sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Bilionário invertido
financia projectos de invertidos
ditos “católicos” e “evangélicos”

Kathleen Gilbert, Notícias Pró-Família

As mais importantes organizações de invertidos que afirmam representar evangélicos e católicos, e pelo menos uma faculdade administrada por jesuítas, recebem financiamento de um importante empresário magnata invertido com o objectivo de provocar desentendimentos dentro das fileiras das igrejas.

Num recente artigo, Thomas Peters, director cultural da Organização Nacional do Casamento e fundador do blog American Papist, revelou as fontes de financiamentos de várias organizações que promovem a aceitação da homossexualidade sob o pretexto de representar membros preocupados da comunidade judaico-cristã.

Organizações como New Ways Ministry (Ministério Novos Caminhos), uma organização importante recentemente condenada pelos bispos católicos dos EUA, recebem somas enormes da Fundação Arcus com o objectivo de promover o “casamento” de mesmo sexo especificamente entre católicos, luteranos, anglicanos e judeus.

A Fundação Arcus foi fundada por Jon Stryker, um accionista bilionário assumidamente gay e um dos principais financiadores de iniciativas homossexuais. Um artigo da revista [esquerdista] Salon de 2006 aponta a influência que Tom Gill, milionário da área de softwares e activistas invertido, teve em Stryker.

“Lisa Turner, directora política que trabalha para Jon Stryker, confirma que Stryker foi motivado pelas generosas contribuições financeiras, que abriram precedente, feitas por Tim Gill, o fundador assumidamente gay da empresa Quark Inc., em 2004,” diz o artigo.

“Os defensores do casamento gay são espertos — eles criam organizações para canalizar as suas fortunas para as causas que eles querem ver com sucesso”, escreveu Peters, que apontou para os graus de separação que obscurecem o relacionamento entre o Ministério Novos Caminhos e a fundação de Stryker.

O site da Fundação Arcus também apresenta listas de vários outros projectos ditos “católicos” sob o título “Religião e Valores”. As listas especificamente descrevem planos de minar, a partir de dentro, os ensinos da Igreja Católica sobre a sexualidade.

Por exemplo, a Força-Tarefa Nacional Gay e Lésbica recebeu 152 625 dólares da fundação para “um processo de planeamento colaborativo e estratégico focado na construção de um movimento pro-LGBT dentro da Igreja Católica Romana nos EUA”. Na linha de frente da educação católica, a Universidade Jesuíta Fairfield recebeu uma verba de 100 000 dólares para “expandir o actual debate sobre a homossexualidade dentro do catolicismo romano para incluir as opiniões diversas de líderes e teólogos do pensamento católico progressista”.

Fazer pressão para que entre os católicos haja aceitação do controlo da natalidade ou aborto é também parte da missão da fundação: a Aliança Feminina para a Promoção da Teologia, Ética e Ritual recebeu uma verba de 70 000 dólares para criar “um grupo de mulheres lésbicas, bissexuais e transgéneras católicas e seus aliados que assumiriam um papel de liderança dentro da comunidade católica em questões relacionadas com o género, sexualidade, [e] saúde reprodutiva”.

Outros financiamentos incluem 93 345 dólares para o Ministério Novos Caminhos, 200 000 dólares para Dignidade Novos Caminhos EUA e 23 000 dólares para uma campanha para atacar o ensino católico sobre a sexualidade em conjunto com a visita do Papa Bento XVI aos Estados Unidos em 2008.

De acordo com Peters, se “acrescentarmos o facto de que a Arcus fez doações para outros grupos ‘cristãos’, o total desde 2007 é uma estonteante quantia de 6 500 000 dólares”.

Católicos pela Igualdade é outro grupo de fachada, que está em ascensão e tem como objectivo minar o ensino católico sobre a homossexualidade. Nesse caso, a organização tem conexões claras com a Campanha de Direitos Humanos (CDH), uma das mais proeminentes organizações pro-homossexualismo dos Estados Unidos.

A CDH emprega ou empregou anteriormente três dos cinco membros da directoria de Católicos pela Igualdade. Até mesmo o blogueiro activista gay Michael Petrelis comentou que a organização, lançada no ano passado, está “repleta de apoio de outros membros da CDH” e que essa íntima conexão deixou transtornada a Campanha da Faixa do Arco-Íris, outro grupo “católico” de activistas homossexuais.

“Os católicos deveriam ficar indignados que uma organização externa — que também financia grupos anticatólicos —financie organizações dissidentes dentro da Igreja para confundir os outros católicos e minar os nossos bispos e os ensinos que eles articulam”, disse Peters.

domingo, 2 de outubro de 2011

Mesmo sendo padre, é tudo menos católico

José Augusto Santos, Notícias de Chaves, 30-9-2011)
 
Como auxílio ao que digo no texto, sugiro-vos que entreis no link http://www.youtube.com/watch?v=FYtw-mUuFbg

No dia 2 de Setembro, depois de ler uma breve notícia no Correio da Manhã, disse para mim mesmo que era desta que eu tinha que deitar mão ao assunto. Dois dias depois, na Missa dominical, a mensagem desse dia não podia ser mais a propósito (Ez 33, 7-9; Mt 18, 15-20) para me obrigar a decidir.

O assunto, pois claro, é o padre Fontes e seu paupérrimo e desastroso ministério. Pelo sacramento da Ordem, foi constituído ministro sagrado de Cristo para apascentar o Seu rebanho. O que é que ele fez entretanto ao poder que lhe foi conferido há 46 anos? Abafou-o, para se entregar à imundice do pecado. O Diabo cegou-o. Fê-lo negar a doutrina da Santa Igreja e atraiu-o para os seus enganos, para a sua igreja, que é em parte constituída pelo esoterismo, o ocultismo e toda a espécie de bruxarias.

Padres houve que, fechando o coração aos impulsos neles gerados pelo Espírito Santo, trocaram o amor a Cristo por amores mais terrenos e acabaram por renunciar ao ministério sacerdotal, enquanto que o indigno padre Fontes, mesmo amantizado com o Diabo, continua como padre…

Sr. António Lourenço Fontes: por mim pode continuar a ser aplaudido e homenageado, pode até vir a ser constituído membro das Ordens Honoríficas, o que já não pode é continuar com os seus sofismas enquanto padre. Não pode continuar a conduzir os seus paroquianos, e outros que lhe dão ouvidos, pelo caminho do erro e com isso levá-los consigo à perdição. Nas suas homilias, pode até falar do bem, mas para si, a ascese é coisa sem sentido, coisa apenas dos textos hagiográficos. Se assim não fosse não seria possível que um padre se assumisse como promotor de eventos que para si são certames culturais, mas que não passam, claramente, de caminhos que conduzem a práticas abomináveis para Deus (cf. Dt 18, 10-12a) e que são a antecâmara do satanismo.

Penitencie-se, e peça ao Espírito Santo que restaure em si os Dons necessários para poder regressar ao inefável amor de Deus! Ele, na Sua infinita misericórdia, recebê-lo-á com lágrimas de alegria. Caso contrário, depois de aqui na terra ter recebido aplausos e medalhas, aquele que o seduziu irá galardoá-lo com um grande “medalhão”, talvez uma mó de moinho presa ao pescoço para o levar para as profundezas do inferno.

Atolado como está na imundice infernal, não lhe será fácil a Conversão. Peça por isso aos Santos e às almas piedosas que intercedam por si. Mas se tenciona persistir no erro, tenha por uma vez o mínimo de dignidade e renuncie ao ministério sagrado, pois contrariamente ao que se diz, que há falta de padres, eu digo que há padres a mais, porque o que realmente falta são bons padres.

A si, Sr. António Lourenço Fontes, penso que nada mais me resta dizer-lhe senão reiterar aquilo que já dizia atrás: para bem das almas e da Igreja de Cristo, para a sua própria salvação, Converta-se! Mas se não consegue viver sem a fétida popularidade que o Diabo lhe deu, renuncie ao ministério sagrado, porque ainda que continue a dizer-se padre, há muito que deixou de ser sacerdote do Altíssimo!

Voltando-me agora para si, caríssimo leitor, se se diz Católico não pode escandalizar-se com estas minhas palavras. Pense no que diria o próprio Jesus, depois de ter dito a Pedro: «Afasta-te, Satanás» (Mt 16, 23), em circunstâncias que para nós, estou certo, não veríamos motivo para tal… Se elas estão a merecer a sua indignação, será a altura de aprofundar o conhecimento sobre os pilares que sustentam a Igreja de Cristo, e então verá que o padre Fontes não passa de uma triste e muito tosca figura de sacerdote, de um grande herege e sincretista em vestes de padre.

Sincretista, porque no seu caldeirão de bruxo-mor (é o que parece nas imagens já televisionadas) faz um caldo com o esoterismo, a religião, algum misticismo e o sagrado. E herege porque nega, não apenas um, que já seria o bastante, mas vários dogmas.

Na sua “carta de apresentação” na internet, referindo-se ao CMP de Vilar de Perdizes, diz que «foi como que a arte de sacralizar o profano, e profanar o sagrado».

Sacralizar o profano, é o que a Igreja sempre tem feito ao longo dos séculos para tornar digno aquilo cujo fim é servir ao culto a prestar a Deus. Nesta afirmação, o padre Fontes parece fazer-nos crer que ele, com algumas benzeduras, e o próprio Congresso, têm tornado sagrado o que era profano… Só mesmo do inferno poderia vir tanta petulância e descaramento em querer fazer passar os Católicos fiéis por mentecaptos.

Já quanto à arte de «profanar o sagrado», qualquer um reconhece que é o que melhor têm feito e da forma mais eficaz. Disso se pode gabar. Pode ainda gabar-se de conseguir o paradoxo que é o viver mergulhado no paganismo que promove, enquanto continua como padre.

O seu sentido do sagrado está completamente distorcido. Se diz que há «carência duma religiosidade mais palpável, sensível, menos espiritualista, mais virada para os problemas humanos e menos para os ritos dominicais monocórdicos», o homem perdeu completamente o juízo. Só a análise desta frase dava “pano p’ra mangas”. Cingindo-me porém e apenas a uma brevíssima referência aos ditos «problemas humanos», que o padre Fontes mostre a sua obra em favor dos pobres, e eu lhe direi do incansável trabalho que a Igreja sempre tem feito nessa área! Só assim fala quem é falacioso, quem tem a desfaçatez de afrontar a verdade dos factos.

O padre Fontes é tudo menos Católico. Pode dizer-se que a sua religião roça o arianismo, passa pelo nestorianiosmo e abarca o luteranismo e o calvinismo, sendo bem provável que simpatize com o panteísmo. Por isso não erra quem disser que ele é cismático, uma vez que o cisma, é «a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos» (CDC Cân. 751). Para o povo, porém, passa despercebido como cismático porque continua a ocupar o lugar e a ser visto como um padre católico.

É herege, na medida em que nega a Verdade que à Igreja foi revelada, tenha ela sido definida dogmaticamente ou não. A definição dogmática é o pronunciamento definitivo, infalível e irrevogável de verda¬des da fé ou da moral como reveladas, feito pelo supremo magistério da Igreja (Papa ou Concílio Ecuménico com o Papa, cf. CDC Cân. 749; CIC 889-891). E uma das grandes heresias do padre Fontes, ditas ao Correio da Manhã no início do último Congresso MP de Vilar de Perdizes, é o negar que o Diabo existe, ao dizer que «o Diabo é uma fantasia, uma figura mítica criada pelo medo e para explicar o mal que não sabemos explicar».

Importa aqui ressalvar que, as verdades que são objecto de fé ca¬tó¬lica não se limitam às dog¬maticamente definidas, pois muitas outras são transmitidas pela Tradição e ensinadas pelo magistério ordinário universal da Igreja (cf. CDC Cân. 892). Por isso a existência do Diabo nunca foi matéria que carecesse de discussão e subsequente aprovação em concílio ecuménico algum, porque a própria Bíblia, o próprio Jesus muitas vezes, nos falam desse maléfico ser, razão pela qual, negá-lo, continua a ser uma heresia.

Quem diz que o Diabo não existe, diz o mesmo sobre o inferno. E por causa das controversas ideias sobre esse lugar de perdição eterna, foi a questão da sua existência objecto de discussão e subsequente declaração como verdade de fé católica, quer dizer, universal, a todos nos colocando sobre o dever de aceitação (cf. CDC Cân. 750, 754).

Todo o baptizado que não aceita uma Verdade divinamente revelada, definida ou não dogmaticamente, ou até que dela pertinazmente duvide, comete o grave pecado de heresia, que a linguagem jurídica designa de delito e para o qual está prevista a pena de excomunhão latae sententiae. Isto quer dizer que a pessoa se auto-excomunga, ao colocar-se em não comunhão com a Igreja. Trata-se por isso de um delito que clama pelo pronunciamento da autoridade eclesiástica, a partir do momento que a pessoa tenha conhecimento do delito e nele persista, gerando com isso o escândalo nos fiéis.

Usando as próprias palavras escritas pelo padre Fontes na sua página da internet quando parece referir-se a aparições, assisto com tristeza ao incólume desenvolvimento das suas actividades “culturais” que «geram um movimento inconsciente de massas e que pode arrastar a tolerância ou incapacidade de intervenção das autoridades religiosas e outras.» Por isso, rezo para que o Bispo se revista das forças necessárias à aplicação das medidas que se impõem, e para que a CEP, no âmbito das suas competências e deveres, não fique de braços cruzados.

Todos vós, ministros sagrados, lembrai-vos das palavras de S. João Bosco: «Um Padre, ao Paraíso ou ao inferno nunca vai sozinho: vão sempre com ele almas em grande número, ou salvas pelo seu santo ministério e com o seu bom exemplo, ou perdidas pela sua negligência no cumprimento dos próprios deveres e pelos seus maus exemplos.»
 

sábado, 24 de setembro de 2011

A propaganda episcopal
do testamento mortal

Nuno Serras Pereira

Hoje, entre o meio-dia e a uma, a rádio renascença (RR) – que é reconhecida e promovida pela Igreja como católica -, propriedade do Patriarcado de Lisboa e da Conferência Episcopal, num programa cujo nome não recordo pôs a “debate” o, impropriamente, chamado “testamento vital” (devia denominar-se “declaração antecipada de tratamento”). Pelo menos, três das “sumidades” que palraram advogaram obstinadamente o carácter vinculativo do dito documento (embora me esforçasse estoicamente por aguentar tanta barbaridade não aguentei ouvir o programa na sua totalidade). Qualquer pessoa minimamente informada sabe que essa “vinculação” significa de facto abrir a porta à eutanásia constituindo, por isso, uma agressão violenta e homicida, bem como uma ataque directo à autonomia e liberdade da pessoa em estado de enorme vulnerabilidade. Não é para admirar, uma vez que a estação emissora patriarcal (o Patriarcado de Lisboa é, de longe, o proprietário principal) sabia que estes três eutanazis eram conhecidos abortistas que estiveram fortemente empenhados no referendo sobre a liberalização do aborto, pelo lado do Sim à mesma. São eles João Semedo do bloco de esquerda, Eurico Reis, juiz desembargador (convidado residente) e Miguel Oliveira da Silva, presidente do conselho nacional de ética para as ciências da vida (!). Este último, aliás, é especialmente conhecido por, várias vezes, ter orgulhosamente confessado, na televisão, que ele próprio praticava abortamentos.

A rádio dos nossos Bispos está tão feliz e orgulhosa com as declarações deste último que anda a repeti-las nos noticiários.

Se perguntássemos ao Cardeal Patriarca de Lisboa e à Conferência Episcopal se reconhecem ter graves responsabilidades na liberalização do aborto e na eutanásia que aí vem responderiam indignados atirando-nos com uma resma de papéis, que quase ninguém lê, onde está, como de facto está, preto no branco a sua oposição e boa parte da Doutrina da Igreja sobre o assunto. Deste modo o simples facto da interrogação seria etiquetado de ofensa e calúnia. A verdade, porém, é que aquilo que escreveram tem sido contrariado, quer por uma indiferença generalizada, uma negligência de há muitos anos na formação dos católicos sobre o Evangelho da vida, sobre moral e bioética; na aceitação de catequistas, de ministros extraordinários da Comunhão e tantas outras pessoas com responsabilidades eclesiais e diocesanas publicamente favoráveis ao aborto, à eutanásia, à experimentação em pessoas embrionárias, à reprodução artificial, etc.; e na cumplicidade, repito, na cumplicidade com as forças da morte ao conceder-lhes voz para advogarem as suas perfídias pestíferas nos meios de comunicação social da Igreja, particularmente na RR.

Que o mundo fique a saber, os Bispos portugueses desde há muitos anos compactuam, do modo acima descrito, com o abuso mortal de menores nascentes (também se poderia dizer, pedofobia mortífera) e agora com os eutanazis.

Conheço uma quantidade significativa de rádios e televisões católicas, mas em nenhuma oiço ou vejo algo de semelhante. Pelo contrário, têm bastantes programas de formação nestes campos – uma coisa aliás que desse há muitos anos os movimentos de defesa e promoção da vida, aqui em Portugal, vêm pedindo mas sem nenhum sucesso.

O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, tem dito várias vezes que é necessário, mesmo antes de um novo referendo sobre a defesa da vida, um grande debate nacional sobre a mesma. Com toda a consideração que tenho pelo senhor Bispo estou em que o mais urgente é a formação dos católicos sobre estas matérias, coisa com a qual não se vê os senhores Bispos preocupados ou, pelo menos, decididos.

Por mim, não tenho dúvidas, se o comportamento dos meios de comunicação social da Igreja, em particular da RR, a estação emissora com a mais vasta audiência a nível nacional, tivesse sido como devia ser o resultado do último referendo sobre o aborto teria sido muito diferente.

Os nossos Pastores poderão desconsiderar, com um ligeiro encolher de ombros e um suspiro de enfado, aquilo que diz um beldroega como eu, recordem-se, no entanto, que dentro em breve terão de responder diante do Supremo Juiz não só pelo que fizeram, mas também pelo que deixaram fazer e ainda pelo que não fizeram.

À honra de Cristo. Ámen.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Bento XVI:
«Escolas católicas devem ensinar a Verdade necessária para a salvação das almas»

Ao receber um grupo de 23 bispos da Conferência Episcopal da Índia em visita "ad limina", o Papa Bento XVI assinalou que uma das grandes contribuições da Igreja à sociedade são as escolas católicas, que devem ensinar a Verdade para a salvação das almas e a construção da sociedade.

No seu discurso no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo o Santo Padre ressaltou a grande contribuição da Igreja através de seus membros e de suas muitas obras de ajuda como os orfanatos, hospitais e clínicas, entre os quais as escolas católicas são lugares especiais: "elas são um testemunho excepcional do vosso compromisso com a educação e formação dos nossos queridos jovens", afirmou o Papa.

Por isso, o Papa convidou os prelados a "prestar muita atenção para a qualidade do ensino nas escolas presentes nas vossas dioceses, para garantir que elas sejam genuinamente católicas e, portanto, capazes de transmitir as verdades e os valores necessários para a salvação das almas e a edificação da sociedade".

Bento XVI afirmou também aos bispos que "certamente, as escolas católicas não são o único meio pelo qual a Igreja pretende instruir e edificar seu povo intelectual e moralmente".

"Como vocês sabem, todas as actividades da Igreja são feitas para glorificar a Deus e encher o seu povo com a verdade que nos torna livres", acrescentou.

"Esta verdade salvadora, no coração do depósito da fé, deve permanecer como fundamento de todo o esforço da Igreja, propondo aos outros sempre com respeito, mas também com compromisso".

O Papa assinalou mais adiante que a "capacidade de apresentar a verdade delicadamente, mas com firmeza, é um dom a ser alimentado especialmente entre aqueles que ensinam nas instituições católicas de ensino superior e aqueles que estão encarregados da tarefa eclesial de educar os seminaristas, religiosas ou os fiéis leigos, seja na teologia, na catequese ou no estudo da espiritualidade cristã".

"Aqueles que ensinam em nome da Igreja têm uma obrigação especial nas suas mãos: transmitir fielmente a riqueza da tradição, de acordo com o Magistério e de uma forma que responde às necessidades de hoje; enquanto os alunos têm o direito de receber a plenitude da herança intelectual e espiritual da Igreja".

Autoridade vaticana:
Leis da Igreja vêm da vontade de Deus

O Presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos no Vaticano, Dom Francesco Coccopalmerio, realizou uma apresentação do seu dicastério à comunidade académica da Faculdade de Teologia Pontifícia e Civil de Lima (Peru), onde expressou que as leis dadas por uma autoridade eclesiástica devem ser recebidas porque "vêm da vontade de Deus".

"As leis dos homens são imperfeitas, mas de qualquer modo vêm de uma autoridade eclesiástica. Mesmo sendo imperfeitas devemos recebê-las porque vêm da vontade de Deus", disse Dom Coccopalmerio neste 1.º de Setembro perante centenas de estudantes que encheram o Salão Magno do mencionado centro de estudos.

A autoridade vaticana explicou que a finalidade de seu dicastério é "a mesma que o Papa deve cumprir para com o serviço da Igreja universal", que é velar por ela, e "o Pontifício Conselho para os Textos Legislativos desenvolve suas funções com a finalidade: de ajudar o Santo Padre neste tema".

"Sabemos que o Direito Canónico é o conjunto de leis que regulam a vida do baptizado, mas grande parte delas estão já no evangelho".

Para o serviço do Direito Canónico, disse, "o Papa desenvolve actividades de legislação, vigilância, interpretação e de promoção do conhecimento da verdade".

"O Pontifício Conselho para os Textos Legislativos pode tirar uma norma porque está obsoleta ou pode ser nociva, se o Papa o autorizar, e com a mesma ideia pode-se criar novas", explicou.

O Arcebispo visitou o Peru para participar como conferencista do 6.º Curso de Actualização em Direito Canónico, iniciativa organizada pela Associação Peruana de Canonistas.

"A tarefa é fazer que o conjunto legislativo da Igreja esteja sempre em dia e se façam normas novas quando for oportuno", acrescentou.

Ante a pergunta sobre as mudanças nas normas da Igreja nos casos de abusos sexuais o prelado referiu que "temos normas novas mais eficazes. Por exemplo, é necessário que os bispos diocesanos tenham uma normativa que descreve a maneira de proceder nestes casos, cada Conferência Episcopal tem o dever de fazer esta normativa".

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Educação
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Da doença mental pedagogista
e igualitarista
ao egoísmo liberal

Heduíno Gomes

Vivemos há decénios sob o domínio dos doentes mentais pedagogistas e igualitaristas na educação, que produziram a miséria de ensino que conhecemos. Eis que agora os liberais ganham fôlego e pretendem tomar o seu lugar para conduzirem o sistema à anarquia total (sim, ainda é possível haver mais anarquia do que a que existe!), bem calculada ao sabor dos interesses do complexo pedagogico-industrial e das famílias com posses para colocar os seus rebentos nos colégios ricos.

Curiosamente, esta guerra tem vindo a ser especialmente travada por um certo número de católicos de salão atrás do «Fórum para a Liberdade de Educação», que assim demonstra bem os seus sentimentos caridosos a coçar-se para dentro.

Ler mais em:


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Igreja da Áustria e a de Portugal
perante a dissidência de alguns padres...

Cardeal de Viena de Áustria:

«Rebeldia de sacerdotes dissidentes
não pode continuar»

 



Enquanto alguns responsáveis da Igreja em Portugal recentemente se revelaram rebeldes em relação ao Magistério da Igreja, dando assim aos seus sacerdotes de beber da mesma água, na prática  instigando os sacerdotes portugueses igualmente à rebeldia, eis que o exemplo contrário vem da Áustria. O Arcebispo de Viena de Áustria, Cardeal Christoph Schönborn, assinalou que a rebeldia de um grupo de sacerdotes que nesse país promovem, entre outras coisas, a abolição do celibato e a ordenação de mulheres, "não pode continuar".

Assim indicou o Cardeal austríaco ao referir-se aos pouco mais de 300 sacerdotes (dos 2 mil que há na Áustria) que assinaram um manifesto aparecido em Junho na Internet intitulado "Chamado à desobediência" no qual propõem também que homens casados sejam ordenados, que a comunhão seja dada aos não católicos e que leigos possam dirigir paróquias.

Os dissidentes que assinaram este texto são liderados pelo sacerdote Helmut Schüller, Vigário Geral da Arquidiocese de Viena entre 1995 e 1999 e ex-director da Cáritas Áustria.

Perante a dissidência deste grupo de sacerdotes, o Cardeal Schönborn comparou-os a jogadores de futebol que entram em campo mas se negam a respeitar as regras do jogo.

"Se alguém decide ser dissidente, evidentemente isso terá consequências", assinalou o Cardeal em declarações ao jornal Der Standard.

O Arcebispo de Viena expressou ainda a sua surpresa pelo manifesto e recordou a estes sacerdotes que fizeram livremente um voto de obediência ao seu bispo quando foram ordenados, "por isso quem quebra este princípio dissolve a unidade".

Por seu lado, o Bispo de Graz (Áustria), Dom Egon Kapellari, qualificou o manifesto como "um perigo para a unidade da Igreja".


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Porque não são liberais os católicos...

Quando a sociedade não é dirigida por católicos sinceros mas por ditos «católicos» oportunistas, socialistas ou liberais, as nações empobrecem. E quem paga a factura são sempre os mesmos. A Argentina é mais um exemplo. Eis porque, entre muitas outras razões -- de ordem filosófica, moral, social, familiar, jurídica, cultural, etc. --, os católicos não podem ser liberais na economia.

Ver o vídeo:


sábado, 20 de agosto de 2011

Bento XVI sobre educação

CARTA DO PAPA BENTO XVI

À DIOCESE E À CIDADE DE ROMA

SOBRE A TAREFA URGENTE

DA FORMAÇÃO DAS NOVAS GERAÇÕES


Queridos fiéis de Roma!

Pensei dirigir-me a vós com esta carta para vos falar de um problema que vós próprios sentis e sobre o qual as várias componentes da nossa Igreja se estão a comprometer: o problema da educação. Todos temos a preocupação pelo bem das pessoas que amamos, sobretudo das nossas crianças, adolescentes e jovens. De facto, sabemos que depende deles o futuro desta nossa cidade. Portanto, não podemos deixar de ser solícitos pela formação das novas gerações, pela sua capacidade de se orientar na vida e discernir o bem do mal, pela sua saúde não só física mas também moral.

Mas educar nunca foi fácil, e hoje parece tornar-se sempre mais difícil. Sabem-no bem os pais, os professores, os sacerdotes e todos os que desempenham responsabilidades educativas directas. Fala-se por isso de uma grande "emergência educativa", confirmada pelos insucessos com os quais com muita frequência se confrontam os nossos esforços para formar pessoas sólidas, capazes de colaborar com os outros e dar um sentido à própria vida. É espontâneo, então, dar a culpa às novas gerações, como se as crianças que nascem hoje fossem diversas das que nasciam no passado. Além disso, fala-se de uma "ruptura entre as gerações", que certamente existe e pesa, mas que é o efeito, e não a causa, da malograda transmissão de certezas e valores.

Devemos portanto dar a culpa aos adultos de hoje, que talvez já não sejam capazes de educar? É forte certamente, quer entre os pais quer entre os professores e em geral entre os educadores, a tentação a renunciar, e ainda antes o risco de não compreender nem sequer qual seja o seu papel, ou melhor a missão que lhes foi confiada. Na realidade, estão em questão não só as responsabilidades pessoais dos adultos ou dos jovens, que contudo existem e não devem ser escondidas, mas também uma atmosfera difundida, uma mentalidade e uma forma de cultura que fazem duvidar do valor da pessoa humana, do próprio significado da verdade e do bem, em síntese, da bondade da vida. Então, torna-se difícil transmitir de uma geração a outra algo de válido e de certo, regras de comportamento, objectivos credíveis com base nos quais construir a própria vida.

Queridos irmãos e irmãs de Roma, a este ponto gostaria de vos dizer uma palavra muito simples: não temais! Todas estas dificuldades, de facto, não são insuperáveis. São antes, por assim dizer, a outra face da moeda daquele dom grande e precioso que é a nossa liberdade, com a responsabilidade que justamente a acompanha. Contrariamente a quanto acontece em campo técnico ou económico, onde os progressos de hoje se podem somar aos do passado, no âmbito da formação e do crescimento moral das pessoas não existe uma semelhante possibilidade de acumulação, porque a liberdade do homem é sempre nova e portanto cada pessoa e cada geração deve tomar de novo, e directamente, as suas decisões. Também os maiores valores do passado não podem simplesmente ser herdados, devem ser feitos nossos e renovados através de uma, muitas vezes difícil, escolha pessoal.

Mas quando as bases são abaladas e faltam as certezas fundamentais, a necessidade daqueles valores volta a fazer-se sentir de modo urgente: assim, em concreto, aumenta hoje o pedido de uma educação que o seja verdadeiramente. Pedem-na os pais, preocupados e muitas vezes angustiados com o futuro dos próprios filhos; pedem-na muitos professores, que vivem a triste experiência da degradação das suas escolas; pede-a a sociedade no seu conjunto, que vê postas em dúvida as próprias bases da convivência; pedem-na no seu íntimo os próprios jovens, que não querem ser deixados sozinhos perante os desafios da vida. Quem crê em Jesus Cristo tem depois um ulterior e mais forte motivo para não ter receio: de facto, sabe que Deus não nos abandona, que o seu amor nos alcança onde estamos e como somos, com as nossas misérias e debilidades, para nos oferecer uma nova possibilidade de bem.

Queridos irmãos e irmãs, para tornar mais concretas estas minhas reflexões, pode ser útil determinar algumas exigências comuns de uma autêntica educação. Ela tem necessidade antes de tudo daquela proximidade e confiança que nascem do amor: penso na primeira e fundamental experiência do amor que as crianças fazem, ou pelo menos deveriam fazer, com os seus pais. Mas cada verdadeiro educador sabe que para educar deve doar algo de si mesmo e que só assim pode ajudar os seus alunos a superar egoísmos e a tornar-se por sua vez capazes de amor autêntico.

Há já numa criança um grande desejo de saber e de compreender, que se manifesta nas suas contínuas perguntas e pedidos de explicações. Portanto a educação seria muito pobre se se limitasse a dar noções e informações, e deixasse de lado a grande pergunta em relação à verdade, sobretudo àquela verdade que pode servir de orientação na vida.

Também o sofrimento faz parte da verdade da nossa vida. Por isso, procurando proteger os mais jovens de qualquer dificuldade e experiência do sofrimento, arriscamos de fazer crescer, apesar das nossas boas intenções, pessoas frágeis e pouco generosas: a capacidade de amar corresponde de facto à capacidade de sofrer, e de sofrer juntos.

Chegamos assim, queridos amigos de Roma, talvez ao ponto mais delicado da obra educativa: encontrar um justo equilíbrio entre a liberdade e a disciplina. Sem regras de comportamento e de vida, feitas valer dia após dia também nas pequenas coisas, não se forma o carácter e não se está preparado para enfrentar as provas que não faltarão no futuro. Mas a relação educativa é antes de tudo o encontro de duas liberdades e a educação com sucesso é formação para o recto uso da liberdade. Mas à medida que a criança cresce, torna-se um adolescente e depois um jovem; portanto devemos aceitar o risco da liberdade, permanecendo sempre atentos a ajudá-lo a corrigir ideias e opções erradas. O que nunca devemos fazer é favorecê-lo nos erros, fingir que não os vemos, ou pior partilhá-los, como se fossem as novas fronteiras do progresso humano.

Portanto, a educação nunca pode prescindir daquela respeitabilidade que torna credível a prática da autoridade. De facto, ela é fruto de experiência e competência, mas adquire-se sobretudo com a coerência da própria vida e com o comprometimento pessoal, expressão do amor verdadeiro. Portanto, o educador é uma testemunha da verdade e do bem: sem dúvida, também ele é frágil e pode falhar, mas procurará sempre de novo pôr-se em sintonia com a sua missão.

Caríssimos irmãos de Roma, destas simples considerações sobressai como é decisivo na educação o sentido de responsabilidade: responsabilidade do educador, certamente, mas também, e na medida em que cresce com a idade, responsabilidade do filho, do aluno, do jovem que entra no mundo do trabalho. É responsável quem sabe responder a si mesmo e aos outros. Além disso, quem crê procura responder a Deus que o amou primeiro.

A responsabilidade é em primeiro lugar pessoal, mas existe também uma responsabilidade que partilhamos juntos, como cidadãos de uma mesma cidade e de uma nação, como membros da família humana e, se somos crentes, como filhos de um único Deus e membros da Igreja. De facto as ideias, os estilos de vida, as leis, as orientações gerais da sociedade em que vivemos, e a imagem que ela dá de si mesma através dos meios de comunicação, exercem uma grande influência sobre a formação das novas gerações, para o bem mas muitas vezes também para o mal. Contudo a sociedade não é uma abstracção; no final somos nós próprios, todos juntos, com as orientações, as regras e os representantes que elegemos, mesmo sendo diversos os papéis e as responsabilidades de cada um. Portanto, há necessidade da contribuição de cada um de nós, de cada pessoa, família ou grupo social, para que a sociedade, começando pela nossa cidade de Roma, se torne um ambiente mais favorável à educação.

Por fim, gostaria de vos propor um pensamento que desenvolvi na recente Carta Encíclica Spe salvi sobre a esperança cristã: a alma da educação, como da toda a vida, só pode ser uma esperança certa. Hoje a nossa esperança está insidiada de muitas partes e corremos o risco de nos tornarmos, também nós, como os antigos pagãos, homens "sem esperança e sem Deus neste mundo" como escrevia o apóstolo Paulo aos cristãos de Éfeso (Ef 2, 12). Precisamente daqui nasce a dificuldade talvez mais profunda para uma verdadeira obra educativa: na raiz da crise da educação está de facto uma crise de confiança na vida.

Portanto, não posso terminar esta carta sem um caloroso convite a ter Deus como nossa esperança. Só Ele é a esperança que resiste a todas as desilusões; só o seu amor não pode ser destruído pela morte; só a sua justiça e a sua misericórdia podem sanear as injustiças e recompensar os sofrimentos suportados. A esperança que se dirige a Deus nunca é esperança só para mim, é sempre também esperança para os outros: não nos isola, mas torna-nos solidários no bem, estimula-nos a educar-nos reciprocamente para a verdade e para o amor.

Saúdo-vos com afecto e garanto-vos uma especial recordação na oração, enquanto envio a todos a minha Bênção.

Vaticano, 21 de Janeiro de 2008.


terça-feira, 26 de julho de 2011

As estrelas cadentes e decadentes

João J. Brandão Ferreira

A actriz Amy Winehouse morreu.

Numa sociedade “equilibrada” ler-se-ia no seu epitáfio o cristianíssimo “paz à sua alma”. Epitáfio cristão, simples e … pudico.

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Motivações do terrorista de Oslo
são anticristãs

As motivações do homem que assumiu a autoria dos atentados de Oslo, Anders Behring Breivik, não têm nada a ver com o cristianismo, nem sequer com ramos do cristianismo fundamentalista, explica o sociólogo da religião Massimo Introvigne, representante da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) para a luta contra o racismo e as discriminações contra os cristãos.

Ao contrário, perfila-se numa organização de inspiração maçónica.

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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Educar é ver mais longe

Nota Pastoral do Bispo de Aveiro
sobre as aulas de Educação Moral
e Religiosa Católica
(EMRC)

1.O mês de Junho é para as escolas e para quantos nelas estudam e ensinam o mês de avaliação do ano lectivo que termina e o mês de matrículas em ordem ao novo ano que vai começar. É o mês de exames de avaliação para aferir o passado e o mês de projectos educativos para desenhar o futuro. Devia, por isso mesmo, ser mês de festa e de alegria, de gratidão e de esperança.O que se vive e celebra nas escolas reflecte-se nas famílias e nas comunidades. A escola não é indiferente ou marginal a nada nem a ninguém na comunidade em que está inserida. O que ali se ensina e aprende, realiza e acontece, define e decide o rumo da sociedade que queremos ser. Um exame não avalia apenas o aluno e o professor. O seu resultado não lhes pertence em exclusivo. É êxito ou fracasso de todos nós. Uma avaliação feita na escola é, também, oportunidade de aferição de critérios educativos e de valores vividos em casa e na terra e uma matrícula aí realizada é sempre portadora de um projecto de futuro para a família e para a comunidade.

2.Na escola, semeia-se, constrói-se, ensina-se, educa-se e sonha-se. E isso é acção permanente. É trabalho de todos os dias do ano lectivo. A escola é casa de janelas abertas ao futuro. O hoje da escola é sempre vigília do amanhã. É que, educar é ver mais longe. É olhar para lá do óbvio, do efémero e do tempo presente. Na escola, o tempo não passa. Muitas vezes cansa e desgasta. Mas também encanta e deslumbra. A escola faz crescer e sonhar. E por isso, aí se educam os alunos e se perpetuam os mestres. Por isso, cada novo ano lectivo é para a escola sempre o primeiro. Aquele em que tudo se investe e em que todos trabalham, como se fosse o único. O trabalho na escola não vale apenas por si. O trabalho pedagógico desenha, com um misto de arte, saber e paciência, traços da alma em cada um dos alunos. É sempre trabalho fecundo. O trabalho educativo não é prisioneiro de cálculos, nem se encerra nas grades do tempo. Educar é, de certo modo, semear para a eternidade. Na escola, não se produzem coisas. Nem nascem aí os sábios. Formam-se pessoas, em aturado e cativante trabalho de atenção dada à alma que habita em cada um dos alunos. Dada a complexidade da missão e a grandeza do desafio de educar, ninguém se pode dispensar de trabalhar nesta causa. A educação é leme que nos guia neste sulcar de oceanos imensos de um contínuo «aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver em relação com os outros”, como nos propõem os objectivos pensados para a educação na Europa. É neste compromisso comum que todos nos sentimos implicados e envolvidos: alunos, pais, encarregados de educação, professores, funcionários e membros da comunidade. É com todos nós que a escola se faz.

3.Deste olhar realista e abrangente para a escola e para a missão de educar nasce o dever e o direito, legalmente afirmado e respeitado, da presença e da acção da Educação Moral e Religiosa na escola. A Igreja, no que à Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) diz respeito, assume esta missão com sentimentos de alegria e sentido de responsabilidade, consciente de que aí, fiel ao anúncio do Evangelho, pode e deve realizar um belo e necessário serviço a toda a comunidade humana. Estamos presentes e disponíveis para trabalhar com aqueles que, por sua opção livre ou por escolha decidida dos seus pais, procuram nas aulas de EMRC um espaço e uma oportunidade de aprofundar saberes, delinear critérios de vida, afirmar a fé cristã e encontrar valores que alicercem e consolidem o seu caminhar rumo ao futuro. A presença da EMRC na escola, desde o 1.o Ciclo até ao termo do Secundário, transporta em si um permanente e interventivo empenhamento por parte dos alunos e professores desta disciplina no projecto educativo da escola e na abertura à comunidade educativa alargada, com quanto isso supõe e exige de competência profissional, disponibilidade de tempo, compromisso de acção e testemunho de vida. Os alunos e os professores de EMRC não estão sós nesta missão. Está com eles toda a Igreja, que deste modo se compromete e empenha. São muitos, também, aqueles alunos que sem uma opção clara de fé ou porventura mesmo distanciados de qualquer crença religiosa procuram nas aulas de EMRC um espaço de diálogo e de abertura ao confronto de ideias e à afirmação dos valores éticos de um sadio humanismo. Trazem consigo, aliada a uma natural e espontânea curiosidade de saber, a seriedade de quem lucidamente procura a verdade e nesta procura muitas vezes encontra Deus e sente a Sua discreta e actuante presença. Pertence à comunidade no seu todo e concretamente às famílias cristãs sensibilizar os alunos para o valor e para importância da matrícula em EMRC, que sendo uma disciplina de opção exige e supõe a afirmação expressa da vontade de nela se inscrever. Sei quanto esta presença na escola é exigente e simultaneamente difícil e gratificante para cada um dos alunos e professores. Mas sei, igualmente, que a EMRC constitui um bem para os alunos, para os professores, para a escola, para as famílias e para a comunidade. Esta reflexão é, por isso também, palavra de gratidão dita a todos quantos trabalham nas nossas escolas e em tantas outras frentes de serviço, na família e na comunidade, em prol de uma educação integral das crianças e dos jovens de hoje. O futuro das pessoas e o rumo das sociedades decidem-se, muitas vezes, em pequenos gestos e dependem de humildes e discretas decisões de quem sabe que educar é ver mais longe, para, em cada dia que passa, formar pessoas felizes, preparar um amanhã diferente e construir um mundo melhor.

Aveiro, 15 de Junho de 2011

+António Francisco dos Santos

Bispo de Aveiro



Discernir sempre a qualidade da música usada na liturgia, sublinha o Papa

Na sua carta enviada pela ocasião do 100.° Aniversário do Pontifício Instituto de Música Sacra, o Papa Bento XVI incitou a obter a formação adequada que permita discernir sempre a qualidade da música que se usa na liturgia.

No texto enviado ao Cardeal Zenon Grocholewski, Grande Chanceler do Pontifício Instituto, o Papa recorda que foi São Pio X quem fundou a Escola Superior de Música Sacra, elevada duas décadas depois a Pontifício Instituto por Pio XI.

Bento XVI destacou que para compreender claramente a identidade e a missão desse Instituto era necessário saber que São Pio X o fundou “oito anos depois de ter emanado o Motu Proprio ‘Tra le sollecitudini’ de 22 de Novembro de 1903, com o qual realizou uma profunda reforma no campo da música sacra, recorrendo à grande tradição da Igreja contra o influxo exercido pela música profana, sobre tudo a ópera”.

“Para ser executada na Igreja universal, essa intervenção magisterial necessitava de um centro de estudos e de ensino que transmitisse de forma fiel e qualificada as linhas indicadas pelo Supremo Pontífice segundo a tradição, autêntica e gloriosa, que se remonta a São Gregório Magno”.

“No lapso dos últimos cem anos – prosseguiu Bento XVI – esta instituição assimilou, elaborou e irradiou os conteúdos doutrinais e pastorais dos documentos pontifícios, também os do Concílio Vaticano II concernentes à música sacra para que iluminem e guiem a obra dos compositores, dos maestros de capela, dos liturgistas, dos músicos e de todos os formadores neste âmbito”.

O Papa ressaltou depois como desde São Pio X até hoje “tendo em conta a evolução natural, há uma continuidade substancial do Magistério sobre a música sacra” e citou Paulo VI e João Paulo II, que “à luz da constituição conciliar Sacrosanctum concilium reiteraram a finalidade da música sacra, quer dizer, ‘a glória de Deus e a santificação dos fiéis’”.

“Mas temos que nos perguntar sempre: Qual é o verdadeiro sujeito da liturgia? A resposta é singela: a Igreja. Não é o indivíduo ou o grupo que celebra a liturgia, mas esta é em primeiro lugar a acção de Deus através da Igreja, que conta com sua história, sua rica tradição e sua criatividade”.

“A liturgia, e em consequência a música sacra, ‘vive de uma relação constante e adequada entre sana ‘traditio’ e ‘legitima progressio’, tendo sempre presente que estes dois conceitos se integram mutuamente porque a tradição é uma realidade viva e engloba portanto em si mesmo o princípio do desenvolvimento e do progresso”.

Sendo fiel à sua missão e tendo em conta os elementos descritos, continuou o Papa, “este Pontifício Instituto continuará a oferecer uma contribuição válida para a formação neste campo, de pastores e fiéis leigos nas Igrejas particulares, favorecendo também um adequado discernimento da qualidade das composições musicais utilizadas nas celebrações litúrgicas”.



Nada me faltará

Maria José Nogueira Pinto, DN
Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.
Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.
Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou  assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas,
 mas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.
Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
 Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.