sexta-feira, 8 de julho de 2011

Discernir sempre a qualidade da música usada na liturgia, sublinha o Papa

Na sua carta enviada pela ocasião do 100.° Aniversário do Pontifício Instituto de Música Sacra, o Papa Bento XVI incitou a obter a formação adequada que permita discernir sempre a qualidade da música que se usa na liturgia.

No texto enviado ao Cardeal Zenon Grocholewski, Grande Chanceler do Pontifício Instituto, o Papa recorda que foi São Pio X quem fundou a Escola Superior de Música Sacra, elevada duas décadas depois a Pontifício Instituto por Pio XI.

Bento XVI destacou que para compreender claramente a identidade e a missão desse Instituto era necessário saber que São Pio X o fundou “oito anos depois de ter emanado o Motu Proprio ‘Tra le sollecitudini’ de 22 de Novembro de 1903, com o qual realizou uma profunda reforma no campo da música sacra, recorrendo à grande tradição da Igreja contra o influxo exercido pela música profana, sobre tudo a ópera”.

“Para ser executada na Igreja universal, essa intervenção magisterial necessitava de um centro de estudos e de ensino que transmitisse de forma fiel e qualificada as linhas indicadas pelo Supremo Pontífice segundo a tradição, autêntica e gloriosa, que se remonta a São Gregório Magno”.

“No lapso dos últimos cem anos – prosseguiu Bento XVI – esta instituição assimilou, elaborou e irradiou os conteúdos doutrinais e pastorais dos documentos pontifícios, também os do Concílio Vaticano II concernentes à música sacra para que iluminem e guiem a obra dos compositores, dos maestros de capela, dos liturgistas, dos músicos e de todos os formadores neste âmbito”.

O Papa ressaltou depois como desde São Pio X até hoje “tendo em conta a evolução natural, há uma continuidade substancial do Magistério sobre a música sacra” e citou Paulo VI e João Paulo II, que “à luz da constituição conciliar Sacrosanctum concilium reiteraram a finalidade da música sacra, quer dizer, ‘a glória de Deus e a santificação dos fiéis’”.

“Mas temos que nos perguntar sempre: Qual é o verdadeiro sujeito da liturgia? A resposta é singela: a Igreja. Não é o indivíduo ou o grupo que celebra a liturgia, mas esta é em primeiro lugar a acção de Deus através da Igreja, que conta com sua história, sua rica tradição e sua criatividade”.

“A liturgia, e em consequência a música sacra, ‘vive de uma relação constante e adequada entre sana ‘traditio’ e ‘legitima progressio’, tendo sempre presente que estes dois conceitos se integram mutuamente porque a tradição é uma realidade viva e engloba portanto em si mesmo o princípio do desenvolvimento e do progresso”.

Sendo fiel à sua missão e tendo em conta os elementos descritos, continuou o Papa, “este Pontifício Instituto continuará a oferecer uma contribuição válida para a formação neste campo, de pastores e fiéis leigos nas Igrejas particulares, favorecendo também um adequado discernimento da qualidade das composições musicais utilizadas nas celebrações litúrgicas”.



Nada me faltará

Maria José Nogueira Pinto, DN
Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.
Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.
Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou  assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas,
 mas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.
Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
 Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.

terça-feira, 5 de julho de 2011

BENTO XVI
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Nos 150 anos de L'Osservatore Romano

Ao Ilustríssimo Senhor

Prof. GIOVANNI MARIA VIAN

Director de "L'Osservatore Romano"

Para um jornal diário cento e cinquenta anos de existência são um período deveras considerável, um longo e significativo caminho rico de alegrias, dificuldades, compromisso, satisfações e de graça. Portanto, este importante aniversário de "L'Osservatore Romano" - cujo primeiro número foi publicado com a data de 1 de Julho de 1861 - é antes de tudo motivo de agradecimento a Deus pro universis beneficiis suis: isto é, por tudo o que a sua Providência dispôs neste século e meio, durante o qual o mundo mudou profundamente, e por quanto dispõe hoje, quando as mudanças são contínuas e cada vez mais rápidas, sobretudo no âmbito da comunicação e da informação.

Ao mesmo tempo, a presente feliz circunstância oferece a ocasião para algumas reflexões sobre a história e sobre o papel deste diário, chamado habitualmente "o jornal do Papa". Por conseguinte, somos convidados - como disse Pio XI, de v.m., em 1936, há exactamente setenta e cinco anos - a "rever o caminho percorrido e o que ainda falta percorrer", ressaltando sobretudo a singularidade e a responsabilidade de um diário que há um século e meio dá a conhecer o Magistério dos Papas e é um dos instrumentos privilegiados ao serviço da Santa Sé e da Igreja.

"L'Osservatore Romano" teve origem num contexto difícil e decisivo para o Papado, com a consciência e a vontade de defender e apoiar as razões da Sé Apostólica, que parecia ser posta em perigo por forças hostis. Fundado por iniciativa privada com o apoio do Governo pontifício, este diário da tarde definiu-se "político-religioso", estabelecendo como seu objectivo a defesa do princípio de justiça, na convicção, fundada na palavra de Cristo, de que o mal não terá a última palavra. Este objectivo e convicção foram expressos pelos dois célebres motes latinos - o primeiro tirado do direito romano e o segundo do texto evangélico - que, desde o primeiro número de 1862, se lêem no seu cabeçalho: Unicuique suum e, sobretudo, Non praevalebunt (Mt 16, 18).

Em 1870 o fim do poder temporal - sentido depois como providencial não obstante abusos e actos injustos sofridos pelo Papado - não envolveu "L'Osservatore Romano", nem tornou inúteis a sua presença e a sua função. Ao contrário, uns quinze anos mais tarde, a Santa Sé decidiu adquirir a sua propriedade. O controle directo do jornal por parte da autoridade pontifícia aumentou com o tempo o seu prestígio e influência, que cresceram ulteriormente em seguida, sobretudo pela linha de imparcialidade e de coragem mantida face às tragédias e aos horrores que marcaram a primeira metade do século XX, eco "fiel de uma instituição internacional e supranacional", como escreveu o Cardeal Gasparri em 1922.

Sucederam-se então acontecimentos trágicos: o primeiro conflito mundial, que devastou a Europa transformando o seu rosto; o afirmar-se dos totalitarismos, com ideologias nefastas que negaram a verdade e oprimiram o homem; por fim, os horrores do shoah e da segunda guerra mundial. Naqueles anos tremendos, e depois durante o período da guerra fria e da perseguição anticristã posta em prática pelos regimes comunistas em muitos países, não obstante os meios e as forças fossem poucas, o jornal da Santa Sé soube informar com honestidade e liberdade, apoiando a obra corajosa de Bento XV, de Pio XI e de Pio XII em defesa da verdade e da justiça, único fundamento da paz.

Desta forma, "L'Osservatore Romano" pôde sair de cabeça levantada do segundo conflito mundial, como reconheceram imediatamente influentes vozes laicas e como escreveu em 1961, por ocasião do centenário do diário, o Cardeal Montini, que dois anos mais tarde se teria tornado Papa com o nome de Paulo VI: "Aconteceu como quando numa sala se apagam todas as luzes, e permanece acesa só uma: todos os olhares se dirigem para a que ficou acesa; e por sorte esta era a luz vaticana, a luz tranquila e flamejante, alimentada pela apostólica de Pedro. "L'Osservatore Romano" pareceu então aquilo que, em substância, é sempre: um farol orientador".

Na segunda metade do século XX começou a circular em todo o mundo através de uma coroa de edições periódicas em diversas línguas, impressas não só apenas no Vaticano: actualmente oito, entre as quais, desde 2008, também a versão em malayalam publicada na Índia, a primeira em caracteres totalmente não latinos. A partir do mesmo ano, numa época difícil para os mass media tradicionais, a difusão é apoiada pela impressão associada a outros jornais na Espanha, na Itália, em Portugal, e agora também com uma presença na internet cada vez mais eficaz.

Diário "muito especial" pelas suas características únicas, "L'Osservatore Romano", neste século e meio, prestou contas antes de tudo do serviço desempenhado a favor da verdade e da comunhão católica por parte da Sé do Sucessor de Pedro. O diário publicou assim pontualmente as intervenções pontifícias, seguiu os dois Concílios celebrados no Vaticano e as numerosas Assembleias sinodais, expressão da vitalidade e da riqueza dos dons da Igreja, mas nunca esqueceu de ressaltar também a presença, a obra e a situação das comunidades católicas no mundo, que por vezes vivem em condições dramáticas.

Neste tempo - marcado com frequência pela falta de pontos de referência e pela remoção de Deus do horizonte de muitas sociedades, também de antiga tradição cristã - o diário da Santa Sé apresenta-se como um "jornal de ideias", como um órgão de formação e não só de informação. Por isso deve saber manter fielmente a tarefa desempenhada neste século e meio, com atenção também ao Oriente cristão, ao irreversível compromisso ecuménico das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais, à busca constante de amizade e colaboração com o Judaísmo e com as outras religiões, ao debata e ao confronto cultural, à voz das mulheres, aos temas bioéticos que apresentam questões decisivas para todos. Prosseguindo a abertura a novos autores - entre os quais o de um número crescente de colaboradoras - e acentuando a dimensão e o alcance internacional presentes desde as origens do diário, depois de cento e cinquenta anos de uma história da qual se pode sentir orgulhoso, "L'Osservatore Romano" sabe assim expressar a amizade cordial da Santa Sé pela humanidade do nosso tempo, em defesa da pessoa humana criada à imagem e semelhança de Deus e remida por Cristo.

Por tudo isto, desejo dirigir o meu pensamento reconhecido a todos os que, desde 1861 até hoje, trabalharam no jornal da Santa Sé: aos Directores, aos Redactores e a todo o Pessoal. A Vossa Excelência, Senhor Director, e a quantos cooperam actualmente neste entusiasmante, importante e benemérito serviço à verdade e à justiça, assim como aos benfeitores, garanto a minha constante proximidade espiritual e envio de coração uma especial Bênção Apostólica. Vaticano, 24 de Junho de 2001

Bento XVI


 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carta a D. José Policarpo
pedindo-lhe explicações
sobre a entrevista
pro-ordenação de mulheres

As declarações de D. José Policarpo à revista da Ordem dos Advogados, embora ambíguas mas preconizando, no fim de contas, a prazo, a ordenação de mulheres, em clara oposição ao Magistério da Igreja, têm provocado em Portugal e no estrangeiro várias reacções de repúdio.
Registamos aqui uma carta que nos foi remetida, dirigida a D. José Policarpo a pedir-lhe explicações sobre essas declarações e posteriores «esclarecimentos» sobre elas.

Nápoles, 3 de Julho de 2011


Excelentíssimo e Eminentíssimo Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa
D. José da Cruz Policarpo,

Laudate Iesu Christe.

Sobre a informação que o Patriarcado de Lisboa mandou comunicar à ACI (publicada a 02 Jul. 11 / 04:31 pm), informo Vossa Eminência que:

1.    O signatário enviou ao Patriarcado (através do respectivo site, a 29 Junho 2011) o texto que abaixo segue (depois do traço ponteado) e que nele fez referência, como V. E. pode aquilatar, à notícia da agência Ecclesia com o seguinte título e sub-título: «Cardeal-patriarca: Ordenação das mulheres só quando «Deus quiser - Teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental, diz D. José Policarpo»

2.    É um facto que ontem, dia 2, esta notícia já não se encontrava disponível no referido site. Contudo, isso não se torna um problema pois existe uma cópia do mesmo, e a versão original da Revista.

3.    Informo ainda V. E. que em 2007, no mesmo site agência Ecclesia (17-11-2007), e que está ainda disponível, foi divulgada uma notícia com o seguinte título e teor: «Ordenação de mulheres não será tão cedo»: “Os tempos ainda não estão amadurecidos para se pensar nisso, se o Papa assim decidisse, haveria conflitos, rupturas e solavancos na sociedade”, disse D. José da Cruz Policarpo ao ser questionado sobre a possibilidade da ordenação de mulheres na Igreja Católica. O Cardeal-Patriarca de Lisboa foi um dos conferencistas convidados para um colóquio promovido pelo Instituto Jurídico da Comunicação da Faculdade de Direito de Coimbra e à margem da sua intervenção exortou a se “rezar muito ao Espírito Santo” para que esse assunto seja esclarecido no seio de toda a Igreja.

4.    Existem ainda outros registos sobre esta matéria.

5.    O signatário não seleccionou deliberadamente nenhuma passagem da entrevista que tem registo no Boletim da Ordem dos Advogados, mensal nº 78, Maio 2011, «A justiça demorada pode provocar colapso», p. 39-40. E isso pode V.E. verificar no texto anexo que foi enviado ao Patriarcado (ler depois do traço ponteado).

Considerando:

1.       Que no ACI digital com registo: «REDAÇÃO CENTRAL, 02 Jul. 11 / 04:31 pm (ACI)» com o título: «Cardeal Policarpo "não foi preciso ao falar do sacerdócio"», faz saber que V. E. : «não está a favor das ordenações femininas porém "não foi preciso ao falar do sacerdócio em uma recente entrevista" assinalou à agência ACI Prensa uma fonte do Episcopado português»;

2.      Que como V.E. mandou fazer saber: «não está a favor das ordenações femininas»;

3.      Que como V.E. mandou fazer saber: «não foi preciso ao falar do sacerdócio»;

4.      Que como V.E. afirmou: «Teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental»;

5.      Que como V.E. afirmou: «O Santo Padre João Paulo II, a certa altura, pareceu dirimir a questão. Penso que a questão não se dirime assim»;

6.      Que o comunicado do Patriarcado à ACI, limita-se a reproduzir a entrevista registada no “Boletim da Ordem dos Advogados, mensal nº 78”, e por esse facto, NÃO TORNA AS DECLARAÇÕES de V.E. mais precisas.

7.      Reiterando que as declarações de V. E. se transformaram em escândalo além fronteiras;

Solicito encarecido e obstinadamente, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que apresente publicamente,

1.      A redacção do texto sobre o qual, a precisão em falta no presente texto difundido, seja esclarecedora da posição de V. E. sobre o porquê de «não estar a favor das ordenações femininas»;

2.      Atendendo a que «Os ministros dos sacramentos são ordinariamente os sacerdotes, que para isso receberam o poder de ordenação. (…) O Concílio de Trento definiu: “Se alguém disser que todos os cristão têm o poder de ensinar e administrar todos os sacramentos, seja excomungado» (s. 7, can 10, Denz. 853). 

Queira V. E. clarificar o que entende, quando afirma que: «Teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental». Se conceptualmente existe “obstáculo teológico”, é V.E. que o afirma, a definição dogmática registada supra, constitui-se como tal, isto é, como obstáculo teológico?

3. A Santa Madre Igreja sempre ensinou que a verdadeira igualdade entre os homens (entenda-se também entre homens e mulheres) consiste na: (I) igualdade de ORIGEM (descendemos dum mesmo Criador); (II) de NATUREZA (com alma igualmente espiritual, imortal, criada à imagem e semelhança de Deus e redimida por Nosso Senhor Jesus Cristo) e (II) de DESTINO: todos nos encontramos igualmente sujeitos à morte, temos o mesmo Inferno a recear e o mesmo Céu a merecer.
Pelo que se torna fundamental esclarecer, clarificar, isto é, dar precisão à seguinte afirmação de V. E.:

«Penso que não há nenhum obstáculo fundamental. É uma igualdade fundamental de todos os membros da Igreja».

Creio que no que diz respeito à precisão a dar à redacção da entrevista dada por V.E., a simples resposta às questões supra, serão fundamentais para colocar a posição de Vossa Eminência, Cardeal Patriarca de Lisboa, definitiva e inequivocamente, esclarecida em Portugal e no estrangeiro.

 
Em defesa de Cristo Rei,

Sacerdos in aeternum secundum ordinem Melchisedech
Pontifex in aeternum perfecte
Hostia Dei et hominum
“trádidi quod et accépi”

Respeitosamente,

Rui Manuel das Neves Azevedo Machado
Católico, fiel leigo
Tenente-Coronel

domingo, 3 de julho de 2011

A alcateia promove uma loba
como se fora ovelha
-- Heresias ao molho

Nuno Serras Pereira

 Assunção Cristas
Pouco tempo depois de ter feito uma declaração de voto favorável ao pseudocasamento entre pessoas do mesmo sexo a deputada Assunção Cristas foi convidada, pelos nossos Bispos, a dar o seu testemunho de política católica diante dos fiéis e das televisões, no terreiro do paço, em Lisboa, como preparação para a Missa celebrada por sua Santidade o Papa Bento XVI, aquando da sua última visita apostólica a Portugal.

No sítio da Inter-rede do secretariado nacional da pastoral da cultura, da responsabilidade do Bispo do Porto, Senhor D. Manuel Clemente, e do seu braço direito P. Tolentino Mendonça, deparamos, seis meses depois da visita do Papa, com um texto, no qual Assunção Cristas testemunha o que é ser “católica na política” (sic).

P. Tolentino Mendonça


Hoje na revista “única” do semanário “expresso”, página 44, a agora ministra do novo governo, afirmando-se católica praticante e empenhada, que vai à Missa e Comunga, e pertencente a uma equipa de casais de Nossa Senhora, cujo assistente espiritual é o P. Tolentino Mendonça, teima obstinadamente no pseudocasamento entre pessoas do mesmo sexo, em nome de uma “felicidade”, entendida, digo eu, de forma hedonista e utilitarista, dos contraentes e da “fidelidade” à sua, dela, “consciência”, concebendo-a, interpretação minha, como uma entidade solipsista e não como um “órgão espiritual” que escuta e obedece à voz de Deus.

Que o casamento criado e instituído por Deus consista unicamente numa união exclusiva, fiel e fecunda entre um varão entre e uma mulher, até que a morte os separe é uma Verdade de Fé, Revelada por Deus e testemunhada quer na Sagrada Escritura quer na Tradição na Igreja é inegável para qualquer católico. Que a admissão do falsamente chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo implique necessariamente a denegação daquela Verdade revelada é tão evidente que não carece de demonstração.

A Palavra de Deus testemunhada na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja considera os actos homossexuais como abominações aos olhos de Deus e adverte repetidamente que aqueles que os praticarem, consciente e livremente, e não se arrependerem nem se converterem “não herdarão o Reino de Deus” – que dessas práticas possa derivar alguma felicidade é um absurdo, que só pode ser afirmado por quem desconhece aquilo em que ela consiste. Uma Verdade, assim atestada e repetidamente ensinada pelo Magistério Ordinário e Universal da Igreja, não pode deixar de ser imutável, infalível e pertencente ao património da Fé. Pelo que, parece-me, podemos concluir tranquilamente que quem advoga ou promove obstinadamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo incorre em heresia.

Grande desventura!, grande desgraça!, grande horror!, que não haja por parte dos Pastores um mínimo de caridade, de compaixão, de misericórdia para com uma ovelha transformada em loba, e em vez de a corrigirem antes lhe dão sacrilegamente a Sagrada Comunhão e a apresentam como modelo aos demais fiéis!

Oh infelizes sodomitas (é assim que a Bíblia chama a quem pratica actos sexuais com pessoas do mesmo sexo)!, que sois adulados e iludidos por quem vos devia dizer a Verdade, eminente forma de caridade, e auxiliar-vos a recuperar aquela mesma dignidade que o filho pródigo, de que nos fala o Evangelho, recuperou, depois de a ter perdido.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Terá o Cardeal-patriarca lido
a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis
de João Paulo II?

Diz D. José Policarpo segundo a Agência Ecclesia:

Cardeal-patriarca:
Ordenação das mulheres só quando «Deus quiser»

«Teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental», diz D. José Policarpo

Boletim OA. Maio 2011
Cardeal José PolicarpoLisboa, 22 jun 2011 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca considera que a ordenação sacerdotal das mulheres vai acontecer quando “Deus quiser” e que, até , é preferível não tocar no assunto, mesmo sabendo que os impedimentos desta opção são mais tradicionais do que teológicos.

“Teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental”, afirma D. José Policarpo em entrevista publicada na mais recente edição do boletim da Ordem dos Advogados, datada de maio, acrescentando que a tradição da Igreja tem tido a última palavra: “Nunca foi de outra maneira”.

Diz o Papa João Paulo II:

Ver o post anterior com o texto integral da Carta Ordinatio Sacerdotalis.



Ordenação de mulheres?

CARTA APOSTÓLICA

ORDINATIO SACERDOTALIS

DO PAPA

JOÃO PAULO II

SOBRE A ORDENAÇÃO SACERDOTAL

RESERVADA SOMENTE AOS HOMENS


Veneráveis Irmãos no Episcopado!

1. A ordenação sacerdotal, pela qual se transmite a missão, que Cristo confiou aos seus Apóstolos, de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens. Esta tradição foi fielmente mantida também pelas Igrejas Orientais.

Quando surgiu a questão da ordenação das mulheres na Comunhão Anglicana, o Sumo Pontífice Paulo VI, em nome da sua fidelidade o encargo de salvaguardar a Tradição apostólica, e também com o objectivo de remover um novo obstáculo criado no caminho para a unidade dos cristãos, teve o cuidado de recordar aos irmãos anglicanos qual era a posição da Igreja Católica: "Ela defende que não é admissível ordenar mulheres para o sacerdócio, por razões verdadeiramente fundamentais. Estas razões compreendem: o exemplo - registado na Sagrada Escritura - de Cristo, que escolheu os seus Apóstolos só de entre os homens; a prática constante da Igreja, que imitou Cristo ao escolher só homens; e o seu magistério vivo, o qual coerentemente estabeleceu que a exclusão das mulheres do sacerdócio está em harmonia com o plano de Deus para a sua Igreja" (1).

Mas, dado que também entre teólogos e em certos ambientes católicos o problema fora posto em discussão, Paulo VI deu à Congregação para a Doutrina da Fé mandato de expor e ilustrar a este propósito a doutrina da Igreja. Isso mesmo foi realizado pela Declaração Inter Insigniores, que o mesmo Sumo Pontífice aprovou e ordenou publicar (2).

2. A Declaração retoma e explica as razões fundamentais de tal doutrina, expostas por Paulo VI, concluindo que a Igreja «não se considera autorizada a admitir as mulheres à ordenação sacerdotal»(3). A tais razões fundamentais, o mesmo documento junta outras razões teológicas que ilustram a conveniência daquela disposição divina, e mostra claramente como o modo de agir de Cristo não fora ditado por motivos sociológicos ou culturais próprios do seu tempo. Como sucessivamente precisou o Papa Paulo VI, «a verdadeira razão é que Cristo, ao dar à Igreja a Sua fundamental constituição, a sua antropologia teológica, depois sempre seguida pela Tradição da mesma Igreja, assim o estabeleceu»(4).

Na Carta Apostólica Mulieris dignitatem, eu mesmo escrevi a este respeito: «Chamando só homens como seus apóstolos, Cristo agiu de maneira totalmente livre e soberana. Fez isto com a mesma liberdade com que, em todo o seu comportamento, pôs em destaque a dignidade e a vocação da mulher, sem se conformar ao costume dominante e à tradição sancionada também pela legislação do tempo» (5).

De facto, os Evangelhos e os Actos dos Apóstolos atestam que este chamamento foi feito segundo o eterno desígnio de Deus: Cristo escolheu os que Ele quis (cfr Mc 3,13-14; Jo 15,16) e fê-lo em união com o Pai, «pelo Espírito Santo» (Act 1,2), depois de passar a noite em oração (cfr Lc 6,12). Portanto, na admissão ao sacerdócio ministerial (6), a Igreja sempre reconheceu como norma perene o modo de agir do seu Senhor na escolha dos doze homens que Ele colocou como fundamento da sua Igreja (cfr Ap 21,14). Eles, na verdade, não receberam apenas uma função, que poderia depois ser exercida por qualquer membro da Igreja, mas foram especial e intimamente associados à missão do próprio Verbo encarnado (cfr Mt 10,1.7-8; 28,16-20; Mc 3,13-16; 16,14-15). O mesmo fizeram os Apóstolos, quando escolheram os seus colaboradores (7) que lhes sucederiam no ministério (8). Nessa escolha, estavam incluídos também aqueles que, ao longo da história da Igreja, haveriam de prosseguir a missão dos Apóstolos de representar Cristo Senhor e Redentor (9).

3. De resto, o facto de Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, não ter recebido a missão própria dos Apóstolos nem o sacerdócio ministerial, mostra claramente que a não admissão das mulheres à ordenação sacerdotal não pode significar uma sua menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito, mas a observância fiel de uma disposição que se deve atribuir à sabedoria do Senhor do universo.

A presença e o papel da mulher na vida e na missão da Igreja, mesmo não estando ligados ao sacerdócio ministerial, permanecem, no entanto, absolutamente necessários e insubstituíveis. Como foi sublinhado pela mesma Declaração Inter Insigniores, "a Santa Madre Igreja auspicia que as mulheres cristãs tomem plena consciência da grandeza da sua missão: o seu papel será de capital importância nos dias de hoje, tanto para o renovamento e humanização da sociedade, quanto para a redescoberta, entre os fiéis, da verdadeira face da Igreja" (10) Os Livros do Novo Testamento e toda a história da Igreja mostram amplamente a presença na Igreja de mulheres, verdadeiras discípulas e testemunhas de Cristo na família e na profissão civil, para além da total consagração ao serviço de Deus e do Evangelho. "A Igreja defendendo a dignidade da mulher e a sua vocação, expressou honra e gratidão por aquelas que - fiéis ao Evangelho - em todo o tempo participaram na missão apostólica de todo o Povo de Deus. Trata-se de santas mártires, de virgens, de mães de família, que corajosamente deram testemunho da sua fé e, educando os próprios filhos no espírito do Evangelho, transmitiram a mesma fé e a tradição da Igreja" (11)

Por outro lado, é à santidade dos fiéis que está totalmente ordenada a estrutura hierárquica da Igreja. Por isso, lembra a Declaração Inter Insigniores, "o único carisma superior, a que se pode e deve aspirar, é a caridade (cfr 1 Cor 12-13). Os maiores no Reino dos céus não são os ministros, mas os santos" (12)

4. Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia actualmente em diversos lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal.

Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja.

Invocando sobre vós, veneráveis Irmãos, e sobre todo o povo cristão, a constante ajuda divina, concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 22 de Maio, Solenidade de Pentecostes, do ano de 1994, décimo-sexto de Pontificado.

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(1) Cfr PAULO VI, Rescrito à carta de Sua Graça o Rev.mo Dr. F.D. Coggan, Arcebispo de Cantuária, sobre o ministério sacerdotal das mulheres, 30 de Novembro de 1975: AAS 68 (1976), 599-600: «Your Grace is of course well aware of the Catholic Church's position on this question. She holds that it is not admissible to ordain women to the priesthood, for very fundamental reasons. These reasons include: the example recorded in the Sacred Scriptures of Christ choosing his Apostles only from among men; the constant practice of the Church, which has imitated Christ in choosing only men; and her living teaching authority which has consistently held that the esclusion of women from the priesthood is in accordance with the God's plan for his Church» (p. 599).
(2) Cfr CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Declaração Inter Insigniores sobre a questão da admissão das mulheres ao sacerdócio ministerial, 15 de Outubro de 1976: AAS 69 (1977), 98-116.
(3) Ibid. 100.
(4) PAULO VI, Alocução sobre O papel da mulher no desígnio da salvação, 30 de Janeiro de 1977: Insegnamenti, vol. XV (1977), 111. Cfr também JOÃO PAULO II, Exort. ap. Christifideles laici, 30 de Dezembro de 1988, 51: AAS 81 (1989), 393-521; Catecismo da Igreja Católica, n. 1577.
(5) JOÃO PAULO II, Carta ap. Mulieris dignitatem, 15 de Agosto de 1988, 26: AAS 80 (1988), 1715.
(6) Cfr Const. dogm. Lumen gentium, 28; Decreto Presbyterorum Ordinis, 2b.
(7) Cfr 1 Tm 3,1-13; 2 Tm 1,6; Tt 1, 5-9.
(8) Cfr Catecismo da Igreja Católica, n. 1577.
(9) Cfr Const. dogm. Lumen gentium, 20 e 21.
(10) CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decl. Inter Insigniores VI: AAS(1977), 115-116.
(11) JOÃO PAULO II, Carta Ap. Mulieris dignitatem 27: AAS 80(1988), 1719.
(12) CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decl. Inter Insigniores VI: AAS(1977), 115.















Viva o aborto!

Nuno Serras Pereira

Durante a guerra civil espanhola, a 12 de Outubro de 1936, na Universidade de Salamanca, durante um empolgado discurso de Francisco Maldonado, alguém, mais tarde secundado pelo general José Millán-Astray y Terreros, gritou “viva a morte!”. Miguel de Unamuno, que presidia à mesa da sessão, não se conteve e no comentário improvisado insurgiu-se contra aquele urro denominando-o “grito necrófilo e insensato”, “paradoxo ridículo” e “repelente”.

Este episódio veio-me à memória no dia de ontem aquando da eleição de Assunção Esteves ao cargo de presidente da assembleia da república com a unanimidade dos deputados a ovacionarem-na de pé, a comentarem elogiosamente o seu percurso político, o seu elevado sentido de estado, o seu empenho aguerrido e obstinado a favor da liberalização do aborto, nos dois referendos sobre o mesmo, demonstrando assim estar ao lado do futuro. Como se não bastara a eficaz necrófila Maria de Belém exclamou que ela, Assunção, fora a primeira escolha do seu tétrico partido. Soube-se também, pela comunicação social, que o cds, o tal partido que se proclama pró vida, deu indicação de voto aos seus deputados para a elegerem e que o funesto presidente da república logo lhe telefonou a felicitá-la - só falta, mas não deverá tardar, a costumeira lisonja pública de alguns Bispos a personagens da mesma espécie. A própria dedicou (?) aquele momento de alegria “às mulheres políticas que (supõe-se, como ela) trazem para o espaço público o valor da entrega e a matriz do amor e “sobretudo às mulheres anónimas e oprimidas”. Como uma ungida compromete-se a “dignificar” o cargo “com sentido de missão” e a dedicar cada dia “à redenção histórica da … circunstância” das “mulheres” e tudo isto com uma “alegria cristã” pois a “política é … o exercício de virtude” (os itálico são meus). O Anticristo não se expressaria melhor.

Tudo isto se poderia, a meu parecer, sintetizar no grito repugnante de “viva o aborto!”.

Escrevi, numa pressa de emergência, há tempos uma ladainha pedindo a Deus que nos livrasse dos políticos católicos. Muitos acharam que eu estava a brincar e outros acusaram-me, inclusive, de blasfémia sacrílega. É verdade que nunca pedi a aprovação eclesiástica para a mesma. Por isso, não a mandei imprimir mas limitei-me a partilhá-la com os amigos habituais. Porém, devo confessar que, na minha opinião, essa oração é mais urgente que nunca. Mas eu não passo de um bisbórrias.







terça-feira, 21 de junho de 2011

A ideologia de género
é uma "apresentação sinistra"
da sexualidade humana

O Arcebispo de Paris e Presidente da Conferência Episcopal Francesa (CEF), Cardeal André Vingt-Trois, advertiu que a chamada "ideologia do género", que está na moda em alguns meios, mesmo católicos, é uma representação "escura e sinistra" da sexualidade humana.

Numa entrevista concedida à Rádio católica Notre Dame, o Cardeal comentou que a inclusão da ideologia do género nos manuais de assuntos sociais de todas as aulas de première (que corresponde ao penúltimo ano do segundo grau onde a idade média é de 16 anos) obrigatórias a partir do ano escolar 2011-2012.
Esta ideologia, explicou o Cardeal, não tem nenhuma valorização do aspecto afectivo da sexualidade humana. Ao contrário, "aborda a experiência humana neste campo de maneira puramente mecânica, com a premissa de que a orientação sexual é uma construção puramente cultural".

O jornal vaticano L'Osservatore Romano (LOR), que recolhe na sua edição da terça-feira 21 de Junho as declarações do Cardeal, explica que a ideologia do género nasceu nos Estados Unidos há 30 anos, desenvolveu-se logo na Europa seguindo "linhas particulares do primeiro feminismo e logo do pensamento homossexual".

Esta ideologia, segundo o LOR, "pretende afirmar que no mundo moderno a diferença entre homem e mulher é um facto social (uma 'construção') em vez de algo biológico. Dessa forma a orientação sexual e com isso a identidade do género e o papel do género – contaria mais do que o sexo biológico".

O Arcebispo de Paris disse também que com a ideologia do género incluída na educação dos jovens franceses se propõe "uma sexualidade que se reduz às relações sexuais, sem considerar como estas estão articuladas no desenvolvimento de uma pessoa".

As autoridades procuram uma educação sexual centrada exclusivamente nas doenças sexualmente transmissíveis, em dar conselhos sobre como evitá-las, na interrupção da gravidez (aborto), que representa a 'chave mestra" do programa.

Este é um dos aspectos mais "tristes" dos manuais, continuou, porque "quando os educadores não conseguem gerar uma verdadeira introdução à vida afectiva, são reduzidos a fazer dela um tema de ciências naturais".

O Cardeal sublinhou finalmente a importância de ajudar os jovens a compreender que a sua sexualidade e energia afectiva não constituem simplesmente um fenómeno hormonal mas é algo constitutivo da pessoa que deve crescer harmoniosamente "e sempre ao interior de uma autêntica relação humana".


domingo, 19 de junho de 2011

Leigos católicos devem participar
na política sem sucumbir à sede de poder
--- afirmou o Papa

O Papa Bento XVI assinalou que os leigos católicos devem participar pessoalmente na vida pública e política para oferecer a sua contribuição à sociedade sem “sede de poder”.

O Santo Padre disse também aos bispos: “não hesitem estimular os fiéis leigos a vencerem todo o espírito de isolamento, afastamento e indiferença e a participar pessoalmente na vida pública”.

Aos prelados, o Papa incitou-os a animar as iniciativas de formação para que quem é chamado à responsabilidade política e administrativa “não seja vítima da tentação de explorar a própria posição para interesses pessoais ou sede de poder”.



Invocar João Paulo II é efectivo
contra o diabo
--- diz famoso exorcista

O P. Gabriele Amorth, sacerdote exorcista da diocese de Roma e um dos mais conhecidos na matéria, assinalou à agência ACI Prensa que o agora Beato Papa João Paulo II se converteu, nos últimos anos, num poderoso intercessor na luta contra o demónio.

O P. Amorth tem 86 anos de idade e 70 mil exorcismos na sua experiência. O que disse em primeiro lugar na entrevista é que “o mundo deve saber que Satanás existe”.

No seu pequeno e singelo gabinete na zona sudeste de Roma, onde realizou milhares de exorcismos, o sacerdote contou que às vezes invoca a ajuda de Santos, homens e mulheres, entre os quais destaca João Paulo II, beatificado pelo Papa Bento XVI.

Durante os exorcismos, contou o sacerdote: “perguntei ao demónio mais de uma vez: ‘Porque João Paulo II te faz tanto medo?’ E tive duas respostas distintas, ambas interessantes”.

“A primeira foi: ‘porque ele desarmou os meus planos’. E acredito que com isso se refere à queda do comunismo na Rússia e na Europa do Leste. O colapso do comunismo”.

“Outra resposta que o demónio me deu foi ‘porque tirou das minhas mãos muitos jovens’. Há muitos jovens que, graças a João Paulo II, se converteram. Talvez alguns já fossem cristãos mas não praticantes, e com João Paulo II voltaram à prática”.

Ao ser perguntado sobre o intercessor mais efectivo de todos, o P. Amorth respondeu à ACI Prensa sem duvidar: “É óbvio que a Virgem é a mais efectiva. E quando é invocada como Maria!”

“Uma vez perguntei a Satanás: ‘Mas porque te assusta mais quando invoco Nossa Senhora que quando invoco Jesus Cristo?’ Respondeu ‘Porque me humilha mais ser derrotado por uma criatura humana do que ser derrotado por Ele”.

O sacerdote disse também que é importante a intercessão dos que ainda vivem através da oração. Os cristãos podem rezar pela liberação de uma alma, um dos três elementos que ajudam neste processo, aos quais se somam a fé e o jejum.

“O Senhor deu (aos Apóstolos) uma resposta que também é muito importante para nós, os exorcistas. Disse que para vencer o demónio se necessita de muita fé, muita oração e muito jejum: Fé, oração e jejum”.

O sacerdote, membro da Sociedade de São Paulo, explicou que “o diabo e os demónios são muitos e têm dois poderes: os ordinários e os extraordinários”.

“O poder ordinário é a capacidade de tentar o homem para distanciá-lo de Deus e levá-lo ao inferno. Esta acção realiza-se contra todos os homens e as mulheres de todo lugar e religião”.

Sobre os poderes extraordinários, o P. Amorth indicou que estes se concentram numa pessoa específica e existem quatro tipos:

“A possessão demoníaca para a qual se requer um exorcismo, o vexame demoníaco, como o que sofreu em reiteradas ocasiões o Santo Padre Pio de Pietrelcina, que era golpeado fisicamente pelo demónio; as obsessões, que levam a pessoa ao desespero; e a infestação, quando o demónio ocupa um espaço, um animal ou inclusive um objecto”.

O sacerdote alertou que estes factos são pouco frequentes mas estão a aumentar. Também referiu a sua preocupação pela cada vez maior quantidade de jovens que são afectados por Satanás através das seitas, as sessões de espiritismo e as drogas.

Finalmente na entrevista o P. Amorth propôs um breve guia a ser tomado em conta na luta contra Satanás:

“As tentações do demónio são vencidas sobretudo evitando as ocasiões, porque o demónio procura sempre os nossos pontos mais fracos. E devemos fazê-lo com a oração. Nós, os cristãos, temos uma vantagem porque temos a Palavra de Deus.”

domingo, 12 de junho de 2011

Imagem Peregrina de Nossa Senhora
regressou de S. Tomé e Príncipe

Desde 29 de Abril, uma das imagens peregrinas de Nossa Senhora de Fátima esteve em S. Tomé e Príncipe, numa iniciativa promovida pelo bispo local, o português D. Manuel Santos, que respondeu desta forma aos anseios da população santomense. Hoje, 5 de Junho, a imagem foi entregue no Santuário de Fátima.

Presidiu à eucarística dominical internacional, às 11:00 no Recinto de Oração, o próprio D. Manuel Santos. Várias famílias santomenses a residir em Portugal participaram na celebração. A animação musical, além da presença habitual do Coro do Santuário, contou este domingo com os ritmos de S. Tomé e Príncipe, através da presença do grupo “A Voz da Esperança”, de Sacavém e constituído em especial por santomenses.

“Durante um mês e uma semana, a Virgem Maria semeou esperança, foi aclamada, ouviu as preces e os cantos dos seus filhos. Foi sem dúvida um momento de graça que, esperamos, dê fruto no coração de todos. Que a Mãe do Céu encha todos nós com as suas bênçãos”, recordou D. Manuel Santos na parte final da homilia.

A imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima percorreu as várias paróquias da Diocese de São Tomé e Príncipe. Um dos pontos alto da visita aconteceu a 8 de Maio, com a inauguração do Santuário de Nossa Senhora de Fátima Peregrina em Bate-Pá.

“De avião, de barco, de carro, transportada aos ombros… a Mãe do Céu fez-se peregrina pelos caminhos das ilhas verdes deste arquipélago do Golfo da Guiné”, recordou o prelado, que enumerou todas as paróquias de S. Tomé e Príncipe.

Em nome do povo de São Tomé e Príncipe e em seu nome pessoal, D. Manuel Santos agradeceu “a quantos tornaram possível este evento”.

“Obrigado sobretudo à Mãe do Céu por peregrinar connosco”, conclui. Após estas palavras ouviu-se no santuário uma salva de palmas.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não se deixem enganar por Passos Coelho

Gil Serras Pereira

Hoje assistimos, nesta abjecta campanha eleitoral, ao episódio mais demagógico que alguma vez se pudesse imaginar. O senhor Passos Coelho em entrevista à Rádio Renascença afirmou que a Lei do Aborto devia ser reavaliada e, eventualmente, dever-se-ia realizar um novo referendo sobre o assunto. Disse, e passo a citar, o seguinte:

“passados quatro anos sobre a entrada em vigor do último diploma sobre a interrupção voluntária da gravidez, é altura de ver o que correu bem e o que correu mal, com vista a eventuais alterações”

“Eu acho que precisamos fazer, tal como, de resto, estava previsto, uma avaliação dessa situação. Eu estive, há muitos anos, do lado daqueles que achavam que era preciso legalizar o aborto – não era liberalizar o aborto, era legalizar a interrupção voluntária da gravidez. Porque há condições excepcionais que devem ser tidas em conta e não devemos empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino. Mas não fui favorável a esta última alteração, na medida em que me pareceu que o Estado tinha obrigações que não cumpriu”

Ora estas afirmações feitas numa rádio de inspiração católica cheiram-me a esturro.

Talvez as pudesse entender se ele tivesse explicado o que é que vai avaliar na actual Lei! O que é que pode correr bem ou mal numa Lei que permite que se matem crianças no ventre das mães? Está preocupado, exactamente, com o quê? com a saúde das mães ou com a Vida das crianças?


Qual é a diferença fundamental que o senhor vê entre legalizar ou liberalizar o aborto? Quer-me parecer que este senhor acha que só se podem matar crianças em situações excepcionais! o que me deixa muito mais sossegado... deve ser porque há crianças que merecem mais do que outras!

Ironia à parte, ao que parece este assunto é importante para o senhor Passos Coelho, como deveria ser para todos. No entanto, nada consta no programa eleitoral do PSD. Só é abordado, de forma hipócrita, numa rádio de inspiração Católica para agradar a uma audiência específica, supostamente mais à “direita” e mais “conservadora”. Ou seja é a forma mais demagógica de enganar as pessoas na busca de mais uns votos.

Eu, espero sinceramente, que a audiência da RR e o eleitorado que defende a Vida não vá neste tipo de demagogia bacoca. Estas pessoas não são parvas!

Já lhe tínhamos conhecido outras artimanhas quando, por exemplo, na apresentação de um novo livro de Santana Castilho, depois de ouvir criticas ao seu programa eleitoral, afirmou que iria alterar as suas posições.

Que confiança nos merece uma pessoa assim, com este carácter mole e gelatinoso?

Queremos mudar de primeiro ministro para um outro com o mesmo tipo de atitudes?

Não se deixem enganar, mais uma vez, por um outro tipo “igual” ao anterior...