sexta-feira, 30 de março de 2012

... Acontece na França .... 1.ª região
já consagrada ... da Eurábia ... !!!



Mais uma questão séria que merece ser reflectida..
Será que pelo facto de, em termos relativos, esta gente se encontrar de facto no fim da Idade Média, os nossos netos e bisnetos irão ter de se sujeitar a tais condições?

Quando o assunto começa a fazer parte das preocupações do Nouvel Obs, nestes termos, então é porque a coisa está a atingir patamares de extrema gravidade.

Sabia que as jovens mulheres mulçumanas exigiram ser isentas das aulas de Biologia e Desportos, não sendo penalizadas nas suas notas finais?
(Fonte: Nouvel Obs)

- Sabia que os muçulmanos têm horários próprios que lhes são reservados exclusivamente para as piscinas?
(Fonte: Análise da Política)

- Sabia que as estudantes muçulmanas, no exame, conseguiram que legalmente possam ser acompanhadas pelos seus maridos e examinadas por uma mulher?
(Fonte: Nouvel Obs)

- Sabia que uma associação de muçulmanos, na Universidade de Paris, põe em causa o direito de um professor de "cultura ocidental" para julgar o trabalho de um estudante muçulmano?
(Fonte Express)

- Sabia que os muçulmanos estão a lutar por conseguir a abolição do Natal, em algumas escolas primárias?

- Sabia que os estudantes muçulmanos, usando como desculpa a lei da laicidade, pedem a remoção de árvores de Natal em várias escolas, mesmo nos jardins de infância?
 (Fonte: Le Parisien)

- Sabia que os muçulmanos procuram obter a proibição de comer carne nas escolas francesas, onde eles são maioria?

- Sabia que os muçulmanos estão a exigir licença adicional, para as suas férias islâmicas?

- Sabia que os muçulmanos exigem salas de oração nas escolas, nos liceus, ginásios e universidades?

- Sabia que os muçulmanos estão a exigir a amenização dos seus horários nas escolas, universidades e locais de trabalho, para a prática das suas cinco orações diárias?

- Sabia que os muçulmanos exigem uma revisão dos livros de história, para incluir a história do seu país e da sua religião?
(Fonte: Nouvel Obs)

- Sabia que nos livros didácticos, serão excluídas todas as referências a Charles Martel ou à  Joana D'Arc, a fim de não ofender os muçulmanos franceses?

- Sabia que as funcionárias públicas muçulmanos exigem trabalhar com um chador (peça de vestuário que consiste numa capa, geralmente escura, que cobre a cabeça e o corpo, deixando apenas a cara descoberta)?

- Acredita que médicas e estudantes de medicina muçulmanas exigem apenas tratar as mulheres?
(Fonte: Le Monde, Le Figaro)

- Sabia que os médicos são espancados se  tratarem as mulheres muçulmanas, sem o consentimento de seus maridos?
 (Fonte Le Monde, Le Figaro)

- Sabia que nas faculdades,  predominantemente franco-africanas do  Magrebe, existem inscrições: «Morte aos Judeus», «Morte aos Cristãos» ou «Viva o Bin Laden»?

- Sabia que durante as manifestações contra a guerra no Iraque, alguns «pacifistas»muçulmanos exibiam retratos de Bin Laden ou Saddam?
(Fonte: As Verdades 4)

- Sabia que o selvagem chamado Djamel, que queimou viva a jovem Sohane, foi aclamado na sua cidade de Val de Marne, durante a sua presença na reconstituição dos factos?
(Fonte: JT de France 2)

- Sabia que os jovens negros e muçulmanos que queimaram vivo um guarda de segurança branco, num supermercado em Nantes (2002), não sentiram remorsos e mostraram-se orgulhosos?
(Fonte: Depoimento de advogado)

- Sabia que um manual de boas condutas «lícitas e ilícitas no Islão», vendido em França durante 10 anos, explica como um bom muçulmano deve bater na sua
esposa: «com a mão», «chicote» ou «pedaço de madeira?»
(Fonte: L'Express)

- Sabia que  patrulhas de milícias islâmicas andaram nas ruas de Antuérpia e noutros lados para «monitorar maus policiais racistas brancos» e aplicar a sua própria lei?
(Fonte: Libération)

- Sabia que a nova legislação exigirá que a polícia, o exército e o serviço civil em geral, contratem com prioridade jovens imigrantes, tendo assinado com 35 empresas na França, (Televisão, Peugeot, grupos de alimentos e Casinos), um acordo para contratarem preferencialmente pessoal estrangeiro?
(Fonte: Governo e Sindicatos)

- Sabia que nas escolas secundárias as muçulmanas vestem as túnicas antes de ir para o quadro, para não despertarem qualquer desejo?

Que nas escolas primárias os pais muçulmanos recusaram deixar as suas filhas  na classe de um professor substituto, devendo ser uma mulher a substituir a outra  mulher professora? A escola teve que criar um compartimento sem janelas, para reconhecer as mães, cobertas da cabeça aos pés, antes de lhes entregarem os seus filhos?
(Fonte: Le Monde, 09/07/04)

- Sabia que nas escolas primárias, os alunos têm dois banheiros e torneiras separados, sendo uma reservada para «muçulmano», e outra para «francês» ou um funcionário local? Exigem que haja vestiários separados nos ginásios, porque, segundo eles, um circuncisado não pode despir-se ao lado de um impuro?
(Fonte: Le Monde, 09/07/04)

- Sabia que em outras comunidades religiosas (judeus, hindus, budistas, etc.) não há nenhuma reivindicação deste tipo ou equivalente? E nós, por agora e por poucos anos mais, a maioria, será que teremos que nos render e estar ao serviço, satisfazer, pagar e dar prioridade a este tipo de minoria?


Segundo estudos sérios, se nada mudar e não houver um movimento forte e sério, estaremos, e não por livre vontade, completamente islamizados....
Era isto que afirmava/queria Kadhaffi ... !!!
Já pensaram se alguma destas situações/reivindicações era possível nos países deles?

Levanta-te EUROPA !!!
Põe a nossa casa em ordem !!!

O  Presidente Francês Sarkozy, lançou um debate sobre estas inadmissíveis exigências dos muçulmanos, e o que é ser francês, mas poderá ser já demasiado tarde... !!!

... estou sem palavras, como é possível?  



EURÁBIA

ALTERNATIVA: COMECEM A ESTUDAR O CORÃO!



quinta-feira, 29 de março de 2012

Templários e a sua metamorfose portuguesa: a Ordem de Cristo



*José Eduardo Franco, investigador


O ano de 2012 é profícuo em comemorações à semelhança do que vai acontecer ao longo de toda esta segunda década do século XXI.  Aproveitar as datas redondas, que assinalam a memória de grandes acontecimentos, pode constituir um grande serviço à cultura e à sociedade.

O reforço da coesão identitária de uma sociedade passa também muito pelo cultivo da memória histórica. Como já afirmei noutros textos, entendo que a história é para a sociedade o que a faculdade da memória representa para o homem individualmente considerado. Como sabemos, quando uma pessoa perde a memória desorienta-se, pois perde o sentido do presente e torna-se incapaz de perspetivar o futuro. Assim também, quando uma sociedade perde a sua memória histórica tem mais dificuldade em compreender as dinâmicas do presente e fragiliza a sua capacidade de enfrentar com lucidez os desafios do futuro.

Neste ano assinala-se a passagem de 700 anos sobre uma data relevante do processo de extinção da célebre Ordem dos Templários ou da Ordem do Templo, cuja natureza e acção tem motivado a produção de um mar imenso de literatura de ficção e de cinema. Este interesse tem contribuído mais para mitificar os Templários do que para esclarecer, de forma distanciada e desapaixonada, o papel histórico desta Ordem Militar.

O Ordem Militar do Templo, fundada em França, na região de Champagne, no ano de 1120 no contexto da realização do Concílio de Naplus, é uma das mais conhecidas ordens militares da Europa Cristã medieval criada para proteger os movimentos de peregrinação aos Lugares Santos do Cristianismo no médio oriente sob ascendência crescente do poderio de confissão islâmica. As ordens militares nasceram no coração da Idade Média como uma versão especializada da experiência monástica cristã institucionalizada sob o nomenclatura institucional denominada de «Ordens», cuja Proto-Ordem europeia mais famosa e mãe de todas as ordens ocidentais foi a Ordem de São Bento.

Os Templários nasceram primeiro na dependência dos Cónegos do Santo Sepúlcro, vindo rapidamente a autonomizar-se com a liderança do seu primeiro Grão Mestre, Huges de Payns. 

Os Templários, Freires de Cristo ou Freires do Templo de Salomão como também eram designados, associaram à sua consagração religiosa pela profissão dos conselhos evangélicos de Pobreza, Castidade e Obediência, o compromisso de entregar a sua vida em favor da protecção dos peregrinos e da defesa da Cristandade contra a ameaça do poder islâmico que afrontava os cristãos. A Ordem do Templo, ao lado de outras ordens militares como a de Santiago, a de Calatrava, a do Hospital e a de Avis, cooperava com os exércitos dos Reis e senhores cristãos nas cruzadas contra o chamado «Infiel» tanto no Médio Oriente e como na Península Ibérica, procurando reconquistar os territórios de antigo domínio cristão, entretanto conquistados pelos muçulmanos.

Estas ordens militares funcionavam como uma espécie de tropa de elite bem treinada e altamente motivada, cuja participação nas batalhas decidia muitas vezes o sentido da vitória.

O serviço prestado por estas instituições aos monarcas cristãs, com especial destaque para a Ordem do Templo, foi largamente recompensado com a atribuição de bens, nomeadamente terras, castelos e outras regalias, que as tornaram poderosas e influentes. Em Portugal, além do papel fundamental desempenhado pela Ordem do Templo, ao lado das suas congéneres, na reconquista cristã e, por consequência, na formação de Portugal, teve um papel relevante no povoamento e controlo do território conquistado ao Mouro.

Devido a vicissitudes várias e a factores que ainda hoje carecem de explicação cabal, a Ordem do Templo foi, há sete séculos, depois de quase duzentos anos de existência, submetida a um processo trágico que levou à sua extinção. Semelhanças houve com o que viria acontecer, mais tarde, com a expulsão da Companhia de Jesus de Portugal de Portugal pela mão de Pombal, e noutras monarquias europeias no século XVIII, acabando com a sua extinção universal em 1773 pelo papa Clemente XIV.

O processo antitemplário foi liderado pelo Rei de França, Filipe, o Belo, que conseguiu a conivência do Papa de então, Clemente V, para considerar a Ordem do Templo culpada de desvios e faltas graves. De tal modo que o monarca francês logrou, embora hoje sem sabermos com certeza se com provas justas, obter do Papa a extinção desta Ordem e até a condenação das suas mais importantes lideranças, culminando com a morte na fogueira do seu último Grão-Mestre, Jacques de Molay, em 1314. Mas o processo tinha começada em 1308 com uma bula papal enviada aos príncipes cristãos para clarificar a situação dos Templários e declarar a necessidade da sua extinção, seguida de outra bula, emitida em 1309, a ordenar a prisão dos Freires de Cristo e, finalmente, da bula Ad Providum, de Março de 1312, a decretar a anexação dos significativos bens desta Ordem e a transferi-los para a posse da Ordem do Hospital.

No entanto, D. Dinis, que então presidia ao trono de Portugal, resistiu a aceitar a directiva papal que mandava extinguir a Ordem do Templo, consciente do relevantíssimo serviço que tinha prestado e continuava a prestar na defesa e povoamento do território português. Através de uma acção diplomática bem sucedida conseguiu obter do Papa uma solução para acatar a extinção, não extinguindo de facto esta Ordem de elite, cuja dispensa não convinha à estratégia política do Reino de Portugal. A solução passou por comutar o nome. Mantiveram-se os mesmos efectivos, os mesmos bens e a estrutura organizativa, mas mudou-se o nome da Ordem. A Ordem passou a chamar-se Ordem de Cristo. Assim, com esta jogada de diplomacia, D. Dinis salvou os Templários que passaram a ser integrados na Ordem de Cristo, no fundo, o nome novo da Ordem do Tempo ou dos Cavaleiros de Cristo.

Sabemos hoje quão importante e decisivo foi este empenho político de D. Dinis em evitar a extinção dos Templários em Portugal. Mais tarde, a sucedânea Ordem de Cristo liderará a promoção de uma das empresas mais importantes e significativas de toda a História de Portugal: as viagens marítimas de descobrimento. Através da liderança de um dos mais famosos Grão Mestres da Ordem de Cristo, o Infante D. Henrique, Portugal ficou na história universal como o primeiro império global da humanidade e o pioneiro da construção da globalização.

A Ordem de Cristo tutelou, no século XV, todo o processo de descobrimento de novos caminhos marítimos e de novos territórios e povos desconhecidos oficialmente, como consequência da política expansionista extraeuropeia promovida pela Dinastia de Avis fundada pelo Rei D. João I. Depois da conquista de Ceuta em 1415, o primeiro território descoberto oficialmente no Atlântico foi o Arquipélago da Madeira em 1419/20, ao qual sucedeu uma série de viagens que culminaram com a navegação de toda a costa africana, a passagem do temível Cabo das Tormentas, a chegada à índia por via marítima (1498) e a descoberta oficial do Brasil em 1500.

Estas viagens permitiram estabelecer a primeira grande rede imperial moderna sob domínio português em concorrência com aquilo que empreendia Espanha. Esta concorrência foi regulamentada sob os auspícios da Santa Sé e consagrada no Tratado de Tordesilhas em 1494  com a divisão do mundo em duas partes, à luz da teoria do Mare Clausum,  de forma a conciliar as duas monarquias cristãs no que respeitava à superintendência dos territórios descobertos e a descobrir por estas duas grandes potências europeias.

O ideal de universalização do Cristianismo teve sempre na base motivadora e legitimadora fundamental, dita pelos documentos, de todo este processo de expansão terrestre e marítima. A construção do império era acompanhado, como sabemos, pela concomitante edificação das bases da Igreja Católica nos novos mundos descobertos através da acção dos missionários de várias ordens.

A Ordem de Cristo ficou durante muitos anos com a tutela deste processo de edificação da Igreja nos novos territórios, tendo sido a Madeira erguida como primeira grande rampa de lançamento desta política expansionista. De tal modo, que em 1514 se edificou a primeira diocese bem sucedida em território ultramarino sob domínio português: a Diocese do Funchal. Esta que foi a maior diocese do mundo aquando da sua criação e durante poucas décadas, dependia da Ordem de Cristo e detinha jurisdição sobre todos os territórios descobertos e a descobrir, isto é, envolvia três continentes.

Assinalamos, pois, entre este ano de 2012 e o ano de 2014 um ciclo de acontecimentos da maior relevância para a história portuguesa e para o processo de universalização do Cristianismo, ao qual a medieval e polémica Ordem do Templo está umbilicalmente ligada.

*José Eduardo Franco, Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

quarta-feira, 28 de março de 2012

As feridas da Igreja III


José Augusto Santos

Como dizia no final do artigo anterior, vamos hoje mais fundo, à própria raiz da erva daninha que está a abafar a «semente lançada à terra».

Como poderá vir a concluir o próprio leitor, existe uma mão negra que ocultamente está a dominar o mundo, de cuja acção resulta a grave crise que atravessamos, tanto no âmbito dos valores morais como no da economia e finança.

Como nas ciências forenses, em que uma mão em abstrato é apenas uma mão, havendo por isso a necessidade de determinar, por meio da impressão digital ou palmar, a quem possa pertencer, também aqui vamos ver que essa mão negra pertence à Maçonaria, que por sua vez, segundo exaustivos “testes laboratoriais”, se concluiu ser filha do judaísmo.

Trata-se porém de um judaísmo desviante, não da religião judaica em si, razão pela qual não podemos conceber qualquer hostilidade contra os Judeus, seja por motivos raciais, religiosos, económicos ou políticos. Isso seria aquilo que se chama de anti-semitismo.

O mal que já vários autores denunciaram e por repetidas vezes ao longo dos séculos a Igreja condenou, é aquele que resulta da actividade de uma seita do judaísmo, os cabalistas, praticantes do ocultismo, que desde o início da era cristã se revelaram serem os grandes inimigos da Igreja de Cristo. Porém, com o tempo, os cabalistas deixaram de ser apenas essa seita judaica, por a ela terem afluído elementos de outros credos, e posteriormente até ateus.

Reunidos assim numa associação secreta, viria esta a ser mais tarde condenada pela Igreja na acepção de Maçonaria. Até então, 1738, a Igreja sempre teve que se defender dos males causados pelo judaísmo, ou seja, dos judeus dessa seita. A partir de 1738, como dizia, o mesmo inimigo passou a ser conhecido como Maçonaria, se bem que já muito antes esta associação secreta assim se designava.

Nunca, mas nunca a Igreja de Cristo deixou de ser perseguida, desde Anás e Caifás até aos nossos dias. Em toda a sua história, os mais caudalosos rios de sangue cristão nasceram do ódio à Igreja Católica por parte da monstruosa serpente judaizante.

Os cabalistas, desde sempre orientados pelo seu guia, o senhor das trevas, têm trabalhado avidamente para erradicarem da sociedade não só o próprio Cristianismo como tudo o que lhe possa estar associado. A sua Maléfica acção continua hoje, como outrora, a ser denunciada pela Igreja. Desde Clemente XII até Bento XVI, nenhum Pontífice deixou de condenar a Maçonaria, proibindo os seus filhos de a ela se associarem. Eis alguns exemplos dessa condenação formal:  
Em 4/5/1738, Clemente XII, pela Bula In Eminenti; em 18/5/1751, Bento XIV, pela Providas; Pio VII em 1821; Leão XII em 1825; Gregório XVI em 1835; Pio IX em 1865; Leão XIII em 1884.

Este último Papa, Leão XIII, na Encíclica Humanum Genus, de 20/4/1884, adverte a todo o Católico para que não caia na esparrela dos maçónicos; que ninguém se deixe enganar pela sua «simulada honestidade». Diz ainda que «pode, efectivamente, parecer a alguns que nada exigem os maçónicos que seja contrário abertamente à santidade da religião e dos costumes; mas como a razão e toda a causa da seita está no vício e na infâmia, justo é que não seja lícito unir-se com eles ou de qualquer modo ajudá-los».

No mês seguinte à publicação desta Encíclica era decretada a pena de excomunhão automática (Latae sententiae) para os membros da seita. Importa aqui relembrar que até aos nossos dias não houve comutação ou anulação dessa pena. É falsa, portanto, a ideia que alguns tentam passar, de que hoje em dia já não existe incompatibilidade entre Catolicismo e Maçonaria. Tal afirmação é o mesmo que dizer que a Igreja de Cristo já aceita a igreja de Satanás.

As últimas conspirações maçónicas conhecidas de Leão XIII, tiveram como alvo o Concílio Vaticano I, inaugurado em 8 de Dezembro de 1869. Pelos documentos autobiográficos de Santo António Maria Claret, que fora um dos Padres Conciliares, soube-se que, três meses decorridos desde o início do Concílio, membros da seita tentaram explodir a capela onde se reuniam os Padres Conciliares. Um dos inimigos caiu gravemente enfermo. Antes de morrer, Deus tocou-lhe o coração e revelou o plano ao confessor. Foram a um sótão do Vaticano e encontraram vários barris de pólvora.

Este facto obrigou os membros da seita a mudarem de táctica. Ao recorrerem à escrita como forma de comunicarem entre si os novos planos, não tardaram a serem conhecidas as suas intenções. Assim o anotava Santo António Maria Claret, em 24/3/1870:
«Foi impresso e posto como manifesto um panfleto onde um sujeito da loja secreta diz o seguinte: …O objecto do Concílio é fortificar o poder espiritual e temporal do Papa… Nós devemo-nos opor com todas as nossas forças… Faremos com que o Concílio se prolongue e que seja insuportável. Que se divida o Episcopado, que se debilite a Fé, que se desprestigie o Papado e que a indiferença se apodere dos povos e, finalmente, que caia a Igreja… Nos valeremos de todos os meios e finalmente o Concílio abortará».

Apesar de ter lido esse panfleto dois meses antes e por isso já não ser surpresa para ele, o Santo Arcebispo sofreu nas sessões Conciliares com as intervenções dos maçónicos lá presentes. Sobre a sessão Conciliar de 20 de Maio, tratando da Infalibilidade do Papa, diz ao Pe. Xifré: «Ao ouvir os disparates, e ainda as blasfémias e heresias que diziam, senti dentro de mim tal indignação e zelo que se me subiu o sangue à cabeça e me causou uma ligeira comoção cerebral.» (1)

Sim, caríssimo leitor, dado que a Maçonaria se introduziu no coração da Igreja, tinha que estar no próprio Concílio… Entende agora porque é que padres, bispos e cardeais, filhos do diabo, como lhes chama S. João na sua 1ª carta (1Jo 3, 8.10), têm abalado seriamente as estruturas da Igreja com tods os escândalos que tem havido? Eles bem se têm empenhado no seu desmoronamento… Não fosse a sua cegueira e veriam que jamais conseguirão os seus intentos, por grandes que possam ser os estragos causados, uma vez que «as portas do Inferno nada poderão contra ela» (Mt 16,18).

(1) St. Antº. Mª. Claret, Epistolário-carta, nº 91.

M.I.S.S.A: evento ofensivo à Igreja no Rio, bloggers católicos pedem reacção


No próximo sábado, 24 de Março, no Rio de Janeiro, será promovido novamente o evento M.I.S.S.A. (a sigla para Movimento dos Interessados em Sacudir a Sua Alma), que ofende os sentimentos e a simbologia católicos vestindo de padres os DJs e as recepcionistas de freiras, em claras e desrespeitosas alusões a símbolos religiosos católicos contrariando ademais o art. 208 do Código Penal que tipifica a conduta de «vilipendiar publicamente acto ou objecto de culto religioso» como crime.

A festa já aconteceu em vários pontos do país causando indignação dos católicos por onde passou, como já foi denunciado anteriormente pelo ACI Digital.

O evento já foi condenado uma vez pela Justiça do próprio Estado do Rio em 2011, mas vem- -se realizando em distintos estados brasileiros, apesar das manifestações contrárias por parte de grupos católicos brasileiros. Se bem agora os organizadores tomam maiores precauções para não ofender o catolicismo, a essência do evento segue sendo ofensiva aos católicos, denunciou recentemente o Guia de Blogs Católicos numa postagem.

Em Dezembro de 2011, a Associação Arquidiocesana Tarde com Maria, do Rio de Janeiro, conseguiu uma providência para impedir que os organizadores da festa M.I.S.S.A., prevista para ocorrer no Vivo Rio na ocasião, se burlassem de símbolos e vestimentas em alusão à Igreja Católica. A associação entrou com uma acção na Justiça e conseguiu, na noite de quarta-feira, no Tribunal, com uma decisão favorável do desembargador Adolpho Andrade Mello.

Pouco antes do início do evento, houve um acordo e os organizadores retiraram uma enorme cruz de LED instalada próximo ao DJ, que usaria uma roupa semelhante à batina de um padre. De acordo com o advogado da organização, Renato Brito Neto, o evento não teve o objectivo de ofender a imagem da Igreja Católica.

Segundo a denúncia O Guia de bloggers católicos, o art. 208 do Código Penal tipifica a conduta de «vilipendiar publicamente acto ou objecto de culto religioso» como crime. Eventos como o M.I.S.S.A, portanto, podem ser denunciados à justiça.

Assim, os bloggers animam os católicos a protestarem contra o evento manifestando seu desacordo aos patrocinadores e organizadores do M.I.S.S.A. nas suas páginas no Facebook:

Facebook: Mural de Smirnoff do Brasil 
Facebook: Mural de DHP Produções e Eventos
Facebook: Mural de Melt Bar e Restaurante 

domingo, 25 de março de 2012

Um pecado colectivo

Nuno Serras Pereira, 25. 03. 2012

Houve em Portugal dois referendos sobre o aborto. Um em 1998, cuja pergunta a que os votantes eram chamados a responder era a seguinte: «Concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada por opção da mulher nas primeiras 10 semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»; o outro em 2007 pedia-nos que nos pronunciássemos exactamente sobre a mesma questão: «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?». Na primeira faltam duas vírgulas, mas o sentido mantem-se inalterado, e na segunda o 10 está por extenso.

Em ambas as consultas populares os movimentos do Não denunciaram que a resposta positiva, isto é o Sim, à interrogação implicaria a liberalização do aborto. De facto, acarretaria uma despenalização não só para a mulher que decidisse abortar mas também para quantos provocassem o abortamento e/0u que nele fossem cúmplices. A exigência deste ser efectuado num “estabelecimento de saúde” era uma clara indicação de que o estado não só renunciaria a respeitar e a tutelar a dignidade e a vida dos mais inocentes e vulneráveis, dando desse modo uma garantia ao agressor de que a sua vítima não seria protegida, mas também que se fazia executor ou carrasco, através dos seus serviços ou dos que com ele estivessem concessionados, das crianças concebidas em processo de nascimento. E uma vez que o homicídio sob a forma de abortamento fosse considerado um serviço de saúde daí decorreria que o estado o subvencionaria, com o dinheiro dos nossos impostos, violentando assim a nossa consciência bem como a liberdade religiosa. Tudo isto, e muito mais, foi dito e redito até à exaustão aquando dos tempos que antecederam a consulta ao povo eleitor. Está escrito, está gravado quer sonora quer visualmente.

Em 1998 o Não ganhou ao Sim por uma ligeira diferença: no primeiro votaram 1.356.754 (50,9%) cidadãos enquanto no segundo 1.308.130 (49,1%). Porém, em 2007 os resultados inverteram-se, com grande subida do Sim. De facto, este obteve 2.238.053 (59,25%) enquanto o Não ficou-se pelos 1.539.078 (40,75%). Enquanto o Sim regista uma subida de 930 mil votos o Não sob somente 182 mil. Se tivermos em conta que em 1998, principalmente no norte, grande parte de membros da Igreja e de outros actores sociais favoráveis ao Não fizeram campanha pela abstenção verificar-se-á que a distância será ainda mais significativa.

Infelizmente os membros da Igreja ainda não fizeram um exame de consciência nem os movimentos cívicos do Não uma autocrítica de modo a deslindarem se e em que medida têm a sua quota de responsabilidade, e a descobrirem aquilo em que falharam, e que pode e deve ser corrigido. É possível que o motivo desta omissão seja o de manter a paz e a não fomentar desunião. Mas a verdade é que a paz quando é podre derranca e corrompe aqueles que nela habitam e a promovem, e que há uma santa discórdia gerada por Aquele que veio para ser sinal de contradição (Lc 2, 34), trazendo conSigo a espada que provoca desavença inclusive nas uniões mais naturais (Mt 10, 34).

Não há duvidar que por parte dos propugnadores do Sim houve uma enorme manipulação sustentada por poderosas forças de propaganda aliadas a uma desmedida hegemonia na comunicação social e a uma clara supremacia económica. No entanto, isso não só não explica tudo como deixa de lado o principal.

É absolutamente necessário conhecer a verdade e afirmá-la sem truques que a distorçam, nem manhas, nem astúcias. Para mim é incontroverso que o povo português, com seus representantes por ele escolhidos, na sua maioria, isto é, a nação portuguesa, cometeu um gravíssimo pecado aos olhos de Deus. E que por isso importa muito fazer penitência pública, actos de reparação e de desagravo aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, Sua e nossa mãe. E que isso importa não só à nossa salvação eterna e à conversão dos pecadores mas também à nossa sobrevivência como nação e como estado de direito.

Dizia o Professor César das Neves, em entrevista a um canal da televisão, que andamos agora num alvoroço procurando apagar o incêndio que lavra nos cortinados desta nossa casa que é Portugal, todavia descuramos coisas mais importantes de que ninguém fala nem se ocupa como sejam as seis pseudo-leis que a petição “Defender o Futuro” quer derrogar. De facto, há um fogo abrasador que está consumindo e minando os alicerces de Portugal mas como é menos visível, apesar de ser muito mais perigoso, ninguém se sobressalta nem acode a extingui-lo. E, não obstante, essa é rigorosamente uma estrita obrigação dos políticos cuja missão consiste em defender promover o bem-comum.

sábado, 24 de março de 2012

25 de Março
Dia da criança por nascer


A 25 de Março de 1995, há 17 anos, portanto, o Papa João Paulo II, assinava a Carta Encíclica «Evangelium vitae» (O Evangelho da vida), sobre o sempre oportuno e actualíssimo tema da vida humana, seu valor e carácter inviolável que «há-de ser fiel e corajosamente anunciado como boa nova aos homens de todos os tempos e culturas» (cf. P.c.nº 1).

O Beato João Paulo II, Magno, dedicou inúmeros documentos; discursos e homilias aos temas que Lhe eram particularmente queridos: a vida humana e a Família. Deixou-nos, também neste âmbito, uma herança riquíssima e inesgotável. Infelizmente pouco divulgada, conhecida, amada e defendida como seria expectável e…necessário.

«Depois da minha morte gostaria de ser recordado como o Papa da Família e da Vida», assim desabafa ao Cardeal Carlo Cafarra, quando este presidia o Pontifício Instituto «João Paulo II» para o estudo do matrimónio e família.

De facto, o desejo deste grande Papa concretiza-se hoje já que um dos seus legados mais significativos continua a ser precisamente a vida e a família. Num tempo desfavorável à vida e à Família, é um imperativo estar alerta e disponível para, como diz S.Paulo, «a tempo e a contra-tempo» defender, apoiar e promover aqueles valores civilizantes e naturais, cuja perda arrastará o declínio da humanidade. Um dos modos de estar presente neste imenso campo de batalha, de duríssimos combates, é rezar. Pedir ao Deus rico em misericórdia que alente os que pugnam pelos direitos da Família e pelo Direito á Vida.

Sabemos que entre os direitos mais ameaçadas está o direito à vida das crianças por nascer a quem é negado o direito de nascer, crescer e serem amadas. Em Portugal, legalmente, são eliminados 53 bebés por dia, uma verdadeira razia. Uma hecatombe demográfica. E não se contabilizam os abortos químicos, pois não há possibilidade real e efectiva de os contar.

Pelo 5.º ano consecutivo, celebramos o  Dia da Criança por Nascer no dia 25 de Março, início da vida terrena de Jesus. Porém, como este ano é um Domingo, a solenidade da Anunciação passa para o dia 26, razão pela qual iremos reunir-nos na Igreja da Senhora-a-Branca, em Braga, para a Missa das 19 horas e onde teremos presentes todas as crianças que deveriam nascer mas foram eliminadas de nascer.


Militia Sanctae Mariae
Rua de Guadalupe, 73
4710-298 Braga
Tlf./Fax. 253 611609


sexta-feira, 23 de março de 2012

Acordo ortográfico - despacho Judicial

[Clique na imagem para visualizar uma versão ampliada]

quarta-feira, 21 de março de 2012

Resolução de São Petersburgo sobre
as tendências anti família da Organização
das Nações Unidas

Numa audiência pública no fim do ano passado, 126 organizações civis, sociais e não governamentais da Federação Russa e da Ucrânia aprovaram a «Resolução de São Petersburgo Sobre os Rumos Anti-Família das Nações Unidas». Alexey Komov (representante do Congresso Mundial das Famílias na Rússia e na Comunidade dos Estados Independentes) teve um papel importante na elaboração da Resolução, que dispõe, entre outras coisas:

«Estamos convencidos de que a família natural (tradicional), traçada na natureza humana e baseada na união voluntária de um homem e de uma mulher na aliança vitalícia do casamento, cujo propósito é a geração e criação de filhos, é a unidade colectiva natural e fundamental da sociedade’».

«O lugar da família na história e na vida de todas as sociedades humanas é absolutamente única, e nenhuma outra forma de relacionamento doméstico pode ser vista como de igual valor e estatuto. Qualquer tentativa de prever igualdade de estatuto para qualquer outra forma de relacionamento doméstico, em especial as uniões entre pessoas do mesmo sexo, é socialmente destrutiva».

«Estamos convencidos de que a família tradicional, o casamento, a geração e a educação dos filhos são elementos inseparáveis uns dos outros».

«A separação artificial da geração e da educação de filhos da família tradicional, da vida familiar e do casamento viola os direitos genuínos da criança e causa a destruição de qualquer sociedade».

«Estamos convencidos de que as crianças possuem um direito inato de nascerem na sua família natural (tradicional), de um homem e uma mulher casados, e de viverem com os seus pais e serem criadas por eles, ou seja, com o seu pai e a sua mãe naturais. Mãe e pais são o modelo de vida para seus filhos, principalmente no que concerne à vida familiar, que obedece à natureza humana».

«Estamos seriamente preocupados com as acções de algumas organizações internacionais nos últimos anos, agindo contrariamente aos interesses de povos soberanos e manipulando a noção de 'direitos humanos' para criar artificialmente os assim chamados direitos que antes eram desconhecidos e não possuem fundamento na natureza humana nem na natureza da sociedade, como ‘direito ao aborto’ e o ‘direito de escolher sua orientação sexual e identidade de género’. Na realidade, não existem tais direitos no direito internacional, seja por uma obrigação decorrente de tratado ou pelo direito internacional público costumeiro».

«Em particular, estamos bastante preocupados com o facto de que hoje, sob o pretexto de defender os direitos das crianças sob uma interpretação ilogicamente ampla e alguns ‘direitos humanos’ recentemente fabricados (como os ‘direitos sexuais’), com o apoio da ONU e de seus organismos, a cultura tradicional da vida familiar (que inclui a educação das crianças nesse contexto) está a ser sistematicamente destruída por muitas pessoas, incluindo algumas do nosso próprio país».

«Insistimos em que os Estados devem respeitar o papel e a posição única que os pais naturais (biológicos) possuem nas vidas das crianças. Quaisquer interpretações de qualquer posição dentro do direito internacional ou nacional devem reflectir a suposição natural de que os pais naturais costumam agir de boa fé e conforme os interesses dos seus filhos. Os direitos dos pais com relação aos seus filhos são naturais e não 'concedidos’ a eles pelo Estado ou por qualquer organismo nacional ou internacional».

«Temos também uma grande preocupação a respeito da recusa em proteger o direito à vida da criança no útero sob o pretexto do invertido ‘direito ao aborto’ da mulher. Estamos cientes de que ‘no que concerne aos factos científicos, uma nova vida humana começa na concepção’ e que ‘desde a concepção, cada criança é, por natureza, um ser humano’. Crianças em gestação são seres humanos e, portanto, há uma obrigação dos Estados sob o direito internacional de proteger as suas vidas da mesma forma que a de qualquer ser humano. Ao mesmo tempo, não existe um direito ao aborto no direito internacional, seja por meio de tratado ou pelo direito internacional público costumeiro».

Entre os 126 signatários estavam: Representante do Congresso Mundial das Famílias na Federação Russa; filial regional de São Petersburgo do movimento público «União das Mulheres Russas – A Esperança para a Rússia»; filial regional de Tula da organização pública «Pela Vida e Defesa dos Valores Familiares»; Irmandade Cossaca em Nome e Exaltação da Cruz; Comissão Pública em Defesa da Família, Infância e Moralidade da Cidade de Sarov em Oblast de Níjni Novgorod; Centro Médico e Educacional Ortodoxo «Zhizn» em São Petersburgo; Grupo de Trabalho no Parlamento Russo pela Defesa das Famílias e das Crianças; organização pública «Comunidade de Grandes e Adoptivas Famílias da Rússia - Muitos Filhos é algo bom!»; União dos Advogados Ortodoxos; Organização Desportiva e Patriótica «Rus» e Organização Pública «Ucrânia Cristã».

terça-feira, 20 de março de 2012

As feridas da Igreja II



Na continuação do texto anterior, onde abordei a forma como foi implementada a Missa que hoje se celebra, debrucemo-nos hoje sobre o Rito da Comunhão.

Para uma melhor compreensão do erro aceite pela maioria, também aqui temos que retorceder ao final da década de sessenta.

Muitos têm a ideia de que a comunhão na mão vem do C. Vat. II, que a propôs, ordenou ou autorizou. Nada mais errado! Sabendo que o povo aceita qualquer mudança sem contestação, alguns teólogos trapaceiros assim nos quiseram fazer crer.

Em nenhuma sessão do Concílio houve uma tomada de posição a favor desta nova prática. A have-la, a decisão sairia pela maioria de votos. Mas os Padres Conciliares não se pronunciaram, porque a questão nunca foi debatida.

Depois do Concílio, foi o Santo Padre pressionado para que autorizasse a comunhão na mão, com base numa errada e abusiva interpretação do Artº 50 da Constituição Sacrosanctum Concílium, que diz sobre os ritos: «…restaurem-se, porém, se parecer oportuno ou necessário e segundo a antiga tradição dos Santos Padres, alguns que desapareceram com o tempo.»

Como tinha que dar uma resposta, o Papa submeteu a questão ao parecer de todos os Bispos da Igreja, que, por uma larga maioria, se pronunciaram contra a alteração do Rito, como podemos ver na Memoriale Domini (de 29-5-69), que diz a determinada altura:
«A partir dessas respostas, fica claro que a vasta maioria dos Bispos crê que a disciplina actual não deve ser modificada, e caso viesse, que a mudança seria ofensiva aos sentimentos e à cultura espiritual desses Bispos e de muitos fiéis.

Portanto, levando em consideração as observações e o conselho daqueles que “o Espírito Santo designou para governar” as Igrejas, tendo em vista a gravidade da matéria e a força dos argumentos postos em evidência, o Santo Padre decidiu não modificar a maneira existente de administrar a Santa Comunhão aos fiéis».

Ora, se o II Concílio Vaticano quis manter firmes os princípios do C. Trento, que na Sessão III deixa muito claro que deve manter-se a então vigente forma de comungar (na boca, por mãos do sacerdote) 1; se, após o C. Vaticano II, os Bispos de todo o mundo, juntamente com o Papa, disseram Não à comunhão na mão, como é que, como um vírus infernal, ela se alastrou a quase toda a Igreja?

Para quem tiver o mínimo de sinceridade intelectual, torna-se claro que a “autorização” foi fabricada à revelia da suprema autoridade da Igreja. Portanto, e dado que é uma “legalização” abusiva, forçada, não querida por Deus, cabe a cada um abandonar essa prática sacrílega, ou nela continuar sem querer ver que caminha para a sua condenação.

Aos Bispos, assim como às Conferências Episcopais, compete promover a unidade, observando sempre as prescrições da suprema autoridade da Igreja (Cf. CDC, Cân. 755, 2).Acha o leitor que foi isso que tiveram em conta quantos permitiram esta profanação? Com isso não fizeram precisamente o contrário, causando a divisão no Corpo místico de Cristo?

Todo o clérigo que, conscientemente, opta por seguir esta moda que veio do inferno (a comunhão na mão), é sacrílego. Comete igualmente sacrilégio todo o leigo que, depois de alertado para o erro, nele persiste.

Que pena eu tenho de vários Padres bons que conheço, mas que praticam o erro que lhes é incutido…

Quanto a esta desastrosa forma de receber Jesus na Eucaristia, não têm faltado profetas a alertarem-nos, como os incontornáveis Beatos Madre Teresa de Calcutá e João Paulo II. Mas como padecemos de um mal que só nos permite aceitar tudo quanto seja coisa nova, a voz de Deus não é por nós acolhida. Se o fosse, geraria automaticamente em nós a mudança que tanto Ele espera.

Por meio destes e outros arautos do Senhor, não se tem cansado o Céu de nos dizer o quão trágica para o mundo é esta falta de respeito para com o Santíssimo Sacramento. Mas, pelo que se vê, bem pode o Céu falar…

Na Instrução Inaestimabile Donum, referente ao Culto do Mistério Eucarístico, João Paulo II não poupa as palavras quando se refere àqueles que seguem por caminhos contrários aos estabelecidos pela Suprema Autoridae da Igreja: «Aquele que oferece culto a Deus em nome da Igreja, de um modo contrário ao qual foi estabelecido pela própria Igreja com a autoridade dada por Deus e o qual é também a tradição da Igreja, é culpado de falsificação.»

Em 24-2-80, na Dominicae Cenae, documento dirigido a todos os Bispos da Igreja, salvaguardando casos pontuais de real necessidade, que não é o caso daquilo que se vê em todas as igrejas e em todas as Missas, diz o mesmo Papa:   «O tocar nas sagradas Espécies e a distribuição destas com as próprias mãos é um privilégio dos ordenados».

Numa entrevista concedida a ACI Prensa, o actual Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Antonio Cañizares, em resposta à pergunta sobre a comunhão na mão, disse, creio que em Julho do ano passado: «É recomendável que os fiéis comunguem na boca e de joelhos».

Questionado sobre os abusos litúrgicos que se verificam actualmente, disse que é necessário «corrigi-los, sobretudo mediante uma boa formação: formação dos seminaristas, formação dos sacerdotes, formação dos catequistas, formação de todos os fiéis cristãos».

Quando interrogado sobre o costume instaurado por Bento XVI, de fazer com que os fiéis que recebem a Eucaristia das suas mãos a recebam na boca e de joelhos, disse que tal se deve «ao sentido que deve ter a comunhão, que é de adoração, de reconhecimento de Deus».

Recentemente, Monsenhor Athanasius Schneider, Bispo auxiliar em duas dioceses do Cazaquistão, especialista em Patrística e Igreja Primitiva, disse aos microfones da Rádio Maria (no sul do Tirol) que a comunhão na mão é um costume «completamente novo», sem raízes nos tempos dos primeiros cristãos, como se tem defendido com frequência. «Não tem nada a ver com a Igreja primitiva, é de origem calvinista.»

Em próxima edição iremos ainda mais fundo, à raiz desta erva daninha que está a sufocar a «semente lançada à terra».
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1 C. de Trento. Ses. XIII, c. 8


José Augusto Santos, As feridas da Igreja – II, in Notícias de Chaves, Nº. 3161

sexta-feira, 16 de março de 2012

As feridas da Igreja




A Igreja, contrariamente à opinião de muitos que nela militam, sofre de grave enfermidade. Não no seu Espírito, mas no seu corpo.

De cabeça, na pessoa do Sumo Pontífice e de todos os bispos a ele unidos, não podia estar melhor, mas nos restantes membros deste corpo místico de Cristo que é constituído por todos os fiéis, ordenados e leigos, sofre de vários e graves achaques.

Tratando-se de matéria tão vasta, debrucemo-nos um pouco apenas sobre a liturgia da Missa, descendo à origem do Novus Ordo Missae, dada a importância em sabermos como foi «cozinhado».

A Missa que hoje se celebra teve como responsável Monsenhor Annibale Bugnini. Como colaboradores, imaginem só, ainda que, formalmente, na qualidade de observadores, chamou os doutores Geoges, Jasper, Sephard, Konneth, Smith e Max Thurian, seis protestantes representando o Conselho ecuménico das igrejas cismáticas anglicana, luterana, e os monges de Taizé.

Do trabalho desta equipa resultou um tipo de missa que podia servir para o culto de alguns protestantes, sem se verem feridos no seu «credo».

Julien Green, anglicano convertido, definiu o novo rito como «uma imitação bastante grosseira do serviço anglicano».(1)

Por ter ido muito além do que era suposto, foi a reforma litúrgica sujeita a apreciação em sínodo dos Bispos, em Outubro de 1967, como «Missa Normativa». Do pronunciamento dos Bispos resultou uma votação de 72 votos a favor e de 104 contra. Rejeitada, portanto! Mas como os filhos das trevas sempre arranjam estratagemas para levarem a sua avante, conseguiram que, dois anos depois o Novus Ordo Missae fizesse lei, e em 3 de Abril de 1969, Paulo VI promulga a Constituição Apostólica Missale Romanum.

Escandalizados com esta reforma que abria as portas à introsão do protestantismo, um grupo de teólogos, liturgistas e pastores de almas, do qual fizeram parte os cardeais Alfredo Ottaviani, Pro-Prefeito da Sagrada Congregação do Santo Ofício, e Bacci, escreveram ao Papa uma carta datada de 25/9/69. Tratava-se de uma breve análise crítica à Nova Missa elaborada pela equipa de Monsenhor Bugnini.

Além de outras considerações, nela diziam:
«O Novus Ordo Missae representa um distanciamento, de maneira impressionante, tanto em seu conjunto como em detalhe, da teologia católica da santa Missa, tal como ela foi formulada na sessão XXII do Concílio de Trento. Os cânones do Rito definitivamente fixados naquele concílio, constituem uma barreira incontornável contra toda a classe de heresias, que atentava contra a integridade da Santa Missa».

Este breve exame fez com que, em 20/10/69, saísse um documento que retardava em dois anos a entrada em vigor da Nova Missa (de 30/11/69 a 28/11/71). Mas não tinham ainda decorrido quatro meses, quando aparece uma nova Apresentação do Novo Missal. Nela se vêem corrigidos alguns artigos para terem um sentido mais conforme com a Doutrina Católica. No entanto, os novos ritos da Missa, inexplicavelmente, permanecem…

Perante o escândalo, Paulo VI extinguiu a Congregação do Culto Divino e afastou Monsenhor Bugnini de Roma, mandando-o para o Irão. Mas o mal já estava feito…

Já no pontificado de João XXIII o Arcebispo Bugnini tinha sido expulso por este da Cátedra da Sagrada Liturgia, mas como astúcia é coisa que nunca faltou aos impostores, conseguiu tomar as rédeas da reforma litúrgica com Paulo VI…

Como sofreu o Santo Padre, ao ver-se rodeado de vários inimigos da Santa Igreja vestidos de cardeais, que, juntamente com outros bispos, sobre ele exerceram fortes pressões.

Vendo depois em que se traduziram tais pressões, lamentou-se em 1976: «Reduzem a Missa ou os Sacramentos a uma celebração da própria vida, da própria luta, ao símbolo da sua fraternidade… esvaziando a liturgia do seu conteúdo e criando uma nova “gnose”, introduzindo na Igreja uma espécie de livre exame».

Por outras palavras podemos nós dizer que o protestantismo alemão e o modernismo (2) assentaram arraiais no coração da própria Igreja, desnaturalizando a sua essência. Em seu lamento, disse ainda o Santo Padre que «o fumo de Satanás entrou na Igreja».

Para melhor falarmos sobre uma determinada obra, importa que primeiramente conheçamos o seu autor. E o responsável desta, ainda que exteriormente se revestisse da dignidade episcopal, era na verdade um inimigo da Santa Igreja, um lobo em pele de cordeiro.

Como afirma sem temor Tito Casini em seu livro «O fumo de Satanás» (Florência, 1975, pg. 150), Monsenhor Annibale Bugnini ingressou na Maçonaria em 23-4-1963, na loja Grande Oriente d’Itália, com o número de matrícula 1365/75 e sob o nome de código BUAN.

Não pense, porém, o leitor, que é caso único. A revista “Bouletin de L’Ocident Chretien”, no seu Nº 12, de Julho de 1976, num extenso artigo intitulado “Mações”, apresenta uma relação de 125 Cardeais, Bispos e Padres filiados na maçonaria, com a correspondente data de ingresso na mesma.

Quando tantas vezes ouvimos dizer a alguém que não vai à Missa porque não lhe diz nada, quando nós mesmos tantas vezes de lá vimos com a sensação de um vazio que esperávamos preencher quando íamos para a igreja, é por causa deste esvaziamento do sagrado a que se chegou na Liturgia e nos Ritos.

Em próxima edição exporei aqui outras feridas do corpo místico de Cristo, e os males que a nós mesmos cabe corrigir.
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(1) Julien Green, «Ce qu’il faut d’amour à l’homme».
(2) Movimento surgido nos finais do séc. XIX,  que procura adaptar a doutrina e a vida da Igreja às correntes de pensamento do tempo. O papa S. Pio X condenou este movimento na Encíclica Pascendi (1907), chegando mesmo a impôr o «juramento antimodernista» a todos os que pretendessem assumir algum dos relevantes serviços na Igreja.

José Augusto Santos, As feridas da Igreja I - in Notícias de Chaves, Nº. 3160

O acordo ortográfico e o futuro
da língua portuguesa


Maria Clara Assunção






Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.

É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.

Porqe é qe «assunção» se escreve com «ç» e «ascensão» se escreve com «s»?

Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o «ç».

Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o «ç» e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os «ss» deixariam de ser nesesários já qe um «s» se pasará a ler sempre e apenas «s».

Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, «usar», é isso mesmo, se o «s» pasar a ter sempre o som de «s» o som «z» pasará a ser sempre reprezentado por um «z».
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é «z» escreve-se sempre com «z».

Quanto ao «c» (que se diz «cê» mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de «q») pode, com vantagem, ser substituído pelo «q». Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de «k».

Não pensem qe me esqesi do som «ch».

O som «ch» pasa a ser reprezentado pela letra «x». Alguém dix «csix» para dezinar o «x»? Ninguém, pois não? O «x» xama-se «xis». Poix é iso mexmo qe fiqa.

Qomo podem ver, já eliminámox o «c», o «h», o «p» e o «u» inúteix, a tripla leitura da letra «s» e também a tripla leitura da letra «x».

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam «simpléqs», leiam simplex. O som «qs» pasa a ser exqrito «qs» u qe é muito maix qonforme à leitura natural.

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som «j». Umax vezex excrevemox exte som qom «j» outrax vezex qom «g». Para qê qomplicar?!?

Se uzarmox sempre o «j» para o som «j» não presizamox do «u» a segir à letra «g» poix exta terá, sempre, o som «g» e nunqa o som «j». Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!

Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.

A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra «a». Umax vezex lê-se «á», aberto, outrax vezex lê-se «â», fexado. Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.

Vejamox o «o»: umax vezex lê-se «ó», outrax vezex lê-se «u» e outrax, ainda, lê-se «ô». Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o «u»? Para u uzar, não? Se u som «u» pasar a ser sempre reprezentado pela letra «u» fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u «o» pasa a suar sempre «ó», tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra «e», também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa «é», abertu, pudemux usar u «e». U mexmu para u som «ê». Max quandu u «e» se lê «i», deverá ser subxtituídu pelu «i». I naqelex qazux em qe u «e» se lê «â» deve ser subxtituidu pelu «a».
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u «til» subxtituindu, nus ditongux, «ão» pur «aum», «ães» – ou melhor «ãix» - pur «ainx» i «õix» pur «oinx». Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?

terça-feira, 13 de março de 2012

A Igreja e os pecados dos seus filhos


Pedro Vaz Patto








Realizou-se em Fevereiro no Vaticano um simpósio sobre as consequências dos abusos sexuais de crianças e adolescentes perpetrados por sacerdotes, com o objectivo de «escutar, compreender e agir para curar e reabilitar as vítimas». Depois de vários representantes de igrejas locais terem descurado, de forma grave e censurável, o bem destas vítimas, este simpósio revela como a Igreja tem hoje uma postura diferente, de grande solicitude para com elas e de grande cuidado na prevenção deste crime. A ponto de haver quem tenha apontado esta atitude como um exemplo para muitas outras instituições que, de uma ou de outra forma, se deparam com este fenómeno. Porque os abusos sexuais de crianças e adolescentes não são, obviamente, e contra o que uma leitura apressada dos media talvez pudesse levar a crer, uma particularidade da Igreja católica: são uma chaga do quotidiano dos tribunais.

Particularmente impressionante e elucidativo foi o testemunho apresentado nesse simpósio (e divulgado na internet) de uma dessas vítimas, Marie Collins, acompanhado dos comentários da sua terapeuta, Sheila Hollins. Nele transparece como as sequelas de agressões sofridas na adolescência podem prolongar-se durante muitos anos, a ponto de afectar gravemente até a vida conjugal e familiar. Particularmente danosas são as situações em que a vítima não é reconhecida como tal, em que não é dado crédito à sua versão dos factos, e em que ela chega até a ser culpabilizada.

Deste testemunho podem retirar-se outras conclusões importantes.

A negação ou desvalorização destas situações por parte de responsáveis da Igreja, porventura com o intuito de preservar a reputação da instituição, levou a que – afirmou Marie Collins – «ao procurar salvar do escândalo», se tenha provocado «o maior dos escândalos, permitindo que se continuasse a praticar o mal e se destruísse a fé das vítimas». O bem da Igreja nunca poderá assentar no sacrifício da verdade (a verdade liberta – diz o Evangelho), da justiça e do bem das vítimas de crimes.

Por outro lado, como já o afirmara a propósito Bento XVI aquando da sua visita a Portugal, o perdão não dispensa a justiça (já o afirmara também João Paulo II na sua mensagem para o dia mundial da Paz de 2002: «o perdão não se opõe de modo algum à justiça, porque não consiste em diferir as legítimas exigências de reparação da ordem violada, mas visa sobretudo aquela plenitude de justiça que gera a tranquilidade da ordem, a qual é bem mais do que uma frágil e provisória cessação de hostilidades, porque consiste na cura em profundidade das feridas que sangram nos corações»). No seu testemunho, Marie Collins referiu que a confissão do crime por parte do seu agressor foi um passo importante no seu processo terapêutico, e que foi a partir dessa confissão que conseguiu perdoar.

O testemunho de Marie Collins também é elucidativo a respeito das consequências da prática destes crimes por sacerdotes na fé das vítimas. Impressionante a sua referência ao facto de «as mãos que a agrediram» serem as mesmas que «ofereciam o Santo Sacramento». O abuso do poder espiritual dos sacerdotes que praticaram os crimes, mas também a indiferença para com as vítimas por parte das autoridades que os protegeram, abalou em muitas destas, talvez nem sempre a fé em Deus, mas quase sempre a fé na Igreja. Como o simples conhecimento destes factos pode abalar a fé na Igreja de muitas pessoas, mesmo que não sejam vítimas.

Ao longo da História da Igreja, sempre nela a santidade conviveu com o pecado, e nunca os erros dos seus filhos, por mais graves que fossem, e até em períodos mais «negros» do que o actual (como o que conduziu ao cisma protestante, por exemplo) impediram que Deus continuasse, com o Seu Espírito, a assisti-la. Houve até quem (incluindo alguns santos), ao longo da História, com razão tenha concluindo que só a assistência de Deus, nunca as qualidades dos seus membros, explica que a Igreja tenha sobrevivido e resistido a séculos dos mais variados erros e pecados, o que não sucedeu a qualquer outra instituição humana. É também a assistência de Deus que, neste caso, leva hoje a Igreja a reconhecer humildemente os erros e pecados dos seus filhos, a pedir desculpa às vítimas e a fazer o que está ao seu alcance para reparar os danos por estas sofridos.