quinta-feira, 1 de março de 2012

Elba Ramalho: Testemunho a favor da Vida


    


Primeira República e Igreja Católica



O livro «Primeira República Portuguesa e Igreja Católica», de monsenhor João Gonçalves Gaspar, vai ser lançado a 8 de Março no salão nobre do Teatro Aveirense.

A investigação editada pela diocese de Aveiro, de que o autor é vigário geral, será apresentada às 18h30 pelo bispo do Porto, D. Manuel Clemente, que assina o prefácio.

Prefácio

Agradecemos a Monsenhor João Gonçalves Gaspar mais este trabalho histórico-religioso, de grande oportunidade e valia.

Mais este, porque vem de longe o seu interesse pela temática, bem evidenciado em vários e preenchidos escritos, com especial relevo para os três volumes que dedicou ao Bispo Lima Vidal. De grande oportunidade é o presente estudo, na esteira das comemorações do centenário da implantação da República, que deu azo a muitas publicações sobre o assunto.

Graças a estas publicações, temos hoje uma visão muito mais pormenorizada e circunstanciada do que sucedeu em Portugal nas primeiras décadas do século passado. Pormenorizada, porque se evidenciaram ou releram fontes fundamentais ou particulares que nem sempre apareciam, ou eram ignoradas do grande público; circunstanciada, porque essas mesmas leituras ou releituras, em geral serenas e equilibradas, souberam situar melhor os depoimentos e as intervenções dos protagonistas de então.

Também aqui este trabalho de Monsenhor Gaspar nos dá boas contribuições, com referências documentais que não conhecíamos ou precisavam de integração. E podemos dizer que o equilíbrio dos seus comentários coincide geralmente com o resultado geral das referidas publicações do centenário.

E é esta, muito especialmente, a sua valia. Não nos interessam ajustes de contas com o passado, mas ajustar o presente à sua memória mais correta. Memória que, mesmo sendo «colectiva», conjuga sempre realidades marcadamente pessoais. Quanto à liberdade e à responsabilidade, referem-se sempre a alguém, que pensou e agiu desta ou daquela maneira, por esta ou aquela razão e a partir desta ou daquela posição, motivada por estas ou aquelas influências.

Se isto é verdade em geral, muito mais o é no que à 1ª República concerne. Talvez nunca na história portuguesa se tenham entrechocado tantos, dentro de ideários mais próximos do que pareciam: – Quem não queria, por exemplo, «regenerar» Portugal, de 1820 a 1910 e ainda depois? - Não era isso mesmo que o hino adotado e ainda cantado pretendia, para «levantar hoje de novo o esplendor de Portugal»? Monárquicos ou republicanos, socialistas ou mesmo anarquistas, entre todos se aspirava a uma nova alvorada pátria. O problema estava em defini-la: - Voltando à monarquia tradicional, anterior a 1820-1834, ou aprofundando a constitucional, aliando melhor monarquia e democracia, como em Inglaterra e noutros reinos? - Com uma república municipalista e federal, como na Suíça, ou unitária e centralizada, para levar por diante as mudanças requeridas, vencendo resistências e oposições?

De tudo isto se falava e com tudo isto se esgrimia. Mais ainda quando a vontade de mudança ou alteração profunda das coisas consentia perspectivas demasiado distintas: - Importava retomar a «alma» portuguesa na sua conotação religiosa e católica, mesmo na aplicação social que o pontificado de Leão XIII (1878-1903) lhe dera, ou, muito pelo contrário, havia de se afastar de vez tal conotação, em obediência à marcha «positivista» da história, que reduzia cada vez mais a religião ao íntimo da consciência de cada um, sem qualquer transposição pública da crença?

E quanto ao Estado, na sua relação com a Igreja: - Devia continuar-se em regime público-eclesiástico, com a definição religiosa do país e a quase integração da vida eclesial na administração civil, ou, como o liberalismo católico pretendia desde os anos vinte em França e depois pela Europa e além dela, era necessário «libertar» a Igreja da tutela estatal, mesmo que tal levasse à «separação» das duas esferas?

Estas e outras polémicas eram muito transversais a todo o campo político, antes e depois de 1910. Havia no «movimento católico português», sobretudo depois de 1870, quem subscrevesse mais ou menos pontos do liberalismo católico; e houve no republicanismo triunfante quem defendesse a supervisão estatal da vida católica, como era o caso do próprio Afonso Costa e da «sua» Lei da Separação… Assim como houve no campo católico figuras importantes que, mesmo antes de 1910, insistiam na atenção às ciências e aos «progressos do século» (Sena Freitas, Gomes dos Santos e tantos mais).

Louvo e agradeço o trabalho de Monsenhor Gaspar, pelo manancial de factos e figuras que muito bem conjuga e pelo tom geral com que os aprecia e apresenta. É um bom contributo para nos revermos e perspectivarmos, em sociedade e Igreja.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Senhor disse a Moisés



«Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel e diz-lhes: ‘Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo.

Não furtareis, não mentireis, nem enganareis em detrimento de um compatriota.

Não jurareis falso, em meu nome; desse modo profanareis o nome do vosso Deus. Eu sou o Senhor.

Não roubarás nem furtarás nada ao teu próximo; o salário do jornaleiro não passará a noite em teu poder até à manhã seguinte.

Não insultarás um surdo, não colocarás tropeços diante de um cego. Teme o teu Deus. Eu sou o Senhor.

Não cometerás injustiças nos julgamentos. Não prejudicarás o pobre, nem serás complacente para com o poderoso. Julgarás o teu compatriota com imparcialidade.

Não semearás o mal no meio do teu povo. Não peças o sangue do teu próximo. Eu sou o Senhor.

Não odiarás o teu próximo no teu coração; mas repreende o teu compatriota para não caíres em pecado por causa dele.

Não te vingarás nem guardarás rancor aos filhos do teu povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.»

Levit. 19,1-2.11-18.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Conferência sobre o aborto

«Aborto, e Agora o que Fazer ?  Testemunhos e Caminhos»


Dia 1 de Março na Universidade Católica de Lisboa
Conferência organizada pelo Núcleo Universitário Católica Pró-Vida, com o apoio do Lobby Pela Vida.

Testemunhos de:
-- Dra. Maria Durão (do PAV -- Ponto de Apoio à Vida, que apoia a Vida incondicionalmente)
-- Dra. Leonor Ribeiro e Castro (da Missão Mãos Erguidas, que ajuda as mulheres na iminência de abortar a tomar consciência da verdade da Vida)
-- Dra. Maria José Vilaça (da Vinhas de Raquel, que ajuda as mulheres que já abortaram a superar a dor do arrependimento) .

Deus não é para o bico da ciência


Henrique Raposo

Antony Flew (1923-2010) não foi um ateu de garagem. Flew foi o Dawkins do século XX, o líder do ateísmo que se julgava legitimado pela ciência. É por isso que a sua conversão foi um acontecimento tão polémico. Deus existe é a explicação dessa polémica descoberta. O grande motor da mudança? A teoria do Big Bang. Steiner diz, algures em Gramáticas da Criação, que a teoria do Big Bang é a tradução científica do livro do Génesis. Flew navegou por águas similares. Para este filósofo britânico, a teoria do Big Bang fornece a prova científica para aquilo que São Tomás de Aquino considerava inacessível ao conceito de prova: o começo do universo. Enquanto pensou que o universo era apenas um espaço ilimitado mas atemporal (sem um começo), Flew encarou o dito universo como um conjunto de factos fechado e à mercê de uma ciência toda-poderosa. Mas tudo mudou com o Big Bang. Se o universo teve um começo, então, a pergunta é inevitável: o que produziu esse começo? Quem deu o primeiro pontapé na bola cósmica?

O que torna Flew num caso subversivo para o ateísmo hegemónico não é a mera conversão à ideia de Deus. A subversão está na forma, porque Flew chegou a Deus através da ciência, e não através da fé. Flew atingiu Deus através da física e da cosmologia. O ex-papa dos ateus pegou nos dados científicos, e Eureka: há um Deus subjacente à racionalidade da natureza e do universo. Tudo bem? Tudo mal. Deus não é um assunto científico. Deus não se prova ou desprova cientificamente. Deus é um salto de fé abraâmico, kierkegaardiano. Se Dawkins está errado, Flew também não está certo.

Sim, Dawkins tem direito ao seu ateísmo, mas já não tem direito a pensar que esse ateísmo tem certificado científico. A ciência não prova a não-existência de Deus. Deus é um assunto não-científico por excelência, porque Deus não está ao alcance do método científico. Mais: quando afirma que o seu ateísmo darwinista é a única resposta aceitável, Dawkins deixa de lado qualquer ceticismo em relação à sua própria teoria, acabando por esquecer que a ciência não anda à procura da verdade redentora. Todo o conhecimento científico assenta nesta arquitectura céptica: só podemos ter estabilidades teóricas, e nunca certezas teóricas; todas as teorias têm de ser falsificáveis, logo, todas as teorias são apenas possivelmente verdadeiras. Sem este mar de dúvidas, o espírito científico não sobrevive. Preso na fúria de negar Deus em nome da ciência, Dawkins acaba por desrespeitar a própria ciência.

Ora, se não prova a não-existência de Deus desejada por Dawkins, a ciência também não prova a existência de Deus. Flew diz que esta foi uma peregrinação da razão: «segui a razão até onde ela me levou. E ela levou-me a aceitar a existência de um Ser auto-existente, imutável, imaterial, omnipotente e omnisciente». Problema? Apesar das diferenças a jusante, Flew partilha com Dawkins um erro a montante: encara Deus como um desafio científico. Sucede que Deus e a fé não são assuntos empíricos, não são temas para o bico da ciência. Deus não se esconde na relação gravitacional entre planetas, mas na relação moral entre homens. Deus é um salto de fé ético, e não uma descoberta com tubos de ensaio. Flew percebeu que o ateísmo não era a resposta, mas teve medo de atravessar o deserto.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Olivença e a «Guerra das Laranjas»

José Ribeiro e Castro


A questão de Olivença é uma delicada pendência dormente nas relações luso-espanholas. É, não – era! Um alcaide «voluntarioso» do lado espanhol resolveu chutar o tema para as primeiras páginas dos jornais. E inevitavelmente para a primeira linha da política. Agora, procura dobrar a língua, mas o mal está feito e o seu gesto tem tudo menos de inocente.

Nos últimos anos, o ambiente melhorava: com apoio das autoridades regionais extremenhas, a autarquia de Olivença abrira-se à revelação das raízes portuguesas, recuperando e reafirmando traços identitários na toponímia histórica das ruas e em festivais anuais de matriz portuguesa. Simultaneamente, com algum pragmatismo, dos dois lados da fronteira, descobriam-se formas imaginosas de tornear dificuldades políticas, a fim de responder às necessidades das populações - por exemplo, no dossier de reabilitação de uma ponte de acesso à vila. Este desanuviamento revelava grande sentido prático e era um processo inteligente, que procurava andar para diante sem ferir o alto melindre político da questão. As autoridades locais e regionais espanholas pareciam interessadas em avivar a especial identidade de Olivença, até para a singularizar na região como pólo específico de procura turística, e circunscrevendo o processo a traços de identidade cultural, sem entrar obviamente pelo delicadíssimo - e potencialmente explosivo - plano político.

Estávamos nós postos neste sossego, quando o «enérgico» alcaide Bernardino Píriz aterra em Olivenza e resolve reabrir a Guerra de las Naranjas. Desde há semanas que éramos altertados para a provocação que congeminou. Até que o PS e autarcas locais do lado português - a meu ver, bem - resolveram agarrar no assunto. Além do disparate político monumental, a iniciativa do novo alcaide oliventino interrompe esforços positivos que os autarcas alentejanos vizinhos conhecem bem e estavam a acompanhar e apoiar.

«Festejar» a Guerra das Laranjas em Olivença é uma coisa de flagrante mau gosto. Seria um pouco como a Rainha Isabel II ir celebrar a Gibraltar o Jubileu de Diamante no próximo mês de Junho.

Sentido duma «Vida sem sentido»
Tudo funciona em termos de fim

António Justo









Nietzsche dizia «quem tem um porquê para viver, suporta quase cada como». O problema está para quem não tem porquê nem como. Sim, até porque a vida é mestra e a História obriga.

Na luta da vida, uns ganham, outros perdem e outros nascem perdidos. De premeio fica a perspectiva individual, numa atmosfera social mais ou menos intoxicada, diria eu.

Nos primórdios da humanidade, os nossos antepassados caçadores-colectores esfalfavam-se em manada atrás da caça e da fruta. Levavam uma vida nómada e na luta pela subsistência viam-se obrigados a viver na manada.

Na sequência dos hábitos ancestrais de caçadores-colectores, pratica-se também hoje a caça e a colecta nos centros comerciais («Shoppings»). Escarmentados das fadigas invernais sentimos cada vez mais o prazer no ter do que no ser. Surge o prestígio e este baseia-se já não na necessidade directa mas na ideia (necessidade construída). A satisfação e o prestígio de ter passam a impor-se ao do ser. A massa já não segue em direcção à caça, mas o sentido da ideia dela.

As pessoas perdem a individualidade pensando e vivendo cada vez mais em termos de manada. Do tédio da monotonia redil surge a necessidade de se diferenciar numa corrida ao prestígio baseado na ideia do sucesso económico. A animalidade individual, agora encarcerada numa cultura domesticadora procura os seus tubos de escape numa ideia de distinção e de liberdade apregoada pelo mercado. Os pobres de cima e os pobres de baixo, tudo em fuga, vivem da futilidade dum ter mais que o outro e duma distinção que se revela no poder de compra. Cada um quer levar o mundo às costas, querem tudo na sua mochila. Na luta contra o caos afirmam-se as forças da animalidade violenta de uns contra os outros. De momento, grande parte das elites financeiras manifesta-se como extremista e sem um conceito ordenado de sociedade. A brutalidade de oligarquias torna-se exemplar para as bases que a sustêm levando-as primeiramente à desorientação e depois à anarquia.

Uma sociedade que não canalize a brutalidade dos seus membros está irremediavelmente perdida. Para o poder necessitará de ideais e metas metafísicas. As estruturas precisarão de homens bons e a contrabalançar os seguidores da oportunidade. Doutro modo, sob o impulso de canalizar a animalidade, continuarão a esconder-se, por trás dos bastidores, os interesses individualistas, nacionalistas e ideológicos. Estes só querem indivíduos e não pessoas, querem apenas clientes e crentes. Neste sistema, quem não pertencente ao rebanho, não orienta a inteligência em benefício próprio. Uma sociedade sem consciência pessoal e comunitária transcendente e que engendra para cada qual um deus indiferente que tudo permite deixa a bestialidade humana governar.

A natureza, para não estagnar, não quer harmonia. Ela tem, além dum sentido imediato, um sentido telelógico, virado para uma meta, um objectivo sempre mais distante do que a mira da nossa caçadeira alcança. Quem não descobrir essa meta será condenado, como Sísifo a empurrar repetidamente uma pedra (a sua vida) até ao lugar mais alto da montanha para a ver rolar de novo para o fundo dela.

Depois de cada caçada, de cada compra, de cada vitória fica a depressão do desconsolo duma caçadeira descarregada, de vida vazia. Resta a sensação de um caçador cansado, a subir a encosta, à semelhança de Sísifo no mito.

Sísifo quer-nos alertar para uma vida digna de viver e para a necessidade de intervir no destino. Primeiro procura-se o que dá alegria: um trabalho, uma casa, uma criança; depois vem a insatisfação, da falta duma tarefa, da falta de realização.

No caso de desemprego inutilizam-se as próprias capacidades e conhecimentos. Pior ainda; a sociedade só exige e não louva, o que diminui a satisfação. O horizonte reduz-se, cada vez mais, ao panorama dos próprios problemas. Por fim o cenário pode reduzir-se a si mesmo. Sem a perspectiva do outro não haverá realização.

Uma existência sem metas é vida desperdiçada e perdida

Uma vida sem metas é como um carro com motor em ponto morto, só gasta e desgasta ou anda à roda como os carrinhos eléctricos das feiras.

Desde a natureza à lógica e ao sentimento, tudo funciona em termos de fim. O ciclo da trajectória duma semente não é terminar nela; contra isto fala a evolução e a ânsia de sentido no mais profundo de cada coração. O sentido encontra-se não só em nós, no todo mas também fora dele. Tudo se encontra a caminho, a natureza inteira, cada povo e cada pessoa. O seu ser não se reduz ao caminho como apregoam os barateiros do mercado.

Sentido é algo subjectivo mas um consolo apenas subjectivista (individualista) encerraria o ser num labirinto. O sentido experimenta-se na relação entre o eu e o nós, numa relação de diálogo binário e trinário dum receber e dar para mais criar. A natureza orienta-nos para o futuro, muito embora o futuro não seja o seu fim.

É verdade que o sol nasce todos os dias. Ele parece resumir o sentido que a semente sente numa continuidade repetitiva a caminho dum chamamento imanente e transcendente. Aquele chamamento vem dum fora dentro a que o próprio Sol obedece no reconhecimento dum sentido maior.

A vida individual, familiar, social e nacional ocidental encontra-se ameaçada pelo facto de não reconhecer algo que a transcenda, não conhecer uma meta mais abrangente que não seja o ciclo das estações do ano. Tudo circula então em torno do próprio umbigo como se cada um fosse o umbigo do mundo. Uma multidão sem necessidade de dar à luz. Um mundo assim concebido já não precisa de heróis nem de santos, acomoda-se ao destino duma rota de exploradores e explorados.

Prometeu, protótipo do homem grego, foi herói ao conseguir roubar o fogo dos deuses para o dar ao humano. Este, ao desistir do fogo dos deuses será reduzido à condição de prisioneiro e acorrentado à própria arrogância e entregue, pelos deuses, à voragem das águias que se alimentarão do seu fígado. Ao acomodar-se à fuga do medo não chega a experimentar a satisfação de que a rebeldia por fim lhe trará consolação.

Equivoca-se a política ao reduzir a vida pública a uma mera luta de interesses entre grupos. Erra a psicologia que se fixa no ego, encurtando o horizonte da pessoa a ela mesma e a vida a uma mera estratégia de sobrevivência individual, dando receitas que não passam de anestesiantes para um ego que sofre de miopia. Por isso, a sociedade, cada vez produz mais doentes e a frustração individual está cada vez mais patente.

Geralmente procura-se a solução para os problemas onde ela não pode estar. Coloca-se a bola da vida nas mãos dos donos de matraquilhos ignorando que eles, consciente ou inconsciente, pretendem levar a bola ao seu buraco. Uns e outros parecem adiar a vida em trips de egos. Por falta de panorama limitam-se a ajudar Sísifo a subir a montanha para de novo cair a seus pés. Uma solução que se contenta com a satisfação do eu, só em si, não satisfaz porque empobrece a pessoa, reduzindo-a à condição de Sísifo. A concentração no ego possibilita a masturbação mas não a criatividade, realiza-se à margem da evolução.

No mercado da praça pública encontramos muitos profetas do ego. Até parecem que têm a vida para dar ao oferecerem mais sexo, mais droga, mais liberdade, como se fossem os donos disto. Eles fixam o bem-estar a um hedonismo que reduz a felicidade ao acto de striptease, ao acto do momento, como se o dia não tivesse um nascer e um pôr-do-sol, como se o dia completo não contivesse também a noite. Para que a realidade da noite não seja consciencializada têm como solução a bebedeira. Muita da psicoterapia, dos curandeiros, dos espíritas e muito outra boa gente só ajudam as pessoas a adiar a vida, sempre à cata dum raio de sol fútil. O pior é que ainda pagam para isso!… Uma vida com sentido é entrega, é oferecer consciente que no dar se entra em comunicação com o outro e nele com o próprio profundo. Doutro modo, o sentido duma vida sem sentido será alimentar os parasitas da vida. Uns como outros correm o perigo de se encontram virados apenas para si reduzindo o seu sentido ao alimentar dos vermes do cemitério. Naturalmente que a paciência do verde da roseira se premeia nas rosas da roseira também na vida humana não haverá alegria sem sofrer.

A felicidade dá-se no nós, na relação; o eu encontra, ao mesmo tempo, o seu limite e a sua complementação no outro. A sociedade ocidental estressou a pessoa reduzindo-a a indivíduo à disposição do seu mercado: Reduz a praça social a grupos de vendedores concorrentes entre si sem um sentido individual nem colectivo. Para isso quer uma sociedade aberta sem biótopos, quer apenas indivíduos indefesos estando, por isso, interessada em destruir a pessoa (a pessoa, ao contrário do indivíduo, encontra-se embutida numa paisagem, numa região, num país, numa cultura, numa família; a ideologia, pelo contrário só conhece uma cor, as cores do arco-íris de que a pessoa seria portadora constituiria um impedimento a qualquer ideologia seja ela económica ou do pensamento). Por isso se vê cada vez mais a afirmação da ideologia do indivíduo contra a pessoa. O turbo-capitalismo, o socialismo materialista e os déspotas querem indivíduos despojados de ideias próprias, despojados de família e de nação.  Uma sociedade como a nossa, já a caminho do pôr-do-sol, infecta outras sociedades emergentes e ensombra a vida com valores já não de esperança mas de desilusão. Privilegia a força da entropia só tendo em conta o ego, sem a consciência de que este faz parte dum biótopo cultural empenhado na construção dum ecossistema espiritual universal.

O horizonte do nosso ego encontra-se numa relação complementar à intimidade do nós. Somos o cruzamento duma panorâmica com vários horizontes, todos eles enquadrados na nossa pessoa e a serem considerados no trilho da sociedade. Como o Sol tem uma missão em relação à Terra assim o humano tem uma missão de seguir e criar sentido. Quem cria e dá sentido sente sentido na vida, realizando-se e expandindo-se na alegria dos raios sociais que irradia. Então as sombras da vida já não adoentam, passam a ser canais por onde passa a luz, por onde passa a vida. Daí surge a satisfação de tornar a humanidade e o mundo num lugar digno, onde a vida é equacionada e mantida sob o ponto de vista da pessoa, do universo e do divino.

A futilidade dum viver numa democracia de cidadãos vencedores e perdedores, de realização individual, sem uma órbitra que transcenda o eu, só poderá conduzir à frustração do cidadão que constata nas órbitras das instituições do Estado e da humanidade a repetição da própria órbitra egocêntrica, apenas um pouco mais alargada.

Falta a consciência duma órbitra universal cujo trajecto se origina no nós e tende para o nós numa dinâmica complementar. Uma teoria e uma praxis na perspectiva do nós (comunidade e não mera sociedade) interromperia a continuidade histórica de exploração (a relação de caçador e presa) para, na História da humanidade, se introduzir a sustentabilidade do seu desenvolvimento. Isto para não reduzirmos o trajecto histórico a um movimento rotativo de explorados e exploradores.

Doutro modo a nossa vida dará sustentabilidade à reiteração da exploração e da lamentação, continuando a História ordenada em dois acampamentos: dum lado os mais solidários, do outro os mais egoístas, os privilegiados.

Marx pensava poder mudar a humanidade e a natureza humana, se se acabasse com a propriedade privada. O seu erro foi querer reduzir tudo ao ciclo da matéria e querer sacrificar as diferentes esperanças da humanidade à sua esperança, não contando que a realidade consta de erros complementares que possibilitam o alívio do mal. Há muitos caminhos na tentativa de superar o mal e de melhorar a sociedade. Será tarefa de todos fazer desembocar o seu caminho na comunidade e no respeito da diferença. Uma só solução é engano. Até hoje, as revoluções criam novas classes dominantes que se legitimam com novas ideias impostas ao povo e aos vencidos. A ilusão voa mas o sofrimento provocado pelo ser humano é continuado sob o sol de novas explicações e dominações.

A tarefa apontará no sentido de se agir a partir do ponto de vista do nós. Para isso ajuda um princípio duma ética universal digna: não faças ao outro o que não queres que te façam a ti. A ética superior das bem-aventuranças poderá ficar para uma segunda fase da evolução da humanidade. Por enquanto continuamos a ser crianças contentando-nos com o jogo das escondidas.

Cada sistema de valores corresponde a um ecossistema cultural aferido à geografia, às necessidades e desejos de cada biótopo. Destruí-los em nome doutras grandezas seria crime. Há que disponibilizar o sol para todos. A óptica divina apela à consciência duma perspectiva universal num mundo a ter de se recriar: um mundo de luz e de treva de todos para todos.

 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Aborto é o cúmulo da violência doméstica


Fernando Castro, entrevistado no Diabo por João Filipe Pereira

«Barrigas de aluguer só interessam à esquerda caviar»

 Em Portugal há 5 mil famílias com três ou mais filhos registadas na Associação Portuguesa de Famílias Numerosas. Fernando Ribeiro e Castro é o seu presidente. Em entrevista a O DIABO, o homem que defende os interesses das famílias grandes é fulminante no ataque que faz à «Esquerda caviar», às políticas do Governo e aos «totós» do CDS, PSD e PS.

Ler mais em:
http://uniaodasfamiliasportuguesas.blogspot.com/2012/02/o-aborto-e-o-cumulo-da-violencia.html

Governo deve ouvir o Cardeal:
Mãe há só uma


Manuel Tavares, Director do JN









O novo cardeal português foi ao fundo da questão europeia: a relação da mãe com a família e o trabalho. Para alguns será muito fácil colocar as etiquetas de conservador ou mesmo de reaccionário a D. Manuel Monteiro de Castro por, na entrevista que concedeu ao JN, ter dito sem papas na língua o seguinte:

«O trabalho da mulher a tempo completo creio que não é útil ao País. Trabalhar em casa, sim, mas que tenham de trabalhar pela manhã até à noite creio que para um país é negativo. A melhor formadora é a mãe, e se a mãe não tem tempo para respirar, como vai ter tempo para formar?».

E, no entanto, vejamos...

Ainda não há no mundo sítio com melhores condições de vida que o nosso velho continente: o modelo social europeu permanece imbatível. Mas está claramente ameaçado. E se um optimista como eu pode sempre acreditar que haveremos de superar a ameaça resultante da crise financeira, outra tanta dose de fé não chegará para eliminar a ameaça demográfica.

Ou seja: mesmo que a Europa resolva os seus problemas de competição no quadro do comércio mundial e o faça salvaguardando os salários pela redistribuição da riqueza, vai ser preciso que, para além das religiões, das ideologias e das práticas sociais, o cidadão renuncie ao conforto da responsabilidade mínima. A sua própria por natureza e a da eventual alma gémea com quem decida partilhar a aventura da vida comunitária.

Com a taxa de natalidade em queda vertiginosa em Portugal e na Europa não podemos esperar que o nosso modelo social sobreviva. Perceber que esta é a questão essencial, muito mais importante que as circunstâncias da crise, é o passo indispensável para termos uma atitude diferente em relação ao núcleo da nossa organização social: a família.

Salvar este nosso modelo de vida, com todas as heterodoxias que ele permite, significará sempre revalorizar a natalidade. E a primeira consequência desta revalorização será a de dar condições para que os pais que assim o pretendam possam ter mais filhos.

Este ponto é tão mais sério e tão mais decisivo para as gerações que as sérias dívidas soberanas, e seria imperdoável que falhássemos. Porque só depende de nós e do que possamos pensar para além do puro prazer de ter um único filho. Ou nenhum.

Acontece que do plano da cidadania para o da prática social, por mais cardeais que nos alertem, terão de ser os políticos a garantir-nos a sobrevivência do nosso modelo social europeu.

No que me toca, atrevo-me a dar-lhes um conselho: antes de pensarem em novas leis laborais, perguntem às mães que não podem fugir a despejar os filhos de seis meses em infantários.

Continua a pouca vergonha!


Motorista milionário para o chefe dos gajos de avental da zona de Santarém (73.466euros/ano)
Nem o motorista do Obama!!!...

Motorista de Relvas recebe € 73.446,00
O Ministro Miguel Relvas precisava de viajar  e não lhe bastava os 3 motoristas cedidos pela Secretaria Geral do Ministério dos Assuntos Parlamentares logo decidiu contratar por Ajuste Directo um novo motorista por € 73.446,00 :














E de onde vem importante  responsável pelo transporte da política do Governo? Onde trabalhava antes? A resposta está no DRE:










Então ficamos a saber que o ex-motorista do grupo parlamentar do PSD vai receber €73.446,00.

Curiosamente esta nomeação encoberta não consta da página das nomeações do Governo.
Porém, o Sr. Alexandre Meireles não é o único que não consta da página das nomeações do Governo.

Vejamos o caso do Rui:
O Rui Jorge que vai ganhar € 5.000,00 em dois meses:
















Olhemos o caso da Rita:
A Rita que vai ganhar um pouco mais que o Rui, € 3.750,00em 66 dias:
Mais uma vez, curiosamente, não constam da página de transparência do Governo!
Transparência









O Papa alerta sobre abuso do poder
das finanças e dos meios de comunicação


VATICANO, 16 Fev. 12.- O Papa Bento XVI alertou sobre o abuso do poder das finanças e dos meios de comunicação, que quando mal usados oprimem o homem e impedem que seja verdadeiramente livre.

Na sua visita de ontem ao Pontifício Seminário Romano Mor de Roma para reunir-se com os seminaristas e rezar uma lectio divina (oração com uma meditação bíblica) em preparação à festa de Nossa Senhora da Confiança, que se celebra no dia 18 de Fevereiro, o Papa explicou o significado da palavra «mundo».

«Por um lado o mundo criado Por Deus, amado por Deus, até o ponto de dar-se a si mesmo e a seu Filho por este mundo», e por outro o mundo «que está no mal, que está no poder do mal, que reflecte o pecado original».

Hoje em dia, disse o Santo Padre, «vemos este poder do mal por exemplo, em dois grandes poderes que por si mesmos úteis e bons, porque podem ser úteis e bons, mas que são abusivos com facilidade: o poder das finanças e o poder dos meios de comunicação».

O Papa indicou que apesar de serem «ambos necessários, porque podem ser úteis, também podem ser tão abusivos que frequentemente se convertem no oposto de suas verdadeiras intenções».

«Vemos como o mundo das finanças pode dominar ao homem, que o ter e o parecer dominam o mundo e o escravizam. O mundo das finanças não representa mais um instrumento para favorecer o bem-estar, para favorecer a vida do homem, mas se converte  num poder que o oprime, que deve ser quase adorado: «a riqueza» a verdadeira divindade falsa que domina o mundo».

Bento XVI disse que «contra este conformismo da submissão a este poder, devemos ser inconformistas: não contra o ter, mas contra o ser! Não nos submetamos a isto, usemo-lo como meio, mas com a liberdade dos filho de Deus».

Em referência ao poder da vida pública, assinalou que certamente se necessita informação e conhecimento sobre a realidade do mundo, mas sem cair na aparência, porque às vezes «o que se diz se converte em mais importante que a realidade»

«A aparência sobrepõe-se  à realidade, torna-se mais importante, e o homem já não segue  a verdade de seu ser, mas quer sobre tudo aparentar, ser conforme a esta realidade».

«Também contra isto está o inconformismo cristão: não queremos sempre 'ser conformes', adorados, não queremos a aparência, e sim a verdade, e isto nos dá a verdadeira liberdade cristã», explicou.

O Santo Padre recordou que o «inconformismo do cristão, restitui-nos na verdade». É preciso «libertar-se desta necessidade de deleitar, de falar como as massas acham que deveria ser, e ter a liberdade da verdade, e assim recriar o mundo de modo que não oprimido pela opinião, pela aparência que não deixa mais emergir a mesma realidade», exortou.

É preciso lutar contra o «mundo virtual», que cada vez «faz-se mais verdadeiro, mais forte e não se vê mais o mundo real da criação de Deus», lamentou.

«Oremos –alentou– ao Senhor para que nos ajude a ser homens livres neste inconformismo que não está contra o mundo, mas que é o verdadeiro amor do mundo».

Finalmente, o Santo Padre ressaltou que actualmente os meios não falam realmente do que significa a Igreja, falando de assuntos que nada ou pouco têm a ver com ela: «oremos ao Senhor para que possamos fazer que se fale não de muitas coisas, mas sim da fé da Igreja Romana».

«Aprendam um novo modo de pensar, que é o modo que não obedece ao poder nem ao haver, à aparência etc., mas sim obedecer à verdade de nossos seres que habita profundamente em nós e nos é dada no Baptismo», concluiu.

O Santo Padre esteve acompanhado por 190 seminaristas; 16 jovens que frequentam o ano propedêutico, as religiosas Filhas de São José de Dom Luigi Caburlotto; as Religiosas da Família do Corde Iesu, que se ocupam da enfermaria; entre outros.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Os perigosíssimos e os invertidíssimos


Nuno Serras Pereira










Eu não conheço o que pensam as pessoas, que lêem este texto, de uma sociedade, de uma nação, cujas forças policiais protegem e defendem os assassinos violentos daqueles que, mansa e pacificamente, procuram evitar esse malfazer maligno. Mas sei, com toda a segurança, que, como podem verificar lá para o meio desta filmagem, isso sucede em Portugal. Perigosíssima esta vintena de gente que exige a presença de cinco polícias para guardar o lugar onde, em média, se chacinam, numa grande carnagem, 25 pessoas, ainda miudinhas, por dia de trabalho.

Neste país inacreditável o estado executa à morte sumária, através dos serviços de saúde (!?) os inocentes de qualquer culpa, os concebidos - cruelmente impedidos de nascer -, desde que a mãe infantofóbica, forçadamente ou não, o decida (como escreveu lapidarmente Thereza Ameal: «São muitos os dramas por trás destas decisões... (mas) São piores ainda os dramas depois destas decisões...»).

O mesmo estado usurpando perversamente o poder que lhe foi concedido impõe totalitariamente, violentando a consciência e a liberdade religiosa dos contribuintes, que todos sejamos coagidos a pagar essa abortança malvada de pessoas, iguais a nós, mas muito débeis ainda, eminentemente vulneráveis, e inteiramente indefesas; e condenados também ao pagamento iníquo da contracepção, inclusive da abortiva. Não lhe bastando, na sua sofreguidão sanguinária, com uma voracidade de Moloch, seduz as mães com prémios vários – isenção de «taxas moderadoras», trinta dias de férias com subsídio a que, no cúmulo da sua manha dissimulada, apelida de «licença de maternidade». Para o estado, essa coisa horrorosa de parir, ou dar à luz, que pede a constituição de famílias estáveis, fundadas no matrimónio, uno e indissolúvel, entre um homem e uma mulher, que garante o futuro de uma nação, que é o fundamento de um desenvolvimento integral, na totalidade dos factores constituintes da humanidade da pessoa deve ser combatida a todo o custo com a contracepção, a esterilização, a promoção de juntamentos lascivos entre pessoas do mesmo sexo, o divórcio expresso-sem-culpa, o filicídio sob a forma de aborto e de infanticídio pós-parto. Temos, pois, que em Portugal, os princípios e valores fundamentais estão tresloucadamente alterados devido a um conjuntivo de gente invertidíssima, que goza de imenso prestígio, é incensada pela grande comunicação social, e adulada por variegados sectores da hierarquia da Igreja católica.

Oitenta mil pessoas, iguais a ti e a mim, dotadas do mesmo valor e da mesma dignidade transcendente daqueles que, cobarde e atrozmente, servindo-se da sua maior força, os envenenaram e esquartejaram, foram desumanamente eliminados, perante a indiferença fria da generalidade dos portugueses e o silêncio, ou as curtas palavras inócuas, dos prelados. Todos, sem excepção, mas ainda mais estes últimos terão de responder diante de Deus, Justo Juiz, nos dias tremendos dos juízos, particular e universal.

Agora, agora mesmo, é o tempo da misericórdia e da conversão, depois será tarde. Agora, e não depois, é o tempo de fazermos penitência pública implorando o perdão de Deus para a enormidade do nosso pecado, como povo e como católicos e cristãos, manifestando o nosso arrependimento, desagravando e reparando as ofensas e injúrias feitas ao Coração Misericordioso de Jesus Cristo e ao Coração Maternal e Imaculado da sempre Virgem, Mãe de Deus e também nossa.

Indonésia força mil crianças católicas
a converter-se ao Islão


Cerca de mil crianças católicos do Timor Oriental que foram arrebatadas de suas famílias há mais de dez anos, estão sendo retidos à força em colégios nacionais islâmicos de Java Ocidental onde são obrigados a converter-se ao Islão.

A Igreja na Indonésia e alguns trabalhadores humanitários católicos confirmaram à agência vaticana Fides que os jovens se encontram nestas escolas e centros em mãos de educadores muçulmanos, os quais, impedem o retorno dos jovens às suas famílias de origem.

Durante 1999, durante a guerra da independência, 250 mil refugiados do Timor Oriental cruzaram as fronteiras para o Timor Ocidental para escapar da violência das tropas pró-Indonésia.

Entre os refugiados havia mais quatro mil crianças, muitos deles não podiam ser alimentados por suas famílias e foram entregues ao exército e a organizações humanitárias. Como resultado, mais de mil dessas crianças nunca retornaram a seus lares e actualmente permanecem prisioneiros nos internatos islâmicos de Java.

Os representantes do Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados e diversas ONGs na Indonésia, tentaram solucionar a repatriação dos jovens mas sem êxito.

No entanto muitos dos pais das crianças têm negado o acesso a seus filhos por parte dos colégios islâmicos.

O Secretário da Comissão Episcopal para o Diálogo Interreligioso,Padre Benny Susetyo, considerou que «é urgente limitar a instrumentalização da religião em política. A zona de Java Ocidental é um exemplo: os grupos muçulmanos querem impor regras baseadas na Sharia (Lei Islâmica)».

Ele assinalou que o principal problema no Timor Oriental, «são o excesso de burocracia e a corrupção: dois temas que influem na retenção destas crianças, e indicou que «trata-se de um caso muito triste e de um abuso evidente».

A Comissão Episcopal para o Diálogo Interreligioso tentou administrar uma solução ante o governo, as organizações muçulmanas e as Nações Unidas, mas «casos como estes fazem ver como a relação entre política e religião tem um grave impacto na liberdade dos cidadãos, especialmente nas minorias», concluiu o Padre Susetyo.


80 mil abortos «por opção» desde 2007
13 mil reincidentes


Desde 2007 realizaram-se em Portugal mais de 80 mil abortos «por opção da mulher», revela um estudo da Federação Portuguesa Pela Vida (FPV) feito com base nos dados oficiais disponíveis.

Ler mais em: 
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2295385

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Metro de Lisboa não aceita publicidade de invertidos


Rede social Manhunt queixa-se de discriminação e pondera avançar para processo judicial

O Metro de Lisboa recusou uma publicidade da rede social Manhunt, que agrega portugueses invertidos, por considerar que podia «ferir susceptibilidades», conforme avança o «P3».

Nas imagens que chegaram a ser aprovadas pela Multimedia Outdoors Portugal -- a empresa que gere a publicidade no metro, e que devemos ter debaixo de olho -- pode ver-se dois homens semi-nus a simularem um beijo e dois homens vestidos e abraçados.

«A primeira ainda acredito que teria sido chocante para a maioria dos utilizadores do metro, mas como podem alegar que há um teor sexual explícito na segunda? Quando olhamos, por exemplo, para a publicidade de lingerie feminina, só falta as meninas terem a alma de fora...», aponta Iúri Vilar, responsável em Portugal pela Manhunt, em declarações ao tvi24.pt.

Acusando a Metro de Lisboa de «discriminação ao mais alto nível», Iúri Vilar garante que os advogados da Manhunt estão a avaliar a hipótese de «avançar com um processo judicial».

«Ainda há um lobby em Portugal. As empresas não de importam de vender sexo, mas só se for heterossexual», lamenta.

O objectivo da Manhunt era colocar 15 cartazes MUPI (Mobiliário Urbano Para Informação) «na zona invertida» de Lisboa, entre as estações da Baixa, do Bairro Alto e do Saldanha.

«Os transportes públicos foram uma solução que encontrámos a um bom preço. Era a primeira vez que tentávamos massificar a nossa publicidade e lá fora, nos EUA e no Brasil, por exemplo, nunca tivemos qualquer tipo de problema», disse.

Após a «nega» do Metro de Lisboa, a rede social invertida tem recebido, no entanto, outras propostas. «O metro fechou-nos as portas, mas vão abrir-se janelas. Há empresas interessadas em aproveitar a boleia do mediatismo», concluiu.

A Manhunt existe há cerca de dez anos nos EUA e tem seis milhões de utilizadores a nível mundial. O seu principal objectivo é possibilitar o contacto entre homens invertidos, mas também desenvolve outras actividades, como informações sobre HIV ou ofertas de preservativos.

Escrevam uma carta de felicitações para a Metro Lisboa por terem proibido esta campanha dirigida ao Eng. Francisco José Cardoso dos Reis para: relacoes.publicas@metrolisboa.pt