quarta-feira, 22 de junho de 2011

Terá o Cardeal-patriarca lido
a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis
de João Paulo II?

Diz D. José Policarpo segundo a Agência Ecclesia:

Cardeal-patriarca:
Ordenação das mulheres só quando «Deus quiser»

«Teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental», diz D. José Policarpo

Boletim OA. Maio 2011
Cardeal José PolicarpoLisboa, 22 jun 2011 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca considera que a ordenação sacerdotal das mulheres vai acontecer quando “Deus quiser” e que, até , é preferível não tocar no assunto, mesmo sabendo que os impedimentos desta opção são mais tradicionais do que teológicos.

“Teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental”, afirma D. José Policarpo em entrevista publicada na mais recente edição do boletim da Ordem dos Advogados, datada de maio, acrescentando que a tradição da Igreja tem tido a última palavra: “Nunca foi de outra maneira”.

Diz o Papa João Paulo II:

Ver o post anterior com o texto integral da Carta Ordinatio Sacerdotalis.



Ordenação de mulheres?

CARTA APOSTÓLICA

ORDINATIO SACERDOTALIS

DO PAPA

JOÃO PAULO II

SOBRE A ORDENAÇÃO SACERDOTAL

RESERVADA SOMENTE AOS HOMENS


Veneráveis Irmãos no Episcopado!

1. A ordenação sacerdotal, pela qual se transmite a missão, que Cristo confiou aos seus Apóstolos, de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens. Esta tradição foi fielmente mantida também pelas Igrejas Orientais.

Quando surgiu a questão da ordenação das mulheres na Comunhão Anglicana, o Sumo Pontífice Paulo VI, em nome da sua fidelidade o encargo de salvaguardar a Tradição apostólica, e também com o objectivo de remover um novo obstáculo criado no caminho para a unidade dos cristãos, teve o cuidado de recordar aos irmãos anglicanos qual era a posição da Igreja Católica: "Ela defende que não é admissível ordenar mulheres para o sacerdócio, por razões verdadeiramente fundamentais. Estas razões compreendem: o exemplo - registado na Sagrada Escritura - de Cristo, que escolheu os seus Apóstolos só de entre os homens; a prática constante da Igreja, que imitou Cristo ao escolher só homens; e o seu magistério vivo, o qual coerentemente estabeleceu que a exclusão das mulheres do sacerdócio está em harmonia com o plano de Deus para a sua Igreja" (1).

Mas, dado que também entre teólogos e em certos ambientes católicos o problema fora posto em discussão, Paulo VI deu à Congregação para a Doutrina da Fé mandato de expor e ilustrar a este propósito a doutrina da Igreja. Isso mesmo foi realizado pela Declaração Inter Insigniores, que o mesmo Sumo Pontífice aprovou e ordenou publicar (2).

2. A Declaração retoma e explica as razões fundamentais de tal doutrina, expostas por Paulo VI, concluindo que a Igreja «não se considera autorizada a admitir as mulheres à ordenação sacerdotal»(3). A tais razões fundamentais, o mesmo documento junta outras razões teológicas que ilustram a conveniência daquela disposição divina, e mostra claramente como o modo de agir de Cristo não fora ditado por motivos sociológicos ou culturais próprios do seu tempo. Como sucessivamente precisou o Papa Paulo VI, «a verdadeira razão é que Cristo, ao dar à Igreja a Sua fundamental constituição, a sua antropologia teológica, depois sempre seguida pela Tradição da mesma Igreja, assim o estabeleceu»(4).

Na Carta Apostólica Mulieris dignitatem, eu mesmo escrevi a este respeito: «Chamando só homens como seus apóstolos, Cristo agiu de maneira totalmente livre e soberana. Fez isto com a mesma liberdade com que, em todo o seu comportamento, pôs em destaque a dignidade e a vocação da mulher, sem se conformar ao costume dominante e à tradição sancionada também pela legislação do tempo» (5).

De facto, os Evangelhos e os Actos dos Apóstolos atestam que este chamamento foi feito segundo o eterno desígnio de Deus: Cristo escolheu os que Ele quis (cfr Mc 3,13-14; Jo 15,16) e fê-lo em união com o Pai, «pelo Espírito Santo» (Act 1,2), depois de passar a noite em oração (cfr Lc 6,12). Portanto, na admissão ao sacerdócio ministerial (6), a Igreja sempre reconheceu como norma perene o modo de agir do seu Senhor na escolha dos doze homens que Ele colocou como fundamento da sua Igreja (cfr Ap 21,14). Eles, na verdade, não receberam apenas uma função, que poderia depois ser exercida por qualquer membro da Igreja, mas foram especial e intimamente associados à missão do próprio Verbo encarnado (cfr Mt 10,1.7-8; 28,16-20; Mc 3,13-16; 16,14-15). O mesmo fizeram os Apóstolos, quando escolheram os seus colaboradores (7) que lhes sucederiam no ministério (8). Nessa escolha, estavam incluídos também aqueles que, ao longo da história da Igreja, haveriam de prosseguir a missão dos Apóstolos de representar Cristo Senhor e Redentor (9).

3. De resto, o facto de Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, não ter recebido a missão própria dos Apóstolos nem o sacerdócio ministerial, mostra claramente que a não admissão das mulheres à ordenação sacerdotal não pode significar uma sua menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito, mas a observância fiel de uma disposição que se deve atribuir à sabedoria do Senhor do universo.

A presença e o papel da mulher na vida e na missão da Igreja, mesmo não estando ligados ao sacerdócio ministerial, permanecem, no entanto, absolutamente necessários e insubstituíveis. Como foi sublinhado pela mesma Declaração Inter Insigniores, "a Santa Madre Igreja auspicia que as mulheres cristãs tomem plena consciência da grandeza da sua missão: o seu papel será de capital importância nos dias de hoje, tanto para o renovamento e humanização da sociedade, quanto para a redescoberta, entre os fiéis, da verdadeira face da Igreja" (10) Os Livros do Novo Testamento e toda a história da Igreja mostram amplamente a presença na Igreja de mulheres, verdadeiras discípulas e testemunhas de Cristo na família e na profissão civil, para além da total consagração ao serviço de Deus e do Evangelho. "A Igreja defendendo a dignidade da mulher e a sua vocação, expressou honra e gratidão por aquelas que - fiéis ao Evangelho - em todo o tempo participaram na missão apostólica de todo o Povo de Deus. Trata-se de santas mártires, de virgens, de mães de família, que corajosamente deram testemunho da sua fé e, educando os próprios filhos no espírito do Evangelho, transmitiram a mesma fé e a tradição da Igreja" (11)

Por outro lado, é à santidade dos fiéis que está totalmente ordenada a estrutura hierárquica da Igreja. Por isso, lembra a Declaração Inter Insigniores, "o único carisma superior, a que se pode e deve aspirar, é a caridade (cfr 1 Cor 12-13). Os maiores no Reino dos céus não são os ministros, mas os santos" (12)

4. Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia actualmente em diversos lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal.

Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja.

Invocando sobre vós, veneráveis Irmãos, e sobre todo o povo cristão, a constante ajuda divina, concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 22 de Maio, Solenidade de Pentecostes, do ano de 1994, décimo-sexto de Pontificado.

--------------------------------------------------------------------------------

(1) Cfr PAULO VI, Rescrito à carta de Sua Graça o Rev.mo Dr. F.D. Coggan, Arcebispo de Cantuária, sobre o ministério sacerdotal das mulheres, 30 de Novembro de 1975: AAS 68 (1976), 599-600: «Your Grace is of course well aware of the Catholic Church's position on this question. She holds that it is not admissible to ordain women to the priesthood, for very fundamental reasons. These reasons include: the example recorded in the Sacred Scriptures of Christ choosing his Apostles only from among men; the constant practice of the Church, which has imitated Christ in choosing only men; and her living teaching authority which has consistently held that the esclusion of women from the priesthood is in accordance with the God's plan for his Church» (p. 599).
(2) Cfr CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Declaração Inter Insigniores sobre a questão da admissão das mulheres ao sacerdócio ministerial, 15 de Outubro de 1976: AAS 69 (1977), 98-116.
(3) Ibid. 100.
(4) PAULO VI, Alocução sobre O papel da mulher no desígnio da salvação, 30 de Janeiro de 1977: Insegnamenti, vol. XV (1977), 111. Cfr também JOÃO PAULO II, Exort. ap. Christifideles laici, 30 de Dezembro de 1988, 51: AAS 81 (1989), 393-521; Catecismo da Igreja Católica, n. 1577.
(5) JOÃO PAULO II, Carta ap. Mulieris dignitatem, 15 de Agosto de 1988, 26: AAS 80 (1988), 1715.
(6) Cfr Const. dogm. Lumen gentium, 28; Decreto Presbyterorum Ordinis, 2b.
(7) Cfr 1 Tm 3,1-13; 2 Tm 1,6; Tt 1, 5-9.
(8) Cfr Catecismo da Igreja Católica, n. 1577.
(9) Cfr Const. dogm. Lumen gentium, 20 e 21.
(10) CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decl. Inter Insigniores VI: AAS(1977), 115-116.
(11) JOÃO PAULO II, Carta Ap. Mulieris dignitatem 27: AAS 80(1988), 1719.
(12) CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decl. Inter Insigniores VI: AAS(1977), 115.















Viva o aborto!

Nuno Serras Pereira

Durante a guerra civil espanhola, a 12 de Outubro de 1936, na Universidade de Salamanca, durante um empolgado discurso de Francisco Maldonado, alguém, mais tarde secundado pelo general José Millán-Astray y Terreros, gritou “viva a morte!”. Miguel de Unamuno, que presidia à mesa da sessão, não se conteve e no comentário improvisado insurgiu-se contra aquele urro denominando-o “grito necrófilo e insensato”, “paradoxo ridículo” e “repelente”.

Este episódio veio-me à memória no dia de ontem aquando da eleição de Assunção Esteves ao cargo de presidente da assembleia da república com a unanimidade dos deputados a ovacionarem-na de pé, a comentarem elogiosamente o seu percurso político, o seu elevado sentido de estado, o seu empenho aguerrido e obstinado a favor da liberalização do aborto, nos dois referendos sobre o mesmo, demonstrando assim estar ao lado do futuro. Como se não bastara a eficaz necrófila Maria de Belém exclamou que ela, Assunção, fora a primeira escolha do seu tétrico partido. Soube-se também, pela comunicação social, que o cds, o tal partido que se proclama pró vida, deu indicação de voto aos seus deputados para a elegerem e que o funesto presidente da república logo lhe telefonou a felicitá-la - só falta, mas não deverá tardar, a costumeira lisonja pública de alguns Bispos a personagens da mesma espécie. A própria dedicou (?) aquele momento de alegria “às mulheres políticas que (supõe-se, como ela) trazem para o espaço público o valor da entrega e a matriz do amor e “sobretudo às mulheres anónimas e oprimidas”. Como uma ungida compromete-se a “dignificar” o cargo “com sentido de missão” e a dedicar cada dia “à redenção histórica da … circunstância” das “mulheres” e tudo isto com uma “alegria cristã” pois a “política é … o exercício de virtude” (os itálico são meus). O Anticristo não se expressaria melhor.

Tudo isto se poderia, a meu parecer, sintetizar no grito repugnante de “viva o aborto!”.

Escrevi, numa pressa de emergência, há tempos uma ladainha pedindo a Deus que nos livrasse dos políticos católicos. Muitos acharam que eu estava a brincar e outros acusaram-me, inclusive, de blasfémia sacrílega. É verdade que nunca pedi a aprovação eclesiástica para a mesma. Por isso, não a mandei imprimir mas limitei-me a partilhá-la com os amigos habituais. Porém, devo confessar que, na minha opinião, essa oração é mais urgente que nunca. Mas eu não passo de um bisbórrias.







terça-feira, 21 de junho de 2011

A ideologia de género
é uma "apresentação sinistra"
da sexualidade humana

O Arcebispo de Paris e Presidente da Conferência Episcopal Francesa (CEF), Cardeal André Vingt-Trois, advertiu que a chamada "ideologia do género", que está na moda em alguns meios, mesmo católicos, é uma representação "escura e sinistra" da sexualidade humana.

Numa entrevista concedida à Rádio católica Notre Dame, o Cardeal comentou que a inclusão da ideologia do género nos manuais de assuntos sociais de todas as aulas de première (que corresponde ao penúltimo ano do segundo grau onde a idade média é de 16 anos) obrigatórias a partir do ano escolar 2011-2012.
Esta ideologia, explicou o Cardeal, não tem nenhuma valorização do aspecto afectivo da sexualidade humana. Ao contrário, "aborda a experiência humana neste campo de maneira puramente mecânica, com a premissa de que a orientação sexual é uma construção puramente cultural".

O jornal vaticano L'Osservatore Romano (LOR), que recolhe na sua edição da terça-feira 21 de Junho as declarações do Cardeal, explica que a ideologia do género nasceu nos Estados Unidos há 30 anos, desenvolveu-se logo na Europa seguindo "linhas particulares do primeiro feminismo e logo do pensamento homossexual".

Esta ideologia, segundo o LOR, "pretende afirmar que no mundo moderno a diferença entre homem e mulher é um facto social (uma 'construção') em vez de algo biológico. Dessa forma a orientação sexual e com isso a identidade do género e o papel do género – contaria mais do que o sexo biológico".

O Arcebispo de Paris disse também que com a ideologia do género incluída na educação dos jovens franceses se propõe "uma sexualidade que se reduz às relações sexuais, sem considerar como estas estão articuladas no desenvolvimento de uma pessoa".

As autoridades procuram uma educação sexual centrada exclusivamente nas doenças sexualmente transmissíveis, em dar conselhos sobre como evitá-las, na interrupção da gravidez (aborto), que representa a 'chave mestra" do programa.

Este é um dos aspectos mais "tristes" dos manuais, continuou, porque "quando os educadores não conseguem gerar uma verdadeira introdução à vida afectiva, são reduzidos a fazer dela um tema de ciências naturais".

O Cardeal sublinhou finalmente a importância de ajudar os jovens a compreender que a sua sexualidade e energia afectiva não constituem simplesmente um fenómeno hormonal mas é algo constitutivo da pessoa que deve crescer harmoniosamente "e sempre ao interior de uma autêntica relação humana".


domingo, 19 de junho de 2011

Leigos católicos devem participar
na política sem sucumbir à sede de poder
--- afirmou o Papa

O Papa Bento XVI assinalou que os leigos católicos devem participar pessoalmente na vida pública e política para oferecer a sua contribuição à sociedade sem “sede de poder”.

O Santo Padre disse também aos bispos: “não hesitem estimular os fiéis leigos a vencerem todo o espírito de isolamento, afastamento e indiferença e a participar pessoalmente na vida pública”.

Aos prelados, o Papa incitou-os a animar as iniciativas de formação para que quem é chamado à responsabilidade política e administrativa “não seja vítima da tentação de explorar a própria posição para interesses pessoais ou sede de poder”.



Invocar João Paulo II é efectivo
contra o diabo
--- diz famoso exorcista

O P. Gabriele Amorth, sacerdote exorcista da diocese de Roma e um dos mais conhecidos na matéria, assinalou à agência ACI Prensa que o agora Beato Papa João Paulo II se converteu, nos últimos anos, num poderoso intercessor na luta contra o demónio.

O P. Amorth tem 86 anos de idade e 70 mil exorcismos na sua experiência. O que disse em primeiro lugar na entrevista é que “o mundo deve saber que Satanás existe”.

No seu pequeno e singelo gabinete na zona sudeste de Roma, onde realizou milhares de exorcismos, o sacerdote contou que às vezes invoca a ajuda de Santos, homens e mulheres, entre os quais destaca João Paulo II, beatificado pelo Papa Bento XVI.

Durante os exorcismos, contou o sacerdote: “perguntei ao demónio mais de uma vez: ‘Porque João Paulo II te faz tanto medo?’ E tive duas respostas distintas, ambas interessantes”.

“A primeira foi: ‘porque ele desarmou os meus planos’. E acredito que com isso se refere à queda do comunismo na Rússia e na Europa do Leste. O colapso do comunismo”.

“Outra resposta que o demónio me deu foi ‘porque tirou das minhas mãos muitos jovens’. Há muitos jovens que, graças a João Paulo II, se converteram. Talvez alguns já fossem cristãos mas não praticantes, e com João Paulo II voltaram à prática”.

Ao ser perguntado sobre o intercessor mais efectivo de todos, o P. Amorth respondeu à ACI Prensa sem duvidar: “É óbvio que a Virgem é a mais efectiva. E quando é invocada como Maria!”

“Uma vez perguntei a Satanás: ‘Mas porque te assusta mais quando invoco Nossa Senhora que quando invoco Jesus Cristo?’ Respondeu ‘Porque me humilha mais ser derrotado por uma criatura humana do que ser derrotado por Ele”.

O sacerdote disse também que é importante a intercessão dos que ainda vivem através da oração. Os cristãos podem rezar pela liberação de uma alma, um dos três elementos que ajudam neste processo, aos quais se somam a fé e o jejum.

“O Senhor deu (aos Apóstolos) uma resposta que também é muito importante para nós, os exorcistas. Disse que para vencer o demónio se necessita de muita fé, muita oração e muito jejum: Fé, oração e jejum”.

O sacerdote, membro da Sociedade de São Paulo, explicou que “o diabo e os demónios são muitos e têm dois poderes: os ordinários e os extraordinários”.

“O poder ordinário é a capacidade de tentar o homem para distanciá-lo de Deus e levá-lo ao inferno. Esta acção realiza-se contra todos os homens e as mulheres de todo lugar e religião”.

Sobre os poderes extraordinários, o P. Amorth indicou que estes se concentram numa pessoa específica e existem quatro tipos:

“A possessão demoníaca para a qual se requer um exorcismo, o vexame demoníaco, como o que sofreu em reiteradas ocasiões o Santo Padre Pio de Pietrelcina, que era golpeado fisicamente pelo demónio; as obsessões, que levam a pessoa ao desespero; e a infestação, quando o demónio ocupa um espaço, um animal ou inclusive um objecto”.

O sacerdote alertou que estes factos são pouco frequentes mas estão a aumentar. Também referiu a sua preocupação pela cada vez maior quantidade de jovens que são afectados por Satanás através das seitas, as sessões de espiritismo e as drogas.

Finalmente na entrevista o P. Amorth propôs um breve guia a ser tomado em conta na luta contra Satanás:

“As tentações do demónio são vencidas sobretudo evitando as ocasiões, porque o demónio procura sempre os nossos pontos mais fracos. E devemos fazê-lo com a oração. Nós, os cristãos, temos uma vantagem porque temos a Palavra de Deus.”

domingo, 12 de junho de 2011

Imagem Peregrina de Nossa Senhora
regressou de S. Tomé e Príncipe

Desde 29 de Abril, uma das imagens peregrinas de Nossa Senhora de Fátima esteve em S. Tomé e Príncipe, numa iniciativa promovida pelo bispo local, o português D. Manuel Santos, que respondeu desta forma aos anseios da população santomense. Hoje, 5 de Junho, a imagem foi entregue no Santuário de Fátima.

Presidiu à eucarística dominical internacional, às 11:00 no Recinto de Oração, o próprio D. Manuel Santos. Várias famílias santomenses a residir em Portugal participaram na celebração. A animação musical, além da presença habitual do Coro do Santuário, contou este domingo com os ritmos de S. Tomé e Príncipe, através da presença do grupo “A Voz da Esperança”, de Sacavém e constituído em especial por santomenses.

“Durante um mês e uma semana, a Virgem Maria semeou esperança, foi aclamada, ouviu as preces e os cantos dos seus filhos. Foi sem dúvida um momento de graça que, esperamos, dê fruto no coração de todos. Que a Mãe do Céu encha todos nós com as suas bênçãos”, recordou D. Manuel Santos na parte final da homilia.

A imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima percorreu as várias paróquias da Diocese de São Tomé e Príncipe. Um dos pontos alto da visita aconteceu a 8 de Maio, com a inauguração do Santuário de Nossa Senhora de Fátima Peregrina em Bate-Pá.

“De avião, de barco, de carro, transportada aos ombros… a Mãe do Céu fez-se peregrina pelos caminhos das ilhas verdes deste arquipélago do Golfo da Guiné”, recordou o prelado, que enumerou todas as paróquias de S. Tomé e Príncipe.

Em nome do povo de São Tomé e Príncipe e em seu nome pessoal, D. Manuel Santos agradeceu “a quantos tornaram possível este evento”.

“Obrigado sobretudo à Mãe do Céu por peregrinar connosco”, conclui. Após estas palavras ouviu-se no santuário uma salva de palmas.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não se deixem enganar por Passos Coelho

Gil Serras Pereira

Hoje assistimos, nesta abjecta campanha eleitoral, ao episódio mais demagógico que alguma vez se pudesse imaginar. O senhor Passos Coelho em entrevista à Rádio Renascença afirmou que a Lei do Aborto devia ser reavaliada e, eventualmente, dever-se-ia realizar um novo referendo sobre o assunto. Disse, e passo a citar, o seguinte:

“passados quatro anos sobre a entrada em vigor do último diploma sobre a interrupção voluntária da gravidez, é altura de ver o que correu bem e o que correu mal, com vista a eventuais alterações”

“Eu acho que precisamos fazer, tal como, de resto, estava previsto, uma avaliação dessa situação. Eu estive, há muitos anos, do lado daqueles que achavam que era preciso legalizar o aborto – não era liberalizar o aborto, era legalizar a interrupção voluntária da gravidez. Porque há condições excepcionais que devem ser tidas em conta e não devemos empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino. Mas não fui favorável a esta última alteração, na medida em que me pareceu que o Estado tinha obrigações que não cumpriu”

Ora estas afirmações feitas numa rádio de inspiração católica cheiram-me a esturro.

Talvez as pudesse entender se ele tivesse explicado o que é que vai avaliar na actual Lei! O que é que pode correr bem ou mal numa Lei que permite que se matem crianças no ventre das mães? Está preocupado, exactamente, com o quê? com a saúde das mães ou com a Vida das crianças?


Qual é a diferença fundamental que o senhor vê entre legalizar ou liberalizar o aborto? Quer-me parecer que este senhor acha que só se podem matar crianças em situações excepcionais! o que me deixa muito mais sossegado... deve ser porque há crianças que merecem mais do que outras!

Ironia à parte, ao que parece este assunto é importante para o senhor Passos Coelho, como deveria ser para todos. No entanto, nada consta no programa eleitoral do PSD. Só é abordado, de forma hipócrita, numa rádio de inspiração Católica para agradar a uma audiência específica, supostamente mais à “direita” e mais “conservadora”. Ou seja é a forma mais demagógica de enganar as pessoas na busca de mais uns votos.

Eu, espero sinceramente, que a audiência da RR e o eleitorado que defende a Vida não vá neste tipo de demagogia bacoca. Estas pessoas não são parvas!

Já lhe tínhamos conhecido outras artimanhas quando, por exemplo, na apresentação de um novo livro de Santana Castilho, depois de ouvir criticas ao seu programa eleitoral, afirmou que iria alterar as suas posições.

Que confiança nos merece uma pessoa assim, com este carácter mole e gelatinoso?

Queremos mudar de primeiro ministro para um outro com o mesmo tipo de atitudes?

Não se deixem enganar, mais uma vez, por um outro tipo “igual” ao anterior...

 
 
 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A moral viscosa de Passos Coelho

Bernardo Motta, Espectadores

É de se pasmar...

Passos Coelho, aquando da promulgação da Lei do Aborto, manifestou publicamente o seu apoio à dita. Agora, em entrevista dada recentemente à Rádio Renascença, mostra uma posição mais ambígua...


«O presidente do PSD recorda que esteve “há muitos anos do lado daqueles que achavam que era preciso legalizar o aborto - não era liberalizar o aborto, era legalizar a interrupção voluntária da gravidez -, porque há condições excepcionais que devem ser tidas em conta” e não se deve “empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino”.»

Está à vista a estratégia: Passos Coelho quer puxar para o PSD alguns votos do CDS. Mas os eleitores dotados de valores morais que estejam indecisos entre PSD e CDS não se podem deixar enganar. Passos Coelho, procurando passar a imagem de preocupação pela manifesta generalização ("liberalização") do aborto, pelos vistos insiste na sua legalização. Ou seja, insiste na ideia insana de quem um crime pode ser legal. Já para não falar nas famigeradas "condições excepcionais", pois se matar um ser humano inocente é um acto claramente imoral, não se vê onde estão as ditas condições de excepção, ou seja, não se entende quais são as circunstâncias que tornam legítimo matar um ser humano inocente.

Os eleitores não se podem deixar enganar. A moral de Passos Coelho é a mesma de José Sócrates. São políticos profissionais, relativistas, que consideram que a moral se define por consensos alargados e por referendos. Refugiam-se em chavões ambíguos, procuram ao mesmo tempo parecer modernos e responsáveis, e acabam por não ser nem uma coisa nem outra.

E, finalmente, fazem-nos de parvos. Ao que parece, segundo Passos Coelho, algumas mulheres, antes da famigerada lei de 11 de Fevereiro de 2007, eram "empurradas" para o aborto clandestino. Ou seja, não viam outra alternativa para as suas gravidezes senão a de as destruir, matando os seus filhos. E o Estado, que deve fazer, segundo Passos Coelho? Ora é claro: ajudá-las a matar os seus filhos. Isso sim, é serviço público. Não um aborto clandestino, um aborto sem o preenchimento do formulário DS-1845, um aborto sem a assinatura de uma junta médica, sem o carimbo da clínica da Yolanda. Um aborto decente tem todas essas formalidades e mais algumas. Isso é que é um aborto decente.

Assim, que deve o Estado fazer às mulheres que se sentem "empurradas" para o aborto? Ora, deve "empurrá-las" para o aborto legal! Está fora de questão prestar apoio à gravidez e à maternidade! Está fora de questão ajudá-las em questões jurídicas (quando são ameçadas por namorados, familiares ou patrões), ou dar-lhes fraldas e papa para o bebé. Isso não é moderno. Essas tarefas de apoio à maternidade ficam para aqueles grupos de extremistas católicos, para os "talibans da vida".

O Estado presta um nobre serviço: o aborto legal! A destruição legal de seres humanos inocentes, em ambiente hospitalar controlado, e tudo pago pelos contribuintes. Isso é que é modernidade! Mas Passos Coelho, o pós-moderno, para além de querer esse aborto moderno, quer regulamentá-lo mais um bocadinho. Torná-lo um bocadinho menos chocante para os eleitores mais sensíveis, talvez trocando alguns abortos à oitava semana com Mifepristone (RU-485) por abortos à primeira ou segunda semana com Levonorgestrel (vulgo, "pílula do dia seguinte")... Mas sobretudo, o que Passos Coelho quis, com esta entrevista calculista na Rádio Renascença, foi enganar uns quantos potenciais eleitores do CDS, levando-os a votar, de forma incauta, no PSD. Apesar de as sondagens o sugerirem, nem todos os eleitores são parvos.

 
 
 
 


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Jim Caviezel considera que interpretar Jesus
na «Paixão de Cristo» destruiu
a sua carreira cinematográfica

Desde que interpretou Jesus na «Paixão de Cristo» em 2004, as ofertas de trabalho em Hollywood acabaram para Jim Caviezel, de 42 anos de idade.
Mel Gilbson já o tinha avisado: «Tu nunca mais voltarás a trabalhar nesta cidade (Hollywood)». Ao que Jim Caviezel respondeu: «Todos temos de carregar a nossa cruz».

O escândalo da cruz

Gonçalo Portocarrero de Almada

Colin Atkinson está a passar as passas do Algarve em terras da sua graciosa majestade britânica. Com efeito, foi-lhe instaurado um processo disciplinar pela Wakefield and District Housing, de que é, desde 2006, funcionário. O motivo é insólito, porque este electricista não falta ao trabalho, não é incompetente, não desrespeita os patrões, não implica com os colegas, não é indelicado com os clientes. O crime de Atkinson é ser cristão e ter o atrevimento de usar uma singela cruz no parabrisas do carro de serviço. Se fosse uma figa, uma ferradura ou um peluche, ninguém se incomodaria, mas uma cruz é, pelos vistos, intolerável e, por isso, Colin Atkinson corre sérios riscos de ser posto na rua, mas desta vez sem a viatura.

É da praxe, em certos veículos pesados, a exibição de «posters» de muito mau gosto, mas ninguém fica perturbado pelo facto, nem é razão para uma sanção laboral. Que uma pessoa ande escandalosamente trajada na via pública – seja uma mulher de barriga ao léu, ou um rapaz de cuecas à mostra – não é tido por indecente. Mas se um crente usar um discreto símbolo religioso, é logo acusado de agredir o próximo, nomeadamente quantos não professam a sua religião. Para a responsável Jayne O’Connell, a pequena cruz que Colin Atkinson usa no seu carro poderia ofender as pessoas e é política da Wakefield and District Housing «ser respeitosos com todas as confissões e pontos de vista». Menos o cristão, claro.

Diga-se de passagem que tem o seu quê de absurdo este dogma laicista. Porque carga de água uma cruz há-de ser insultuosa para os não cristãos, se nenhum cristão se sente ultrajado por um crescente, ou por uma estrela de David? E porque não entender que um amuleto é também ofensivo, não apenas para a fé, mas também para a razão? E as orquestras, não serão acintosas para os surdos? E os museus, não são também, vistos por esse prisma, desrespeitosos para com os invisuais? Será que as fotografias dos familiares do anfitrião são indelicadas para os seus convidados, só porque não são os parentes deles? Ou seria desejável que o dono da casa retirasse todos os retratos de família, cada vez que recebe alguém?

No Restelo, há uma escultura de Mohandas K. Gandhi, por onde passo com frequência e confesso que nunca me senti ofendido por aquela estátua. Agrada-me esta merecida homenagem ao insigne apóstolo da paz, embora não siga a sua espiritualidade, não partilhe a sua opção vegetariana, nem concorde com algumas das suas atitudes morais. Não creio que a ninguém lhe cause incómodo a efígie do Mahatma na via pública, a não ser que a singeleza do seu trajar provoque, em pleno inverno, alguns arrepios aos transeuntes mais friorentos. Mas isso não quer dizer que a sua imagem seja agressiva para os amantes de mais tépidas temperaturas, como também o facto de não ser cristão o não faz insolente para quantos o somos, graças a Deus.

A ideia de que qualquer opção cultural, religiosa ou não, que não seja politicamente correcta, deve ser ocultada e suprimida é, na sua essência, totalitária. A proibição de manifestações externas de culto, mais do que um ataque às religiões, é um atentado à liberdade. Não é por acaso que os inimigos da liberdade o são também da presença pública de símbolos religiosos. Por isso, Estaline arrasou inúmeras igrejas e Salazar não permitiu que a sinagoga de Lisboa fosse visível da via pública.

Há menos de um século, um tresloucado líder político europeu propôs-se erradicar da face da terra a raça judaica. Chamava-se Hitler, Adolf Hitler. Temo que os modernos inimigos do divino crucificado, também ele judeu, sejam uma nova modalidade do mesmo ódio. Depois de proibirem todas as manifestações públicas da fé cristã, é provável que se proponham também exterminar o povo que tem, por seu Senhor e Mestre, a Jesus de Nazaré e, por bandeira, a sua santa cruz.

Capelinha de Fátima no Rio de Janeiro
é inaugurada a 28 de Maio

A 28 de Maio é inaugurado no Brasil mais um espaço ligado à devoção a Nossa Senhora de Fátima: uma réplica da Capelinha das Aparições foi construída no Rio de Janeiro. Esta será um grande foco de difusão de Nossa Senhora de Fátima.

A inauguração deste novo espaço de devoção está marcada para o dia 28 de Maio. Será presidida pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, D. Orani João Tempesta. De Portugal deslocar-se-á ao Brasil o Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, e o Reitor do Santuário de Fátima, D. Virgílio Antunes.

A iniciativa desta construção é dos fundadores da associação "Tarde com Maria". A ideia surgiu, recorda Berthaldo Soares, fundador e presidente da associação, por ocasião da peregrinação a Fátima de uma delegação de cinquenta pessoas ligadas à "Tarde com Maria", a 20 de Maio de 2006, nos vinte anos da associação.

O auxílio da prefeitura local foi o primeiro grande impulso, com a oferta de um terreno de 14 000 metros quadrados, na zona sul do Rio de Janeiro. Um grupo crescente de beneméritos manifestou também o seu apoio à iniciativa. A obra levaria apenas dois anos a erguer-se.

Arcebispo do Rio de Janeiro
destaca importância
da mensagem de Fátima

“A Mensagem de Fátima é urgente”

A 14 de Maio, em mensagem divulgada na página oficial da Arquidiocese de S. Sebastião do Rio de Janeiro, D. Orani João Tempesta recordou as aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, em Portugal, e destacou a actualidade da Mensagem de Fátima.

“Neste momento histórico em que constatamos que a intolerância contra os cristãos acontece pelo mundo afora e, ao mesmo tempo, nesta mudança de época, quando decisões que deveriam ser debatidas pelo Congresso Nacional são impostas ao povo sem essa salutar discussão, num tempo em que tantos e tantas se lançam contra as pessoas de fé como se eles fossem cidadãos de segunda classe, sem alguns direitos que normalmente são concedidos a outros, será muito importante revisitarmos a mensagem de Fátima”.

sábado, 14 de maio de 2011

Catequese de Bento XVI sobre a oração

Caros irmãos e irmãs,

Hoje gostaria de continuar a reflexão sobre como a oração e o sentido religioso fazem parte do homem ao longo da sua história.

Nós vivemos numa época na qual são evidentes os sinais do secularismo. Deus parece ter desaparecido do horizonte de muitas pessoas ou tornou-se uma realidade indiferente. Vemos, porém, ao mesmo tempo, muitos sinais que nos indicam um despertar do sentimento religioso, uma redescoberta da importância de Deus na vida do homem, uma exigência espiritual que supera uma visão somente horizontal, materialista na vida humana.


Olhando para a história recente, vemos que a previsão do desaparecimento das religiões e da exaltação da razão absoluta separada da fé, da época do iluminismo, falhou; uma razão que dissiparia a escuridão do dogmatismo religioso e teria dissolvido o "mundo do sagrado," restituir ao homem a sua liberdade, a sua dignidade e a sua independência de Deus.

A experiência do século passado, com as duas trágicas Guerras Mundiais, colocou em crise aquele progresso da razão autónoma que o homem sem Deus parecia poder garantir.
O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Pela criação, Deus chama todo o ser do nada à existência... Mesmo depois de ter perdido, pelo seu pecado, a semelhança com Deus, o homem permanece um ser feito à imagem do seu Criador. Ele conserva o desejo d’Aquele que o chama à existência. Todas as religiões testemunham essa procura essencial dos homens” (n. 2566).

Podemos dizer – como mostrei na catequese passada – que não houve nenhuma grande civilização, dos tempos mais longínquos até os nossos dias, que não fosse religiosa.

O homem é por natureza religioso, é homo religiosus, como é homo sapiens e homo faber: “O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus” (n. 27).

A imagem do Criador está impressa no seu ser e ele sente necessidade de encontrar uma luz para dar resposta às perguntas que permanecem no sentido profundo da realidade; resposta que ele não pode encontrar em si mesmo, no progresso, na ciência empírica. O homo religiosus não emerge somente dos mundos antigos, ele atravessa toda a história da humanidade. Neste sentido, o rico terreno da experiência humana viu surgir várias formas de religiosidade, na tentativa de responder ao desejo da plenitude e da felicidade, a necessidade de salvação, a busca de sentido.

O homem “digital”, como o das cavernas, busca na experiência religiosa as vias para superar os seus limites e para assegurar a sua precária aventura terrena. De resto, a vida sem um horizonte transcendente não teria sentido completo. E a felicidade, que todos buscamos, é projectada espontaneamente para o futuro, num amanhã ainda a cumprir-se.

O Concílio Vaticano II, na Declaração Nostra Aetate [A nossa época], sublinhou sinteticamente: “Os homens esperam das diversas religiões a resposta aos enigmas da condição humana, os quais, hoje como ontem, profundamente preocupam os seus corações: a natureza do homem (quem sou eu?), o sentido e a finalidade da vida, o bem e o pecado, a origem da dor, o caminho para alcançar a felicidade verdadeira, a morte, o juízo e a retribuição depois da morte, e finalmente, que mistério último e inefável envolve a nossa existência, do qual vimos e para onde vamos” (n. 1).

O homem sabe que não pode responder sozinho às próprias necessidades fundamentais de compreender. Enquanto está iludido e se iluda acreditando ser auto-suficiente, ele faz a experiência de não bastar a si mesmo. Tem necessidade de abrir-se a algo, a qualquer coisa ou a alguém que possa doar-lhe aquilo que lhe falta, deve sair de si mesmo para ir para Aquele que seja capaz de preencher a amplitude e a profundidade de seu desejo.

O homem tem em si uma sede de infinito, uma nostalgia da eternidade, uma busca pela beleza, um desejo pelo amor, uma necessidade de luz e de verdade, que o impulsiona para o Absoluto; o homem tem em si o desejo de Deus. O homem sabe que, de qualquer modo, pode voltar-se para Deus, sabe que pode rezar a Ele.

São Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos da história, define a oração como “expressão do desejo que o homem tem de Deus”. Esta atracção por Deus, que o próprio Deus colocou no homem, é a alma da oração que depois se reveste de muitas formas e modalidades segundo a história, o tempo, o momento, a graça e a influência do pecado de cada um que ora.

A história do homem conheceu, de facto, várias formas de oração, porque o homem desenvolveu várias modalidades para se abrir ao Outro e ao Além, tanto que podemos reconhecer a oração como uma experiência presente em cada religião e cultura.

De facto, caros irmãos e irmãs, como vimos na quarta-feira passada, a oração não está ligada a um contexto particular, mas encontra-se inscrita no coração de cada pessoa e de cada civilização. Naturalmente, quando falamos da oração como experiência do homem como tal, do homo orans, é necessário ter presente que essa é uma atitude interior, antes de uma séria de práticas e fórmulas, um modo de estar diante de Deus antes do cumprimento de actos de culto ou a pronúncia de palavras.

A oração tem no seu centro e aprofunda as suas raízes no íntimo da pessoa; por isso não é facilmente decifrável e, por este mesmo motivo, pode ser sujeita a mal-entendidos e a mistificações. Também nesse sentido podemos entender a expressão “rezar é difícil”. De facto, a oração é um lugar para a excelência da gratidão, da atenção para o Invisível, Inesperado e Inefável. Por isso, a experiência da oração é para todos um desafio, uma “graça” de invocar, um dom d’Aquele para o qual nos voltamos.

Na oração, em cada época da história, o homem coloca-se a si mesmo e a sua situação perante Deus, a partir de Deus, e em relação a Deus, e experimenta ser uma criatura necessitada de ajuda, incapaz de procurar em si o sentido da própria existência e da própria esperança.

O filósofo Ludwig Wittgenstein recorda que “rezar significa sentir que o sentido do mundo está fora do mundo”. Na dinâmica deste relacionamento com quem dá sentido à existência, com Deus, a oração tem uma das suas típicas expressões no gesto de colocar-se de joelhos. É um gesto que tem em si uma radical ambivalência: na verdade, eu posso ser forçado a ajoelhar-me – uma condição de pobreza e escravidão – mas eu posso descer espontaneamente, declara o meu limite e, portanto, a minha necessidade de um Outro.

A Ele declaro ser fraco, necessitado, “pecador”. Na experiência da oração, a criatura humana exprime toda a consciência de si, tudo aquilo que possa acolher a própria existência e, contemporaneamente, envolver-se a si próprio com Aquele perante quem se está, orienta a própria alma para aquele Mistério do qual se espera o cumprimento dos desejos mais profundos e a ajuda para superar a pobreza da própria vida. Neste olhar a um Outro, neste dirigir-se, está a essência da oração, como experiência de uma realidade que supera o sensível e o contingente.

Toda via, apenas em Deus que se revela é possível encontrar o pleno cumprimento da busca do homem. A oração, que é a abertura e a elevação do coração a Deus, torna-se, assim, o relacionamento pessoal com Ele. E também se o homem esquece o seu Criador, o Deus vivo e verdadeiro não se cansa de chamar o homem ao misterioso encontro da oração.

Como afirma o Catecismo, “Essa atitude de amor fiel vem sempre em primeiro lugar na oração; a atitude do homem é sempre resposta a esse amor fiel. Na medida em que Deus se revela e revela o homem a si próprio, a oração aparece como um recíproco apelo, um drama de Aliança. Por meio das palavras e dos actos, esse drama envolve o coração e revela através de toda a história da salvação” (n. 2567).

Caros irmãos e irmãs, aprendamos a permanecer mais diante de Deus, aquele Deus que se revelou em Jesus Cristo, aprendamos a reconhecer no silêncio, no íntimo de nós próprios, a sua voz que nos chama e nos reconduz à profundidade da nossa existência, à fonte da vida, à fonte de salvação, para fazer-nos andar ao limite da nossa vida e abrir-nos à medida de Deus, ao relacionamento com Ele, que é Amor Infinito.

Obrigado.
                                     


quinta-feira, 12 de maio de 2011

Olivença
-----------------
«Além Guadiana» apresentad​o em Lisboa

No dia 12 de Maio, pelas 11:00 horas, a associação cultural oliventina "Além Guadiana" apresentar-se-á pela primeira vez em Lisboa.

"Além Guadiana, três anos a promover a cultura portuguesa em Olivença" é a síntese de um movimento cultural nascido na primavera de 2008 com o compromisso de contribuir a recuperar, preservar e valorizar a herança linguística, monumental e etnográfica de raiz portuguesa em Olivença, bem como fomentar a aproximação cultural da Lusofonia. O acto, aberto a todos os interessados, celebrar-se-á na Casa do Alentejo (Portas de Santo Antão, 58) de Lisboa.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mais filmes para os finlandeses verem...
---------------------------------------------
«FÁTIMA NO MUNDO»

O cariz universal da mensagem
e a devoção a Nossa Senhora de Fátima

No arquivo do Santuário de Fátima há correspondência com uma paróquia dedicada a Nossa Senhora de Fátima, perto do Pequim. Uma imagem de Nossa Senhora de Fátima encontra-se no pico do Evarest. Em Sidney, Austrália, existe um belo Santuário dedicado a Nossa Senhora de Fátima. Na fronteira entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, todos os anos, há uma peregrinação com a imagem de Nossa Senhora de Fátima que culmina com uma missa e que já juntou cerca de 100 mil pessoas. São cerca de 10 000 as manifestações dedicadas a Fátima por esse Mundo fora, que vão desde Santuários, cerca de 300, paróquias, igrejas, empresas, escolas, universidades, hospitais, etc… David Carollo, americano e membro do Apostolado Mundial de Fátima diz que o mistério das Aparições de Nossa Senhora em Fátima ultrapassa largamente a diáspora portuguesa. É este fenómeno da Universalidade de Fátima que se pretende dramatizar numa Série Documental de seis episódios, 50 minutos cada, a ser emitida na RTP.

Série Documental RTP 1 dividida em 6 episódios:
1.º – Fátima e a Europa: a História (11 de Maio de 2011)
2.º – Fátima e a Europa: Santuários, Procissões e Testemunhos.
3.º – Fátima e a América do Sul
4.º – Fátima e a América do Norte
5.º – Fátima e a África
6.º – Fátima e a Ásia e a Oceânia

Através de cada episódio seremos envolvidos com as mais fantásticas histórias de como nasceram estes santuários e locais de devoção que tem a sua presença em países como o Líbano e se espalham pelo mundo fora. Também seremos confrontados com testemunhos de peregrinos e devotos de Nossa Senhora de Fátima, das mais diversas origens, que nos vão tocar profundamente. A história deste fenómeno contado por quem o vive de forma simples e autêntica.

1 -- Fátima e a Europa a História

No 1.º episódio da série Fátima e o Mundo, narra-se com ritmo, drama, mistério e fascínio a impressionante ligação de Fátima aos grandes acontecimentos do Sec.XX como: A 2.ª Guerra Mundial; A Guerra-Fria, o atentado ao Papa João Paulo II, a que se segue a queda do Muro de Berlim.
O episódio Fátima e a Europa, a História, testemunha também o nascimento de muitos locais de devoção e Santuários dedicados a Nossa Senhora de Fátima em países em que a palavra de Deus era proibida.

Autoria: Manuel Arouca
RTP 1






terça-feira, 10 de maio de 2011

O ensinamento da Igreja
sobre a homossexualidade

O ensinamento católico em relação à homossexualidade está resumida em três artigos do Catecismo da Igreja Católica: 2357, 2358 e 2359.

Os homossexuais "devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta".

A homossexualidade, como tendência é "objectivamente desordenada", o que "constitui para a maioria deles uma autêntica prova".

Apoiado na Sagrada Escritura a Tradição declarou sempre que "os actos homossexuais são intrinsecamente desordenados", "não procedem de uma verdadeira complementaridade afectiva e sexual" e portanto " em nenhum caso podem receber aprovação".

"As pessoas homossexuais estão chamadas à castidade" e "mediante o apoio de uma amizade desinteressada, da oração e a graça sacramental, podem e devem aproximar-se gradual e resolutamente à perfeição cristã".

domingo, 8 de maio de 2011

O 13 e o Papa

[Clique na imagem para visualizar o diaporama]

Consagração de Portugal
ao Sagrado Coração de Jesus
e ao Imaculado Coração de Maria














Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, inteiramente confiados a Vós, oferecemo-Vos em oblação o nosso país e povo de Portugal, para que sobre eles reineis plenamente.

Oferecemo-nos em reparação de todas as ofensas a Deus cometidas em Portugal, recorrendo confiadamente aos Corações de Jesus e de Maria aos quais pedimos a graça de um espírito contrito e humilhado e o perdão por todos os que não crêem, não adoram, não esperam, nem Vos amam.

Do desprezo dos mandamentos de Deus, livrai-nos.
Da perda da consciência do bem e do mal, livrai-nos.
Dos pecados contra a vida humana desde os seus primeiros até aos seus últimos momentos, livrai-nos.
Dos pecados contra o matrimónio e a família, livrai-nos.
Da perversão das crianças e dos jovens, livrai-nos.
Do intento de apagar nos corações a fé e a verdade mesma de Deus, livrai-nos.
Da mentira e do pecado contra o Espírito Santo, livrai-nos.
De toda a classe de injustiça na vida social, livrai-nos.
Do consumismo desenfreado e do esquecimento dos pobres, livrai-nos.
Do adormecimento dos cristãos, livrai-nos.

Acolhei, Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, a consagração que agora Vos fazemos, em nome de todos os baptizados e de todas as pessoas de boa vontade. Que se revele mais uma vez na história de Portugal o infinito poder da Redenção, a força do Amor Misericordioso. Que detenha o Mal! Que transforme as consciências e as acorde. Estamos totalmente seguros de Vós.

Oração da irmã Lúcia

Ó Maria concebida sem pecado, olhai para Portugal, rogai por Portugal, salvai Portugal. Quanto mais culpado ele é, mais necessidade tem da vossa intercessão. Uma palavra dita por vós a Jesus e Portugal será salvo. Ó Jesus, obediente a Maria, perdoai-nos, salvai Portugal. AVÉ MARIA.
Mãe de Misericórdia que sois alento dos fracos e saúde dos enfermos, curai Portugal de todos os males de que sofre, perdoai-nos, salvai Portugal. AVÉ MARIA.
Rainha dos portugueses e refúgio dos pecadores, não desprezeis as nossas preces, perdoai-nos, salvai Portugal. AVÉ MARIA.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós e pela nossa pátria, perdoai-nos e atendei-nos. SALVÉ RAINHA.