segunda-feira, 30 de abril de 2012

O suicídio e a actual crise económica


Pedro Afonso, médico psiquiatra







De acordo com os números do Instituto Nacional de Estatística, em 2010 as mortes por suicídio em Portugal ultrapassaram pela primeira vez, os óbitos provocados por acidentes rodoviários. Neste caso, ocorreram no nosso país 1101 óbitos por suicídio, mais 86 do que as mortes registadas em acidentes nas estradas durante o mesmo período.

Desde a «grande depressão», com início em 1929 nos EUA, que se conhece a relação entre a crise económica e o aumento do número de suicídios. Ora, considerando o crescimento da taxa de desemprego para cerca de 15%, as dificuldades económicas da população e o consequente acréscimo dos casos de depressão, existem sérios riscos de ocorrer no nosso país um aumento exponencial do número de suicídios. Um estudo publicado em 2009, na revista Lancet, revelou que na UE cada aumento de 1% do desemprego está associado a uma subida de 0,8% de suicídios. Além disso, verificou-se que um aumento superior a 3% na taxa de desemprego encontra-se associada a um acréscimo de 4,5% de suicídios.

Mas será que este aumento do número de suicídios poderá ser evitado? Existem pelo menos dois países da UE que conseguiram alcançar este objectivo. Na Suécia, o desemprego aumentou de 2,1% para 5,7 % entre 1991 e 1992, mas apesar disso a taxa de suicídios diminuiu. Por sua vez, na Finlândia, o desemprego aumentou de 3,2% para 16,6% entre 1990 e 1993 e as taxas de suicídios diminuíram ano após ano. Este sucesso pode ser em grande parte explicado pelo facto de ambos os países disporem de um forte modelo de protecção social e terem implementado programas de estímulo à procura e criação de emprego, a par de possuírem bons cuidados de saúde mental.

O aumento das doenças psiquiátricas associadas à crise económica é um problema que terá de ser monitorizado pelo governo, devendo ser tomadas algumas medidas que podem salvar vidas. Por exemplo, os serviços de saúde devem acompanhar as situações mais dramáticas, como são os casos em que ambos os elementos do casal estão desempregados, ou quando existem filhos menores que podem sofrer graves carências com o empobrecimento dos pais. De resto, umas das maiores humilhações que o ser humano pode sofrer é não conseguir garantir a alimentação dos seus próprios filhos.

Sabendo que a crise veio para durar, já não se trata de solicitar aos portugueses que façam alguns sacrifícios, trata-se de lhes pedir que acatem resignadamente uma vida servil de constante provações, exigindo por vezes que ultrapassem os limites do suportável da sua saúde mental. Talvez por isso é que tomo cada vez mais consciência do sentimento de impotência perante muitos casos de depressão e sinto uma força irreprimível de escrever a palavra «fome» no diagnóstico psiquiátrico da ficha de observação.

O pior sinal que poderíamos dar actualmente ao mundo seria o de uma sociedade que se resigna perante o sofrimento dos mais fracos e que permanece impassível face à sua própria destruição. A indiferença política diante do aumento do número de suicídios, no contexto da presente crise económica, pode tornar-se perigosa, pois corrompe o tecido social e exprime a renúncia a um importante compromisso: o compromisso com o futuro.

Mulher do milionário Bill Gates ataca
ensino católico sobre controlo da natalidade


Timothy Herrmann


Melinda Gates, co-directora da Fundação Bill & Melinda Gates e uma católica, diz aos governos que ignorem a ligação polémica entre contracepção e controle populacional e explicitamente rejeitem o ensino social católico. A retórica dela é parte da nova campanha «Sem Polémica» da sua fundação milionária para reforçar o acesso universal ao controlo da natalidade como prioridade no mundo em desenvolvimento.

Numa conferência TedxChange em Berlim, Melinda argumentou que a contracepção tem sido erroneamente associada ao controle populacional, aborto, esterilização forçada e pecado mortal e insistiu em que eles são «problemas secundários» que «se vincularam à ideia central de que os homens e as mulheres têm de ter condições de decidir quando ter um filho».

Contudo, até mesmo a própria Melinda confessou que durante anos o controle populacional e a contracepção se tornaram sinónimos no mundo em desenvolvimento, com países como a Índia «adoptando incentivos infelizes e métodos coercivos como parte de suas campanhas de planeamento familiar» na década de 1960 e mulheres indígenas do Perú, «anestesiadas e esterilizadas sem seu conhecimento» em data tão recente quanto a década de 1990.

Embora essas práticas coercivas tenham perdido a popularidade, pode ser muito mais difícil para organizações como a Fundação Gates separarem a sua própria promoção da contracepção inteiramente do controle populacional.

Rabino judeu critica intolerância
do evolucionismo darwinista nos EUA


O rabino ortodoxo judeu Moshe Averick criticou duramente a intolerância do evolucionismo ateu e de um de seus principais promotores nos Estados Unidos, o Dr. Jerry Coyne, num artigo intitulado «Darwin é Deus e eu, Dr. Jerry Coyne, seu Profeta».

Averick denunciou, na sua coluna no jornal judeu Algemeiner Journal, que Coyne, biólogo evolucionista da Universidade de Chicago (Estados Unidos), «declarou a sua própria forma de jihad contra os fiéis que se recusem a mostrar a adequada lealdade à visão da realidade atei-científica e é obvio darwinista».

«Coyne vê o seu papel como um ser muito maior que um professor que ensina uma disciplina científica; ele pôs o manto da Ateologista' e está a levar a boa nova a todo lugar onde possa».

Conforme indica o rabino, o cientista estadunidense pediu que se fechem as portas do ensino universitário nos cursos de ciência a quem questione sequer «a validez da teoria evolucionista».

Coyne assinalou que pensar numa evolução em que tenha participado Deus (teoria do Desenho Inteligente) «não é científico, já que os biólogos vêem os humanos, como qualquer outra espécie, evolução por processos naturais».

Para Moshe Averick, os cientistas materialistas como Coyne, «no seu zelo ateu tentam silenciar a livre expressão e o aberto intercâmbio de ideias».

Depois de citar um fragmento da Constituição dos Estados Unidos, Averick assinalou que «os seres humanos estão dotados de direitos inalienáveis por seu Criador infinito, enquanto que a evolução darwinista não dota ninguém e nada com nenhum direito inerente no absoluto».

«Os Estados Unidos estão construídos sobre a noção de que somos responsáveis pelos nossos actos perante o Supremo Juiz. A evolução darwinista está construída sobre o princípio de que o ser humano é para um tubarão o que o tubarão é para uma barata, não há responsabilidade de poder superior que dirija a evolução».

quinta-feira, 26 de abril de 2012

China: Mais de 22 mil pessoas
foram baptizadas na Páscoa


Três quartos dos novos católicos são adultos, adianta Serviço de Informação do Vaticano


O Serviço de Informação do Vaticano revelou que mais de 22 mil novos católicos receberam o baptismo no domingo de Páscoa, 8 de abril, 75% dos quais eram adultos.

Os dados foram recolhidos pelo «Study Center of Faith» (Centro de estudos da fé), da província chinesa do Hebei, e publicados pela Agência Fides, do Vaticano.

Os fiéis eram oriundos de 101 dioceses, com 3500 novos católicos em Hong Kong, onde existem 360 mil baptizados.

O VIS destaca que algumas dioceses não celebram todos os baptismos no dia de Páscoa, pelo que o número total deverá aumentar até final do ano.

O Vaticano acolhe até quarta-feira uma nova reunião da comissão criada por Bento XVI, em 2007, para debater as «questões de maior importância» para a Igreja Católica na China.

O encontro reúne os superiores de organismos da Cúria Romana e alguns representantes do episcopado chinês e congregações religiosas.

Na China existem entre oito a 12 milhões de católicos, segundo o Vaticano, divididos entre os que pertencem à Igreja «oficial» (Associação Patriótica Católica – APC, controlado por Pequim) e à «clandestina», fiel a Roma.

As relações diplomáticas entre a China e a Santa Sé terminaram em 1951, após a expulsão de todos os missionários estrangeiros, muitos dos quais se refugiaram em Hong Kong, Macau e Taiwan.


terça-feira, 24 de abril de 2012

Vaticano avaliará religiosas dos Estados Unidos visando uma «renovação paciente»



Considerando a existência de desvios doutrinais por parte de ordens religiosas femininas, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou uma nota dirigida às superioras das ordens religiosas nos Estados Unidos, onde incentiva a «uma renovação paciente» apoiada na doutrina católica.

O Cardeal William Levada explicou que o documento procura animar uma renovação paciente «para dotar suas múltiplas e louváveis iniciativas e actividades de um maior fundamento doutrinal" devido à existência de "problemas doutrinais sérios que correspondem a muitas pessoas na vida consagrada». 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A insustentabilidade da Segurança Social



Pi-Erre *

A propósito das notícias sobre as dificuldades da Segurança Social e que levou o Governo a suspender as Reformas antecipadas, é interessante relembrar o historial associado a esta matéria.

A Segurança Social nasceu da Fusão (Nacionalização) de praticamente todas as Caixas de Previdência existentes, feita pelos Governos Comunistas e Socialistas, depois do 25 de Abril de 1974. As Contribuições que entravam nessas Caixas eram das Empresas Privadas (23,75%) e dos seus Empregados (11%). O Estado nunca lá pôs 1 centavo. Nacionalizando aquilo que aos Privados pertencia, o Estado apropriou-se do que não era seu. Com o muito, mas muito dinheiro que lá existia, o Estado passou a ser «mãos largas»! Começou por atribuir Pensões a todos os Não Contributivos (Domésticas, Agrícolas e Pescadores). Ao longo do tempo foi distribuindo Subsídios para tudo e para todos. Como se tal não bastasse, o 1º Governo de Guterres(1995/99) criou ainda outro subsídio (Rendimento Mínimo Garantido), em 1997, hoje chamado RSI. Os deputados também se autoincluiram neste pote mesmo sem o tempo de descontos exigidos aos beneficiários originais. E tudo isto, apenas e só, à custa dos Fundos existentes nas ex-Caixas de Previdência dos Privados. Os Governos não criaram Rubricas específicas nos Orçamentos de Estado, para contemplar estas necessidades. Optaram isso sim, pelo «assalto» àqueles Fundos. Cabe aqui recordar que os Governos do Prof. Salazar, também a esses Fundos várias vezes recorreram. Só que de outra forma: pedia emprestado e sempre pagou!

Em 1996/97 o 1º Governo Guterres nomeou uma Comissão, com vários especialistas, entre os quais os Prof’s Correia de Campos e Boaventura de Sousa Santos, que em 1998, publicam o «Livro Branco da Segurança Social».

Uma das conclusões, que para este efeito importa salientar, diz respeito ao Montante que o Estado já devia à Segurança Social, ex-Caixas de Previdência, dos Privados, pelos «saques» que foi fazendo desde 1975.

Pois, esse montante apurado até 31 de Dezembro de 1996 era já de 7.300 Milhões de Contos, na moeda de hoje, cerca de 36.500 Milhões €. De 1996 até hoje, os Governos continuaram a «sacar» e a dar benesses, a quem nunca para lá tinha contribuído, e tudo à custa dos Privados.

Faltará criar agora outra Comissão para elaborar o «Livro NEGRO da Segurança Social», para, de entre outras rubricas, se apurar também o montante actualizado, depois dos «saques» que continuaram de 1997 até hoje.

Mais, desde 2005 o próprio Estado admite Funcionários que descontam 11% para a Segurança Social e não para a CGA e ADSE. Então e o Estado desconta, como qualquer Empresa Privada 23,75% para a SS? Claro que não!…

Outra questão se pode colocar ainda. Se desde 2005, os Funcionários que o Estado admite, descontam para a Segurança Social, como e até quando irá sobreviver a CGA e a ADSE?

Há poucos meses, um conhecido Economista, estimou que tal valor, incluindo juros nunca pagos pelo Estado, rondaria os 70.000 Milhões €!… Ou seja, pouco menos, do que o Empréstimo da Troika!…

Ainda há dias falando com um Advogado amigo, em Lisboa, ele me dizia que isto vai parar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Há já um grupo de Juristas a movimentar-se nesse sentido.

A síntese que fiz, é para que os mais Jovens, que estão já a ser os mais penalizados com o desemprego, fiquem a saber o que se fez e faz também dos seus descontos e o quanto irão ser também prejudicados, quando chegar a altura de se reformarem!…

Para finalizar e quem pretender fazer um estudo mais técnico e completo, poderá recorrer ao Google e ao INE.

* Comentário de Pi-Erre em Blasfémias

As feridas da Igreja VI



Por esta altura, já um ou outro leitor se terá interrogado como é que são conhecidas as secretas manobras do inimigo. Como já dissera anteriormente, alguns dos seus planos foram tornados públicos por órgãos de imprensa cristã, ou em livros de valentes soldados da Fé.

Pessoalmente, tive conhecimento de um caso, do qual, por razões óbvias, não posso identificar. Trata-se do caso do pai de uma escritora que, em sua bondade, me tem como amigo. Ele era um alto cargo do Estado. Quando esta minha amiga era ainda muito jovem, sua mãe, senhora muito piedosa, ao fazer umas arrumações descobriu uns papéis que o marido tinha escondidos. Empalideceu completamente, ao ver que se tratava de uma coisa terrível, de algo que jamais julgara ser possível.

À semelhança deste caso, foi assim que, de um ou de outro modo, saíram das escuras sombras do secretismo todos os que já vieram a público. De entre todos, penso que aquele que deve merecer toda a nossa atenção é o que foi tornado público pelo Dr. Dominguez em Julho de 1973. Era nada mais, nada menos, do que um plano mestre para derrubar a Igreja. Fora tão bem elaborado que os católicos estão a ser regidos por ele sem que disso se apercebam. Vejamos então como é que este plano surgiu e em que contexto.

Em 1928, a Santa Sé viu-se obrigada a dissolver a Associação Pax super Israel, na qual militavam muitos clérigos, bispos incluídos. Mas como aquele que é a cabeça da Maçonaria nunca dorme e procura sempre uma janela quando lhe é fechada a porta, depois de ter bebido o sangue de milhões de seres humanos com a II Guerra Mundial, levou os seus discípulos a trabalharem com vista ao Concílio Vaticano II, preparando este «Masterplan». Eis, nas palavras do próprio Dr. Dominguez, como foi descoberto:

«Alguém esqueceu no meu consultório médico um grande envelope fechado. Dois meses depois, como ninguém o reclamou, abri-o para averiguar a identidade do seu proprietário. O que encontrei, foi uma grande surpresa: O Plano para destruir a Igreja. Não havia assinatura de ninguém, não havia endereço, nada mais do que um rigoroso plano para destruir a Igreja de Cristo. Nele se afirma que existem mais de 1300 comunistas que se tornaram Padres Católicos para destruir a Igreja de Cristo por dentro, para implodi-La desde o seu interior. Conforme o Plano, a Igreja deve estar “arruinada” pelo ano de 1980. Encorajei-me a publicá-lo porque tenho a certeza de que ajudará a abrir os olhos de muitos Padres e bons cristãos, antes que seja tarde demais.»

Para melhor podermos discernir sobre o que é o correcto e o que está errado nas nossas Celebrações, torna-se obrigatório que conheçamos melhor a liturgia e que ouçamos a voz do Sumo Pontífice. A partir daí, conhecidas também as diabólicas maquinações, facilmente perceberemos que é o Maligno quem sai mais satisfeito connosco. Os dois aspectos referidos, conjugados com a simplicidade de coração, torna o Católico apto a perceber o fedorento hálito do diabo nas coisas de Deus. Espante-se agora o leitor com esta afirmação, mas na verdade, para garantir o êxito da sua luta contra o Sagrado, o diabo também vai à missa.

Ao conhecer o Masterplan, verá que as celebrações (umas mais do que outras) em nossas igrejas traduzem na perfeição o que nele foi delineado (quantas vezes eu tenho saído da Santa Missa sem ter prestado o devido culto à Santíssima Trindade, impedido pela tristeza que de mim se apodera…).

O Plano ataca a devoção aos Santos, a deípara Virgem Maria, as devoções como o santo rosário, os hábitos religiosos e o traje eclesiástico, o uso de objectos religiosos, muito confiando ainda na acção dos 1300 marxistas introduzidos no Sacerdócio para erodir a Igreja por dentro. Por absurdo que pareça, o que torna ainda mais funesta essa erosão, é o serem os bons Padres e os bons fiéis quem, de certo modo, mais trabalha em favor do Inimigo. Chega-se assim ao paradoxo de serem a levedura dessa massa infernal que tem crescido desconformemente na masseira que é a Igreja.

O Masterplan, incrivelmente simples e meticuloso, foi de facto eficaz. Não fosse Deus a interpor-lhe em 1978 a grande barreira que foi João Paulo II, e o mais provável seria o assistirmos ao seu completo domínio sobre a Igreja no início da década de 80, como por eles fora preconizado. Essa intransponível barreira vinda de Leste, que se mantém com o germânico sucessor, não nos deve sossegar ao ponto de cruzarmos os braços. Não nos basta ter conhecimento. Há que ir à luta. E ela deve começar pelas mudanças a operar em nós próprios, sem descurarmos o cuidado a termos com outros.

No exército de Cristo, como já devemos ter percebido, muitos dos comandantes dos batalhões são contrários às orientações do comandante supremo (o Papa). Desta forma, e dado que sob o comando daqueles estão outros na cadeia hierárquica, o grau de preparação que é dado às tropas que formam as grandes fileiras (os fiéis), revela-se desastroso perante a capacidade do inimigo. Mas como a tendência natural dos soldados é preferirem um comandante que não lhes exija o sacrifício inerente ao alto grau de preparação necessária, vivem contentes e felizes porque nada mais lhes é exigido do que estarem na matinal formatura em parada… E ao comandante basta que veja muitos na formatura para já ficar contente... Este ocioso exército que vive em completa lassidão disciplinar, insurge-se, se algum oficial ou sargento que não perdeu o sentido do dever anuncia os exercícios que o regulamento diz serem obrigatórios…

Com esta metáfora procuro demonstrar o rumo que leva este exército, que marcha a caminho da hecatombe.

No próximo número veremos alguns exemplos do domínio que a Maçonaria exerce na Igreja por meio do seu magistral Plano. Até lá, sugiro que procure ler o Masterplan, que facilmente encontrará na internet, para não ter de transcrever aqui necessárias partes de alguns de seus capítulos.



Crianças têm direito a «família normal»


Cardeal Ennio Antonelli










O responsável do Vaticano para a família defendeu dia 17  em Lisboa «o direito» das crianças a um agregado familiar «normal» e recusou que o «matrimónio de um homem e uma mulher» seja equiparado a «outras formas de convivência».

«A família normal fundada sobre o matrimónio é uma comunidade estável de vida e de pertença recíproca», enquanto outros modelos se situam na «lógica do indivíduo que pertence apenas a si mesmo e mantém com os outros só uma relação contratual de intercâmbio», sustentou o presidente do Conselho Pontifício para a Família.

Em resposta a uma pergunta colocada pela assistência presente na Aula Magna da Universidade de Lisboa, D. Ennio Antonelli declarou que «é necessário não apenas olhar aos desejos dos adultos mas aos direitos das crianças», dado que «os desejos nem sempre são direitos mas o bem objectivo das crianças é um direito».

«O mal-estar e os deslizes juvenis aparecem associados, em medida muito mais elevada às famílias desfeitas, incompletas e irregulares», afirmou na conferência de abertura do encontro «A Família e o Direito – Nos 30 Anos da Exortação Apostólica ‘Familiaris Consortio’».

O presidente do organismo da Santa Sé lembrou que «em nome da não discriminação, se reivindica o direito dos homossexuais a contrair matrimónio ou pelo menos a equiparar em tudo a sua relação ao matrimónio».

Esta posição esquece «que a justiça não consiste em dar a todos as mesmas coisas, mas em dar a cada um o que lhe pertence, e que é injusto tratar de modo igual realidades diversas», alegou.

As «pesquisas sociológicas», frisou, demonstram que, «percentualmente falando, os casados são mais felizes que os solteiros, os conviventes e os separados».

O prelado referiu que «a contestação mais forte contra a Igreja diz respeito à ética sexual», porque «aos olhos de muitos» a doutrina católica «apresenta-se como inimiga da liberdade e da alegria de viver».

A Igreja, contrapôs, «não rebaixa a sexualidade, mas, integrando-a no amor de doação, exalta-a até fazer dela uma antecipação das núpcias eternas».

O cardeal acentuou que «o objectivo fundamental» dos católicos «deve ser a formação duma cultura e duma opinião pública favorável à família».

«Para sair da crise económica actual, todos se dão conta de que há necessidade, por um lado, de inovação, investimentos e maior produtividade e, por outro, de equilibrada alternância de gerações e, consequentemente, taxa mais elevada de natalidade e melhor educação», apontou.

D. Ennio Antonelli argumentou que «são precisamente as famílias sadias que asseguram poupança, responsabilidade e eficiência, procriação generosa e compromisso educativo», pelo que a sociedade beneficia da criação de «oportunidades de trabalho» e da «harmonização» das exigências relativas ao tempo dedicado à família e à empresa.

A «felicidade», no entanto, não se centra na economia: o facto de se ter «uma família normal conta mais que os rendimentos» e «a falência do matrimónio faz sofrer mais que o desemprego», realçou.

Em declarações aos jornalistas, o cardeal italiano apelou a uma «séria preparação para o matrimónio», na Igreja Católica, com um «itinerário, um caminho prolongado, doutrinal e prático, de vida cristã».

Este responsável disse ainda esperar um milhão de pessoas no encerramento do 7.º Encontro Mundial das Famílias, entre 1 e 3 de Junho , em Milão (Itália), com a presença de Bento XVI.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

«D. João II e Cristóvão Colon - que relação?»



A Associação Cristóvão Colon vai levar a efeito um Colóquio na vila de Cuba, no dia 19 de Maio, com início às 15,00h.
Tema: «D. João II e Cristóvão Colon - que relação?»
Oradora: Prof. Doutora Maria Manuela Mendonça - Presidente da Academia Portuguesa da História
Colaboração: Academia Portuguesa da História
Apoio: Câmara Municipal de Cuba

O programa será complementado, com início às 11,00h, por visitas acompanhadas ao Mural de S. Cristóvão, ao Portal do Paço e ao Centro Cristóvão Colon, promovidas pela ACC com apoio da CMC.

Agradecemos a v. divulgação junto de eventuais interessados.

Terá a SIC lata de transmitir?...


Recebemos uma carta dirigida à Conferência Episcopal Portuguesa, que passamos a reproduzir.

Acabo de receber informação, através da USA Catholic League e Catholic News Agency e de alguns media americanos que o conhecido «Daily Show» programa de entretenimento, que é também transmitido em Portugal às 20h na SIC Notícias, a propósito de declarações em campanha eleitoral, do lado conservador, sobre a «guerra» que na América se verifica contra o Natal , os valores cristãos e contra a vida, a que o dito «Daily Show« intitulou de forma jocosa "Guerra às Mulheres", foram apresentadas imagens chocantes de mulheres em posição de parto com uma imagem do presépio na vagina. É chocante e ofende? É pois claro!

Por isso, logo que vi esta notícia, e sabendo que o programa passa em Portugal,  lembrei-me que ninguém melhor do que a Conferência Episcopal para agir sabendo nós que o programa vai a ser transmitido hoje ou amanhã ou na próxima semana na SIC N. A Conferência Episcopal que esta semana tem tido tanto destaque na Comunicação Social a propósito de medidas do governo (caso da Pastoral do Ensino Superior) , a propósito da eliminação de feriados conforme o governo tinha acordado com a Igreja, qual será agora a atitude da Conferência  Episcopal perante esta nojenta ofensa aos crentes? Vai pressionar a SIC N para não passar o programa, vai deixar passar o programa e vai condenar veemente?

 Deixo aqui vários sites onde poderão verificar, com imagens do próprio programa como se achincalhou o Natal, a vida, a dignidade das mulheres







Eu própria e vários dos meus contactos entre amigos e familiares iremos fazer neste momento o envio de um pedido dirigido à SIC N para que tenha a coragem de não transmitir aquele programa.

Gostava de ver as autoridades da Igreja católica em Portugal também a darem voz aos muitos crentes que não têm a possibilidade e acesso a estes meios de comunicação para fazerem igual pedido.

Com os meus cumprimentos,

Madalena Fonseca

Cardeal Schönborn confirma invertido
no cargo de conselho paroquial em Viena



O Arcebispo de Viena de Áustria, Cardeal Christoph Schönborn, confirmou no cargo do conselho de uma paróquia desta arquidiocese o invertido Florian Stangl, de 26 anos de idade, que tem registada a sua união com outro homem.

A eleição de Stangl foi impugnada inicialmente pelo pároco do lugar, o Pe. Gerhard Swierzek. Mas, depois de se reunir com o rapaz e o seu «companheiro» no fim de semana de 31 de Março, o Cardeal Schonborn decidiu manter o jovem no posto…

O sacerdote procurou então que lhe atribuíssem outra paróquia, enquanto um porta-voz do Cardeal informou que devido a uma viagem não ia fazer nenhum comentário a respeito da decisão até ao regresso à Áustria.

Entretanto, na Missa Crismal de 2 de Abril, o Arcebispo de Viena referiu-se aos desafios pastorais da Igreja, incluindo «a cada vez maior quantidade de pessoas que vivem em uniões de mesmo sexo».

Estamos entendidos, Senhor Cardeal!

Ajuda Europeia de Desenvolvimento
e o Financiamento de Abortos



Stefano Gennarini

A Comissão Europeia está a usar verbas de desenvolvimento para pagar abortos em países que restringem o procedimento e financiando os dois maiores fornecedores de aborto do mundo, a Federação Internacional de Planeamento Familiar e Marie Stopes International, de acordo com um recente relatório da organização European Dignity Watch.

O relatório The Funding of Abortion through EU Development Aid (O Financiamento do Aborto por meio da Assistência de Desenvolvimento Vindo da Europa) revela que Marie Stopes International recebeu mais de 30 milhões de dólares da União Europeia. A Coalizão de Suprimentos de Saúde Reprodutiva, uma parceria global de elevado nível que inclui o FNUAP e fornece kits de aborto para os países em desenvolvimento, recebeu cerca de 32 milhões de dólares durante um período de 30 meses que terminou em Junho de 2011.

O relatório revela que dinheiro da UE foi gasto para financiar abortos em países em desenvolvimento com estritas leis de aborto por meio de orçamentos de Saúde Pública e Ajuda de Desenvolvimento da UE para projetos relacionados à «saúde sexual e reprodutiva». Mas European Dignity Watch (EDW) diz que o «termo ‘saúde sexual e reprodutiva’, conforme a UE o define, exclui explicitamente o aborto».

A Federação Internacional de Planeamento Familiar e Marie Stopes International pediram e receberam projetos de financiamento que incluíam «aborto seguro», «contracepção de emergência», «treino em aspiração manual a vácuo» e «regulação menstrual» para confessadamente burlar restrições legais com relação ao aborto em países como Bangladesh, Bolívia, Guatemala e Peru.

O termo «regulação menstrual», explica o relatório, é um termo menos explícito para abortos cirúrgicos. A Federação Internacional de Planeamento Familiar o descreve como o processo de esvaziar o útero por meio de sucção muito forte criada por um aspirador manual a vácuo. O aparelho é introduzido no colo do útero dilatado de uma mulher que «suspeita» estar grávida ao invés da mulher que «sabe» que está grávida. Depois do procedimento, é impossível dizer se uma mulher estava grávida, a menos que o tecido extraído, que pode incluir um embrião implantado, seja examinado microscopicamente.

O relatório denuncia a Comissão Europeia, que administra o orçamento da União Europeia, por agir ilegalmente. O relatório afirma que a Comissão não tem autoridade para financiar abortos por causa da autoridade limitada da Comissão, as próprias declarações da Comissão e a necessidade de consenso para agir com relação à política externa. Cada país membro da UE tem um assento na Comissão e vários países da UE têm leis estritas de aborto.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Concurso Miss Universo aceitará transexuais como candidatos a partir do próximo ano




Os directores do concurso Miss Universo, o popular evento de beleza feminino mundial, decidiram trocar as regras para aceitar formalmente candidatos transexuais a partir da edição 2013 do concurso, depois da pressão dos grupos de invertidos nos meios de comunicação que obrigou a admitir na edição canadense do concurso a um jovem que trocou de sexo.

Jenna Talackova, novo nome de Walter Page Talackova, é um transexual de 23 anos que há quatro anos se submeteu a uma operação de mudança de sexo. Há dias ele conseguiu que os organizadores do Miss Universo do Canadá anulassem a regra que exigia que as aspirantes ao trono só podiam ser mulheres «de nascimento por natureza».

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Idosos fogem da Holanda com medo
da eutanásia


Asilo na Alemanha converte-se em abrigo para idosos que fogem da Holanda com medo de serem vítimas de eutanásia a pedido da família. São quatro mil casos de eutanásia por ano, sendo um quarto sem aprovação do paciente.

O novo asilo na cidade alemã de Bocholt, perto da fronteira com a Holanda, foi ao encontro do desejo de muitos holandeses temerosos de que a própria família autorize a antecipação de sua morte. Eles se sentem seguros na Alemanha, onde a eutanásia tornou-se tabu depois que os nazistas a praticaram em larga escala, na Segunda Guerra Mundial, contra deficientes físicos e mentais e outras pessoas que consideravam indignas de viver. 

A Holanda, que foi ocupada pelas tropas nazistas, ao contrário, é pioneira em medidas liberais inimagináveis na maior parte do mundo, como a legalização de drogas, prostituição, aborto e eutanásia. O povo holandês foi o primeiro a ter o direito a morte abreviada e assistida por médicos. Mas o medo da eutanásia é grande entre muitos holandeses idosos. 

Estudo justifica temores – Uma análise feita pela Universidade de Göttingen de sete mil casos de eutanásia praticados na Holanda justifica o medo de idosos de terem a sua vida abreviada a pedido de familiares. Em 41% destes casos, o desejo de antecipar a morte do paciente foi da sua família. 14% das vítimas eram totalmente conscientes e capacitados até para responder por eventuais crimes na Justiça. 

Os médicos justificaram como motivo principal de 60% dos casos de morte antecipada a falta de perspectiva de melhora dos pacientes, vindo em segundo lugar a incapacidade dos familiares de lidar com a situação (32%). A eutanásia activa é a causa da morte de quatro mil pessoas por ano na Holanda. 

Margem para interpretação fatal – A liberalidade da lei holandesa deixa os médicos de mãos livres para praticar a eutanásia de acordo com a sua própria interpretação do texto legal, na opinião de Eugen Brysch, presidente do Movimento Alemão Hospice, que é voltado para assistência a pacientes em fase terminal, sem possibilidades terapêuticas. Para Brysch soa clara a regra pela qual um paciente só pode ser morto com ajuda médica se o seu sofrimento for insuportável e não existir tratamento para o seu caso. Mas na realidade, segundo ele, esta cláusula dá margem a uma interpretação mais liberal da lei. 

Uma consequência imediata das interpretações permitidas foi uma grande perda de confiança de idosos da Holanda na medicina nacional. Por isso, eles procuram com maior frequência médicos alemães, segundo Inge Kunz, da associação alemã Omega, que também é voltada para assistência a pacientes terminais e suas respectivas famílias. 

A lei determina que a eutanásia só pode ser permitida por uma comissão constituída por um jurista, um especialista em ética e um médico. Na falta de um tratamento para melhorar a situação do paciente, o médico é obrigado a pedir a opinião de um colega. Mas na prática a realidade é outra, segundo os críticos da eutanásia e o resultado da análise que a Universidade de Göttingen fez de sete mil casos de morte assistida na Holanda.

«Nicho de confessionalidade»


José Luís Vaz e Gala

No partido que alberga na sua sede o quarto do Padre Cruz, foi criada uma facção: à volta do quartinho do candidato a Venerável, homens e mulheres animam excursões cheias de uma bucólica piedade!

Se isto fosse verdade descansadas estariam as consciências relativistas que ao basbaquismo do Nicola parecem ceder agora ao relativismo ultra-montano do modernismo, desejosas como estão de que o pensamento democrata e cristão fique confinado à sacristia.

Perante esta moda que nos ameaça a todos de uma aversão contra as perguntas fundamentais da razão e sob a pena de assim deixarmos de ser actuais é ou não é verdade que a fé tem uma actualidade permanente e um grande bom senso? É ou não é verdade que o casamento e o matrimónio entre homem e mulher, que a família constituída por homem, mulher e filhos, são instituições que estão ligadas ao desenvolvimento da sociedade?

Sim, depois de fazermos da economia uma selva obscura, quando esta é a ciência que promove a variedade e a felicidade dos homens, depois de sujeitarmos a politica à plutocracia que gere a seu bel-prazer os interesses dos endinheirados aos interesses das nações, fossem verdade os ditames do relativismo e a única coisa que nos restaria – aos democratas e cristãos – era de facto terminarmos os nossos dias enfadados à volta do quartinho do Padre Cruz a tramar golpes de estado e quejandos, no meio de trejeitos de água benta.

Mas como acreditamos nas virtudes da democracia, vivemos no cansaço e na dor o júbilo de acreditarmos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ser Igreja para transformar o mundo




«Há demasiadas mãos sujas com a iniquidade, com a exploração dos fracos ou com as conjuras de interesses. E isto acontece porque há mãos limpas e atadas pelo passivismo, pelo deixar correr, não querer comprometer-se, ter medo do que poderá acontecer. E estas mãos são também dos católicos praticantes.»
Jorge Ortiga, A. P. 

Homilia na Eucaristia de Domingo de Páscoa da Ressureição de Jesus

Em tempo de risco de um grande colapso social, o testemunho do grande pensador russo Aleksandr Zinoviev proporciona-nos a verdade da Páscoa nos tempos que correm, quando afirma:
«Te suplico, meu Deus, trata de existir, ao menos um pouco para mim, abre os teus olhos, suplico-te! Esforça-te por ver: viver sem testemunhas é para nós um inferno! Por isso, eu faço um alarido e grito: meu Pai, suplico-te e choro: existe!»

Sim, o mundo hodierno, mesmo que pretenda negá-lo, necessita de Deus. Esta é a sua verdadeira necessidade! Se a história do Ocidente foi construída a partir de Deus, a minha prece, neste dia e perante a maldade humana, é o regresso de Deus ao mundo.

Como acontecerá? Pela presença de testemunhas. E se estas não existirem estamos ou caminhamos para um autêntico inferno onde tudo se torna ininteligível e perde sentido. Urge, por isso, mostrar não só que é possível ter fé, mas que é obrigatório que isso aconteça.

Deste modo, às portas do Ano da Fé, o Papa Bento XVI na Carta Apostólica Porta Fidei provoca-nos, dizendo: «precisamos de descobrir os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada» (n.º 9). E relembra que foi pela fé que Maria aceitou ser a mãe do Messias; foi pela fé que os apóstolos deixaram tudo para seguir Mestre; foi pela fé que acreditaram na Ressurreição de Cristo; foi pela fé que foram pelo mundo inteiro a anunciar o Evangelho; foi pela fé que os discípulos formaram a primeira comunidade cristã fundada na comunhão, ensino, partilha e oração; foi pela fé que os mártires morreram outrora perante os perseguidores; foi pela fé que homens e mulheres consagraram a sua vida à acção missionária ao longo dos séculos; e é pela fé que somos chamados também a “correr”, dando testemunho na família, na profissão, na vida pública, no ensino e no lazer, para que mais gentes saboreiem a alegria da Ressurreição, como cantávamos no Salmo Responsorial.

Neste sentido, confirmo agora publicamente a realização do Átrio dos Gentios na nossa Arquidiocese, no dia 16 e 17 de Novembro, como empenho da Igreja no diálogo com o mundo da cultura e da juventude, aproveitando a realização das duas capitais europeias (Braga e Guimarães). Não quero, nem devo antecipar-me a anunciar a temática.

Uma ideia irá estar presente: o valor da vida. Serão convidados especialistas de todas as áreas do saber para um confronto entre crentes, ateus, agnósticos ou de diferentes sínteses de pensamento. A luz do diálogo fará refulgir como a vida, desde a corrupção até à morte, se reverte dum valor sublime.

Situando-me num espaço de reflexão diferente e perante a semente de Ressurreição que o cristão deve colocar no mundo, direi que o valor da vida é inestimável para a fecharmos em horizontes de egoísmo. Nascemos e vivemos para gastar a vida. Não por meras causas pessoais ou projectos de pequenos grupos. Gastar a vida, em comum, por um mundo de justiça, igualdade e fraternidade é o testemunho que é solicitado aos cristãos.

«Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Isto não é um programa a enterrar no túmulo. Há pedras pesadas que devem ser retiradas pra que apareçam talentos, qualidades, força de vontade, energia e capacidade de entrega. Há cristãos e comunidades “envoltas em lençóis limpos» que não ousam sujar as mãos atadas com a vida real do povo e de todo o povo, e não apenas de correligionários ou de grupos de interesse.

Há demasiadas mãos sujas com a iniquidade, com a exploração dos fracos ou com as conjuras de interesses. E isto acontece porque há mãos limpas e atadas pelo passivismo, pelo deixar correr, não querer comprometer-se, ter medo do que poderá acontecer. E estas mãos são também dos católicos praticantes.

Para terminar, iniciamos agora o Tempo Pascal. Uma oportunidade para revermos a nossa missão eclesial, como propus na Mensagem para o Tempo Pascal. Pois «as novas gerações têm necessidade de ser introduzidas na Palavra de Deus através do encontro e do testemunho autêntico dos adultos, da influência positiva dos amigos e da grande companhia que é a comunidade eclesial.» (1)

Para isso, não podemos ignorar a responsabilidade de tornar as nossas comunidades em delícia da humanidade. O que significa isso? Com a responsabilidade de todos e um compromisso sério, à semelhança da corrida de Pedro e do discípulo amado, conseguiremos ser Igreja autêntica capaz de oferecer uma força transformadora do mundo.

Jorge Ortiga, A. P.
Sé Catedral de Braga, 8 de Abril de 2012.

(1) Bento XVI, Verbum Domini, 97.


Dos feriados



José Luís Vaz e Gala

1. Sabemos que a política liberal de desregulamentar o que é certo, seguro e funciona bem em Portugal, para o substituir pelo que é incerto, inseguro e só funciona na base do lucro, a única motivação da plutocracia económica, assim transformada na mola real da nossa economia até ao desastre social e consequente perda da independência, é hoje a definição de coisa pública.

2. Bem pode o sistema, pela voz, acção e a parafernália de meios dos seus mais ilustres militantes, vociferar, ignorante, contra os atropelos do mesmo: o sistema agradece e reconhecendo os esforços heróicos de tão permitidos sequazes, lembra-lhes que a opinião que publicam é que os torna figuras públicas reconhecidas pelo próprio sistema.

3. A ignorância daqueles tem duas causas: uma primeira, a de terem esquecido que os interesses da Pátria deixaram há muito de estarem ligados aos interesses da Nação pela acção de um Estado que não tem nome; uma segunda, a de terem esquecido a boa doutrina cristã- que dá a César o que é de César-enfeudados como estão, quando estão, ao chamado absurdo de um catolicismo sem prática ou de uma prática piedosa sem catolicismo.

4. Erram e perturbam todos aqueles(as) que fazem da sua fé um modo de intervenção na sociedade e cuja autoridade lhes vem do seu trabalho e da sua vida de família, os que à conta do sistema afirmam e publicam coisas como : «Começar por atacar o 1.º de Dezembro entre os feriados civis, seria o mesmo que atingir os feriados da Páscoa ou do Natal entre os feriados da matriz e tradição católicas.»

5. Queremos dizer que se há-de haver reforma no sistema por mudança  dos feriados em causa, então que se avance com o 5 de Outubro de 1143, data que marca o início da nossa existência como Nação e Pátria.

6. O resto parece-nos ser o folclore que o sistema quer e permite e já agora e em relação aos feriados da nossa matriz, os católicos, a sua defesa está em boas mãos: o Papa Bento XVI, distraídos como andam os nossos bispos na criação de mais estruturas para isto e para aquilo, enquanto os lobos comodamente saltam o redil…

terça-feira, 10 de abril de 2012

O Titanic e os engenheiros sociais

Heduíno Gomes

Passam cem anos sobre o afundamento do Titanic. O facto é naturalmente associado à frase endeusadora da ciência e da técnica daqueles  que proclamaram que o barco era inafundável, e que nem Deus o conseguiria afundar. Mas afundou-se.

A moral da história resume-se, pois, a isto: desafiaram Deus e lixaram-se.

Hoje abundam por aí uns engenheiros (sociais, não os do Titanic), instalados no Estado, nos partidos, no meio cultural, nos meios de comunicação, e até em certos sectores ditos «católicos», que, à sua maneira, também pretendem desafiar Deus: através da destruição da família, da diminuição do papel da mulher na família, do feminismo, da promoção da pederastia, da cultura da morte, da liberalização das drogas, etc.

Que sorte os espera?







sexta-feira, 6 de abril de 2012

O Parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida sobre as Alterações à Lei da PMA


Pedro Vaz Patto








O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) emitiu parecer sobre as propostas de alteração à lei da procriação medicamente assistida.  Nele se afirma que não há uma justificação eticamente válida para negar o acesso a essas técnicas a pessoas sós ou que vivam em união homossexual (sobretudo se o fazem com os seus próprios recursos). E nele se aceita a maternidade de substituição (aí designada por «gestação de substituição»), sob um conjunto de condições tendentes a eliminar ou reduzir os seus possíveis malefícios.
            
Invoca-se o direito à parentalidade de quaisquer candidatos, sem discriminação, e alega-se que não se justifica privilegiar uma forma de família em relação a outras e que o risco de instrumentalização do filho não depende do facto de os progenitores serem, ou não, um casal heterossexual.
            
Contra esta tese, há, porém, que invocar a primazia do bem do filho sobre as pretensões dos candidatos. De outro modo, o filho seria instrumentalizado como objecto de um direito que se reivindica (não há um «direito ao filho»). E o bem do filho exige, por um lado, que ele seja fruto de uma relação de amor, não de uma afirmação individual. E exige que tenha um pai e uma mãe (cada um deles único e os dois complementares), não só um pai, só uma mãe, dois pais ou duas mães.
            
Quanto à «gestação de substituição», o parecer reflecte o propósito (louvável) de acautelar uma série ampla de riscos que essa prática tem suscitado nos países onde foi legalizada. Um propósito que, pelo contrário, os proponentes das alterações em discussão parlamentar têm descurado. Mas as soluções indicadas (como outras que poderiam ser alvitradas) serão sempre insatisfatórias e não eliminam esses riscos, que só a efectiva proibição dessa prática elimina. Mesmo com todas essas (ou outras) cautelas, não deixamos de estar perante uma instrumentalização da criança que nasce e da mulher gestante. A esta continuará a ser sempre imposta por contrato a obrigação de abandonar o ser que acolheu dentro de si e com quem partilhou aquela que é talvez a experiência mais íntima, intensa e marcante da vida de uma mulher.
            
Indica o parecer que à mulher gestante deve ser reconhecida a faculdade de mudar de ideias e assumir a maternidade até ao início do parto. E porque não logo a seguir, ou enquanto amamenta (uma questão – a de saber quem amamenta - que o parecer também indica como necessário objecto do contrato)? E, se não o fizer, fica privada do direito de visitar a criança no futuro? E, nesse caso, em que a mulher gestante muda de ideias e assume a maternidade, ficam os pais genéticos privados de qualquer direito, sendo eles pais genéticos?. Quem será, nesse caso, o pai da criança (se é que o tem)? Mudando de ideias, a mulher fica obrigado a indemnizar os pais genéticos (qual o sentido da sua vinculação)?
            
Indica, por outro lado, o parecer que a mãe gestante deve ser saudável e o contrato deve conter disposições para o caso de malformação ou doença fetal. Mas em que sentido devem ser essas disposições (obrigação de abortar, possibilidade de o casal beneficiário se desvincular e abandonar a criança)? Se a mãe gestante não for, afinal, saudável, ou vier a revelar-se uma sua doença durante a gravidez, que responsabilidade tem perante o casal beneficiário? Este pode, por isso, desvincular-se e abandonar a criança?
            
Pretende o parecer que seja garantida a avaliação da motivação altruísta da mãe gestante e a impossibilidade de subordinação económica desta em relação ao casal beneficiário. Mas a realidade é o que é e o direito não pode ilusoriamente pretender modificá-la: só o desespero de graves carências económicas leva mulheres a sujeitar-se a tão traumatizante experiência (é assim na Índia e em muitos países). De forma oculta ou indirecta, as contrapartidas económicas hão-de verificar-se. E as pressões que tal situação de carência suscita tornam vãs quaisquer cautelas e garantias jurídicas. Com tais pressões, a mulher gestante pode acabar, na prática, por sujeitar-se àquilo que o parecer pretende afastar (como a imposição de regras de conduta durante a gravidez pelo casal beneficiário).
            
Talvez só a ligação familiar entre a mãe gestante e o casal beneficiário possa garantir a motivação altruísta daquela. Mas os problemas que essa ligação acarreta (porque muito mais difícil será que a mãe gestante se desligue da criança e mais fácil e mais complexa a possível «concorrência» entre as duas «mães») tornam-na desaconselhável a vários títulos. 
            
Todos estes riscos são inelimináveis se a prática não for proibida. Nenhuma das possíveis alternativas para as situações indicadas é isenta de malefícios e quase todas têm uma faceta chocante. É assim porque na «maternidade de substituição» («barriga de aluguer», «gestação de substituição» –chame-se o que se quiser), com todas as possíveis regulações jurídicas, a criança nunca deixa de ser tratada como um objecto de um contracto (uma mercadoria) e a gestação como uma qualquer prestação de serviços (como se a mulher gestante fosse uma máquina incubadora).

As feridas da Igreja IV


Para o leitor que possa não ter lido os textos anteriores, chamo à atenção do seguinte: para não cairmos no erro de tomarmos a parte pelo todo, quando aqui falo de judeus ou de judaísmo, forçoso se torna ter em conta a necessária depuração do conceito. Portanto, não é à religião judaica que me refiro, mas aos descendentes de Caifás, àqueles que foram herdando das gerações anteriores o ódio que ele e demais sinedritas conceberam pelo Nazareno e seus seguidores.

Alguns dos leitores que estão a acompanhar esta série de textos, por esta altura já se terão questionado: então o Papa não tem poder sobre toda a Igreja? Tem! Ou melhor, é suposto ter, mas como já terão depreendido, o seu Sacerdócio, o seu Sagrado Ministério, esbarra na acção do Inimigo que hage em tantos cardeais e bispos subversores da Palavra.

Astuto como é o Inimigo, trabalha em duas frentes. E uma delas, imaginem só, é explorando o dever de obediência a que os bons se vêem vinculados. Se pensarmos bem, o resultado é desastroso. Por um lado, há os bons Bispos que, ainda que muitas vezes constrangidos, ao reverenciarem a hierarquia obedecem aos membros do Colégio Cardinalício; e como os Bispos procedem os bons Padres, que devem obediência ao seu Bispo... Por outro lado, como se já não bastasse o mal que resulta da acção directa dos maus e que se repercute pela via hierárquica nos bons, ainda temos aqueles, e são muitos, que desobedecem aos bons descaradamente (como eu próprio presenciei, tanto de um padre em relação ao seu Bispo, com a agravante de o fazer publicamente na homilia, como de um Bispo em relação ao Santo Padre, num auditório cheio de gente…).

O que acabo de dizer, não contando com a alusão a estes dois casos a que assisti, foi a fórmula usada para se chegar à profanação generalizada com a comunhão na mão, assim como a muitos outros erros.

Voltando à questão do poder do Santo Padre, Ele fica muitas vezes de mãos atadas pelos membros do Cólégio Cardinalício, como ficam tantos párocos pelas dificuldades que lhe são criadas por alguns que com eles colaboram na acção pastoral e governativa da paróquia. Um amigo que há dias me interpelava sobre o papel do Papa, assim como a maioria daqueles que participam activamente na vida da Igreja, sabem bem o quanto sofrem muitos bons padres… Agora numa escala bem diferente, a todos os níveis, é só pensarmos no caso do Santo Padre…

Por ter falado em profanação, talvez valha a pena abrir aqui um parêntesis para vermos mais em detalhe o significado de sagrado e de profano.

A palavra «sagrado», em sua raiz etimológica (tanto em hebraico como em grego ou em latim) significa algo «separado»; isto é, algo que deve permanecer inacessível, em verdade, intocável. Pelo contrário, a palavra «profano» significa o oposto: algo que não sendo destinado ao Templo, ao culto Divino, serve para as coisas humanas, e por isso, ao alcance de qualquer um; portanto, manipulável. Por isso, o pôr o «sagrado» ao alcance das mãos de todos, é qualificável de profanação. E segundo o que a Santa Igreja ensina, profanar os Sacramentos, as coisas e os lugares consagrados a Deus, é sacrilégio, sendo neste caso mais grave por se tratar da sagrada Eucaristia, do Corpo Verdadeiro de Jesus.

Pense agora um pouco, caríssimo leitor, e veja se a comunhão na mão não é a profanação da sagrada Eucaristia, e por isso um pecado grave. Como disse no segundo artigo desta série, citando o Bispo Athanasius Schneider, são falsas as afirmações que procuram fundamentar a prática da comunhão na mão no passado longíncuo. Se é pessoa que se preocupa com a vida que está para além da morte do corpo e tem seguido a maioria recebendo a comunhão na mão, não o faça mais, porque isso, como também procurei demonstrar anteriormente, é uma armadilha do Malígno. É ele quem está por trás das modas que invadiram a Igreja de Cristo.

Se muitos santos voltassem à terra e quisessem assistir a uma Missa, ao entrarem numa igreja de certeza que iriam pensar: ups!, parece que me enganei na porta... mas, esperem lá! Querem ver que esta igreja, atendendo à crise em que esta gente vive agora, foi vendida a outra confissão religiosa parecida à Católica?

Sim, caríssimo leitor, acredito que eles sairiam à procura de outra igreja, por crerem que aquela não era a Missa da Igreja Católica.

Se ainda há almas que procuram ser fiéis e por isso sofrem inevitavelmente pelo actual estado de abandono do Sagrado, Cristo está a passar por um sofrimento indescritivelmente maior, ao ver que tão poucos reconhecem verdadeiramente o Seu divino Sacrifício. Bem procura o Bom Deus alertar-nos sobre o vazio em que vivemos, por meio de revelações particulares por esse mundo fora, mas, se nem aqueles que acorrem a esses lugares das aparições mudam as suas atitudes…

 No seu ódio contra a Igreja de Cristo, para tentar lograr os seus intentos, Satanás foi alterando a sua táctica ao longo dos tempos. Primeiro suscitou as terríveis e sangrentas perseguições aos Cristãos; depois criou as várias cisões na Igreja, levando a que os que dela se separaram se tornassem seus ferozes inimigos; mais tarde contaminou o clero e por meio dele os fiéis, com as correntes filosóficas do modernismo e do relativismo. Agora não precisa de a combater de fora, porque, corrompendo muitos e muitos consagrados, ao picá-los com o ferrão da concupiscência e neles incubar a soberba, seduzindo-os com o poder e a riqueza, numa só consegue logo duas coisas: o domínio sobre eles e a seca espiritual dos fiéis que lhes estão confiados.

É dessa seca que resulta a necessidade de procura pela água, e, perdidos, sem o pastor que os conduza à Nascente, aceitam a de algumas cisternas, sem se preocuparem em saber se são águas inquinadas, desde que se sintam minimamente aliviados da sua sede... Nesta situação se encontram tanto os que se ligam a outros «credos», como a maioria dos que na Igreja permanecem pensando que a água que lhes está a ser servida vem da Fonte da Verdade…

É de facto um golpe de mestre desferido contra a Igreja de Cristo.

Para melhor ilustrar o que digo ao início deste texto, o próprio Adolfo Jacob Franck, um alto dirigente do Judaísmo do séc. XIX, em sua interessante obra sobre a Cabala, desmascara aqueles que praticam a demonolatria (culto aos demónios), quando diz: «Se no Judaísmo se encontram restos da mais sombria perseguição, há que procurar sobretudo a causa do terror que inspira pela sua demonolatria». *1

No próximo número porei a descoberto outras coisas «ocultas».
____________
*1 Adolfo Jacob Franck, in A Cabala na Filosofia Religiosa dos Hebreus (traduzido do original francês), pg. 151

José Augusto Santos, As feridas da Igreja – IV, in Notícias de Chaves, Nº 3164, p.12 
(6-4-2012)