sábado, 21 de março de 2015


A Cruz é Vida, do Cardeal Muller

– um livro a não perder



La croce è vita. Meditazioni sulla passione & la Pasqua di Gesù

                                                                            Gerhard L. Müller

EUR 14,00
Capa mole
144 páginas
Editor: Ares;  primeira edição (13 de Março de 2015)
ISBN-10: 8881556405
ISBN-13: 978-8881556403

«La via verso il futuro non è la secolarizzazione della Chiesa, ma la cristianizzazione del mondo! Questo è il nucleo del messaggio della passione, della morte e della risurrezione di Gesù Cristo, l'essenza della Buona Novella e la via della Chiesa: sulle tracce di Gesù percorriamo la via della sequela, che ci porta dalla passione, attraverso la Croce, alla risurrezione e alla vita eterna». Una via da percorrere con la gioia della fede, nella certezza che «il Venerdì Santo è temporaneo – la Pasqua invece è eterna». Per questo «la Chiesa seguirà sempre la via della sequela di Cristo, suo umile e umiliato Signore. Non si lascia indurre a prendere la strada larga che porta verso l'abisso. Lì, a che cosa servirebbe l'applauso delle folle e dei leader d'opinione onnipotenti?». Perché «soltanto nella Croce c'è Salvezza, nella Croce c'è Vita, nella Croce c'è Speranza».






A vergonha do presbiterianismo americano



Após três décadas de debate, os membros do colégio da Igreja presbiteriana dos EUA decidiram nesta terça-feira 17 de Março de 2015, mudar a definição de matrimónio na constituição da Igreja presbiteriana para incluir o casamento homossexual, informou o jornal «The New York Times».

Pastora lésbica ministrando culto comprova o fim do presbiterianismo
do falso reformador e herege 
John Knox.

Com a mudança nos documentos da Igreja presbiteriana, o casamento deixa de ser «entre um homem e uma mulher» para passar a ser «entre duas pessoas, tradicionalmente um homem e uma mulher».

A modificação, aprovada pela maioria das 171 subsecções regionais, já havia sido recomendada no ano passado [Igreja presbiteriana dos EUA autoriza os pastores a celebrar casamento gay] pela assembleia-geral dos presbiterianos.

«Finalmente a Igreja presbiteriana, nos seus documentos constitucionais, reconhece plenamente que o amor de gays e lésbicas é digno de ser celebrado pela comunidade da fé», disse o reverendo Brian Ellison, director da Rede Aliança de Presbiterianos, que defende a inclusão gay na Igreja presbiteriana.

«Ainda há desacordo, e eu não quero minimizar isso, mas acho que estamos aprendendo que é possível discordar e continuar juntos», acrescentou Ellison.

Com cerca de 1,8 milhões de fiéis nos EUA, a Igreja presbiteriana é a maior das denominações presbiterianas do país, mas perdeu adeptos nos últimos anos, à medida que adoptou posições teológicas consideradas mais à esquerda. Houve uma onda de defecções a partir de 2011, quando a instituição autorizou a ordenação de homossexuais como pastores.

A saída de presbiterianos mais conservadores e as mudanças culturais no país, com maior aceitação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, facilitaram a aprovação das mudanças desta terça-feira, avalia «The New York Times».




  

sexta-feira, 20 de março de 2015


Alguns tópicos para meditação

sobre a misericórdia


Nuno Serras Pereira

1. Deus é rico em misericórdia; é infinitamente misericordioso.

2. Jesus deixou-nos o Mandamento de sermos misericordiosos como o Pai do Céu o é.

3. Só nos é possível conhecer a misericórdia do Pai, conhecendo a Jesus Cristo, pois Ele é a Imagem Perfeita do Pai. Ele e o Pai são um só. Por isso, Jesus Cristo é a Misericórdia feita carne, feita homem.

4. Só é possível ser misericordioso como Deus o é, acolhendo Jesus Cristo, deixando-nos transformar, transfigurar pelo Espírito da misericórdia, o Espírito Santo, que o Pai e Ele nos enviam.

5. A misericórdia de Deus é a fonte de todas as Suas obras ad extra. A raiz da Caridade de Deus para comnosco é a Sua misericórdia.

6. Sendo Cristo a misericórdia de Deus no meio de nós, ou melhor o Deus Misericordioso no meio de nós, Ele é o exemplo e o modelo a seguir, e também o critério para discernir o que é verdadeira ou falsa misericórdia. Pois a Misericórdia e a Verdade, são a mesma Pessoa Divina.

7. A imitação de Cristo é fruto da Sua Graça e da nossa cooperação com ela. É Ele, como diz S. Paulo, que opera em nós o querer e o agir.

8. O único Misericordioso, só Ele o é perfeita e totalmente, é Deus, Deus para nós, Deus Redentor e Salvador, isto é, Jesus Cristo, cujo Coração, à imagem das entranhas do Pai, se compadeceu das nossas misérias (misericórdia = miséria+coração «corde») e, por isso, lhes veio dar remédio. Misericordioso é aquele que comovido (sensível ou espiritualmente) das misérias alheias (sendo que a principal é a do pecado) vem ao nosso encontro para delas nos livrar.

9. Bruto, mentiroso e cruel é todo aquele que «racionaliza» as nossa misérias confirmando-nos nelas, intensificando-as e multiplicando-as ao «justificá-las».

10. O Misericordioso, a Misericórdia de Deus em Pessoa, a Verdade, declarou peremptoriamente: «Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com uma mulher repudiada, comete adultério» (Lc 16, 18); «aquele que repudiar sua mulher – excepto em caso de união ilegítima (porneia) – expõe-na a adultério, e quem casar com a repudiada comete adultério» (Mt 5, 32); « ... já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não o separe o homem» (Mt 19, 6) – S. Paulo reafirma o mesmo ensinamento: « ... mando aos casados – não eu, mas o Senhor – que a mulher não se separe do marido. Se, porém se separar, que não torne a casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não repudie a mulher» (1 Cor. 7,);

11). A Misericórdia que não Se engana nem nos engana, sabe muito bem o que é bom para nós. Quem diz que é um insulto afirmar, que vive em estado de adultério todo aquele que validamente casado pela Igreja, se divorcia pelo civil e, civilmente, se «recasa», faz de Deus um mentiroso.

Perante a reacção dos Apóstolos que exclamam: se isso é assim então « ... não é conveniente casar-se»!; Jesus, imediatamente, portanto nesse contexto, ensina que «Há eunucos (castrados) que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela intervenção dos homens, e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos por amor do Reino dos Céus.» (Mt 19, 12).

A interpretação mais conhecida desta passagem vê nela um convite ou um conselho de Jesus a segui-Lo mais de perto, renunciando ao casamento, numa vida a Ele inteiramente consagrada. No entanto, uma outra explicação, que não contradiz a anterior, antes a completa, diz que Jesus se está a referir, em primeiro lugar, a todo aquele ou aquela que repudiado/a ou abandonado/a pelo cônjuge se mantém fiel (não se «recasando», vivendo em continência) por amor ao Reino dos Céus (de Deus), isto é, por amor a Jesus Cristo (como o Papa Bento XVI ensinou Jesus é o Reino dos Céus), e consequentemente à Sua misericórdia e ao Seu amor para com todos. Permanecer fiel ao esposo/a traidor significa oferecer, com amor misericordioso, as suas orações e sacrifícios pela conversão e salvação do injusto prevaricador.

12. Jesus Cristo, precisamente por ser infinitamente misericordioso, exige, para nos salvar das abjecções miseráveis que nos trazem escravizados, que Lhe demos preferência e prioridade absoluta sobre tudo e sobre todos: «Se alguém vem a Mim e não me tem mais amor que ao pai, à mãe, à mulher, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à sua própria vida, não pode ser Meu discípulo. E quem não carrega a sua cruz e Me segue, não pode ser meu discipulo.» (Lc 14, 26-27).

Esta renúncia aos que nos são mais queridos e preciosos, é absolutamente necessária, para nosso bem (Salvação) e o daqueles de quem nos desprendemos, quando o apego nos estorva a disposição e a disponibilidade para nos entregar-mos sem reservas ao Misericordioso e aos Seus Mandamentos: «Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda (pratica), esse é que Me ama ... Quem Me não ama não guarda as Minhas palavras;»(Jo 14, 21. 24). «Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor ... Vós sereis Meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando.»
(Jo 15, 10. 14).

13. A proibição do adultério («não cometerás adultério» Lc 19, 18) é um absoluto moral que, por isso, vincula sempre, em qualquer circunstância e sem excepção alguma. É parte integrante da lei moral natural, inscrita por Deus no coração de todas as pessoas humanas; confirmada pela Revelação Sobrenatural, os 10 mandamentos; e solenemente reafirmada pelo Infinitamente Misericordioso, Jesus Cristo, nosso Bem e nossa Saúde (Salvação):

«Os preceitos negativos da lei natural são universalmente válidos: obrigam a todos e cada um, sempre e em qualquer circunstância. Trata-se, com efeito, de proibições que vetam uma determinada acção semper et pro semper, sem excepções, porque a escolha de um tal comportamento nunca é compatível com a bondade da vontade da pessoa que age, com a sua vocação para a vida com Deus e para a comunhão com o próximo. É proibido a cada um e sempre infringir preceitos que vinculam, todos e a qualquer preço, a não ofender em ninguém e, antes de mais, em si próprio, a dignidade pessoal e comum a todos.» (S. João Paulo II, O Esplendor da Verdade, 52).

«O mandamento de Deus nunca está separado do seu amor: é sempre um dom para o crescimento e a alegria do homem. Como tal, constitui um aspecto essencial e um elemento inalienável do Evangelho, mais, o próprio mandamento se configura como ‘evangelho’, ou seja, uma boa e feliz notícia.» (S. João Paulo II, O Evangelho da vida, 52).

14. Não há nenhuma situação moral (ou imoral) irreversível até à morte. Também não há nenhuma tentação nem nenhum pecado que não possa ser vencido, suposta a Graça de Deus: «Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças. Pelo contrário, junto com a tentação, também vos dará meios para suportá-la, para que assim possais resistir-lhe.» (S. Paulo, 1 Cor 10, 13). O Misericordioso Omnipotente «... pelo poder que exerce em nós, é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo quanto possamos pedir ou imaginar ... ». (S. Paulo, Efésios, 3, 20).

À Honra e Glória de Cristo. Ámen.





quinta-feira, 19 de março de 2015


A profunda e genética teologia da avó Rosa


Heduíno Gomes

A estratégia populista de Bergoglio continua. Bergoglio explora todos os aspectos mais primários das pessoas para manipulá-las.

Agora aparece a repetir uma suposta citação da sua avozinha Rosa, como se se tratasse de alguma frase teologicamente profunda e importante. Frases de banalidades. Mas, citando a «teologia» da avó, pretende aparecer como alguém que já tinha nos genes discorrências teológicas.

Bergoglio bem pode ir buscar velhinhas e família para parecer uma pessoa normal sobre as questões elementares da família. Na realidade, nenhuma das suas manobras demagógicas poderá encobrir o seu liberalismo de princípio sobre a matéria. E esta é que é a questão central.

Não nos bastavam aquelas frases à Monsieur Dupond de Bergoglio. Agora junta as da avó Rosa, que, coitada da pobre senhora, não tinha as obrigações de um padre. Quanto mais de um papa!

«Sínodo: a maioria contra a união homossexual»
No balão: «Mas iremos inverter a tendência!»





quarta-feira, 18 de março de 2015


Bento XVI sobre a missão da Igreja

[... e a «popularidade» de Bergoglio]




Da entrevista ao Papa Bento XVI durante o voo rumo
ao Reino Unido

16 de Setembro de 2010

«DIRIA que uma Igreja que procura sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está ao serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação que apareceu nesta figura e que provém sempre da presença de Jesus Cristo. Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que Ele trouxe à humanidade.»





terça-feira, 17 de março de 2015


Cardeal Müller:

Subtil heresia: separar doutrina e práxis



Esta foi sempre a convicção dos padres da Igreja: que a teologia inicia e, em certo sentido, nasce e se faz na liturgia, na adoração do mistério de Deus e na contemplação do Verbo feito carne. Começando por São Basílio de Cesaréia que no seu memorável tratado sobre o Espírito Santo vê exactamente na liturgia a ocasião e o lugar propício da autêntica reflexão humana sobre incompreensível teologia
economia da nossa salvação. Se nós, teólogos e teólogas, todos os dias temos, ao serviço dos mistérios da fé, a nossa inteligência, as qualidades próprias e o fatigante trabalho, temos, na verdade, antes de tudo isso, necessidade do seu Espírito, da sua inteligência divina que fortifica as nossas pobres buscas humanas. Na liturgia compreendemos melhor como a teologia é fundamentalmente a contemplação do Deus do amor.

Devemos, porém, tomar consciência da exigência e da responsabilidade da inteligência da fé, que de modo especial é confiada aos teólogos e às teólogas, que trabalham na Igreja, pela Igreja e em nome da Igreja. Na Igreja, com o seu trabalho intelectual, realizam uma vocação bem precisa e uma exigente missão eclesial.

A fé cristã, de facto, não é uma experiência irracional. Somos chamados a acolher o convite e o dever, que exprime Pedro, de estarmos «sempre prontos a dar uma resposta a quem vos pede a razão da vossa esperança» (1Pd 3, 15). A teologia perscruta, num discurso racional sobre a fé, a harmonia e a coerência intrínseca das várias verdades da fé que surgem do único fundamento da revelação de Deus uno e trino. O mistério imperscrutável de Deus, na economia da salvação e por meio desta economia do Verbo encarnado se oferece também à nossa inteligência. Nós, teólogos, somos os guardiões e promotores desta inteligência da fé.

Na mediação cristológica Deus se oferece à nossa razão também na inteligibilidade da sua auto-revelação. A Comissão, com os seus debates e discussões, por meio dos estudos e das reflexões, é um lugar privilegiado de empenho comunitário no dar razão da nossa esperança.

A especificidade da Comissão Teológica Internacional consiste no facto de que ela é chamada a perscrutar as importantes questões teológicas ao serviço do Magistério da Igreja, em particular da Congregação para a Doutrina da Fé. Nesta dimensão, penso que podemos extrair uma indicação para o nosso «fazer teologia». A teologia não é nunca uma pura especulação ou uma teoria isolada da vida dos crentes. Com efeito, na autêntica teologia não existe nunca um isolamento ou uma contraposição entre inteligência da fé e a pastoral ou a práxis vivida da fé. Pode-se afirmar que tudo é pensamento teológico, todas as nossas investigações científicas tem sempre uma profunda dimensão pastoral, seja a dogmática, a moral ou as outras disciplinas teológicas, tem sempre uma dimensão pastoralmente própria. Como ensina o Concílio Vaticano II, todo o conhecimento de Deus é bom se é feito em referência ao fim último do homem, para a sua salvação. A sagrada doutrina não é uma página morta, mas, especialmente na especulação dogmática toca sempre aquilo que é decisivo para o caminho da Igreja, que é o caminho da salvação.

Toda divisão entre a «teoria» e a «práxis» da fé seria, no fundo, o reflexo de uma subtil «heresia» cristológica; seria fruto de uma divisão no mistério do Verbo eterno do Pai que se fez carne; seria a omissão da dinâmica encarnacionista de toda a sã teologia e de toda a missão evangelizadora da Igreja. Cristo, que pode ser chamado o primeiro teólogo da Escritura, o teólogo por excelência, nos diz: «eu sou o caminho, a verdade e a vida». Não existe verdade sem vida, não existe vida sem verdade. Nele está o caminho para compreender sempre melhor a verdade que se oferece a nós e se faz a nossa vida.

Podemos afirmar que o trabalho da Comissão, o seu estilo de trabalhar, é sempre caracterizado por um profundo espírito comunitário, de fraterno respeito e amizade, de uma verdadeira colegialidade nas colaborações, de troca e de diálogo. Da Comissão espera-se exemplarmente um debate teológico sereno e construtivo, no respeito do carisma do Magistério eclesial e na consciência da alta responsabilidade à qual é redireccionada a vocação dos teólogos e teólogas na Igreja.

Somos chamados a guardar o verdadeiro rosto da teologia católica constituído da mediação cristológica e eclesial da fé. O seu verdadeiro objecto a teologia não pode encontrar noutro lugar senão na fé testemunhada pela Igreja na auto-revelação de Deus na pessoa e na história de Jesus de Nazaré. Esta auto-revelação visa assegurar que «os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, tenham acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina» (Constituição Dogmática Dei Verbum, 2).

A relação particular da ciência teológica com a Igreja não pode reduzir-se a uma realidade meramente externa. A teologia deve antes, por sua essência, levar o contributo da problemática especificamente teológica na forma e na mediação eclesial da fé e pressupor, por outro lado, como princípios próprios, os artigos da fé testemunhados pela Igreja.





segunda-feira, 16 de março de 2015


Carta sobre a deriva da Igreja na Alemanha

Cardeal Cordes: «Protesto!»


(InfoCatólica)

O cardeal alemão Paul Josef Cordes, presidente emérito do Pontifício Conselho Cor Unum, veio a terreiro acerca das recentes declarações aos meios de comunicação do cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência Episcopal Alemã e do bispo de Osnabrück, Franz-Josef Bode, na assembleia geral dos bispos alemães de Hildesheim. O cardeal adverte:

«nem um cardeal pode separar a pastoral da doutrina com um golpe de mão, a não ser que queira passar por cima do sentido de fé vinculante das palavras de Jesus e das proposições vinculantes do Concílio de Trento».

Pelo seu interesse, reproduzimos o mais importante do texto do cardeal Paul Josef Cordes.


De entre lo discutido en la última asamblea general de los obispos alemanes, se han hecho públicas unas declaraciones de su presidente que no han sido ni documentadas ni desmentidas por la secretaría de la Conferencia Episcopal Alemana. Como las palabras del más alto representante de los católicos alemanes poseen carácter orientador y además han tenido repercusión en los medios, es razonable discutir públicamente algunas de las opiniones manifestadas, incluso para limitar la confusión que aquí y allá han  provocado.

Situación lamentable del catolicismo en Alemania

En estas declaraciones, observaba el presidente de la Conferencia Episcopal Alemana que, en la Iglesia universal, hay ciertas expectativas con respecto a Alemania. Esto ya es asombroso. Una encuesta de la fundación Bertelsmann reveló que sólo el 16,2% de los católicos de Alemania occidental creen en un Dios todo poderoso como un interlocutor personal; el resto de los católicos identifican a Dios con una providencia sin rostro, un destino anónimo o una fuerza primordial. O lo niegan simple y llanamente. En realidad, no tenemos ningún motivo para distinguirnos por nuestra fe frente a las Iglesias de otras naciones.

Deformaciones teológicas del cardenal Marx

No sólo sorprende la particular estima que supuestamente se le adjudica a la Iglesia Alemana dentro del catolicismo. Aún resultan más extrañas las deformaciones teológicas y las afirmaciones con las que el presidente de la Conferencia Episcopal declara de forma lapidaria: «No somos una filial de Roma. Cada Conferencia Episcopal es responsable de la pastoral en su área cultural y debe anunciar el Evangelio ella misma como parte de su propia y primordial tarea». Como experto en ética social quizás el Cardenal Marx entienda mucho de la independencia de las filiales de las grandes empresas. Sin embargo, en el contexto de la Iglesia, semejantes declaraciones son más propias de una tertulia de bar.

Las palabas de Cristo y Trento son vinculantes

Qué se esconde detrás de esa «responsabilidad» sobre la «pastoral del área cultural»? En cuestiones tales como la nueva edición del Gotteslob (libro de cantos oficiales que se facilita en cada iglesia alemana, N. del T.) o la decisión acerca del recorrido de la peregrinación a Altötting (santuario mariano bávaro, N. del T.), el presidente de la Conferencia Episcopal Alemana es sin duda competente. Sin embargo, el debate sobre el problema de los separados y vueltos a casar es algo muy distinto. Esta materia está unida al corazón de la teología. Ahí ni tan siquiera un cardenal puede separar la pastoral de la doctrina con un golpe de mano, a no ser que quiera pasar por encima del sentido de fe vinculante de las palabras de Jesús y de las proposiciones vinculantes del Concilio de Trento.

Complejo antirromano

El crucial sentido de comunidad, que es un fundamento teológico-espiritual de carácter central para la Iglesia, aparece claramente en sus declaraciones de Hildesheim como algo sin importancia. Y ello a pesar de que los obispos, en su ordenación episcopal, prometen expresamente mantener la «unidad con el colegio episcopal bajo el sucesor de Pedro». La frase: «No podemos esperar hasta que un sínodo nos diga cómo tenemos que organizar aquí la pastoral del matrimonio y de la familia» ciertamente no está inspirada por el espíritu eclesial de la communio. Así, este «complejo antirromano» no es ni mucho menos la invención de un escritor, sino una realidad propia de las latitudes septentrionales, dotada de fuerza centrífuga. En cualquier caso, es altamente destructiva para la unidad de la fe.

El cadenal Marx no está solo en su deriva

Por otra parte, no es menos cierto que el cardenal Marx no está solo. El presidente de la comisión de pastoral de la Conferencia Episcopal, Monseñor Franz-Josef Bode, ha acudido en su ayuda con la exigencia de que pastoral y dogmática se enriquezcan mutuamente. Esto supondría un discernimiento «históricamente importante», que él califica ni más ni menos como «cambio de paradigma». Para ello, Monseñor Bode no duda en utilizar la constitución conciliar Gaudium et Spes, que dice que no hay «nada verdaderamente humano que no encuentre resonancia en su corazón (de los discípulos de Cristo)».

De lo anterior, Monseñor Bode deduce que «no solamente el mensaje cristiano debe encontrar resonancia en el hombre, sino que los hombres deben encontrar resonancia en nosotros». Y se pregunta: «¿Qué relación sigue teniendo hoy la doctrina de la Iglesia con la vida cotidiana de las personas? ¿Tenemos suficientemente en cuenta las experiencias concretas de las personas para incluirlas en la doctrina? No se puede permitir que doctrina y vida marchen totalmente por caminos distintos». Sin embargo, el intento de derivar contenidos de la fe a partir de la experiencia vital no es tan nuevo como aquí se pretende afirmar, y en absoluto puede reivindicar como suya la expresión «cambio de paradigma».

Patético atajo

Durante las discusiones del Concilio acerca de la relevancia para la fe de los fenómenos sociales o eclesiales, se produjo un debate sobre la expresión bíblica de los «signos de los tiempos». La discusión de los padres conciliares llegó a la conclusión de que, en definitiva, sería errado considerar esos «signos de los tiempos»de la vida del hombre como una «fuente de la fe», de modo que descartaron expresamente el patético atajo de considerar que los fenómenos que desafían a la Iglesia fueran, como tales, una fuente de fe (locus theologicus).

Los obispos en Alemania no son la fuente de la fe

La constitución conciliar sobre la divina revelación, por su parte, enseña sin ninguna duda que la fe de la Iglesia Católica se alimenta exclusivamente de la Sagrada Escritura y de la Doctrina de la Iglesia. Incluso independientemente de lo establecido por esta inequívoca instrucción, resultaría paradójico querer otorgar la función de fuente de la fe a un pequeño grupo de miembros de la Iglesia que viven en una situación tan espiritualmente lamentable como objetivamente irregular.

A la mayor parte de los miembros practicantes de la Iglesia no les afecta este problema directamente. Ojalá los pastores que se reúnen en Roma en otoño sepan dar también a estos hombres y mujeres una guía sobre cómo arraigar cada vez más profundamente su matrimonio en la fe en Jesucristo, para que puedan ser para muchos de sus contemporáneos testigos del poder de Dios en la vida de las personas. Quizás los padres sinodales puedan incluso mostrar su aprecio a todos aquéllos que, por fidelidad a la promesa matrimonial otorgada en su momento, no han contraído ningún nuevo enlace.






domingo, 15 de março de 2015


«Le poids des mots,

le choc des photos»


Heduíno Gomes

«Le poids des mots, le choc des photos» (A força das palavras, o choque das imagens) é a célebre divisa, creio que desde 1949, ano da fundação, da revista francesa Paris Match.

Lembrei-me disto por circular na net, aludindo à força das imagens, uma série de fotos de Bergoglio a almoçar, em plena cavaqueira, no refeitório com os empregados do Vaticano.


«A força das palavras».

«A força das palavras». Esta é que é a questão central, que antecede os actos de Bergoglio e dos seus próximos colaboradores. Quais são as palavras de Bergoglio com força implicando com a doutrina cristã? As mais conhecidas, entre muitas outras do mesmo quilate, são «Quem sou eu para julgar?» e todos sabemos o relativismo, o amoralismo e a negação das Escrituras que, no contexto, encerram. E depois há as palavras das lebres de Bergoglio, entre as quais se destacam na corrida para destruir a Igreja os cripto-maçónicos Kasper e Ravasi (só cripto?). Eis a «força das palavras»...

«O choque das imagens».

É claro que a divulgação destas fotos por Bergoglio (impossível sem se prestar a modelo, sem convocação do fotógrafo e sem a sua autorização para divulgação...) não passa de uma operação de marketing visando construir uma imagem de «papa popular», para poder atropelar a doutrina. Popular através do marketing, como qualquer politiqueiro, sem a naturalidade de João Paulo II. E é isso mesmo que choca nas imagens: o marketing, o populismo, a demagogia, ao mesmo tempo que manda abaixo a doutrina e os padres, bispos e cardeais que lhe resistem.

Paris Match n.º 1 






sexta-feira, 13 de março de 2015


Os lambe-botas do poder eclesiástico


Heduíno Gomes

Quem está no poder? Então são esses que eu apoio...

Isto é a lógica dos oportunistas e lambe-botas.

João César das Neves já nos tinha habituado a essa prática. Há mais de 20 anos que comecei a observar esta sua característica na política, no tempo do cavaquismo, a quem ele dedicava todas as cortesias.

Depois, observei que este fala-fala-fala-sobre-tudo-sem-saber era igualmente um lambe-botas do poder eclesiástico, apoiando sempre o dito poder, independentemente desse poder respeitar ou não a doutrina cristã, ou mesmo deste ou daquele poderoso dizer o maior disparate.

Digamos que é um perfeito cortesão.

Eis o que ele acaba de escrever no DN (4 de Março de 2015) sobre o herético Kasper, que, coincidência, é um dos que, para nosso mal e para mal da Igreja, manda actualmente no Vaticano:

(...)«Esta frase é de um dos mais geniais livros recentes, agora traduzido em português: A Misericórdia, do cardeal Walter Kasper (Principia, 2015)» (...)

Sobre o caso, ler o retrato que o padre Nuno Serras Pereira faz do dito Kasper e do livro em questão, e que aqui publicamos em (link):
http://www.moldaraterra.blogspot.pt/2015/03/retrato-do-cardeal-kasper.html








quinta-feira, 12 de março de 2015


Retrato do Cardeal Kasper


Nuno Serras Pereira
(Extracto do artigo César das Neves e o Cardeal W. Kasper)


Um destes dias ao ir a uma livraria deparei surpreendido com a edição portuguesa do livro de W. Kasper intitulado A Misericórdia – condição fundamental do Evangelho e chave da vida cristã.

Um dos teólogos que estudei aquando cursava teologia, e mais tarde nos primeiros anos de Sacerdócio, foi W. Kasper – em especial o seu livro sobre Jesus Cristo e um outro sobre a Santíssima Trindade. Este teólogo é dotado de uma enorme erudição que faz valer (um pouco à maneira de Hans Kung) avalanchando sobre nós toneladas e toneladas de notas, citações, referencias, etc. Também é tido por muitos, particularmente entre os jesuítas (muitos elementos desta Ordem usaram frequentemente Kasper para atacar o então Perfeito para a Congregação da Fé, Cardeal Ratzinger)[1], como uma inteligência vastíssima e penetrante.

Eu, confesso, que devo dar muitas Graças a Deus por ser dotado de uma inteligência mediana, senão mesmo bronco de todo, de não ser um erudito, de ser totalmente incapaz de escrever tratados ou ensaios. Por que devo dar Graças a Deus? Por um lado, porque cada um se deve contentar com os talentos que Deus lhe deu, por outro, porque com imensa probabilidade me incharia de vaidade e de soberba – vejam bem como Deus foi bondoso para comigo. Não quero com isto dizer que esses dons que não possuiu sejam maus em si, pelo contrario são excelentes, e muitos Santos os fizeram render com imenso proveito para as almas, para a Igreja e para a Fé; porém, também é verdade que grandes hereges foram vítimas do péssimo uso que lhes deram. E mais do que isso, o Diabo ultrapassá-los a todos, como criatura angélica, embora caída, que é. (Já agora um pequeno à parte, com esta mania que agora deu a muitos prelados de verem o positivo em tudo, mesmo nos comportamentos mais abjectos, qualquer dia teremos um sínodo pastoral para valorizar positivamente as obras de Lúcifer e os condenados ao inferno, o que, porventura, segundo eles contribuirá muito para uma atitude inclusiva da Igreja e um incremento Nova Evangelização.)

Uma das manhas e astúcias dos hereges (materiais ou formais) é a de apresentar a Palavra de Deus, de si luminosa e atraente, com um sentido diferente daquele que Cristo Revelou e explicitou; escrever verdades, misturando-as com falsidades mais ou menos subtis; citar autoridades para concluir o contrário daquilo que elas queriam, etc. Estas são algumas das razões porque tantas pessoas se deixam transviar e iludir. Pois se há ali tanta coisa boa e fascinante, como é que não será verdade, perguntar-se-ão. Acresce que muitos têm ademais aquilo a que chamo «o tique do ‘engenheiro’ Sócrates» o qual consiste em culpabilizar e inferiorizar aqueles que se lhes opõem exprobrando-os e recriminando-os – não poucas vezes indirectamente, como quem não quer a coisa; outras com uma doçura melada, cheia de mesuras delico-doces e simpatias sedutoras.

Ó meus bons amigos tendes de me perdoar que me perdi em divagações. Vamos então ao ponto: o livro do Cardeal W. Kasper. Ainda somente o folheei e pude verificar que tem partes muito boas e interessantes onde se escrevem coisas que embora não sendo novidades sintetizam e sistematizam de algum modo muito daquilo que já conhecia. Não me restam, pois dúvidas, que há ali uma porção de coisas que se podem aproveitar como material para reflexão e meditação. Não obstante, como é possível que um teólogo e Cardeal revele uma ignorância crassa (a alternativa, seria má-fé), por exemplo, na parte em que trata da Misericórdia e Direito Canónico, no que se refere à epiqueia? De facto, ela é aí tratada (como antecedente para preparar a reflexão sobre a prudência) de modo a vir mais tarde a poder servir de base para uma argumentação, exposta no Consistório, favorável à Comunhão dos impropriamente chamados «divorciados recasados». Ora, qualquer aluno do 3.º ano de teologia sabe que a epiqueia nunca se pode aplicar aos absolutos morais, como por exemplo, o são a indissolubilidade do matrimónio rato e consumado e a proibição do adultério. Acresce que invocar a norma suprema do Direito Canónico, a saber, a Salvação das almas para maquinar formas de as perder parece-me absurdo, para não dizer mais.

Sua eminência o cardeal Walter Kasper é uma personagem publicamente peculiar, como se pode verificar por dois ou três exemplos:

— No seu livro sobre Jesus Cristo, que continua a ter sucessivas edições, nega que Este tenha feito algum milagre;

— No Consistório numa longa prelecção advoga a Sagrada Comunhão somente para uma ou outra situação limite, depois de cumpridos determinados trâmites a que ele chama penitenciais; enquanto que em entrevistas e palestras, segundo as agências de informação, a promove praticamente para todos, ou pelo menos a maioria, mais ou menos à balda; o mesmo para as impropriamente apelidadas «uniões homossexuais»;

— A duplicidade e a fraude não se fica porém por aqui. Inchado de soberba desqualifica os Bispos Africanos como incapazes de discernirem e tomarem uma posição correcta nestas questões; noticiada esta sua declaração, feita a um jornalista numa entrevista gravada, nega-a categoricamente.

Mais se poderia acrescentar mas basta ficar por aqui. Que ninguém se escandalize. Estes pecados de membros da Igreja sempre os houve, basta lembrar Judas um dos Apóstolos, ou Pedro, Príncipe entre eles. Com tanta miséria humana bem se vê que a Igreja para subsistir não é dos homens mas sim de Deus.

O que se joga no próximo Sínodo sobre a família não é como alguns pretendem fazer crer somente questões pastorais e disciplinares. Trata-se de questões não somente doutrinais mas mesmo dogmáticas e a estrutura todo do Credo está sob um ataque insidioso e feroz. O Papa Paulo VI percebeu isso muito bem aquando da questão da Contracepção, como o revela Jean Guitton no seu livro sobre esse Papa Bem-aventurado. Mas aqui a «parada» é mais alta ainda.

(…)

(…) Quanto ao livro de Kasper direi o seguinte: não o recomendo para quem não tenha uma preparação teológica razoável. Por agora vou pô-lo de parte. Tenho tantos livros bons para ler que não sei se me sobrará tempo para esse. Adianto que estranho que tendo sido editados, no estrangeiro, livros absolutamente extraordinários, profundos, sábios, fiéis, deslumbrantes, sobre os temas que têm a ver com o Matrimónio e a Família não tenha conhecimento de nenhum deles editado em português – é certo que provavelmente não se venderão tantos porque não têm a publicidade papal em meio de uma oração dirigida por um Papa (uma novidade absoluta, e quanto a mim infeliz, na história do papado), mas se as editoras católicas se deixam guiar principalmente pelo dinheiro, de católico pouco terão.

(…)




[1] Para o caso deste panfleto chegar às mãos de alguém que não me conheça, advirto que tenho bastantes amigos jesuítas, que devo muito à excelente educação que me deram durante 10 anos no Colégio de S. João de Brito (sendo que este Santo é também patrono da minha Paroquia de origem); e admiro muito também bastantes jesuítas que não conheço pessoalmente como, por exemplo, o P. Fessio, o P. Schall, o P. Hardon, o Cardeal Dulles, etc. Infelizmente, porém, não posso deixar de reconhecer que nesta Ordem Religiosa se deu, como aliás em muitas outras, um «Cisma» (mais ou menos disfarçado, mas muito real) entre os fiéis à Tradição viva e ao Magistério de sempre nos quais se incluem o de S. João XXIII, o de Beato Paulo VI, S. João Paulo II e Bento XVI... e outros que se têm mostrados opositores ferrenhos.






Faleceu Carlos Avelino


Heduíno Gomes

Faleceu Carlos Manuel Martins Avelino, membro da Milícia de São Miguel e do seu Secretariado Nacional.

Após o 25 de Abril, no campo sindical e político, Carlos Avelino desempenhou um papel de relevo na resistência à tentativa de sovietização dos sindicatos pelo PCP.

Durante vários anos, foi Presidente do SINAPE (Sindicato Nacional dos Professores), tendo sido também fundador da UGT.

Em 1987, Carlos Avelino fundou a revista Educação & Liberdade, que se destacou na denúncia da degradação do sistema de ensino, quanto à sua qualidade, consequência da implementação das chamadas «novas pedagogias», do igualitarismo, da anarquia na escola, da desautorização dos professores, e ainda da degradação da educação em geral, através da destruição da família e dos valores morais na sociedade e na escola.

Carlos Avelino fundou a Associação Mútua dos Professores, de que era seu Presidente, ocupando desde 2008 este cargo pela segunda vez.

Carlos Avelino era Presidente da Assembleia Geral da União das Famílias Portuguesas e membro da Confederação Nacional das Associações de Família.

No campo político, Carlos Avelino foi Presidente da Comissão Política da Secção do Lumiar (Lisboa) e membro do Conselho Nacional do PSD.

A Milícia de São Miguel acaba de perder um dos seus importantes quadros.

Carlos Manuel Martins Avelino





quarta-feira, 11 de março de 2015


A filial resistência de São Bruno de Segni

ao Papa Pascoal II


Roberto Mattei

(O historiador Roberto Mattei, mostra com um exemplo da história da Igreja que por vezes pode existir não só o direito mas o dever de resistir a um papa.)

(di Roberto de Mattei) Tra i più illustri protagonisti della riforma della Chiesa dell’XI e del XII secolo, spicca la figura di san Bruno, vescovo di Segni e abate di Montecassino. Bruno nacque attorno al 1045 a Solero, presso Asti, in Piemonte. Dopo aver studiato a Bologna, fu ordinato prete nel clero romano e aderì entusiasticamente alla riforma gregoriana. Papa Gregorio VII (1073-1085) lo nominò vescovo di Segni e lo ebbe tra i suoi più fedeli collaboratori. Anche i suoi successori, Vittore III (1086-1087) e Urbano II (1088-1089), si valsero dell’aiuto del vescovo di Segni, che univa l’opera di studioso ad un intrepido apostolato in difesa del Primato romano.

Bruno partecipò ai concili di Piacenza e di Clermont, nei quali Urbano II bandì la prima crociata e negli anni successivi fu legato della Santa Sede in Francia e in Sicilia. Nel 1107, sotto il nuovo Pontefice Pasquale II (1099-1118), divenne abate di Montecassino, una carica che lo rendeva una delle personalità ecclesiastiche più autorevoli del suo tempo. Grande teologo, ed esegeta, risplendente per dottrina, come scrive nei suoi Annali il card. Baronio (tomo XI, anno 1079), è considerato come uno dei migliori commentatori della Sacra Scrittura del Medioevo (Réginald Grégoire, Bruno de Segni, exégète médiéval et théologien monastique, Centro italiano di Studi sull’Alto Medioevo, Spoleto 1965).



Siamo in un’epoca di scontri politici e di profonda crisi spirituale e morale. Nella sua opera De Simoniacis, Bruno ci offre un’immagine drammatica della Chiesa deturpata del suo tempo. Già dall’epoca di Papa san Leone IX (1049-1054) «Mundus totus in maligno positus eratnon v’era più santità; la giustizia era venuta meno e la verità sepolta. Regnava l’iniquità, dominava l’avarizia; Simon Mago possedeva la Chiesa, i Vescovi e i sacerdoti erano dediti alla voluttà e alla fornicazione. I sacerdoti non si vergognavano di prender moglie, di celebrare apertamente le nozze e di contrare matrimoni nefandi. (…) Tale era la Chiesa, tali erano i vescovi e i sacerdoti, tali furono alcuni tra i Romani Pontefici» (S. Leonis papae Vita in Patrologia Latina (= PL), vol. 165, col. 110).


Al centro della crisi, oltre al problema della simonia e del concubinato dei preti, c’era la questione delle investiture dei vescovi. Il Dictatus Papae con cui, nel 1075, san Gregorio VII aveva riaffermato i diritti della Chiesa contro le pretese imperiali, costituì la magna charta a cui si richiamarono Vittore III e Urbano II, ma Pasquale II abbandonò la posizione intransigente dei suoi predecessori e cercò in tutti i modi un accordo con il futuro imperatore Enrico V. Agli inizi di febbraio del 1111, a Sutri, chiese al sovrano tedesco di rinunciare al diritto all’investitura, offrendogli in cambio la rinuncia della Chiesa ad ogni diritto e bene temporale.

Le trattative andarono in fumo e, cedendo alle intimidazioni del re, Pasquale II accettò un umiliante compromesso, firmato a Ponte Mammolo il 12 aprile del 1111. Il Papa concedeva ad Enrico V il privilegio dell’investitura dei vescovi, prima della consacrazione pontificia, con l’anello e con il pastorale che simboleggiavano sia il potere sia temporale che spirituale, promettendo al sovrano di non scomunicarlo mai. Pasquale incoronò quindi Enrico V imperatore in San Pietro.

Questa concessione suscitò una moltitudine di proteste nella cristianità perché ribaltava la posizione di Gregorio VII. L’abate di Montecassino, secondo il Chronicon Cassinense (PL, vol. 173, col. 868 C-D), protestò con forza contro quello che definì non un privilegium, ma unpravilegium, e promosse un movimento di resistenza al cedimento papale. In una lettera indirizzata a Pietro, vescovo di Porto, definisce il trattato di Ponte Mammolo un’ «eresia», richiamando le determinazioni di molti concili: «Chi difende l’eresia ‒ scrive ‒ è eretico. Nessuno può dire che questa non sia un’eresia» (Lettera Audivimus quod , in PL, vol. 165, col.1139 B).

Rivolgendosi poi direttamente al Papa, Bruno afferma: «I miei nemici ti dicono che io non ti amo e che sparlo di te, ma mentono. Io infatti ti amo, come devo amare un Padre e un signore. Te vivente, non voglio avere altro pontefice, come assieme a molti altri ti ho promesso. Ascolto però il Salvatore nostro che mi dice: “Chi ama il padre o la madre più di me non è degno di me”. “(…) Devo dunque amare te, ma più ancora devo amare Colui che ha fatto te e me» (Mt. 10-37). Con lo stesso tono di filiale franchezza, Bruno invitava il Papa a condannare l’eresia, perché «chiunque difende l’eresia è eretico» (Lettera Inimici mei, in PL, vol. 163, col. 463 A-D).

Pasquale II non tollerò questa voce di dissenso e lo destituì da abate di Montecassino. L’esempio di san Bruno spinse però molti altri prelati a chiedere con insistenza al Papa di revocare il pravilegium. Qualche anno dopo, in un Concilio che si riunì in Laterano nel marzo del 1116, Pasquale II ritrattò l’accordo di Ponte Mammolo. Lo stesso Sinodo lateranense condannò la concezione pauperistica della Chiesa dell’accordo di Sutri. Il concordato di Worms del 1122, stipulato tra Enrico V e papa Callisto II (1119-1124), concluse – almeno momentaneamente – la lotta per le investiture. Bruno morì il 18 luglio 1123. Il suo corpo fu sepolto nella cattedrale di Segni e, per sua intercessione, si ebbero subito molti miracoli. Nel 1181, o, più probabilmente, nel 1183, papa Lucio III lo accolse fra i santi.

Qualcuno obietterà che Pasquale II (come più tardi, Giovanni XXII sul tema della visione beatifica) non cadde mai in eresia formale. Non è questo però il cuore del problema. Nel Medioevo il termine eresia era usato in senso ampio, mentre soprattutto dopo il Concilio di Trento, il linguaggio teologico si è affinato, e si sono introdotte precise distinzioni teologiche tra proposizioni eretiche, prossime all’eresia, erronee, scandalose, etc. Non ci interessa definire la natura delle censure teologiche da applicare agli errori di Pasquale II e Giovanni XXIII, ma di stabilire se a questi errori fosse lecito resistere.

Tali errori certamente non furono pronunciati ex cathedra, ma la teologia e la storia ci insegnano che se una dichiarazione del Sommo Pontefice contiene elementi censurabili sul piano dottrinale, è lecito e può essere doveroso criticarla, anche se non si tratta di un’eresia formale, solennemente espressa. È quanto fecero san Bruno di Segni contro Pasquale II e i domenicani del XIV secolo contro Giovanni XXII. Non furono essi a sbagliare, ma i Papi di quel tempo, che infatti ritrattarono le loro posizioni prima di morire.

Va inoltre sottolineato il fatto che coloro che con più fermezza resistettero al Papa che deviava dalla fede furono proprio i più ardenti difensori della supremazia del Papato. I prelati opportunisti e servili dell’epoca, si adeguarono al fluttuare degli uomini e degli eventi, anteponendo la persona del Papa al Magistero della Chiesa. Bruno di Segni, invece, come altri campioni dell’ortodossia cattolica, antepose la fede di Pietro alla persona di Pietro e redarguì Pasquale II con la stessa rispettosa fermezza con cui Paolo si era rivolto a Pietro (Galati 2, 11-14). Nel suo commento esegetico a Matteo 16, 18, Bruno spiega che il fondamento della Chiesa non è Pietro, ma la fede cristiana confessata da Pietro.

Cristo infatti afferma che edificherà la sua Chiesa non sulla persona di Pietro, ma sulla fede che Pietro ha manifestato dicendo: «Tu sei il Cristo, il Figlio del Dio vivente». A questa professione di fede Gesù risponde: «è sopra questa pietra e sopra questa fede che edificherò la mia Chiesa» (Comment. in Matth., Pars III, cap. XVI, in PL, vol. 165, col. 213). La Chiesa elevando Bruno di Segni agli onori degli altari suggellò la sua dottrina e il suo comportamento. (Roberto de Mattei)