sábado, 27 de setembro de 2014


Qual é o objectivo?


Anthony Esolen

Foi W. H. Auden quem disse que todos os críticos deviam mostrar as suas credenciais antes de escrever sobre literatura. Mas as credenciais a que se referia nada tinham a ver com a formação académica ou bibliografia. Auden dizia que eles deviam confessar aos seus leitores qual era a sua visão do paraíso.

Penso que este requisito devia aplicar-se também a todos os críticos sociais e a todos os que propõem alterações fundamentais às leis ou aos costumes. A todos os que se identificam como progressistas, a pergunta evidente é: «Para onde vamos? E porque é que queremos chegar aí?»

Deixemos de lado, por um momento, o facto de não ser possível um paraíso sobre a terra, pois isso implicaria a perfeição das virtudes entre homens decaídos. Nas palavras de Solzhenitsyn, no coração de cada homem trava-se uma batalha entre o bem e o mal.

Deixemos de lado aquela confiança vã de que podemos chegar à terra prometida se seguirmos a estrada mágica da «ciência» ou da «democracia», ou da «igualdade» ou da «liberdade sexual», e que tudo estará bem.

Deixemos de lado os meios para chegar a essa terra prometida. A questão que se coloca aos progressistas é: «Que terra é esta que nos prometem? Porque é que é esse o vosso destino? Como é que é? Como é que imaginam o paraíso?»

Para o verdadeiro conservador a questão é menos agressiva e urgente, uma vez que o verdadeiro conservador não acredita no paraíso sobre a terra. «Como é que seria um paraíso? Dadas as fragilidades da natureza humana, que pálido reflexo desse paraíso é que os nossos antepassados, ou nós mesmos, já garantimos? Se já perdemos parte dessa boa realidade, como é que a podemos reaver?»

Esta questão tem implicações sobre o grande debate do nosso tempo, o da chamada «libertação sexual». Por isso coloquemos aos progressistas esta questão: Qual é a vossa ideia de paraíso? Para onde nos estão a conduzir?

É uma terra em que a maioria das pessoas no auge das suas vidas são casadas? Pelo que os homens e as mulheres dedicam a maior parte do seu tempo a dedicar-se à disciplina edificante e unificadora da vida familiar?

É uma terra em que praticamente nenhum casamento termina em divórcio?

É uma terra em que praticamente não nascem crianças fora do porto seguro do casamento e de votos de estabilidade e perpetuidade?

É uma terra cuja cultura popular celebra aquilo que há de mais nobre na humanidade e não aquilo que é rude, ordinário e egoísta? Uma terra em que os rapazes e as raparigas aprendem que é errado levar uma vida de hedonismo?

É uma terra em que a pornografia é considerada lixo porque conspurca o corpo e a mente?

É uma terra em que os homens têm muita coisa boa para dizer sobre as mulheres e as mulheres muita coisa boa para dizer sobre os homens?

É uma terra em que os casamentos são tão fortes que aqueles que sucumbem às tentações do mau comportamento podem contar com assistência pronta dos seus vizinhos e familiares?


É uma terra cujas igrejas se enchem ao domingo?

É uma terra cujas famílias são tão estáveis e tão presentes na vida local que os políticos, os professores e os homens de negócios precisam de contar com elas? Uma terra em que as famílias supervisionam as escolas e onde os professores são vistos como representantes dos pais, nomeados à sua discrição?

É uma terra cuja vida familiar é tão produtiva e vibrante que em vez de vermos entretenimento massificado a ser bombeado para dentro das casas, existe uma verdadeira cultura popular a florescer dentro de casa?

É uma terra em que se honram as virtudes que fortalecem e protegem as famílias? Uma terra em que a castidade não é desprezada por ser uma forma de puritanismo mas louvada como forma de autodisciplina que respeita a beleza da sexualidade e a santidade do casamento?

É uma terra em que a primeira prioridade da economia é o bem do lar? Uma terra em que as leis e os costumes fortalecem a vida familiar, aumentando as probabilidades de as crianças passarem a maior parte do tempo em casa na companhia de pelo menos um dos seus pais? Uma terra de vizinhança e não de mera proximidade, onde as famílias que vivem nos mesmos bairros se conhecem ao ponto de formar uma espécie de família alargada em que as crianças podem brincar à vontade, sempre debaixo do olhar de alguém de confiança?

É uma terra em que os Governos podem dedicar-se aos seus afazeres, porque quase todos os assuntos verdadeiramente importantes já são tratados pelos lares, os bairros e as paróquias?

É uma terra em que as crianças não são precocemente sexualizadas, tendo assim tempo para aprender a ser rapazes e raparigas antes de entrar na fase da puberdade? Uma terra em que alguém que expressasse a vontade de se insinuar sexualmente nos desejos sexuais de uma criança seria visto como monstruoso? Uma terra em que um pervertido sexual e uma fraude como Alfred Kinsey não seria celebrado?

Nesta terra poderíamos ter uma parada anual para festejar aqueles que celebram os 40 anos de casados, na companhia dos seus filhos e netos? Uma terra em que a palavra «puro» não é usada como gozo e «decadente» não é considerado um elogio?

A todos os que defendem o absurdo biológico de um homem se poder casar com outro homem, perguntamos: «Essa terra que nos propõem é uma onde seriam felizes? Vocês querem que acreditemos que vos podemos conceder esta coisa que desejam sem termos de abdicar de todas as outras coisas que as pessoas comuns sempre quiseram e das quais tantas vezes puderam gozar. Mas essa não é uma mentira? Não é antes verdade que não querem nenhuma dessas outras coisas?

Para onde nos querem levar? Porque é que havíamos de querer ir convosco?


(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014
em The Catholic Thing). Tradução de Filipe d'Avillez.





quinta-feira, 25 de setembro de 2014


Dois amigos provocam os invertidos


João Silveira (do Facebook)


Estes senhores chamam-se Travis Mcintosh e Matt McCormick, e são os dois melhores amigos de infância neozelandeses que decidiram casar. Não porque se sintam especialmente atraídos um pelo outro (ambos gostam de mulheres) nem porque queiram constituir família (como se isso fosse possível) mas para ganhar uma viagem até à final do Campeonato do Mundo de Rugby que se irá realizar em Inglaterra em 2015, num concurso promovido pela estação de rádio «The Edge».

Perante isto as associações LGBT ficaram com os cabelos em pé: dizem que este casamento é um insulto e que eles não têm direito a casar-se porque, apesar de serem dois homens, não são gays.

Não deixa de ser irónico que quem se diz defensor do direito de cada pessoa a poder casar-se com quem quer venha agora manifestar-se contra estes dois velhos amigos que apenas querem fazer uma viagem juntos, ver rugby e divertir-se um bocado.

Na prática este casamento vale o mesmo de que qualquer outro casamento entre duas pessoas do mesmo sexo: vale zero! O casamento só existe entre um homem e uma mulher, sempre foi assim e sempre será. Não foi criado por nenhuma cultura em especial, nem é fruto de nenhum preconceito, nasceu da natureza humana.

Quando se quer pegar nesta instituição importantíssima para a humanidade e transformá-la numa fantochada, como tem acontecido em vários países «civilizados» nos últimos anos, as consequências são imprevisíveis e cheias de episódios caricatos, como é o caso destes dois simpáticos barbudos.





quarta-feira, 24 de setembro de 2014


A promoção dos abortistas

pelos catolicozinhos


José Lemos

É assim que eles conquistam a sociedade: conquistando posições de influência. Pior é quando certos católicos lhes oferecem de bandeja essas posições de influência.

É o caso do abortista Miguel Oliveira e Silva, obstetra (!) que militou pela liberalização do aborto. Agora foi nomeado director clínico do Centro Hospitalar Lisboa-Norte (Santa Maria e Pulido Valente) pelo catolicozinho ministro Paulo Macedo.






terça-feira, 23 de setembro de 2014


Revista Fortune desmente mito

das «grandes riquezas» do Vaticano


A revista norte-americana Fortune, especializada em temas económicos, desmentiu o mito das «grandes riquezas» do Vaticano, e informou que se a Santa Sé fosse uma corporação, nem sequer chegaria perto das 500 mais ricas da sua famosa lista Fortune 500.

No seu artigo intitulado «This pope means business» («Este Papa leva a sério»), a Fortune indicou que «frequentemente é assumido que o Vaticano é rico, mas se fosse uma companhia, não chegaria nem perto da lista Fortune 500».

A Fortune assinalou que o orçamento operacional do Vaticano é de apenas 700 milhões de dólares, e «em 2013 registou um pequeno superávit global de 11,5 milhões de dólares».

A revista estadunidense assinalou, além disso, que a maioria dos activos mais valiosos do Vaticano, «alguns dos maiores tesouros de arte do mundo, estão praticamente sem avaliação e não estão à venda».

«A Igreja Católica é altamente descentralizada financeiramente. Em termos de dinheiro, o Vaticano basicamente está por conta. Essa é uma importante razão pela qual as suas finanças são muito mais frágeis e a sua situação económica é muito mais modesta que a sua imagem de luxuosa riqueza».

O Vaticano, indicou a revista económica, não tem acesso ao dinheiro nem das dioceses nem das ordens religiosas.

Explicou que «cada diocese», em termos económicos, «é uma corporação separada, com os seus próprios investimentos e orçamentos, incluindo as arquidioceses metropolitanas».

A Fortune assinalou que as dioceses de todo o mundo «mandam quantidades importantes de dinheiro para o Vaticano todos os anos, mas a maior parte deste dinheiro é destinada ao trabalho missionário ou às doações de caridade do Papa».

O Vaticano, indicou, «paga salários relativamente baixos, mas oferece benefícios generosos de saúde e aposentadoria».

«Os cardeais e bispos das congregações e dos conselhos muitas vezes não recebem mais de 46 mil dólares por ano».

«Os empregados leigos do Vaticano têm emprego vitalício, e praticamente ninguém se aposenta antes da idade», assinalou.





segunda-feira, 22 de setembro de 2014


O que a guerra é realmente


Robert Royal

Tem surgido alguma ambiguidade, tanto no Vaticano como na Casa Branca, sobre o que se deve fazer acerca da barbaridade que está a ocorrer no Médio Oriente e que tem chocado todo o mundo. Nem se sabe bem o que se lhe deve chamar.

Começou com um artigo escrito pelo Pe. Luciano Larivera, S.J., no La Civiltà Cattolica (uma revista jesuíta publicada em Roma e que é considerada uma referência, se bem que indirecta, do pensamento do Papa): «Obviamente, para promover a paz é necessário saber o que a guerra é na realidade, e não aquilo que gostaríamos que fosse. É fundamental estudar e perceber como é que o Estado Islâmico luta. A sua é uma guerra de religião e aniquilação».

Isto é simples realismo cristão e a mais pura verdade sobre o actual conflito, que os nossos líderes americanos parecem recusar-se a aceitar. Mas depois de muitas distorções nos media, o padre Antonio Spadaro, SJ, o editor chefe do Civiltà, explicou: «O Estado Islâmico pensa que é uma ‘guerra de religião’, mas nós devemos ter o cuidado de não pensar dessa forma».

Tudo bem. Há muito que o cristianismo abandonou a ideia de que é legítimo o uso da força para promover a fé – como Bento XVI sublinhou no seu discurso profético em Ratisbona. Mas não deixamos de ter a responsabilidade de dizer a verdade sobre o que se está a passar bem como encarar a questão de como responder a uma força agressiva que mata os inocentes, escraviza sexualmente as mulheres, decapita ocidentais em público e declara ter como objectivo a imposição, pela força das armas, da sua religião aos não-crentes.

Entramos aqui num terreno sempre polémico: onde é que deixamos os princípios morais absolutos – que são a primeira competência da Igreja – e entramos na aplicação prudente desses princípios, em contextos complicados. Excepto em casos de agressão injusta, o juízo sobre o uso legítimo da força cabe aos líderes seculares e não aos papas nem aos bispos.

O mundo secular raramente compreende a distinção. No voo de regresso da Coreia, em meados de Agosto, o Papa disse: «É lícito travar um agressor injusto. Sublinho o verbo: travar. Não digo bombardear nem fazer guerra, digo impedir de alguma maneira».

Os media seculares, e mesmo alguns órgãos católicos, reagiram mal: Se não é para bombardear, então qual é a estratégia do Papa? Como se o Sumo Pontífice tivesse de ter uma estratégia militar, qual presidente dos EUA. A minha aposta é de que o Papa estava a afirmar a necessidade de agir – naturalmente através do uso da força –, mas deixando claro que, apesar do horror da violência do Estado Islâmico, não cabe ao Papa defender os bombardeamentos americanos nem as decisões práticas de qualquer outra nação.

Mas na semana passada disse à Comunidade de Sant’Egidio: «A guerra nunca é uma forma satisfatória de corrigir injustiças... A guerra conduz as pessoas a uma espiral de violência que se torna difícil de controlar. Destrói aquilo que levou gerações a estabelecer e abre caminho a conflitos e injustiças ainda piores».

«Diálogo» ao estilo do Estado Islâmico

Calculo que na emoção do momento, como tende a fazer, Francisco foi um bocadinho mais longe do que queria. O pensamento moral católico há muito que aceitou que as autoridades católicas têm por vezes a responsabilidade de recorrer à força. E temos exemplos de guerras boas, como a derrota dos nazis pelos aliados. Como explica o Catecismo da Igreja Católica:

[2307] Cada cidadão e cada governante deve trabalhar no sentido de evitar as guerras.

Apesar desta admoestação da Igreja, por vezes torna-se necessário usar a força para obter os fins da justiça. Este é um direito, e o dever, de todos os que têm responsabilidade pelos outros, tal como líderes civis e forças policiais. Enquanto os indivíduos têm o direito de renunciar a toda a violência, aqueles que preservam a justiça não o podem fazer, embora deva ser sempre um último recurso, «falhados todos os esforços de paz».

É claro que existem os limites das condições sobre a decisão de ir para a guerra (ius in bellum) e o comportamento durante o combate (ius in bello). O juízo prudente dos líderes civis nestas matérias é, justamente, alvo de escrutínio cuidadoso. Em retrospectiva, muitos dos que acreditavam que Saddam Hussein possuía armas de destruição maciça vieram mais tarde a concluir que a decisão do presidente Bush de atacar o Iraque foi um erro. Da mesma forma, muitos consideram agora que a decisão de Obama de retirar as tropas do Iraque foi um erro e que, por isso, ele depara-se agora com limites à sua acção contra o Estado Islâmico que podem bem tornar a sua estratégia inútil. Este é um problema grave, uma vez que um dos critérios para a guerra justa é a existência de uma possibilidade razoável de sucesso, que é como quem diz, a existência de um benefício proporcional na decisão de matar pessoas e partir coisas.

É claro que o Papa sente a tragédia de todas as guerras e o pecado que está por detrás delas: «ganância, intolerância, sede de poder... Estes motivos estão por detrás da decisão para ir para a guerra e, demasiadas vezes são suportadas por uma ideologia; mas em primeiro lugar há uma paixão ou um impulso distorcidos. A ideologia é apresentada como justificação quando não existe qualquer ideologia, mas apenas a resposta de Caim: ‘Que me interessa isso? Serei eu o guarda do meu irmão?’»

Noutras alturas, porém, ele e a Igreja reconhecem que o «uso justo da força» – caso queiram evitar a palavra «guerra», como parece ser a vontade da Casa Branca – serve precisamente para podermos ser os «guardas do nosso irmão». Talvez seja necessário recordar o Vaticano disso. Irmãos cristãos, yazidis, curdos e muçulmanos de várias confissões, foram expulsos das suas casas, mortos ou marcados para genocídio. Não é possível negociar com os agressores. Não há diálogo ao alcance dos homens que seja capaz de fazer a menor diferença na mortandade.

Podemos preferir que não fosse assim. Podemos lamentar a herança da história e da violência do passado. Podemos reconhecer os nossos próprios pecados e pedir a Deus uma solução que não somos capazes de encontrar sozinhos. Mas entretanto temos apenas os meios ao nosso alcance e não podemos demitir-nos da responsabilidade de proteger aqueles que sofrem agressões.

Mesmo que não possamos fazer nada, podemos pelo menos dizer a verdade, porque: «para promover a paz é necessário saber o que a guerra é na realidade, e não aquilo que gostaríamos que fosse».


(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing.
Tradução de Filipe d'Avillez)





sábado, 20 de setembro de 2014


Lançado nos EUA livro escrito por cinco cardeais

sobre a doutrina da Igreja sobre o matrimónio.


Cinco membros do Colégio de Cardeais uniram-se para escrever um livro em defesa da doutrina da Igreja sobre os católicos divorciados numa nova união e afirmaram que se trata do enfoque mais misericordioso que se pode esperar.

O livro «Remaining in the Truth of Cristo: Marriage and Communion in the Catholic Church» (Permanecendo na verdade de Cristo: Matrimónio e comunhão na Igreja Católica) oferece uma resposta à proposta do cardeal Walter Kasper para que os católicos divorciados numa nova união possam receber a Eucaristia.

Os cinco cardeais autores do livro são Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; Raymond Leo Burke, Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica; Walter Brandmüller, presidente emérito do Comitê Pontifício de Ciências Históricas; Carlo Caffarra, Arcebispo de Bolonha e um dos teólogos mais próximos a São João Paulo II em questões de moralidade e família; e Velasio Di Paolis, Presidente emérito da Prefeitura para os Assuntos Económicos da Santa Sé.

Além dos cardeais, quatro professores e teólogos também fizeram contribuições ao livro: Robert Dodaro (OSA), o editor John Rist, o jesuíta Paul Mankowski e o Arcebispo Cyril Vasil.

Segundo a editora Ignatius Press, o livro aborda argumentos bíblicos sustentados pela actual doutrina da Igreja assim como os ensinamentos e práticas da Igreja primitiva.

No seu site, Ignatius Press explica que o livro «percorre a história de séculos de resistência católica» à recepção da comunhão por parte de católicos divorciados numa nova união. Do mesmo modo, revela «sérias dificuldades teológicas e canónicas inerentes nas práticas do passado e presente da Igreja Ortodoxa».

«Em nenhum destes casos, bíblicos ou patrísticos, estes estudiosos encontram argumentos a favor do tipo de 'tolerância' que o Cardeal Kasper propõe com respeito aos matrimónios civis em que se divorciam», refere a editora.

Em Fevereiro, o cardeal Kasper, presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, referiu-se ao matrimónio e à vida familiar, dedicando a última parte de seu discurso ao «problema dos divorciados recasados» e propôs que os divorciados recasados possam receber a Comunhão.

Ignatius Press sustenta que os diversos estudos analisados no livro «levam à conclusão de que a fidelidade de muitos anos da Igreja à verdade do matrimónio constitui o fundamento irrevogável da sua resposta misericordiosa e amorosa à pessoa que está civilmente divorciada e recasada».

«Portanto, o livro desafia a premissa de que a doutrina tradicional católica e a prática pastoral contemporânea se contradizem».





terça-feira, 16 de setembro de 2014


Isso é tão iluminismo


Roberto Royal

Um dos recursos de estilo mais irritantes no discurso público actual é quando se critica uma coisa como sendo «medieval». O crítico não está a referir-se à janela de rosa da catedral de Chartres, nem os tratados místicos de Bernardo de Clairvaux sobre o amor divino, nem o código de conduta elaborado da tradição cavalheiresca. Essas tradições, por alguma razão, não contam como «medievais». Só a brutalidade, que é comum a todas as eras, infelizmente, define o que é medieval, bem como um certo obscurantismo religioso, cujos registo históricos são difíceis de encontrar, mesmo quando comparado com a confusão dos nossos tempos.

As calúnias sobre a superstição e a violência da Idade Média começaram durante o Renascimento – apesar de a suposta «redescoberta da razão» ter sido na verdade um declínio em relação à racionalidade medieval. Basta dar uma vista de olhos sobre a política no Renascimento para se perceber que não se trata propriamente de um grande avanço.

Mas as calúnias foram reforçadas pela Reforma e pela Revolução Científica. São Edmund Campion foi enforcado e esquartejado por causa das suas crenças religiosas em Inglaterra em 1581, mas curiosamente não criticamos esse tipo de comportamento como sendo «tão reformista» ou «tão pré-modernismo».

Mas a maior impostura na nossa história imaginada do Ocidente tem a ver com o Iluminismo. O verdadeiro Iluminismo apresentou-se sob várias formas. Algumas foram úteis – algo de que nos devemos lembrar quando precisarmos de antibiótico – e poderiam ter sido ainda mais se tivessem beneficiado de alguma continuidade com conhecimentos mais antigos. Muitas figuras do Iluminismo, mesmo que se tenham tornado deístas, continuavam a acreditar num Ser Supremo, na imortalidade da alma, no juízo final e na vida eterna no Céu ou no Inferno (ver o Vigário de Saboia de Rousseau). Sem esses mínimos, pensavam, a moralidade humana não teria rumo.

Mas o Iluminismo radical – a parte que Edmund Burke discerniu na Revolução Francesa e que descreveu como operando «com a metafísica de um caloiro e a matemática e aritmética de um cobrador de impostos», continua connosco e fornece grande parte da banda sonora das nossas vidas. Vêmo-lo nas figuras públicas que parecem acreditar na existencia de curas conhecidas para todos os males sociais, que apenas não se aplicam por causa da má-vontade dos privilegiados ou a ignorância dos pobres, sendo que tanto uns como outros podem ser ignorados e, até, eliminados da conversa.

Burke acrescentava que: «É notável, que num grande arranjamento de humanidade, não se encontra qualquer referência a qualquer coisa moral ou qualquer coisa política; nada que se relacione às preocupações, acções, paixões, ou interesses dos homens. Hominem non sapient [Eles não conhecem o homem].»

Desde então as coisas não melhoraram muito. Olhando à volta continuamos a ver que as grandes influências do Iluminismo para nós continuam a ser coisas como a ideia de que os «verdadeiros» interesses das pessoas são económicos e que tudo o resto é ilusão, loucura ou pior. É evidente que houve guerras travadas por razões económicas, mas são surpreendentemente poucas ao longo dos últimos séculos. Basta pensar na Primeira e Segunda Guerra Mundial, Coreia, Vietname, Afeganistão e Iraque.

Neste momento decorre uma guerra na Ucrânia que o nosso presidente pensa derivar de uma mentalidade «do século XIX» que, como sabem os sofisticados da comunidade internacional, nem compreende os seus próprios interesses. Ou seja, nós compreendemos Vladimir Putin melhor do que ele próprio. As elites bem-pensantes sabem que devíamos limitar-nos ao desenvolvimento económico e cooperação internacional  e, claro, sabemos que forma deve assumir essa cooperação, porque todos os objectivos humanos legítimos são já conhecidos: uma presunção tão iluminista.

Edmund Campion, vítima do Iluminismo

Temos guerras entre o povo antigo de Israel e os habitantes muçulmanos de Gaza e da Cisjordânia, bem como entre as diferentes facções religiosas da Síria, Iraque, Líbia, Egipto, Sudão, Nigéria, etc. É tão deprimente – e tão iluminista – pensar que os seres humanos se mantêm agarrados dessa forma à religião e à história. A não ser que, em vez de olharmos para o mundo pelo prisma dos nossos critérios olharmos, como diz Burke, para as «preocupações, acções, paixões e interesses dos homens» – os seres humanos verdadeiros e não aqueles que gostaríamos que existissem.

Quando pensamos desta forma começa a fazer sentido que as pessoas se agarrem à religião, família e pátria – e que estejam dispostos a defendê-las, pela força, se for caso disso, mesmo que isso não beneficie os seus «interesses económicos» – porque  a maioria das pessoas não se entusiasmam nem se inspiram em abstracções. Os homens simplesmente não são assim. É muito iluminista pensar que sim.

Ou melhor, essa é uma das contradições do Iluminismo. Porque se levássemos a sério os esforços para se reduzir o homem a um mero animal, essas ligações de matilha fariam todo o sentido. Foi Vladimir Soloviev que ironizou, certa vez, que a visão moderna é de que «todos descendemos de macacos, por isso amemo-nos uns aos outros».

Claro que se levássemos a sério a redução iluminista dos seres humanos a um mero animal complexo, ou mais ainda a uma série de interacções químicas complexas, não acreditaríamos em nenhuma daquelas coisas que verdadeiramente nos tornam humanos. E porque razão pensaríamos que algo que não passa de uma série de reacções químicas complexas tem direitos, liberdades ou objectivos para além do bem-estar físico? Os tecnocratas estão a investir em força nesse raciocínio.

Levou o seu tempo para que esta atitude iluminista entrasse no discurso público. Há correntes na nossa cultura – pós-modernas, neo-ortodoxas, filosóficas – que já compreenderam as limitações e os perigos deste desenvolvimento. Remam contra a maré, mas acabam muitas vezes por dar mais força ao cepticismo em vez de restaurar sentido de verdade mais rico do que um orgulhoso racionalismo anterior permitia.

Aquele pensamento antigo e medieval que suportava a ideia de que o ser humano é algo especial – enraizado num mundo que tinha um lugar especial para essa especialidade – pode ter sido banido da praça pública. Alguns até podem pensar que se trata de uma libertação. Mas essa é uma visão tão iluminista e à medida que as consequências se fizerem notar, poderá não tardar o dia em que sentimos saudades de um tempo menos iluminado.


(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing , 4 de Agosto de 2014. Tradução de Filipe d'Avillez)





sexta-feira, 12 de setembro de 2014


O Próximo-Oriente sem cristãos?


Pedro Vaz Patto

Os Cristãos do Oriente Vão Desaparecer? Com este título foi publicado em França em 2008 (Ed. Salvador) um livro da autoria da investigadora e jornalista Annie Laurent. A emigração crescente e a fuga de guerras e perseguições já então justificava esse receio. Um receio que atinge agora o seu cume com o êxodo da comunidade assíria da região iraquiana de Mossul, colocada pelo Exército Islâmico do Iraque e do Levante perante as alternativas da conversão ao Islão, do pagamento de um imposto de valor incomportável para a grande maioria, ou da morte. As propriedades deixadas desocupadas pelos que fogem são marcadas com a letra inicial da palavra «nazareno» (nome por que são designados os cristãos no Alcorão), sinal que permite o confisco das mesmas.

…

A presença do cristianismo nesta região remonta ao século II (muito antes do Islão) e os cristãos iraquianos, como outros cristãos do Próximo-Oriente, são de cultura árabe (não ocidental) e, ao longo da história, muito têm feito para valorizar essa cultura (foram cristãos os autores dos primeiros dicionários de árabe moderno, por exemplo).

...

Annie Laurent, autora do livro acima referido, numa entrevista recente, vai mais longe e afirma, a respeito do papel das minorias cristãs no Próximo-Oriente: «podem trazer o progresso, a abertura, os valores do Evangelho – o perdão, por exemplo, o sentido da gratuidade, ou ainda o do bem comum»; «são uma minoria, mas as suas escolas, hospitais e obras socias são abertos a todos»; «o elemento cristão serve a unidade do Próximo-Oriente».







quarta-feira, 10 de setembro de 2014


Baldes genocídas


Nuno Serras Pereira

Não saberei dizer por que carga d’água andam, ao que consta, milhões de pessoas, num frenesim confrangedor, despejando águas glaciais em si próprias, que exibem vaidosamente na Inter-rede e em outros meios exibicionistas de massa.

Alguns, suspeito, arguir-me-ão de idiota, o que sou levado a concordar, ou, pior ainda, de coração empedernido, alheio à solidariedade, à compaixão, carente de um mínimo de misericórdia. Como se eu não soubera ou fosse indiferente a que tudo se destina à investigação médico-científica, no intuito de encontrar tratamento e cura para um enfermidade tremenda, a saber, a Esclerose Lateral Amiotrófica[1].

A verdade, porém, é que sei muito bem a finalidade do dinheiro arrecadado e não sou, graças a Deus, insensível às vítimas dessa terrível doença, que gostaria e espero que seja erradicada.

O problema é que essa tal «investigação científica» não passa de um disfarce para interesses inconfessáveis que nada têm a ver com esse flagelo. De facto, a tal «investigação» não passa de experimentações letais, homicidas, feitas em pessoas humanas no início das suas vidas, destinadas a sucumbir como cobaias animais. Acresce que até hoje nunca as células estaminais arrebatadas a centenas de milhares de pessoas embrionárias, assim liquidadas, conseguiram algum resultado proveitoso para a medicina, para ajudar a saúde. Pelo contrário, as consequências têm sido catastróficas. Pelo contrário, as células estaminais adultas ou as células estaminais pluripotentes induzidas (iniciais em inglês: iPSCs), que não envolvem nenhum ataque à vida nem à integridade de qualquer ser humano, sendo por isso, ao contrario das outras, eticamente aceitáveis e mesmo recomendáveis, constituem um caminho que já deu provas em tantas ocasiões e se apresenta como promissor no que a esta enfermidade diz respeito.

Como é que é possível então que não haja ninguém com ascendência e responsabilidade que denuncie esta barbaridade, que faz cruelmente, com aparências hipócritas de civilidade e solidariedade, muitíssimo mais vítimas que o auto-intitulado califado islâmico? Em Roma, sabe-se isto muito bem e, no entanto, o silêncio impera. Medem-se então as pessoas aos palmos?! A Igreja que tanto prega a Misericórdia não tem uma palavra, um gesto, uma atitude que ajude a pôr cobro a esta infâmia ignóbil. Será que há pessoas humanas que são mais ou menos que as outras conforme os aplausos e as conivências daquele mundo subjugado pelo diabo? Não têm direito aquelas pessoas, até sacerdotes!, que arrastam as suas ovelhas, de boa-fé, a cumpliciarem-se com os tiranos sanguinários, de escutarem uma palavra de esclarecimento e de denúncia que ponha cobro a esta abominação?

Peço instantemente a Deus, que não permita que eu venha a ganhar o cheiro das ovelhas e que me conceda a Graça de me perfumar com o Seu cheiro para que o comunique a todas aquelas com que tenha contacto, e desse modo espalharmos a Sua fragrância de Santidade que dê remédio ao fedor fétido e nauseabundo que impregna os dias de hoje. À honra de Cristo, do Seu Sagrado Coração e do Coração Imaculado de Maria. Ámen.


[1] Devo dizer que estou de tal modo habituado a que me zurzam violentíssimas bastonadas por tudo aquilo que digo ou escrevo que, numa primeira fase, se foi formando em mim uma carapaça de tal modo sólida e consistente que me insensibilizou a qualquer golpe; mas que, de um modo inesperado, desapareceu deixando-me vulnerável, padecendo tudo com enorme gozo e verdadeira letícia (alegria).






segunda-feira, 8 de setembro de 2014


Vandalismo


Gonçalo Portocarrero de Almada

Do alto da coluna que lhe serve de pedestal, temo que Afonso de Albuquerque esteja preocupado. Não pelo calor estival, que o não incomoda, nem pelo seu vizinho, o inquilino oficial do palácio de Belém, a quem dá as costas, não por desrespeito com o dito, mas para poder estar de frente para o Cristo-Rei que, da outra margem do Tejo, saúda e benze a capital. Outra é a eventual preocupação do «terríbil»: a sua sobrevivência está em causa com a retirada, da Praça do Império, dos símbolos heráldicos dos mundos que Portugal deu ao mundo.

A supressão dos brasões das antigas possessões ultramarinas, mais do que a razões económicas, obedece a motivações políticas. Entendem alguns que estão fora de moda. Mas não o estão menos o mosteiro dos Jerónimos, a torre de Belém ou o padrão dos Descobrimentos. Pela mesma razão, o próprio Afonso de Albuquerque, tão politicamente incorrecto, deveria ser apeado e saneado, à moda do PREC.

Uma parelha de vândalos.

Poucos são os países europeus que têm uma história tão antiga como a portuguesa, ou que se podem orgulhar de uma gesta comparável aos nossos descobrimentos. Contudo, há quem, em Portugal, esteja empenhado em destruir o que resta dessa gloriosa memória, esquecendo que esses marcos históricos definem, com a nossa língua e o restante património artístico nacional, a nossa identidade como nação.

Há vandalismo em destruir ou danificar os monumentos históricos, mas também o há em apagar, das nossas praças, as poucas expressões que ainda recordam o nosso império. Se o buxo não compensa, gravem-se em pedra esses escudos, que não são apenas os nossos anéis, mas os nossos braços e mãos. Mais do que meras evocações da passada grandeza nacional, são penhor da nossa esperança. Mais alto do que o Albuquerque, «levantai, hoje de novo, o esplendor de Portugal!»





segunda-feira, 1 de setembro de 2014


«Priest holes» (esconderijos de padres)


José Maria C. S. André, Correio dos Açores, 31 de Agosto de 2014

Chegou a altura de o povo britânico conhecer a sua história, é o que agora pensam os historiadores do Reino Unido. Não basta ler o que há escrito? J. J. Scarnbrick, Christopher Haig, Eamon Duffy, Diarmaid MacCulloch e outros académicos dizem que a história foi distorcida, ao serviço de uma mensagem, e é preciso recuperar as fontes. Tudo muda. Os novos livros fazem lembrar as obras antigas monumentais do Lingard, do Milner, ou a síntese do Cobbett, geralmente desprezadas como «propaganda católica».

O impacto deste novo olhar sobre os últimos quinhentos anos de história é imenso, porque, em certo sentido, é a própria identidade deste Povo que está em causa. Além disso, o movimento «revisionista» não é uma moda extravagante, é a unanimidade dos principais especialistas. Dizia-me um professor da universidade que a história do Reino Unido já não volta atrás, depois do revisionismo. Começa a aparecer um «pós-revisionismo», mas nada que ponha em causa aquela ruptura com a história habitual.

Ao mesmo tempo, é interessante notar que os revisionistas são revisionistas por razões científicas. Em geral, não alteraram as suas convicções religiosas. Alguns já eram católicos ou converteram-se ao catolicismo, mas a maioria continua a achar que o catolicismo é uma religião de pobres e italianos. O surpreendente – reconhecem os historiadores – é que esses marginais tenham realizado coisas tão extraordinárias, apesar de séculos de perseguição. Tiveram um papel determinante na educação e ainda hoje são maioria nas áreas da enfermagem e do apoio social, além de que produziram figuras de primeiro plano no âmbito da cultura.

A nova visão da história tem facetas inesperadas e até divertidas do ponto de vista turístico, como os «priest holes». A maioria já desapareceu, mas ainda se conservam muitas centenas, que se podem visitar. Estes buracos são cavidades no interior das paredes, ou poços por baixo do soalho, para esconder os padres que iam, de casa em casa, celebrar a Missa. A polícia vigiava (numas épocas mais do que noutras) e o jogo era a sério. Os disfarces e os sistemas para alimentar os padres dentro do buraco eram variados e imaginativos. Um passo em falso significava morte. Porque, desde o tempo de Henrique VIII, houve o cuidado de considerar que o catolicismo não era uma religião mas uma traição à pátria. Assim, evitava-se reconhecer a perseguição religiosa e as penas eram mais pesadas e sem apelo.

Li relatos de católicos ingleses que viajavam ao estrangeiro e ficavam escandalizados pela pressa com que se celebrava a Missa, mesmo em Roma. Imagino que estivessem habituados a Missas pouco frequentes, às escondidas, celebradas por um padre saído do «priest hole», alimentado através da gaveta da cómoda.

Padres do Colégio dos Inglesinhos, em Lisboa, acabados de ordenar
pelo Núncio Apostólico, no princípio dos anos 60.
Ser padre, naquela época, era complicado. Os rapazes ingleses tinham de fugir do país para ir estudar para um seminário, em Roma, em França, em Espanha, na Bélgica. Até em Lisboa havia um seminário, na Travessa dos Inglesinhos, que funcionou até 1973. Para as famílias não serem perseguidas, os estudantes mudavam de nome, mal desembarcavam no Continente. Em Roma, S. Filipe de Neri ajoelhava na rua, quando passava em frente do colégio dos ingleses e honrava-os como se tivessem sido mártires. Terminada a formação no seminário e ordenados, os padres regressavam clandestinamente à sua ilha e, de casa, em casa, dedicavam-se a atender os católicos. Às vezes, a coisa acabava mal. Mas, enquanto durava, era bom.

Os católicos ingleses nunca sabiam quando podiam voltar a confessar-se e assistir à Missa, de modo que queriam saborear esses momentos. No Continente, a Missa era tão rápida! Nem dava tempo para a pessoa se concentrar. Pelo menos, é o que os ingleses achavam.





sábado, 30 de agosto de 2014


Apelo a todos aqueles que querem preservar

o património histórico


Preservação do jardim da Praça do Império

A Câmara Municipal de Lisboa, na pessoa do Senhor Vereador Sá Fernandes, resolveu eliminar os brasões relativos às ex-províncias ultramarinas, desenhados nos buxos do jardim em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, na Praça do Império, alegando que estão «ultrapassados» e que «não faz sentido mantê-los», pois são representativos do Ultramar e do colonialismo.
Porém, aquele espaço, que foi projectado pelo arquitecto português Vasco Lacerda Marques, integrado na praça do Império, desenhada pelo afamado arquitecto luso Cortinelli Telmo (1897-1948) para a Exposição do Mundo Português, em 1940, é um marco histórico, um património, uma memória e um símbolo da História e da Cultura de Portugal.

Não se pode politizar nem mudar a História. Ao retirar os brasões, estarão a descaracterizar um dos espaços mais visitados de Lisboa, que pertence ao povo português e, em particular, aos munícipes da cidade.
Sá Fernandes, a visão do mundo do Bloco de Esquerda.
Esta acção é um ultraje à memória de um povo e uma tentativa de despojar as gerações vindouras da herança histórica e cultural portuguesa, um legado que temos o dever de preservar, não de apagar, como se nunca tivesse existido.

Assine, por favor, para mostrar que é contra a eliminação desses brasões e que estão neste espaço desde 1940, como parte integrante do jardim.

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT74604






quinta-feira, 28 de agosto de 2014


Curiosidades desta terra...


Luís Lemos

Porque será que o blog maçónico «Almanaque Republicano» gosta tanto do muito católico Manuel Braga da Cruz?

Da Cruz?


Ver: http://arepublicano.blogspot.pt/2011/10/comunicacao-de-manuel-braga-da-cruz-na.html