quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Filmes para parvos
Eram filmes que enchiam a alma dos pais e ajudavam a educar os filhos, a despertar a sua sensibilidade e a desenhar o retrato dos heróis.
Inês Teotónio Pereira
Na infância dos meus filhos mais velhos eu adorava ir ao cinema com eles. Aliás, gostava mais de ir ao cinema do que eles. Vi os filmes todos que eram para ver e dava graças a Deus por ter filhos porque assim tinha a desculpa de ir às sessões da tarde ver filmes para 4 e 6 anos. Dos «Incríveis», ao «Shrek», passando pelo «Toy Story», pelo «Spirit», pelo «Rei Leão» ou pela «Mulan», vi tudo. Ri-me e em alguns filmes até chorei (quando o Andy abandonou o Woody ou quando o Spirit se perdeu do Índio as lágrimas correram-me pela cara a baixo e os meus filhos ficaram petrificados a olhar para mim). Os filmes da infância dos meus filhos mais velhos eram melhores que os meus filmes de infância. Tinham mais graça eram mais bem feitos e também nos faziam chorar com os seus actos de heroísmo, de desespero, com as perdas e as conquistas. Eram filmes que enchiam a alma dos pais e ajudavam a educar os filhos, a despertar a sua sensibilidade e a desenhar o retrato dos heróis, das características que forjam os heróis. Filmes com as mesmas lições de moral dos clássicos da nossa infância, como o «Super-Homem», «A Bela Adormecida», «A Gata Borralheira», «O Homem-Aranha», «O Zorro» ou «O Bambi», mas em melhor. A mensagem era sempre a mesma: a humildade, a coragem e a generosidade movem montanhas. Filmes em que os maus são mesmo péssimos e os bons sofrem horrores, mas no final o Bem vence.
Os meus filhos cresceram e estreou a saga de Nárnia. C. S. Lewis veio em socorro da pré-adolescência dos meus filhos e os desenhos animados tornaram-se actores em carne e osso. O Leão, a Feiticeira, o Príncipe Caspian e os quatro irmãos fizeram as maravilhas de muitos domingos à tarde em minha casa.
Mas foi só. Com os meus filhos mais novos já não tive a mesma sorte. Apesar de aparecerem cada vez mais filmes por ano, de as produtoras se multiplicarem, já não é a mesma coisa. Já não há épicos. Nos filmes actuais eu já não choro, durmo. Também já não me rio, chateio-me. Ir ao cinema com os meus filhos mais novos é uma verdadeira seca. Os filmes são vazios, as histórias são infantis de mais para as crianças de 4 anos para quem o filme é indicado e os bons, os maus e os heróis já não existem. Só existem patetas.
A produção infantil, meus senhores, já não é infantil, é só parva. Tudo começa na televisão, que está cheia de séries transmitidas non-stop absolutamente patetas. As crianças ficam petrificadas a olhar para estas coisas que têm o poder de as hipnotizar. É uma espécie de magia negra que lhes desliga metade do cérebro e as deixa meio patetas. Uma história que tenha princípio, meio e fim, ou seja, uma narrativa, já passou de moda. Agora produzem-se «cenas», já não se produzem filmes. E quanto mais absurdas forem as cenas melhor. São programas e filmes que não têm qualquer mensagem, em que não se distinguem as personagens pela personalidade, pelos defeitos e qualidades, mas sim por uma qualquer particularidade absurda.
O mundo em geral, e a indústria cinematográfica em particular, tem um grande problema em relação às crianças: acha que elas são parvas. E à força de tanto insistirem nesta tese as crianças estão de facto a ficar parvinhas. O seu cérebro está direccionado para responder a estímulos e não a sentimentos. São poucas as crianças que têm hoje paciência para ficar uma hora e meia a ver a «Música no Coração», como são poucos os adultos que têm paciência para ver «E Tudo o Vento Levou». Os tempos são outros. Os tempos são da «Casa dos Segredos» e de histórias infantis sobre uma esponja que vive debaixo do mar e que, pronto, vive debaixo do mar.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Convite
Promovida pelo Clube Militar de Oficiais de Mafra vai ter lugar, no dia 18 de Janeiro com início às 15:00 horas uma tertúlia sobre o tema
«Cristóvão Colon na História: incongruências e factualidade»
Representando a Associação Cristóvão Colon participam,
o Eng.º Carlos Calado (Presidente), o Ten.-Cor. Brandão Ferreira (Vice-Presidente) e o Coronel Carlos Paiva Neves (Secretário).
o Eng.º Carlos Calado (Presidente), o Ten.-Cor. Brandão Ferreira (Vice-Presidente) e o Coronel Carlos Paiva Neves (Secretário).
A sessão é aberta ao público e decorre
na sede do Clube Militar:
na sede do Clube Militar:
O verdadeiro Obama
Saiba como o Obamacare ameaça
a acção social católica na América
Filipe Avillez
Desde o dia 1 de Janeiro milhares de instituições católicas estão sujeitas a pagar multas astronómicas por se recusarem a fornecer seguros de saúde aos seus funcionários que cubram também serviços abortivos ou contraceptivos.
O Centro Médico da Universidade de Pittsburgh (CMUP) é um hospital católico que emprega mais de 60 mil pessoas. O hospital presta cuidados indispensáveis à população de Pittsburgh, mas se fosse feita a vontade da administração de Barack Obama, só nestes primeiros três dias do ano, o CMUP deveria já cerca de 13 mil milhões de euros em multas ao Estado. Em causa está a recusa em fornecer seguros de saúde aos seus funcionários que cubram serviços contraceptivos e abortivos. O valor da multa aumentaria em 4,4 mil milhões por dia, cerca de 73 euros por funcionário, por dia, o que é naturalmente incomportável para qualquer instituição.
Em causa está um mandato da plano Obamacare, do actual presidente, como explica à Renascença Kim Daniels, a porta-voz do presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos: «O mandato HHS obriga-nos a fornecer seguros que cubram serviços abortivos, contraceptivos e de esterilização, contra as nossas crenças. Viola a nossa liberdade religiosa e impõe multas incapacitantes a quem opta por não fornecer essa cobertura. Apenas estamos a pedir uma isenção.» Ou seja, as instituição não tem nada contra os seguros, simplesmente não aceita esta cláusula em particular.
A discussão não é nova. Apesar de o Obamacare ter sido aprovado em Março de 2010, sempre com o apoio dos bispos católicos, o mandato HHS apenas se tornou parte da lei em Fevereiro de 2012. O governo anunciou uma isenção para instituições religiosas mas definiu-as de tal forma que todas as organizações católicas que prestam serviços que não são estritamente religiosos ficam de fora, como hospitais, serviços sociais, escolas e universidades.
Os bispos católicos, juntamente com algumas outras organizações religiosas e seculares, contestaram imediatamente, mas tudo o que conseguiram foi um adiamento até 1 de Janeiro de 2014. Nos últimos dias do ano algumas ordens, instituições ou dioceses, como a de Pittsburgh, conseguiram providências cautelares. As outras estão actualmente sem saber qual será o seu futuro e Kim Daniels realça que os bispos estão todos unidos neste esforço.
«O mais impressionante é que os bispos mantiveram-se unidos durante toda esta controvérsia, na sua qualidade de pastores encarregados de proclamar um Evangelho na sua inteireza. Estão unidos também na sua decisão de resistir a este fardo pesado que estão a impor aos nossos ministérios e a proteger a nossa liberdade religiosa. Enquanto cada bispo procura resolver a questão na sua diocese, estão todos, juntos, a procurar desenvolver alternativas de resposta a esta situação difícil. Os bispos, as dioceses e os serviços sociais católicos estão a tentar perceber como responder».
Uma questão de liberdade religiosa
No limite, a Igreja admite encerrar os seus serviços em vez de comprometer as suas crenças: «Certamente alguns grupos poderão ter de fechar, outros terão de diminuir os serviços prestados e quem mais vai sofrer são os que dependem desses serviços. Se tivermos de cortar com serviços por causa de multas incapacitantes impostas pelo Governo, então deixa-se de poder servir a mesma quantidade de pessoas.»
Algumas decisões recentes dos tribunais dão alento à Igreja, mas a não ser que o Governo ceda, a questão apenas será decidida no Supremo Tribunal, e não antes de Junho. Até lá ninguém sabe muito bem o que se vai passar, mas Obama já se mostrou inflexível em relação a mais diálogo: «Ainda esta semana o arcebispo Kurtz, presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, escreveu ao presidente, pedindo-lhe que isente temporariamente as instituições atingidas por estas multas [enquanto os tribunais não decidem o assunto]. Mas ele diz que acredita que a sua política está certa. Por isso o presidente Obama poderia resolver a situação, mas optou por não o fazer».
Para a Conferência Episcopal, esta questão é sobre muito mais que o direito à vida e a oposição à contracepção. Está em causa a liberdade religiosa: «A liberdade religiosa é uma prioridade para os bispos. Isto faz parte de um ataque a uma visão apartidária da liberdade religiosa nos Estados Unidos baseada no bom senso, de que as pessoas têm o direito a viver e a testemunhar a sua fé sem que o Governo coloque entraves significativos.»
Com os bispos a prometer não desarmar e a administração pouco disposta a ceder, mantém-se um braço de ferro entre o Governo e a Igreja nos Estados Unidos sobre a questão do Obamacare.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
Um buda no Canal Q
Heduíno Gomes
O Canal Q entrevistou o padre-poeta Tolentino (3.1.2014), a actual coqueluche intelectual dos católicos progressistas e da maçonaria, que anda com ele nas palminhas.
O homem fala como um profundo poço de sabedoria. Pronuncia frases imperceptíveis, ocas, sem sentido, mas não faz mal: supõe-se ser poesia. E quando se consegue descortinar uma ideia no que diz, então aí é de arrepiar.
O tema da conversa foi o seu propósito de «diluir as oposições entre o sagrado e o profano». Vindo isto de quem vem, já sabemos o que significa este seu esforço: sagrar o profano e dessacralizar o sagrado.
O padre-poeta é um autêntico charco de relativismo. Pensamento que seria normal num irmão de avental, coisa estranhíssima num padre. E ainda por cima com a mania de que é intelectual. É a «modernidade» e a «fraternidade» que nos invade. O próprio entrevistador, admirado com a avançada conversa do padre-poeta, ou então a puxar-lhe pela língua, lhe perguntou se não receava ser «tratado como relativista».
E aí, o padre-poeta dá mais um passo (compreensível…) em frente. Respondendo à observação do entrevistador, diz o padre-poeta que «o Evangelho é mais um livro de perguntas do que de resposta».
Isto significa que, para o padre-poeta, as coisas se passam ao contrário do que qualquer cristão esperaria. Jesus, o ignorante, perguntaria. Ou então, Jesus, o desagradado com os espartilhos de Moisés, sugeriria a dúvida, poria em causa esses espartilhos. E depois estariam cá os Tolentinos sábios para responder às «perguntas» do ignorante ou desagradado Jesus no Evangelho. E então, como se exige no pensamento subjectivista e relativista, cada Tolentino poderia responder à sua maneira. Por outras palavras, cada Tolentino criararia as suas próprias regras de vida, as suas próprias normas morais.
Já sabíamos que o padre-poeta preconiza tal doutrina anticristã. Aqui o temos a confirmá-la. O que não podemos deixar de notar é que tal pensador é, nada mais, nada menos, o responsável da Igreja portuguesa pela cultura. Parabéns a quem lá o mantém com tais responsabilidades.
sábado, 28 de dezembro de 2013
Quem terá publicado
este poema «de Natal»?
Heduíno Gomes
Quem terá publicado este poema «de Natal»? Algum órgão católico? Ou um órgão do reviralho? Ou um órgão maçónico?
Pois foi o sítio da Pastoral da Cultura, animada pelo impagável padre Tolentino, igualmente animador da Capela do Rato.
Eis então a exortação do Natal subscrita pelo padre Tolentino, da qual se recomenda a interpretação do texto e se faz notar a ausência da figura verdadeiramente central do Natal. O poema é de David Mourão-Ferreira, publicado em 1967.
Natal, e não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rasto de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
sábado, 21 de dezembro de 2013
As «amplas» liberdades do homonazismo
Pedro Vaz Patto descreve-nos aqui as manobras do gangue
dos invertidos visando impor-nos uma ditadura homonazi. Como deveremos
contra-atacar nesta guerra que nos é movida?
Liberdade
de expressão e juízo
sobre a
prática homossexual
Pedro Vaz Patto
São
várias as notícias, umas mais antigas e outras mais recentes, que fazem temer
que a pretexto do respeito pela dignidade e não discriminação das pessoas de
orientação homossexual, se pretenda limitar, de uma forma generalizada, a
liberdade de expressão quanto ao juízo moral sobre a prática homossexual (não
sobre a pessoa em si mesma, com a orientação sexual que não escolheu, mas sobre
uma conduta e uma prática voluntárias).
Vejamos
algumas dessas notícias.
O
caso que em primeiro lugar suscitou mais clamor foi o da condenação do pastor
pentecostal sueco Ake Green. Por ter declarado publicamente, evocando as
referências à prática homossexual no Antigo Testamento e nas cartas de São
Paulo, que essa prática representa «uma perversão» e um «tumor na sociedade», e
que a tendência homossexual não era inata e era susceptível de mudança, sem ter
deixado de afirmar que não condenava as pessoas, pois Jesus nunca inferiorizou
ninguém, Ake Green foi judicialmente condenado pelo crime previsto no artigo
16.6, 8 do Código Penal sueco (ameaça ou injúria para com um grupo de pessoas
com referência à sua raça, cor, origem nacional ou étnica, confissão, fé ou
orientação sexual). Em recurso, veio a ser absolvido, já em 2005 [1].
Em
2006 o deputado francês Christian Vanneste foi condenado, pela Cour
Corretionelle de Lille, por «injúrias públicas contra um grupo de pessoas em
razão da orientação sexual», por ter afirmado que o comportamento homossexual é
moralmente inferior ao comportamento heterossexual, uma vez que, segundo a
máxima kantiana, não pode tornar-se regra universal sem dano para a Humanidade.
Em recurso, veio a ser absolvido pela Cour de Cassation, por acórdão de 12 de
Novembro de 2008 [2].
Mais
recentemente, foi noticiado que o deputado britânico Edward Leight apresentou
um projecto de lei (Bill for the protection of freedom of speech and
conscience) que pretende a protecção da liberdade de expressão no âmbito
das relações de trabalho, de modo a evitar casos como o do Adrian Smith, punido
pelo seu empregador por ter manifestado no facebook a sua oposição à legalização do
casamento entre pessoas do mesmo sexo [3].
Em
Março deste ano, o Ministro da Educação do Estado canadiano de Yukon, invocando
a legislação que proíbe a discriminação em função da orientação sexual, proibiu
o ensino do catecismo da Igreja Católica no que à homossexualidade diz respeito
nas escolas católicas que recebem fundos públicos [4].
Consta
desse catecismo o seguinte:
«Apoiada
na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (Gn 19, 1-29; Rm
1, 24-27; 1 Co 6,10; 1 Tim 1,10), a Tradição sempre declarou que os actos de
homossexualidade são intrinsecamente desordenados (CDF decl. Persona humana
8). São contrários à Lei Natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não
procedem duma verdadeira complementaridade afectiva e sexual, não podem, em
caso algum, receber aprovação» (n. 2358)
Mas
faz-se a distinção entre o pecado e o pecador, entre o erro e a pessoa que
erra, pois há que condenar o erro e amar a pessoa que erra:
«Um
número não desprezível de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais
profundas. Eles não escolhem a sua condição de homossexuais; essa condição
constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com
respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer
discriminação injusta» (n. 2359)
Pois
bem, foi este o ensinamento proibido nas escolas católicas que recebem fundos
públicos do Estado canadiano de Yukon. Proibição que se noticia ter sido
acatada [5].
A
questão da distinção entre a condenação do erro e o respeito pela pessoa que
erra («hate the sin, love the sinner») foi suscitada num outro caso
judicial recente, também relativo ao Canadá.
O
Supremo Tribunal canadiano confirmou, em recurso, a condenação, por parte da
Comissão de Direitos Humanos da Província de Saskatchewann, de uma pessoa que
distribuiu panfletos que condenavam a prática homossexual, apelando aos
ensinamentos bíblicos que a apresentam como uma «abominação», condenando a
propaganda da homossexualidade nas escolas, afirmando que esta não é inata e a
sua prática representa um comportamento aditivo e envolve uma maior
probabilidade de contaminação da SIDA e de abusos sexuais de crianças. Estava
em causa a aplicação do artigo 14º, 1, b), do Código de Direitos Humanos dessa
província, que pune o chamado «discurso de ódio» («hate speech»). Uma
punição análoga à do artigo 240º, n.º 2, b), do Código Penal português, que,
sob a epígrafe «discriminação racial, religiosa ou sexual», pune a conduta de
quem «difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça,
cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo ou orientação sexual…».
A
defesa argumentou que os textos em questão conciliavam a condenação do erro com
o respeito para com a pessoa que erra («hate the sin, love the sinner»).
Mas o tribunal não aceitou a relevância desta distinção, considerando que
existe uma forte conexão entre a orientação sexual e a conduta sexual, e que
quando a conduta visada pelo discurso é um aspecto crucial da identidade de um
grupo vulnerável, os ataques a esta conduta são equiparáveis aos ataques ao
próprio grupo. Será assim se o ataque a essa conduta provocar objectivamente o
ódio e o desprezo pelo grupo [6].
Situações
semelhantes a estas são apresentadas no relatório de 2012 do Observatório sobre
a Intolerância e a Discriminação contra os Cristãos na Europa [7].
Todos
estes episódios estiveram presentes na mente de quem, em Itália, manifestou o
receio de que o projecto de lei, recentemente aprovado, sobre a «homofobia» e a
«transfobia» (que pune a discriminação e agrava as penas dos crimes cometidos em
função da orientação sexual e da «identidade de género»), possa representar um
perigo para a liberdade de expressão. Afirmou a propósito o Observatório
Internacional Cardeal Van Thuan (dedicado ao estudo e difusão da doutrina
social católica) [8]:
«As
notícias que nos chegam de outros países da Europa, onde leis semelhantes já
estão em vigor, são alarmantes. Dizer que a família é somente aquela que é
constituída por um homem e uma mulher pode ser qualificado como homofobia e
perseguição. A leitura pública do livro do Génesis, sobre a criação do homem e
da mulher, ou das passagens de São Paulo sobre a imoralidade do acto
homossexual, pode ser considerada crime. Ensinar numa escola qua a família é
apenas uma pode ser considerado acto de discriminação por ódio homofóbico».
Também
alertou para este perigo, por exemplo, o Forum das Associações Familiares,
organismo que agrupa um grande número de associações católicas de apoio à
família [9].
Em
atenção a estes alertas, foi proposto por um grupo de deputados católicos um
aditamento ao projecto inicial, que por várias pessoas veio a ser denominado
«cláusula de salvaguarda», com o seguinte teor: «Não constituem discriminação
as opiniões assumidas no interior de organizações que desempenhem actividades
de natureza política, sindical, cultural e sanitária, de instrução, de religião
ou de culto, relativas à actuação dos princípios e dos valores de relevo
constitucional que caraterizam tais organizações». Este aditamento foi
aprovado, mas se há quem considere que com ele fica garantida a liberdade de
expressão, esta opinião não é, porém, unânime [10].
O
que a respeito desta questão e de cada um dos casos assinalados me parece de
salientar é a importância de traçar uma fronteira que salvaguarde a liberdade
de expressão consagrada no artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos
Humanos, no artigo 37º da Constituição da República Portuguesa e no artigo 10º
da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. A punição do chamado «discurso de
ódio» («hate speech») não pode servir de pretexto para impor um
«pensamento único» e para punir «delitos de opinião». Não é aceitável que o
comportamento homossexual seja imune à crítica ou a um juízo ético, quando a
tal crítica ou juízo não são imunes a quaisquer outros comportamentos ou atitudes.
Num contexto social e cultural tão cioso do valor da liberdade de expressão
(por vezes, até em excesso), não é aceitável que se usem «dois pesos e duas
medidas».
E
essa fronteira há-de passar, precisamente, pela distinção entre o erro e a
pessoa que erra. É lícito criticar o erro (pode até ser um dever moral
fazê-lo), sem que isso permita desrespeitar a dignidade da pessoa que erra
(numa perspectiva cristã, não é só o respeito que a essa pessoa é devido, é
também o amor). Não nos cabe agora analisar cada um dos casos referidos e
verificar se em cada um deles as expressões usadas são as mais adequadas ou
oportunas, e se em cada um deles foi respeitada esta distinção. Ela foi,
indubitavelmente, respeitada nos excertos do catecismo da Igreja Católica acima
mencionados, os quais, como vimos, já foram, mesmo assim, considerados
contrários ao respeito devido às pessoas de tendência homossexual.
A
distinção referida (entre a crítica de uma conduta e o respeito pela pessoa em
causa) deve servir também noutros âmbitos em que se suscita a necessidade de
concordância prática entre a liberdade de expressão e o respeito pela dignidade
da pessoa.
A
crítica a determinada ideologia não pode, obviamente, ser vedada em nome do
respeito pelas pessoas que aderem a essa ideologia. O respeito pelas pessoas
que aderem ao comunismo, ao fascismo ou ao liberalismo não impede a crítica a
qualquer destas ideologias.
No
âmbito da actividade política, a crítica de actos e opções concretas (mesmo que
em termos duros, agressivos ou injustos) é livre e deve compatibilizar-se com o
respeito pela dignidade das pessoas que aí actuam. Esta distinção (entre a
livre crítica dos actos e o respeito pela dignidade das pessoas) não pode ser
esquecida, para que se evitem dois extremos: um, o de considerar que na vida
política «vale tudo», a dignidade das pessoas não conta e a injúria e difamação
de crimes passam a direitos; outro, o de limitar o direito de crítica (base da
vida democrática) em nome da tutela da dignidade e honra das pessoas que actuam
na política.
A
distinção vale noutros âmbitos. O respeito pelas pessoas que professam
determinada religião (cristã, muçulmana ou outra), pela sua dignidade e pelos
seus sentimentos religiosos (o que supõe o respeito por figuras e símbolos
tidos por sagrados) não pode impedir a crítica à religião, à religião em geral,
ou a uma religião em particular. E é possível alcançar a conciliação entre
estas duas exigências se a crítica se situar no plano da discussão racional e
argumentada e do debate de ideias (a que se pode responder no mesmo plano), não
se confundindo com o escárnio e a ofensa gratuita (a que não pode responder-se
no plano da discussão racional e do debate de ideias).
E
assim também no âmbito da crítica literária, artística ou desportiva. Pode
criticar-se o valor de uma obra ou de uma prestação (até de modo fortemente
depreciativo, eventualmente injusto), salvaguardando o respeito devido à pessoa
autora dessa obra ou prestação.
A
punição do chamado «discurso de ódio» também há-de ter em conta esta distinção.
Deve salientar-se que entre os factores que, de acordo com a generalidade das
legislações que punem o «discurso de ódio», identificam a vulnerabilidade de um
grupo carente de especial protecção, estão alguns (como o sexo, a raça, a origem
étnica, ou a deficiência, este habitualmente esquecido pelas legislações) em
relação aos quais não se suscita a questão da distinção que vimos referindo.
Mas não assim em relação a outros: o respeito devido às minorias religiosas não
impede a crítica à religião por elas professada. Do mesmo modo, o respeito
devido às pessoas de tendência homossexual, particularmente importante por se
tratar de uma minoria tradicionalmente marginalizada, não pode impedir a
crítica à prática homossexual, ou um juízo ético negativo a respeito dessa
prática.
Nesta
linha, não me parece aceitável a argumentação do Supremo Tribunal canadiano a
que acima aludi, segundo a qual ao criticar uma conduta que é constitutiva da
identidade de um grupo estaremos a criticar (e ofender) o próprio grupo. Em
coerência com este raciocínio, aplicando-o a outros âmbitos, chegaremos a
consequências inaceitáveis para quem preze o valor da liberdade de expressão:
não seria possível a crítica a determinada religião ou ideologia porque elas
fazem parte da identidade de um determinado grupo (como o faria a conduta
homossexual) e esse grupo sentir-se-ia ofendido com a crítica a essa religião
ou ideologia.
É
sempre possível, em qualquer destes casos, responder à crítica no plano da
discussão racional e argumentada, sem recurso a proibições e condenações
judiciais. Há quem pretenda aceitar o recurso a essas proibições e condenações
no âmbito da crítica à conduta homossexual, quando ele não é aceite em qualquer
outro âmbito.
Deve,
pois, manter-se a distinção entre a livre crítica de um comportamento e o
respeito pela pessoa que adopte esse comportamento, para que sejam
simultaneamente salvaguardados, em quaisquer âmbitos (sem «dois pesos e duas
medidas»), a liberdade de expressão e o respeito pela dignidade das pessoas.
[1] Pode ver-se informação sobre o caso em www.akegreen.org.
[3] Ver www.mercatornet.com /conjugality/ 29/1/2013).
[4] Ver www.lifesitenews.com,21/3/2013, e www.lastampa.it, 28/3/2013
[5] Ver www.lifesitenews.com, 18/10/2013
[6] O acórdão pode ser consultado em http://scc.lexum.org/decisia-scc-csc/scc-csc/scc-csc/en/item /12876/index.do.
[7] Ver http://www.intoleranceagainstchristians.eu/fileadmin/user_upload/reports/Legal_Limitations_
Affecting_Christians_as_well_as_Cases_of_2012_Webversion_of_Report_by_OIDAC.pdf, pgs.
17 a 19.
[8] Ver www.zenit.org,
18/7/2013.
[9] Ver Avvenire, 25/7/2013
[10] Ver
Avvenire, 24/7/2013, e Adriana Cosseddu, Riscrivere l´ Umanità dell´Uomo?, in
Città Nuova, nº 20, 25/10/2013, pgs. 20 e 21.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Convém recordar...
Convém recordar: António Lobo Xavier
Administrador não executivo
da Sonaecom, da Mota-Engil e do BPI, António Lobo Xavier auferiu 83
mil euros no ano passado(não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado
presente em 22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, o advogado ganhou, por reunião, mais de 3 700 euros.
Este é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...
Convém recordar: José Pedro Aguiar-Branco
O ex-vice presidente do
PSD José
Pedro Aguiar-Branco e agora ministro
da defesa é outro dos «campeões» dos cargos nas cotadas nacionais. O advogado é presidente da mesa da Semapa (que
não divulga o salário do advogado), da Portucel e da Impresa, entre vários outros
cargos. Por duas AG em 2009, Aguiar-Branco
recebeu 8 080 euros, ou seja, 4 040 por
reunião.
Este é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...
E agora é Ministro da Defesa.
Convém recordar: António Nogueira Leite
Segue-se António
Nogueira Leite, que é administrador
não executivo na Brisa, EDP Renováveis e Reditus,
entre outros cargos. O economista recebeu 193 mil euros,
estando presente em 36 encontros destas companhias. O que
corresponde a mais de 5 300 euros por reunião.Este é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...
Convém recordar: João Vieira Castro
O segundo mais bem pago por reunião é João Vieira Castro (na infografia, a ordem é pelo total de salário). O advogado recebeu, em 2009, 45 mil euros por apenas quatro reuniões, já que é presidente da mesa da assembleia geral do BPI, da Jerónimo Martins, da Sonaecom e da Sonae Indústria.
Convém recordar: Daniel Proença de Carvalho
Proença de Carvalho é
o responsável com mais cargos entre os administradores não executivos das
companhias do PSI-20, e também o mais bem pago. O advogado é presidente do
conselho de administração da Zon, é membro da comissão de
remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral
da CGD e presidente da mesa na Galp Energia. E
estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha
funções semelhantes em mais de 30 empresas. Considerando
apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a
remuneração em empresas cotadas em bolsa), o advogado recebeu 252
mil euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões,
Proença de Carvalho recebeu, em média e em 2009, 15,8
mil euros por reunião.Este é um dos indivíduos que vai rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...
Convém recordar: Gestores não executivos
recebem 7 400 euros por reunião!!!
Embora não desempenhem
cargos de gestão, administradores são bem pagos.Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI--20, os administradores não executivos – ou seja, sem funções de gestão – receberam 7 427 euros. Segundo contas feitas pelo DN, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009. Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os «campeões» deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham.
Estes são alguns dos indivíduos que vão rotineiramente à televisão explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários...
Por estas e por outras este «sítio» nunca mais é um país.
Líderes religiosos tomam partido
nos protestos na Ucrânia
Os protestos em Kiev revelam também facturas culturais e religiosas no país, nomeadamente a divisão entre a parte ocidental e a parte oriental do Estado.
As manifestações na Ucrânia têm também uma vertente religiosa e os líderes das diferentes confissões cristãs não deixaram de se posicionar ao longo dos últimos dias.
A esmagadora maioria dos ucranianos são cristãos, mas encontram-se divididos em várias confissões, com três que se destacam das restantes.
Em primeiro lugar encontra-se a Igreja Ortodoxa Ucraniana – Patriarcado de Kiev, com cerca de 40% da população, que se separou da Igreja Ortodoxa Russa na mesma altura em que a Ucrânia se tornou independente, mas que não é reconhecida pelas restantes igrejas ortodoxas do mundo. Esta Igreja, juntamente com a Igreja Greco-Católica da Ucrânia, que mantém a liturgia e a espiritualidade oriental, mas está em comunhão com Roma, e conta com cerca de 15% da população ucraniana, tendem a apoiar a oposição e preferir uma abertura ao Ocidente.
Do outro lado encontram-se os ortodoxos que se mantiveram fiéis a Moscovo, e que contabilizam cerca de 30% da população.
No geral, contudo, os comunicados oficiais dos líderes religiosos têm sido apelos pela paz e união nacional, mas a tomada de posição pode ser vista nos aparecimentos públicos do clero e, nalguns casos, dos seus líderes.
Destas três confissões, quer a Igreja greco-católica, quer o Patriarcado de Kiev fizeram questão de se colocar ao lado dos manifestantes contra o Governo, acolhendo manifestantes nas suas sedes e discursando em eventos públicos. Vários padres do Patriarcado de Kiev foram mesmo fotografados nas manifestações, enquanto o patriarca emérito da Igreja Greco-Católica discursou perante uma manifestação pró-União Europeia.
A Igreja do Patriarcado de Moscovo não tomou posição pública, mas a sua ausência nessas mesmas manifestações foi um sinal claro para os manifestantes.
A situação tem sobretudo contornos geográficos. A maioria dos cidadãos que são favoráveis à Rússia, e que apoiam o Governo, vivem no leste do país, industrializado e onde ainda se fala russo. É aqui que a Igreja do Patriarcado Russo tem mais influência também.
Já a maioria dos que preferem as relações com a União Europeia vivem no Ocidente, onde se fala ucraniano e o Patriarcado de Kiev e a Igreja Greco-Católica têm mais força.
Esta filiação religiosa e cultural é evidente mesmo entre os principais actores deste braço de ferro. Yanukovich, o Presidente que se tem aproximado de Moscovo é natural da aldeia de Zhukovka, no extremo oriental do país e é fiel da Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscovo. Já Oleg Tyagnibok, líder de um dos principais partidos da oposição, nasceu em Lviv, no extremo ocidental do país e é membro da Igreja Greco-católica que, até há poucos anos, tinha a sua sede na mesma cidade.
domingo, 15 de dezembro de 2013
O «católico» Cavaco elogia
mais uma vez Maria Velho da Costa
Heduíno Gomes
Sábado, 14 de Dezembro. O «católico» Cavaco elogia a«extraordinária» literatura
da manifesta anticristã e promotora do feminismo mais
decadente, do chamado «casamento» entre invertidos e do aborto Maria Velho da
Costa (uma das «três Marias»).
Domingo, 15 de Dezembro. É dia do Cavaco ir à missa. E talvez
comungar. Leia-se o que se segue para
se ter a noção de que «católico» Presidente da República tem Portugal e do que
valem os elogios que ele faz e as condecorações que atribui.
Eis um naco da «extraordinária» literatura segundo Cavaco
A Paz / Compraz-se Mariana com o seu corpo. (...) / Mariana deixa que os
dedos retornem da vagina e procurem mais alto o fim do espasmo que lhe trepa de
manso pelo corpo. (...) / E a noite devora, vigilante, o quarto onde Mariana
está estendida. O suor acamado, colado à pele lisa, os dedos esquecidos no
clitóris, entorpecido, dormente. / A paz voltou-lhe ao corpo distendido,
todavia, como sempre, pronto a reacender-se, caso queira, com o corpo, Mariana
se comprazer ainda.
21 de Março de 1971.
Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, Novas Cartas Portuguesas,
Estúdios Cor, 1972, pp. 48 a 50.
Se isto não é uma pouca-vergonha, o que será
uma pouca-vergonha?
Segundo o CM, Cavaco classificou como «extraordinária» a obra literária de Maria Velho da Costa.
Cavaco Silva falava na cerimónia de entrega à escritora Maria Velho da Costa do Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores (APE), que se realizou na Cultugest e que teve a presença do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.
Cavaco salientou que o percurso de intervenção cultural de Maria Velho da Costa, ao longo de quase meio século, «é, de facto, extraordinário».
«Os escritores como Maria Velho da Costa não têm uma carreira, têm uma obra. A sua história confunde-se com as histórias que nos deram através da palavra».
«Tive, por isso, o grato prazer de a condecorar em 25 de Abril de 2011 com grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.»
Se isto não é uma pouca-vergonha, o que será
uma pouca-vergonha?
Segundo o CM, Cavaco classificou como «extraordinária» a obra literária de Maria Velho da Costa.
Cavaco Silva falava na cerimónia de entrega à escritora Maria Velho da Costa do Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores (APE), que se realizou na Cultugest e que teve a presença do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.
Cavaco salientou que o percurso de intervenção cultural de Maria Velho da Costa, ao longo de quase meio século, «é, de facto, extraordinário».
«Os escritores como Maria Velho da Costa não têm uma carreira, têm uma obra. A sua história confunde-se com as histórias que nos deram através da palavra».
«Tive, por isso, o grato prazer de a condecorar em 25 de Abril de 2011 com grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.»
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