quinta-feira, 23 de junho de 2016
O rapaz que queria ser rapariga
Pe. Nuno Rosário Fernandes, Voz da Verdade, 12 de Junho de 2016
António e Joana são um casal feliz. Na sua meia-idade, apesar da instabilidade dos seus empregos, fruto da época em que estamos, vivem com alegria e testemunham essa mesma felicidade. Os seus dois filhos, a Sofia e o Tiago, frequentam a escola no 5.º e 7.º ano de escolaridade. Os dois vão à Catequese na sua Paróquia e o Tiago até gosta
de servir ao altar.
Recentemente, Tiago chegou a casa com muitas perguntas que deixaram os pais perplexos e preocupados. Na Escola, o Tiago ouviu um seu colega, rapaz, dizer que não gostava da sua sexualidade e queria, por isso, ser rapariga. Um seu professor, apoiando a causa, chegou mesmo a falar de uma teoria que Tiago já tinha ouvido falar na televisão mas que não percebia o que era: a ideologia do género.
O professor citou, então, uma frase que diz: «uma mulher não nasce mulher, torna-se mulher». Esta frase, de autoria de Simone Beauvoir, explicou o professor, é ponto de partida para esta ideologia que considera que somos homens ou mulheres não na base da dimensão biológica em que nascemos, mas nos tornamos tais de acordo com o processo de socialização. Por conseguinte, o género deve sobrepor-se ao sexo e a cultura deve impor-se à natureza.
Tiago, mostrando os apontamentos daquela aula em que o seu professor defendia acerrimamente esta teoria, fez ver aos pais que para esta ideologia, o género é uma construção social, e por isso mesmo este pode ser desconstruído e reconstruído. Pelo que, se a diferença sexual entre homem e mulher está na base da opressão desta, então qualquer forma de definição de uma especificidade feminina é opressora para a mulher. Por isso, a maternidade como especificidade feminina é sempre uma discriminação injusta. Assim, para superar essa opressão, recusa-se a diferenciação sexual natural e reconduz-se o género à escolha individual. Ou seja, o género não tem de corresponder ao sexo, mas pertence a uma escolha subjectiva, ditada por instintos, impulsos, preferência e interesses, o que vai para além dos dados naturais e objectivos.
Deste modo, se é indiferente a escolha do género a nível individual, podendo escolher-se ser homem ou mulher independentemente dos dados naturais, também é indiferente a escolha de se ligar a pessoas de outro ou do mesmo sexo. Deixa-se assim de falar em família e passa a falar-se em famílias.
Com esta descrição no caderno de Tiago, os seus pais ficaram apavorados, sobretudo pelo que começavam a ensinar na Escola, levando a crer que privilegiar a união heterossexual afigura-se a esta teoria como uma forma de discriminação. Por outro lado, e isso então deixou Tiago muito angustiado, porque gosta muito de seu pai e de sua mãe e de os chamar assim mesmo (pai e mãe), deixa de se falar em paternidade e maternidade e passa a falar-se, exclusivamente, em parentalidade, criando um conceito abstrato, pois desligado da geração biológica. Tiago ficou mesmo confuso.
Depois de ler o caderno de Tiago, e de ouvir as suas lamentações, observações e perguntas, o pai de Tiago procura explicar que esta teoria, chamada ideologia do género, salientando que esta teoria opõe-se radicalmente à visão bíblica e cristã da pessoa e da sexualidade humanas. Conversando pacientemente com o seu filho, António referia que o corpo sexuado, como todas as criaturas do nosso Deus, é produto bom de um Deus bom e amoroso. Uma segunda verdade a considerar na visão cristã da sexualidade, diz, é a da pessoa humana como espírito encarnado e, por isso, sexuado: a diferenciação sexual correspondente ao desígnio divino sobre a criação, em toda a sua beleza e plenitude: «Ele os criou homem e mulher».
A pessoa humana, continuava António ao seu filho Tiago, é a totalidade unificada do corpo e da alma, existe necessariamente, como homem ou mulher. Por conseguinte, a dimensão sexuada, a masculinidade ou feminilidade, é constitutiva da pessoa, é o seu modo de ser, não um simples atributo. É a própria pessoa que se exprime através da sexualidade. A pessoa é, assim, chamada ao amor e à comunhão como homem ou como mulher.
Com o desenrolar da conversa o tempo foi passando e logo chegou a hora do descanso de Tiago para mais um dia de aulas. Mas António prometeu a Tiago continuar o assunto, até porque é importante conhecer e esclarecer o que normalmente na comunicação social não é devidamente explicado. Mas as férias estão à porta e Tiago vai ter mais tempo para ouvir as explicações de seus pais.
Este texto é fictício, e para ele recorri ao texto original do documento da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a ideologia do género, publicado em Novembro de 2013. Este documento, que convido vivamente a ler e que foi tema esta semana do Conselho Presbiteral do Patriarcado de Lisboa, já foi objecto de grandes elogios no Vaticano, e em algumas outras Conferências Episcopais. É, por isso, importante que o conheçamos para percebermos a cultura que nos querem impor e os valores que, enquanto cristãos, somos chamados a viver mas, acima de tudo a defender. Porque, «a ideologia do género não só contrasta com a visão bíblica e cristã, mas também com a verdade da pessoa e da sua vocação. Prejudica a realização pessoal e, a médio prazo, defrauda a sociedade. Não exprime a verdade da pessoa, mas distorce-a ideologicamente».
Documento «A propósito da ideologia do género»
segunda-feira, 20 de junho de 2016
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Hoje celebra-se o Anjo de Portugal
Hoje celebra-se o Anjo de Portugal, que apareceu aos pastorinhos preparando a aparição de Nossa Senhora.
Tudo indica ter-se tratado de São Miguel Arcanjo.
domingo, 12 de junho de 2016
Por acaso, um acaso sem acaso algum
Helena Matos, Observador, 9 de Junho
de 2016
Alexandra Leitão, a secretária de Estado Adjunta e da
Educação, declarou que as suas filhas «por acaso não estudam» numa escola
pública. Mas qual acaso? Não vejo nisso acaso algum mas sim uma escolha.Alexandra
Leitão, a secretária de Estado Adjunta e da Educação foi entrevistada
pela Visão. A dado momento da entrevista afirma o jornalista a
propósito das filhas de Alexandra Leitão: «Não lhe vou perguntar se elas estudam numa escola pública…»
Há anos que entre nós vigora este paradoxo jornalístico:
sendo o jornalista por definição alguém que faz perguntas, em Portugal não se
pergunta em que escolas estão inscritos os filhos de quem nos governa,
sobretudo se esse alguém defender as causas queridas da comunicação social e
disser aquelas coisas redondas sobre as maravilhas da escola pública. Contudo é
aí que está o busílis da questão, como bem se percebe pela resposta da senhora
secretária de Estado que, perante o interdito do jornalista, avança
prontamente: «Mas eu respondo: por acaso não estudam (risos). As minhas
filhas fizeram o jardim-de-infância e a primária numa escola pública. E agora
estão na Escola Alemã.»
De que rirá a senhora secretária de Estado? Certamente da
papalvice do país que não estranha aquele «por acaso». Mas qual acaso? Estarão
as filhas da senhora secretária de Estado numa escola que sorteia vagas nos
pacotes de cereais? Iam as filhas da senhora secretária de Estado pela Segunda
Circular e aquele boneco que está plantado no telhado da Escola Alemã
perguntou-lhes «Passaram aqui por acaso? Então saiam na primeira à direita
porque ganharam o direito a frequentar esta escola!»Vai desculpar-me a senhora
secretária de Estado mas não vejo aqui acaso algum. Vejo sim uma escolha, muito
louvável até, de uma das mais reputadas escolas de Portugal. Mas detalhemos então
o «acaso» que levou as filhas da senhora secretária de Estado Adjunta e da
Educação a uma escola muito diferente daquela que o Ministério de que ela é
secretária de Estado promove: «A opção pela Escola Alemã tem a ver com a opção por um
currículo internacional. Para mim era importante que elas tivessem uma educação
com duas línguas que funcionem quase como maternas, digamos assim. Se assim não
fosse, andariam obviamente numa escola pública.»
Francamente, senhora secretária de Estado, há inúmeras
escolas neste país em que se falam duas ou mais línguas. Por exemplo, em
algumas escolas da Amadora fala-se português e crioulo. Eu percebo que a
senhora secretária de Estado prefira o alemão ao crioulo como segunda língua
para as suas filhas. Mas isto, sou eu a falar. Eu, cujos filhos frequentaram
escolas públicas e privadas nada por acaso mas simplesmente porque em cada
momento se procurou escolher o que seria melhor para eles. Por exemplo, se eu
escolhesse a Escola Alemã para os meus filhos nunca o faria para que eles
dominassem o alemão – a facilidade com que as crianças e os jovens aprendem
línguas dispensava-me desse esforço financeiro – mas sim por causa do rigor,
dos métodos de trabalho e da disciplina que ali são incutidos. Mas claro isto
sou eu de novo a falar e eu como se sabe faço parte daquelas pessoas que acham
que todos temos de ter o direito a escolher a escola dos nossos filhos sem
termos de inventar moradas para que eles vão para uma boa escola pública ou
argumentos politicamente correctos que justifiquem a opção por uma boa escola
privada.
Este sistema escolar que a senhora secretária de Estado
defende – com os filhos dos outros nas escolas públicas e os nossos numa escola
privada por causa de uma circunstância que não suscita polémica como os
horários ou a segunda língua – tornou-se em Portugal um mecanismo que não só
reproduz como acentua as fragilidades e as vantagens comparativas do meio de
origem dos alunos. E foi nesta engrenagem que, qual grão de areia, entraram os
contratos de associação.
O que está em causa, o que irrita nos contratos de
associação é que milhares de famílias viram naqueles contratos algo em que
muitos já desistiram de acreditar na rede pública: a escola enquanto factor de
inclusão e ascensão social. Por outras palavras, eles não podem colocar os
filhos na Escola Alemã mas também não os querem nas madrassas do senhor
Nogueira. Querem apenas, dentro de um reduzido lote de escolas, escolher aquela
em que os seus filhos vão fazer a escolaridade obrigatória. Mas o que a senhora
secretária de Estado diz é que, além da escolaridade obrigatória, os filhos dos
outros, para mais devidamente arrumadinhos socio-geograficamente pelos
critérios de matrícula nas escolas públicas (para quando a discussão sobre
esses critérios?), têm ainda o dever de frequentar obrigatoriamente as escolas
da rede pública. Pois, senhora secretária de Estado, aquelas escolas onde
passar de uma má para uma boa é o que de mais difícil existe em Portugal para
aquelas famílias que não têm contactos, nem são filhos de alguém…
Mouraria ou Chinatown?
Maria João Marques, Observador, 8 de Junho de 2016
Já estamos em boa hora de começar a ver uma expropriação de propriedade privada como o último recurso de qualquer problema. E de fazermos t-shirts com o slogan «nem mais um metro quadrado para a CML».
Fernando Medina – presidente da Câmara de Lisboa em punição por todos os pecados da capital – é o político socialista exemplar. «Inimigo dos automobilistas e voraz com os recursos dos lisboetas» seria um bom mote para a sua campanha de 2017.
Fernando Medina – presidente da Câmara de Lisboa em punição por todos os pecados da capital – é o político socialista exemplar. «Inimigo dos automobilistas e voraz com os recursos dos lisboetas» seria um bom mote para a sua campanha de 2017.
Já muita gente escreveu sobre a mesquita que a CML entendeu por bem tomar as dores de construir e a hipocrisia flagrante de pretender defender o Estado laico radical, rasgando contratos de associação livremente estabelecidos pelo Estado para poupar as susceptíveis criancinhas à exposição ao ópio do povo por um lado, e, por outro, correr a substituir-se à comunidade islâmica na construção de uma mesquita. E se calhar atrás da mesquita vem a madrassa e a querida câmara socialista de Lisboa é bem capaz de decidir – para mostrar como somos tolerantes, multiculturais e essas virtudes teologais do credo esquerdista – contribuir financeiramente para a catequese muçulmana dos alunos da mesquita da Mouraria. Depois, claro, de ter protegido as crianças portuguesas – mesmo as das famílias ignaras que até queriam e gostavam – da exposição a essa praga maior da vida portuguesa que é o cristianismo.
Para os argumentos sobre laicidade dirijam-se se faz favor aos textos de João Miguel Tavares e Sebastião Bugalho. Eu gostava de acrescentar outro argumento: o Estado devia (como quase sempre) estar quieto. Ao contrário do que dizem os fãs do projecto – e até João Miguel Tavares – não faz qualquer sentido construir naquela zona uma mesquita. Porque há vários séculos aquela zona era habitada por islâmicos devemos agora lá construir uma mesquita? Porque se abriram lá lojas de proprietários paquistaneses e bangladechianos temos de lhes oferecer um local de culto? E a população chinesa da zona, que é pelo menos tão numerosa e visível? Está já em estudo pelos assessores dilectos de Medina a construção de um templo a Confúcio? Outro a Mêncio? Foi encomendada alguma estátua da bodhisattva Guanyin?
E que dizer da injustiçada população hindu que durante muitos anos habitou e trabalhou naquela mesmíssima zona? Nunca dei por nenhum canto – menos ainda construção de três milhões de euros a expensas do contribuinte da praxe – evocativo de Shiva. Ou – para ser visualmente ainda mais apelativo – um altar a Ganesh, o deus elefante. Mas devo estar a ser injusta: provavelmente foi algum temor de Kali, a destruidora, que impediu os socialistas lisboetas, tão amantes do culto alheio, de assim ignorarem os justos anseios religiosos dos muitos hindus que já passaram pela Rua da Palma.
Por várias razões conheço bem a zona de Lisboa onde se pretende construir a mesquita. Uma delas foi ter morado uns anos um bocado mais para cima na encosta e mais para o lado. Recuperei uma casa por lá quando ainda toda a gente me olhava com ar de «já tomaste os comprimidos?» quando lhes dizia que ia morar para o meio da Lisboa antiga – e, então, muito desmazelada.
Foi uma epopeia. Os vizinhos, uns velhotes reformados e outros possivelmente recebedores do RSI e permanentemente desocupados, tinham como entretenimento diário chamarem a polícia municipal para vasculharem as obras que fazia (isto depois de um tempo longo à espera da aprovação do projecto de arquitetura e das especialidades e da emissão da licença de obras). O gabinete técnico claramente via como missão civilizacional dificultar de formas imaginativas a recuperação de um apartamento. Havia que defender uma zona com população envelhecida e habitações degradadas da intromissão de pessoas de vinte anos que lá queriam residir. Que lata (a minha, obviamente).
Entretanto estes cenários persecutórios já se alteraram. O licenciamento ficou mais fácil – e as loucuras dos arquitectos camarários que pretendiam pôr as pessoas a viverem naqueles prédios como se vivia em 1795, a bem da pureza arquitectónica da zona, foram contidas. Eu, às tantas, mudei-me.
Vieram os paquistaneses e os chineses. Depois vieram os turistas e, também, mais gente nova que, como eu, aprecia casas antigas restauradas e as vistas deslumbrantes de Lisboa. Há mais jardins (aqui aplaude-se a CML) e os prédios têm vindo a ser recuperados – por privados. Os problemas de estacionamento continuam por resolver (assim vão ficar, que a prioridade do PS são ciclovias, que ninguém usa, espalhadas pela cidade) e, sobretudo, os prédios propriedade da CML estão sem obras, velhos, estragados.
Conto isto para mostrar que aquela zona é dinâmica – também graças aos imigrantes que lá se instalaram, que dão colorido, movimento e interesse. A população tem tido alterações nos últimos anos e não cabe à CML cristalizar o bairro com uma mesquita como se os muçulmanos que vivem em Lisboa lá fossem sempre ficar.
E se se fizer mesmo questão de fornecer um local para uma mesquita naquela zona? Há soluções muito melhores e mais baratas: é conceder à comunidade islâmica o uso por n anos de um dos prédios decrépitos da CML na zona. Já estamos em boa hora de começar a ver uma expropriação de propriedade privada como o último recurso de qualquer problema. E de fazermos t-shirts com o slogan «nem mais um metro quadrado para a CML».
sábado, 11 de junho de 2016
Camille Paglia: «O pós-modernismo
é uma praga para a mente e para o coração»
Eliana de Castro, Fausto Mag. 13 de Dezembro de 2015
Esqueça o trivial. Feminismo, cultura pop, cantoras mainstream, assuntos sobre os quais fala frequentemente. A filósofa americana Camille Paglia tem muito mais a oferecer, considerando que é uma das intelectuais mais interessantes em actuação no debate público mundial. A gama de assuntos que domina, sempre com uma fala enérgica e rápida, enfeitiça até os seus oponentes. Sim, porque a ensaísta, professora de humanidades e estudos dos media da Universidade das Artes de Filadélfia, não economiza nas frases viscerais – quando não ríspidas – na hora de expor os seus pensamentos. Sejam eles sobre arte de vanguarda, pintores, escritores ou cineastas, Paglia fala com eloquência e profundidade sobre tudo: de Anthony Van Dyck a George Lucas, passando por Andy Warhol e T.S. Eliot. Com exclusividade para a jornalista Eliana de Castro, Camille Paglia fala sobre a Arte na pós-modernidade, explorando a intervenção religiosa ao longo da história, a contemplação na era das tecnologias e a possível saída para uma educação com menos intolerância por parte das religiões. Simplesmente imperdível!
Tradução: Gustavo Filippi.
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| Camille Paglia |
Camille Paglia: A arte vanguardista de oposição, que atacou o establishment cultural, político e religioso, nasceu na insurreição do alto romantismo, no fim do século XVIII (1700s). Esse movimento dissidente contou com diversos grandes heróis, que fizeram enormes sacrifícios por ele, suportando até a fome e o ridículo. Entre eles, temos os pintores Courbet, Monet e Jackson Pollock. No entanto, na minha opinião, a vanguarda encerrou-se com Andy Warhol, que teve grande influência sobre mim nos meus tempos de faculdade. Quando a Pop Art abraçou a propaganda comercial e as estrelas de Hollywood, a fórmula oposicionista da vanguarda já estava morta e acabada. O chamado «pós-modernismo» nasceu depois da Pop Art. É um termo que rejeito com toda a força, pois considero-o totalmente desprovido de sentido. Não existe essa causa de pós-modernismo. Continuamos na era do modernismo, que começou no início do século XX, com o cubismo de Picasso, o dadaísmo de Duchamp e o expressionismo alemão. Tudo aquilo que se pretende pós-moderno já estava contido e definido em «A Terra Desolada», de T.S. Eliot, com a sua paisagem estéril e coberta de fragmentos desconexos do passado cultural.
Então porque se deu o título pós-modernismo?
Camille Paglia: O pós-modernismo como fenómeno é um subconjunto do pós-estruturalismo, que se valeu da linguística antiga e ultrapassada de Ferdinand de Saussure para postular que tudo o que sabemos (ou pensamos saber) é mediado pela linguagem. Essa alegação absurda – que pode ser facilmente rebatida com a simples observação do quotidiano de escultores, pintores e dançarinos, todos fundamentados no universo material – foi difundida nas universidades nos anos de 1970 e hoje em dia envenenou também o mundo da arte. O pós-estruturalismo é uma postura de ironia cínica, «desconstruindo», desestabilizando e alegando o tempo todo que qualquer obra de arte, em última instância, subverte a si mesma. O pós-estruturalismo nega que exista qualquer ordem ou sentido na história – o que é manifestamente falso quando examinamos a evolução dos estilos na História da Arte. Por exemplo, o neoclassicismo como reflorescimento do humanismo greco-romano constitui uma refutação óbvia dos clichés pós-estruturalistas.
Quais foram as outras influências?
Camille Paglia: O pós-modernismo também foi impactado pela Escola de Frankfurt de análise da cultura popular – outro sistema maçante e fora de moda, criado na década de 1930, antes mesmo do nascimento da televisão! A Escola de Frankfurt, baseada no marxismo, é repleta de suposições ofensivas sobre os media modernos: ela postula que a grande massa do público comum é estúpida e passiva, e, por isso, é presa fácil da lavagem cerebral operada por impérios dos media conspiradores e malignos. Essa é uma visão estúpida da cultura popular. A verdade é exactamente o oposto: as pessoas escolhem o que gostam – no cinema, na televisão e na música – e votam nisso com o seu dinheiro. Os impérios dos media são operações comerciais que buscam apenas o lucro. Assim, os próprios impérios dos media é que são passivos contra as forças externas – e não as pessoas, que detêm o poder real. Tanto a Escola de Frankfurt como o pós-estruturalismo são arrogantes e elitistas, impregnados de desprezo pela gente comum que alegam defender.
E quais são os resultados disso?
Camille Paglia: O resultado final de quatro décadas de pós-modernismo permeando o mundo da arte é que, hoje em dia, existem pouquíssimos trabalhos interessantes e importantes sendo feitos no campo das belas artes. A ironia era uma postura ousada e criativa quando Duchamp a adoptou, mas hoje é uma estratégia inteiramente banal, esgotada e tediosa. Foi ensinado aos jovens artistas que deveriam ser «cool» e «hip» e, assim, dolorosamente autoconscientes. Eles não são estimulados a serem entusiasmados, emotivos e visionários. Eles foram privados da tradição artística por um cepticismo defeituoso em relação à História, que lhes foi ensinada por pós-modernistas ignorantes e solipsistas. Em resumo, o mundo das artes não renascerá até que o pós-modernismo desapareça. O pós-modernismo é uma praga para a mente e para o coração.
Com a tecnologia transformando a vida moderna, não deveria haver mais tempo disponível para a contemplação?
Camille Paglia: A revolução industrial produziu diversos mecanismos mágicos de economia de trabalho, cruciais para o avanço das mulheres na sociedade moderna. Por exemplo, a máquina de escrever, criada no século XIX (1800s), permitiu que as mulheres trabalhassem em empresas nas quais os homens sempre haviam sido os escribas, escrevendo com pena e tinta. As mulheres, com as suas mãos pequenas e maior destreza, tornaram-se especialistas em máquinas de escrever. Num primeiro momento, o emprego de secretária – antes domínio exclusivamente masculino – foi muito libertador para as mulheres, que passaram a poder sustentar-se e deixaram de ser dependentes do seu pai ou marido. Por isso é tão irónico que na metade do século XX o emprego de secretária tenha sido denunciado como uma armadilha de baixos salários para as mulheres, que já naquele momento aspiravam a posições de chefia e de poder na empresa.
Há outros «aparelhos mágicos»?
Camille Paglia: Outros aparelhos extraordinários para economizar trabalho são a máquina de lavar e secar automática, que libertaram as mulheres da tarefa de lavar roupas manualmente, um processo muito lento e exaustivo. Mas hoje isso também se tornou uma espécie de armadilha, uma prisão no isolamento dos lares burgueses, já que que as mulheres da era agrária desfrutavam da solidariedade do grupo na hora de levar a roupa para lavar nas margens do rio. De facto, foram exactamente o alegre burburinho e a cantoria de jovens lavadeiras que acordaram o náufrago Odisseu na costa da Feácia, no poema épico de Homero.
De alguma forma, eles tornaram-se paradoxos?
Camille Paglia: Esse padrão de tecnologia moderna, que chega como um presente libertador mas acaba por se tornar uma maldição aprisionadora, é exactamente o que ocorreu no mundo digital. O computador pessoal libertou-nos da máquina de escrever, e a internet trouxe-nos o milagre da comunicação global instantânea. Contudo, em toda a parte, a classe profissional tornou-se escrava dos seus computadores e iPhones, que se intrometem constantemente na nossa vida. Em vez de ter mais tempo para a contemplação, nós temos menos. Não há pausa, descanso ou possibilidade para activação e cultivo de um ritmo interior, já que somos bombardeados por trivialidades impulsivas de todos os lados. Estamos condenados a um estado perpétuo de ansiedade nervosa e sobressaltada. As redes sociais tornaram-se um vício generalizado, especialmente entre os jovens, que precisam verificar os seus iPhones constantemente ao longo do dia. Não há dúvidas de que, sob o impacto da tecnologia digital, o cérebro humano está sendo remodelado de maneiras ainda obscuras. A informação explodiu, mas temos apenas dados puros, sem uma visão ou reflexão mais ampla. A pergunta permanece: haverá espaço para a arte no futuro digital?
O sentido religioso da humanidade está enfraquecendo? A religião ainda tem força para inspirar a arte?
Camille Paglia: Apenas os intelectuais míopes do Ocidente acreditam que a religião está perdendo força. A crença religiosa está-se intensificando no movimento evangélico do protestantismo, que se está expandindo por nações outrora inteiramente católicas, incluindo o Brasil. E o fundamentalismo islâmico, com a sua minoria jihadista e fanática, também está crescendo por todo o mundo. É certo que as denominações principais do protestantismo, como os episcopais e os presbiterianos, estão perdendo importância, consoante as suas congregações se tornam ricas e elitizadas e, portanto, «sofisticadas» demais para demonstrar fervor religioso. Mas existe uma longa história de revivalismo na religião, momentos em que uma crença apaixonada se manifesta de forma emotiva e incendeia tudo ao seu redor. Por exemplo, o «Grande Despertamento», que varreu os Estados Unidos no século XVIII e começo do século XIX (1700s e 1800s).
A verdade é que o humanismo secular, que começou com o avivamento da cultura greco-romana no renascimento italiano, tornou-se estéril e niilista. Em alguns momentos, o humanismo secular ofereceu a arte como substituta da religião ortodoxa e puritana. Mas os intelectuais de hoje, intoxicados pelo jargão distorcido e pretensioso do pós-estruturalismo e do pós-modernismo, não acreditam mais na arte. Eles não acreditam em nada e, com isso, criaram um vácuo cultural preenchido apenas pela cultura popular, que, infelizmente, ao longo das três últimas décadas, decaiu em qualidade e profundidade. Embora eu seja ateia, respeito imensamente todas as religiões e considero os símbolos e crenças religiosos tremendamente inspiradores. A religião possui uma dimensão metafísica crucial, uma visão do universo e da existência humana que não aparece de forma alguma nos conceitos políticos limitados forjados pelo marxismo, que enxerga apenas a sociedade. Uma das razões da banalidade e da mediocridade de grande parte da arte contemporânea é que a maioria dos artistas já não possui um instinto para a espiritualidade.
É possível entender a arte sem entender a religião?
Camille Paglia: Muitos dos maiores marcos culturais e artísticos da humanidade foram inspirados pela religião. É literalmente impossível para qualquer pessoa entender a totalidade da arte sem respeitar também a religião. Todavia, é difícil prever se a religião será capaz de produzir arte relevante no presente ou no futuro. Em primeiro lugar, o protestantismo é iconoclasta desde o seu início: reformadores protestantes como Martinho Lutero e João Calvino acreditavam que as pinturas e esculturas das igrejas católicas eram exemplos heréticos de idolatria e que, portanto, tinham de ser destruídas. A cristandade evangélica permanece orientada pelos cânticos congregacionais endossados por Martinho Lutero (que também escrevia hinos de louvor), mas ela não abraça ou estimula as artes visuais de maneira significativa. O Islão é ainda mais conservador, com a produção de imagens ainda tão limitada quanto era no tempo dos patriarcas hebreus do Velho Testamento. Com efeito, em 2001, os fundamentalistas talibãs destruíram os colossais Budas de Bamiyan e, no início de 2015, os jihadistas do Estado Islâmico destruíram esculturas assírias ancestrais no Iraque.
Existe uma saída?
Camille Paglia: Há vinte e cinco anos, propus que as grandes religiões do mundo (Hinduísmo, Budismo, Judaico-Cristianismo e Islão) fossem incluídas no cerne do currículo educacional de todos os países. Todo o mundo estudaria os principais textos, a arte, a arquitectura e os locais sagrados de cada religião. Essa é a única maneira de alcançar um entendimento verdadeiro da história e dos povos do mundo. No entanto, se a minha proposta algum dia for colocada em prática, ela provavelmente será derrotada em duas frentes. Os conservadores religiosos fariam forte objecção a outras religiões recebendo o mesmo status que a sua, e os esquerdistas se oporiam ao ensino de religião numa sala de aula, entendendo-o como uma violação do seu rígido dogma secular. O desdém sarcástico que tantos intelectuais seculares expressam pela religião é uma estupidez que minou a imaginação de jovens artistas aspirantes em toda a parte. Existe apenas uma solução, que permanece inalterada desde os tempos de Sócrates: cada indivíduo é responsável pela sua própria educação e instrução.
Leia também: Camille Paglia exalta a arte em «imagens cintilantes»
Leandro Karnal: «Lúcifer é um espelho do humano»
Luiz Felipe Pondé: «Deus é o maior personagem da literatura Ocidental»
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Cientista cria teoria que prova a existência
de Deus e ganha prémio
Sêny Soares, Ciência e Tecnologia,
Factos desconhecidos, 2 de Junho de 2016
Algo que pode parecer pouco provável é a junção entre religião e ciência, já que existem muitas diferenças de opinião entre uma e outra. No entanto, um cientista fez questão de comprovar a existência de Deus através dos seus estudos científicos.
Trata-se do polaco Michael Heller, que, além de cientista, é um dos teólogos mais célebres da Polónia. O que fez foi utilizar os seus conhecimentos sobre ciência e religião para provar algo que muitos duvidam que exista e que outros cientistas, já se haviam aventurado em desvendar, porém sem sucesso até agora. A existência de Deus, um criador para tudo o que conhecemos hoje.
Heller deu o nome de «Teologia da Ciência» para a tese que formulou, que por sinal é pioneira, e isso rendeu-lhe um dos prémios mais cobiçados na comunidade científica: em 2008 ganhou US$ 1,6 milhão, em Nova Iorque, da Fundação Templeton, que conta com cientistas do mundo inteiro.
Conheça então, a teoria formulada por Michael Heller:
A Teologia da Ciência
Heller explica a existência de Deus através da teoria do Big Bang, ou da formação do Universo, que se originou através de uma grande explosão. O Big Bang é hoje a teoria mais aceite para a criação do Universo, e diversas pessoas acreditavam que isso provava que o Universo não foi criado por Deus, este cientista decidiu ir um pouco mais além. E se o próprio Deus tivesse criado o Big Bang?
Diz ele que a ciência encontrou Deus neste momento, pois os cientistas não conseguem explicar o que originou esta grande explosão, já que ainda não provaram o que veio antes dela, e dificilmente vão conseguir provar. Os cosmólogos começam a sua explicação dizendo que o Universo estava originalmente muito quente e denso num algum tempo finito no passado e, desde então tem-se resfriado pela expansão ao estado diluído actual e continua em expansão actualmente, então essa teoria ainda é incompleta, porque não sabemos o que estava lá antes do Universo existir.
Explica que em todo o processo físico, uma coisa sempre origina a outra, ou seja, «um estado precedente é uma causa para outro estado que é o seu efeito. E há sempre uma lei física que descreve esse processo», refere ele.
Portanto como Deus deu o pontapé inicial, Ele ainda rege as leis da física. Sabemos como funcionam, mas não sabemos o seu sentido. Nas suas próprias palavras diz «A ciência dá-nos o conhecimento, e a religião dá-nos o sentido. Ambas são pré-requisitos para uma existência decente», ou seja, não descarta nem a religião nem Deus e assim une-os para dar sentido a tudo o que estudamos e vivemos.
Acredita muito na sua teoria e até chama mesmo as pessoas que não vêem que Deus colocou tudo aqui e que os cientistas apenas exploram a criação de um ser maior.
Críticas
Mas não acredite que todos os cientistas e cosmólogos adoraram a teoria de Michael, existem muitos cientistas que repudiam a sua teoria e até criticam mesmo o prémio Templeton por ter premiado o cientista.
Quem faz as críticas mais pesadas é o biólogo evolucionista Richard Dawkings, onde ele diz que o prémio de preferência é para pessoas que têm alguma coisa boa para falar de religião. Já os jurados dizem que ele Heller ganhou o prémio por apresentar conceitos originais sobre como o Universo surgiu, coisa que não acontece todos os dias.
Cientista e padre
Para se ter uma ideia melhor, Heller não é apenas uma pessoa aleatória que venceu um prémio milionário. Com 80 anos, o padre é doutor da filosofia (Ph.D) em cosmologia desde 1966. Ele actua como professor de filosofia da ciência e lógica no Instituto Teológico em Tarnow e dá aulas de filosofia na Pontifícia Universidade
de João Paulo II.
Durante alguns anos ele foi perseguido pelos soviéticos por causa dos seus estudos que iam contra a ideologia ateia comunista na região. Outra curiosidade é que ele conheceu o Papa João Paulo II.
E você, em que acredita? Acha que Heller pode estar certo? Comente aqui.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Não à islamização de Portugal, e da Europa!
Contra
a construção de mais uma mesquita em Lisboa
Para: Ex. Sr. Presidente da Assembleia da República
Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República:
Os cidadãos abaixo assinados vêm por este meio solicitar
à Assembleia da República uma recomendação com vista à revogação imediata da
decisão da Câmara Municipal de Lisboa de construir uma nova mesquita na
referida cidade (zona do Martim Moniz), tendo em conta os seguintes
considerandos:
1.º Sendo Portugal constitucionalmente um estado laico,
não se afigura legal que estejam envolvidos dinheiros públicos num projecto que
prevê a construção de um complexo que integra um templo religioso. No entender
dos signatários, tal situação configura um favorecimento do Islamismo (que,
como se sabe, nem sequer é a religião da maioria dos portugueses) em relação às
outras religiões.
2.º O referido projecto vai colidir com os tipos de
construções existentes na zona, contribuindo para a descaracterização da
cidade, já muito ferida por erros anteriores.
3.º A construção do dito templo estará manifestamente a
contribuir para o alarme social, tendo em conta a situação de expansionismo do
extremismo islâmico que se vive no Médio Oriente e Norte de África e que ameaça
Portugal, a partir do momento em que se sabe que existem radicais muçulmanos
que defendem a integração da Península Ibérica num grande califado islâmico
(cf., p. ex., http://observador.pt/2014/08/12/um-califado-seculo-xxi/) e que já
está documentada a presença em Lisboa de muçulmanos que apoiam a entidade
terrorista que dá pelo nome de Estado Islâmico (cf., p. ex., programa
televisivo «Sexta às 9», de 26 de Setembro de 2014,http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=769655&tm=8&layout=122&visual=61).
Pedro Barroso confessa
não conseguir ser «gay»
e penitencia-se...
O CERCO
Venho aqui pedir desculpa
de não ser evoluído,
apesar destas campanhas
na rádio, na televisão,
em toda a parte, insistindo
na urgência do assunto…
Eu não consigo gostar;
– não consigo mesmo, pronto.
Sei que pertence ser gay,
toda a gente deve ser.
Mas eu, lamentavelmente
não sou como toda a gente;
Como aconteceu... não sei,
peço desculpa por isso,
mas confesso: sou… diferente.
Sei que vos pode ofender
esta minha enfermidade,
pois um gajo que assim pensa
hoje em dia, não tem nexo;
deveria ser banido,
expulso da comunidade.
É uma vergonha indecente
Gostar de mulher, ter filhos
Casar, afagar, perder-se
Com pessoa doutro sexo!
Uma nojeira repelente;
Dar-lhe, até, beijos na boca
em público! E declarar
Esta sua preferência
Que eu nem sei classificar!
Tenho uma vergonha louca
E desejo penitência
por tal desconformidade,
retardamento, machismo,
doença, fatalidade!
Já tentei tudo: – inscrevi-me
em saunas, aulas de dança
cursos de perfumaria
origami, greco romana,
ioga – para ter ousadia
boxe – p’ra ganhar confiança...
Mas quando chega o momento
De optar… sou… decadente,
Recorrente e insistente.
Opróbrio raro e demente,
Ver uma mulher seduz-me,
Faz-me vibrar, deslumbro.
Vê-la falar, elegante;
Vê-la deslizar, sensual
Como vestal, deslumbrante
Seu peito assim, saltitante
Sua graça embriagante
olho com gosto, caramba,
lamento ser tão ...normal.
Mas eu confesso que sinto
– neste corpo tão cansado
Que da vida já viu tanto...
Ainda sinto um desejo
Que m’ envergonha bastante
Por ser já tão deslocado
tão antigo, assim tão fora
do mais moderno critério.
Valia mais estar calado
Mas amigos, já agora
Assumo completamente:
– Tenho esse problema sério.
Nunca integrarei partidos
Onde não sou desejado.
No planeta das tais cores
não tenho dia aprazado,
nem bandeira, nem veado,
nem «orgulho» especial!
Sou mesmo do «outro lado»
dito «heterossexual»
e já me chateia um bocado
Ter que dizer, embaçado,
que me atrai o feminino
e sou apenas «normal»!
– e, portanto, avariado.
Mas… mesmo assim, – saudosista,
imensamente atrasado,
terrivelmente cercado,
conservador nesse ponto,
foleiro, desajustado...
perdoai-me tal pecado
– Não me
sinto ...assim tão mal!
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