quarta-feira, 6 de junho de 2012

A liberdade da Igreja e o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos


Gonçalo Portocarrero de Almada*










O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, na sua sentença de 31 de Janeiro passado contra a Roménia, violou o princípio da separação entre a Igreja e as instituições comunitárias. Com efeito, ao entender justificada, em virtude do artigo 11.º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, a pretensão de alguns sacerdotes ortodoxos romenos e seus colaboradores pastorais se constituírem em sindicato, esse Tribunal não só desrespeitou a autoridade eclesial competente na matéria, como também interferiu abusivamente na vida interna dessa comunidade eclesial.

Desde tempos imemoriais, a Igreja está empenhada no reconhecimento efectivo e universal dos direitos humanos, por entender que esses deveres, faculdades e garantias decorrem, com absoluta necessidade, da irrenunciável dignidade humana. Daí a sua denúncia dos regimes contrários à justiça social e o seu empenhamento na construção de uma sociedade global cada vez mais justa e solidária.

A Igreja vive este seu compromisso social sem contudo se imiscuir ou, sequer, interferir na governação das diversas comunidades, cuja salutar autonomia não só acata como também promove, nomeadamente proibindo aos seus ministros o desempenho de actividades de carácter partidário. Tem, portanto, redobrado direito a que seja também reconhecida e respeitada a sua personalidade jurídica, bem como a sua independência em tudo o que se refere à sua organização interna.

A relação canónica que, pela ordenação sacerdotal, se estabelece entre o bispo diocesano e o seu clero é exclusivamente do foro eclesial, até porque a natureza do vínculo, embora superficialmente análogo a uma prestação de serviços, transcende enormemente essa categoria. Na realidade, a essência da relação do Ordinário com o seu presbitério é mais de carácter familiar do que laboral, é mais paternal do que patronal e, por isso, a analogia com as legítimas associações patronais e sindicais não colhe.

Uma associação sindical de padres seria tão absurda quanto uma confederação patronal de bispos, e ambas tão disparatadas quanto seria também a transposição dessas estruturas laborais para o âmbito da família, que não é, salvo melhor opinião, uma unidade colectiva de produção.  

Por outro lado, enquanto o trabalhador sindicalizado não exclui, a priori, a possibilidade de se associar, com os seus colegas, para a defesa dos seus comuns interesses profissionais, o candidato às ordens sagradas positivamente abdica desse seu eventual direito. A sua dedicação ao ministério não decorre, com efeito, de um contrato laboral, mas de uma libérrima opção de entrega pessoal. Portanto, aos que voluntariamente se entregam a Deus, mediante um vínculo de voluntária e consciente obediência, na comunhão eclesial, pode-se e deve-se exigir a correspondente responsabilidade em relação ao seu compromisso.

O Estado, certamente, pode e deve afirmar o direito universal à liberdade sindical, mas uma tal proclamação não o autoriza à sindicalização efectiva de todos os trabalhadores por conta de outrem. Para além desse respeito elementar pela liberdade individual dos trabalhadores, deve também reconhecer a sacralidade de um vínculo que dispensa o exercício dessa prerrogativa laboral. Em caso contrário, estaria a reduzir o ministério pastoral a uma simples relação laboral. Se assim fosse, também a filiação poderia ser equiparada a uma mera prestação de alimentos, ou a um peculiar arrendamento de um quarto na habitação familiar, mas é óbvio que a maternidade e a paternidade, muito embora pressuponham estes elementares deveres em relação à prole, a eles contudo não se limitam.

Se, por absurdo, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos entendesse que a proibição canónica dos padres se sindicalizarem é contrária aos direitos fundamentais, não se deveria também opor às instituições religiosas que assumem denominações contraditórias com a letra da dita convenção? Será que iria obrigar, por hipótese, as Escravas do Sagrado Coração de Maria, a designarem-se como Damas do Coração de Maria, por ser a escravatura contrária aos direitos humanos e a sacralidade do coração mariano avessa à laicidade das instituições europeias?! E os frades menores, deverão passar a maiores, tendo em conta que, juridicamente, são todos adultos e os menores não podem professar numa ordem religiosa?!

Ante estes serôdios tiques de autoritarismo estatal e de ingerência das instituições europeias no foro privado da bimilenar vida religiosa cristã, talvez valha a pena recordar a sempre actual sentença do divino Mestre: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus!» (Mt 22, 21).

As feridas da Igreja XI



Na continuação do que dizia logo no início do número anterior, no qual acabei por desenvolver apenas a questão do canto na liturgia, continuando nessa mesma interpelação que fiz ao leitor no sentido de se interrogar sobre a razão que terá levado o Santo Padre a apelar ao uso do latim, debrucemo-nos agora um pouco sobre essa questão.

Basta olharmos para o último (e triste) acontecimento na nossa língua mátria, para vermos que uma língua é dinâmica, que tem vida. Sabemos que no Português há mais do que uma maneira para dizer a mesma coisa, daí as situações por vezes embaraçosas que resultam da aplicação de termos susceptíveis de alguma ambiguidade, problema mais notório quando há que interpretar o exacto sentido de uma ideia posta em letra de lei, por exemplo.

Então o que é que o uso do latim na liturgia tem a ver com isto? Tem a ver com isto, e não só, pois, são duas as razões fundamentais que clamam para o uso do latim: 

A primeira é o factor da universalidade, que permite a todo o católico, em qualquer parte do mundo, participar na liturgia celebrada numa só e mesma língua.

A segunda e mais importante razão, tem a ver com o facto de o latim, por não ser uma língua evolutiva, não permitir as variações que foram introduzidas no vernáculo. Escondida atrás dessas variações, veio a adulteração, que não deriva de uma deficiente tradução, mas de uma sub-reptícia intencionalidade, mal do qual já o próprio Papa Paulo VI se queixara em 1976, como referi no primeiro artigo.

Estas são as razões que levam o Santo Padre a falar-nos da necessidade de irmos voltando àquela que é, afinal, a língua oficial da Igreja, para que em todas as Missas de todo o mundo, todos os sacerdotes, com todos os fiéis, celebrem o cruento e salvífico Sacrifício do altar proferindo exactamente as mesmas palavras, não dando azo a supressões ou acrescentos como os que gostam de fazer muitos padres, desobedecendo às normas estabelecidas pelo Vat. II, na SC, 22, § 3.

Foi precisamente com a mudança para o idioma de cada povo, que todos fomos levados a crer que isso representava um avanço, quando na verdade não passou de uma forma ardilosa dos inimigos, usada para impedir o maior louvor ao Altíssimo, ao nos desviarem do exacto sentido das palavras veiculado pelo latim. Dessa forma, a coberto da tradução foi-lhes possível alterarem o significado teológico de algumas frases.

Basta um pouco de atenção para vermos o exemplo que salta mais à vista: na Missa em latim, o sacerdote, dirigindo-se ao povo, diz: «Dominus vobiscum!», e o povo, por sua vez, responde, com o mesmo sentido de petição a Deus e desejo de coração: «Et cum spiritu tuo!»

Com estas palavras, o sacerdote está a dizer: «O Senhor esteja convosco!», às quais o povo responde: «E com o teu espírito!»

Se meditarmos um pouco só nestas palavras, que se repetem por três vezes, logo vemos a dimensão, a profundidade, a unção do Espírito (como diriam no RC) (1) que nelas se encontra. Nesta resposta, o povo lança ao sacerdote, como forma de bênção, o seu desejo, antes feito súplica a Deus, que também nele se faça presente o mesmo Senhor, para mais digna celebração e santificação de todos.

Para uma alma enamorada por Deus, numa Missa onde o Sagrado é sentido pelos fiéis, estas palavras de bênção são suficientes para lhe escancarar a porta do coração ao Espírito Santo. Mas para impedir que isso aconteça, e impedir também que outros cheguem a esse enamoramento, tudo fora pensado. Este pequeno exemplo ilustra bem o que foi o trabalho dos inimigos da Fé dentro da Igreja.

Como dizia atrás, aproveitaram a tradução para alterarem o sentido. Senão, vejamos agora a resposta do povo em sua língua, que, em vez de dizer «e com o teu espírito», diz, «ele está no meio de nós…»

Se isto não é subversão crua e pura, então não sei o que é subversão. Como quem suscita todo o erro é o mesmo que tem estado a macaquear as coisas de Deus, com esta e outras adulterações que passam despercebidas à maioria, muito nos tem andado a gozar. Disso só se apercebe quem já lhe conheça todas as manhas e esteja mais por dentro dos vários serviços da Igreja. Uma vez que se oculta aos nossos olhos físicos, não identificamos a sua presença no seio dos vários grupos paroquiais, razão pela qual a fraternidade Cristã é a coisa mais difícil, para não dizer impossível, de encontrar. E mesmo assim, na Missa, hipocritamente dizemos «ele (2) está no meio de nos?»

Eis um triste exemplo, que lamentavelmente me diz respeito:

Um dia alertei um amigo, membro da Conferência Vicentina local, para a necessidade de repensarem o apoio que estavam a dar a uma determinada família, por mim bem conhecida. Porque nesse dia iam ter reunião, pediu-me que fosse lá com ele expor o caso. Quando eu disse que aquela família, composta por mãe e filho, cada um com suas limitações, carecia de outro tipo de apoio e não daquele que lhe estavam a dar, que era o saco com víveres, uma vez que, todos, mas todos os dias, ambos tomavam o pequeno-almoço no café, composto por uma sandes de queijo e um galão cada um, talvez por julgar que eu estava a pôr em causa o seu trabalho, vendo-se por isso ferida no seu orgulho, uma das senhoras presentes caiu-me em cima de uma forma «tão cristã», que ainda hoje nem o olhar me dirige, passados que já foram vários anos…

E este é apenas um dos vários casos que só comigo já se passaram… Por isso, conhecedor dos muitos males existentes entre pessoas e grupos, quando na Santa Missa todos dizem «ele está no meio de nós», sabendo que isso está longe da verdade, só por distração é que eu pronuncio tais palavras.

Quanto ao não sabermos o que dizemos no latim, basta termos o Ordinário da Missa com a tradução por baixo, e por outro lado, aceitarmos que o essencial da Missa é um Mistério…

Sobre isso mantenho ainda viva na memória a imagem de mim próprio quando era criança. Fixava-me, muitas vezes sem me aperceber se estaria a respirar, naquilo que para mim representava cada frase, cada momento da Santa Missa. Vejo agora que, de facto, naquele quadro tão simples, composto pelo Sagrado e pela criança interessada em perscrutar o Mistério, o não entendimento não impedia a atracção que o Espírito Santo em mim suscitava pelo Divino. É o que acontece nos corações que se deixam enamorar por Deus…
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(1) Renovamento Carismático.
(2) Propositadamente em minúscula, por não ser Ele, o Senhor, aquele que na verdade está no meio de nós.
José Augusto Santos

A traição da Irmã Lúcia


P. Gonçalo Portocarrero de Almada










A revelação do quarto segredo da mensagem de Fátima

É escandaloso, mas é verdade: decorridos quase cem anos sobre as aparições de Fátima, é possível afirmar que a principal vidente, não obstante a sua tão longa existência, não cumpriu, com eficiência, a sua missão aqui na terra.

É estranho que os jornalistas, tão argutos e corajosos na descoberta e publicitação dos «podres» da Igreja, nunca tenham denunciado este caso. Como misterioso é o silêncio que salvaguarda a memória da última vidente de Fátima, quando é por demais óbvio que defraudou as expectativas que sobre ela recaíram, nomeadamente como confidente da «Senhora mais brilhante do que o sol».

A matéria de facto é conhecida. Na segunda aparição da Cova da Iria, a Lúcia expressou um desejo comum aos três pastorinhos: «Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu». A esta súplica, a resposta de Maria não se fez esperar: «Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração».

Com efeito, a 4-4-1919, menos de dois anos depois das aparições marianas, o Beato Francisco Marto «morreu a sorrir-se», como seu pai confidenciou. Sua irmã, a Beata Jacinta, faleceria menos de um ano depois, a 20-2-1920, em Lisboa, depois de um longo martírio, vivido com exemplar espírito de penitência.

Não assim a prima Lúcia, a mais velha dos três e que, efectivamente, como Nossa Senhora tinha dito, ficou «cá mais algum tempo». Como Maria vive na eternidade de Deus, os 97 anos que tinha a Irmã Lúcia quando faleceu são só «algum tempo». Mas, se não acompanhou os seus primos no seu tão apressado trânsito para o Céu foi – recorde-se – para dar a conhecer e amar a Mãe de Deus e para estabelecer, a nível mundial, a devoção ao Imaculado Coração de Maria.

No entanto, como cumpriu a Lúcia este encargo que lhe foi expressamente pedido? Que fez, para espalhar mundialmente a devoção mariana? Pois bem, fecha-se, sob rigoroso anonimato, numa instituição religiosa, em que nem sequer às outras religiosas ou às educandas pode confidenciar a revelação de que fora alvo. Pior ainda: alguns anos depois, não satisfeita com aquele regime de voluntária reclusão, pede e alcança a graça de transitar para um convento de mais estrita clausura, onde se encerra para sempre, proibida, pela respectiva regra, de contactar com o mundo exterior, salvo em muito contadas ocasiões.

Ora bem, a Senhora aparecida em Fátima, incumbiu-a da divulgação mundial da devoção ao seu Imaculado Coração. Era de supor, portanto, que a Lúcia se tivesse dedicado a fazer tournées e roadshows internacionais, percorrendo o mundo inteiro e dando entrevistas sobre os factos de que era a única testemunha sobrevivente. Era de esperar que tivesse recorrido aos meios de comunicação social, sem excluir as modernas redes sociais, para promover o culto mariano. Era razoável que tivesse frequentado os talk-shows, para assim poder ser vista e conhecida por milhões de telespectadores de todo o mundo. Era lógico que se tivesse dedicado a escrever best-sellers de palpitante actualidade: «Eu vi o inferno!», ou «A vidente de Nossa Senhora confessa toda a verdade!», ou mesmo «Os segredos de Fátima sem tabus!», ou ainda «Por fim, tudo o que quis saber sobre a conversão da Rússia!».

É quanto basta para poder concluir que, humanamente, não cumpriu a sua missão. E, contudo, são às centenas de milhares os peregrinos que, ano após ano, rumam para a Cova da Iria, correspondendo ao apelo de Nossa Senhora de Fátima. Sem propaganda nem publicidade, sem marketing nem promoções, eles são, afinal, a expressão objectiva do misterioso triunfo da Irmã Lúcia ou, melhor dizendo, da eficácia sobrenatural da sua ineficiência humana. Quem sabe se não será esta tão escandalosa demonstração do poder da oração e do sacrifício, o quarto e o mais importante segredo da mensagem de Fátima?!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O absurdo de um mundo às avessas


maternidade

Médico que falha aborto é condenado a ajudar no sustento da criança até chegar aos 25 anos

Tudo começou, em Abril de 2010, quando uma mulher decidiu fazer um aborto numa clínica de Palma de Mallorca. Tudo indicava que a cirurgia tinha corrido bem. Inclusive, durante um exame ginecológico, feito duas semanas mais tarde, o médico assegurou-lhe que já não estava grávida.

Este facto foi desmentido três semanas mais tarde, quando a mulher voltou à mesma clínica por achar que estava de esperanças outra vez. Por surpresa, a jovem de 22 anos não só soube que estava à espera de bebé, como descobriu que se tratava do mesmo bebé que pensava ter tirado.

Entretanto, já se tinham passado 22 semanas e já não podia interromper a gravidez, uma vez que a lei espanhola só permite o aborto até à sétima semana de gestação. Resultado: o bebé acabou mesmo por nascer e tem, neste momento, pouco mais de ano e meio.

A mãe processou o médico e, numa sentença inédita, o tribunal de Palma de Mallorca condenou-o, assim como ao hospital e às seguradoras envolvidas, a indemnizar a jovem em 150 mil euros, por danos morais, e ainda a cuidar financeiramente da criança até que cumpra 25 anos de idade.

Com tudo isto, a mulher vai receber uma mensalidade de 978 euros para ter meios de cuidar do filho, durante um quarto de século.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A transparência do liberal Carlos Moedas


Os arautos da transparência, têm como adjunto do primeiro-ministro, o senhor Carlos Moedas, que se veio agora a saber ter 3 empresas ligadas às Finanças, aos Seguros e à Imagem e Comunicação, tendo tido como sócios, Pais do Amaral, Alexandre Relvas e Filipe de Button a quem comprou todas as quotas em Dezembro passado.

Como clientes tem a REN, a EDP, o IAPMEI, a ANA, a Liberty Seguros entre outros.

Nada obsceno para quem é adjunto de PPC !!!

E não é que o bom do Moedas até comprou as participações dos ex-sócios para «oferecer» o bolo inteiro à mulher???!!!! Diz ele à Sábado.

Não esquecer ainda que o Carlos Moedas é um dos homens de confiança do Goldman Sachs, a cabeça do Polvo Financeiro Mundial, onde estava a trabalhar antes de vir para o Governo.

Também o António Borges é outro ex- dirigente do Goldman e que agora está a «orientar» as Privatizações da TAP, ANA, GALP, Águas de Portugal, etc.

A Agência Ecclesia e o sobreiro alentejano




M. Pereira

Em curiosa peça de 7 de Maio da agência Ecclesia, assinada JCP/OC (José Carlos Patrício e Octávio Carmo, dois dos «progressistas» da agência), podemos tomar conhecimento de um facto de grande impacto na vida dos católicos da Diocese de Beja e da Igreja: «Ministra da Agricultura apoia Diocese na defesa do sobreiro alentejano». É obra!

Reza a notícia, escrita em acordo ortografês:

«A ministra da Agricultura participou este domingo, em Grândola, numa ação de sensibilização para a defesa do sobreiro alentejano enquanto “símbolo nacional”, integrada na oitava edição do festival de música sacra ‘Terras Sem Sombra’, da Diocese de Beja.»

É pena é que a Ecclesia tenha passado ao lado da entrevista dada por esta ministra do grupo de Paulo Portas ao Expresso onde defende o chamado «casamento» entre invertidos.

Seria bem mais interessante que a Ecclesia defendesse a moral cristã nas devidas ocasiões e promovesse as «católicas sem sombra» em vez desta vergonha nacional. As «católicas sem sombra», sim, são dignas de ser símbolo nacional.

Atlético de Madrid ofereceu o título
da Europa League à Virgem da Almudena

O Atlético de Madrid ofereceu o título da Europa League, conquistado em Bucareste ao derrotar na final o Athletic de Bilbao por 3-0, à Virgem da Almudena, Padroeira da capital espanhola, marcando o início dos festejos pela conquista do troféu continental, o segundo do time espanhol nos últimos três anos.

O conjunto branco e vermelho aterrou em Madrid depois do meio-dia e deslocou-se a um restaurante para realizar um almoço de celebração, para que posteriormente os jogadores, a equipe técnica e a directiva saíssem a bordo de um autocarro descoberto pelas ruas da cidade.

Assim, recebendo o calor da torcida desde a sua chegada à cidade, dirigiram-se à Catedral da Almudena, para realizar o tradicional oferecimento do troféu à Padroeira de Madrid.

«Vamos à igreja de Madrid para dar graças a Deus por este grande título e oferecer a taça à padroeira, que é padroeira também do Atlético. Pedimos-lhe que siga intercedendo pela nossa grande família vermelho e branca, por isso estaremos muito agradecidos», assinalou o presidente do clube Enrique Cerezo no seu breve discurso.

Posteriormente, Enrique Cerezo, com o técnico Diego Pablo Simeone e os três capitães, Antonio López, Luis Amaranto Perea e Gabi, ofereceram o troféu conquistado e um ramo de flores à Virgem da Almudena.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Bento XVI pede uma nova geração
de católicos para renovar à Igreja


Ao receber esta manhã um grupo de bispos dos Estados Unidos, o Papa Bento XVI apelou a uma nova geração de católicos, sustentados em um forte património cultural e espiritual, que permita a renovação da Igreja.

O Papa falava a um grupo de prelados norte-americanos que realizam a sua visita quinquenal ad limina a Roma. Em encontros anteriores, diversos grupos de bispos sublinharam a importância de preservar e fomentar o dom da unidade católica, como condição para o cumprimento da missão da Igreja nos Estados Unidos.

Respondendo a esta preocupação, Bento XVI referiu-se à necessidade de incorporar na Igreja nos Estados Unidos o património de fé e cultura dos imigrantes católicos.

O Papa elogiou o trabalho realizado pela Igreja norte-americana para responder ao fenómeno da imigração: «a comunidade católica nos Estados Unidos continua, com grande generosidade, recebendo ondas de novos imigrantes, proporcionar-lhes assistência pastoral e assistência económica, mas acima de tudo do ponto de vista humano».

Bento XVI ressaltou logo que «a imensa promessa e as energias vibrantes de uma nova geração de católicos estão esperando para ser aproveitados para a renovação da vida da Igreja e da reconstrução das camadas da sociedade americana».

Sobre a vida religiosa, o Papa expressou sua «profunda gratidão pelo exemplo de fidelidade e abnegação dado pelos muitos consagrados e consagradas no vosso país, e unir-me a eles em oração neste momento de discernimento espiritual que produzirá frutos abundantes para a revitalização e fortalecimento de suas comunidades em fidelidade a Cristo e à Igreja, bem como aos seus carismáticos fundadores».

Para concluir Bento XVI disse que «com o enfraquecimento progressivo dos valores tradicionais cristãos, e a ameaça de uma temporada na qual a nossa fidelidade ao Evangelho nos pode custar muito caro, a verdade de Cristo não apenas precisa ser compreendida, articulada e defendida, mas proposta com alegria e confiança, como a chave para a realização humana autêntica e para o bem-estar da sociedade como um todo».

As feridas da Igreja IX



 José Augusto Santos

Para quem, como eu, não gosta de fazer afirmações sem estar ciente do que diz, a bem da verdade, pese embora a questão não tenha qualquer relevância para o tema, impõe-se-me que faça a correcção de um pormenor do primeiro parágrafo do texto VII. Ela deve-se à atenção que teve para comigo o meu amigo Vítor, que, como médico, pese embora não seja oftalmologista, mandou-me um comprimidinho (enviado por e-mail) ao ver que a minha visão me impedia de ver bem o mapa da europa, razão pela qual disse que São Marino era o mais pequeno país deste continente, quando na verdade, ainda bem mais pequeno é o Mónaco, e mais ainda do que este é a Cidade-Estado do Vaticano, o mais pequeno Estado do mundo.

Feita a correcção, voltemos ao difícil trabalho de diagnóstico das feridas da Igreja, trabalho sem o qual se torna quase impossível trata-las.

Delineados que já tinha os pontos a tratar neste número, por razões de última hora, apesar do que já escrevera sobre isso, vi-me na necessidade de voltar à ferida principal, a Comunhão na mão. Assim, depois de ter exposto a posição do sagrado Magistério da Igreja sobre o assunto, vejamos ainda o que as revelações particulares nos dizem sobre isso.

Tanto a Virgem Santíssima como o seu Divino Filho, têm-Se manifestado por esse mundo fora, em cujas mensagens chamam a atenção da Igreja para o sacrilégio que é receber o Corpo Santíssimo de Jesus em nossas mãos. Nessas mensagens, o Céu corrobora a posição dos Santos Padres, do Supremo Magistério.

Mas porque será que tanto essas aparições como as mensagens nelas transmitidas, não chegam ao nosso conhecimento? Porque o dono da imprensa mundial, o Diabo, não o permite. Senão como explicar o conteúdo dos noticiários, cada vez mais cansativos, que exploram até à exaustão uma frase banal de um deputado, de um dirigente desportivo, como se aquilo fosse uma Notícia? Como explicar, senão pela acção directa do chifrudo, o termos que suportar a «notícia» (se não quisermos desligar a televisão) de um dos deuses da bola que foi visto a comprar roupa de uma determinada marca em determinada loja, ocupando com isso largos minutos a entreter o povão, e nem uns segundos são dedicados a acontecimentos como o ocorrido no mês passado na Índia, em que extremistas budistas incendiaram várias igrejas?

Vejamos o relato dos acontecimentos feito pelo Superior Provincial dos Franciscanos da OFM (Ordem dos Frades Menores) na India, ao lançar um urgente e doloroso apelo de oração, apelo que me chegou da Polónia, enviado pelo meu querido Padre Andrzej Gładysz, que por sua vez o recebeu do Bispo de Valparaíso (Chile):

«Rezai pela Igreja da Índia. Extremistas budistas, na Índia incendiaram 20 igrejas na noite passada (noite de 4-4-2012, nota minha). Esta tarde planearam destruir 200 igrejas na província de Olisabang. Têm intenção de matar 200 missionários nas próximas 24 horas. Neste momento todos os cristãos se estão escondendo nas aldeias. Rezai por eles e enviai este e-mail a todos os cristãos que conheçais. Pedi a Deus que tenha piedade de nossos irmãos e irmãs da Índia. Quando receberdes esta mensagem, rogo-vos que a envieis com urgência a outras pessoas. Rezai por eles a nosso omnipotente e vitorioso Senhor.»

Está-se mesmo a ver que seria pedir demais, o esperarmos que as televisões fizessem, de uma coisa tão sem importância, uma notícia... Coisa bem diferente, é ser-nos dado a saber, porque temos esse direito, que um destes dias o presidente dos EUA, pegou no seu cãozinho ao colo, em público, para lhe fazer uma festinha... Isso sim que já é notícia!...

Como ia dizendo, são estas as razões de fundo que nos impedem de termos conhecimento dos vários milagres que por esse mundo fora vão acontecendo, assim como de tudo quanto ao Maldito interesse ocultar. As tais revelações particulares, já ocorreram em vários lugares de Espanha, na Guatemala, na Austrália, na Polónia, na Bélgica, na Itália, nos EUA, na Áustria, no México, na Argentina, no Japão (neste caso, alertas para o castigo que cairá sobre a humanidade se não houver arrependimento) e outros lugares.

Citando as palavras do Senhor apenas na da Guatemala, porque de uma ou de outra forma em todas diz o mesmo, diz-nos na Mensagem nº 9: «Aquele que recebe a Sagrada Comunhão deve ajoelhar-se e recebe-la na língua, porque não está recebendo um simples pão nem uma simples comida; está recebendo a seu Deus, aquele Deus que morreu por ele (…). O demónio ao tentar destruir a Igreja, fá-lo-á por meio da Eucaristia; porque ao não se fazer bem (o rito), as graças não chegarão aos meus filhos.»

Da mais improvável fonte de informação, também nos chegam esclarecimentos surpreendentes. Os próprios demónios, à semelhança de alguns episódios relatados na Sagrada Escritura, são obrigados a falar, pelo poder que sobre eles foi dado por Cristo aos Apóstolos, à sua Igreja. É o que acontece em determinados exorcismos, sobre cuja matéria se consegue encontrar alguma literatura.

Sobre um conhecido caso (1) tornado público na década de 70, depois de vários exorcismos confirmarem a autenticidade dos fenómenos e em que chegou a participar o Prelado Prof. Dr. Georg Siegmund, de Fulda, os demónios foram obrigados, sob as ordens da Santíssima Virgem, a declarar: «Devem receber a Comunhão na boca e não na mão… Ela (St.ma Virgem), se ainda vivesse receberia a Comunhão na boca, mas de joelhos e se inclinaria profundamente…». No exorcismo de 18-6-77, os demónios fazem uma revelação algo surpreendente: que Cristo, ao instituir a Eucaristia, na Última Ceia, deu o pão na boca dos Apóstolos, e que estes jamais o fizeram de outra forma. Se mais tarde foi dada na mão, foi porque «se compreendiam mal as coisas» (pg. 266). Nesse exorcismo, confessaram os demónios serem eles os promotores da Comunhão na mão. E dizem ainda mais: se os sacerdotes dessem a Comunhão na boca, ainda que ao princípio tivessem dificuldades, porque eles (os demónios) deitariam azeite no lume, haveria mais fiéis nas igrejas.
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(1) Buonaventur Meyer, em Avisos do Além, ed. espanhola de 1988



A Amnistia Internacional aproveita
o Dia Internacional da Família para apoiar
o «matrimónio» entre pederastas



No Dia Internacional da Família, a Amnistia Internacional (AI) exprimiu o seu apoio ao «matrimónio» entre pederastas e instou os estados a promovê-lo como se fosse um «direito humano».

Tal significa que esta organização se encontra nas mãos da máfia pederasta.

Esta é a organização nascida de uma enorme mentira sobre Portugal dos anos 60: dois estudantes teriam sido presos por estarem num café a falar contra o Governo… na perspectiva da máquina de propaganda cunhalista-soviética de convencer o mundo de que a repressão da PIDE seria dirigida contra todos os opositores (como dois «estudantes»…) e não apenas contra os servidores do Pacto de Varsóvia.

O Vice-Primeiro-Ministro da Hungria
em Fátima


O Vice-Primeiro-Ministro da Hungria, em Fátima, falou sobre a Constituição daquele país, que defende a vida desde a concepção e refere a identidade cristã da nação.

De passagem por Portugal para as cerimónias do 13 de Maio, conta porque um país que escapou do comunismo voltou a enraizar-se firme e constitucionalmente na tradição cristã.

«É uma Constituição que corresponde às tradições húngaras. E não aceitamos lições vindas de qualquer parte».

«Na questão da defesa da vida humana, a Constituição estabelece que o embrião é considerado vida humana. Como tal, a vida humana é protegida a partir do momento da concepção».

A Constituição da Hungria provocou polémica em Bruxelas junto da Comissão Europeia, mas Zsolt Semjen refere que o documento respeita, acima de tudo, as tradições cristãs do país.

«É o resultado da vontade na nação húngara e o resultado lógico da história da Hungria. A constituição começa com a palavra Deus, citando a primeira linha do Hino húngaro, que diz ‘Deus abençoa os húngaros’.»

O Vice-Primeiro-Ministro da Hungria sustenta também que a esquerda europeia, de raiz jacobina, não aceita a maioria absoluta da direita húngara. «O povo húngaro escolheu o Governo de centro-direita com uma maioria de dois terços. E essa mesma maioria fez uma constituição cristã».

«A esquerda europeia de origem jacobina não consegue aceitar o facto de que a direita possa ter uma maioria absoluta. Também não consegue aceitar o facto de um país que se libertou do comunismo volte às raízes cristãs e aos fundamentos cristãos.»


Fenómeno da áura do sol em Fátima,
pelo segundo ano consecutivo




Pelo segundo ano consecutivo, no mesmo dia e na mesma hora, durante a procissão do Adeus, uma enorme áurea formou-se em torno do sol, sendo possível de se olhar directamente para ele.

Cientificamente, este fenómeno é explicável? Sim, apesar de ser um fenómeno de tal forma raro, que muito poucas pessoas em todo o mundo a ele assistiram.

Estatisticamente, é aceitável como normal? Não. É praticamente impossível.
A possibilidade deste fenómeno se verificar neste mesmo local, neste mesmo dia do ano, na mesma hora e nos mesmos minutos, e isto, dois anos consecutivos, é praticamente impossível a não ser por uma explicação que ultrapassa o que consideramos de normal.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Conferência Episcopal americana critica
apoio de Obama a «casamento»
entre homossexuais



O Presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América (USCCB) criticou o Presidente norte-americano Barack Obama, que esta quarta-feira assumiu uma posição pessoal favorável ao «casamento» entre pessoas do mesmo sexo.

Para o cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova Iorque, as declarações de Obama são profundamente «entristecedoras».

«Não podemos calar-nos perante palavras ou acções que possam minar a instituição do casamento, a verdadeira pedra angular da nossa sociedade», assinala o cardeal, num depoimento publicado pelo site da USCCB.

D. Timothy Dolan revela não ter ficado surpreendido, acusando a administração de Obama de «ignorar o significado único do casamento» enquanto «união de um homem e uma mulher».

«Para mim, é importante dizer, a título pessoal, que penso que os casais do mesmo sexo devem poder casar-se», afirmou Barack Obama, em entrevista ao canal televisivo ABC.

Cardeal Ravasi - Homilia em Fátima


Caros irmãos e irmãs,

Há muitos anos, na minha juventude, estava também eu aqui no meio da grande multidão dos peregrinos numa jornada luminosa como esta. Sinto-me também hoje próximo de cada um de vós, com o olhar simples e espantado dos três pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta, dirigido para a Mãe do Senhor, na escuta da sua voz. Ela envia-nos para a Palavra de Deus que ressoou agora nos nossos ouvidos e nos nossos corações, nesta solene liturgia. Escolhemos para a nossa reflexão um único símbolo que possa recolher na unidade a multiplicidade dos temas, dos pensamentos, das imagens que as três passagens bíblicas nos ofereceram [Apocalipse 21, 3-4, Romanos 12, 1-2, Mateus 12, 46-50].

É São Paulo que o propõe no fragmento da sua obra-prima teológica, a carta aos Romanos, acabado de proclamar. O Apóstolo diz literalmente, em grego: «Oferecei os vossos sómatas, [os vossos] corpos a Deus». Eis o grande símbolo que está em nós e ao nosso lado, antes, que somos nós próprios e os nossos irmãos e irmãs. De facto, o corpo não é só um aglomerado de células, um organismo biológico, mas é a sede da nossa alma, da consciência, da mente; é a via para comunicar a alegria e o amor mas também a dor e o ódio; é «o templo do Espírito Santo», como dirá aos cristãos de Corinto o mesmo Paulo (1 Cor 6, 19), mas é também um santuário que pode ser dessacralizado pelo pecado.

Infelizmente, na sociedade contemporânea, são os corpos sem alma a dominar, tornando-se carne sem espírito, ora adorada ora desprezada. Tinham razão os indígenas brasileiros que disseram ao escritor alemão Michael Ende: «nestes últimos tempos, andamos para a frente tão rapidamente como progresso que temos de parar um pouco para permitir às nossas almas atingir-nos». Ora bem, o corpo é uma arquitectura admirável que tem sobretudo no rosto a via para se abrir ao mundo e ao próximo. Procuremos, então, contemplar o rosto em alguns dos seus traços essenciais.

O apóstolo Paulo, seguindo sempre as suas palavras gregas originais, introduz logo a seguir o nous, isto é a mente que tem na fronte e no cérebro a sua representação física. É o pensamento, a razão, o conhecimento. Como dizia o grande crente, filósofo e cientista Pascal, é esta a nossa dignidade mas também o nosso risco. Escrevia: «Dois são os excessos: excluir a razão, admitir apenas a razão». E continuava: «Empenhar-se em pensar bem é este o princípio da moral... Mas o último passo da razão é reconhecer que há uma infinidade de coisas que a ultrapassam».

Na cultura contemporânea, que é muitas vezes fluida, inconsistente, semelhante a uma neblina que não conhece pontos firmes morais e luzes de verdade, o Apóstolo convida-nos a não nos «conformarmos com este mundo», navegando na superfície, à deriva, sem reflectir e interrogar, sem procurar e julgar. Paulo, ao contrário, exorta-nos a «transformar-nos», tende a mente fixa no que «é bom, agradável a Deus e perfeito».

No rosto brilham os olhos: eles aparecem no texto fulgurante do Apocalipse que escutamos. A cena é emocionante e João retira-a do profeta Isaías: na cidade da esperança, a nova Jerusalém, Deus passará diante de todos os homens e mulheres e, quando vir as lágrimas descer dos seus olhos, irá ele mesmo enxugá-las. E das estradas daquela cidade logo fugirão todas as tristes presenças que infelizmente neste momento se alojam ainda em Fátima, em todas as cidades e vilas de Portugal, nas nações das quais provêm os peregrinos, nas extremas terras desoladas da Ásia ou da África, nas metrópoles caóticas.

Estes terríveis habitantes chamam-se «Morte, Luto, Lamento, ânsia». Muitos de nós viemos aqui com olhos velados de choro. Um antigo poeta grego, Ésquilo, exclamava: «Infinita é a respiração da dor que sobe da terra ao céu. Existirá um Deus que a recolha?». A sua pergunta céptica não tinha resposta: Nós, ao contrário, apresentamos a nossa secreta bagagem de sofrimentos, de doenças, de mal, de pecado, de solidão, de incompreensões a Maria para que a entregue ao seu Filho. E Ele descerá ainda ao meio de nós para cancelar, certamente alguma lágrima, mas sobretudo para trazer sobre si connosco este peso, caminhando ao nosso lado pelas estradas da nossa vida quotidiana.

Muitas vezes cobrimos a cara com as mãos para esconder o choro ou a vergonha ou para nos isolarmos na meditação. Ora bem, depois de mente e dos olhos, as mãos são o terceiro sinal corporal que encontramos na Palavra de Deus desta liturgia. É na cena evangélica que mostra, quase escondida entre a multidão a escutar Jesus, também a sua mãe Maria. Cristo estende a mão para os discípulos e define o vínculo íntimo que o une à sua mãe e a todos nós. É o enlaçar das mãos. E logo a seguir afirma: «Quem faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe».

«Fazer», operar é o verbo típico das mãos. Não devemos ter medo de sujar as mãos, ajudando os miseráveis da terra: para que servirá ter as mãos limpas, se as temos no bolso? Um autor espiritual, Thomas Merton, afirmava: «A vida escapa-nos das mãos, pode escapar como areia árida ou como semente fecunda de obras justas». O aperto de mãos que nos daremos como sinal de paz seja a promessa de fraternidade operativa, cumprindo «a vontade do Pai que está nos céus». Fazendo assim, daremos a nossa mão ao próprio Deus e, como dizia o escritor francês Julien Green, «quando se dá a mão a Deus, ele não larga facilmente a presa».

O corpo, a mente, os olhos, as mãos: estes símbolos que estão em nós próprios falem sempre aos nossos corações e orientem a nossa vida, sob o olhar de Maria e do seu Filho Jesus. Lembremo-nos uns dos outros, unidos na mesma fé e na comunhão de afectos, para além das distâncias e das dificuldades das línguas. Esta noite, regressado a Roma, da minha janela que dá para a basílica e a cúpula de São Pedro e para a residência do Papa Bento XVI, do qual sou colaborador, confiarei a Deus o nosso encontro. Ele, que conhece cada rosto das suas criaturas, vos abençoe e ponha ao vosso lado um «anjo da guarda à noite transparente», como cantava de Fátima o vosso poeta Vitorino Nemésio. E, a cada um de vós, Maria refaça a promessa dirigida à Lúcia: «Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá a Deus».


As feridas da Igreja VIII



Há vários anos, depois de ter assistido à exaltação de Lutero (feita por uma formadora de catequistas!...), escrevi no jornal da Paróquia (então sob a minha responsabilidade) um artigo cujo conteúdo ia contra a corrente dominante em alguns sectores da Igreja, onde se encontram enganados muitos fiéis, ao ponto de alguns até admitirem que o senhor Martinho Lutero deveria ser reabilitado pela Santa Sé... Hoje em dia, não nos deve estranhar o facto de encontrarmos bons Católicos que tenham sido levados a ver Lutero com alguma simpatia, pois, se até altos membros do clero já lhe têm tecido públicos elogios...

Uma dessas tomadas de posição mais impactantes foi a do Cardeal Willebrands (pioneiro do ecumenismo e do diálogo inter-religioso) em 16 de Julho de 1970, quando, na qualidade de Presidente do Conselho Pontifício para a unidade dos cristãos, na Assembleia da Federação Luterana Mundial, em Evian (França), disse: «O Concílio Vaticano II acolheu exigências que já tinham sido expressadas em seu tempo por Lutero, por meio das quais há aspectos da Fé cristã que se expressam actualmente mais claramente e melhor do que antes. Lutero mostrou de uma maneira extraordinária para a sua época o arranque da Teologia e da vida cristã».

Que grande bofetada para tantos vultos da Fé que tanto combateram esta praga nascida na Seara de Cristo… Que ultraje para o Seu Corpo Místico, que traição, feita por estes novos Judas…

Exaltar assim, quem disse que Cristo cometeu adultério por mais do que uma vez; quem, num panfleto de Março de 1545, intitulado «Contra o pontificado romano fundado pelo diabo», ao falar do Papa, se refere a ele, não como Papa, nem muito menos como Santo Padre, mas como «infernalíssimo»; louvar quem, a propósito das sangrentas perseguições movidas por Henrique VIII aos católicos ingleses, escreve a Melanchton, seu correligionário e «sucessor»: «É lícito encolerizar-se quando se sabe que espécie de traidores, ladrões e assassinos são os papas, seus cardeais e seus delegados. Deus se comprazeria que vários reis de Inglaterra se empenhassem em acabar com eles…» E incita ainda a que «agarrem o Papa, os cardeais e toda a pandilha da Sodoma romana e lavemos as mãos com o seu sangue». (1)

Os católicos cujo liberalismo os levou a tornarem-se numa espécie de «catolicoluteranos», certamente que desconhecem aquela sua outra face que muitos autores sempre esconderam. Não acredito que católico algum, do mais liberal ao mais conservador, continua-se a «luteranizar-se» se conhecesse aquele senhor completamente. Como é possível continuar a ser «catolicoluterano» (atenção que o termo não existe…), a partir do momento que se conhece o seu «lado de trás» (como por vezes digo quando me refiro à parte não visível da coisa)?

Continuando pois, na análise desse lado oculto, contrariamente à Teologia Católica, que nos diz que pela Graça a consciência nos indica o sentido do bem e do mal, o senhor Lutero diz que a voz da consciência é a do demónio... Aplaudir, portanto, este senhor, ou é cegueira ou estupidez. Mas prefiro acreditar que seja por puro desconhecimento do que nunca nos fora revelado. Senão, como poderia aplaudir-se quem, numa outra carta a Melanchton, datada de 1-8-1521, escreve: «Sê pecador e peca fortemente… durante a vida presente, devemos pecar… ainda que cometamos mil homicídios e mil adultérios por dia.»

Assim falava quem desprezava a importância das obras. E para esconder o peso da culpa, que derivava das suas «boas obras» (como aquelas que resultaram em sete filhos…), proclamou a tese em que diz que para salvar-se basta a fé em Cristo… Sob o efeito de tamanha diarreia mental, volta a escrever: «Todo o Decálogo (a Lei dada por Deus a Moisés) se deve apagar de nossos olhos e de nossa alma…».

E para que a Bíblia não lhe servisse de travão a tanta loucura, refugia-se no que ele chama de inspiração interior, que permite a cada um interpretar a Palavra de Deus segundo essa «inspiração». Mas como há textos na sagrada Escritura demasiado objectivos, demasiado claros, ele rejeita-os (pois claro!): as Epístolas de S. Tiago, S. Judas, 2ª de S. Pedro, 2ª e 3ª de S. João, e Hebreus. Ri-se de Eclesiastes, e diz que Job é uma fábula (2) (livros que hoje compõem as Bíblias protestantes).

A rejeição da 3.ª Carta de S. João, terá sido por se rever no papel de Diótrefes, a avaliar pelo que, em seu desvario, chegou a dizer dele mesmo: «Não vos parece este Lutero um homem extravagante? Para mim tenho-o como Deus. Senão, como poderiam ter os seus escritos e o seu nome a potência de transformar mendigos em senhores, e asnos em doutores...?» (3)
De entre os vários textos da Sagrada Escritura que ele rejeitou, vejamos o que mais poderia pesar, e de que maneira, ao Sr. Martinho:

«De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo?» (Tg 2, 14). «Todo aquele que passa adiante e não permanece na doutrina de Cristo não tem Deus consigo; mas aquele que permanece na doutrina, esse tem em si o Pai e o Filho. Se alguém vier até vós e não traz esta doutrina, não o recebais em vossa casa nem o saudeis, pois quem o saúda torna-se cúmplice das suas más obras» (2Jo 1, 9-11).

Demasiado óbvia, pois claro, para que o Sr. Lutero pudesse contorná-la... Lendo a 2.ª Carta de S. Pedro, verá o leitor a razão pela qual Lutero tinha que se esquivar àquele «estadulho a cair-lhe pelas costas abaixo»...

Com base nas mais do que insuspeitas fontes, espero, pelo menos, levar a uma séria reflexão tantos bons Católicos que, sem que disso se deiam conta, estão a prestar culto a Deus de uma forma muito protestantizada...
____________
(1) ”Propos de Table”, Nº 1472, ed. de Weimar II, 107. Citado por Funck Brentano em «Luther», 7a ed. Crasset-Paris. Publicado ainda pelo Boletim “Covadonga Informa”, Nº 77 (artigo do Prof. Plínio Correia de Oliveira).
(2) S. Francisco de Sales, Meditações sobre a Igreja, p. II, c. 1,4 BAC-1985
(3) Textos de diversos autores, recolhidos pelo Pe. Leonel Franca S.J., em A Igreja, a Reforma e a Civilização, 3ª ed. Rio de Janeiro, 1934.    


José Augusto Santos, As feridas da Igreja – VIII, in Notícias de Chaves, Nº 3168, p. 17 (11-5-2012)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Festa em Família - 13 de Maio de 2012


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A disciplina de Educação Sexual continua a rondar a educação dos nossos filhos...
estejamos atentos...

A disciplina de Educação Sexual continua a rondar perigosamente a educação dos nossos filhos... estejamos atentos.

Os interesses que estão em causa não têm nada a ver com a formação humana das crianças, mas somente com interesses geo-políticos e estratégicos americanos.

Veja esta apresentação para se manter informado... Proteja os seus filhos. Proteja a sua família. Proteja Portugal.

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terça-feira, 8 de maio de 2012

A lógica da decadência



D. Nuno Brás

Não gosto de ser «profeta da desgraça» mas, infelizmente, creio que nem é preciso ser profeta. Basta, simplesmente, darmo-nos conta da realidade. No mundo ocidental, vivemos numa clara «lógica da decadência». Em todos os âmbitos e de há vários anos a esta parte.

Na economia, a «ciência das ciências» sem a qual parece que ninguém pode sobreviver, o que importa são os números, as estatísticas, e particularmente o crescimento da riqueza. De tempos-a-tempos vem uma crise, uns quantos declaram falência, outros passam por momentos mais difíceis, mas como, depois, o mecanismo se reajusta por si mesmo, tudo parece acabar bem, como num qualquer romance cor-de-rosa. Só nos esquecemos dos dramas humanos que, entretanto, foram vividos, e daqueles outros criados pela nova situação.

Na vida social, impôs-se o «politicamente correcto» ditado pelos telejornais e respectivos comentadores. Basta que cada um viva de acordo com os padrões estéticos (muito mais importantes hoje que os valores éticos), tenha dinheiro suficiente, gaste bastante em roupa e produtos tecnológicos, e possa viver como egoisticamente lhe apetece. Deixámos de ser uma sociedade, para sermos um conjunto de indivíduos que vivem ao lado uns dos outros, na esperança que ninguém retire ao outro o sossego que lhe é devido. E o direito passou a tutelar esse modo de viver. A família deixou de ter qualquer valor. Tanto dá que possa ou não ser o berço da vida. A lei só tem que defender o egoísta e aquilo que lhe apetece no momento.

Aliás, há muito que a vida humana deixou, efectivamente, de contar. Somos capazes de defender com tenacidade a vida das baleias, dos golfinhos e das plantas raras ou em vias de extinção; mas só em Portugal o Estado patrocinou cerca de 80.000 abortos (80.000 portugueses que foram mortos com a cobertura da lei e das instituições, sem terem cometido qualquer crime), mesmo que, depois, se mostre preocupado com a crescente diminuição da população portuguesa. Não tardará a que surjam opiniões nacionais a defender, como aconteceu numa recente revista britânica, que é perfeitamente legítimo matar recém-nascidos que não se integrem nos padrões decididos pela sociedade.

A própria fé não raras vezes é olhada como sendo demasiado exigente. Por isso, cada um faz os «descontos» que lhe apraz – cada crente (infelizmente, mesmo alguns sacerdotes) acha que a deve viver de uma forma mais suave (leia-se: menos exigente), até para que não o chamem de «fundamentalista» (pecado mortal numa sociedade em decadência e onde tudo vale), e as suas incapacidades, pecados e falta de coragem se vejam pretensamente justificados aos olhos de Deus.

E poderíamos continuar… Mas recuso-me a ser profeta da desgraça. Até porque é neste mundo, que se encaminha a passos largos para a decadência, que Deus nos enviou a proclamar com ousadia a Boa Nova do Evangelho. E essa propõe a todos uma vida nova, «radicalmente nova» – ou seja, nova de raiz, não a partir do homem mas de Deus. Ou melhor, a partir de Jesus de Nazaré.

Se Camões fosse vivo escreveria assim...


                               I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

                                II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

                               III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

                             IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Sem Tostões

domingo, 6 de maio de 2012

Fim do Euro preocupa. E o fim dos europeus?



D. Nuno Brás lamenta que os europeus se preocupem mais com a possibilidade de acabar a moeda única do que com a sua própria existência e futuro. Só assim entende que em vários países se esteja a liberalizar cada vez mais quer o aborto quer a eutanásia. 

«Não deixa de ser interessante quando estamos muito aflitos que o euro vai desaparecer, ou que a União Europeia vai desaparecer, depois não ficamos nada aflitos, antes pelo contrário, fazemos estas leis e estas normas. Eu creio que aqui se vê muito bem o que é que conta para a Europa neste momento - é o dinheiro, é o ter, os valores estão completamente invertidos», refere o bispo-auxiliar de Lisboa. 

Para D. Nuno Brás a Europa tem de alterar o rumo porque corre o risco de desaparecer: «Eu espero que Portugal e a Europa toda, a dada altura, ponham a mão na consciência e percebam que assim caminhamos para o desaparecimento da Europa. Agora, não me parece que seja inevitável. Espero eu, quando chegar aos 70 anos, que já existam leis que proíbam claramente a eutanásia e o aborto. Espero que sim, que a humanidade seja capaz de caminhar para uma viragem de razoabilidade. Temos de ser pessoas de esperança». 

Já a jornalista Aura Miguel considerou particularmente alarmante, e um sinal evidente da decadência da Europa, o caso holandês onde a legislação desvaloriza cada vez mais a vida na sua fase final: «na Holanda, como sabem, agora é de tal maneira liberalizada a eutanásia que muitos idosos estão a fugir para lares na Alemanha porque têm medo de entrar no Hospital e matarem-nos. Andam com cartões a dizer: por favor não me matem». 

A questão do aborto e da eutanásia foi levantada no debate desta quarta-feira à noite, na Renascença, a propósito da «Cimeira Global Pró-Vida» que sexta-feira e sábado vai reunir, em Lisboa, responsáveis de vários países. Portugal estará representado no encontro pela Comissão Nacional Pró-Referendo à Vida que já reuniu quase metade das 75 mil assinaturas necessárias para convocar uma consulta popular visando o «reconhecimento da inviolabilidade da vida humana, desde a concepção até à morte natural». 

O juíz Pedro Vaz Patto, outro dos participantes no debate, admitiu que Portugal até possa vir a referendar de novo o aborto, mas para isso são necessárias algumas garantias: «Embora os referendos que houve não sejam vinculativos, por questões políticas, é natural que a lei em vigor só possa vir a ser alterada por outro referendo. Esta iniciativa é de saudar na medida em que representa uma reacção a esta ideia de resignação, de que não há nada a fazer. Agora, a mim parece-me que para além de requerer o referendo é necessário que haja garantias de que o resultado não seja igual ao último, a começar pela indiferença das pessoas que levou muitos a nem sequer votar». 

«Garantir que o resultado seja diferente supõe uma mudança de mentalidade que infelizmente eu ainda não vejo na sociedade portuguesa», acrescentou.

O Juiz Vaz Patto recorreu, ainda, ao exemplo da Polónia para mostrar que não há leis irreversíveis: «Neste âmbito da legislação relativa ao aborto tem-se um bocadinho a ideia de que há uma irreversibilidade,  quando há uma alteração no sentido da liberalização não se volta atrás, mas não tem sido assim em todos os países. A Polónia, por exemplo, onde no tempo do comunismo o aborto foi banalizado ao extremo, hoje tem uma lei bastante restritiva e ainda recentemente foi feita uma proposta no sentido da proibição total do aborto que por muito pouco não foi aprovada». 

No debate, moderado pela jornalista Ângela Roque, falou-se ainda do encontro da Pastoral da Saúde, a decorrer em Fátima, dos últimos dados do desemprego em Portugal, do 1º de Maio e da polémica campanha de uma cadeia de supermercados que arrastou milhares de portugueses para as compras no Dia do Trabalhador. 

Lembrou-se ainda o primeiro aniversário da beatificação de João Paulo II e a perseguição aos cristãos que fez novas vítimas no Quénia e na Nigéria.