sábado, 28 de março de 2015


«Podemos»:

A ascensão da extrema-esquerda espanhola


José Filipe Sepúlveda da Fonseca, Arautos d’El-Rei

A menos de um ano da realização das eleições gerais em Espanha, é do conhecimento do público que o recém-criado partido de extrema-esquerda PODEMOS regista actualmente uma intenção de voto expressiva. A eventual vitória deste partido nas próximas eleições gerais poderia alterar radicalmente o panorama político, relegando para segundo plano os partidos tradicionais, ou seja, o Partido Popular e o PSOE.

Muito se tem falado da subida do PODEMOS nas intenções de voto, mas pouco se tem dito acerca das origens e da agenda deste partido que pertence à mesma família política do Syriza (Grécia), do Bloco de Esquerda e do Partido Livre.

Na imagem: Lenin (1870-1924), Stalin (1879-1953) e Pablo Iglesias.
O líder do PODEMOS identifica-se com os líderes comunistas russos
e com os seus métodos sanguinários, tendo já afirmado inclusivamente
que a guilhotina é um «instrumento da justiça democrática» para neutralizar
os opositores da ideologia socialista. Saiba mais
 
aqui.

A imagem que o PODEMOS tenta passar para a opinião pública é a de um partido que nasceu de forma natural em resultado do descontentamento de amplos sectores da sociedade espanhola com os partidos dominantes nas últimas três décadas.

Se dedicarmos algum tempo à leitura da imprensa internacional, apercebemo-nos que a realidade é bem diferente daquela que o PODEMOS quer transmitir.

No dia 26 de Fevereiro foi publicado na versão espanhola do Wall Street Journal um artigo sobre a ascensão do PODEMOS e o modelo que este partido quer aplicar em Espanha.

O artigo refere que os politólogos que lideram o PODEMOS, Monedero, Pablo Iglésias, e Iñigo Errejón, foram os três assessores do regime de Hugo Chávez, tendo aproveitado o que sobrou das manifestações ocorridas durante a crise financeira de 2011 em Espanha para criar a base de apoio e de actuação do PODEMOS.

Ou seja, a agenda do PODEMOS obedece à agenda da esquerda radical internacional, nomeadamente da América Latina.

Pode ler-se no artigo que Juan Carlos Monedero, um dos líderes do PODEMOS, afirmou há alguns anos, na presença de Hugo Chávez, que a Venezuela é uma referência de revolução socialista.

Ora, quatro anos após a morte de Hugo Chávez a Venezuela está imersa num profundo caos económico e social, a par de uma forte repressão aos opositores políticos do regime chavista.

É mencionada ainda uma afirmação do embaixador da Venezuela em Madrid, Mario Isea, perante os legisladores do seu país, e que reflecte bem as metas do PODEMOSO PODEMOS poderia tornar a Espanha num «forte aliado da Venezuela» e «uma plataforma de difusão», na Europa, do chavismo, da ideologia socialista e antiamericana levada a cabo na Venezuela por Hugo Chávez e pelo seu sucessor Nicolas Maduro.


Antes de terminar, refiro alguns dos objectivos políticos do PODEMOS caso venha a formar governo em Espanha:

1) Fixação de um salário mínimo e máximo, não superior ao salário médio do país, tanto nas empresas públicas como privadas.

2) Proibição de despedimentos em empresas com lucros.

3) Participação dos trabalhadores nos conselhos de administração.

4) Não pagamento da dívida pública que considerem ilegítima.

5) Criação de uma banca pública e controlo público das empresas privadas, com mais de 50% do capital social, nos sectores estratégicos (telecomunicações, energia, alimentação, transportes, saúde, farmacêutico e educativo). Expropriação das grandes propriedades agrícolas que passarão para gestão colectiva.

6) Redução das despesas militares e referendo para a saída da Espanha da NATO.

7) Fim das políticas antiterroristas e de segurança dos cidadãos que violem a liberdade de expressão, manifestação e protesto.

8) Planeamento democrático de uma economia ecológica ao serviço da satisfação das necessidades básicas do conjunto da humanidade.

9) Suspensão dos acordos de comércio com os EUA e intensificação de acordos com países da América Latina, do Magrebe e do Sul da Europa.

Numa palavra, com a implementação desta agenda radical de esquerda em Espanha, não seriam apenas a sociedade e os empresários espanhóis a sofrer as graves consequências de um enorme retrocesso político, económico e social. Portugal iria sentir também e de forma muito grave, um forte retrocesso económico dadas as importantes relações económicas que tem com a vizinha Espanha.





sexta-feira, 27 de março de 2015


O bonzinho João Carlos Espada:

Os europeus são mesmo muito maus!...


Heduíno Gomes

O liberalzinho João Carlos Espada chegou à conclusão de que o mundo é muito mau.

Escreve ele no Público (16.3.2015):

«Enquanto o discurso da esquerda continua a investir contra a ‘direita neoliberal’, uma velha direita autoritária, antiliberal e xenófoba reemerge paulatinamente em vários países europeus.»

Aqui, o bonzinho do senhor Espada diz tudo ou quase tudo.

1. A esquerda não deveria investir contra o neoliberalismo. Muito tolerantemente, deveria aceitá-lo.

2. A opor-se ao liberalismo, à direita, seria apenas da parte de «uma velha direita autoritária, antiliberal e xenófoba», e de mais ninguém. És de direita e não és liberal, levas logo com o carimbo de «uma velha direita autoritária» e «xenófoba» (Uns anátemas a que se habituou no seu tempo de UDP).

3. Como é que esses tais católicos seus amiguinhos, que andam com ele ao colo, nomeadamente na Universidade Católica, e que são supostamente – porque oficialmente – antiliberais,  se acharão perante a referida rotulagem?

4. Prosseguindo, no mesmo artigo, o senhor Espada insurge-se contra aquilo a que chama «xenofobia» e, ao mesmo tempo, contra o multiculturalismo. Ele acha que o multiculturalismo  tem de ser «bem interpretado», isto é, com a sua prolixa subjectividade e liberal relativismo. Tá visto: o senhor Espada, que dantes estava «sempre, sempre, ao lado do povo», quer agora estar bem com Deus e com o diabo.

5. E o pior é que os europeus estão a pender para a tal «velha direita autoritária» e «xenófoba». O liberalzinho João Carlos Espada está assustado porque o mundo é muito mau. E sabe o liberalzinho João Carlos Espada porque estão os europeus a pender para a tal «velha direita autoritária» e«xenófoba»? Porque a esquerda é uma fraude. Porque o liberalismo é uma fraude. Porque o multiculturalismo, mesmo «bem interpretado», é uma fraude. Porque o academismo é outra fraude.

6. A conclusão é que ao prolixo senhor Espada falta uma bússola. Hoje como ontem.

Atenção!

O senhor Espada é professor de ciência política!

Mais, numa universidade católica!






quarta-feira, 25 de março de 2015


Sobre a homossexualidade


Padre Michael Rodríguez (sacerdote da Diocese de El Paso, Texas. Actualmente é o vigário paroquial da Paróquia Santa Teresa, em Presidio, Texas).

[Citado pela Congregação Mariana na Arquidiocese de Niterói (Rio de Janeiro), extraído do facebook de Aurélio Guimarães]

Eu como católico fico pasmado ao ver como os nossos bispos são omissos em ensinar a doutrina católica, preocupando-se antes em temas políticos com tendência de esquerda. Ao longo do ano passado, o esforço infernal para legalizar «o casamento de pessoas do mesmo sexo» cresceu grandemente a nível nacional, tornou-se mais vociferante e espalhou os seus tentáculos infames e ameaçadores até mesmo aos mais inocentes. Deparados com esta iminente catástrofe moral, qual tem sido a resposta dos bispos americanos até agora?


O Beato Abade Columba Marmion (1858-1923) em Cristo a Vida da Alma, escreve:

O baptismo, pelo seu simbolismo e pela graça que produz, como São Paulo nos mostra, marca toda a nossa vida cristã com a dupla marca de «morte ao pecado» e «vida para Deus». O cristianismo é propriamente falando uma vida: Veni ut vitam habeant. Nosso Salvador diz-nos que é a vida divina que flui em cada uma das nossas almas da humanidade de Cristo, onde ela se encontra na sua plenitude. Porém, esta vida não se desenvolve sem nós, sem esforço; a condição do seu desenvolvimento é a destruição daquilo que se lhe opõe, ou seja, o pecado. Esta «morte ao pecado», a princípio realizada no baptismo, torna-se então para nós uma condição de vida; devemos enfraquecer a acção da concupiscência em nós, tanto quanto possível; é a esse preço que a vida divina se irá desenvolver na nossa alma e isso se dará na mesma medida em que renunciarmos ao pecado, aos hábitos pecaminosos e a todo o apego ao pecado.

Sem dúvida, o precioso sangue do nosso Santíssimo Redentor marcou de maneira indelével a vida cristã com essa marca dupla: «morte ao pecado» e «vida para Deus». Para viver para Deus precisamos morrer para o pecado. Se tivermos que seguir Jesus Cristo, precisamos negar a nós mesmos e tomar a nossa cruz. É preciso renunciar à riqueza injusta se desejarmos servir a Deus. Ou vivemos pelo Espírito ou seremos arrastados pela carne. É preciso que nos afastemos do ruído e tagarelice do mundo para ouvir a voz de Deus no silêncio majestoso do santo sacrifício da Missa. A única maneira de «nos revestirmos de Cristo», o homem novo, primeiramente é preciso pôr de lado o velho homem. Ó alma cristã, deves deixar este mundo passageiro para trás, pois só então poderás ver a face de Deus e viver… num mundo que nunca morrerá.

De acordo com o Evangelho de São Mateus, já o início da pregação de Jesus está divinamente selado com esta «dupla marca». Jesus prega «morte ao pecado» em Mateus 4: 17, «fazei penitência», e «vida para Deus» imediatamente daí em diante, Mateus 4: 19, «Vinde atrás de mim e vos farei pescadores de homens». Além disso, logo no início do Seu ministério público (Mt 4:1-11), o próprio Jesus oferece a base para este «duplo aspecto» da vida cristã. Jesus é «levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo demónio». O que Ele está fazendo? Jesus vence Satanás e desfere um golpe mortal no pecado. Em seguida, Ele traz «vida para Deus» em abundância através do seu ensinamento e cura. Finalmente, ao longo da sua obra redentora, que culmina no calvário, o Filho de Deus invariavelmente relaciona o perdão dos pecados («morte ao pecado») a curas milagrosas («vida para Deus»).

Uma vez que essa marca dupla de «morte ao pecado» e «vida para Deus» é inerente à vida cristã (ou seja, enraizado na graça do baptismo), como é possível que a vasta maioria da hierarquia do nosso país (tanto padres quanto bispos) parece ignorar o primeiro aspecto de maneira constante e pregar quase que exclusivamente o segundo aspecto? Sem dúvida, há pessoas que tentarão justificar a sua negligência de condenar o pecado alegando que eles estão adoptando «uma abordagem mais pastoral». Lembro a todos os clérigos a Carta sobre Cuidado Pastoral de Pessoas Homossexuais da Congregação para a Doutrina da Fé, de 1.º de Outubro de 1986, «Uma abordagem verdadeiramente pastoral apreciará a necessidade das pessoas homossexuais de evitar ocasiões próximas do pecado. Desejamos deixar claro que o afastamento do ensinamento da Igreja ou o silêncio sobre esse ensinamento, num esforço para oferecer cuidado pastoral, nem é cuidado, nem é pastoral. Somente aquilo que é verdadeiro pode, em última análise, ser pastoral».

Ao longo do ano passado, o esforço infernal para legalizar «o casamento de pessoas do mesmo sexo» cresceu grandemente a nível nacional, tornou-se mais vociferante e espalhou os seus tentáculos infames e ameaçadores, até mesmo aos mais inocentes. Deparados com esta iminente catástrofe moral, qual tem sido a resposta dos bispos americanos até agora?

Graças a Deus, há alguns bispos americanos que, fiéis ao seu dever, têm apresentado o ensinamento da Igreja sobre o sacramento do santo matrimónio divinamente instituído como uma união exclusiva, vitalícia entre um homem e uma mulher. Entretanto, após um exame atento, o quadro é muito perturbador. Até onde estou ciente, nem um único bispo americano ensinou com autoridade sobre a homossexualidade como uma desordem objectiva e o pecado grave dos actos homossexuais. Num momento da história quando os católicos estão em extrema necessidade da Verdade de Cristo, não estou ciente de um único bispo americano que tenha instruído todos os seus padres para pregar o que a Igreja ensina sobre: (1) a santidade do matrimónio, (2) como o matrimónio, por lei divina, é uma união exclusiva, vitalícia de um homem e de uma mulher, (3) o mal intrínseco dos actos homossexuais, (4) o pecado grave de apoiar — de qualquer forma ou maneira — «o casamento de pessoas do mesmo sexo».

Considerem a seguinte analogia com o aborto, que também é um mal intrínseco. Como é que um bispo pode ser sincero ao conduzir o seu dever de ensinar a Verdade de Cristo sobre a santidade, maravilha e beleza do dom da vida («vida para Deus»), enquanto permanece silencioso sobre o horrendo pecado do aborto («morte ao pecado»)? Isso não faria qualquer sentido. Tal negligência culpável seria, verdadeiramente, uma traição da Verdade! De modo semelhante, mesmo em caso de bispos que estão pregando sobre a santidade do matrimónio e (correctamente) opondo esforços para a legalização do «casamento de pessoas do mesmo sexo», porque é que eles permanecem em silêncio sobre a abominação do «estilo de vida homossexual»? Onde está o nosso zelo por Deus e pela salvação das almas? Actualmente, estamos testemunhando milhões de almas jovens — ovelhas perdidas! — que estão sendo enganadas e conduzidas para a ruína pela agenda astuciosa da cultura de «direitos iguais de matrimónio», «tolerância», «não discriminação»… como é que um bom pastor não grita de cima dos telhados que os actos homossexuais são intrinsecamente maus, depravados e constituem uma abominação perante Deus e o homem?

O ensinamento de Jesus Cristo e da Igreja Católica Romana referente à homossexualidade é claro (CCC 2357-2359); pode ser resumido em três pontos básicos:

1.º Os actos homossexuais são actos gravemente depravados; são pecados mortais que clamam aos céus por vingança. Sob nenhuma circunstância eles podem ser aprovados.

2.º A homossexualidade é uma desordem objectiva.

3.º As pessoas homossexuais devem ser tratadas com respeito, compaixão e sensibilidade.

Os números 1 e 2 acima são ensinamentos morais infalíveis da Igreja católica em razão do seu magistério universal ordinário. Se alguém diz professar a fé católica, deve concordar com essas verdades morais e salvíficas. Se alguém rejeita qualquer uma dessas verdades, essa pessoa não é mais católica!

É imperativo que nós – padres e bispos, especialmente — examinemos as nossas consciências. Será que sentimos vergonha das verdades mencionadas acima? Como católicos romanos, os únicos portadores da Verdade que salva almas, vamos fugir da Verdade com medo da perseguição? Será que estamos com medo de sermos rotulados de «intolerantes»? Será que tememos aborrecer as pessoas ou «ofender» parentes ou paroquianos? Será que estamos preocupados em «nos indispormos» com grandes benfeitores e políticos influentes? Que as palavras luminosas do nosso amado Salvador nos confortem e fortaleçam: «No mundo tereis tristeza, mas coragem, Eu venci o mundo» (João 16:33); «E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará» (João 8:32).

Peço aos meus irmãos sacerdotes e aos bispos da nossa nação. Sim, precisamos tratar as pessoas homossexuais com genuíno amor cristão, respeito e compaixão. Creio que temos todos muito trabalho a fazer nesta importante área da caridade. Mas pelo amor e honra de Deus, e por amor das pobres almas, precisamos falar claramente contra a desordem da homossexualidade! Precisamos ser pacientes e compreensivos com as pessoas homossexuais, porém, como podemos, nós que fomos encarregados de cuidar das almas, ignorar o facto de que alma após alma está sendo escravizada pelo vício cruel de um «estilo de vida homossexual»? Como é possível limitarmos a nossa pregação a «amar e respeitar as pessoas», quando alma após alma está sendo aterrorizada e devorada por Satanás e os seus partidários?

Por volta do final do século XIX, o Papa Leão XIII escreveu uma Carta Encíclica sobre o matrimónio cristão, Arcanum Divinæ (10 de Fevereiro de 1880). Enquanto exaltava a dignidade e beleza do santo matrimónio («vida para Deus»),  também fulminava as tentativas desavergonhadas de um mundo secular de legalizar o divórcio («morte ao pecado»). É altamente instrutivo ler o que ele escreveu há mais de um século em relação ao grave pecado do divórcio. Ao ler a breve passagem que menciono abaixo, observe, por favor, duas coisas: a primeira, como as suas palavras se tornaram tão proféticas, e em segundo lugar, tente imaginar o que ele diria hoje em dia sobre a tentativa do mundo secular de legalizar o «casamento de pessoas do mesmo sexo».

Na verdade, é quase impossível descrever a enormidade dos males que resultam do divórcio. O divórcio torna os contractos matrimoniais volúveis, enfraquece a benevolência mútua, proporciona induzimentos deploráveis à infidelidade, prejudica a educação e a instrução das crianças, oferece a ocasião para a destruição de lares; as sementes da desavença são postas à vista entre as famílias, a dignidade das mulheres é diminuída e as mulheres correm o risco de serem abandonadas depois de se terem subjugado aos prazeres dos homens. Então, nada tem tanto poder de levar as famílias à ruína e destruir por completo os governos como a corrupção dos valores morais, facilmente se vê que os divórcios são ao mais alto grau hostis à prosperidade das famílias e estados, surgindo de valores morais depravados, e, conforme a experiência nos mostra, abrindo um caminho para todo tipo de maldade na vida pública e privada.

Além disso, se a questão for devidamente ponderada, veremos claramente esses males especialmente como os mais perigosos porque uma vez que o divórcio for tolerado, não haverá restrição suficientemente poderosa para mantê-lo dentro das fronteiras delimitadas ou previstas. Sem dúvida, a força do exemplo é grande, e maior ainda é a força da paixão. Com tais incentivos, podemos inferir que a sofreguidão pelo divórcio, se disseminando diariamente através de caminhos tortuosos, se apoderará de muitas pessoas como «uma doença contagiosa virulenta ou como uma inundação de água rompendo todas as barreiras». (nn. 29 e 30)

São Paulo, o grande apóstolo e missionário, nunca restringiu a sua pregação exclusivamente à «vida para Deus». Em Gal 5, 22-23, ele ensina de uma maneira magnífica sobre a vida do Espírito: «Porém, o fruto do Espírito é a caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade, mansidão, fé, modéstia, continência, castidade». Entretanto, nos versículos anteriores (Gal 5,19-21), ele faz uma advertência solene em relação à «morte ao pecado»: «Ora, as obras da carne são manifestas, a saber: a prostituição, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçarias, ódios, discórdias, ciúmes, iras, rixas, dissensões, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e outras como estas, pois quem praticar tais coisas não será herdeiro do reino de Deus».

Numa das passagens mais marcantes e comoventes de toda a sagrada escritura, Jesus Cristo fala à samaritana sobre a «vida para Deus»: «Porém, a água que eu lhe der será nele uma fonte que jorra para a vida eterna.» (João 4: 14) A mulher exclama, «Senhor, dá-me dessa água para que eu não sinta mais sede nem precise vir aqui buscar água». (João 4: 15) Nós padres e bispos deveríamos ter sempre nas nossas mentes e corações a resposta intempestiva do Filho de Deus. Ele prega «morte ao pecado,» sem excepção. Ele acusa-a e adverte-a «Respondestes bem, «não tenho marido». De facto, tiveste cinco e aquele que agora tens não é teu marido». (João 4: 17-18) Ao aceitar a Verdade da condenação do Filho de Deus do seu pecado, a mulher reconhece o Cristo… e a fonte da salvação é aberta a ela e ao seu povo.

Que a santíssima mãe de Deus interceda pelos nossos padres e bispos. Que ela os faça santos, fiéis, corajosos e puros. Ela carregou o Divino Infante nos seus braços maternais no mais doce e terno abraço («vida para Deus») e simultaneamente esmagou a cabeça da serpente com os seus pés virginais («morte ao pecado»).

Sancta Dei Génetrix, ora pro nobis.



segunda-feira, 23 de março de 2015


Os Americanos e a Base das Lajes


João José Brandão Ferreira, Oficial Piloto Aviador

A operação das forças militares americanas na Base Aérea das Lajes há muito que merecia um livro.

Muito resumidamente foi assim:

A apetência dos EUA pelos Açores (e Cabo Verde) recua à Guerra Hispano-Americana, de 1898, que marca o início do imperialismo «yankee» fora do continente Americano, o que nunca mais parou até hoje.

Prolongou-se na I Guerra Mundial, com a ameaça submarina alemã e a visita do futuro presidente Roosevelt (na altura subsecretário de Estado da Marinha), em 1918, e firmou-se na II Guerra Mundial, por causa da ameaça naval alemã – podia ter sido aero-naval caso a Alemanha tivesse intentado e conseguido ocupar aquele arquipélago e também o da Madeira.


Ler mais em:

http://responderachamada.blogspot.pt/2015/02/os-americanos-e-base-das-lajes.html





sábado, 21 de março de 2015


A Cruz é Vida, do Cardeal Muller

– um livro a não perder



La croce è vita. Meditazioni sulla passione & la Pasqua di Gesù

                                                                            Gerhard L. Müller

EUR 14,00
Capa mole
144 páginas
Editor: Ares;  primeira edição (13 de Março de 2015)
ISBN-10: 8881556405
ISBN-13: 978-8881556403

«La via verso il futuro non è la secolarizzazione della Chiesa, ma la cristianizzazione del mondo! Questo è il nucleo del messaggio della passione, della morte e della risurrezione di Gesù Cristo, l'essenza della Buona Novella e la via della Chiesa: sulle tracce di Gesù percorriamo la via della sequela, che ci porta dalla passione, attraverso la Croce, alla risurrezione e alla vita eterna». Una via da percorrere con la gioia della fede, nella certezza che «il Venerdì Santo è temporaneo – la Pasqua invece è eterna». Per questo «la Chiesa seguirà sempre la via della sequela di Cristo, suo umile e umiliato Signore. Non si lascia indurre a prendere la strada larga che porta verso l'abisso. Lì, a che cosa servirebbe l'applauso delle folle e dei leader d'opinione onnipotenti?». Perché «soltanto nella Croce c'è Salvezza, nella Croce c'è Vita, nella Croce c'è Speranza».






A vergonha do presbiterianismo americano



Após três décadas de debate, os membros do colégio da Igreja presbiteriana dos EUA decidiram nesta terça-feira 17 de Março de 2015, mudar a definição de matrimónio na constituição da Igreja presbiteriana para incluir o casamento homossexual, informou o jornal «The New York Times».

Pastora lésbica ministrando culto comprova o fim do presbiterianismo
do falso reformador e herege 
John Knox.

Com a mudança nos documentos da Igreja presbiteriana, o casamento deixa de ser «entre um homem e uma mulher» para passar a ser «entre duas pessoas, tradicionalmente um homem e uma mulher».

A modificação, aprovada pela maioria das 171 subsecções regionais, já havia sido recomendada no ano passado [Igreja presbiteriana dos EUA autoriza os pastores a celebrar casamento gay] pela assembleia-geral dos presbiterianos.

«Finalmente a Igreja presbiteriana, nos seus documentos constitucionais, reconhece plenamente que o amor de gays e lésbicas é digno de ser celebrado pela comunidade da fé», disse o reverendo Brian Ellison, director da Rede Aliança de Presbiterianos, que defende a inclusão gay na Igreja presbiteriana.

«Ainda há desacordo, e eu não quero minimizar isso, mas acho que estamos aprendendo que é possível discordar e continuar juntos», acrescentou Ellison.

Com cerca de 1,8 milhões de fiéis nos EUA, a Igreja presbiteriana é a maior das denominações presbiterianas do país, mas perdeu adeptos nos últimos anos, à medida que adoptou posições teológicas consideradas mais à esquerda. Houve uma onda de defecções a partir de 2011, quando a instituição autorizou a ordenação de homossexuais como pastores.

A saída de presbiterianos mais conservadores e as mudanças culturais no país, com maior aceitação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, facilitaram a aprovação das mudanças desta terça-feira, avalia «The New York Times».




  

sexta-feira, 20 de março de 2015


Alguns tópicos para meditação

sobre a misericórdia


Nuno Serras Pereira

1. Deus é rico em misericórdia; é infinitamente misericordioso.

2. Jesus deixou-nos o Mandamento de sermos misericordiosos como o Pai do Céu o é.

3. Só nos é possível conhecer a misericórdia do Pai, conhecendo a Jesus Cristo, pois Ele é a Imagem Perfeita do Pai. Ele e o Pai são um só. Por isso, Jesus Cristo é a Misericórdia feita carne, feita homem.

4. Só é possível ser misericordioso como Deus o é, acolhendo Jesus Cristo, deixando-nos transformar, transfigurar pelo Espírito da misericórdia, o Espírito Santo, que o Pai e Ele nos enviam.

5. A misericórdia de Deus é a fonte de todas as Suas obras ad extra. A raiz da Caridade de Deus para comnosco é a Sua misericórdia.

6. Sendo Cristo a misericórdia de Deus no meio de nós, ou melhor o Deus Misericordioso no meio de nós, Ele é o exemplo e o modelo a seguir, e também o critério para discernir o que é verdadeira ou falsa misericórdia. Pois a Misericórdia e a Verdade, são a mesma Pessoa Divina.

7. A imitação de Cristo é fruto da Sua Graça e da nossa cooperação com ela. É Ele, como diz S. Paulo, que opera em nós o querer e o agir.

8. O único Misericordioso, só Ele o é perfeita e totalmente, é Deus, Deus para nós, Deus Redentor e Salvador, isto é, Jesus Cristo, cujo Coração, à imagem das entranhas do Pai, se compadeceu das nossas misérias (misericórdia = miséria+coração «corde») e, por isso, lhes veio dar remédio. Misericordioso é aquele que comovido (sensível ou espiritualmente) das misérias alheias (sendo que a principal é a do pecado) vem ao nosso encontro para delas nos livrar.

9. Bruto, mentiroso e cruel é todo aquele que «racionaliza» as nossa misérias confirmando-nos nelas, intensificando-as e multiplicando-as ao «justificá-las».

10. O Misericordioso, a Misericórdia de Deus em Pessoa, a Verdade, declarou peremptoriamente: «Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com uma mulher repudiada, comete adultério» (Lc 16, 18); «aquele que repudiar sua mulher – excepto em caso de união ilegítima (porneia) – expõe-na a adultério, e quem casar com a repudiada comete adultério» (Mt 5, 32); « ... já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não o separe o homem» (Mt 19, 6) – S. Paulo reafirma o mesmo ensinamento: « ... mando aos casados – não eu, mas o Senhor – que a mulher não se separe do marido. Se, porém se separar, que não torne a casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não repudie a mulher» (1 Cor. 7,);

11). A Misericórdia que não Se engana nem nos engana, sabe muito bem o que é bom para nós. Quem diz que é um insulto afirmar, que vive em estado de adultério todo aquele que validamente casado pela Igreja, se divorcia pelo civil e, civilmente, se «recasa», faz de Deus um mentiroso.

Perante a reacção dos Apóstolos que exclamam: se isso é assim então « ... não é conveniente casar-se»!; Jesus, imediatamente, portanto nesse contexto, ensina que «Há eunucos (castrados) que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela intervenção dos homens, e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos por amor do Reino dos Céus.» (Mt 19, 12).

A interpretação mais conhecida desta passagem vê nela um convite ou um conselho de Jesus a segui-Lo mais de perto, renunciando ao casamento, numa vida a Ele inteiramente consagrada. No entanto, uma outra explicação, que não contradiz a anterior, antes a completa, diz que Jesus se está a referir, em primeiro lugar, a todo aquele ou aquela que repudiado/a ou abandonado/a pelo cônjuge se mantém fiel (não se «recasando», vivendo em continência) por amor ao Reino dos Céus (de Deus), isto é, por amor a Jesus Cristo (como o Papa Bento XVI ensinou Jesus é o Reino dos Céus), e consequentemente à Sua misericórdia e ao Seu amor para com todos. Permanecer fiel ao esposo/a traidor significa oferecer, com amor misericordioso, as suas orações e sacrifícios pela conversão e salvação do injusto prevaricador.

12. Jesus Cristo, precisamente por ser infinitamente misericordioso, exige, para nos salvar das abjecções miseráveis que nos trazem escravizados, que Lhe demos preferência e prioridade absoluta sobre tudo e sobre todos: «Se alguém vem a Mim e não me tem mais amor que ao pai, à mãe, à mulher, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à sua própria vida, não pode ser Meu discípulo. E quem não carrega a sua cruz e Me segue, não pode ser meu discipulo.» (Lc 14, 26-27).

Esta renúncia aos que nos são mais queridos e preciosos, é absolutamente necessária, para nosso bem (Salvação) e o daqueles de quem nos desprendemos, quando o apego nos estorva a disposição e a disponibilidade para nos entregar-mos sem reservas ao Misericordioso e aos Seus Mandamentos: «Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda (pratica), esse é que Me ama ... Quem Me não ama não guarda as Minhas palavras;»(Jo 14, 21. 24). «Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor ... Vós sereis Meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando.»
(Jo 15, 10. 14).

13. A proibição do adultério («não cometerás adultério» Lc 19, 18) é um absoluto moral que, por isso, vincula sempre, em qualquer circunstância e sem excepção alguma. É parte integrante da lei moral natural, inscrita por Deus no coração de todas as pessoas humanas; confirmada pela Revelação Sobrenatural, os 10 mandamentos; e solenemente reafirmada pelo Infinitamente Misericordioso, Jesus Cristo, nosso Bem e nossa Saúde (Salvação):

«Os preceitos negativos da lei natural são universalmente válidos: obrigam a todos e cada um, sempre e em qualquer circunstância. Trata-se, com efeito, de proibições que vetam uma determinada acção semper et pro semper, sem excepções, porque a escolha de um tal comportamento nunca é compatível com a bondade da vontade da pessoa que age, com a sua vocação para a vida com Deus e para a comunhão com o próximo. É proibido a cada um e sempre infringir preceitos que vinculam, todos e a qualquer preço, a não ofender em ninguém e, antes de mais, em si próprio, a dignidade pessoal e comum a todos.» (S. João Paulo II, O Esplendor da Verdade, 52).

«O mandamento de Deus nunca está separado do seu amor: é sempre um dom para o crescimento e a alegria do homem. Como tal, constitui um aspecto essencial e um elemento inalienável do Evangelho, mais, o próprio mandamento se configura como ‘evangelho’, ou seja, uma boa e feliz notícia.» (S. João Paulo II, O Evangelho da vida, 52).

14. Não há nenhuma situação moral (ou imoral) irreversível até à morte. Também não há nenhuma tentação nem nenhum pecado que não possa ser vencido, suposta a Graça de Deus: «Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças. Pelo contrário, junto com a tentação, também vos dará meios para suportá-la, para que assim possais resistir-lhe.» (S. Paulo, 1 Cor 10, 13). O Misericordioso Omnipotente «... pelo poder que exerce em nós, é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo quanto possamos pedir ou imaginar ... ». (S. Paulo, Efésios, 3, 20).

À Honra e Glória de Cristo. Ámen.





quinta-feira, 19 de março de 2015


A profunda e genética teologia da avó Rosa


Heduíno Gomes

A estratégia populista de Bergoglio continua. Bergoglio explora todos os aspectos mais primários das pessoas para manipulá-las.

Agora aparece a repetir uma suposta citação da sua avozinha Rosa, como se se tratasse de alguma frase teologicamente profunda e importante. Frases de banalidades. Mas, citando a «teologia» da avó, pretende aparecer como alguém que já tinha nos genes discorrências teológicas.

Bergoglio bem pode ir buscar velhinhas e família para parecer uma pessoa normal sobre as questões elementares da família. Na realidade, nenhuma das suas manobras demagógicas poderá encobrir o seu liberalismo de princípio sobre a matéria. E esta é que é a questão central.

Não nos bastavam aquelas frases à Monsieur Dupond de Bergoglio. Agora junta as da avó Rosa, que, coitada da pobre senhora, não tinha as obrigações de um padre. Quanto mais de um papa!

«Sínodo: a maioria contra a união homossexual»
No balão: «Mas iremos inverter a tendência!»





quarta-feira, 18 de março de 2015


Bento XVI sobre a missão da Igreja

[... e a «popularidade» de Bergoglio]




Da entrevista ao Papa Bento XVI durante o voo rumo
ao Reino Unido

16 de Setembro de 2010

«DIRIA que uma Igreja que procura sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está ao serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação que apareceu nesta figura e que provém sempre da presença de Jesus Cristo. Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que Ele trouxe à humanidade.»





terça-feira, 17 de março de 2015


Cardeal Müller:

Subtil heresia: separar doutrina e práxis



Esta foi sempre a convicção dos padres da Igreja: que a teologia inicia e, em certo sentido, nasce e se faz na liturgia, na adoração do mistério de Deus e na contemplação do Verbo feito carne. Começando por São Basílio de Cesaréia que no seu memorável tratado sobre o Espírito Santo vê exactamente na liturgia a ocasião e o lugar propício da autêntica reflexão humana sobre incompreensível teologia
economia da nossa salvação. Se nós, teólogos e teólogas, todos os dias temos, ao serviço dos mistérios da fé, a nossa inteligência, as qualidades próprias e o fatigante trabalho, temos, na verdade, antes de tudo isso, necessidade do seu Espírito, da sua inteligência divina que fortifica as nossas pobres buscas humanas. Na liturgia compreendemos melhor como a teologia é fundamentalmente a contemplação do Deus do amor.

Devemos, porém, tomar consciência da exigência e da responsabilidade da inteligência da fé, que de modo especial é confiada aos teólogos e às teólogas, que trabalham na Igreja, pela Igreja e em nome da Igreja. Na Igreja, com o seu trabalho intelectual, realizam uma vocação bem precisa e uma exigente missão eclesial.

A fé cristã, de facto, não é uma experiência irracional. Somos chamados a acolher o convite e o dever, que exprime Pedro, de estarmos «sempre prontos a dar uma resposta a quem vos pede a razão da vossa esperança» (1Pd 3, 15). A teologia perscruta, num discurso racional sobre a fé, a harmonia e a coerência intrínseca das várias verdades da fé que surgem do único fundamento da revelação de Deus uno e trino. O mistério imperscrutável de Deus, na economia da salvação e por meio desta economia do Verbo encarnado se oferece também à nossa inteligência. Nós, teólogos, somos os guardiões e promotores desta inteligência da fé.

Na mediação cristológica Deus se oferece à nossa razão também na inteligibilidade da sua auto-revelação. A Comissão, com os seus debates e discussões, por meio dos estudos e das reflexões, é um lugar privilegiado de empenho comunitário no dar razão da nossa esperança.

A especificidade da Comissão Teológica Internacional consiste no facto de que ela é chamada a perscrutar as importantes questões teológicas ao serviço do Magistério da Igreja, em particular da Congregação para a Doutrina da Fé. Nesta dimensão, penso que podemos extrair uma indicação para o nosso «fazer teologia». A teologia não é nunca uma pura especulação ou uma teoria isolada da vida dos crentes. Com efeito, na autêntica teologia não existe nunca um isolamento ou uma contraposição entre inteligência da fé e a pastoral ou a práxis vivida da fé. Pode-se afirmar que tudo é pensamento teológico, todas as nossas investigações científicas tem sempre uma profunda dimensão pastoral, seja a dogmática, a moral ou as outras disciplinas teológicas, tem sempre uma dimensão pastoralmente própria. Como ensina o Concílio Vaticano II, todo o conhecimento de Deus é bom se é feito em referência ao fim último do homem, para a sua salvação. A sagrada doutrina não é uma página morta, mas, especialmente na especulação dogmática toca sempre aquilo que é decisivo para o caminho da Igreja, que é o caminho da salvação.

Toda divisão entre a «teoria» e a «práxis» da fé seria, no fundo, o reflexo de uma subtil «heresia» cristológica; seria fruto de uma divisão no mistério do Verbo eterno do Pai que se fez carne; seria a omissão da dinâmica encarnacionista de toda a sã teologia e de toda a missão evangelizadora da Igreja. Cristo, que pode ser chamado o primeiro teólogo da Escritura, o teólogo por excelência, nos diz: «eu sou o caminho, a verdade e a vida». Não existe verdade sem vida, não existe vida sem verdade. Nele está o caminho para compreender sempre melhor a verdade que se oferece a nós e se faz a nossa vida.

Podemos afirmar que o trabalho da Comissão, o seu estilo de trabalhar, é sempre caracterizado por um profundo espírito comunitário, de fraterno respeito e amizade, de uma verdadeira colegialidade nas colaborações, de troca e de diálogo. Da Comissão espera-se exemplarmente um debate teológico sereno e construtivo, no respeito do carisma do Magistério eclesial e na consciência da alta responsabilidade à qual é redireccionada a vocação dos teólogos e teólogas na Igreja.

Somos chamados a guardar o verdadeiro rosto da teologia católica constituído da mediação cristológica e eclesial da fé. O seu verdadeiro objecto a teologia não pode encontrar noutro lugar senão na fé testemunhada pela Igreja na auto-revelação de Deus na pessoa e na história de Jesus de Nazaré. Esta auto-revelação visa assegurar que «os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, tenham acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina» (Constituição Dogmática Dei Verbum, 2).

A relação particular da ciência teológica com a Igreja não pode reduzir-se a uma realidade meramente externa. A teologia deve antes, por sua essência, levar o contributo da problemática especificamente teológica na forma e na mediação eclesial da fé e pressupor, por outro lado, como princípios próprios, os artigos da fé testemunhados pela Igreja.





segunda-feira, 16 de março de 2015


Carta sobre a deriva da Igreja na Alemanha

Cardeal Cordes: «Protesto!»


(InfoCatólica)

O cardeal alemão Paul Josef Cordes, presidente emérito do Pontifício Conselho Cor Unum, veio a terreiro acerca das recentes declarações aos meios de comunicação do cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência Episcopal Alemã e do bispo de Osnabrück, Franz-Josef Bode, na assembleia geral dos bispos alemães de Hildesheim. O cardeal adverte:

«nem um cardeal pode separar a pastoral da doutrina com um golpe de mão, a não ser que queira passar por cima do sentido de fé vinculante das palavras de Jesus e das proposições vinculantes do Concílio de Trento».

Pelo seu interesse, reproduzimos o mais importante do texto do cardeal Paul Josef Cordes.


De entre lo discutido en la última asamblea general de los obispos alemanes, se han hecho públicas unas declaraciones de su presidente que no han sido ni documentadas ni desmentidas por la secretaría de la Conferencia Episcopal Alemana. Como las palabras del más alto representante de los católicos alemanes poseen carácter orientador y además han tenido repercusión en los medios, es razonable discutir públicamente algunas de las opiniones manifestadas, incluso para limitar la confusión que aquí y allá han  provocado.

Situación lamentable del catolicismo en Alemania

En estas declaraciones, observaba el presidente de la Conferencia Episcopal Alemana que, en la Iglesia universal, hay ciertas expectativas con respecto a Alemania. Esto ya es asombroso. Una encuesta de la fundación Bertelsmann reveló que sólo el 16,2% de los católicos de Alemania occidental creen en un Dios todo poderoso como un interlocutor personal; el resto de los católicos identifican a Dios con una providencia sin rostro, un destino anónimo o una fuerza primordial. O lo niegan simple y llanamente. En realidad, no tenemos ningún motivo para distinguirnos por nuestra fe frente a las Iglesias de otras naciones.

Deformaciones teológicas del cardenal Marx

No sólo sorprende la particular estima que supuestamente se le adjudica a la Iglesia Alemana dentro del catolicismo. Aún resultan más extrañas las deformaciones teológicas y las afirmaciones con las que el presidente de la Conferencia Episcopal declara de forma lapidaria: «No somos una filial de Roma. Cada Conferencia Episcopal es responsable de la pastoral en su área cultural y debe anunciar el Evangelio ella misma como parte de su propia y primordial tarea». Como experto en ética social quizás el Cardenal Marx entienda mucho de la independencia de las filiales de las grandes empresas. Sin embargo, en el contexto de la Iglesia, semejantes declaraciones son más propias de una tertulia de bar.

Las palabas de Cristo y Trento son vinculantes

Qué se esconde detrás de esa «responsabilidad» sobre la «pastoral del área cultural»? En cuestiones tales como la nueva edición del Gotteslob (libro de cantos oficiales que se facilita en cada iglesia alemana, N. del T.) o la decisión acerca del recorrido de la peregrinación a Altötting (santuario mariano bávaro, N. del T.), el presidente de la Conferencia Episcopal Alemana es sin duda competente. Sin embargo, el debate sobre el problema de los separados y vueltos a casar es algo muy distinto. Esta materia está unida al corazón de la teología. Ahí ni tan siquiera un cardenal puede separar la pastoral de la doctrina con un golpe de mano, a no ser que quiera pasar por encima del sentido de fe vinculante de las palabras de Jesús y de las proposiciones vinculantes del Concilio de Trento.

Complejo antirromano

El crucial sentido de comunidad, que es un fundamento teológico-espiritual de carácter central para la Iglesia, aparece claramente en sus declaraciones de Hildesheim como algo sin importancia. Y ello a pesar de que los obispos, en su ordenación episcopal, prometen expresamente mantener la «unidad con el colegio episcopal bajo el sucesor de Pedro». La frase: «No podemos esperar hasta que un sínodo nos diga cómo tenemos que organizar aquí la pastoral del matrimonio y de la familia» ciertamente no está inspirada por el espíritu eclesial de la communio. Así, este «complejo antirromano» no es ni mucho menos la invención de un escritor, sino una realidad propia de las latitudes septentrionales, dotada de fuerza centrífuga. En cualquier caso, es altamente destructiva para la unidad de la fe.

El cadenal Marx no está solo en su deriva

Por otra parte, no es menos cierto que el cardenal Marx no está solo. El presidente de la comisión de pastoral de la Conferencia Episcopal, Monseñor Franz-Josef Bode, ha acudido en su ayuda con la exigencia de que pastoral y dogmática se enriquezcan mutuamente. Esto supondría un discernimiento «históricamente importante», que él califica ni más ni menos como «cambio de paradigma». Para ello, Monseñor Bode no duda en utilizar la constitución conciliar Gaudium et Spes, que dice que no hay «nada verdaderamente humano que no encuentre resonancia en su corazón (de los discípulos de Cristo)».

De lo anterior, Monseñor Bode deduce que «no solamente el mensaje cristiano debe encontrar resonancia en el hombre, sino que los hombres deben encontrar resonancia en nosotros». Y se pregunta: «¿Qué relación sigue teniendo hoy la doctrina de la Iglesia con la vida cotidiana de las personas? ¿Tenemos suficientemente en cuenta las experiencias concretas de las personas para incluirlas en la doctrina? No se puede permitir que doctrina y vida marchen totalmente por caminos distintos». Sin embargo, el intento de derivar contenidos de la fe a partir de la experiencia vital no es tan nuevo como aquí se pretende afirmar, y en absoluto puede reivindicar como suya la expresión «cambio de paradigma».

Patético atajo

Durante las discusiones del Concilio acerca de la relevancia para la fe de los fenómenos sociales o eclesiales, se produjo un debate sobre la expresión bíblica de los «signos de los tiempos». La discusión de los padres conciliares llegó a la conclusión de que, en definitiva, sería errado considerar esos «signos de los tiempos»de la vida del hombre como una «fuente de la fe», de modo que descartaron expresamente el patético atajo de considerar que los fenómenos que desafían a la Iglesia fueran, como tales, una fuente de fe (locus theologicus).

Los obispos en Alemania no son la fuente de la fe

La constitución conciliar sobre la divina revelación, por su parte, enseña sin ninguna duda que la fe de la Iglesia Católica se alimenta exclusivamente de la Sagrada Escritura y de la Doctrina de la Iglesia. Incluso independientemente de lo establecido por esta inequívoca instrucción, resultaría paradójico querer otorgar la función de fuente de la fe a un pequeño grupo de miembros de la Iglesia que viven en una situación tan espiritualmente lamentable como objetivamente irregular.

A la mayor parte de los miembros practicantes de la Iglesia no les afecta este problema directamente. Ojalá los pastores que se reúnen en Roma en otoño sepan dar también a estos hombres y mujeres una guía sobre cómo arraigar cada vez más profundamente su matrimonio en la fe en Jesucristo, para que puedan ser para muchos de sus contemporáneos testigos del poder de Dios en la vida de las personas. Quizás los padres sinodales puedan incluso mostrar su aprecio a todos aquéllos que, por fidelidad a la promesa matrimonial otorgada en su momento, no han contraído ningún nuevo enlace.