sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
O estado de graça é isto
João Miguel Tavares,
Público, 1 de Dezembro de 2015
Há quem diga que António Costa não vai ter direito a estado de graça.
Discordo. Ele já está em estado de graça. Pelo país inteiro, celebra-se a
libertação do jugo passista como os franceses festejaram a libertação de Paris.
Um novo David, munido de poucos votos mas muita pontaria, conseguiu derrubar o
malvado Golias, que oprimia os pobres e desvalidos através da terrível
austeridade. Basta olhar para a felicidade estampada nos textos de tanta gente:
foi melhor assim do que se o PS tivesse ganho as eleições. Mais inesperado.
Mais cruel. E, por isso mesmo, mais justo.
Para encontrarmos bons exemplos desse estado de
graça basta ler o PÚBLICO dos últimos dias. José Pacheco Pereira, que tanto aprecia
anunciar ao mundo a sua frígida lucidez, desta vez escreveu uma crónica onde
todos os parágrafos padecem de acne juvenil, só pelo prazer de poder gritar:
«Acabou!!!!». E reparem que não é um «acabou!!!!» qualquer. É um «acabou!!!!»
nascido de dezenas de conversas com o povo oprimido da Marmeleira. Um
«acabou!!!!» afinado com a luta antifascista. Escreve ele: «um alto e sonoro
‘acabou’ como antes do 25 de Abril se chegava ao ‘às armas’ da Portuguesa e de
repente toda a gente gritava a plenos pulmões». O estado de graça é isto.
Rui Tavares,
no seu texto de ontem, preferiu valorizar uma questão simbólica: «Não foram
mencionados os títulos académicos dos novos ministros e secretários de Estado
durante a tomada de posse do novo Governo. A ser verdade, é uma revolução.»
Note-se que ele não faz a coisa por menos. «Uma revolução». Deixar de tratar
Augusto Santos Silva por «professor doutor» é «uma revolução». Eu cá trocava
alegremente a permanência de «professor doutor» pela impermanência de Augusto
Santos Silva. Assim de repente, parecer-me-ia coisa muitíssimo mais
revolucionária. Mas isso deve ser porque sou de direita. O imenso povo de
esquerda, que nunca precisou de muito para se entusiasmar, acredita que a
abolição dos títulos académicos é apenas o primeiro passo para a abolição de
todas as desigualdades. O estado de graça é isto.
Também no dia de ontem, num texto intitulado «A
estratégia de um governo que quer ir além da política de rendimentos», Paulo Pena explica as razões do
«incomum afastamento do ministro das Finanças, Mário Centeno, do ‘pódio’ da
hierarquia governamental». A tese, acompanhando os discursos de António Costa,
é a de que as questões financeiras são agora assumidas como «instrumentais», e
não «estratégicas», e de que esta nova «visão» é aquela que irá ser vendida na
Europa, certamente para grande espanto dos burocratas de Bruxelas, que nunca
ouviram falar em tal coisa. De facto, só um génio se lembraria de que o grande
problema português não está na dívida mas na falta de competitividade da
economia. Estou certo que mal acabe de explicar isto a Wolfgang Schäuble,
António Costa, expelindo sonoros ulos de «eureka!!!!», irá provar ao mundo que
é mais fácil empurrar um cilindro do que um paralelepípedo.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Terrorismo ético
Pe. Vasco Pinto de Magalhães,
22 de Novembro de 2015
Deputados da Assembleia
da República atacam vidas, vidas inocentes, o bom-senso e a
justiça em nome de direitos que não existem.
Na sexta-feira passada, de rajada, foram aprovadas
três leis contra a vida: a facilitação
do aborto sem taxas moderadoras,a adopção de crianças por homossexuais e as barrigas de aluguer. Com a promessa de
continuar o ataque.
O facto é grave por si mesmo, e é oportunista pelo
aproveitamento do momento de indefinição política existente.
É grave. Mas toda gente sabe que, muitas vezes,
«legal» não quer dizer «bom», nem «verdadeiro», nem «justo», mas apenas que há
força para levar por diante determinada imposição. Legal não é igual a
legítimo. E também toda a gente sabe que uma maioria, só por ser maioria, não
tem razão: tem força, e, por vezes, força bruta.
Será que os deputados estão ao serviço do povo e do
seu maior bem? Ou ao serviço de uma ideologia qualquer a impor ao povo? Será
que ignoram, a ILC (Iniciativa Legislativa de Cidadãos) pelo Direito de Nascer,
que foi aprovada em Setembro passado, apoiada por 50 mil subscritores? Ou acham
que podem passar por cima dela, arrasando-a?
Este ataque é à vida e à ética da vida. O que se
legalizou, agora, é contra a vida e contra a justiça. O abortar, que não trata
nenhuma doença (!) (alguém duvida que elimina uma vida autónoma e pessoal?),
passa à frente do tratamento dos doentes porque ultrapassa os outros devido aos
prazos e passa a ser estimulado: executa-se sem consentimento informado e
aparece como um «serviço» gratuito, que os outros (nós!) hão-de pagar.
Terrorismo contra a mãe (que não é ajudada a responsabilizar-se), contra a
criança, contra a natalidade e contra a consciência e missão dos médicos
(encorajando-os a um acto não médico).
A barriga de aluguer é também contra a vida e a
dignidade da mulher, ao fazer dela, sob a capa de alguém que presta «um
serviço», uma incubadora impessoal. É uma instrumentalização, uma
«coisificação», da pessoa humana, que corta violentamente a relação íntima
gerada ao longo dos meses de gestação. É, no fundo, prostituição (mesmo que se
diga que não é paga). E bem sabemos que há países que até apresentam catálogos
de escolha de certos traços pretendidos e os respectivos preços.
A adopção por pares de homossexuais é também uma
violência desnecessária imposta à criança. Primeiro porque ninguém, seja homo
ou heterossexual, tem direito a possuir um filho (e ainda menos um adoptado),
as crianças é que precisam de um enquadramento familiar saudável. Além do mais,
em Portugal, para cada criança em condições de ser adoptada há três casais
normais disponíveis para o fazer. Não há, pois, razão nenhuma para forçar uma
criança a uma realidade, à partida transtornada e antropologicamente incompleta.
Se estas leis não são violência destruidora de
vida, sem razão mínima que não seja a cegueira, o desejo ressentido de poder, e
a ideia adolescente de liberdade (pois delas não virá qualquer bem ao mundo e à
sua humanização), não sei como as possam justificar. Na realidade,
apresentam-se como actos de terrorismo, e são-no!
Só poderei dar a isto o benefício da dúvida vendo
na sua origem a falta de pensamento crítico, o engano de uma consciência
(pseudo-ética) formada nos «direitos» do subjectivismo consumista e a cultura
de uma ideologia sem esperança e imediatista, cujo valor maior é «o que me dá
jeito (poder e dinheiro), agora».
Há um critério ético, simples e directo para saber
o que é imoral, onde está a imoralidade ou não: é imoral o que ataca a vida, ou
seja o que não tem futuro; o que degrada ou destrói as relações humanas e a
esperança.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
domingo, 29 de novembro de 2015
A nova ordem nacional
Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 29 de Novembro de 2015
Recapitulemos. A 4 de Outubro, a vitória da coligação de «direita» e da «austeridade» provou que o povo é masoquista e retardado. Horas depois, ou o tempo necessário para contar os deputados, apurou-se que afinal a maioria do povo derrotou a «austeridade» nas urnas e concluiu-se, com alívio, que o povo masoquista e retardado é minoritário. O exercício, então, consistiu em parodiar na internet e na nobre arte do comentário político a falta de competência aritmética da «direita», já que 122 lugares na AR são mais do que 107 – «Qual é a parte que não percebem?», repetia-se por aí. Dada a suprema importância dos parlamentares, exigia-se que o PR indigitasse a aliança de esquerda sem ouvir nenhum. Enquanto isso, insultava-se «o Cavaco», que por sua vez indigitou Passos Coelho. Derrubado Passos Coelho, reclamou-se a nomeação imediata do Dr. Costa, ameaçou-se com baderna pública e decidiu-se que «o Cavaco», entretanto ocupado a receber meio mundo, não respeita a Constituição e o eleitorado, embora o homem agisse de acordo com a primeira e tivesse sido eleito em duas ocasiões pelo segundo (a parcela masoquista e retardada). Tudo, da sagrada «lei fundamental» à plebe, existe apenas para ser torcido a benefício da vanguarda esclarecida.
Hoje, com a cedência do PR à piedosa mentira da «inevitabilidade» do governo PS, enterrou-se (entre insultos) «o Cavaco» e passou-se a biografar os membros da coisa como se os ditos fossem para levar a sério. Não são. Desde logo, são, sem excepção ou dúvida, cúmplices de uma golpadazita – inteiramente «conchcinal», dirá o Dr. Costa –, o que por si define o respectivo carácter. À lupa, são no máximo antigos serviçais da autarquia, zombies «socráticos», favores, flores, emissários de interesses, em suma ninguém. Dissecar o currículo formal de cada um, mesmo agrupando os diversos agregados familiares que por lá andam, tem utilidade reduzida e não será grande contributo para prever o futuro e a essência do novo tempo, do novo homem, enfim da nova ordem emergente. A nova ordem está nos pormenores, e nem se esgota no rancho que tomou posse há dias.
Está, por exemplo, num primeiro-ministro que troca o jargão político por um jargão pessoal vagamente aparentado ao português (se ler conforme fala, o «brilhante negociador» ainda irá a meio do clássico Anita Vai ao Circo). A nova ordem está num ministro das Finanças que parece saído dos flashbacks de Family Guy e entrado no circo a que a Anita foi. Está num candidato presidencial oficioso que promete «puxar por Portugal» e, juro pela minha saudinha, ser «um saca-rolhas». Está no ex-governante suspeito de múltiplos crimes que palmilha o território nacional em missão evangélica. Está numa ex-ministra da Cultura, e vibrante entusiasta da «situação», que avisa no Twitter: «Há [sic] direita prefere-se que não se emitam opiniões.» Apesar disso, é «há» esquerda que as opiniões incomodam mais.
A nova ordem está na fresquíssima secretária de Estado da Igualdade ou da Fraternidade, que em tempos explicou no Facebook: «Como sabem eu [sic] não tenho por hábito fazer sensura [sic], mas não tulero [sic] insultos (...)». E está no sensor, perdão, censor que saltitou da ERC para a tropa, com escala pedagógica a norte. E está na sugestão do Sr. Seixas da Costa, personalidade conhecida por zelar pela educação parisiense do Eng. Sócrates e por se indignar com a falta de «estrelas» Michelin em Portugal: «A ideia não será popular, mas não seria a ocasião para se introduzir uma transparência total nas redes sociais acabando com o anonimato?» E está no assombroso Dr. Ferro. E no nobilíssimo Dr. César dos Açores. E em sujeitos que passeiam títulos e pêlos nas orelhas em simultâneo. Quem é essa gente, Deus do céu?
Não vou ao ponto de dizer que a nova ordem é a consagração dos clientes da taberna: é a consagração dos indivíduos que, expulsos da taberna, desataram a frequentar caves maçónicas compatíveis com o seu nível. Privados de uma reles ideia, a não ser a da impunidade «natural», exibem petulância directamente proporcional à rudeza que os define. Por cá, a espécie é igualmente apelidada de «elite». E ninguém se ri, até porque dá vontade de chorar.
Ao que tudo indica, a «direita» ficou sinceramente escandalizada com a jovialidade com que o PS traiu os próprios «princípios», aliou-se às beatas de Lenine e, após 40 anos de ténue civilização, enxovalhou a data fundadora do regime. Ou a «direita» perde a virgindade ou não volta a levantar-se. O único «princípio» do PS é a convicção profunda e feroz de que nasceu para mandar nisto, custe o que custar. E, se custa muito resignarmo-nos à arrogância de rústicos, a eles custa pouco partilhar o poder com quem partilha a descrença na democracia e a crença na superioridade inata. Só espanta que o arranjinho demorasse tanto. A nova ordem, feita de brutalidade, retórica de 4.ª classe (sem exame), intolerância, comparsas, falências, delírios, respeitinho e a terminal anexação do país pelo Estado, é um projecto velho.
sábado, 28 de novembro de 2015
Então «o coordenador» Eanes
não conseguiu proteger?
Da memória
Michael Seufert, Diário Expresso, 26 de Novembro de 2015
25 de Novembro de 1975, Mário Soares não jantou em casa. Nem sequer em Lisboa. Temendo pela vida, cito o site do Partido Socialista, foi com colegas da Comissão Permanente do PS pedir protecção ao brigadeiro Pires Veloso. No Norte, longe das mãos de Otelo Saraiva de Carvalho e de Mário Tomé, respirava-se uma calma que só chegaria à Região Militar de Lisboa depois da dissolução do COPCON e da prisão destes e de outros revolucionários que teimavam em não aceitar o jogo democrático. O Verão Quente terminaria e podia, finalmente, cumprir-se o mais importante desígnio do 25 de Abril: Democracia.
Que 40 anos depois seja o Partido Socialista, que
indicaria o primeiro primeiro-ministro constitucional uns meses depois, a
impedir que o Parlamento português – que exerce o seu mandato graças aos
militares que impediram o golpe a 25 de Novembro de 1975 – assinale esse dia, é
particularmente sintomático dos dias que vivemos. O país está de pernas para o
ar e são o Partido Comunista e o Bloco a ditar o que o PS pode e o que o PS não
pode fazer. Parece que está de facto instituído que são os menos votados a
impor-se aos mais votados.
O que fica por saber é até onde aceitará o PS ir para não
incomodar os seus novos parceiros. Renegou hoje um momento fundador da
democracia e fundamental na história do PS (que dias depois, em 1975, deu uma
violentíssima conferência de imprensa atacando Cunhal e o seu partido). Que
renegará amanhã?
Mas será assim tão importante, tão fundamental, tão
decisivo assinalar o 25 de Novembro? Provavelmente não. Mas é simbólico e
talvez por ser pouco decisivo mostre ainda mais o labirinto em que Costa meteu
o PS. Se a 25 de Novembro de 2015 o PS dá cobertura a Otelo por causa do PC e
ao Major Tomé por causa do Bloco, o que fará nos próximos meses?
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Pornografia:
A nossa maior ameaça espiritual
Pe. John C. McCloskey
Os bispos dos Estados Unidos reuniram-se a semana passada em Baltimore, para a sua reunião anual. Um dos tópicos que decidiram abordar este ano tem a ver com aquela que é talvez a maior e mais constante ameaça à saúde espiritual e física dos católicos americanos. Destrói casamentos, mata o estado de graça e, em muitos casos, acaba com possíveis vocações ao sacerdócio e à vida religiosa. É uma praga e chama-se pornografia.
A pornografia gera lucros gigantes para quem a produz e distribui comercialmente. Muita desta pornografia tem origem em Los Angeles e, infelizmente, espalhou-se não só por toda a nação mas por todo o mundo, dando credibilidade àqueles que, como os extremistas islâmicos, denunciam a decadência do Ocidente. Embora a pornografia seja sobretudo comercializada e vista por homens, um número considerável de mulheres também a vê por curiosidade e geralmente ficam enojadas, embora um pequeno número caia na armadilha de a usar também.
Escrevo este artigo enquanto padre que ouve milhares de confissões todos os anos. Quando fui ordenado, a maior parte da pornografia consumida era entregue em casa das pessoas na forma de revistas. Hoje em dia, praticamente toda a pornografia está na Internet, facilmente disponível para quem a quiser usar. Os homens viciados, só neste país, são aos milhões. Vivem num mundo de fantasia que é degradante tanto para eles como para as suas mulheres e namoradas.
O Catecismo da Igreja Católica diz-nos que os cristãos devem estar de prevenção contra a pornografia. Não só devemos evitar procurá-la e usá-la como devemos rejeitar qualquer imagem ou pensamento que nos possa surgir acidentalmente – por exemplo, quando vamos inocentemente ver um filme e somos apanhados de surpresa por uma cena de sexo explícita.
O que é que se pode fazer? Talvez os bispos tenham algumas recomendações «micro» para os indivíduos e outras «macro» para a sociedade em geral. A pornografia, como é evidente, e tal como outros tipos de pecado, não é nada de novo e provavelmente existirá até ao fim dos tempos. Contudo, a dimensão do problema e a dificuldade em evitar a contaminação, bem como a ameaça que coloca à inocência das crianças, é um produto sem precedentes do progresso tecnológico e da regressão moral do nosso tempo. É um bom sinal que a Igreja nos Estados Unidos esteja a debater esta matéria mortífera, que mata almas aos milhões tanto cá como no estrangeiro.
Estou ansioso para ver a forma como os nossos bispos vão lidar com este assunto no futuro. Utilizar pornografia não só fere a alma mas transforma o utilizador num criminoso, que rouba algo que não lhe pertence. O consumo de pornografia leva muitas pessoas a ficarem viciadas e, tal como na maioria dos vícios, este geralmente leva o consumidor a ir aumentando as doses para alcançar os mesmos efeitos. Não admira, por isso, que o uso de pornografia possa, em alguns casos, levar a situações de violação e abuso de crianças.
Uma vez que o consumo da pornografia é frequentemente um vício e um pecado, o consumidor desta doença mortal para a alma deve não só confessar o seu pecado como ainda procurar auxílio profissional que possa ajudá-lo a libertar-se desta praga.
No que diz respeito aos métodos gerais, combatemos este tipo de pecado como combatemos outros. Começamos por confessar os nossos pecados e depois, em estado de graça, podemos receber a presença fortalecedora de Cristo na Eucaristia. A devoção à Santíssima Mãe é também uma grande ajuda no combate a todos os tipos de impureza. Devemos ainda ter o cuidado de evitar as ocasiões de pecado, instalando um filtro nos nossos computadores ou telefones para evitar aceder a pornografia. Outra dica útil é nunca usar um computador a não ser que esteja acompanhado por alguém na sala.
Estas são apenas algumas ideias que podem ser úteis para quem estiver apanhado por este tipo de comportamento pecaminoso. Acima de tudo, à medida que nos aproximamos do Jubileu da Misericórdia anunciado pelo Papa Francisco, que começa na festa da Imaculada Conceição, os utilizadores de pornografia penitentes, tal como qualquer outro, nunca devem desesperar da misericórdia e do perdão de Deus. Nunca devem perder a esperança na possibilidade de se conseguirem libertar desta escravatura, recorrendo à ajuda continuada da graça de Deus.
A Europa é estúpida
se não sabe que o Islão utiliza a sua tolerância
para islamizar»
P. Samir Khalil
El jesuita e islamólogo
Samir Khalil Samir pide al Islam autocrítica, renuncia a la violencia,
capacidad de integrarse... y al Estado que controle las mezquitas
Khalil ofrece el punto de vista de un árabe cristiano
sobre las relaciones entre cristianos y musulmanes en los países árabes y en
Europa. «Los musulmanes han de aceptar vivir aquí con las condiciones de la
cultura europea», afirma analizando la situación del viejo continente ante las
exigencias islámicas en la sociedad.
Egipcio, jesuita, profesor
de Historia de la cultura árabe y de islamología en Beirut y en Roma, el padre
Samir Khalil es hoy en día uno de los mayores especialistas en relaciones entre cristianismo e islam.
Propone soluciones para llegar el entendimiento entre musulmanes y europeos
pero considera que el islam busca el poder político.
— ¿Cree que los musulmanes pueden cambiar el modo que tienen de vivir su
religión musulmana?
– Sí, siempre y cuando
Europa se afiance en defender su identidad, la carta universal de los derechos
humanos. Esa carta es universal, no como la que hace unos años hicieron algunos
países musulmanes, una carta musulmana de los derechos humanos. Con esa identidad,
Europa puede tener apertura. Y los musulmanes han de aceptar vivir
en una Europa con las condiciones de Europa, no viniendo a
promover en Europa un proyecto musulmán utilizando el esquema tolerante
europeo, que está muy extendido entre los musulmanes. Europa es estúpida si no
ve eso, si no se da cuenta de que pueden usar la tolerancia para islamizar Europa.
— «El Islam nunca retrocede» – ¿Cómo se islamiza una sociedad no islámica?
—
Cuando van adquiriendo fuerza social, los musulmanes exigen que las leyes les
reconozcan como minoría distinta, y cuando de una minoría de un cinco o diez
por ciento llegan a tener ya la presencia de un treinta por ciento, como el
caso de Malasia o de Mindanao en Filipinas, exigen la islamización de la
sociedad. Y cuando el islam ha ido adquiriendo zonas de poder e influencia,
nunca retrocede. España ha sido el único caso en la Historia. La única
posibilidad que yo veo de modernizar el islam es que cuando las siguientes
generaciones de inmigrantes en Europa vean que pueden vivir su fe sin modificar
el marco social y político, acepten esa posibilidad.
— ¿Cómo vive la minoría
cristiana en un país musulmán?
—
La religión islámica está pensada magníficamente como
control social y político. La convivencia es siempre como minoría y con la
tendencia a desaparecer, aunque algunos líderes islamistas están dándose cuenta
de que es negativo para ellos. Los cristianos árabes somos plenamente árabes,
aunque no compartamos la fe musulmana. Somos más libres que los musulmanes,
puesto que podemos aportar una mirada crítica sobre la realidad. Actualmente
nos ven como posibles aliados o espías de Occidente, y nos dirigen las mismas
acusaciones que dirigen al imperialismo occidental. La línea del entendimiento
con ellos, que es la de Juan Pablo II, es la de la defensa de los derechos
humanos, de la justicia social. En materia social hay un profundo entendimiento
entre musulmanes y cristianos, porque hay un visión del hombre coincidente en
muchos elementos.
— «España es un símbolo» ¿Qué significa España para
un árabe cristiano?
—
Para nosotros, España es un símbolo. Europa y
Occidente no tienen ya la experiencia de vivir con un grupo dominante de
presión constante en nombre de la religión. Además, el islam, históricamente,
nunca ha retrocedido en aquellos lugares en los que se ha ido asentando, a
excepción de España. España es el único caso en el que un pueblo cristiano
recuperó lo que los musulmanes le habían arrebatado. Además, la Reconquista no
fue una cruzada, los árabes – también
los musulmanes – nunca hablamos de
«cruzada», hablamos y hablan de las guerras de los francos, de los amalfitanos
y de los venecianos luego. Se ve como la sucesión normal de los acontecimientos
y de las relaciones entre los pueblos en aquel momento histórico. Para mí,
España representa la reacción católica de un pueblo, consciente de su
identidad, que pone los medios aptos para recuperarla.
— Entonces, ¿qué piensa
de las revisiones históricas que rechazan ese hecho?
Me sorprende que los
occidentales y sobre todo los españoles nieguen eso. La Historia está hecha de
flujos y reflujos. Hoy Europa no hace autocrítica, que es buena, sino que hace
autodestrucción porque no quiere asumir su historia. Asumir la propia historia
es distinguir lo bueno de lo malo pero sentirse orgulloso de que sea esa su
propia historia, sin rechazarla.
Holanda: Não ao multiculturalismo
A Holanda, em que 6% da população é muçulmana rejeita agora o multiculturalismo. O Governo holandês está cansado de ser pisado pelos muçulmanos e abandona o seu modelo de longa data de multiculturalismo, que não fez senão incentivar os imigrantes muçulmanos a criarem uma sociedade paralela e nociva dentro do país.
Um novo projecto de lei apresentado ao Parlamento pelo ministro do Interior holandês, Piet Hein Donner, em 16 de Junho, diz o seguinte:
«O Governo partilha a insatisfação do povo holandês face ao modelo de uma sociedade multicultural na Holanda e manifesta a sua intenção de agora concentrar as suas prioridades nos valores fundamentais do povo holandês. Sob o novo sistema de integração, os valores holandeses terão um papel fulcral e, portanto, o Governo ‘não adere mais ao modelo de uma sociedade multicultural.’»
A proposta continua:
«Uma integração mais rigorosa é perfeitamente justificada porque isso é o que é exigido pelo Governo e todo o seu povo. Esta orientação é agora absolutamente necessária porque a sociedade holandesa está a desintegrar-se, em termos de identidade e já ninguém se sente em sua casa na Holanda.» A nova política de integração será muito mais exigente para com os imigrantes. Por exemplo, os imigrantes devem necessariamente aprender holandês e o Governo holandês vai tomar medidas coercivas em relação aos imigrantes que ignoram os valores do país e desobedecem às leis holandesas.
Assim, o Governo holandês vai deixar de dar subsídios especiais aos muçulmanos para os integrar (até porque, de qualquer forma, eles não o fazem) porque, segundo Donner, «não compete ao Governo e aos fundos públicos a integração dos imigrantes.»
O projecto prevê também a criação de legislação proibindo os casamentos forçados, bem como legislação impondo medidas severas para esses imigrantes muçulmanos que, por sua livre vontade, reduzem as suas hipóteses de emprego pela maneira como se vestem. Especificamente, o Governo vai proibir, a partir de Janeiro 2016, o uso de roupas que cubram o rosto, como o véu, burca, hijab, etc.
A Holanda deu-se conta, talvez tardiamente, que o seu liberalismo multicultural está em vias de fazer do país um território de tribos do deserto que está prestes a matar as origens do país e a sua própria identidade.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Em Inglaterra, já não há agências
de adopção católicas
Filipe d'Avillez, Renascença, 20 de Novembro de 2015
Desde a legalização da adopção por homossexuais, todas as agências de adopção católicas do Reino Unido fecharam, com a excepção de uma, na Escócia.
A legalização da adopção por parte de homossexuais pode ter implicações muito mais abrangentes do que parece à primeira vista, como as agências de adopção católicas do Reino Unido e nalguns estados americanos descobriram da pior maneira.
Em 2002, no ano em que foi legalizada a adopção por homossexuais, existiam no Reino Unido 12 agências de adopção católicas. Hoje, só existe uma – na Escócia.
O advogado Neil Addison, especialista em assuntos legais ligados à liberdade religiosa, explica que o encerramento não foi consequência directa dessa legalização, mas de uma legislação posterior, aprovada em 2007, que proíbe a discriminação com base na orientação sexual por parte de organizações que recebam dinheiro público.
Como consequência, a maior parte delas acabou por se desvincular oficialmente das respectivas dioceses, para assim poder trabalhar dentro da lei, mas, na prática, a Igreja foi totalmente afastada do sector.
A única excepção, em todo o Reino Unido, foi uma agência da Escócia que conseguiu, após vários recursos, ver garantido o seu direito de continuar a agir de acordo com os princípios católicos que a orientam. A decisão não se aplica, contudo, às organizações inglesas, uma vez que a legislação é diferente na Escócia e na Inglaterra.
Nos Estados Unidos, passa-se uma situação em tudo idêntica em vários estados e pontos do país. Em Boston (Massachusetts), no Illinois e em São Francisco (Califórnia), pelo menos, as agências católicas tiveram de fechar portas, uma vez que o governo estatal só lhes permitia continuar a trabalhar se aceitassem considerar homossexuais como famílias de adopção. A situação levou Thomas J. Paprocki, arcebispo de Illinois, a afirmar: «Em nome da tolerância, não estamos a ser tolerados».
Muito recentemente, na Austrália, o Estado de Victória concedeu às agências católicas um regime de excepção. A adopção por homossexuais passou a ser legal naquela região, mas as instituições que invoquem objecção de consciência poderão continuar a trabalhar livremente, respeitando os seus princípios orientadores.
Sem paralelo
Os casos do Reino Unido e dos Estados Unidos não são exactamente comparáveis ao caso português, uma vez que naqueles países são as próprias agências que dirigem os processos de adopção, enquanto em Portugal os Centros de Acolhimento Temporário e os Lares de Infância e Juventude apenas cuidam das crianças, não tendo qualquer palavra a dizer em relação ao processo de adopção, que está totalmente a cargo da Segurança Social.
Ainda assim, pelo menos uma instituição cristã contactada pela Renascença diz que se recusará a permitir que uma criança ao seu cuidado seja colocada ao cuidado de «dois pais» ou «duas mães», embora outra, não obstante a objecção de princípio, diz que cumprirá as leis aprovadas pelo Parlamento.
Contactado pela Renascença, a Conferência Episcopal Portuguesa, que poderá ter uma palavra definitiva a dizer, pelo menos para as instituições católicas, que são cerca de metade de todas as que trabalham neste sector, não fez comentários.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Islamismo:
o aviso do general Antoine Roch Albaladéjo
(Légion étrangère)
Léo Kersauzie, em Immigration, Islam, Société,
Alguns elementos de reflexão sobre o conflito com os islamistas.
1.° Ouvrir les yeux et admettre une bonne fois pour toutes que les islamistes ont déclaré la guerre à l’occident, avec la France en première ligne. Se persuader que cette guerre ne se fera pas sans mort, sans prise d’otages, d’autres attentats, qu’elle se fera aussi chez nous et donc qu’il faudra nous montrer plus vigilant et moins vulnérable y compris émotionnellement. Savoir que notre ennemi trouvera parmi nous des sympathisants et des complices dans tous les milieux et en plus grand nombre que ce ne fut le cas pour le FLN.
2.° Cesser de reculer devant les exigences toujours plus grandes de ces extrémistes et de leurs complices, qui, en affaiblissant notre culture et en imposant la leur, cherchent surtout à tester et à saper notre esprit de résistance.
3.° Agir en portant le fer là où apparaît un furoncle:
– une immigration débridée qui rend insolubles les problèmes du logement, du chômage, de la dépense publique, ça se contrôle.
– des barbus, des imams ou des rappeurs qui appellent à la guerre sainte, à la haine et au crime, ça se sanctionne.
– des quartiers qui caillassent les représentants de l’État, qui rackettent les artisans, ça se neutralise.
– de discrètes écoles coraniques qui forment les djihadistes de demain, ça se ferme.
– des clandestins, ça s’expulse, surtout les délinquants.
– des subventions à toutes ces associations qui font leur beurre dans l’anti-France, ça se supprime, et …..on revoit nos programmes d’histoire, on jette la repentance aux orties, on laisse la transparence aux vitriers …..etc, etc.
Et ne me dites pas qu’il s’agit là de racisme, de fascisme ou d’extrême droite!
Il s’agit de légitime défense et de résistance dans le respect de la loi, ni plus, ni moins!
Vous pensez sans doute que ce n’est pas demain la veille?…
Je crois néanmoins que, sans un sursaut, le pays de la douceur de vivre, le plus beau pays du monde, risque fort de disparaître dans d’atroces soubresauts ou dans une coupable et morne résignation, pour être remplacé par une autre que certains, et pas des moindres, semblent appeler de leurs vœux, on se demande pourquoi, et qui commence à faire peur.
Mais je me trompe peut-être… J’aimerais tellement avoir tort… Enfin, réfléchissez, ne soyez ni sourds, ni aveugles, ni muets.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
O principado de Zouheir
Helena Matos, Observador, 15 de Novembro de 2015
Combater o terrorismo pressupõe o tempo longo dos pactos e a resiliência que nasce das convicções. Ora nós vivemos o esboroamento do centro e trocámos as convicções pelas indignações.
Não, não me apetece pela quinquagésima vez o «somos todos» qualquer coisa, mais o facebook às riscas e a Marianne a chorar. Já sabemos como vai ser não é? Lembram-se do Charlie Hebdo? Éramos todos tão livres, não éramos? Pois éramos. E claro que não se pode ter medo, que a França é a pátria da Liberdade, que mesmo ferida se vai levantar… Pois, mas em Julho deste ano, meio ano após os atentados, o editor do Charlie Hebdo anunciou que aquele jornal não voltaria a publicar desenhos satíricos de Maomé. Ficámos um bocadinho menos «charlies» não foi? E o bom Charlie vai fazendo as suas caricaturas com os bispos do costume e até entreviu no nosso governo de esquerda uma espécie de vitória sobre o nosso passado colonial, não foi? Pois é, com um bocadinho de esforço quase que se pode dizer que o Charlie continua na mesma. Afinal, cada um acredita não no que quer mas sobretudo no que precisa. Há quem goste de acreditar que continua novo apesar das rugas. Nós precisamos de acreditar que continuamos livres.
Portanto, agora que a onda está aí de novo, mais as flores, as velas e o Imagine, prefiro fazer de conta que não engulo em seco diante das imagens daquela gente outra vez pendurada numa janela para não morrer (lembram-se do 11 de Setembro?) e daquele rapaz arrastando um corpo pelo meio da rua (uma rua de Paris!), para me poupar à irritação daquele momento que não tarda em que cairemos no processo da voz passiva que nos leva do óbvio – terroristas matam – ao grotesco das pessoas que «acabaram por falecer» na sequência de actos alegadamente praticados por terroristas. Actos esses pressurosamente transformados em respostas às políticas do Ocidente. Do Ocidente que quer o petróleo. Do Ocidente que intervém. Do Ocidente que não intervém. Do Ocidente que desenhou as fronteiras. Do Ocidente que fez as cruzadas… enfim uma espiral retroactiva em que as culpas nunca se expiam antes se exponenciam. (No nosso portuguesíssimo caso junta-se a tudo isto, segundo Ana Gomes, a demora de Cavaco Silva em indigitar António Costa. Mas não creio que, para já, a comunidade internacional se sinta capacitada para ponderar essa tese).
Há algo de grotesco nesta forma de ver o mundo em que o outro – aquele que por uma qualquer razão nos odeia ou ataca – é sempre o elemento neutro. Ele por ele nada faz. Os seus actos são sempre o resultado de algo que nós, os nossos pais, os nossos avós e os nossos antepassados fizeram, pelo menos até àquele polémico momento em que o Neandertal se terá cruzado no planeta Terra com o Sapiens sapiens. Dir-se-á que isto é pateta. Pois é. Mas o problema das visões patetas é que o seu simplismo constitui-se como argumento eficaz na justificação do injustificável: com os terroristas reduzidos à condição de consequência dos nossos actos, a responsabilidade pelo terrorismo deixa de ser dos terroristas pois é transferida para aqueles que o sofrem.
Não é por acaso que após os atentados terroristas vivemos uma sensação de desconcerto, como se não fosse justo nem lógico fazerem-nos aquilo. Na verdade para nós não é. Mas só para nós. Do ponto de vista do terrorista não só tudo aquilo faz sentido como é lógico: são actos tácticos de uma estratégia com objectivos próprios.
O terrorista não é uma marionete puxada pelos fios dos actos presentes e passados dos outros. Muito menos é alguém que buscando os mesmos objectivos de justiça dos não terroristas apenas se enganou no caminho. O terrorista existe independentemente de nós.
Recordo como este exercício de ver o terrorista como um resultado e não como um sujeito dotado de vontade própria era particularmente penoso no caso dos atentados da ETA, em Espanha. Primeiro a ETA matava por causa de Franco. Depois veio a Transição a ETA passou a matar ainda mais (é exactamente durante a Transição que a ETA é mais mortífera: 84 mortos em 1979 e 93 em 1980) mas tal, dizia-se, explicava-se pelo combate à herança do franquismo presente no aparelho de Estado. A Espanha tornou-se democrática e a ETA continuava a matar militares, polícias, políticos e empresários mas isso devia-se à ligação dos militares ao passado, dos polícias à repressão, daqueles políticos à direita e dos empresários ao dinheiro. A ETA continuava a matar. Politicamente as balas entravam em nucas de direita e de esquerda. Mas havia sempre uma culpa da sociedade espanhola para explicar mais uma bomba e mais uma bala: eram os presos da ETA que não podiam estar todos juntos na mesma prisão; era o tribunal que os condenava; era o artigo no jornal que os tinha ofendido; o empresário que não pagava o imposto revolucionário… E quando não se percebia que ligação haveria entre a vítima e os seus verdugos aventava-se que a vítima podia ser um informador. Ou um narcotraficante, porque a ETA queria o País Basco livre de drogas.
A par dos atentados, a ETA desdobrava-se em várias organizações legalíssimas e activíssimas no combate à violência (das autoridades policiais, claro) e de promoção dos direitos humanos, (dos terroristas obviamente). Advogados, professores universitários e jornalistas desdobravam-se, em Espanha e fora dela, em concentrações e conferências de denúncia destes graves atentados à democracia. Ainda por aí andam folhetos em que ilustres participantes portugueses se propunham mediar entre a ETA e o intransigente Estado espanhol.
Até que a 10 de Julho de 1997 a ETA sequestrou Miguel Ángel Blanco, um vereador do PP em Ermua, e deu dois dias ao Governo, então presidido por Aznar, para reagrupar os presos da organização (independentista e não terrorista, segundo boa parte dos órgãos de comunicação). A 13 de Julho o cadáver de Miguel Ángel Blanco era descoberto e nasceu o chamado Espírito de Ermua em que para lá do PSOE e do PP terem estabelecido uma espécie de pacto de regime no combate ao terrorismo a sociedade espanhola deixou de procurar as culpas das vítimas em cada atentado.
Resultado: a ETA foi derrotada. Mas só a ETA, porque o discurso do terrorismo, enquanto resposta automática e não como estratégia de vontade própria, esse apenas mudou os protagonistas do seu enquadramento.
Agora que os mortos se contam na França de Hollande e não na América, para mais de Bush, resta-nos pelo menos a esperança de que esta diferença geo-política nos poupará ao destravamento delirante das teorias da conspiração mas não será suficiente para nos livrar do momento em que os atentados deixam de ser atentados para se tornarem mediaticamente falando na resposta os que fizemos, fazemos ou pensamos vir a fazer.
Quer isto dizer que não acredito nas promessas de união para combater o terrorismo, promessas reiteradas dramaticamente nestes dias? Na verdade não acredito que este seja o momento Ermua da Europa. E não acredito por duas razões. Em primeiro lugar porque combater o terrorismo islâmico implica não apenas, como no caso da ETA, cooperação internacional – alguém ainda se lembra dos «santuários» da ETA em França e de como eles acabaram? – mas coordenação internacional. Mais difícil ainda de conseguir, e aqui chego à segunda razão, ou melhor dizendo ao segundo conjunto de razões: combater o terrorismo islâmico pressupõe intervenções militares e policiais que só se fazem com o tempo longo dos pactos e a resiliência que nasce das convicções.
Politica e mediaticamente falando (o que é quase a
mesma coisa), a Europa e em parte os EUA alienaram o incómodo estatuto da
soberania pelo simpático (mas mortífero) conceito de principado. Ou seja, os
seus cidadãos sonham ser ricos, cultos e livres e acreditam e sobretudo querem
acreditar que podem manter a sua segurança e a sua dignidade através da
distribuição das suas sobras e estabelecendo alianças com outros para que estes
primeiro combatam por si e depois para que não a ataquem (qualquer comparação
com a Roma da decadência não é casual).
Por
isso, se me pedirem um símbolo destes dias eu não escolho a Torre Eiffel, nem
as flores, nem as velas mas sim um rosto que não vimos. O de Zouheir. Quem
é Zouheir? O segurança que impediu a entrada de um dos terroristas no estádio
onde decorria o França-Alemanha. Esperar-se-ia que o rosto deste homem que
evitou a catástrofe implícita ao rebentamento das bombas dentro do estádio
estivesse na capa dos jornais. Afinal foi um dos heróis dessa sexta-feira. Pois
foi e por isso tem medo. Medo que se vinguem nele ou na sua família por ter
feito o que devia fazer.
Zouheir somos todos nós.
sábado, 14 de novembro de 2015
Begonha: «especialista em terrorismo»?
Luís Lemos
O general Rodolfo Begonha, dito «especialista em terrorismo», foi um dos comentadores da SIC na noite dos ataques terroristas de Paris.
Na linha politicamente correcta, diz o «especialista em terrorismo» que não se trata do islão mas de um certo islão.
Este general, pelos vistos, além de ser «especialista em terrorismo», é especialista em islamismo.
É gente desta que ocupa lugares-chave na nossa segurança, fazendo coro com os políticos e jornalistas que têm conduzido o Ocidente à catástrofe.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















