quarta-feira, 21 de outubro de 2015


Cardeal Dolan fala em incluir

a nova minoria: os católicos fiéis


O cardeal Dolan, arcebispo de Nova Iorque, escreveu um texto no seu blog oficial, dirigido aos católicos Norte-Americanos, mas válido para os católicos de todo o mundo. É um texto que muito lhe agradecemos!


Incluir a nova minoria

Um tema muito refrescante e constante do sínodo tem sido a inclusão. A Igreja, a nossa família espiritual, recebe toda a gente, especialmente os que se possam sentir excluídos. Entre esses excluídos, tenho ouvido comentar entre os padres sinodais e outros, estão os solteiros, os que sentem atracção pelo mesmo sexo, os casados, os viúvos, os emigrantes, os que têm deficiências, os idosos, os sem-abrigo e as minorias raciais e étnicas. Na família da Igreja amamo-los, recebemo-los e precisamos deles.

Posso sugerir também que agora há uma nova minoria no mundo e até mesmo na Igreja? Estou a pensar naqueles que, apoiando-se na graça e misericórdia de Deus, lutam pela virtude e fidelidade: os casais que – dado o facto de que, pelo menos na América do Norte, só metade das pessoas recebem o sacramento do matrimónio – se aproximam da Igreja pelo sacramento; casais que, inspirados pelos ensinamentos da Igreja de que o casamento é para sempre, têm perseverado através de obstáculos; casais que aceitam muitos bebés como dons de Deus; um rapaz e uma rapariga que decidiram não viver juntos até se casarem; uma pessoa que sente atracção por pessoas do mesmo sexo e decide ser casta; um casal que decidiu que a mulher ia sacrificar uma carreira profissional promissora para ficar em casa e educar os seus filhos.

Estas pessoas maravilhosas sentem-se muitas vezes uma minoria, certamente na cultura de hoje, mas também às vezes na Igreja! Eu acredito que são muitos mais do que pensamos, mas, dada a pressão dos dias de hoje, muitas vezes sentem-se excluídos.

Onde é que eles recebem apoio e motivação? Da televisão? Das revistas ou jornais? Dos filmes? Da Broadway? Dos seus colegas? Esqueçam!

Eles olham para a Igreja, para nós, à procura de apoio e motivação, um sentido acolhedor de inclusão. Não os podemos desiludir!


in cardinaldolan.org






Sínodo

El arzobispo de Denver se pregunta

si el martirio de Santo Tomás Moro

y San Juan Fisher fue en vano



Mons. Samuel Joseph Aquila, arzobispo de Denver (EE.UU), ha escrito una carta en la que se pregunta, ante la intención de algunos cardenales y obispos de dar la comunión a los divorciados vueltos a casar, si la muerte de Santo Tomás Moro y San Juan Fisher, mártires por defender la verdad sobre el matrimonio, fue en vano. El prelado norteamericano rebate también la tesis de que la Iglesia en Alemania pueda ir por libre, al margen del resto de la Iglesia, en esta materia.


http://infocatolica.com/?t=noticia&cod=25121





quarta-feira, 14 de outubro de 2015


O marciano


Helena MatosObservador, 11 de Outubro de 2015

O mundo de Costa é o da CML. Esse mundo em que foi vencedor, em que foi engolindo adversários e em que tudo parecia à sua medida. Esse mundo em que os jornalistas eram amigáveis e a política simples.

António Costa não é deste mundo. Deste mundo do centro que resultou esmagadoramente maioritário das eleições de 4 de Outubro. Quando António Costa repete que só em caso de invasão de marcianos haverá um governo de Bloco Central não está a fazer uma piada cuja graça nos escapa, mas sim a lançar um grito do mais profundo da sua alma: o seu mundo, o mundo em que ele é capaz de agir e viver não é o da negociação ao centro. O mundo de Costa é o da CML. Esse mundo em que foi vencedor, em que foi engolindo os adversários e em que tudo parecia à sua medida. Esse mundo em que os jornalistas eram amigáveis e a politica simples. Costa, é bom lembrá-lo, tornou mediaticamente invisível José Sá Fernandes. Neutralizou Helena Roseta e, a cada manifestação de força do PCP, optava por contratar mais trabalhadores como sucedeu nos casos da recolha de lixos. Fora deste universo presidido por si Costa sente-se sem ar. Um marciano.

Basta olhar para o embaraço agastado com que saiu da reunião com PSD e CDS e para a desenvoltura sorridente que ostentou após os encontros com Jerónimo de Sousa e Heloísa Apolónia para percebermos onde e com quem Costa se sente à vontade. É ao negociar à esquerda que pisa o chão com segurança. Não porque esteja próximo do comunismo mas sim porque é aquele tipo de conversas e propostas que está preparado para ouvir e negociar. E sobretudo são aqueles protagonistas que acredita saber neutralizar. Engana-se mas essa é outra história. Mais precisamente a do futuro. Por agora o que não podemos esquecer é que as pessoas contam e no caso de Costa essa constatação leva a que se conclua que não é por ideologia mas sim por idiossincrasia que tenta transformar o governo de Portugal num remake da assembleia municipal de Lisboa.

Esta incapacidade de mudar de atmosfera de António Costa não teria problema de maior caso ele fosse o candidato presidencial do PS: numa candidatura à Presidência da República, Costa podia dar largas ao espírito de frente popular que fez da Presidência da República, até à chegada de Cavaco Silva, uma espécie de casa comum de Marx e da Maçonaria.

Mas acontece que António Costa não é o candidato presidencial do PS mas sim o líder socialista que se candidatou a primeiro-ministro pedindo uma maioria absoluta. E que perdeu. Agora procura manter-se na liderança do PS graças não aos apoios com que conta no PS mas sim através dos acordos que consiga estabelecer com o BE e PCP. O que daí resultará para o PS e para si mesmo não é difícil de augurar (peço encarecidamente que nessa data Costa nos poupe à lamúria do engano e da má fé: os radicais só enganam quem quer ser enganado).

Já no que respeita ao país o problema não está no euro nem na NATO nem no ressuscitar da Reforma Agrária reivindicados pelo PCP e pelo BE: todos esses slogans desempenham entre os radicais de esquerda o mesmo papel que os trajes das confrarias, sejam elas do vinho do Porto ou da alheira, no dia a dia dos respectivos confrades — ninguém pensa que aquela parafrenália doutros tempos tenha qualquer uso que não o das celebrações mas todos lhe reconhecem uma vertente identitária. A berraria contra o euro e os apelos à saída da NATO são as vestes rituais das grandes corporações políticas da democracia: o PCP, uma corporação que radica sobretudo nos privilégios dos sindicalistas, a que se juntou o BE que se sustenta no mundo universitário.

As corporações sabem bem que não podemos sair do euro e, para lá do folclore do costume, não vão opor-se à permanência na NATO. (As corporações dependem em absoluto da manutenção do status quo). O que lhes interessa é o Estado. Este vai necessariamente crescer para albergar as unidades de missão, as comissões, os institutos, os grupos de estudo, os observatórios, as empresas públicas, os centros… em que bloquistas e comunistas, reproduzindo a táctica usada pelo desaparecido MDP, potenciarão a influência dos respectivos partidos.

Pano de fundo indispensável a esta instalação no aparelho de Estado e ao seu crescente intervencionismo será a criação de um país dividido em progressistas e reaccionários. Causas fracturantes, multiplicação de incidentes (veja-se a despropositada reacção de Costa à leitura de um pivot errado por José Rodrigues dos Santos), fulanização de alvos e muita invenção de inimigos externos para explicar os fracassos internos irão marcar a actualidade. Acabaremos estafados, menos livres, ainda mais endividados e o PS, claro, com menos votos porque nos governos as alianças com os radicais só fazem ganhar votos aos radicais.

Pode Costa ainda arrepiar caminho e negociar ao centro? Pode. Mas não é isso que o faz feliz. E muito menos o que lhe pede o instinto.

PS. Não esqueci o meu compromisso de aqui ir dando conta do fabuloso mundo das revistas das autarquias e juntas de freguesia. Assim, após informação de um leitor atento cheguei à revista de Janeiro-Junho deste ano da Câmara de Santo Tirso. Aí o respectivo presidente aparece 31 vezes fotografado. Contudo 31 vezes em cem páginas é uma espécie de vitória relativa porque a presidente da Câmara Municipal da Amadora, que aqui referi a passada semana, aparece 23 vezes numa publicação de 44 páginas.





domingo, 11 de outubro de 2015


Suicídio colectivo da Europa


F.S.

A Europa é como um edifício cujas fundações têm vindo a ser minadas de forma sistemática e programática nas últimas décadas. A ideologia revolucionária que, de forma paciente, vem levando a cabo este trabalho não tem o apoio da maioria das populações mas avança praticamente sem oposição. Porquê?

A resposta de certo modo é simples: uma máquina de propaganda colossal que tem nos grandes media (televisões, música, cinema e imprensa) os seus veículos privilegiados e uma fórmula mágica para fazer avançar a sua agenda – o relativismo moral.

O relativismo moral corrói as bases morais de uma sociedade, a sua identidade e convicções, proporcionando condições favoráveis à revolução. Não é por acaso que «moral» significa tanto costumes e valores como força mental. Nenhuma civilização histórica se fundou sob a dúvida, a incerteza ou o cepticismo. Ninguém combate por coisa nenhuma. Quem não possua convicções e valores não tem força mental para suportar os desafios e até os sacrifícios que a vida apresenta e requer. Está sempre mais perto da desistência e do conformismo. O que é válido para um individuo é-o em maior grau para uma sociedade.

Nas nossas sociedades o radicalismo revolucionário dos anos 60 e 70 (tanto na Europa como nos Estados Unidos que fazem parte da mesma civilização Ocidental) não se impôs como norma moral porque existia ainda uma matriz conservadora forte. No entanto ele produziu o resultado desejado que era o de abalar os alicerces morais do Ocidente e questionar os seus valores, abrindo caminho ao relativismo moral.

73% dos franceses tem uma visão negativa na presença islâmica na Europa.
Na foto, oração colectiva de muçulmanos numa rua de Paris.

É também importante perceber que o relativismo moral não é o fim em si mesmo da mentalidade revolucionária. Ele é um meio para promover a «igualdade» dos valores mas o objectivo final é substituir os valores antigos pelos revolucionários. Só os ingénuos – e existem muitos, que se prestam ao papel de serem instrumentos da revolução – acreditam no relativismo moral. Um indivíduo teria que ser criado num laboratório esterilizado da vivência humana para poder ser moralmente asséptico, moralmente neutro.

O relativismo foi e continua a ser um instrumento que serve para tornar aceitáveis práticas aberrantes ou até moralmente hediondas como o aborto, introduzindo propositadamente a confusão e pervertendo a linguagem para criar um véu que oculta a realidade. O exemplo mais claro disso é o do aborto, uma morte espontânea ou forçada que os seus promotores apresentam como «direito das mulheres» ou até como parte dos «direitos reprodutivos das mulheres».

Na fase em que nos encontramos, o relativismo está em vias de ser ultrapassado e de dar lugar a um discurso abertamente anti-valores morais e religiosos (já dominante entre as elites «bem-pensantes», ou seja aquelas que têm acesso aos grandes media). Um exemplo claro disso é o que se passa com a homossexualidade. O objectivo é suprimir todo o discurso que não seja de apologia da homossexualidade e respectivas uniões, inclusivamente por via legislativa. Foi assim inventado o «crime» da «homofobia» que é tão simplesmente a instituição do delito de opinião. Os programas curriculares das escolas estão já a endoutrinar as crianças e em breve as Igrejas serão forçadas a ministrar o matrimónio a pessoas do mesmo sexo sob pena de ilegalização.

No entanto, está ainda por determinar qual será o ponto de chegada desta senda revolucionária porque o assalto aos valores europeus conhece nos nossos dias uma nova frente que é a da ameaça da religião de Maomé. Esta prescreve a conversão forçada ou exploração económica dos não-muçulmanos e a aplicação universal da sharia ou lei islâmica, que entre outras provisões estende as normas sobre blasfémia aos não-crentes em Maomé.

Ora o mais curioso e intrigante nos nossos dias é que a esquerda europeia e norte-americana, que tanto combate os valores da religião cristã, seja hoje a grande defensora do Islão. As grandes estrelas de Hollywood e as figuras mais progressistas da esquerda ocidental surgem hoje com um discurso de defesa do Islão bem preparado, ainda que assente em argumentos ingénuos ou dissimulados e factos enumerados de forma parcial e selectiva. A conclusão que desejam popularizar é a de que o problema não reside na religião mas na interpretação extremista da mesma. É de facto uma posição tanto mais desconcertante quanto hoje todos sabem o que se passa na Arábia Saudita, país fundador, guardião dos lugares santos e da doutrina do Islão, e no Irão, país bastião dos xiitas, assim como no Paquistão, país fundado para acolher os muçulmanos da Índia, ou tantos outros. Não se percebe pois onde existe esse Islão moderado que os apologistas proclamam.

Por outro lado, o Islão militante é bem visível e já chegou à Europa e aos Estados Unidos, com atentados, ameaças de morte e ataques impiedosos aos alegados blasfemos ou simples infiéis. Sob a pressão e ameaça do Islão militante, o Ocidente já aceitou a auto-censura, capitulando naquilo que alegadamente seria um valor sacrossanto das sociedades democráticas: a liberdade de expressão. A Europa capitula igualmente na sua soberania, ao abdicar do controlo das suas fronteiras.

Sendo impossível determinar quais as intenções finais da esquerda revolucionária, entre a qual as evidências nos forçam a incluir Angela Merkel e François Holande (que continuam a promover o fluxo descontrolado de muçulmanos para a Europa, ao mesmo tempo que permitem que os cristãos, «esquecidos e traídos»[1], sejam perseguidos e assassinados no Médio Oriente), nem por isso deixamos de ver com clareza as consequências da sua acção: a destruição da cultura e das bases morais da civilização Ocidental. A esquerda está objectivamente a destruir todos os valores tradicionais da Europa ao mesmo tempo que promove o expansionismo islâmico. As incongruências são óbvias mas as consequências são imprevisíveis.


[1] http://rr.sapo.pt/noticia/36406/diario_do_sinodo_8102015






Podem os ricos alcançar o reino dos céus?



PAPA BENTO XVI

ANGELUS

Praça de São Pedro
Domingo, 14 de Outubro de 2012

Amados irmãos e irmãs!

O Evangelho deste domingo (Mc 10, 17-39) tem como tema principal a riqueza. Jesus ensina que para um rico é muito difícil entrar no Reino de Deus, mas não impossível; de facto, Deus pode conquistar o coração de uma pessoa que possui muitos bens e levá-la à solidariedade e à partilha com quem está em necessidade, com os pobres, isto é, a entrar na lógica da doação. Deste modo ela põe-se no caminho de Jesus Cristo, o qual — como escreve o apóstolo Paulo — «sendo rico, fez-se pobre por vós, para que vos tornásseis ricos por meio da sua pobreza» (2 Cor 8, 9).

Como acontece com frequência nos Evangelhos, tudo se inspira num encontro: o de Jesus com um tal que «possuía muitos bens» (Mc 10, 22). Ele era uma pessoa que desde a sua juventude observava fielmente todos os mandamentos da Lei de Deus, mas ainda não tinha encontrado a verdadeira felicidade; e por isso pergunta a Jesus como fazer para «ter em herança a vida eterna» (v. 17). Por um lado ele sente-se atraído, como todos, pela plenitude da vida; por outro, estando habituado a contar com as suas riquezas, pensa que também a vida eterna se possa de alguma forma «comprar», talvez cumprindo um mandamento especial. Jesus capta o desejo profundo que há naquela pessoa, e — escreve o evangelista — fixa nele um olhar cheio de amor: o olhar de Deus (cf. v. 21). Mas Jesus compreende também qual é o ponto frágil daquele homem: precisamente o seu apego aos muitos bens que possui; e por isso propõe-lhe que dê tudo aos pobres, de modo que o seu tesouro — e por conseguinte o seu coração — já não esteja na terra, mas no céu, e acrescenta: «Vem e segue-Me!» (v. 22). Mas aquele homem, em vez de aceitar com alegria o convite de Jesus, vai-se embora entristecido (cf. v. 23), porque não consegue desapegar-se das suas riquezas, que nunca lhe poderão dar a felicidade e a vida eterna.

E a este ponto Jesus dá aos discípulos — e também a nós hoje — o seu ensinamento: «Como é difícil, para aqueles que possuem riquezas, entrar no reino de Deus!» (v. 23). Ouvindo estas palavras, os discípulos ficaram desapontados; e ainda mais quando Jesus acrescentou: «É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus». Mas, vendo-os admirados, disse: «Aos homens é impossível, mas a Deus não; pois a Deus tudo é possível» (cf. vv. 24-27). Assim comenta São Clemente de Alexandria: «A parábola ensina aos ricos que não devem descuidar a sua salvação como se fossem já condenados, nem devem abandonar a riqueza nem condená-la como insidiosa e hostil à vida, mas devem aprender de que modo usar a riqueza e conquistar a vida» (Os ricos poderão salvar-se?, 27, 1-2). A história da Igreja está cheia de exemplos de pessoas ricas, que usaram os próprios bens de modo evangélico, alcançando também a santidade. Pensemos apenas em São Francisco, em Santa Isabel da Hungria ou em São Carlos Borromeu. A Virgem Maria, Sede da Sabedoria, nos ajude a acolher com alegria o convite de Jesus, para entrar na plenitude da vida.





sexta-feira, 2 de outubro de 2015


«Refugiados»

Conselho Europeu: qual o preço da verdade?


Mário David, Vice-presidente do Partido Popular Europeu

Quem não se sente incomodado e solidário com as imagens de sofrimento que quotidianamente entram nas nossas casas relativas ao fluxo de migrantes que invade a Europa? Mas que podemos fazer?

O Conselho Europeu desta semana, infelizmente, voltou a ser apenas politicamente correcto! E, por essa razão, a desiludir os cidadãos europeus, excepção feita aos populistas e demagogos de esquerda e de direita!

A principal crítica é que o Conselho nos ocultou a verdadeira dimensão do problema. Na véspera os ministros do Interior anunciaram com fanfarra que tinham «resolvido» a distribuição de 120 mil refugiados na UE.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados falava em «apenas» 500 mil, um por cento da população comunitária, que a nossa crise demográfica «facilmente» absorveria.

O que foi dito em Bruxelas e continua sem ser divulgado e enfrentado é que se esperam, nos próximos 6 meses, 4 milhões! Só falando de refugiados sírios já deslocados nos países vizinhos.

As mensagens que partem da Europa para familiares e amigos e que são interceptadas são extremamente simples: «venham, eles aceitam todos»!

Sabe-se que na Síria há mais de 8 milhões de deslocados. Não estamos a falar da Líbia, Iémen, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Nigéria, Eritreia, Somália, Mali, etc, etc… É certo que em países como a Jordânia metade da população são refugiados, se adicionarmos os palestinianos e os sírios. No Líbano, nos ensinos primário e secundário, já há mais alunos sírios que libaneses.Mas é assim que vamos querer viver?

Os Serviços de Informações europeus já tinham notado no início da Primavera uma mudança de atitude nos campos de refugiados, a que não será alheia uma instigação turca e russa.

As autoridades egípcias, quando solicitadas a semana passada a aumentar em troca de substancial ajuda financeira o contingente de cerca de 150 mil sírios que já albergam,responderam ter antes 10 milhões de emigrantes económicos egípcios desejosos de atravessar o Mediterrâneo.

A Polónia está a receber 1 milhão de ucranianos por ano. Os deslocados da guerra na Ucrânia já são outros 4 milhões.

Segundo a ONU, no mundo há 60 milhões de refugiados: 20 milhões estão na nossa vizinhança próxima.

África tem agora 1 bilião de pessoas, e o número vai duplicar até 2050. Mais 1 bilião! Para bom entendedor… 35 anos voam num ápice! Mas nem é preciso esperar tanto: o que agora é difícil de gerir, dentro de 6 meses será impossível!

A História ensina-nos a nunca desperdiçar uma crise para perspectivar o futuro e fazer as necessárias reformas. O Conselho Europeu não o fez!

Preferiu minorar as consequências em vez de enfrentar as causas.

Atiram-se mais de 1 bilião de euros para cima do problema, não que a assistência humanitária não seja também imprescindível. Mas reformas, nada! Não há uma linha sobre uma proposta de uma ambiciosa refundação de Schengen, em que:
  • a FRONTEX deixe de ser uma simples Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas mas seja uma verdadeira força de segurança europeia;
  • a liberdade de circulação seja um privilégio dos cidadãos comunitários, e em que haja a coragem de estabelecer mecanismos de controlo para cidadãos não comunitários;
  • os vistos Schengen sejam atribuídos nas representações diplomáticas da UE, com um procedimento uniforme, e não nas embaixadas dos Estados Membros;
  • a União adopte uma política de asilo e migração comum;
  • as condições de acolhimento e segurança social dada aos refugiados seja idêntica nos 28 Estados Membros, para que estes não «escolham» por razões puramente económicas onde se querem instalar;
  • seja criado um grupo Schengen permanente, à semelhança do Euro Grupo;
  • a protecção das fronteiras externas seja algo de sagrado e universalmente respeitado: sejam os postos fronteiriços, sejam os milhares de quilómetros de «fronteiras verdes».

E depois há a LEI. Que também os refugiados têm que cumprir.

A começar por aquela que foi feita expressamente para os proteger: a Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados, conhecida por Convenção de Genebra de 1951, cujos limites geográficos e temporais foram alargados pelo Protocolo de 1967, subscrito por 146 países. Mesmo alongando este texto, é fundamental recordar o número 1 do artigo 31: «Os Estados Contratantes não aplicarão sanções penais, devido a entrada ou estada irregulares, aos refugiados que, chegando directamente do território onde a sua vida ou liberdade estavam ameaçadas, entrem ou se encontrem nos seus territórios sem autorização, desde que se apresentem sem demora às autoridades e lhes exponham razões consideradas válidas para a sua entrada ou presença irregulares».

A expressão «chegando directamente» impõe que no primeiro Estado a que chegam, e que seja um Estado considerado «seguro» pela comunidade internacional, o refugiado se apresente e se faça recensear como tal, indicando qual o país para onde se quer deslocar e aguardando a competente autorização.

Ora o primeiro país onde estes refugiados transitam (e só nos referimos aos sírios, não às dezenas de milhar de outros refugiados económicos que vêm «à boleia») é a Turquia. A Turquia, membro da OTAN e candidato à União Europeia, não é um país «seguro»? Nem a Grécia? Nem a Macedónia, a Sérvia, a Bulgária, a Croácia? Porque nenhum deles exerceu as responsabilidades assumidas ao subscrever a Convenção? E destes, a Grécia, país do espaço Schengen, porque não cumpriu também a Convenção de Dublin? Claro que estamos habituados à permissividade grega, agora «abençoada» pelo facilitismo sirizista!

Assiste assim a qualquer Estado, à luz da Lei Internacional, devolver ao Estado vizinho de onde entrou, qualquer refugiado que não tenha cumprido essa regra. Por isso, para não «premiar» incumprimentos nem aventuras, alguns Estados Membros já manifestaram a intenção de acolher apenas refugiados que se encontram registados nos países limítrofes da Síria, e não os participantes nesta «invasão».

O tema é demasiado sério, o drama humano assume proporções inaceitáveis, mas a realidade e a dimensão que pode assumir obrigam a uma atitude humanitária mas bem ponderada e proporcional às nossas capacidades.

É preciso resolver a guerra na Síria; a questão do Daesh é neste momento o maior factor de terrorismo, fanatismo e intolerância no mundo; ir às causas deste êxodo incluindo os problemas dos refugiados económicos e dos refugiados ambientais.

Mas a questão coloca também problemas políticos graves a curto prazo para as nossas sociedades.Não nos referimos a valores culturais, religiosos, civilizacionais ou securitários, embora pudéssemos desenvolve-los todos. Manter o laxismo que a esquerda propõe neste caso, amplificado por uma comunicação social que joga com as nossas emoções, está a alimentar um crescimento galopante dos Partidos xenófobos de esquerda e de direita, que ameaçam minar a nossa democracia.

Do Conselho Europeu os cidadãos comunitários esperavam mais responsabilidade, mais transparência!

O assumir de responsabilidades implica reconhecer que, mesmo com toda a boa vontade, infelizmente a Europa não pode receber todos os que o desejam!





quarta-feira, 30 de setembro de 2015


Os temas fracturantes e o PS (1)


Vasco MinaCorta-fitas, 21.09.2015

Ao contrário do que acontece com a Segurança Social (que desconhece por completo o que significam as suas propostas), aqui o líder do PS é bem claro quanto às suas intenções. António Costa declarou que «Reabriremos a legislatura revogando de imediato a legislação que aprovaram» sobre as alterações às regras da interrupção voluntária da gravidez e que resultaram de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) e que recolheu o apoio de cerca de 50 000 cidadãos. Que medidas foram então aprovadas no âmbito desta legislação e que António Costa quer revogar:

a) A mulher em risco de aborto terá sempre apoio psicológico;

b) A mulher em risco de aborto terá sempre apoio social;

c) A mulher no âmbito do processo de IVG terá obrigatoriamente uma consulta de Planeamento Familiar;

d) Nos locais próprios (Hospitais, Conservatórias, Centros de Saúde) será disponibilizada informação sobre o valor da vida, da maternidade e da infância;

e) Na consulta prévia ao processo de IVG será também fornecida informação de Apoio à Vida e à gravidez;

f) No aconselhamento à grávida participarão não só organismos públicos como também IPSS;

g) dignificação dos médicos e enfermeiros objetores de consciência e no reconhecimento da sua não discriminação;

h) introdução de taxas moderadoras.

São estas medidas que António Costa quer revogar e por isso quem concorde tem apenas de votar PS


Os temas fracturantes e o PS (2)

Vasco Mina, Corta-fitas, 27.09.2015

Os temas fracturantes são exactamente o que querem significar: questões que dividem as opiniões, fracturando a sociedade em duas ou mais partes. Muitas vezes (para não dizer sempre) são acompanhados de abordagens ideológicas da sociedade o que os torna ainda mais fracturantes e com uma elevada carga emocional. Deveriam ser amplamente debatidos e, para alguns deles, colocar à decisão dos portugueses, ou seja, recorrendo ao referendo. Não é esta a opção do PS pois no seu programa eleitoral toma (e destaco a frontalidade) a opção da defesa de soluções sem qualquer debate prévio. Ou seja, o PS assume o compromisso de:

1) Eliminar a discriminação no acesso à adopção e no apadrinhamento civil por casais do mesmo sexo.

Ou seja, o pleno acesso ao regime de adopção por parte de casais homossexuais. Retomando a argumentação do recente debate em torno de legislação apresentada na AR sobre a co-adopção, sou dos que defende o direito da criança (que deverá prevalecer sobre o direito de um casal homossexual) a ter um pai e uma mãe. São vários os estudos que apontam neste sentido e muitos os psicólogos e técnicos que acompanham crianças desprotegidas que igualmente defendem esta posição. Reconheço e respeito a argumentação dos casais homossexuais mas dela discordo. Saliento que muito recentemente foi publicada legislação (ver artigo de Teresa Anjinho publicado no Expresso de 19 de Setembro) que é, de alguma forma, uma reforma estrutural no que à criança diz respeito: adopção, protecção das crianças e jovens em perigo e regime tutelar cível. São três leis fundamentais que careciam de revisão e que agora foram reformadas e tendo presente os principais destinatários: as crianças institucionalizadas. Ora o PS em nada se refere à necessidade da reforma agora traduzida na legislação e coloca em situação de paridade casais homossexuais com casais heterossexuais. Ora em Dezembro do ano passado (e segundo o mesmo artigo já citado) encontravam-se cerca de 400 crianças em condições de adoptabilidade e cerca de 1 800 candidatos em lista de espera para adoptar. Para o PS os casais homossexuais não deverão ser descriminados nos processos de adopção, ou seja, terão igual prioridade à dos casais heterossexuais. O que não concordo e por isso sou contra esta proposta eleitoral socialista.

2) Eliminar as restrições de acesso, que ainda subsistem na lei, às técnicas de procriação medicamente assistida por casais do mesmo sexo e por mulheres solteiras.

Faz sentido apoiar e dar condições de acesso às técnicas de PMA (procriação medicamente assistida) aos que por opção própria escolheram vidas familiares que, por natureza, são não reprodutivas? Em minha opinião não faz e por isso deverão votar PS os que defendem esta solução.

3) Melhorar o regime da identidade de género, nomeadamente no que concerne a necessidade de previsão do reconhecimento civil das pessoas intersexo.

Segundo os defensores deste conceito «A natureza não decide onde a categoria «masculina» termina e a categoria «intersexo» começa ou onde a categoria «intersexo» termina e a categoria «feminina» começa. Os seres humanos é que decidem.» Sem comentários! Os que defendem o reconhecimento civil  deste novo registo deverão votar PS.






A verdade do islamismo e das cruzadas




VER VÍDEO: https://www.youtube.com/watch?v=I_To-cV94Bo&feature=youtu.be






3 teólogos apoiados por cardeais e bispos

arrasam documento base

do sínodo (Instrumentum Laboris)


«Inacceptable». Le document de base du synode
«compromet la vérité»

À la veille de la réunion du synode, trois théologiens, soutenus par des cardinaux et des évêques, critiquent et rejettent «l'Instrumentum laboris». Voici le texte intégral de leur acte d'accusation

http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351141?fr=y

«Unacceptable.» The Base Document of the Synod
«Compromises the Truth»

On the verge of the synod, three theologians with the support of cardinals and bishops critique and reject the «Instrumentum Laboris.» Here is the complete text of their charges of accusation

http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351141?eng=y

«Inaccettabile». Il documento base del sinodo
«compromette la verità»

Alla vigilia dell'assise, tre teologi con il sostegno di cardinali e vescovi criticano e rigettano «l'Instrumentum laboris». Ecco il testo integrale del loro atto d'accusa

http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351141

«Inaceptable». El documento base del sínodo
«compromete la verdad»

En la vigilia de la asamblea, tres teólogos con el apoyo de cardenales y obispos critican y rechazan el «Instrumentum laboris». A continuación el texto íntegro de su acusación

http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1351141?sp=y 





segunda-feira, 21 de setembro de 2015


625 mil católicos pedem a Bergoglio

para pôr fim à confusão moral no sínodo



Ler o abaixo-assinado já assinado por 625 mil católicos,

8 cardeais e 170 bispos de 160 países.

https://www.lifesitenews.com/news/625000-catholics-ask-pope-to-dispel-moral-confusion-at-synod






«Homossexualidade» no sínodo.

Sim ou não?


Nuno Serras Pereira, 20 de Setembro de 2015

Não saberei dizer se os meus leitores estarão recordados dos meus textos repudiando a introdução da «homossexualidade» no sínodo sobre a família.

As razões eram são várias. A primeira, é porque os «homossexuais» não existem; como aliás também não há «heterossexuais». Estes dois termos foram introduzidos nos finais do século XIX, por psicólogos, e vulgarizaram-se nos anos 30 do século XX. Os termos não se referiam a nenhuma identidade da pessoa mas sim, os dois, a comportamentos considerados patológicos. O primeiro porque procurava na luxúria um somente o prazer sem possibilidade alguma de reprodução e o segundo porque procurava o mesmo deleite, que poderia gerar uma nova vida, fazendo o que lhe era possível para não procriar. Basta lembrar que Freud considerava uma perversão sexual o exercício genital que comportasse a exclusão propositada da procriação. Estes termos não se referiam pois a qualquer identidade ou orientação mas sim a comportamentos patológicos. De facto só existem homens e mulheres, alguns dos quais, uma minoria que anda pelos 2% da população, sentem atracção por pessoas do mesmo sexo tendo com elas comportamentos lascívos.

Sabemos, já a isso me referi em outros textos, como estes termos são apropriados e manipulados por gentes com interesses monetários e ideológicos para conseguirem os seus objectivos inconfessados. Isto que aqui digo não é nenhuma «teoria da conspiração» mas está larguissimamente documentada.

A corrupção ideológico-sexual penetrou profundamente não só a política – os poderes legislativo, executivo e judicial –, mas também a comunicação social, o ensino e a Igreja católica.

Quem tiver presente os acontecimentos do sínodo de 2014 lembrar-se-á, com grande susto, do relevo que foi dado a este tema, na relação intermédia, quando houve um único bispo, dos quase trezentos que compunham a assembleia, que nele falou. Aliás, muita gente não percebe, como é que no texto final constam os números que a isso se referem uma vez que não foram aprovados pela maioria de dois terços requerida pela legislação sinodal. Para agravar a situação, continua a constar do Instrumento de Trabalho para o próximo sínodo, também sobre a família, com início a 4 de Outubro.

Para quem tenha acompanhado as declarações de vários teólogos, bispos, cardeais e conferências episcopais é claríssima a tentativa obstinada de mudar a Doutrina da Igreja sobre o assunto.

Também não é possível deixar de estranhar que tantos outros assuntos, e bem mais vastos, com que a família se defronta tenham sido até agora pura e simplesmente ignorados ou desleixados. E como compreender que o Santo Padre nomeie para o sínodo bispos e teólogos que se opõem declarada e explicitamente à Revelação e ao Magistério da Igreja?

Sabereis que Bento XVI, antes de resignar, tinha disposto que o próximo sínodo fosse sobre Antropologia e Bioética. Assuntos estes que de facto são os mais urgentes e importantes nos dias que correm, entre outras coisas porque deles depende em grandíssima parte o futuro da família, assim o alertou, entre outros, o cardeal Ângelo Scola – basta pensar nos problemas, por exemplo, que trazem consigo os vários tipos de reprodução artificial: de reduzir a pessoa a produto ou mercadoria, de identidade genética, de filiação, de paternidade e maternidade, de parentesco, etc. Sobre esta, a família, pela Graça de Deus, ao longo destes últimos 30 anos existe um riquíssimo Magistério, quer Papal quer Episcopal, para além de uma sobreabundante quantidade de estudos, testemunhos, teologias, práticas pastorais, etc., que ao que parece querem deitar ao lixo... Até parece uma vingança de jesuítas contra o Papa S. João Paulo II que teve de começar a meter na ordem um punhado deles que tinha tomado as rédeas da Companhia de Jesus. Dizer tudo doutrinalmente muito certo mas interpretá-lo de maneira que se contradiz o que o Magistério ensina ou advogar e promulgar disciplinas ou legislação que contradiz a Doutrina que verdadeira poderá ser, se alguns o acharem, muito jesuítico, mas católico não o é seguramente.

O grande problema, nos dias que correm, não é o de acolhimento nas comunidades cristãs daqueles que se intitulam ou são designados como homossexuais. Eles já estão por todo o lado: cardeais, bispos, padres, catequistas, acólitos, sacristões, professores de Teologia, superiores e membros de ordens religiosas (há realidades destas prenhes dos ditos cujos), etc. Não só são acolhidos como em grande parte dominam vastos sectores eclesiais e, muitos deles, minam, combatem e pervertem a Verdade e tantas vezes os próprios cristãos, particularmente os jovens.

Nem se invoque uma pretensa dificuldade em concertar a condenação dos actos depravados com o respeito e o amor pela pessoa, tanto mais que isso não diz respeito somente a este tipo de pecados mas a tantos outros. Acresce que existe e deve continuar a existir uma diferença entre a pregação geral contra o mal e o acolhimento na confissão, ou mesmo tão só na conversação, pessoal.

Por mais que possa pasmar os nossos contemporâneos a Misericórdia não nasceu com os jesuítas, nem com Kasper, nem com o Papa Francisco. Foi e será sempre uma constante na Igreja, embora a palavra não fosse tão repetida e distorcida como o é nos dias de hoje. Talvez a razão esteja em que o próprio Cristo não diz «Eu Sou a Misericórdia» mas sim «Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida», pois sem isto a Misericórdia só poderá ser uma palavra falsificada que desvia a humanidade da Pessoa e da Redenção de Jesus Cristo.

Mas se o sínodo se quer ocupar do assunto então faça-o como deve ser. Para isso poderá recorrer à abundantíssima literatura, e especialistas, de confiança que serão preciosos para ajudar a remediar a bagunça que se tem vivido. Sendo que o mais recente que conheço é o seguinte: Living the Truth in Love: Pastoral Approaches to Same Sex Attraction Paperback – August 30, 2015 by Janet E. Smith (Author, Editor), Fr. Paul Check (Author, Editor).

À Honra e Glória de Cristo. Ámen.





domingo, 20 de setembro de 2015


O Ocidente anda a dormir


Heduíno Gomes

O imperialismo grão-russo avançou na Ucrânia com os argumentos próprios de qualquer imperialismo.  Com os mesmos argumentos, ameaça todos os vizinhos. Em nome da luta contra o ISIS, avança na Síria. Amanhã, em nome da chuva em qualquer lado ou de um sismo na Nova Zelândia, avançará onde o deixarem.E o Ocidente, atado por uma presidência americana irresponsável e por políticos medíocres  e capitulacionistas da União Europeia, continua a ceder terreno.

E o Ocidente, atado por uma presidência americana irresponsável e por políticos medíocres e capitulacionistas da União Europeia, continua a ceder terreno.

Entretanto, os saudosistas dos sovietes continuam a apoiar a «pátria do socialismo».

Entretanto, a extrema-direita, fã da violência e do primarismo anti-ocidental, transforma Putin em herói.

Entretanto, alguma direita cega, nomeadamente monárquica, iludida com alguns aspectos folclóricos como são as alusões ao czarismo, também apoia Putin, preocupando-se mais com pompas e brasões do que com o bem comum dos russos e respeito pelos seus vizinhos.

Entretanto, alguns católicos deixam-se entusiasmar com algumas posições morais de Putin, esquecendo — diga-se que com toda a incoerência — a sua imoralidade global, nomeadamente o belicismo, o terror sanguinário, a cleptomania ou a solução do seu povo em vodka.

Perante esta ameaça, como deve proceder o Ocidente?

Os Estados Unidos precisam de outro Reagan.

A Europa precisa ainda mais.






quinta-feira, 17 de setembro de 2015


Kim Davis saiu da prisão

mas continua a não celebrar

casamentos gay


Alexandre Martins, Público, 15 de Setembro de 2015

Funcionária judicial de um condado norte-americano recusa-se a autorizar casamentos entre pessoas do mesmo género, desafiando a decisão do Supremo Tribunal dos EUA


A funcionária quer ser uma excepção por causa das suas crenças religiosas

A nova heroína dos mais conservadores dos conservadores norte-americanos regressou esta semana ao trabalho, depois de ter passado quatro dias na prisão por se ter recusado a pôr a sua assinatura nos papéis de casamentos entre pessoas do mesmo género. Kim Davis, uma funcionária judicial do estado do Kentucky, garante que vai continuar a desobedecer à decisão do Supremo Tribunal dos EUA, mas diz que não vai impedir os seus adjuntos de validarem os casamentos – ainda que tenha levantado outro problema para os tribunais resolverem nos próximos tempos.

Davis, de 44 anos, regressou na segunda-feira ao seu gabinete no tribunal do condado de Rowan, no estado do Kentucky, onde é a principal responsável pela validação de vários actos públicos – de casamentos a licenças de veículos automóveis, passando pela organização das listas eleitorais. Foi eleita para essa função no ano passado e assumiu o cargo em Janeiro deste ano, ao fim de duas décadas como braço direito da antiga responsável – a sua mãe.

Mal chegou ao tribunal depois de quatro dias na cadeia e de uma semana de descanso, leu uma declaração perante jornalistas e manifestantes a favor e contra o casamento gay, que se acotovelavam à porta do tribunal do condado de Rowan: «Amo os meus adjuntos e odeio o facto de eles terem sido apanhados no meio disto. Se algum deles sentir que deve emitir uma licença não autorizada, não farei nada contra eles.»

No tribunal onde manda Kim Davis só há um funcionário que tem obedecido ao Supremo, que em finais de Junho legalizou o casamento gay em todos os estados do país. Chama-se Brian Mason, e no mesmo dia em que Davis regressou ao trabalho, pôs a sua assinatura nos papéis que selaram o casamento entre Shannon e Carmen, duas mulheres que mantêm uma relação há 23 anos.

Enquanto o casal recebia os papéis das mãos do funcionário, perante as câmaras de televisão, os aplausos dos amigos e os assobios dos que se opõem ao casamento gay, Kim Davis estava fechada no seu gabinete, com as cortinas corridas.

O único problema é que o documento entregue por Brian Mason a Shannon e Carmen não tem a assinatura de Kim Davis, que é a principal responsável pelo tribunal do condado. Para contornar essa questão, as autoridades do Kentucky alteraram o texto, retirando o nome de Davis e sublinhando que o casamento é válido em cumprimento de uma ordem judicial federal.

Mas, como Davis fez questão de frisar na sua declaração, esse remendo federal pode estar longe de ser uma solução pacífica: «Qualquer licença sem autorização que eles emitam não terá o meu nome, o meu título nem a minha autoridade.»

E reforçou o seu apelo a que lhe seja concedido um estatuto de excepção, devido às suas crenças religiosas: «Será que o nosso Estado não é suficientemente grande, compassivo e tolerante para encontrar uma forma de acomodar as minhas profundas convicções religiosas?»

Até agora, todos os tribunais a que Davis recorreu têm respondido de forma inequívoca a essa pergunta com um rotundo «não».

No dia 3 de Setembro, o juiz do Kentucky David Bunning, filho de um antigo senador do Partido Republicano e nomeado para o cargo pelo ex-Presidente George W. Bush, deixou bem claro que Kim Davis só tem duas opções: ou cumpre a ordem do tribunal, ou terá de procurar outro emprego.

«A nossa forma de governo não sobreviverá a não ser que nós, como sociedade, concordemos em respeitar as decisões do Supremo Tribunal dos EUA, independentemente das nossas opiniões pessoais. Não há dúvidas de que Davis é livre para discordar da opinião do tribunal, tal como muitos outros americanos discordarão, mas isso não a isenta de cumpri-la. Admitir o contrário equivaleria a estabelecer um precedente perigoso.»

Antes da decisão do juiz Bunning, já o tribunal de recurso do Sexto Circuito tinha dito a Kim Davis que uma coisa é a sua crença, outra coisa é a sua responsabilidade enquanto representante do governo: «Não é defensável que o titular do cargo no condado de Rowan, independentemente da pessoa que o ocupa, possa negar-se a agir em conformidade com a Constituição dos Estados Unidos.»

O caso de Kim Davis tem sido aproveitado por alguns candidatos à nomeação pelo Partido Republicano na corrida à presidência dos EUA, mas as sondagens nacionais indicam que uma larga maioria da população concorda com as decisões dos tribunais. Segundo a sondagem mais recente, do jornal Washington Post e da estação ABC, 63% dos inquiridos consideram que Davis deve assinar as autorizações apesar das suas crenças religiosas; outros 16% concordam, mas dizem que a funcionária não deve ser presa por se opor ao Supremo.

A mesma sondagem indica também que o caso de Kim Davis pode não ser suficiente para relançar o debate sobre o casamento gay nos EUA, apesar da visibilidade mediática e do apoio manifestado por alguns dos candidatos Republicanos, como Mike Huckabee e Ted Cruz.

Para além da natural oposição entre os eleitores do Partido Democrata, a sondagem do Washington Post e da ABC revela um indicador curioso: a maioria dos Republicanos que apoiam a funcionária do tribunal do condado de Rowan dizem que vão votar em Donald Trump, um candidato que se pôs ao lado da decisão do Supremo Tribunal.

«Este não era o emprego certo para ela, porque temos uma decisão do Supremo Tribunal e há leis neste país. Temos de cumprir o que o Supremo Tribunal decide, independentemente de concordarmos ou não com essa decisão», disse Trump numa entrevista ao apresentador da Fox Bill O'Reilly.





domingo, 13 de setembro de 2015