa boa reputação nos colégios, nas universidades e nos seminários, uma vez captada a confiança de professores e estudantes, fazei que procurem a vossa companhia principalmente os envolvidos na milícia clerical […] Trata-se de estabelecer o reino dos eleitos sobre o trono da prostituta da Babilónia: que o clero marche sob a vossa bandeira sem nunca duvidar de estar a marchar sob a das chaves apostólicas».

«Enterraremos a Igreja»

Os carbonários pretendiam infiltrar-se no clero. Em 18 de Janeiro de 1822, o «Piccolo Tigre» escreveu aos filiados da região italiana de Piemonte: «Servindo-vos do pretexto mais fútil, mas nunca político ou religioso, criai vós mesmos, ou ainda melhor, fazei com que sejam criadas por outros, associações que tenham como fim o comércio, a indústria, a música, as belas- artes. Reuni num lugar qualquer, inclusive nas sacristias e nas capelas, os vossos seguidores que ainda não sabem de nada; ponde-os sob a guia de um sacerdote virtuoso, conhecido, mas crédulo e fácil de enganar; infiltrai o veneno nos corações eleitos, infiltrai-o em pequenas doses e como que por casualidade; a seguir, vós mesmos vos surpreendereis com o vosso êxito».

Alguns anos mais tarde, o «primo» Vindice sintetiza assim o objectivo dos carbonários: «Começamos uma corrupção em grande escala, a corrupção do povo através do clero e a do clero por o nosso meio, a corrupção que, sem dúvida, nos levará um dia a sepultar a Igreja».

«Segredo, juramento, nenhum escrúpulo no uso de qualquer meio (porque, para eles, o fim justifica os meios), calúnia, mentira, homicídio, são as armas a que as associações secretas recorrem para levar os seus planos a termo», afirma a especialista. O juramento, em particular, acompanha todos os avanços nos graus maçónicos. No momento da entrada na loja como aprendiz, o candidato jura assim: «Prometo não revelar jamais os segredos da Livre Maçonaria; não dar a conhecer a ninguém o que me será exposto, sob pena de me cortarem a garganta, me arrancarem o coração e a língua, me rasgarem as entranhas, cortarem o meu corpo em pedaços, queimarem-no e reduzirem-o a pó a ser espalhado ao vento para execrada memória e eterna infâmia».

A denúncia dos papas

Começando por Clemente XII, todos os papas denunciam com firmeza, coragem, patriotismo e mediante análises filosóficas e históricas detalhadas os propósitos revolucionários das lojas que, exaltando a «liberdade», procuram a liberdade apenas para si próprias, formando dentro dos países uma espécie de «Estado no Estado», que dita por lei todos os aspectos da vida pública.

Em 1864, pouco depois do mérito «grandioso» que as lojas atribuem a si mesmas por terem desencadeado o maior ataque contra a Igreja católica na sua pátria de eleição (Roma e a Itália), os artigos 3 e 7 das constituições da Maçonaria italiana estabelecem: «Art. 3. Sua finalidade [da Maçonaria] directa e imediata é concorrer eficazmente à realização progressiva destes princípios na União, para que se tornem gradualmente lei efectiva e suprema de todos os actos da vida individual, doméstica e civil»; «Art. 7. A última meta dos seus trabalhos é a de reunir todos os homens livres numa grande família, que possa pouco a pouco suceder a todas as seitas fundadas na fé cega e na autoridade teocrática, todos os cultos supersticiosos, intolerantes e inimigos entre si, a fim de construir a verdadeira e única igreja da humanidade».

«Personificação permanente da revolução, [a Maçonaria] constitui uma espécie de sociedade ao contrário, cujo fim é um predomínio oculto sobre a sociedade visível e cuja razão de ser consiste na guerra contra Deus e a sua Igreja», escreve Leão XIII em 1902, pouco antes de morrer.

«A firme condenação da Igreja contra a Maçonaria», conclui Pellicciari, «contra todo o tipo de maçonaria vale até hoje, como recordou explicitamente o cardeal Ratzinger na declaração sobre a Maçonaria, de 1983».





sexta-feira, 10 de março de 2017

Segundo um relatório oficial, os «Irmãos Muçulmanos» pretendem construir uma sociedade paralela na Suécia




Anne Dolhein, Reinformação.TV, 8 de Março de 2017

Un rapport commandé par une agence du ministère de la Défense de la Suède, publié vendredi, met en garde contre l’objectif des Frères musulmans de construire une société «parallèle» dans le pays, grâce à la culture de «tolérance» qui a cours en Suède. Le rapport officiel, remis à l’agence de protection civile MSB, est étonnant de franchise. Il accuse les Frères musulmans d’infiltrer les organisations et des partis politiques pour parvenir à leurs fins.

Le rapporteur principal, Magnus Norell, et ses coauteurs n’hésitent même pas à dénoncer les «élites politiques» coupables selon eux d’avoir imposé une doctrine du multiculturalisme et du silence qui offre un boulevard aux organisations «antidémocratiques» comme les Frères musulmans.

Le rapport a été accueilli avec colère en Suède où les musulmans, notamment, dénoncent une présentation délétère de leur religion, et de manière générale on parle d’une analyse «complotiste».

Un rapport officiel dénonce la culture de la tolérance en Suède

Pour les auteurs du rapport, il est au contraire évident que les Frères musulmans travaillent à faire augmenter le nombre de musulmans pratiquants en Suède, en essayant de faire reculer la laïcité et de noyauter des partis politiques, des ONG et même des institutions universitaires. Tout cela à la faveur de la valeur accordée à «l’acceptation» des citoyens qui sont «en un sens ou dans un autre différents de la majorité».

Le rapport analyse également le type d’islam promu par les Frères musulmans: il est décrit comme une idéologie politique totalitaire née de l’islam, dans lequel le rapport reconnaît une religion. Autant dire que les auteurs ne vont pas jusqu’au bout de leur étude: l’islam a certes une dimension religieuse mais prône une théocratie sans distinction du spirituel et du temporel, c’est sa nature.

Mais là où le rapport voit juste, c’est quand il dénonce la «difficulté à s’opposer à ce qui a la surface, apparaît comme les droits religieux» d’une minorité vulnérable. Critiquer l’islam, de ce fait, expose l’imprudent à se faire traiter de «raciste» ou d’«islamophobe», avec des risques non négligeables pour sa carrière… Les auteurs pensaient-ils à leur propre cas?

Les Frères musulmans de Suède veulent fabriquer des musulmans pratiquants

Toujours est-il que de nombreuses voix se sont levées pour dénoncer la publication du résultat de leur enquête, 22 universitaires et «experts en religion» ont ainsi publié un message sur un blog mettant en cause la méthodologie de leur travail.

Magnus Novell ne s’est pas démonté: «Avaient-ils fumé quelque chose avant de lire le rapport? Il suffit de le lire. Si quelqu’un ne l’accepte pas, je n’y peux pas grand-chose. C’est démontré».

Le rapport accuse notamment les activistes des Frères musulmans de menacer la cohésion sociale de la Suède en construisant des structures sociales parallèles qui vont notamment dans les années à venir attirer les migrants d’Afrique et du Proche-Orient «qui vont probablement continuer de venir dans les prochaines années, à la fois en tant que membres des familles et comme réfugiés…».

L’islam est un tout, c’est pourquoi les Frères musulmans créent une société parallèle

Le rapport a tout faux, rétorquent les 22 universitaires qui se sont mobilisés pour le discréditer, en ce qu’il «semble conclure que l’islam de Suède est un phénomène homogène et que les musulmans suédois sont conduits par les Frères musulmans». «C’est une conclusion qui contredit la recherche dans son ensemble, qui indique plutôt que la communauté musulmane est diverse et qu’il y a de la concurrence entre les groupes musulmans», affirme-t-il.

Mais les Frères musulmans n’en sont pas moins influents, particulièrement actifs en Europe et fermement attachés à la création d’un califat sunnite. Les gouvernements de Bahreïn, d’Égypte, de Russie, d’Arabie saoudite et des Emirats arabes unis les considèrent comme un groupe terroriste. C’est sans doute une manifestation de cette rivalité musulmane dont parlent les universitaires. Mais la liberté de manœuvre des «Frères» dans le pays d’Occident n’en est pas moins inquiétante.