terça-feira, 3 de maio de 2016


Três falsificações da misericórdia


Samuel Gregg


Misericórdia, ensinou São João Paulo II, não é um livre-trânsito para fora da prisão que nos permite relegar a moral cristã para o reino do «ideal» ou demasiado pesado, excepto para super-católicos.


[Tradução automática. Original em

http://www.catholicworldreport.com/Item/4755/three_counterfeits_of_mercy.aspx]

Misericórdia é uma palavra que tem dominado o discurso católico ao longo dos últimos três anos, principalmente porque o Papa Francisco raramente faz um comentário público sem invocar-lo. Claro, é uma ideia nova para os cristãos. Imediatas dois antecessores de Francisco, Bento XVI e São João Paulo II, escreveu longamente sobre esse tema. Este último ainda escreveu uma encíclica inteira sobre o tema. Em Dives in Misericordia (1980), o santo que morreu na Vigília de Domingo da Divina Misericórdia sublinhou que a misericórdia divina está profundamente enraizado nas Escrituras Hebraicas e totalmente revelado na vida de Cristo, mais notavelmente na Cruz.

Leitores historicamente consciente de Dives in Misericordia, em breve reconhecer, contudo, que uma razão pela qual João Paulo escreveu este texto era para lembrar a todos que a busca da justiça pode facilmente degenerar em esforços para realizar programas ideológicos. «É óbvio», João Paulo escreveu, «que, em nome de uma suposta justiça (por exemplo, justiça histórica ou justiça de classe) o vizinho às vezes é destruído, morto, privado de liberdade ou despojado dos direitos humanos fundamentais» (12 DM). Estas palavras refletida claramente conhecimento do papa do comunismo e os comunistas: pessoas que escravizados e assassinados milhões em nome de seu socialista, materialista e ateu noções de que a justiça inerentes.

Atenção à misericórdia nos direciona para a última fonte de justiça, o Deus que é amor e, portanto, impede a justiça de entrar em colapso em algo completamente anti-humano. Mas o aviso do João Paulo também foi direcionado para os muitos cristãos que, na esteira do Vaticano II e em nome da justiça, foram reduzindo o Evangelho a deste mundo agendas políticas ou abraçando versões particulares de teologia da libertação. A visão do papa era que uma Igreja que abraça uma compreensão da justiça que não é informado pelo e, finalmente, dirigido ao perdão está no caminho rápido para perder o seu carácter distintivo cristão.

Esse é o risco associado com overemphasizing qualquer aspecto da mensagem cristã à custa de suas outras facetas chave. Você acaba distorcendo significativamente o Evangelho. Talvez menos bem entendido, no entanto, é que o estresse atual sobre a misericórdia não está isento desta tentação. Longe disso.

Misericórdia como sentimentalismo

Como todo mundo, os cristãos são influenciados pelo clima social em que vivem. Não é nenhum exagero dizer que aqueles de nós que vivem no Ocidente estão imersos em culturas em que o sentimentalismo, ao contrário fundamentado discurso, é uma característica distintiva. Quer se trate de pessoas que começam argumentos com a expressão «Eu apenas sinto que», ou aqueles que incessantemente invocam difíceis de casos (defensores da eutanásia são mestres desta arte preta) para justificar o que é claramente errado, a tendência é clara: a razão está fora e emotivismo é em.

Esse fenômeno inclui grandes segmentos da vida católica e de opinião. Considere, por exemplo, aquelas clero cuja forma pastoral é mais parecido com o de um terapeuta secular do que um padre e cuja pregação é difícil distinguir a partir das reflexões de Oprah.

Em tal atmosfera, não é surpreendente que a misericórdia é cada vez mais entendida por alguns cristãos, como base para pintar aqueles que destacar os requisitos da razão como rigorists ou julgamento. Essa atitude periodicamente à tona nos 2014 e 2015 Sínodos sobre a família. Aqueles que educadamente lembrou aos participantes sinodais, por exemplo, que o cristianismo sempre ensinou que existem absolutos morais que identificam certas escolhas livres como sempre mal foram retratados frequentemente como de coração duro ou com falta de misericórdia, invariavelmente, por bispos que presidiam financiado pelo contribuinte, hiper- igrejas burocratizados e vazios que agora funcionam principalmente auxiliares como mansas de estados de bem-estar da Europa ocidental.

Quem teria pensado que aqueles que referenciada a lei moral e sua lógica interna inscrito, como nos diz São Paulo, na própria natureza do homem e confirmado pelo Decálogo à força re-enfatizada por Cristo teria acusado de «atirar pedras» e rotulados como «fariseus»? Não há nada misericordioso, no entanto, sobre a tentativa de marginalizar as verdades conhecíveis através da revelação e da razão em nome da misericórdia. Também não há nada compassivo sobre fingir que a misericórdia permite ensinamento moral de Cristo para ser posta de lado em casos difíceis. O próprio Cristo nunca fez isso.

Da mesma forma, a misericórdia não é realizado por ignorar a verdade de que qualquer liberdade de escolha para o mal moral envolve fazer sérios danos ao que de João Paulo 1993 encíclica Veritates Splendor chama de «bens fundamentais» (VS 48, 50), que estão no cerne do cristão a vida moral. Com efeito, na ausência dos absolutos que proíbe tais escolhas, coerente raciocínio moral se torna impossível. Todo mundo é posteriormente à deriva em um mar de emotivismo.

Misericórdia como injustiça

Isso leva a um outro problema com a misericórdia separado da razão e da lei moral de Cristo:-lo rapidamente prejudica qualquer concepção coerente de justiça.

Em 1980, João Paulo alertou em Dives in Misericordia que «Em nenhuma passagem da mensagem do Evangelho o perdão, nem piedade como sua fonte, indulgência para o mal, no sentido de escândalos, no sentido de lesão ou insulto dizer. Em qualquer caso, a reparação para o mal e do escândalo, a compensação por lesão, e satisfação para insulto são condições para o perdão »(14 DM). Se isso soa cabeça-dura, isso é porque é. Lembre-se, porém, que o Jesus Cristo que encarna a misericórdia não é o equivalente de um animal divina recheado. Sempre que as Escrituras retratam Cristo oferecendo misericórdia para com os pecadores, seu perdão é sempre atado com um lembrete gentil, mas clara da lei moral e a expectativa de que os atos pecaminosos será descontinuado.

Para tirar o ponto ainda mais longe: se concepções sentimentalista de misericórdia estão autorizados a conduzir o uso da razão para fora da vida cristã, que se tornaria impossível para a Igreja a denunciar qualquer forma de injustiça de uma forma coerente. Por quê? Porque os critérios de justiça não seria mais estável.

Isso tornaria difícil para a Igreja para falar de qualquer maneira racional sobre, por exemplo, a injustiça na vida económica ou a diferença entre guerras justas e injustas. Em vez disso católicos seria reduzida a cometer os mesmos argumentos utilitaristas e emotivista que caracterizam a religião liberal e secularismo ou simplesmente juntar à já longa lista de contemporânea populistas cujo preferido modo de engajamento público sobre questões de justiça é demagogia.

Deste ponto de vista, podemos ver como a propagação da misericórdia de contrafacção em toda a Igreja não se limita a minar a capacidade dos católicos para identificar formas certas e erradas de relacionamentos pessoais. Sua lógica se faz e sua aplicação a justiça em todos os aspectos da vida um exercício de sentimentalismo aplicada. E isso não é forma de justiça.

Misericórdia como mediocridade

Os cristãos acreditam que Cristo tomou sobre o peso de nossos pecados e os expiou na Cruz. Justiça foi, assim, satisfeito. No entanto ato singular de Cristo, da misericórdia não significa que seus seguidores estão agora livres para viver uma vida de mediocridade. Ao contrário do que estranha 2014 do cardeal Walter Kasper alegação de que «o heroísmo não é para o cristão comum,» todos os cristãos são chamados a uma vida de santidade. Certamente, é impossível responder a esta chamada, na ausência de misericórdia e graça. Mas uma outra forma de misericórdia falsificados certamente envolve sugerindo que a santidade é simplesmente além de a maioria de nós. Neste cenário, a misericórdia de Deus efetivamente serve para nos deixar fora do gancho, com a santidade tornar-se entendida como algo alcançável apenas por uma elite valente.

Alguns têm sugerido que traços dessa mentalidade pode ser encontrado em algumas partes do capítulo 8 do Papa Francisco Exortação Apostólica Amoris Laetitia. Quaisquer que sejam os méritos de tais análises, é verdade dizer que a misericórdia cristã não pode ter nada a ver com a aceitação, muito menos afirmação de mediocridade espiritual ou moral. Isso seria contradizer o ensino muito consistente do catolicismo que, embora todos nós cair e falhar uma e outra vez, «o dom da misericórdia. . . oferece libertação da escravidão do mal e dá a força para não mais pecar» (VS 118).

Essa última citação vem da conclusão do Veritatis Splendor . Aqui São João Paulo ofereceu uma bela meditação sobre Maria e o fim último a que a misericórdia nos dirige. Alguns se perguntam como um papa que, inspirado por Santa Faustina, a freira humilde cujo nome é indistinguível da devoção à Divina Misericórdia, poderia escrever tão poderosamente sobre a misericórdia, mas também produzem uma encíclica sobre as altas exigências da moral cristã. Em Veritatis Splendor parágrafos finais 's, no entanto, João Paulo virou-se para Maria para nos mostrar por que não há nenhuma contradição.

Descrevendo Maria como «Mãe de Misericórdia», porque seu filho é «a revelação da misericórdia de Deus», João Paulo reiterou que «Cristo não veio para condenar, mas para perdoar, para mostrar misericórdia» (VS 118). Misericórdia, no entanto, não é um cartão de livre-trânsito que nos permite entregar a moral cristã para o reino do «ideal» ou demasiado pesado, excepto para super-católicos. Lidar diretamente com aqueles que afirmam «que a moralidade cristã é, em si, muito exigente, difícil de compreender e quase impossível de praticar» (VS 119), João Paulo especifica que «transformado por sua graça e renovada por sua misericórdia» (VS 119) é perfeitamente possível viver a vida cristã em toda a sua plenitude.

Então, qual é o papel de Maria em tudo isso? Por um lado, como a Mãe de Cristo, ela obtém misericórdia para nós. Ao mesmo tempo, depois de ter sido humano, João Paulo especificado, Maria «Compreende o homem pecador e o ama com amor de Mãe.» E como qualquer mãe responsável, ela não confundir misericórdia com uma opção preferencial pelos averageness ou uma licença para sentimentalista mush. Em vez disso, é precisamente porque Maria personifica o amor e a misericórdia que «ela está do lado da verdade e compartilha o peso da Igreja, ao recordar a todos e sempre as exigências morais» (VS 120).

No final, é a mulher judia lúcido, simples que nos mostra que não há verdadeiro choque entre a misericórdia e a vocação da vida moral cristã. Isso destaca o erro de tentar colocar uma cunha entre os dois, como por meio de implantação de linguagem ambígua que é típico do legalismo que é característica do laxismo. Misericórdia representa a disposição de Deus para perdoar uma e outra vez, o ponto de estar a dar-nos a força para resolver a ir e não peques mais.

Visto dessa perspectiva, reduzindo misericórdia a mera emotivismo ou transformá-la em uma desculpa para a mediocridade não é apenas uma mentira. Esses entendimentos de misericórdia rebaixar a nossa razão e desejo de distância o que o teólogo dominicano Servais Pinckaers chamado a liberdade de excelência a que o homem sozinho é chamado.

Como todas as falsificações, como a misericórdia não pode ajudar, mas decepcionou.






Censuras


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán esteve em Portugal, onde no dia 15 de Abril, participou na conferência da Internacional Cristã Democrata. Que se saiba apenas o jornal «Expresso» noticiou o evento.

Entretanto quase todos os órgãos de comunicação social (OCS) verteram horas de imagens, som e resmas de escrita, sobre a multitude de jogos de futebol entretanto ocorridos.

As eleições presidenciais na Áustria deram, na 1.ª volta, o apuramento para o despique final, um candidato tido de extrema-direita, juntamente com outro de extrema-esquerda (camuflado com o rótulo de ecologista), com a «originalidade» da derrota clamorosa de todos os candidatos do «centrão».

Pois o país ficou a ignorar, praticamente tais resultados e o que se passou…

Ao mesmo tempo, porém, noticias, reportagens e comentários sobre a morte de estrelas do rock, normalmente ligadas a escândalos sexuais, droga, taras e vícios sociais vários (ou será que já não há vícios?), lograram amplo eco nas pantalhas, restante espectro electromagnético e em caracteres alfabéticos, impressos numa substância que teve a sua origem nos papiros egípcios.

Obama – o «entertainer» – veio à Europa interferir abusivamente no referendo inglês sobre a permanência da Grã-Bretanha na União Europeia; vai à Alemanha tentar condicionar a chanceler Merkel (que, por acaso, se chama «Kasner») sobre as opções a tomar por aquele país – que depois de vencido na II Guerra Mundial, até hoje não teve um tratado de paz – relativamente às suas opções na NATO, versus Rússia, ao mesmo tempo que tenta pressionar aquele grupo de políticos burocratas, não eleitos e principescamente pagos, sitos nas diferentes agências da desunião europeia, sem norte, a assinarem o Acordo de Parceria Transatlântica de Comercio e Investimento[1], que anda a ser negociado «por baixo da mesa» e que, a ir para a frente, irá soterrar de vez, a soberania dos estados europeus (e os EUA), sem que a esmagadora maioria dos OCS nacionais, tenha feito desta viagem a mais elementar cobertura jornalística.

Sem embargo, partem dois ou três carros com umas bugigangas – logo denominada de caravana – para oferecer aos refugiados/migrantes/emigrantes/etc., finalmente sustidos na Grécia (ou noutro ponto qualquer) e é um ver se te avias de notícias laudatórias.

Aqui deve fazer-se um parêntesis para dizer que as notícias devem ser apenas isso: noticias. Não têm, nem cabe aos jornalistas enquanto tal, adjectivá-las…

Por outro lado, a grande maioria das ocorrências – que são às centenas – de latrocínios, destruições, atentados à integridade física e moral de pessoas, exigências ridículas e despropositadas e os milhentos problemas e custos, causados por esta vaga de migração descontrolada – que está a fazer com que as populações dos países «assaltados» estejam a ficar prisioneiras e escravas no seu próprio território (ou o território agora, é comum a todos?) – são omissas em 95% dos «média» nacionais!

E quando alguns ditos refugiados – pois só conhecem de Portugal, alguns dos seus futebolistas – sendo inquiridos, não desejam vir para cá, é o próprio Presidente da República que se amofina com isso e quer é que eles venham…

Pergunta-se (os exemplos podiam continuar «ad nauseum»): se isto não representa a mais despudorada censura (incluindo a autocensura, que é a pior de todas) é o quê?

Se tal não se enquadra na mais inacreditável manipulação, enquadra-se em quê? Se o que pela rama se descreveu, não configura a maior falta de respeito pela liberdade de informação e de expressão, configura o quê, santo Deus?

Deus, eu disse Deus?

Será por isso que Sua Santidade o Papa levou refugiados muçulmanos (e, aparentemente, só esses) para o Vaticano?

Será que acampam na Capela Sistina ou irão construir uma mesquita (com minarete e tudo) para os albergar?

Será que a Santa Sé também irá pagar a transladação dos mártires cristãos, que andam a ser dizimados um pouco por todo o mundo maioritariamente muçulmano, só por o serem, para o local onde Pedro fundou a Igreja?

O prémio Carlos Magno 2016, entregue anualmente na cidade de Aachen, foi atribuído a Sua Santidade. Felizmente que o chefe espiritual dos católicos, apesar de o ter aceitado, não se deslocará àquela cidade alemã, sendo o prémio entregue em Roma.

Porventura não haverá ninguém em toda a Santa Madre Igreja, que possa alertar o Sumo Pontífice para o significado e envolventes, de tal distinção?

O mundo foi sempre um local perigoso. Convinha não andarmos confundidos.


[1] Conhecido pela sigla inglesa TTIP – «Transatlantic Trade and Investment Partnership»





domingo, 1 de maio de 2016


Alguns ocultam-se atrás da misericórdia...








Pacheco Pereira


Jorge Costa, Insurgente


O que torna o Pacheco Pereira um traste não é as ideias que tem ou não tem. Passamos a semana inteira a ouvir coisas tão ou mais estúpidas do que aquelas que ele faz questão de repetir por todo lado em que lhe derem atenção, sem acharmos que quem as profere é, por isso, indigno.

O que faz dele um traste moral é não ter a coragem de sair do PSD, e ir para Associação 25 de Abril, para o Bloco, para a Bloca, ou para onde lhe der na realíssima gana.

Toda a gente tem o direito de mudar. O problema é que para sair civilizadamente do partido de que um dia fez parte teria de reconhecer que mudou (supondo que é disso que se trata e não de ressentimentos pessoais insusceptíveis de comentário), que já não faz parte daquilo, mas que nem por isso o grupo político a que pertenceu e as pessoas com quem partilhou posições deixam de ser respeitáveis, como eram antes, tal como é respeitável quem quer que jogue limpo no jogo da democracia, que é o jogo do pluralismo.

Teria, enfim, de se resolver. Ele não. Prefere ficar à espera de ser empurrado, para se converter num caso heróico, transformando os outros, os que ficaram onde estavam, em pulhas. Obviamente que isso não acontecerá nunca, até porque Pacheco Pereira, ao fim do dia, é insignificante, o mundo não está inteiramente preenchido pelos trastes, e toda a sua relevância se reduz agora a este rosnar permanente que parece, bem vistas as coisas, ser a sua verdadeira vocação. Sem isso, e resolvendo-se civilizadamente, ficava o quê?





sexta-feira, 29 de abril de 2016


Dois cidadãos contaram duas histórias


História do cidadão americano


Comprei uma casinha, dessas abertas, para alimentar pássaros, pendurei-a na varanda e coloquei-lhe alpista. Ficou maravilhosa! Nos primeiros dias, apareceram alguns pássaros simpáticos e eu carinhosamente nunca deixei faltar as sementes para os alimentar.

Ao fim de duas semanas, tivemos centenas de aves que se deleitavam com o fluxo contínuo de comida livre e facilmente acessível. Então, os pássaros começaram a construir ninhos nas beiras do pátio, acima da mesa e ao lado da churrasqueira, ou seja, por todo o lado.

Depois veio a porcaria, porque faziam as suas necessidades em toda a parte: nas cadeiras, na mesa ..., enfim, em tudo! Algumas aves alteraram o seu comportamento, tentando-me atacar em voo de mergulho e me bicar, apesar de eu ser o seu benfeitor.


Outras aves faziam tumulto e eram barulhentas. Pousavam no alimentador e a qualquer hora, ruidosamente, exigiam mais comida quando esta ameaçava acabar.

Chegou um momento em que eu não conseguia sentar-me na minha própria varanda. Então, desmontei o alimentador de pássaros e em três dias acabaram indo embora. Limpei toda a porcaria e acabei com os ninhos que fizeram por todo o lado.

Tudo voltou a ser como costumava ser: calmo, sereno e nenhum pássaro exigindo direitos a refeições grátis.

História do cidadão europeu


O nosso Estado dá comida de graça, habitação, subsídios, assistência médica e educação gratuita a qualquer pessoa nascida num País de outro continente, que diga ser refugiada, o que originou que, de repente, chegassem dezenas de milhares de pessoas. De repente, os nossos impostos terão que subir para pagar os serviços gratuitos, os apartamentos, os custos gratuitos de saúde dessas pessoas.

Na escola querem retirar a carne de porco e salsichas da alimentação porque essas pessoas dizem que é contra a sua religião, querem arranjar espaços para construir locais onde esses possam praticar a sua religião, querem que as suas raparigas andem cobertas, as suas mulheres não aceitam ser atendidas num hospital por médicos do sexo masculino porque é contra a sua religião, e muitas outras situações que se as contássemos provocariam um pânico generalizado.

As caixas de cereais matinais, o leite e outros alimentos vêm com rótulos bilingues.

Sou obrigado a usar teclas especiais para poder falar com o meu banco no nosso idioma e a ver pessoas estranhas acenando bandeiras, que não são a nossa, e ouvi-las berrando e gritando pelas ruas, exigindo mais direitos e liberdades gratuitas.

É apenas a minha opinião, mas talvez seja hora de também o governo desmontar o alimentador de pássaros.






quinta-feira, 28 de abril de 2016


Na Rússia só existe uma escola católica legal


Típico primeiro dia de aula
na Escola Franciscana da Natividade de Novosibirsk.

Luís Dufaur

Em todas as áreas religiosas do mundo – pagãs, muçulmanas, fetichistas, etc., etc. – há escolas católicas mantidas por Ordens religiosas ou por missionários, às vezes com heróicos esforços. As escolas católicas têm prestigio até em países insólitos.

Por isso elas atraem uma multidão de muçulmanos no Paquistão e na Jordânia, de hinduístas na Índia ou no Nepal, de taoístas e agnósticos em Taiwan, e de ateus até em países comunistas como o Vietname.

Mas na Rússia de Vladimir Putin não podem existir. São fechadas por via policial ou ameaças de origem oficial. Na Rússia, país de 143 milhões de habitantes que ocupa a sexta parte das terras emergidas, a única excepção é a escola infantil católica de Novosibirsk, na Sibéria, informou o site «Religión en Libertad».

Foi fundada cinco anos após a queda do Muro de Berlim, como uma experiência clandestina de frades franciscanos, num pequeno apartamento que depois foi sendo ampliado.

Quase ninguém se atreve a denunciar a anomalia da ausência na Rússia de escolas católicas. Para alguns, a excepção da escolinha de Novosibirsk funciona como um pará-vento da repressão.

Correm rumores da existência de academias católicas em cidades siberianas. Noutras cidades haveria maternidades católicas semiformais, mas agindo na clandestinidade, como no tempo do comunismo soviético.

O director de Novosibirsk, o sacerdote franciscano Corrado Trabucchi, explica que a escola fornece um currículo completo com todas as matérias.

Começou num tempo em que havia alemães católicos enviados para campos de concentração soviéticos da região e que queriam um ensino católico para os filhos e netos.

Os franciscanos de Novosibirsk, gerem a única escola católica da Rússia
O nível de cultura religiosa em Novosibirsk é paupérrimo, como resultado do ateísmo de Estado e do desinteresse da igreja cismática pela formação religiosa. De início, as crianças nada sabem de religião, nem mesmo quem foi Jesus Cristo.

A escola sobrevive com uma licença estatal exclusiva. Em geral, o regime de Putin considera suspeitas as actividades católicas, chegando a ameaçar tornar a Igreja católica ilegal, acusando-a de agente que encoberta serviços secretos estrangeiros.

A escola católica tem popularidade na cidade e atrai crianças cujos pais professam outras religiões, mas desconfiam dos estabelecimentos públicos. A oração conjunta católica é obrigatória todos os dias. As crianças de famílias ortodoxas são convidadas a baptizarem-se, pois o clero cismático faz muito pouco nesse sentido.

As crianças aprendem a celebrar festas como a de Natal. Recebem educação patriótica, aprendem o alfabeto russo e a sua origem no grego, a História Sagrada, o Antigo e o Novo Testamento. A escola mantém-se com donativos vindos do exterior. O Estado ajuda pouco ou nada.

Um dos maiores problemas é que pela ausência de moral na Rússia, a maioria das famílias está destruída. Muitas crianças só conhecem a avó ou a tia com quem vivem.

As celebrações, orações e festas comuns como a de São Nicolau devem evitar o risco de serem acusadas de «ópio do povo».





segunda-feira, 25 de abril de 2016

sábado, 23 de abril de 2016


A criancinha malcriada


Inês Teotónio Pereira, Diário de Notícias, 23 de Abril de 2016

Não há partido mais infantil do que o BE. O BE tem tudo o que é típico de uma criança malcriada, mimada, irritante e preguiçosa. Estão a ver aqueles miúdos a quem dizemos «olá» e eles começam a gritar ou aos insultos? É assim o BE. No mundo dos adultos chama-se a isto irreverência; no das crianças, má-criação. Outra particularidade infantil do BE é o mimo.

As criancinhas mimadas são sempre levadas a sério, mesmo que não tenham idade para apanhar um autocarro. Qualquer coisa que digam, por mais parva que seja, dá notícia. Ora, isto faz que não tenham necessidade de deixar de dizer coisas parvas – como insultar o voluntariado – tornando-se preguiçosas e viciadas em atenção.

As crianças educadas nestas precárias condições e sem filtro para o disparate tornam-se irremediavelmente irritantes. Chatas mesmo. Habituadas que estão a terem muita atenção, não se calam. Falam sobre tudo o que possa ser polémico só para interromper as conversas dos crescidos. No caso do BE o filão são os temas fracturantes que, tal como os filmes com bolinha, têm sempre audiência. Ele é o candidato transexual, o cartaz de Jesus ou o Cartão de Cidadão.

Qualquer coisa serve. O objectivo, tal como no mundo infantil, é virar cabeças. Ora, é preciso muita paciência para lidar com crianças assim.

É preciso, antes de mais, não as levar a sério e no limite ignorá-las. Mas se nas crianças esta estratégia resulta, com o BE – que apesar de ter todas as características de uma criança malcriada não é criança, é só malcriado/a – não resulta. O PS, no entanto, descobriu como lidar com o problema e tentou resolvê-lo da mesma forma que um pai – daqueles que não ligam nenhuma ao filho adolescente – resolveria: leva o miúdo a jantar fora e deixa-o guiar o carro dando a entender que o acha muito crescido. Depois, vai à sua vidinha.

A única diferença no caso do PS e do BE é que o pai (o PS) está a ficar senil e acha mesmo graça à criancinha malcriada.





sexta-feira, 22 de abril de 2016


O Presidente da Polónia

sobre relação Igreja-Estado


Andrzej Duda

No discurso à Assembleia Nacional
por ocasião dos 1 050 anos
de baptismo da Polónia

É um momento comovente e extraordinariamente sublime este, em que estamos aqui 1 050 anos depois dos dias em que, provavelmente num ambiente solene, o soberano destas terras, na altura o conde Mieszko, recebeu o baptismo.

O cronista Gall escreveu mais tarde que a luz iluminou estas terras. A luz iluminou a Polónia. Porque este baptismo, início da realidade da nossa história polaca, teve duas dimensões. Teve uma dimensão espiritual extraordinária, pois trouxe para cá uma nova religião. Uma religião na qual a maioria dos polacos permanece até hoje. Porque deu os fundamentos para a criação de um estado moderno. Certamente moderno para aqueles tempos, pois trouxe algo completamente novo. Mas trouxe uma modernidade que tem um carácter permanente, um carácter universal.

Estes dois elementos, o espiritual e o estatal, entrelaçaram-se e permanecem. Permanecem apesar de ter havido momentos na história em que este elemento estatal desapareceu. Desapareceu como consequência da raiva, desapareceu como consequência da guerra, desapareceu como consequência da agressão que veio para a terra da Polónia, que afectou os polacos. Mas foi precisamente graças àquilo que o baptismo trouxe às almas, às almas das pessoas que aqui vivem, que as gerações não permitiram que lhes fosse arrebatado o ser polacos. Nunca permitiram que lhes tirassem aquilo com que construíram a tradição, a cultura, a comunidade.

E mesmo quando a Polónia desapareceu do mapa, voltou. Voltou pela força dos polacos e voltou pela força do espírito que recebiam da fé e do baptismo, e que os ajudou a proteger a Igreja. E por isso estou imensamente grato a vossas eminências e vossas excelências por podermos iniciar estas comemorações dos 1 050 anos do baptismo da minha pátria justamente com este elemento espiritual. Começar com oração, começar dando graças a Deus por 1 050 anos de cuidado pela nação polaca. Agradecer pelos santos que surgiram durante estes 1 050 anos da nossa nação.

E, ao inclinar a cabeça aqui em Gniezno, no ninho da nossa nação e da nossa pátria, na terra que foi em tempos pisada por Mieszko e depois pelo seu filho, o primeiro rei polaco Bolesław Chrobry, prestar homenagem a todos aqueles que ao longo destes séculos ganharam a nossa pátria.

Prestar homenagem àqueles que morreram com o grito «Viva a Polónia» nos lábios. E agradecer a Deus pelo cuidado com a nossa pátria. E pedir a Sto. Adalberto, aqui, aos pés da sua conversão, onde estão as suas relíquias, pedir a S. Estanislau de Szczepanowo, bispo da minha cidade natal, pedir a Sto. André Bobola, meu padroeiro e padroeiro da nossa pátria, e pedir a Sta. Faustina, apóstola da Misericórdia divina, a bênção e a intercessão junto de Deus pela nossa pátria, pela nossa nação e por tudo aquilo que é importante para nós.

Para que permaneçamos na tradição dos antepassados, na fé, em tudo aquilo que sempre fez e faz com que sejamos fortes. Que o Senhor abençoe a minha pátria, que o Senhor abençoe os polacos, que o Senhor abençoe a Igreja.


(Tradução: Mariana Biela)





segunda-feira, 18 de abril de 2016


Declaração do padre Nuno Serras Pereira

em reacção à recente Exortação Apostólica


O padre Nuno Serras Pereira é conhecido por ser um ardoroso combatente em defesa da vida e um fiel defensor da doutrina cristã. Agora, perante a recente Exortação Apostólica, tomou a decisão que se segue.

Bons amigos. Para mim é claro que a Exortação Apostólica Amoris laetitia (A Alegria do Amor) contém, a par de trechos excelentes, algumas passagens que contrariam a Encíclica Veritatis Splendor de S. João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica e o Código de Direito Canónico. Qualquer um destes documentos é dotado de uma autoridade Magistral superior a uma Exortação Apostólica não podendo ser ab-rogados por esta. No entanto, as declarações do Cardeal de Viena, confirmadas em entrevista pelo Papa Francisco, explanadas pela Civiltà Cattolica, revista da Companhia de Jesus, cujo director último é Francisco, as afirmações do Cardeal Kasper e do Arcebispo Paglia, Presidente do Conselho Pontifício para a Família, além da decisão do Presidente da Conferência Episcopal das Filipinas, bem como da Diocese de Bérgamo, em Itália, levam-me a concluir que aquilo que o Cardeal Baldisseri disse em Fátima, antes do primeiro sínodo (ou sínodo extraordinário), a saber, que no papel tudo ficaria na mesma mas que na prática tudo iria mudar, se confirma. Por isso, pedi ao Padre Provincial, meu Superior Maior, a dispensa de celebrar Missa para o povo e dispensa de atender em Confissão indiscriminadamente quem se apresente para tal, uma vez que em consciência não poderei exercer esta «nova pastoral sacramental».

Saudações cordiais e que Deus vos abençoe


P. Nuno







O novo Colégio Militar

do ministro feito com o lóbi dos invertidos


https://www.youtube.com/watch?v=ol5Dfs7jqFI




sábado, 16 de abril de 2016

quinta-feira, 14 de abril de 2016


Eutanásia, morte digna?


Pe. Vasco Pinto de Magalhães, Observador, 22 de Fevereiro de 2016

Como é possível que, num mundo cheio de mortes por ideologias fanáticas que pretendem um mundo limpo de infiéis, sem dignidade nem lugar, estejamos nós a discutir como matar para eliminar o sofrimento

Gostava de perceber o que se entende por dignidade. Para os defensores da eutanásia, esse tem sido um argumento. Mas dá vontade de perguntar: uma pessoa sofrida, em grande sofrimento, por uma doença ou situação «sem cura» perde a dignidade? A mãe a fazer o luto de um filho, por exemplo, ou um deficiente profundo, um doente «terminal» ou o Papa João Paulo II tremendo e babando-se nos seus últimos tempos, tornaram-se indignos? Não seria melhor «ajudá-los a morrer» ou, talvez, «matá-los piedosamente»? A resposta que me dão é que «faz muita impressão», que «não há direito de deixar ali a sofrer», que «a sua vida já só é um peso para si mesmo e para os outros» que «a sua vida acabou», «que sentido tem?»; e por isso mais vale acabar mesmo… e nós ajudamos; claro… se for esse o seu desejo pedido com liberdade.

Vale a pena comentar e responder a estas questões.

1) Então, a dignidade da morte viria desta ser a pedido, consciente e livre! Mas… todos sabemos que a liberdade é sempre condicionada e, de modo especial, ainda mais, no grande sofrimento ou na euforia. Um mínimo de psicologia e de entendimento da linguagem sabe que não se pode tomar à letra o que se ouve ou se lê. Quantas vezes atendo pessoas que mais ou menos com insistência me dizem «não aguento mais», «não sei o que ando cá a fazer», «isto não faz qualquer sentido», «quero morrer, ajude-me», etc. Então começa a conversa, respeitando essa dor. Conte-me a história toda, vamos ver por onde entra essa imensa solidão ou essa revolta, essa culpabilidade ou experiência de desamor insuportável… vamos falar dessa infelicidade, desse medo aterrador, desse sentimento de exclusão… E, tirando alguns casos de suicidas obsessivos, sempre se encontra algum caminho, uma janela, que ajuda a ver a luz (lá ao fundo), a descobrir uma aceitação possível. É preciso tempo, paciência e acolhimento para que a pessoa se comece a sentir amada ou, pelo menos, a admitir que pode ser reconhecido o seu valor. Tomo muito a sério a pessoa que pede a morte, mas devo perguntar-me: quer morrer ou está a dizer-nos outra coisa? Quer que aquele sofrimento morra, certamente. Mas a morte pela eutanásia, não mata o sofrimento, mata a pessoa! Aliás o que a minha experiência diz é que se eu, mais do que entender o seu sofrimento, também lhe mostro que concordo com a eutanásia, o que lhe estou a comunicar é: «realmente, mais um que acha que eu já não sirvo para nada».

2) A desfiguração e o sofrimento psíquico ou físico não tira dignidade à pessoa: esta, por maior que seja a limitação, não deixa de ser pessoa, sempre digna de ser respeitada e amada. O que é indigno na pessoa é a mentira, a corrupção, a inveja, a prepotência e a soberba que exclui e escraviza. A eutanásia também não resolve essas doenças morais, nem dá espaço para que sejam repensadas e superadas, eventualmente, com o acompanhamento, com o perdão e o paliativo necessário. Se, em vez de acompanhar a pessoa, para lhe dar dignidade a mato, não só não a compreendi como a «coisifiquei». Diz-se: faço-o por pena, para que não sofra! Mas bem dizia o Prof. Daniel Serrão: «a morte por compaixão é a morte da compaixão». Na verdade o que acaba ali é a relação e o cuidado com o outro; e, por um acto não médico, alivia-se a tensão: resolve-se, sim, o problema de quem acompanha e já não sabe lidar com ele. Uma subtil tentação, nem sempre perceptível, sob a capa de parecer que é um agir «pro vida».

3) A morte a pedido manifesta a autonomia da pessoa e daí a sua dignidade? Pode parecer, mas vejo aí uma confusão entre auto-suficiência e autonomia. Autonomia significa que se tem uma «lei própria» e se tem consciência dela e se é coerente com ela, com todos os seus condicionamentos. A pessoa vai-se tornando cada vez mais autónoma na medida em que se vai tornando cada vez mais moralmente livre. E a liberdade, que é uma aprendizagem difícil, é a capacidade de gerir os seus condicionamentos e escolher o bem maior; isto é, decidir-se pelo que é mais humano e mais nos humaniza como seres sociais. A auto-suficiência é não ter que dar contas a ninguém e fazer o que se entende por imaginar que se pode dispor de si e dos outros «como se quiser». Não somos auto-suficientes. A morte a pedido pode não parecer, mas é uma tentação de auto-suficiência. Escolher matar-se tal como matar, não é, certamente, escolher o bem maior – com autonomia e liberdade. É mais um grito de socorro. E socorrer deve ser um acto inteligente (o que se passa aqui? Qual é a dor?) e não uma cedência a um impulso ingénuo e «piedoso».

4) Se admitirmos que há um direito a querer morrer (e um direito a que me matem?), isso não implica que alguém, um médico, por exemplo, tenha o dever de o fazer. Terá o dever moral de ajudar quem faz tal pedido, na medida das suas possibilidades, mas ninguém pode impor essa obrigação de matar outro, mesmo que compreenda a sua dor e o seu pedido. Se se chegasse a legalizar a eutanásia devíamos ter claras várias coisas importantes. A primeira, que o que é legal não só não é necessariamente bom, como não é necessariamente legítimo moralmente. A segunda, que os direitos de uns não podem forçar os de outros; além do direito de discordar, tem-se o direito a que se respeite, positivamente, a objecção de consciência. Por fim, cada um deveria ter o direito de ter a lista toda dos médicos «eutanasistas». Eu não recorreria a um médico que pudesse olhar para mim e pensasse «este já está a mais; não vai longe; a sua vida não é digna!» Aliás, nenhum parlamento tem direito a avaliar e legislar sobre a vida. Isto é a determinar que há vidas que se podem descartar ou que não são dignas; mesmo que se diga que é para respeitar a autonomia e a liberdade.

5) A «solução» da eutanásia, no estádio actual da medicina (do acompanhamento psicológico e espiritual, dos cuidados paliativos, das possibilidades de enquadramento social, etc.), seria uma saída completamente reaccionária e violenta. Sim, num estádio anterior de civilização, cultural e socialmente falando, talvez se pudesse entender os defensores da «boa morte» ou até os «abafadores». Mas, hoje, é difícil de aceitar o matar como um bom caminho. É claro que é preciso compreender a dor de quem acompanha a doença prolongada de uma pessoa querida sem ver saídas rápidas e eficazes. Mas os cuidados paliativos também atendem e apoiam o contexto familiar da pessoa em processo terminal, mais ou menos prolongado.

6) Há ainda um outro perigo ou tentação. A eutanásia pode dar dinheiro! Poupar nos gastos com velhinhos ou deficientes, ter mais facilmente espaço e camas para outros com mais possibilidades e mais ricos, poderia ser um razoável negócio, dentro de uma cultura de morte que elimine quem não é útil, quem não produz, ou quem é considerado um peso demasiado. Nessa cultura, seriam os próprios infelizes, pobres e feios a pedir a eutanásia, não encontrando lugar num «desejável mundo cosmeticamente limpinho». Os totalitarismos já fizeram essa experiência e não deu resultado. Como seria «O admirável mundo novo» dos «eutanasistas»?

7) Morte assistida! Todas as mortes devem ser acompanhadas com cuidado respeito e afecto: não assistidas como quem vê o espectáculo, mas como quem vive solidário esse momento tão importante de cada vida humana. Porquê trocar os nomes à realidade? Para enganar quem? Se estou a facilitar e dar condições para que alguém se suicide, não é suicídio assistido, é conivência e participação. Se estou a «eutanasiar» outra pessoa, ainda que com todo o jeito e preparação, estou a matá-la. Mesmo que tenha sido a seu pedido, não é assistência, é ser autor «responsável». Para quê branquear o acto de matar com o título de «morte assistida»? Se é preciso perceber o que se quer dizer com «mata-me!», também é preciso desmascarar o que se quer dizer com «dou assistência à tua morte!»

Como é possível que, num mundo cheio de mortes por ideologias fanáticas e doentes que pretendem um mundo limpo de infiéis, sem dignidade nem lugar, estejamos, nós, a discutir como matar para eliminar o sofrimento! Que atraso civilizacional!





quarta-feira, 13 de abril de 2016


General Pires Veloso – Democrata e Patriota

O Presidente da Câmara Municipal do Porto, o Comandante do Pessoal do Exército, a Comissão Promotora da Homenagem ao General Pires Veloso e a Âncora Editora têm o prazer de convidar V.Exa. para o lançamento do livro

General Pires Veloso – Democrata e Patriota


A obra será apresentada pelo Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues.
A sessão terá lugar no próximo dia 21 de Abril, pelas 18:30 horas,
no Salão Nobre do Quartel de Santo Ovídio, Praça da República, Porto.

Estacionamento gratuito no interior do Quartel, com entrada pelo Portão Norte, junto à Igreja da Lapa.





terça-feira, 12 de abril de 2016


Diálogo confuso com os muçulmanos


Robert Reilly

Em 2013 a Faith and Reason Institute (que detém o The Catholic Thing) publicou, juntamente com a Westminster Institute uma monografia que eu escrevi sobre as Perspectivas e Perigos do Diálogo Católico-Muçulmano. Neste texto examinei uma década e meia de esforços por parte das três conferências episcopais regionais de desenvolver este diálogo. Os resultados não eram encorajadores.

Quem não se mostrou minimamente preocupada foi a Conferência Episcopal dos EUA, que aumentou a parada e criou uma comissão de diálogo nacional. O que podemos esperar desta iniciativa? Mais confusão, temo dizer.

Há vários problemas. Tal como a maioria dos Americanos, os bispos sabem pouco ou nada sobre o Islão. Logo, não compreendem o contexto em que falam os seus interlocutores. O resultado é que partem do princípio que os seus parceiros de diálogo são apenas uma imagem espelhada deles mesmos. É um grande erro.

Um exemplo foi dado recentemente pelo bispo de San Diego, Robert W. McElroy, no Instituto de Justiça e Paz da Universidade Joan B. Kroc, em San Diego. O Catholic News Service fez manchete com «Bispo desafia católicos a combater ‘maré feia de preconceito anti-islâmico’». O bispo considera que os católicos devem erguer a voz contra as «distorções de ensinamentos e teologia muçulmana sobre a sociedade e o Estado».

Que distorções são essas? Aparentemente devemos ver com revolta as «repetidas falsidades» de que o Islão é inerentemente violento, que os muçulmanos procuram impor a Sharia no lugar da Constituição americana e de que a imigração muçulmana ameaça a «identidade cultural do povo americano».

O parceiro de diálogo do bispo McElroy nessa noite era Sayyid Syeed, líder da Sociedade Islâmica da América do Norte (ISNA), cujo nome já me era conhecido por ser uma presença regular no diálogo católico-muçulmano da minha região. Talvez o bispo não conhecesse a história do ISNA, que surgiu da Irmandade Muçulmana, a primeira organização no mundo a trabalhar pelo restabelecimento do califado e que se dedica à implementação da Sharia.

Mas não se fiem apenas em mim.

O Dr. Muzammil Siddiqi, ex-presidente do ISNA e participante frequente nas sessões de diálogo, disse o seguinte ao jornal «Pakistan Link»: «Não nos devemos esquecer que as leis de Allah devem ser estabelecidas em todas as terras, e que todos os nossos esforços devem conduzir-nos nessa direcção». Em 2001 escreveu «à medida que mais pessoas aceitam o Islão, insha’allah, isso levará à implementação da Sharia em todas as regiões».

Zuhdi Jasser, fundador do Forum Islâmico Americano para a Democracia adverte que, na convenção anual do ISNA em 1995, o orador principal, Imam Siraj Wahhaj, pediu a substituição da Constituição pelo Alcorão. Não admira que Jasser lamenta aquilo a que chama uma «relação infeliz entre a hierarquia católica e o ISNA». (Jasser, ao que parece, não seria um bom parceiro para este tipo de diálogo).

Embora reconheça a situação terrível que os cristãos enfrentam no Médio Oriente, o bispo McElroy louvou o respeito do Islão pelo que chama «os povos do Livro». Foi logo ecoado por Syeed que disse, de acordo com a CNS, que o primeiro milénio foi marcado por boas relações entre o Cristianismo e o Islão, mas que tudo isso mudou no milénio seguinte, que incluiu as cruzadas.

É uma perspectiva interessante da história.

Sayyid Syeed
No ano 650 os muçulmanos já dominavam Iraque, Síria, Líbano, Palestina e Egipto, tudo países cristãos até então, cujos habitantes passaram a ter o estatuto secundário de dhimmis. Passado menos de um século o Islão tinha-se espalhado para o Norte de África e Espanha – tudo isto no primeiro milénio das «relações positivas». Em nenhum destes casos a ocupação foi pacífica.

Sugiro aos bispos que coloquem nas suas listas de leitura o livro de Bat Ye’Or «O Declínio do Cristianismo Oriental sob o Islão: Da Jihad aos Dhimmis», para que possam falar com rigor sobre o respeito que o Islão revelava pelos «povos do livro» durante o primeiro milénio e posteriormente. Com base neste passado, será tão inadequado dizer que há algo «inerentemente violento» no Islão?

Syeed concluiu, dizendo que no segundo milénio «as duas fés dividiram o mundo em ‘a casa do Islão’ e ‘a casa do Cristianismo’». Na verdade essa divisão foi feita muito antes e pelo Islão, que criou a distinção entre dar al-islam e dar al-harb, com o mundo cristão a ser descrito como a «casa da Guerra».

Mas será que esta distinção seja antiquada? Por volta da mesma altura em que o bispo McElroy falava, num sermão de sexta-feira em Edmonton, Alberta, o imã Shaban Sherif Mady declarava: «Anseiam por isto, porque o profeta Maomé disse que Roma iria ser conquistada! E será conquistada. Constantinopla foi conquistada. Roma é o Vaticano, é o coração do Estado cristão».

Pergunto, então, quem é que está a entender mal o Islão, o Imã Siraj Wahhaj ou o bispo? (Nem falo em Syeed, porque ele saberia certamente que Maomé disse isto).

Por outras palavras o evento do Instituto de Paz de San Diego proporciona um microcosmo para tudo o que costuma correr mal com o diálogo católico-muçulmano quando este é conduzido pelas conferências episcopais. Nenhum dos muitos reformadores muçulmanos intelectuais com quem trabalhei ao longo dos anos foi alguma vez convidado para um encontro destes. Na maior parte, apenas as organizações muçulmanas se devem dar ao trabalho de se candidatar.

Isto ajuda a legitimar os clones da Irmandade Muçulmana e aliena as verdadeiras vozes de reforma muçulmana. Por outro lado, uma vez que acabam frequentemente por representar mal a substância, os diálogos acabam por espalhar equívocos sobre o Islão em vez de os ultrapassar.

Uma vez que os muçulmanos se estão nas tintas sobre o que os católicos dizem sobre o Islão, os únicos a quem este tipo de diálogo confunde são os próprios católicos. Sugiro, como lema para esta nova iniciativa de diálogo da USCCB, o dito de Bento XVI de que «a verdade torna possível o consenso» e, por consequência, a insensatez torna-a impossível.

De acordo com a reportagem da CNS da semana passada, o bispo McElroy disse que a revolta que domina o actual clima político é um sinal de alienação popular por as pessoas não sentirem que estão a ser ouvidas pelas elites. O bispo McElroy é uma das elites. Estará a ouvir?