terça-feira, 22 de março de 2011

Um encontro de pouca Fé

( De O Inimputável)

No próximo dia 9 de Abril ocorrerá em Coimbra o XXVI Encontro Fé e Cultura. Deste encontro, organizado por um respeitável Centro Universitário da Igreja (CUMN), faz parte uma conferencia cujo subtítulo, “A freira, o homossexual e os recasados”, conduz a dois tipos de reacções entre os católicos: tristeza nos mais esclarecidos e confusão na mente dos mais vulneráveis.

Importa sublinhar que a Igreja não é uma democracia e a sua doutrina não se altera com base nas mudanças sociais. Actualmente, dentro da Igreja, instalou-se “a cultura da dúvida”, cuja agenda é gerida ao sabor da moda e do desejo de minorias. Mas, quando se pretende, com o desejo de não-discriminar, obrigar a Igreja a alterar a sua posição relativamente à homossexualidade e ao casamento indissolúvel entre homem e mulher, isso conduz à sua descaracterização; deixa de ser Igreja e passa a ser outra coisa qualquer, volátil e difusa.

Neste âmbito, convém recordar as palavras do Papa Bento XVI: “Manter o difícil como uma bitola que as pessoas possam sempre utilizar como referencia é uma tarefa necessária para não sucederem mais quedas”.

Afinal que Fé é esta quando o indivíduo se opõe a renunciar a si próprio?



sábado, 19 de março de 2011

Peregrinação a Vila Viçosa
comemorativa dos 365 anos
da coroação de Nossa Senhora
como Padroeira e Rainha de Portugal


Para informação sobre os autocarros de Fátima e do Norte, telefones: 965065920 e 911768705)
PEREGRINAÇÃO DE LISBOA


Dia 25 de Março (6.ª feira)
14:00H - Partida de Lisboa, em autocarro, com destino a Vila Viçosa.

16:30H - Participação nas Cerimónias do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição.

17:00H – Bênção do Santíssimo.

17:30H – Relançamento do Projecto Um Milhão de Terços Por Portugal (com recitação do Terço).

18:30H – Santa Missa seguida de Procissão das velas à volta das muralhas da Vila, com a imagem da Padroeira e com a Coroa.

No final da Procissão haverá jantar e dormida no Convento dos Agostinhos.


Dia 26 de Março (Sábado)
10:00H - Partida para Campo Maior.

11:30H – Missa no Convento das Religiosas Concepcionistas Franciscanas, filhas de Santa Beatriz da Silva.

Estando a decorrer o Ano Jubilar por ocasião dos 500 anos da Regra que rege a Ordem da Imaculada Conceição (Irmãs Concepcionistas) o Papa Bento XVI informou que será concedida indulgência plenária a todos os fiéis que, tendo observado as habituais condições visitarem em grupo, qualquer lugar sagrado da Ordem da Imaculada Conceição, e ali participarem de alguma celebração. Haverá confissões.
13:30H – Almoço livre.

16:30H – Partida para Lisboa.

Custo da Peregrinação: 20,00€ por pessoa. Inclui as viagens, alojamento e jantar de 6.ª feira (não se garante quarto individual). A refeição de Sábado é livre e não está incluída no preço.

Inscrições (mediante pagamento)

Data limite: 18 de Março

Contactos: Leonor Ribeiro e Castro (913 053 811) e Maria da Cunha Coutinho (910 895 983)
Unidos em oração, A equipa dos Terços por Portugal


quinta-feira, 17 de março de 2011

Encontro internacional
sobre a Mensagem de Fátima

O Apostolado Mundial de Fátima (A.M.F.) organiza, na sua sede internacional, no hotel Domus Pacis, em Fátima, de 24 a 30 de Março, um programa de estudo e reflexão sobre a Mensagem de Fátima. O encontro destina-se principalmente a membros provenientes dos Estados Unidos da América e estão inscritas cerca de 150 pessoas. O encontro reúne estudiosos da mensagem de Fátima bem como familiares e confidentes dos três pastorinhos, com o objectivo de transmitir a essência da mensagem de Fátima e a forma como esta constitui uma resposta aos problemas que o mundo atravessa.

Entre muitos outros, participarão neste congresso o Bispo da diocese de Leiria-Fátima, D. António Marto; D. Serafim Silva, Bispo Emérito da diocese; o P. Virgílio Antunes, Reitor do Santuário de Fátima; Mons. Luciano Guerra, antigo Reitor, e a Irmã Ângela Coelho, Vice Postuladora para a Canonização dos Beatos Francisco e Jacinta Marto.

O programa, que se encontra em inglês no sítio www.worldfatima.com, está elaborado de forma a proporcionar aos participantes uma experiência memorável em Fátima. Serão feitas visitas aos lugares das aparições acompanhadas de conferências, momentos de oração no Santuário de Fátima, visionamento de filmes e documentários seguidos de discussão e ainda formação sobre como difundir a mensagem de Fátima.

O Apostolado Mundial de Fátima é uma associação internacional de fiéis reconhecida pelo Vaticano cuja missão principal é a nova evangelização através da vivência e difusão da mensagem de Fátima.

Nuno Prazeres - Director do Secretariado Internacional do A.M.F.











quarta-feira, 16 de março de 2011

Sarkozy: A França deve compartilhar
a magnífica herança cristã

O Presidente da França, Nicolas Sarkozy, assinalou que a França tem o dever de compartilhar com todos, "sem complexos nem falso pudor" a "magnífica herança cristã" que se manifesta na civilização, na história e na cultura do país.

Em seu discurso na quinta-feira 2 de Março em Le-Puy-en Velay, na localidade de Haute-Loire no centro da França, uma das etapas francesas onde se origina a peregrinação para o Caminho de Santiago de Compostela (Espanha), o mandatário visitou a Catedral, o baptistério e algumas instalações próximas no marco do projecto de reconstrução do património nacional francês, que já foi iniciado.

Depois da visita e em seu discurso de meia hora, o mandatário falou primeiro sobre a alegria que experimentava ante a "majestade sorridente" e a beleza dos lugares no caminho para Puy-en Valey, marcados pela herança cristã de séculos de história aonde também se aprecia "um formidável caminho espiritual para o Céu".

Para Sarkozy, cada uma das cidades da França "não seria hoje o que são aos olhos dos franceses e aos olhos do resto do mundo sem suas catedrais ao redor das quais convergem sempre fiéis e turistas".

"Esta herança nos obriga. Esta herança é uma oportunidade, mas acima de tudo um dever. Estamos obrigados por esta herança. Obriga-nos porque não somente devemos transmiti-la às gerações que nos sucederão mas devemos assumir esta herança sem complexos e sem falso pudor".

Ao falar do dever de proteger o património nacional, o presidente Sarkozy disse que esta tarefa procura "defender os sinais tangíveis de nossa identidade" já que em um país que carece dela "tampouco há diversidade".

Proteger o património, disse logo, "é resistir, queridos compatriotas, à ditadura do presente, à ditadura do imediato e, diria, à ditadura do intercambiável onde tudo vale o mesmo e nada é mais valioso".

"A partir deste ano terão início outros projectos, como o da abadia de Clairvaux (Claraval), outro lugar excepcional e testemunho vivo da contribuição da Cristandade à nossa civilização. Ao dizer isto não faço mais que recordar uma evidência: o aporte da cristandade à nossa civilização".

Sarkozy assinalou logo que embora ninguém seja prisioneiro da história, "sempre é perigoso amputar a memória".

"Se renunciarmos a transmitir a herança, se existir a tentação de não transmitir nada, não nos lamentemos pelos resultados, mas se a ambição é transmitir muito, o resultado nos surpreenderá".

O presidente da França ressaltou logo que "a Cristandade nos deixou uma magnífica herança de civilização e de cultura: os presidentes de uma república laica. Posso dizer isto, porque é a verdade. Não faço proselitismo, mas simplesmente observo a história do nosso país".

Logo depois de recordar que em Puy-en Velay, cidade que guarda imagens da Virgem Maria e São José, o presidente Sarkozy disse que "vim aqui para dizer que a França tem um patrimônio que deve preservar e compartilhar. Vim para dizer que a França tem uma identidade da qual deve estar orgulhosa".

"Aqui em Puy-en Velay -concluiu- um pouco mais que em outros lugares, é evidente que a França também tem uma alma".

Para ler o discurso completo em francês visite: http://www.elysee.fr/president/les-actualites/discours/2011/discours-du-president-da-republique-au.10788.html

 

sábado, 12 de março de 2011

Mestre, que eu veja!

«Mestre, que eu veja!»

Grito eu,
atirando fora a capa!

Aquela capa,
que cobre as minhas fraquezas,
que esconde o meu pecado,
revestida de incertezas,
pregueada de mentiras,
que faz trevas no meu ser,
que faz do meu viver,
um caminho desolado.

E dou um salto,
para fora da escuridão!

Um salto de confiança,
sem temer para onde vou,
porque cheio de esperança,
Naquele que me chamou.

«Mestre, que eu veja!»

«Vai, a tua fé te salvou!»


Monte Real, 3 de Março de 2011
Joaquim Mexia Alves


De http://apenasoracao.blogspot.com/

Convocação Internacional
pelos Direitos e pela Dignidade
da Pessoa Humana e da Família


中文    Češtině   Deutsch   English   Español   Estonian   Français   Italiano   Lietuviškai   Magyar   Nederlands   Pусский   Polski   Português   Românâ   Slovenščina   Suomi Svenska   Українська

 

Para assinar, clique aqui:


Centenário das aparições de Fátima

A 31 de Março, o Santuário evoca a primeira aparição do Anjo

Porque neste ano pastoral de 2010-2011 se pretende de forma especial fazer memória das aparições do Anjo em Fátima, em 1916, o Santuário de Fátima está a organizar, para o dia 31 de Março, a evocação da primeira aparição deste mensageiro de Deus, que veio preparar os corações dos três pequenos videntes para as aparições de Nossa Senhora.

Com base as memórias da Irmã Lúcia, verifica-se que não é conhecida a data exacta desta aparição do Anjo da Paz, assim como a data das seguintes aparições.

Apenas é conhecido que a primeira aparição aconteceu na Primavera, a segunda no Verão e a terceira no Outono.

Assim, este ano, nos primeiros dias de Primavera, a data escolhida para a evocação da primeira aparição foi o último dia de Março.

O programa, um convite à participação de todos, inicia com a concentração na Capelinha das Aparições, às 21:30, seguindo-se uma caminhada até à Loca do Cabeço, lugar da aparição, com a recitação do rosário pelo caminho. O programa termina com a evocação da aparição, no respectivo local.

Voz da Fátima, 13 de Março de 2011

Templo histórico em Espanha profanado
com rito satânico

O Bispado de Almeria (Espanha) iniciou os trabalhos de reabilitação da antiga igreja de Las Salinas de Cabo de Gata, profanada durante o último fim de semana com grafitis simulam um rito satânico.

O templo, construído 1907, permanecia fechado ao culto desde ano 2004 pelo risco de desmoronamentos. O acto de vandalismo ocorreu depois da vitória da diocese em um longo litígio judicial com uma empresa privada que tentou convertê-lo em discoteca e centro turístico enquanto se esperava a permissão oficial das autoridades de Andaluzia para iniciar a reabilitação da igreja como lugar de culto, entretanto concedida.

Na segunda-feira 7 de Março, o interior do templo amanheceu cheio de figuras e grafitis esotéricos satânicos.






A nova «democracia» no Egipto:
Situação tensa e confusa
entre cristãos coptas e muçulmanos

O director das Pontifícias Obras Missionárias (POM) do Egipto, Frei Nabil Fayez Antoun, disse que a situação que segue os enfrentamentos entre cristãos coptas e muçulmanos "é tensa e confusa", entretanto, expressou seu desejo de que "a razão prevaleça sobre a violência".

Na noite de 8 a 9 de Março, no bairro de Mokattan (Cairo), houve um confronto entre cristãos coptas e muçulmanos que provocou treze mortos e mais de cem feridos, que ocorreu no do protesto dos coptas pelo incêndio no dia 4 de Março da igreja de Atfih, na região de Helwan, ao sul do Cairo.

Este incêndio ocorreu pela disputa de duas famílias que se opõem à relação entre um jovem cristão e uma rapariga muçulmana.

Sobre o choque entre cristãos e muçulmanos, o religioso explicou esta quinta-feira à agência Fides que a revolução dos jovens -- que derrubou Hosni Mubarak --, libertou as forças que estão presentes na sociedade egípcia.

Entretanto, o frade indicou que esta revolução também pode abrir espaços para os cristãos. Ele afirma que se reuniu com jovens "e representantes de alguns partidos para discutir sobre como os cristãos podem também inserir-se na nova realidade, para dar sua contribuição ao bem comum".

sexta-feira, 11 de março de 2011

Geração à rasquinha

(de Logos)

Nem uma palavra…

Nuno Serras Pereira

Aníbal Cavaco Silva no seu longo discurso (copiei o texto do sítio da presidência -- http://www.presidencia.pt/?idc=655&idi=51497  -- e passei-o para o word, em letra Times New Roman 12 e deu 10 páginas) de tomada de posse, do seu segundo mandato como Presidente da República, hoje proferido, afirmou peremptoriamente: “Necessitamos de recentrar a nossa agenda de prioridades, colocando de novo as pessoas no fulcro das preocupações colectivas. … Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas. Os Portugueses não são uma estatística abstracta. … A pessoa humana tem de estar no centro da acção política.”. E, no entanto, ignorou por completo as pessoas nascentes liquidadas, aos magotes, nos laboratórios de procriação medicamente substituída (os médicos substituem os pais no acto de fecundação) ou dizimadas violenta e cruelmente no seio daquelas que as geraram, em hospitais, centros de saúde e clínicas privadas.

Estes milhares e milhares de crianças nascituras são pessoas concretas, não são uma estatística abstracta e precisam que recentremos a nossa agenda de prioridades, colocando-as no fulcro das preocupações colectivas.

Um texto que discorre exaustivamente sobre praticamente todos os graves problemas do País não tem uma única palavra sobre aquele, que de longe, é o maior de todos, a chacina sistemática, perpetrada com a cooperação activa do Estado, das pessoas mais vulneráveis e indefesas.

Para Cavaco Silva, pelos vistos, as crianças nascituras não são pessoas, como para Hitler os judeus também não o eram.

Infelizmente, assim se afigura, não poderemos esperar da sua parte, como alguns julgavam, uma reparação ou uma emenda de gravíssimos males de que foi cúmplice.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Uma Fé assim...

«Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!»

                                                  Mc 10, 47

«Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!»
Assim gritava o cego Bartimeu à beira da estrada,
ao saber que Jesus passava.

Até aquele dia, Bartimeu limitava-se a pedir esmola a quem passava.
Porém, a Jesus não pede esmola, mas a cura: «Mestre, que eu veja!»

Porquê então esta diferença no pedido?

A resposta é simples:
Bartimeu acreditava verdadeiramente que só Jesus podia
o que os outros não podiam: curá-lo.

Esta certeza inabalável, a que o próprio Jesus chama Fé
é o que faz a diferença.
É o que torna possível o impossível,
alcançável o inalcançável.

Não era a certeza numa ideologia, numa religião ou num código de conduta,
mas a Fé num Homem concreto que ele encontrou à beira da estrada.

É duma Fé assim que eu preciso, totalmente centrada em Cristo,
liberta das minhas muitas certezas e presunções
que mais não são do que as minhas cegueiras
as que me não deixam ver o que Deus pode fazer em mim,
se eu quiser, se eu deixar...

                                                            Rui Corrêa d’ Oliveira





sexta-feira, 4 de março de 2011

Tribunal inglês recusa adopção
a casal cristão

Numa sentença que poderia fixar precedentes legais na justiça britânica, em 28 de Fevereiro dois juízes de Nottingham resolveram que um casal de esposos cristãos não poderia adoptar uma criança por estes acharem que o estilo de vida homossexual é inaceitável.

Eunice e Owen Johns, de 62 e 65 anos de idade respectivamente, são cristãos da cidade de Derby e já cuidaram de 15 crianças como pais substitutos no passado. Eles não os adoptavam, mas criavam-nos temporariamente como se fossem filhos seus. Foram agora levados perante um tribunal por um assistente social por ambos condenarem o estilo de vida homossexual. "Os juízes sugerem que a nossa perspectiva pode prejudicar as crianças.“ A sentença também assinala que as autoridades podem exigir aos indivíduos uma "atitude positiva" para as inclinações e o estilo de vida homossexual.

A controvertida norma sobre a orientação sexual em Grã-Bretanha forçou o fecho das agências de adopção católicas, depois da comissão encarregada de velar por seu cumprimento ter estabelecido que estas instituições não podiam rejeitar casais homossexuais como futuros pais adoptivos.







segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Núncio Apostólico na Argentina:
Papa abandonado por Sacerdotes,
Religiosos e Bispos

O Núncio Apostólico da Argentina, Mons. Adriano Bernardini, proferiu uma homilia no dia 22 do corrente mês da qual transcrevemos a quase totalidade em castelhano, pelo que pedimos desculpa.

Damos por descontado el primer punto, fundamental para la Iglesia, porque sin este primado de Pedro y la comunión con el mismo, no existe la Iglesia Católica. Permítanme, en cambio, algunas reflexiones sobre el segundo punto: las fuerzas del Mal, que Mateo llama “el poder de la Muerte”.
Asistimos hoy a un ensañamiento muy especial contra la Iglesia Católica en general y el Santo Padre en particular. ¿Por qué todo esto? ¿Cuál es el motivo principal? Lo podemos enunciar en pocas palabras: ¡Es la Verdad que nos da el Mensaje de Cristo!

Cuando esta Verdad no se opone a las fuerzas del mal todo va bien. En cambio, cuanto presenta la mínima oposición, surge una lucha que se hace calumnia, odio e incluso persecución contra la Iglesia y más específicamente contra la persona del Santo Padre.

Veamos algún punto de la historia, que es “la maestra de la verdad”.

Los años inmediatamente subsiguientes al Vaticano II transcurren en una euforia general para la Iglesia y en consecuencia para el Papa. Pero es suficiente la publicación de la “Humanae Vitae”, con la que el Santo Padre confirma la doctrina tradicional, en base a la cual el acto conyugal y el aspecto procreativo no pueden ser lícitamente separados, que estallan las críticas mas feroces contra Pablo VI, que hasta aquel momento había agradado al mundo. Sus simpatías por Jacque Maritain y por el humanismo integral habían abierto las esperanzas de los ambientes modernistas internos a la Iglesia y al progresismo político y mundano.

Lo mismo se repite más veces en el largo pontificado de Juan Pablo II. Cuando es elegido, las élites culturales occidentales están fascinadas por la lectura marxista de la realidad. Juan Pablo II no se adapta a este embarazoso conformismo cultural y traba con el comunismo un duelo muy duro, que lo lleva sin más a ser un blanco físico de un oscuro proyecto homicida.

Lo mismo le sucederá siempre a Juan Pablo II con respecto a la Bioética, sobre todo con la publicación de la “Evangelium Vitae” del 1995, un compendio sólido y sin detracciones sobre las principales cuestiones de la vida y de la muerte.

Y ahora, siempre por el amor a la “Verdad verdadera y Evangélica”, el blanco se ha vuelto sobre Benedicto XVI. Ya marcado con desprecio en los años precedentes como “guardián de la fe”, apenas elegido, acogido de inmediato por los comentaristas de todo el mundo con una mezcla de sentimientos, que iban de la rabia al miedo, al verdadero y propio temor.

Ahora, una cosa es cierta: El Papa Benedicto imprimió a su pontificado el sello de continuidad con la tradición milenaria de la Iglesia y sobre todo de purificación. Sí, porque a la inseguridad de la fe siempre le sigue la ofuscación de la moral.

En realidad, si queremos ser sinceros, debemos reconocer que año tras año ha aumentado, entre teólogos y religiosos, hermanas y obispos, el grupo de cuantos están convencidos que la pertenencia a la Iglesia no comporta el conocimiento y la adhesión a una doctrina objetiva.

Se ha afirmado un catolicismo “ á la carte”, en el cual cada uno elige la porción que prefiere y rechaza el plato que considera indigesto. En la práctica un catolicismo dominado por la confusión de los roles, con sacerdotes que no se aplican con empeño a la celebración de la Misa y a las confesiones de los penitentes, prefiriendo hacer otra cosa. Y con laicos y mujeres que buscan sustraer un poco por vez, el lugar al sacerdote para ganarse un cuarto de hora de celebridad parroquial, leyendo la oración de los fieles o distribuyendo la comunión.

He aquí que el Papa Benedicto, precisamente por su fidelidad a la “Verità” hace una cosa que escapó a la atención de muchos comentaristas: trae de nuevo, integralmente, el credo en la fórmula del concilio de Constantinopla, es decir en la versión normalmente contenida en la Misa. El mensaje es claro: recomenzamos de la doctrina, de los contenidos fundamentales de nuestra fe. “Sí, porque -escribe el teólogo y Pontífice Ratzinger- el primer anuncio misionero de la Iglesia hoy es puesto en peligro por teorías de tipo relativista, que entienden justificar el pluralismo religioso, no solo “de facto”, sino también “de jure”.

La consecuencia de este relativismo, explica el futuro Benedicto XVI, es que se consideren superadas una serie de verdades, como por ejemplo: el carácter definitivo y completo de la revelación de Cristo; la naturaleza de la fe teologal cristiana con respecto a la creencia en las otras religiones; la unicidad y la universalidad salvífica en el misterio de Cristo; la mediación salvífica universal de la Iglesia; la subsistencia en la Iglesia Católica de la única Iglesia de Cristo.

He aquí, por lo tanto, la Verdad como causa principal de esta aversión y diría casi persecución al Santo Padre. Una aversión que tiene como consecuencia práctica su sentirse solo, un poco abandonado.

¿Abandonado de quién? ¡He aquí la gran contradicción! Abandonado por los opositores a la Verdad, pero sobre todo de ciertos sacerdotes y religiosos, no sólo Obispos, pero no de los fieles.

Así el clero está atravesando una cierta crisis, en el episcopado prevalece un bajo perfil, no obstante los fieles de Cristo están aún con todo su entusiasmo. Obstinadamente continúan rezando y van a Misa, a frecuentar los sacramentos y a rezar el rosario. Y sobre todo esperan en el Papa. Hay un sorprendente punto de solidez entre el Papa Benedicto y el Pueblo, entre el hombre vestido de blanco y las almas de millones de cristianos. Ellos entienden y aman al Papa. ¡Esto porque su fe es simple!. Por otra parte es la simplicidad la puerta de ingreso a la Verdad.

Durante esta Celebración Eucarística pidamos al buen Dios y a la Virgen poder formar parte, también nosotros de este tipo de cristianos."


 


Grave atentado à família
pelos «generais sentados» da GNR

Tivemos hoje conhecimento pelas televisões do chamado «casamento» entre duas fressureiras que estão integradas nas fileiras da GNR, uma delas com o posto de «cabo» e outra com a responsabilidade do comando do destacamento territorial de Santarém da instituição, com o posto de «capitão». Assim, verificamos que a instituição militar de segurança interna de Portugal integra gente deste quilate moral e desta saúde mental. Mais, gente que internamente comanda pessoas normais e exerce autoridade policial sobre a comunidade e as famílias e seus membros, nomeadamente crianças.

Ler mais em:


sábado, 26 de fevereiro de 2011

UE: Abrir caminho à liberdade religiosa

O tema da liberdade religiosa vai ser um dos assuntos em cima da mesa, dia 28 de Fevereiro, num encontro entre o presidente do Parlamento Europeu e o Papa Bento XVI.

O presidente do Parlamento Europeu considera o Cristianismo como “fonte importante de inspiração para a Europa”, que importa defender.

Numa entrevista concedida à agência SIR, esta quinta-feira, Jerzy Buzek garantiu que a perseguição aos cristãos no Médio Oriente “é uma preocupação partilhada pelo Parlamento Europeu”, e que estão a ser tomadas medidas para “arrepiar caminho” na preservação da liberdade religiosa.

Esta matéria deverá ser um dos assuntos em cima da mesa, no próximo dia 28 de Fevereiro, durante uma audiência que Bento XVI irá conceder ao líder europeu, no Vaticano.

Jerzy Buzek admite ir em busca de “orientação”, numa altura em que “a Europa e o mundo enfrentam muitos desafios”, como a integração dos movimentos migratórios, o envelhecimento da população e a instabilidade política que afecta países como o Egipto, a Tunísia, ou o Sudão.

Lembrando que “a União Europeia encontrou as suas fundações a partir de cristãos democratas com Schuman, De Gasperi e Adenauer”, aquele responsável quer agora “ouvir aquilo que um homem de fé e cultura como Joseph Ratzinger tem a dizer”.

Fomentar o diálogo entre nações ou instituições é essencial para o líder do Parlamento Europeu, que se mostra satisfeito pela Europa “estar a começar a respirar a plenos pulmões”.

“Quando um Papa da Alemanha se encontra com o presidente do Parlamento Europeu, um polaco, nós podemos agradecer aquilo que conseguimos até agora”, sustenta Jerzy Buzek, considerando esta ida à Santa Sé como um símbolo de que “o Leste e o Oeste da Europa estão finalmente a crescer em conjunto”.

O Tratado de Lisboa, assinado em 2007, deu pela primeira vez uma base legal para o diálogo institucional entre a União Europeia e representantes das diversas comunidades religiosas.

O exemplo que chegou de Londres

Aura Miguel, RR
Os ex-anglicanos recentemente convertidos à Igreja Católica tomaram, esta semana, em Londres, uma medida exemplar: organizaram uma campanha pública para rezar pelo Papa, convidando os fi éis a participar numa Hora Santa de reflexão sobre o Bispo de Roma.
 
Mais: o convite partiu do exbispo anglicano Keith Newton -- hoje sacerdote católico, ordenado há mês e meio – responsável máximo do Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham, a estrutura que Bento XVI criou para, em Inglaterra, acolher os que desejam entrar na plena comunhão com a Igreja católica.

“Queremos agradecer a visão do Papa e o dom da unidade que nos trouxe até aqui”, disse o ex-bispo anglicano recém-convertido. “Encorajo todos a entrar numa igreja católica e a rezar por ele diante do Santíssimo”.

Que bom seria reconhecer esta frescura também em bispos que sempre foram católicos… Para que Bento XVI não tivesse de se queixar – como se queixa – de que os maiores ataques contra si partem do seio da própria Igreja.

 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O estranhíssimo caso
de cristãos estrangeiros

Nuno Serras Pereira

Um movimento pró vida norte-americano de inspiração cristã, chamado Live Action, conseguiu, filmando e gravando à sorrelfa, mostrar aos incrédulos, sem margem para dúvidas, aquilo que os mais informados já sabiam, isto é, a corrupção criminosa da industria do aborto, a sua cumplicidade com a pedofilia e o abuso de menores, o seu desprezo pelas mulheres coonestando a sua exploração, o desdém pela saúde pública, promovendo inclusive o contágio das multidões, etc. A PP, ou seja, a APF (associação para o planeamento da família) lá do sítio, estará em muitos maus lençóis.


Pois, imagine o leitor, se é capaz de o fazer, que um Católico pró vida, Professor Catedrático de Filosofia - C. O. Tollefson -, em vez de falar em particular com Lila Rose, fundadora e líder do Live Action, publicou um artigo na Internet no qual reconhecendo embora a importância dos resultados obtidos é muito crítico em relação aos meios utilizados para os conseguir. Para maior espanto de quem me lê, importará ainda saber que C. Kaczor, outro eminente filósofo católico, amigo de Tollefson, em vez de conversar com este, publicou um texto crítico em relação ao do seu amigo e, de algum modo, justificando os métodos de Live Action. Entretanto sai à liça o conhecidíssimo Robert P. George, outro Católico, que dispensa qualquer tipo de apresentação, defendendo Tollefson e, em vez de falar com ele, criticando Kaczor. Como isto não bastasse, F. J. Becwith, outro notável filósofo, convertido do protestantismo ao catolicismo, em vez de falar com os seus amigos redige um texto avançando outras críticas e propondo novas soluções. Para cúmulo, disto que em Portugal seria considerado uma zaragata escandalosa, o famosíssimo e respeitadíssimo H. Arkes, um filósofo judeu convertido ao catolicismo e conhecido e amigos dos restantes, em vez de falar com Tollefsen redige um artigo muito crítico em relação ao texto dele. C. O. Tollefsen, já respondeu; e esperam-se novos episódios.


Isto que se passa assim nos EUA é considerado uma conversação útil e proveitosa para esclarecimento de todos e para o aprofundamento da verdade. Ora nós, portugueses, sabemos que eles são muitíssimo primitivos e estão completamente enganados. Comportam-se como trogloditas. Porque o que eles estão realmente a fazer é a magoarem-se e a ferirem-se mutuamente com uma falta de caridade medonha. Isto pelo menos é o que eu concluo a partir daquilo que alguns amigos e conhecidos meus, e ainda outros que não conheço me têm repetidamente ensinado ao longo destes longos anos. Se eu soubera inglês suficiente para o escrever com o à vontade com que o faço na língua materna, trasladaria para aquele linguajar bárbaro as preciosas admoestações e imprecações com que sou presenteado.


O mesmo, aliás, faria em italiano. Porque saberão, os meus queridos amigos, embora fiquem muito chocados, que a Congregação para a Doutrina da Fé quando publicou a Nota sobre a banalização da sexualidade. A propósito de algumas leituras de “Luz do Mundo” fez sair também a correcção da tradução italiana do livro/entrevista do Santo Padre. Reparem bem que não foram falar em particular com os responsáveis da editorial vaticana para que eles colocassem uma errata nos livros. Não! Limitaram-se a publicar a tradução correcta daquilo que o Papa tinha dito a propósito do preservativo. Achei estranhíssimo que essa correcção, seguramente da mão do próprio Papa, correspondesse às emendas que eu tinha sugerido para a tradução portuguesa. Tanto mais que nas livrarias em que tenho visto o livro em português não tenho encontrado nenhuma errata respeitante a essa passagem do livro. Pelo que concluo que o que lá está é o contrário do que o Santo Padre disse. Basta comparar. Evidentemente que escrever isto é uma grande falta de caridade, mas “vender gato por lebre”, ou seja, fazer com que o Papa diga o contrário do que disse não o é.




 (Ilustrações de Moldar a Terra)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Aumenta o número de católicos
nos Estados Unidos

O Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos e do Canadá informou que o número de paroquianos católicos nos EUA aumentou no último ano, enquanto que o número de seguidores de igrejas protestantes – de maior tradição no país – sofreu uma significativa queda.

Segundo o 79.º Relatório Anual do Conselho, no ano 2010 o número total de cristãos na América do Norte atingiu 145,8 milhões de pessoas.

O relatório, difundido pela Rádio Vaticano, detalha que a Igreja Católica é a que conta com o maior número de fiéis no país, com 68,5 milhões de pessoas e um crescimento de 0.57 por cento.

Novo filme sobre a Sagrada Família
será estreado no Natal

Para o próximo 14 de Março espera-se que tenha início a produção do filme "Maria, Mãe de Cristo", que apresentará a vida da Virgem Maria, ressaltando seu amor a José, sua inesperada maternidade e "o triunfo sobre o terror semeado pelo rei Herodes o Grande".

O guião é preparado por Benedict Fitzgerald, co-autor do roteiro do filme "A Paixão de Cristo", com Mel Gibson, e Bárbara Nicolosi, ambos católicos.

O filme, cujo orçamento se estima em 36 milhões de dólares, terá entre seus protagonistas o conhecido actor Al Pacino no papel do Herodes, e Peter O'Toole, conhecido por sua interpretação de Thomas Lawrence no filme Lawrence da Arábia, no papel de Simeão. No filme, que será filmado inteiramente no Marrocos, também participarão a jovem Camille Belle, no papel de Maria, e o jovem actor português Diogo Morgado.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Novas igrejas: o Vaticano critica os bispos italianos

Sandro Magister

No L'Osservatore Romano, o cardeal Ravasi e o «arquitecto-star» Paolo Portoghesi criticam os novos edifícios sagrados construídos em Itália com a aprovação da conferência episcopal. Por romperem com a tradição e deformarem a liturgia.

Ler em inglês:

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Afinal, senhora ministra da Educação,
quem mente e quem manipula?

D. António Marcelino

O problema das escolas privadas gratuitas merece ser reflectido por todo o país. A arbitrariedade do Governo PS que, a meio do ano, denuncia, unilateralmente, um acordo bilateral, mostra, no mínimo, a falta de respeito por quem luta, com seriedade, a favor do que é fundamental na sociedade, a educação escolar. Um dado ilustrativo de que o problema, agora na praça pública, pouco tem a ver com a crise económica, é saber quanto custam ao Estado as escolas estatais e as escolas privadas com contrato de associação ou ensino gratuito. Pedi há tempos ao governo que nos dissesse isso mesmo, com dados exactos e verdadeiros. Nada, porque o governo só responde à Assembleia da República. Cidadão não tem que perguntar, apenas que pagar.

De repente, a Ministra da Educação e os seus zelosos colaboradores desatam a dizer que as escolas privadas ficam mais caras ao Estado que as escolas estatais. E aventam números e percentagens para apoiar as suas afirmações. Simplesmente, estes números são vergonhosamente manipulados, porque os dados apreciados não são os mesmos. Ora vejamos: as escolas privadas, do que recebem do Estado, e só do Estado, pagam ordenados, fazem a manutenção diária, conservam os edifícios, assumem os encargos sociais. Se os alunos vêm de fora do concelho, o transporte toca aos pais. A Ministra apenas faz contas ao que é mandado para as escolas estatais e que corresponde a pouco mais que os ordenados. Tudo o resto, e é muitíssimo, não entra nas suas contas, nem os encargos sociais, nem a manutenção e conservação dos edifícios, nem transportes dos alunos, que recaem nas autarquias. Mas mais ainda. O Ministério recorre a uma empresa pública, a “Parque Escolar”, e a esta paga todos os meses, em relação a muitas escolas, construídas ou reparadas, uma renda de ocupação, de mais de 2 euros por metro quadrado. Isto quer dizer que o governo socialista detesta as escolas privadas, mas está privatizando as escolas do Estado, passando-as para empresas públicas, apoiadas por capitais privados, ligados à Banca. Os encargos sociais nada têm a ver com as escolas estatais, porque estas não são empresas que tenham de responder, mensalmente, na parte que diz respeito à entidade patronal. Mais uma verba que não entra nas contas que a Ministra apresenta ao país, mas que é um encargo do Ministério, ou lá de quem quer que seja. A conclusão é óbvia: tudo isto corresponde a um encargo do Estado, muito acima daquele que tem com as escolas privadas, que decidiu para já tornar inviáveis e ir matando, por via de uma criminosa asfixia.

Agora, intimidando as mesmas escolas, a Ministra ameaça e, pelos seus serviços vem fazendo que algumas escolas, já sem saber o que fazer com este estrangulamento e incapazes de responder a encargos presentes, acabem por assinar, pressionadas, as condições do Ministério, sob a ameaça incrível de “ou assinas ou perdes tudo”. Esta foi sempre a forma de dialogar e de respeitar dos regimes totalitários e dos ditadores pessoais, que agora por aí pululam.

Edificaram-se, há pouco, escolas onde não havia necessidade delas, como se fossemos um país rico que pode esbanjar o dinheiro do povo, necessário para responder a problemas graves não resolvidos; desrespeita-se um direito primordial dos pais; despreza-se, um contributo válido e concreto, que vem qualificando a educação e o ensino; menosprezam-se experiências avalizadas; deixa-se que, a pretexto da crise económica, que se repitam erros lamentáveis do passado, fazendo assim o jeito aos jacobinos de 2011… Um autêntico desgoverno de um governo acossado pelos disparates cometidos e a virem aí ao de cima, em catadupa. A Ministra da Educação, de cabeça perdida, porque o chefe assim manda, atreve-se a dizer ao país, usando todos os meios, coisas impensáveis, que não diria uma qualquer pessoa sensata, respeitadora das pessoas e das instituições, conhecedora da realidade. E que diz ela mais? “Que o Estado não tem que pagar nem luxos, nem privilégios, nem piscinas, nem campos de golfe e de equitação!…” Não sei quantas escolas privadas, com contrato de associação, conhece a senhora Ministra com este estendal a significar, como diz, luxos e privilégios.

Procure saber, é o mínimo decente, as escolas onde existem tais equipamentos, quem os fez e os paga, qual seu alcance educativo, se são propostas da escola a favor dos alunos e da família, e não atire para aos olhos de ninguém, porque já ninguém de juízo suporta tais aleivosias. A isto chama-se demagogia. Sabe como e porquê as escolas que quer calar e fechar procuram fazer sempre mais e melhor pelos alunos, mormente em zonas mais pobres? Não sabe, porque, se soubesse, não dizia o que disse. Pois, faz-se poupando e administrando bem o que, por direito, se recebe, sem sacrificar o essencial; concorrendo a programas de apoio de cá e de fora; promovendo o voluntariado dos pais, dos professores e das comunidades locais; realizando com os pais iniciativas diversas na comunidade circundante. É evidente que as escolas estatais não precisam de fazer nada disto. O Estado patrão paga e, se ele não paga, não há nada para ninguém. Ou, então e não raro, as escolas do Estado recorrem ao favor das privadas próximas… A Ministra ainda não percebeu a justa indignação dos mal tratados e dos injustiçados, mormente dos pais, dos alunos, dos professores, porque nunca passou por isso. É pena que quem governa não tenha antes sujado as mãos na vida, nem comido pão amassado em suor e lágrimas. Ou, no poleiro do poder, que depressa tenha esquecido a mão que ajudou e a escola privada que lhe abriu caminho.

Depois, vêm as afirmações usuais que denunciam a pobreza da democracia que aí temos, e são a prova de que é real a opção pela ditadura: “o Estado responde a tudo, as escolas privadas são supletivas, os pais se querem luxos, então paguem-nos…” Diálogo, respeito, reconhecimento de trabalho feito e de serviço prestado às comunidades? Mas que é isso? Os alunos interrompem projectos, mudam de professores com o ano em curso, distribuem-se pelas escolas estatais, mesmo que sejam fora do concelho e longe das suas terras? Não há problema. O Estado Social (!) encarrega-se de tudo e, então, paga tudo. Já se viu maior loucura? Não há dúvida que somos ainda mais pobres do que julgamos. Os governantes devem ser modelos de vida, de educação, de respeito pelas pessoas e instituições e pela verdade que devem ao país. Não é isso que se vê hoje em muitos casos, mormente quando não têm razão no que decidem, nem dignidade para reconhecer que a não têm.

Acompanho, de há muito, com atenção e cuidado, os problemas da educação, da escola, da família, do país. E não deixo de ser uma consciência crítica que fala. Luto por esta causa por fidelidade às pessoas e aos princípios e valores que nos devem nortear e dignificar. Passados mais de trinta anos de democracia a liberdade de iniciativa é apenas uma palavra. Assim nos quedamos num patamar social, pobre e vergonhoso. Mas não podemos cruzar os braços, nem desistir. A razão não é a da força do poder. A mediocridade beneficia sempre das omissões e das desistências, quando outro mérito não há para poder progredir com verdade e governar com justiça.
 
 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Moderação, o grande exagero do nosso século

Plínio Corrêa de Oliveira, Catolicismo, N.º 39, 1954


Resumamos em duas palavras o nosso artigo anterior.

O exagero é um defeito que pode corromper qualquer virtude. O amor à pátria, por exemplo, é uma qualidade, mas a estatolatria é um defeito. A justiça também é uma qualidade, mas o exagero pode transformá-la em dureza, e até em crueldade. A intransigência é uma virtude, mas, levada ao excesso, pode chegar ao sectarismo. E assim por diante.

Ora, a moderação também é uma qualidade. Logo, é susceptível de ser deformada pelo exagero. Ser "moderadamente moderado" é bom. Ser exageradamente moderado é mau. "Corruptio optimi péssima". A moderação é uma alta, uma altíssima virtude. Precisamente por isto, suas deformações são muito perigosas. Em princípio, é pois muito importante conhecer os exageros da moderação, para os prevenir ou remediar.
* * *
A esta razão doutrinária válida para todos os tempos e todos os lugares soma-se - para recomendar um estudo do assunto nestes primórdios de ano - um motivo circunstancial dos mais ponderáveis. O homem de nossos dias é essencialmente exagerado. Durante decénios inteiros sopraram sobre ele os ventos desencadeados das propagandas políticas e sociais mais extremadas. Ele tomou gosto pelo excesso. Depois da guerra tem-se feito em vários sectores um esforço muito oportuno para lhe incutir alguma moderação. Sucedeu então um fenómeno curioso, mas explicável: viciado no exagero, o homem moderno começou a exagerar a moderação. Daí, pelo menos em parte, a voga de que gozam agora muitas atitudes e modos de pensar do início deste século que há dez ou quinze anos atrás teriam sido apontadas como manifestamente liberais.

Ora, nada poderia comprometer mais a fundo a causa de uma santa e sadia moderação, do que um tal desvio. Apontar, analisar, pôr a nu este desvio em algumas de suas incontáveis manifestações é pois serviço útil e urgente, na luta contra o exagero.
* * *
Há três princípios que o hipermoderantismo leva ao excesso. Tolerante, transigente, quiçá displicente em tudo, ele receia o excesso em todos os campos. Mas nestes três principias ele é intransigente como um inquisidor de legenda, fanático como um maometano, meticuloso como um fariseu. São três princípios excelentes:
1) a norma de Santo Agostinho, "odiai o erro e amai os que erram";

2) "a virtude está no meio termo";

3) a máxima de S. Francisco de Sales: "com uma colherinha de mel se atraem mais moscas do que com um tonel de vinagre".
Daí decorre toda uma série de posições unilaterais que redundam em liberalismo mais ou menos declarado.
* * *
O que o hipermoderantismo tem de característico, é que leva praticamente a uma posição de "terceira força" entre a verdade e o erro, o bem e o mal. Se num extremo está a Cidade de Deus, cujos filhos procuram difundir por todas as formas o bem e a verdade, se no outro extremo está a Cidade do Demónio, cujos soldados procuram difundir o erro e o mal sob todas as suas formas, é claro que a luta entre estas duas Cidades é inevitável. Pois duas forças agindo num mesmo campo em sentidos opostos têm de se combater necessariamente. De onde não pode haver uma difusão da verdade e do bem que não implique num combate ao erro e ao mal, e ainda aos fautores do erro e do mal. Reciprocamente, não pode haver difusão do erro e do mal que não acarrete combate à verdade, ao bem, aos que difundem a verdade, aos que trabalham pelo bem. É precisamente o que não querem ver os hipermoderantistas quando levam ao exagero a primeira máxima. Imaginam que, atacando ideias e só ideias, podem chegar à vitória. Como se as ideias fossem entes concretos, susceptíveis de ser atacados e derrotados. As ideias existem na mente dos que as professam. Derrotá-las é converter os seus adeptos, ou, caso estes se obstinem, apontá-los, desmascará-los, privá-los de qualquer influência.

Mas o "moderantista" exagerado não vê nada disto. Resolvido a atacar as ideias só em tese, ele parte em guerra contra dois adversários:
a) as ideias dos anticatólicos;
b) os católicos que levam o combate ao campo dos fatos concretos.
Entre uns e outros, ele atua pois como uma genuína "terceira força".

Bem entendido, o "moderantista" da "terceira força" aplica seus principias também no caso de luta entre católicos dóceis à Santa Sé, e os que professam os erros que o Santo Padre gloriosamente reinante condenou nas encíclicas "Mystici Corporis" e "Mediator Dei", na constituição "Bis Saeculari" e na encíclica "Humani Generis". Ele quer atacar só as doutrinas. Sempre que se trata de dizer que alguém errou, sempre que se trata de afastar alguém de um cargo ou situação em que sua influência poderia ser perigosa, o moderantista está em desacordo. É que isto seria faltar com a caridade, pois transporta a luta, do campo das ideias, para o campo das pessoas.
Em linhas gerais, é este o católico da "terceira força". Mas ele tem uma característica muito curiosa, que a sábia máxima de Santo Agostinho, ele a aplica só em uma direcção. Quando trata com os que professam doutrinas velada ou abertamente erradas, o católico da "terceira força" é "moderantista". Mas sempre que se defronta com os que lutam pela pureza absoluta da doutrina ele ataca... também, e até principalmente as pessoas.

Apontamos um curioso campo de amostra, para a analise de nossos leitores. Atentem eles para a oposição que a "terceira força" faz ao CATOLICISMO. Comparem a posição dos soldados da "terceira força" em relação a nós, com a sua posição em relação aos que divergem de nossas ideias. Para mera comodidade de exposição, e sem querer dar à expressão qualquer significado especial, chamemos a estes de esquerda, e a nós de direita.
No centro estaria a "terceira força". Vejamos:
1) Os escritos emanados da "esquerda" não oferecem maior perigo, desde que não propugnem abertamente o erro. Por isto, devem ser considerados com vistas gordas. Pelo contrario, os escritos da "direita" são perigosíssimos. Eles difundem pelo menos implicitamente uma atmosfera de pugnacidade e intransigência que lesa a caridade. Em consequência, devem ser analisados a fundo e com a maior atenção, e devem ser rigorosamente "boicotados" sempre que tragam consigo o menor fermento de discussão.
2) Os escritores da "esquerda", ainda quando incidam em um ou outro erro formal, podem ser pessoas excelentes, dignas de todo o apreço, e sua colaboração nas lides do apostolado pode e deve ser francamente aproveitada. Os escritores da "direita" pelo contrário são pessoas perigosas, cuja influência se exerce sempre em detrimento da caridade, e que devem ser afastadas de qualquer actividade apostólica.
3) Haveria falta de caridade em criar pela acção pessoal, em conversas com amigos e parentes, com companheiros das associações que se frequenta, etc., um ambiente de suspeição em torno dos elementos da "esquerda". Mas é obra de salvação pública aplicar toda a diligência para criar tal ambiente em relação aos da "direita".
4) É possível que neste ou naquele caso concreto a acção de algum entusiasta da "esquerda" tenha sido menos leal ou menos caridosa. Cumpre perdoá-lo, pois a paixão muito pode sobre a pobre humanidade decaída. Haveria juízo temerário, ou até manifesta calúnia em suspeitar das intenções de tais pessoas. É patente, porém, que a "direita" peca sempre contra a caridade, que o senso mais elementar da justiça pede que seus adeptos sejam punidos com a maior severidade, que pela energia se façam cessar suas actividades perniciosas. Quanto às suas intenções, se se as considera com muita caridade fica-se no limite de uma grave suspeita.
Qual o resultado desta formidável e feroz contradição? Não poderia ser mais claro. Os fautores do mal ficam cercados de toda a consideração, de todas as simpatias, providos em todas as posições-chave para a difusão do erro. Pelo contrário, os defensores da verdade ficam isolados, antipatizados, afastados de todas as situações estratégicas.

Em outros termos, todo o peso da influência da terceira força concorre para a vitória das ideias que - no mundo da lua pelo menos - ela condena.

Uma ideia fixa: a equidistância

Mas, dirá alguém, a virtude não está no meio? Se a direita é um extremo, se a esquerda é outro, a virtude não tem que estar a meia distância entre uma e outra? Seria preciso começar por indagar se a posição da "terceira força", dos "exageradamente moderados", realmente está no meio. Pois quando se tem todas as cóleras voltadas para um dos lados, e todas as indulgências para o outro, é muito difícil afirmar que se tem o coração a igual distância de um e de outro. Ademais, nada seria mais erróneo do que imaginar que, dadas duas opiniões contrárias, a virtude está sempre no meio-termo entre elas. Assim, se numa roda alguém é a favor da decapitação para punir o homicídio, e outra pessoa é a favor da simples prisão, não se deve deduzir daí que a verdade não consiste em cortar o homicida pelo pescoço, nem em não o cortar de modo nenhum, mas em cortá-lo pelas pernas. Do mesmo modo, em um grupo onde um católico sustenta que a Hierarquia Eclesiástica se compõe de Papa, Bispos e Párocos, e um presbiteriano nega o Papa e os Bispos e admite só os Párocos, a verdade estaria no meio-termo, isto é, no anglicanismo que admite os Bispos, não porém o Papa. Se um ladrão pretende ter direito a todo o dinheiro contido na carteira de sua vítima, e esta afirma que pelo contrário o ladrão não tem direito algum a tal, a virtude consistiria em ficar no meio-termo, e dar ao ladrão a metade do dinheiro. E entre um católico que afirma a existência das três Pessoas da Santíssima Trindade, e um herege que só admitisse em Deus uma Pessoa, a verdade estaria em ficar no meio-termo, aceitando a existência de duas Pessoas em Deus.

Num recto sentido da máxima, é certo que a verdade e a virtude estão no meio. Não porém num meio-termo qualquer, pois isto seria absurdo. O "meio" da máxima significa uma posição de equilíbrio perfeito, do qual estão excluídos todos os exageros teoricamente possíveis, todos os erros imagináveis, no qual há só verdade e bem.

A virtude está no meio

Vamos aos exemplos. Um estudante que sofre uma ou mais reprovações em primeira época é certamente um mau estudante. Outro que passe em todas as matérias com nota 5, é um estudante mediano. Outro ainda, que só alcance distinções em todo o curso, e obtenha todos os prémios, é um estudante excelente. Qual dos três está no meio-termo ideal? Se a virtude está no meio, o meio-termo está com o mais virtuoso. Ora, o mais virtuoso não é o que tirou nota 5 em todos os exames, mas o que tirou nota 10... Isto nos leva a uma formulação que melhor fará compreender a famosa máxima de que a virtude está no meio. Queremos saber onde está o meio? Está na virtude. De onde quanto mais se caminha na virtude, rumo aos píncaros da santidade, tanto mais se está no meio. "Meio" bem diverso, é claro, de mediania, mediocridade, insonsa equidistância entre o bem e o mal. Em matéria de pureza, o "meio" consiste em imitar S. Luiz de Gonzaga, que fugia de tudo quanto fosse mundanismo e tivesse a menor sombra de mal. Em matéria de ortodoxia o meio é a imitação de S. Tomás, Sto. Inácio de Loyola, S. Pio V. Em matéria de oração, é seguir Sta. Tereza de Jesus ou Sta. Terezinha. Em matéria de combatividade consiste em imitar S. Bernardo, o Santo das Cruzadas, ou Santa Joana d'Arc.

Se num extremo está o Céu e noutro o inferno, o "meio" em que a virtude se encontra não está a igual distância entre o trono de Deus e o banco de Satanás, naquela zona de réprobos que Dante viu na entrada do inferno, rejeitados igualmente pelos Anjos e pelos Demónios, isto é, os tíbios, os medíocres, os indiferentes, que passaram pela vida "sanza infâmia e sanza lodo" ( Inf. III, 21 ss. ). O meio se encontra num dos extremos, ou seja, no Céu.

Se queremos saber onde está o meio, só temos um caminho: perguntar à Igreja onde está a virtude.

Mel e vinagre

Mas, dirá por fim mais alguém, não é certo que com uma colherinha de mel se atraem mais moscas do que com um tonel de vinagre? Deixemos de lado a terceira força, e suas lamentáveis incoerências. Não seria melhor que os da "direita" abandonassem definitivamente os métodos polémicos, e procurassem convencer o "outro lado" por meios carinhosos?

Em princípio, o carinho é o que mais atrai os homens. Deve-se deduzir daí, que ele é a única atitude própria do apóstolo? Se Santa Joana d'Arc tivesse querido expulsar os ingleses à força de carícias, teria obtido resultado? S. Bernardo teria agido melhor não pregando as cruzadas, mas organizando na Cristandade um "dia da boa vontade" para com os maometanos? S. Pio V teria procedido mais cristãmente, e mais eficientemente, mandando a Lepanto, em lugar das naus de D. João d’Áustria, algum especialista em sorrisos pacifistas?

De tantos exemplos se deduz claramente que um Santo, preferindo sempre que possível meios suasórios, pode ser obrigado a usar processos muito severos. E isto por duas razões principais. Antes de tudo, no apostolado nem sempre se trata de converter. Desde que uma conversão se revele inviável pela obstinação do pecador, é preciso tirar a este os meios de perder outras almas. E isto raras vezes se obtém com o mero emprego de meios suasórios.

De outro lado, a própria conversão nem sempre se consegue por palavras suaves. A História está cheia de exemplos de almas que só foram tocadas quando ouviram palavras duras, apóstrofes terríveis, ameaças tremendas. Basta pensar no caso de Davi.

Assim, se é verdade que a suavidade atrai mais almas do que a severidade, é certo também que há almas que só a severidade pode converter, situações interiores, estados de crise que só a severidade pode resolver.

Isto posto, firma-se um princípio essencial, que haveria grave erro em esquecer ou subestimar. É que uma técnica de apostolado feita só de doçura é tão errada quanto outra que constasse exclusivamente de severidade.

Severidade ou doçura

Como agir então? Em que medida empregar cada um destes indispensáveis ingredientes da ação apostólica? Quanto de sal? Quanto de açúcar? A primeira vista, o problema parece insolúvel; na realidade é de fácil solução.

Distinga-se cuidadosamente a doçura virtuosa, da viciosa. E o mesmo se faça com a severidade.

"Por seus frutos os conhecereis", diz Nosso Senhor. Pode-se dizer isto dos homens, e também das tácticas de apostolado.

Quando a suavidade do apostolo é de molde a acender nas almas o gosto pela fé, pela pureza, pela vida mortificada, o desapego dos bens da terra, uma confiança sem limites na Igreja de Deus, um ódio inexorável ao pecado: quando a suavidade - em suma - converte e santifica, ela é reta, virtuosa, santa. Mas quando a suavidade do apostolo atola ainda mais o pecador em seu pecado, incutindo nele uma esperança presunçosa de se salvar, diminuindo nele a noção da gravidade de sua culpa, induzindo-o a considerar com indiferença a cólera de Deus, levando-o a odiar as pessoas virtuosas, a se jactar de suas máximas sensuais e mundanas, a sofismar os ditames da Fé e os ensinamentos da Igreja, tal suavidade vem do demónio.

Quando a severidade é turbulenta, irrequieta, contraditória, ora recriminando uma bagatela, ora deixando passar um fato grave; quando ela se exerce mais na defesa dos direitos reais ou supostos da pessoa severa, do que na defesa dos direitos de Deus e da Igreja; quando ela não se aplaca diante de um arrependimento sincero; quando visa desabafar e não edificar; quando não aceita pronta e mansamente os freios da obediência; quando não é de molde a despertar admiração ou atração pela virtude; quando incute um temor que desanima e não converte, não vem de Deus. Mas quando ela é inteiramente razoável mesmo em suas afirmações mais radicais; quando se funda totalmente em princípios, e não em cóleras de momento; quando tem em vista a defesa dos direitos e doutrinas da Igreja, e vê tudo "sub specie aeternitatis", em lugar de se orientar por fobias ou simpatias pessoais; quando aceita bem a obediência, anima para a virtude, afasta do pecado, atrai para Deus as almas, então é dom do Céu.

A santidade é o essencial

Isto posto, o essencial não é que se seja doce ou severo, mas que se seja santamente doce, ou santamente severo.

Severidade, doçura, dependem em grande parte de feitios de alma, e "na casa do Pai celeste há muitas moradas". Diz a Escritura que "o Espírito sopra onde quer", e Deus dá a cada qual Seus dons como entende. A uns dará o dom de atrair principalmente pela suavidade, como São Francisco de Sales. A outros, dará o dom de atrair a Ele pelo vigor de uma polémica fogosa e inflexível, como S. Jerónimo. Não ergamos Santo contra Santo, altar contra altar, virtude contra virtude. Compreendamos antes que onde está a santidade está Deus, fonte de todo o bem. Sejamos mais severos do que suaves, ou mais suaves do que severos: o essencial é que o sejamos santamente. Pois o que se quer é a santidade, isto é, a perfeita adesão à doutrina católica, à prática perfeita dos Mandamentos.

Num ou noutro caso, ainda que cheguemos a extremos estaremos agindo moderadamente, se agirmos santamente.

Repetimos: a virtude está no meio; e este famoso meio está na virtude.

E se não estivesse na virtude, onde poderia estar senão no inferno?