sábado, 14 de maio de 2011

Catequese de Bento XVI sobre a oração

Caros irmãos e irmãs,

Hoje gostaria de continuar a reflexão sobre como a oração e o sentido religioso fazem parte do homem ao longo da sua história.

Nós vivemos numa época na qual são evidentes os sinais do secularismo. Deus parece ter desaparecido do horizonte de muitas pessoas ou tornou-se uma realidade indiferente. Vemos, porém, ao mesmo tempo, muitos sinais que nos indicam um despertar do sentimento religioso, uma redescoberta da importância de Deus na vida do homem, uma exigência espiritual que supera uma visão somente horizontal, materialista na vida humana.


Olhando para a história recente, vemos que a previsão do desaparecimento das religiões e da exaltação da razão absoluta separada da fé, da época do iluminismo, falhou; uma razão que dissiparia a escuridão do dogmatismo religioso e teria dissolvido o "mundo do sagrado," restituir ao homem a sua liberdade, a sua dignidade e a sua independência de Deus.

A experiência do século passado, com as duas trágicas Guerras Mundiais, colocou em crise aquele progresso da razão autónoma que o homem sem Deus parecia poder garantir.
O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Pela criação, Deus chama todo o ser do nada à existência... Mesmo depois de ter perdido, pelo seu pecado, a semelhança com Deus, o homem permanece um ser feito à imagem do seu Criador. Ele conserva o desejo d’Aquele que o chama à existência. Todas as religiões testemunham essa procura essencial dos homens” (n. 2566).

Podemos dizer – como mostrei na catequese passada – que não houve nenhuma grande civilização, dos tempos mais longínquos até os nossos dias, que não fosse religiosa.

O homem é por natureza religioso, é homo religiosus, como é homo sapiens e homo faber: “O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus” (n. 27).

A imagem do Criador está impressa no seu ser e ele sente necessidade de encontrar uma luz para dar resposta às perguntas que permanecem no sentido profundo da realidade; resposta que ele não pode encontrar em si mesmo, no progresso, na ciência empírica. O homo religiosus não emerge somente dos mundos antigos, ele atravessa toda a história da humanidade. Neste sentido, o rico terreno da experiência humana viu surgir várias formas de religiosidade, na tentativa de responder ao desejo da plenitude e da felicidade, a necessidade de salvação, a busca de sentido.

O homem “digital”, como o das cavernas, busca na experiência religiosa as vias para superar os seus limites e para assegurar a sua precária aventura terrena. De resto, a vida sem um horizonte transcendente não teria sentido completo. E a felicidade, que todos buscamos, é projectada espontaneamente para o futuro, num amanhã ainda a cumprir-se.

O Concílio Vaticano II, na Declaração Nostra Aetate [A nossa época], sublinhou sinteticamente: “Os homens esperam das diversas religiões a resposta aos enigmas da condição humana, os quais, hoje como ontem, profundamente preocupam os seus corações: a natureza do homem (quem sou eu?), o sentido e a finalidade da vida, o bem e o pecado, a origem da dor, o caminho para alcançar a felicidade verdadeira, a morte, o juízo e a retribuição depois da morte, e finalmente, que mistério último e inefável envolve a nossa existência, do qual vimos e para onde vamos” (n. 1).

O homem sabe que não pode responder sozinho às próprias necessidades fundamentais de compreender. Enquanto está iludido e se iluda acreditando ser auto-suficiente, ele faz a experiência de não bastar a si mesmo. Tem necessidade de abrir-se a algo, a qualquer coisa ou a alguém que possa doar-lhe aquilo que lhe falta, deve sair de si mesmo para ir para Aquele que seja capaz de preencher a amplitude e a profundidade de seu desejo.

O homem tem em si uma sede de infinito, uma nostalgia da eternidade, uma busca pela beleza, um desejo pelo amor, uma necessidade de luz e de verdade, que o impulsiona para o Absoluto; o homem tem em si o desejo de Deus. O homem sabe que, de qualquer modo, pode voltar-se para Deus, sabe que pode rezar a Ele.

São Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos da história, define a oração como “expressão do desejo que o homem tem de Deus”. Esta atracção por Deus, que o próprio Deus colocou no homem, é a alma da oração que depois se reveste de muitas formas e modalidades segundo a história, o tempo, o momento, a graça e a influência do pecado de cada um que ora.

A história do homem conheceu, de facto, várias formas de oração, porque o homem desenvolveu várias modalidades para se abrir ao Outro e ao Além, tanto que podemos reconhecer a oração como uma experiência presente em cada religião e cultura.

De facto, caros irmãos e irmãs, como vimos na quarta-feira passada, a oração não está ligada a um contexto particular, mas encontra-se inscrita no coração de cada pessoa e de cada civilização. Naturalmente, quando falamos da oração como experiência do homem como tal, do homo orans, é necessário ter presente que essa é uma atitude interior, antes de uma séria de práticas e fórmulas, um modo de estar diante de Deus antes do cumprimento de actos de culto ou a pronúncia de palavras.

A oração tem no seu centro e aprofunda as suas raízes no íntimo da pessoa; por isso não é facilmente decifrável e, por este mesmo motivo, pode ser sujeita a mal-entendidos e a mistificações. Também nesse sentido podemos entender a expressão “rezar é difícil”. De facto, a oração é um lugar para a excelência da gratidão, da atenção para o Invisível, Inesperado e Inefável. Por isso, a experiência da oração é para todos um desafio, uma “graça” de invocar, um dom d’Aquele para o qual nos voltamos.

Na oração, em cada época da história, o homem coloca-se a si mesmo e a sua situação perante Deus, a partir de Deus, e em relação a Deus, e experimenta ser uma criatura necessitada de ajuda, incapaz de procurar em si o sentido da própria existência e da própria esperança.

O filósofo Ludwig Wittgenstein recorda que “rezar significa sentir que o sentido do mundo está fora do mundo”. Na dinâmica deste relacionamento com quem dá sentido à existência, com Deus, a oração tem uma das suas típicas expressões no gesto de colocar-se de joelhos. É um gesto que tem em si uma radical ambivalência: na verdade, eu posso ser forçado a ajoelhar-me – uma condição de pobreza e escravidão – mas eu posso descer espontaneamente, declara o meu limite e, portanto, a minha necessidade de um Outro.

A Ele declaro ser fraco, necessitado, “pecador”. Na experiência da oração, a criatura humana exprime toda a consciência de si, tudo aquilo que possa acolher a própria existência e, contemporaneamente, envolver-se a si próprio com Aquele perante quem se está, orienta a própria alma para aquele Mistério do qual se espera o cumprimento dos desejos mais profundos e a ajuda para superar a pobreza da própria vida. Neste olhar a um Outro, neste dirigir-se, está a essência da oração, como experiência de uma realidade que supera o sensível e o contingente.

Toda via, apenas em Deus que se revela é possível encontrar o pleno cumprimento da busca do homem. A oração, que é a abertura e a elevação do coração a Deus, torna-se, assim, o relacionamento pessoal com Ele. E também se o homem esquece o seu Criador, o Deus vivo e verdadeiro não se cansa de chamar o homem ao misterioso encontro da oração.

Como afirma o Catecismo, “Essa atitude de amor fiel vem sempre em primeiro lugar na oração; a atitude do homem é sempre resposta a esse amor fiel. Na medida em que Deus se revela e revela o homem a si próprio, a oração aparece como um recíproco apelo, um drama de Aliança. Por meio das palavras e dos actos, esse drama envolve o coração e revela através de toda a história da salvação” (n. 2567).

Caros irmãos e irmãs, aprendamos a permanecer mais diante de Deus, aquele Deus que se revelou em Jesus Cristo, aprendamos a reconhecer no silêncio, no íntimo de nós próprios, a sua voz que nos chama e nos reconduz à profundidade da nossa existência, à fonte da vida, à fonte de salvação, para fazer-nos andar ao limite da nossa vida e abrir-nos à medida de Deus, ao relacionamento com Ele, que é Amor Infinito.

Obrigado.
                                     


quinta-feira, 12 de maio de 2011

Olivença
-----------------
«Além Guadiana» apresentad​o em Lisboa

No dia 12 de Maio, pelas 11:00 horas, a associação cultural oliventina "Além Guadiana" apresentar-se-á pela primeira vez em Lisboa.

"Além Guadiana, três anos a promover a cultura portuguesa em Olivença" é a síntese de um movimento cultural nascido na primavera de 2008 com o compromisso de contribuir a recuperar, preservar e valorizar a herança linguística, monumental e etnográfica de raiz portuguesa em Olivença, bem como fomentar a aproximação cultural da Lusofonia. O acto, aberto a todos os interessados, celebrar-se-á na Casa do Alentejo (Portas de Santo Antão, 58) de Lisboa.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mais filmes para os finlandeses verem...
---------------------------------------------
«FÁTIMA NO MUNDO»

O cariz universal da mensagem
e a devoção a Nossa Senhora de Fátima

No arquivo do Santuário de Fátima há correspondência com uma paróquia dedicada a Nossa Senhora de Fátima, perto do Pequim. Uma imagem de Nossa Senhora de Fátima encontra-se no pico do Evarest. Em Sidney, Austrália, existe um belo Santuário dedicado a Nossa Senhora de Fátima. Na fronteira entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, todos os anos, há uma peregrinação com a imagem de Nossa Senhora de Fátima que culmina com uma missa e que já juntou cerca de 100 mil pessoas. São cerca de 10 000 as manifestações dedicadas a Fátima por esse Mundo fora, que vão desde Santuários, cerca de 300, paróquias, igrejas, empresas, escolas, universidades, hospitais, etc… David Carollo, americano e membro do Apostolado Mundial de Fátima diz que o mistério das Aparições de Nossa Senhora em Fátima ultrapassa largamente a diáspora portuguesa. É este fenómeno da Universalidade de Fátima que se pretende dramatizar numa Série Documental de seis episódios, 50 minutos cada, a ser emitida na RTP.

Série Documental RTP 1 dividida em 6 episódios:
1.º – Fátima e a Europa: a História (11 de Maio de 2011)
2.º – Fátima e a Europa: Santuários, Procissões e Testemunhos.
3.º – Fátima e a América do Sul
4.º – Fátima e a América do Norte
5.º – Fátima e a África
6.º – Fátima e a Ásia e a Oceânia

Através de cada episódio seremos envolvidos com as mais fantásticas histórias de como nasceram estes santuários e locais de devoção que tem a sua presença em países como o Líbano e se espalham pelo mundo fora. Também seremos confrontados com testemunhos de peregrinos e devotos de Nossa Senhora de Fátima, das mais diversas origens, que nos vão tocar profundamente. A história deste fenómeno contado por quem o vive de forma simples e autêntica.

1 -- Fátima e a Europa a História

No 1.º episódio da série Fátima e o Mundo, narra-se com ritmo, drama, mistério e fascínio a impressionante ligação de Fátima aos grandes acontecimentos do Sec.XX como: A 2.ª Guerra Mundial; A Guerra-Fria, o atentado ao Papa João Paulo II, a que se segue a queda do Muro de Berlim.
O episódio Fátima e a Europa, a História, testemunha também o nascimento de muitos locais de devoção e Santuários dedicados a Nossa Senhora de Fátima em países em que a palavra de Deus era proibida.

Autoria: Manuel Arouca
RTP 1






terça-feira, 10 de maio de 2011

O ensinamento da Igreja
sobre a homossexualidade

O ensinamento católico em relação à homossexualidade está resumida em três artigos do Catecismo da Igreja Católica: 2357, 2358 e 2359.

Os homossexuais "devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta".

A homossexualidade, como tendência é "objectivamente desordenada", o que "constitui para a maioria deles uma autêntica prova".

Apoiado na Sagrada Escritura a Tradição declarou sempre que "os actos homossexuais são intrinsecamente desordenados", "não procedem de uma verdadeira complementaridade afectiva e sexual" e portanto " em nenhum caso podem receber aprovação".

"As pessoas homossexuais estão chamadas à castidade" e "mediante o apoio de uma amizade desinteressada, da oração e a graça sacramental, podem e devem aproximar-se gradual e resolutamente à perfeição cristã".

domingo, 8 de maio de 2011

O 13 e o Papa

[Clique na imagem para visualizar o diaporama]

Consagração de Portugal
ao Sagrado Coração de Jesus
e ao Imaculado Coração de Maria














Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, inteiramente confiados a Vós, oferecemo-Vos em oblação o nosso país e povo de Portugal, para que sobre eles reineis plenamente.

Oferecemo-nos em reparação de todas as ofensas a Deus cometidas em Portugal, recorrendo confiadamente aos Corações de Jesus e de Maria aos quais pedimos a graça de um espírito contrito e humilhado e o perdão por todos os que não crêem, não adoram, não esperam, nem Vos amam.

Do desprezo dos mandamentos de Deus, livrai-nos.
Da perda da consciência do bem e do mal, livrai-nos.
Dos pecados contra a vida humana desde os seus primeiros até aos seus últimos momentos, livrai-nos.
Dos pecados contra o matrimónio e a família, livrai-nos.
Da perversão das crianças e dos jovens, livrai-nos.
Do intento de apagar nos corações a fé e a verdade mesma de Deus, livrai-nos.
Da mentira e do pecado contra o Espírito Santo, livrai-nos.
De toda a classe de injustiça na vida social, livrai-nos.
Do consumismo desenfreado e do esquecimento dos pobres, livrai-nos.
Do adormecimento dos cristãos, livrai-nos.

Acolhei, Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, a consagração que agora Vos fazemos, em nome de todos os baptizados e de todas as pessoas de boa vontade. Que se revele mais uma vez na história de Portugal o infinito poder da Redenção, a força do Amor Misericordioso. Que detenha o Mal! Que transforme as consciências e as acorde. Estamos totalmente seguros de Vós.

Oração da irmã Lúcia

Ó Maria concebida sem pecado, olhai para Portugal, rogai por Portugal, salvai Portugal. Quanto mais culpado ele é, mais necessidade tem da vossa intercessão. Uma palavra dita por vós a Jesus e Portugal será salvo. Ó Jesus, obediente a Maria, perdoai-nos, salvai Portugal. AVÉ MARIA.
Mãe de Misericórdia que sois alento dos fracos e saúde dos enfermos, curai Portugal de todos os males de que sofre, perdoai-nos, salvai Portugal. AVÉ MARIA.
Rainha dos portugueses e refúgio dos pecadores, não desprezeis as nossas preces, perdoai-nos, salvai Portugal. AVÉ MARIA.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós e pela nossa pátria, perdoai-nos e atendei-nos. SALVÉ RAINHA.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Santidade sem sombras

Pedro Vaz Patto


Poucos dias depois do falecimento de João Paulo II, um título de um jornal espanhol dizia que este recebera «os elogios mais universais da História». Pessoas de todos os quadrantes políticos (árabes e israelitas, George W. Bush e Fidel Castro) e de todas as religiões, crentes e não crentes, reconheceram a sua incomparável estatura moral e a relevância histórica da sua acção. Mesmo assim, houve então quem destoasse desse coro e lhe apontasse incoerências e limites. Agora, a propósito da sua beatificação, voltam a ouvir-se vozes críticas, que parecem ter um eco desproporcional em relação à sua real representatividade dentro e fora da Igreja Católica.

Volta a evocar-se a sua pretensa concepção retrógrada da moral sexual e familiar e do papel da mulher na Igreja e na sociedade. E critica-se agora a sua defesa de Marcial Maciel, sacerdote fundador dos Legionários de Cristo, que hoje se sabe envolvido numa vida dupla de desregramento e abusos sexuais. Aspectos que justificariam que João Paulo II não fosse beatificado.

Quanto às acusações que no seu tempo começaram a recair sobre Marcial Maciel (sem a evidência de provas que hoje existe), é compreensível que não lhes tenha dado crédito, pela inverosimilhança que representava uma tão grave conduta da parte do fundador de uma movimento que tantos frutos deu à Igreja, e marcado por experiências históricas de acusações caluniosas sobre sacerdotes em regimes totalitários que conheceu. De qualquer modo, trata-se de um erro de análise de boa fé, compatível com a santidade, não de uma qualquer cumplicidade, ou um qualquer “encobrimento”.

A respeito das suas posições doutrinais, parece que os seus críticos se esquecem de que o que um processo de beatificação exige é a conformidade dos escritos do visado à perene doutrina da Igreja, não a sua conformidade aos cânones do “espírito do tempo” e do “politicamente correcto”. Paradoxal seria o contrário. Nunca poderiam essas posições ser obstáculo à beatificação, por muito contrastantes que sejam com esse “espírito”.
 
A respeito das questões de ética sexual, foca-se sobretudo o que da sua mensagem são interditos, e esquece-se a sua dimensão positiva (aquilo a que diz “sim”, e não só aquilo a que diz “não”). Nunca nenhum outro Papa (nem qualquer outro pensador) apresentou uma tão rica e profunda visão da beleza e dignidade da sexualidade humana (integrada num desígnio de Deus que faz da mútua doação física e pessoal do homem e da mulher um sinal da comunhão entre as pessoas divinas) como a que decorre da teologia do corpo, uma das novidades históricas do pensamento de João Paulo II.
A respeito da mulher, foca-se apenas a sua recusa do sacerdócio feminino, muitas vezes com completa ignorância da dimensão teológica que está subjacente a essa recusa, que se liga a uma opção de Jesus que à Sua Igreja não compete “corrigir”. Mas, como reconheceram várias mulheres, nunca nenhum outro Papa (nem qualquer outro pensador) como João Paulo II exaltou, na Mulieris Dignitatem e noutros textos, a insubstituível riqueza daquilo a que chamou o “génio feminino”, e dos frutos que só deste podem advir para a sociedade e para a Igreja. Esta só com esse contributo há-de revelar cada vez mais o seu perfil mariano, a primazia do amor sobre a autoridade. Por isso, aprovou a disposição estatutária que impõe que seja sempre uma mulher a presidir ao Movimento dos Focolares, um movimento laical a que também pertencem sacerdotes e bispos.

Também por estas posições, mas sobretudo pelo seu imenso amor a Deus e à humanidade, João Paulo II é proclamado beato, sem sombras nem favores.



Bento XVI remove Bispo australiano
favorável à ordenação sacerdotal
de mulheres

O Papa Bento XVI retirou do cargo de Bispo de Toowoomba Dom William M. Morris, que levantou grande polémica por promover a ordenação sacerdotal de mulheres e propor que os ministros protestantes celebrem a Eucaristia.

Numa carta pastoral do ano 2006, Dom Morris tinha feito uma declaração a favor da ordenação de mulheres e homens casados e sugerido que os ministros protestantes pudessem celebrar a Missa, o que levou o Vaticano a ordenar uma investigação.

Entretanto, os problemas em Toowoomba vão além do desacordo público do bispo com a doutrina católica sobre o sacerdócio.

Segundo fontes citadas pela CatholicNewsAgency.com, Dom Morris prefere vestir camisa e gravata a vestimenta dos bispos e tem feito muito para diminuir a identidade católica e os seus ensinamentos durante seu mandato.

Por exemplo o Bispo realizou uns chamados "serviços da comunhão" junto a leigos e sacerdotes e promove o uso generalizado de ritos de "absolvição" geral como alternativa à confissão pessoal.

A diocese de Toowoomba tem uma população católica de aproximadamente 66 mil pessoas e 35 paróquias. O Bispo de Brisbane, Dom Brian Finnegan, foi nomeado como administrador apostólico até que o Papa nomeie um novo bispo.



domingo, 1 de maio de 2011

CAPELA PAPAL
POR OCASIÃO DA BEATIFICAÇÃO
DO SERVO DE DEUS JOÃO PAULO II
HOMILIA DO PAPA BENTO XVI

Átrio da Basílica Vaticana Domingo, 1° de Maio de 2011

Amados irmãos e irmãs,

Passaram já seis anos desde o dia em que nos encontrávamos nesta Praça para celebrar o funeral do Papa João Paulo II. Então, se a tristeza pela sua perda era profunda, maior ainda se revelava a sensação de que uma graça imensa envolvia Roma e o mundo inteiro: graça esta, que era como que o fruto da vida inteira do meu amado Predecessor, especialmente do seu testemunho no sofrimento. Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele. Por isso, quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia espera do chegou! Chegou depressa, porque assim aprouve ao Senhor: João Paulo II é Beato!

Desejo dirigir a minha cordial saudação a todos vós que, nesta circunstância feliz, vos reunistes, tão numerosos, aqui em Roma vindos de todos os cantos do mundo: cardeais, patriarcas das Igrejas Católicas Orientais, irmãos no episcopado e no sacerdócio, delegações oficiais, embaixadores e autoridades, pessoas consagradas e fiéis leigos; esta minha saudação estende-se também a quantos estão unidos connosco através do rádio e da televisão.

Estamos no segundo domingo de Páscoa, que o Beato João Paulo II quis intitular Domingo da Divina Misericórdia. Por isso, se escolheu esta data para a presente celebração, porque o meu Predecessor, por um desígnio providencial, entregou o seu espírito a Deus justamente ao anoitecer da vigília de tal ocorrência. Além disso, hoje tem início o mês de Maio, o mês de Maria; e neste dia celebra-se também a memória de São José operário. Todos estes elementos concorrem para enriquecer a nossa oração; servem-nos de ajuda, a nós que ainda peregrinamos no tempo e no espaço; no Céu, a festa entre os Anjos e os Santos é muito diferente! E todavia Deus é um só, e um só é Cristo Senhor que, como uma ponte, une a terra e o Céu, e neste momento sentimo-lo muito perto, sentimo-nos quase participantes da liturgia celeste.

«Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29). No Evangelho de hoje, Jesus pronuncia esta bem-aventurança: a bem-aventurança da fé. Ela chama de modo particular a nossa atenção, porque estamos reunidos justamente para celebrar uma Beatificação e, mais ainda, porque o Beato hoje proclamado é um Papa, um Sucessor de Pedro, chamado a confirmar os irmãos na fé. João Paulo II é Beato pela sua forte e generosa fé apostólica. E isto traz imediatamente à memória outra bem-aventurança: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus» (Mt 16, 17). O que é que o Pai celeste revelou a Simão? Que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo. Por esta fé, Simão se torna «Pedro», rocha sobre a qual Jesus pode edificar a sua Igreja. A bem-aventurança eterna de João Paulo II, que a Igreja tem a alegria de proclamar hoje, está inteiramente contida nestas palavras de Cristo: «Feliz de ti, Simão» e «felizes os que acreditam sem terem visto». É a bem-aventurança da fé, cujo dom também João Paulo II recebeu de Deus Pai para a edificação da Igreja de Cristo.

Entretanto perpassa pelo nosso pensamento mais uma bem-aventurança que, no Evangelho, precede todas as outras. É a bem-aventurança da Virgem Maria, a Mãe do Redentor. A Ela, que acabava de conceber Jesus no seu ventre, diz Santa Isabel: «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). A bem-aventurança da fé tem o seu modelo em Maria, pelo que a todos nos enche de alegria o facto de a beatificação de João Paulo II ter lugar no primeiro dia deste mês mariano, sob o olhar materno d’Aquela que, com a sua fé, sustentou a fé dos Apóstolos e não cessa de sustentar a fé dos seus sucessores, especialmente de quantos são chamados a sentar-se na cátedra de Pedro. Nas narrações da ressurreição de Cristo, Maria não aparece, mas a sua presença pressente-se em toda a parte: é a Mãe, a quem Jesus confiou cada um dos discípulos e toda a comunidade. Deforma particular, notamos que a presença real e materna de Maria aparece assinalada por São João e São Lucas nos contextos que precedem tanto o Evangelho como a primeira Leitura de hoje: na narração da morte de Jesus, onde Maria aparece aos pés da Cruz (Jo 19, 25); e, no começo dos Actos dos Apóstolos, que a apresentam no meio dos discípulos reunidos em oração no Cenáculo (Act 1, 14).

Também a segunda Leitura de hoje nos fala da fé, e é justamente São Pedro que escreve, cheio de entusiasmo espiritual, indicando aos recém-baptizados as razões da sua esperança e da sua alegria. Apraz-me observar que nesta passagem, situada na parte inicial da sua Primeira Carta , Pedro exprime-se não no modo exortativo, mas indicativo. De facto, escreve: «Isto vos enche de alegria»; e acrescenta: «Vós amais Jesus Cristo sem O terdes conhecido, e, como n’Ele acreditais sem O verdes ainda, estais cheios de alegria indescritível e plena de glória, por irdes alcançar o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas» (1 Ped 1, 6.8-9). Está tudo no indicativo, porque existe uma nova realidade, gerada pela ressurreição de Cristo, uma realidade que nos é acessível pela fé. «Esta é uma obra admirável – diz o Salmo (118, 23) – que o Senhor realizou aos nossos olhos», os olhos da fé.

Queridos irmãos e irmãs, hoje diante dos nossos olhos brilha, na plena luz de Cristo ressuscitado, a amada e venerada figura de João Paulo II. Hoje, o seu nome junta-se à série dos Santos e Beatos que ele mesmo proclamou durante os seus quase 27 anos de pontificado, lembrando com vigor a vocação universal à medida alta da vida cristã, à santidade, como afirma a Constituição conciliar Lumem gentium sobre a Igreja. Os membros do Povo de Deus – bispos, sacerdotes, diáconos, fiéis leigos, religiosos e religiosas – todos nós estamos a caminho da Pátria celeste, tendo-nos precedido a Virgem Maria, associada de modo singular e perfeito ao mistério de Cristo e da Igreja. Karol Wojtyla, primeiro como Bispo Auxiliar e depois como Arcebispo de Cracóvia, participou no Concílio Vaticano II e bem sabia que dedicar a Maria o último capítulo da Constituição sobre a Igreja significava colocar a Mãe do Redentor como imagem e modelo de santidade para todo o cristão e para a Igreja inteira. Foi esta visão teológica que o Beato João Paulo II descobriu na sua juventude, tendo-a depois conservado e aprofundado durante toda a vida; uma visão, que se resume no ícone bíblico de Cristo crucificado com Maria ao pé da Cruz. Um ícone que se encontra no Evangelho de João(19, 25-27) e está sintetizado nas armas episcopais e, depois, papais de Karol Wojtyla: uma cruz de ouro, um «M» na parte inferior direita e o lema «Totus tuus», que corresponde à conhecida frase de São Luís Maria Grignion de Monfort, na qual Karol Wojtyla encontrou um princípio fundamental para a sua vida: «Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria» (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n.266).

No seu Testamento, o novo Beato deixou escrito: «Quando, no dia 16 de Outubro de1978, o conclave dos cardeais escolheu João Paulo II, o Card. Stefan Wyszy Dski, Primaz da Polónia, disse-me: “A missão do novo Papa será a de introduzir a Igreja no Terceiro Milénio”». E acrescenta: «Desejo mais uma vez agradecer ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, do qual me sinto devedor, juntamente com toda a Igreja e sobretudo o episcopado. Estou convencido de que será concedido ainda por muito tempo, às sucessivas gerações, haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos prodigalizou. Como Bispo que participou no evento conciliar, desde o primeiro ao último dia, desejo confiar este grande património a todos aqueles que são, e serão, chamados a realizá-lo. Pela minha parte, agradeço ao Pastor eterno que me permitiu servir esta grandíssima causa ao longo de todos os anos do meu pontificado». E qual é esta causa? É a mesma que João Paulo II enunciou na sua primeira Missasolene, na Praça de São Pedro, com estas palavras memoráveis: «Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!». Aquilo que o Papa recém-eleito pedia a todos, começou, ele mesmo, a fazê-lo: abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e económicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus –, uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade. Sintetizando ainda mais: deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem – Redemptor hominis: foi este o tema da sua primeira Encíclica eo fio condutor de todas as outras.

Karol Wojtyla subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. Com esta mensagem, que é a grande herança do Concílio Vaticano II e do seu «timoneiro» – o Servo de Deus Papa Paulo VI –, João Paulo II foi o guia do Povo de Deus ao cruzar o limiar do Terceiro Milénio, que ele pôde, justamente graças a Cristo, chamar «limiar da esperança». Na verdade, através do longo caminho de preparação para o Grande Jubileu, ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de «advento», numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.

Por fim, quero agradecer a Deus também a experiência de colaboração pessoal que me concedeu ter longamente com o Beato Papa João Paulo II. Se antes já tinha tido possibilidades de o conhecer e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa. O meu serviço foi sustentado pela sua profundidade espiritual, pela riqueza das suas intuições. Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério. E, depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor foi-o despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma «rocha», como Cristo o quis. A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Igreja.

Feliz és tu, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu – nós te pedimos – a sustentar a fé do Povo de Deus. Muitas vezes, do Palácio, tu nos abençoaste nesta Praça! Hoje nós te pedimos: Santo Padre, abençoa-nos! Amen.



sábado, 30 de abril de 2011

Beatificação de João Paulo II

Fátima em júbilo pela beatificação do Papa de Fátima

Beatificação de João Paulo II: Vigí­lia une o Mundo em oração

Através de Fátima, Portugal está ligado ao mundo, na vigília de preparação da beatificação de João Paulo II, coordenada a partir de Roma pelo Cardeal Agostino Vallini Vigario-Geral do Papa para a Diocese de Roma.

A decorrer neste preciso momento, com ligação a cinco lugares do Mundo, a transmissão pode ser acompanhada em directo em www.fatima.pt /Transmissões em Directo (canto superior direito do ecrã). A tradução para português está a cargo do P. Clemente Dotti, capelão do Santuário de Fátima.

Inicia-se neste momento, 20:00, a recitação do Rosário. Cada mistério será recitado com ligação televisiva a um lugar diferente: 1º Mistério - Santuário de Lagniewniki - Cracóvia (Polónia); 2º Santuário de Kawekamo – Bugando (Tanzânia); 3º Santuário de Nossa Senhora do Líbano – Beirute (Líbano), Santuário de Santa Maria de Guadalupe – Cidade do México (México) e, 5º mistério - Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (Portugal).

No Santuário de Fátima, centenas de peregrinos de diversas nacionalidades acompanham a transmissão televisiva que une todos estes lugares à Capelinha das Aparições. Destaca-se o elevado número de grupos vindos de Espanha e de portugueses.

No Santuário de Fátima, sob a presidência de D. Augusto César, Bispo Emérito de Portalegre-Castelo Branco, será recitado o último mistério do rosário. Rezar-se-á em Fátima em Igreja.

LeopolDina Simões

Perita em neurociências
assegura que oração
ajuda a desenvolver o cérebro

A neurorradiologista italiana Adriana Gini afirmou que a prece é benéfica para o desenvolvimento do cérebro, ao participar num fórum sobre os jovens e a comunicação na era digital celebrado em Roma.
Gini afirmou no dia 14 de Abril no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, que "a prática do silêncio, a meditação e a oração favorecem as áreas cerebrais que se convertem mais pacientes e altruístas".
O foro "Comunicação Juvenil na Era dos Meios de comunicação", foi patrocinado pelo Conselho Pontifício da Cultura.
O evento foi uma resposta ao convite que o Papa Bento XVI fez em Novembro de 2010 aos participantes da assembleia plenária do mesmo Conselho Pontifício para beneficiar-se "com renovado compromisso criativo, mas também com sentido crítico e cuidado discernimento das novas linguagens e das novas modalidades comunicativas".
Gini assegurou que "nas crianças, um ambiente sereno e interativo, a presença de pais afetuosos, a amizade, e a vida activa são elementos que permitem um correcto desenvolvimento cerebral e portanto a aquisição de capacidade como o equilíbrio emotivo, a sociabilidade, e a generosidade".

Portugal Reza com Maria






















Portugal Reza com Maria


A incrível história de amor dos portugueses
por Nossa Senhora

de José Carvalho

Reimpressão de 2011

Páginas: 224

Editor: Zebra Publicações

ISBN: 9789898391094

13,70€

terça-feira, 19 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Papa pede aos católicos na China
que defendam a fé mesmo com sacrifícios

A Santa Sé comunicou hoje que o Papa Bento XVI alenta os católicos da China a defenderem a fé, mesmo com sacrifícios, para crescer na unidade e na comunhão.

O texto publicado no fim da reunião plenária realizada no Vaticano de 11 a 13 de Abril da comissão instituída pelo Papa Bento XVI em 2007 para estudar a realidade da Igreja Católica na China.

No encontro que ocorreu ao final da reunião plenária, o Santo Padre reconheceu "o desejo de unidade com a Sede de Pedro e com a Igreja universal, que os fiéis na China não deixam de manifestar, no meio de muitas dificuldades e aflições".

"A fé da Igreja, exposta no Catecismo da Igreja Católica e que deverá ser defendida ao custo de sacrifícios, é o fundamento sobre o qual as comunidades católicas na China têm que crescer na unidade e a comunhão".

Na mensagem, a comissão expressa a esperança de que "o diálogo sincero e respeitoso com as autoridades civis ajude a superar as dificuldades do momento actual para que também as relações com a Igreja Católica contribuam para a harmonia na sociedade".

Perante os desafios actuais como as dioceses sem bispos e a incerteza de alguns católicos, os membros da comissão alentaram os prelados e os sacerdotes a intensificarem o seu trabalho e a "esforçar-se por construir, onde falte e sejam necessários, novos lugares de culto e de educação na fé, sobretudo para formar comunidades cristãs amadurecidas".

Depois de exortar todos os católicos chineses a continuaram na tarefa da evangelização, a Comissão lembrou uma série de episódios contrários à unidade, como a recente ordenação episcopal em Chengde em Novembro de 2010, que foi feita sem autorização do Papa, o que a torna "gravemente ilegítima" e "também ilegítimo o exercício do ministério".

Sobre a 8.ª Assembleia Nacional de Representantes Católicos, convocada pelas autoridades chinesas e à qual obrigaram bispos fiéis ao Papa a comparecerem, a mensagem da comissão recorda também as palavras proferidas pelo Santo Padre:

"Considerando o plano original de Jesus, resulta evidente que a pretensão de alguns organismos, que o Estado quis e que são alheios à estrutura da Igreja, de ficar por cima dos próprios Bispos e de dirigir a vida da comunidade eclesiástica, não está de acordo com a doutrina católica, segundo a qual a Igreja é apostólica, como reiterou também o Concílio Vaticano II".

"A finalidade declarada dos mencionados organismos de pôr em prática os princípios de independência e autonomia, autogestão e administração democrática da Igreja é também inconciliável com a doutrina católica".

A China só permite o culto católico à Associação Patriótica Católica Chinesa, subordinada ao Partido Comunista da China, e recusa a autoridade do Vaticano. A Igreja Católica, fiel ao Papa e clandestina na China, é perseguida permanentemente.

As relações diplomáticas entre a China e o Vaticano foram interrompidas em 1951, dois anos depois da chegada ao poder dos comunistas, que expulsaram os clérigos estrangeiros.


sábado, 9 de abril de 2011

Eu creio, Senhor

«Eu creio, Senhor»
                 Jo 9, 38
 
«Tu acreditas no Filho do homem?»,
perguntou Jesus ao cego que acabara de curar.
Hesitante, retorquiu: «quem é Ele para que eu acredite?»
«Já O viste: é Quem está a falar contigo», respondeu Jesus.

«Eu creio,Senhor» concluiu o cego.
Um diálogo simples e contundente.
Porque era cego de nascença, não havia nele preconceitos.
Tudo era evidência.
 
É esta pureza do olhar que eu quero recuperar nesta Quaresma.
É esta liberdade de aderir à verdade imponente
da Tua presença na minha vida
que eu quero para mim.

É longo o caminho a percorrer para me libertar
de tantas certezas e presunções acumuladas.

Mas como é grande a alegria de poder reconhecer-Te
no meio dos encontros e desencontros da vida...
Essa alegria que inunda de paz, serenidade e certeza
o meu pobre coração em sobressalto.

                                                    Rui Corrêa d’ Oliveira

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O novo líder dos católicos ucranianos propõe
aliança com ortodoxos contra o secularismo

O novo Primaz da Igreja Grego-católica da Ucrânia, Dom Sviatoslav Shevchuk, tem grandes planos para resistir o secularismo crescente em seu país e assegura que procurará tanto a ajuda de Roma como uma "aliança estratégica" com as igrejas ortodoxas.

Dom Shevchuk visitou o Papa Bento XVI no dia 1 de Abril no seu primeiro acto oficial depois de ser eleito em 23 de Março para liderar os 4,3 milhões de católicos ucranianos de todo o mundo.

Dom Shevchuk afirmou que "somos uma Igreja do Oriente com tradição e herança... uma Igreja sinodal que se rege pelo sínodo dos bispos junto com o Arcebispo-mor. Mas também somos uma Igreja Católica que vive a sua identidade em plena, visível e verdadeira comunhão com o Santo Padre".

O novo Primaz terá sob sua responsabilidade a mais numerosa Igreja católica de rito oriental que ressurgiu na década de 1990 quando se desintegrou o sistema comunista da União Soviética.

Os greco-católicos da Ucrânia atravessaram muitos sofrimentos durante o século passado. Sacerdotes e os fiéis foram detidos, martirizados pela fé e obrigados a viver na clandestinidade. As propriedades da Igreja foram usurpadas pelas igrejas ortodoxas e ainda hoje a Igreja grego-católica funciona sob todo tipo de restrições.

Para o arcebispo Shevchuk, o "sangue dos mártires... é a razão principal para que com nossos jovens tenha renascido a Igreja".

Actualmente, a idade média dos sacerdotes que servem a esta Igreja de rito bizantino é de 35 anos de idade. Dom Shevchuk tem 40 anos e é o bispo e líder mais jovem da Igreja de rito oriental.

O Arcebispo agradeceu a "demonstração da grande confiança que o Santo Padre depositou em mim e outros".

Dom Shevchuk afirma que a sua "prioridade número um" é a predicação do Evangelho no mundo e assegura que se deve proteger o "grande tesouro" da fé na Ucrânia perante a da secularização.

Neste sentido, o Arcebispo já teve conversas com outros líderes católicos e ortodoxos sobre a construção de uma "aliança estratégica para um testemunho harmonioso e único dos cristãos", que poderia ajudar a evangelizar a cultura ucraniana.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Foi ordenado Bispo com aprovação
do Vaticano e Governo chinês

Com a aprovação da Santa Sé e do Governo comunista chinês, foi ordenado em Março o novo Bispo de Jiangmen (China), o Padre Paulo Jiansen Liang, de 46 anos.

Isto ocorre depois das relações entre ambos os estados esfriarem devido à ordenação ilícita de um bispo, realizada pelo Governo chinês no dia 20 de Novembro de 2010, sem a aprovação do Vaticano.

Segundo a agência UCA News, a Eucaristia foi celebrada na Catedral da Imaculada Coração de Maria, na cidade de Jiangmen, província de Guangdong. No templo estiveram presentes 400 fiéis, enquanto outros mil acompanharam a ordenação por ecrãs colocadas no exterior.

O novo bispo disse que o seu brasão levará as imagens de São Francisco Xavier e o Padre Matteo Ricci, os dois grandes missionários que levaram o Evangelho à China.

O Prelado também disse que uma de suas prioridades será capacitar líderes leigos para que ajudem os sacerdotes e religiosos na catequese e na evangelização.

Dom Liang entrou no seminário pouco depois de ter sido baptizado em 1985. Ordenou-se sacerdote em 1991 e serviu na paróquia de Jiangmen desde 1995. Foi nomeado Vigário General em 2004 pelo seu predecessor, D. Pedro Paulo Li Panshi, que morreu em 2007.

Esta dupla aprovação transmite uma mensagem positiva.


 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vaticano perante a ONU:
Opinar contra homossexualidade
está dentro da liberdade de expressão

O representante da Santa Sé no gabinete da ONU em Genebra, Dom Silvano Tomasi, recordou a este organismo que quem ataca os que têm opiniões contrárias ao comportamento homossexual violam o direito das pessoas à liberdade de expressão.

O Arcebispo interveio durante a discussão do item «Orientação sexual», na XVI sessão do Conselho dos Direitos humanos, e mostrou a sua preocupação ante a «alarmante tendência» de «atacar pessoas por tomarem posições de não apoiar as condutas sexuais entre pessoas do mesmo sexo».

Dom Tomasi afirmou que a Igreja não justifica em nenhum caso a violência contra ninguém por motivo de suas preferências ou condutas sexuais. Por isso, advertiu, não são justificados os ataques contra aqueles que se opõem a determinadas condutas sexuais, em virtude da liberdade de expressão e de crença.

«Quando eles expressam as suas crenças morais ou sobre a natureza humana, que podem ser também expressões de convicções religiosas, ou opiniões do Estado sobre reivindicações científicas, são estigmatizados, ou, pior ainda, desprezados e perseguidos».

«A sexualidade humana, como qualquer actividade voluntária, possui uma dimensão moral: é uma actividade que põe a vontade individual ao serviço de um fim; não é uma 'identidade'. Por outras palavras, procede da acção e não do ser, embora algumas tendências ou ‘orientações sexuais’ tenham raízes profundas na personalidade».

«Negar a dimensão moral da sexualidade leva a negar a liberdade da pessoa nesta matéria, e escava em última a instância sua dignidade ontológica».













terça-feira, 22 de março de 2011

A Igreja não é plural

Miguel Alvim, O Inimputavel

O centro universitário Manuel da Nóbrega (cumn) vai organizar em Coimbra (ver: http://www.cumn.pt/feecultura/ ), um dia de conferências, “Fé e Cultura”, como é seu uso anual.

Naturalmente, fé e cultura impõem-se como duas realidades essenciais que não têm de, nem devem, bem pelo contrário, andar de costas voltadas uma para a outra.

No sentido próprio, fé e cultura constituem e enformam a realidade constitutiva mais fulcral do ser do homem: o homem só o é verdadeiramente quando aberto à realidade da fé e da cultura.

Isso é uma coisa.

Outra coisa é a Igreja Católica.

A Igreja não é, propriamente, plural; antes, como no Credo, a Igreja é una, santa, católica e apostólica.

Daí que não se perceba, faça confusão, intitular uma conferência naquela niciativa de Igreja “Pensar a Igreja Plural” (subtítulo “A freira, o homossexual e os recasados”).

Dizer que a Igreja acolhe como Mãe toda a gente, todos os homens e mulheres do seu tempo é pura e eterna verdade.

É o seu serviço e o seu mistério, como o seu Mestre, Jesus Cristo, o indicou sem falhas.

Dizer que a Igreja é plural porque pode acolher indiferenciadamente e acriticamente todas as situações pessoais de escolha de vida, mormente, de mais ou menos grave pecado pessoal dos seus membros, não é verdade e é deprimente.

Jesus Cristo nunca foi fácil e nunca foi morno e, sobretudo, nunca confundiu o pecado com o pecador.

Numa palavra, e nesse sentido próprio, Jesus Cristo nunca foi plural, porque nunca quis agradar de maneira fácil.

Porque foi sempre e sem excepção Ele próprio, fez e continua a fazer chamamento universal a partir da unidade da Sua imparável virtude e obediência de amor.

E chega.

Um encontro de pouca Fé

( De O Inimputável)

No próximo dia 9 de Abril ocorrerá em Coimbra o XXVI Encontro Fé e Cultura. Deste encontro, organizado por um respeitável Centro Universitário da Igreja (CUMN), faz parte uma conferencia cujo subtítulo, “A freira, o homossexual e os recasados”, conduz a dois tipos de reacções entre os católicos: tristeza nos mais esclarecidos e confusão na mente dos mais vulneráveis.

Importa sublinhar que a Igreja não é uma democracia e a sua doutrina não se altera com base nas mudanças sociais. Actualmente, dentro da Igreja, instalou-se “a cultura da dúvida”, cuja agenda é gerida ao sabor da moda e do desejo de minorias. Mas, quando se pretende, com o desejo de não-discriminar, obrigar a Igreja a alterar a sua posição relativamente à homossexualidade e ao casamento indissolúvel entre homem e mulher, isso conduz à sua descaracterização; deixa de ser Igreja e passa a ser outra coisa qualquer, volátil e difusa.

Neste âmbito, convém recordar as palavras do Papa Bento XVI: “Manter o difícil como uma bitola que as pessoas possam sempre utilizar como referencia é uma tarefa necessária para não sucederem mais quedas”.

Afinal que Fé é esta quando o indivíduo se opõe a renunciar a si próprio?



sábado, 19 de março de 2011

Peregrinação a Vila Viçosa
comemorativa dos 365 anos
da coroação de Nossa Senhora
como Padroeira e Rainha de Portugal


Para informação sobre os autocarros de Fátima e do Norte, telefones: 965065920 e 911768705)
PEREGRINAÇÃO DE LISBOA


Dia 25 de Março (6.ª feira)
14:00H - Partida de Lisboa, em autocarro, com destino a Vila Viçosa.

16:30H - Participação nas Cerimónias do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição.

17:00H – Bênção do Santíssimo.

17:30H – Relançamento do Projecto Um Milhão de Terços Por Portugal (com recitação do Terço).

18:30H – Santa Missa seguida de Procissão das velas à volta das muralhas da Vila, com a imagem da Padroeira e com a Coroa.

No final da Procissão haverá jantar e dormida no Convento dos Agostinhos.


Dia 26 de Março (Sábado)
10:00H - Partida para Campo Maior.

11:30H – Missa no Convento das Religiosas Concepcionistas Franciscanas, filhas de Santa Beatriz da Silva.

Estando a decorrer o Ano Jubilar por ocasião dos 500 anos da Regra que rege a Ordem da Imaculada Conceição (Irmãs Concepcionistas) o Papa Bento XVI informou que será concedida indulgência plenária a todos os fiéis que, tendo observado as habituais condições visitarem em grupo, qualquer lugar sagrado da Ordem da Imaculada Conceição, e ali participarem de alguma celebração. Haverá confissões.
13:30H – Almoço livre.

16:30H – Partida para Lisboa.

Custo da Peregrinação: 20,00€ por pessoa. Inclui as viagens, alojamento e jantar de 6.ª feira (não se garante quarto individual). A refeição de Sábado é livre e não está incluída no preço.

Inscrições (mediante pagamento)

Data limite: 18 de Março

Contactos: Leonor Ribeiro e Castro (913 053 811) e Maria da Cunha Coutinho (910 895 983)
Unidos em oração, A equipa dos Terços por Portugal