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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Afinal, senhora ministra da Educação,
quem mente e quem manipula?
D. António Marcelino
O problema das escolas privadas gratuitas merece ser reflectido por todo o país. A arbitrariedade do Governo PS que, a meio do ano, denuncia, unilateralmente, um acordo bilateral, mostra, no mínimo, a falta de respeito por quem luta, com seriedade, a favor do que é fundamental na sociedade, a educação escolar. Um dado ilustrativo de que o problema, agora na praça pública, pouco tem a ver com a crise económica, é saber quanto custam ao Estado as escolas estatais e as escolas privadas com contrato de associação ou ensino gratuito. Pedi há tempos ao governo que nos dissesse isso mesmo, com dados exactos e verdadeiros. Nada, porque o governo só responde à Assembleia da República. Cidadão não tem que perguntar, apenas que pagar.
De repente, a Ministra da Educação e os seus zelosos colaboradores desatam a dizer que as escolas privadas ficam mais caras ao Estado que as escolas estatais. E aventam números e percentagens para apoiar as suas afirmações. Simplesmente, estes números são vergonhosamente manipulados, porque os dados apreciados não são os mesmos. Ora vejamos: as escolas privadas, do que recebem do Estado, e só do Estado, pagam ordenados, fazem a manutenção diária, conservam os edifícios, assumem os encargos sociais. Se os alunos vêm de fora do concelho, o transporte toca aos pais. A Ministra apenas faz contas ao que é mandado para as escolas estatais e que corresponde a pouco mais que os ordenados. Tudo o resto, e é muitíssimo, não entra nas suas contas, nem os encargos sociais, nem a manutenção e conservação dos edifícios, nem transportes dos alunos, que recaem nas autarquias. Mas mais ainda. O Ministério recorre a uma empresa pública, a “Parque Escolar”, e a esta paga todos os meses, em relação a muitas escolas, construídas ou reparadas, uma renda de ocupação, de mais de 2 euros por metro quadrado. Isto quer dizer que o governo socialista detesta as escolas privadas, mas está privatizando as escolas do Estado, passando-as para empresas públicas, apoiadas por capitais privados, ligados à Banca. Os encargos sociais nada têm a ver com as escolas estatais, porque estas não são empresas que tenham de responder, mensalmente, na parte que diz respeito à entidade patronal. Mais uma verba que não entra nas contas que a Ministra apresenta ao país, mas que é um encargo do Ministério, ou lá de quem quer que seja. A conclusão é óbvia: tudo isto corresponde a um encargo do Estado, muito acima daquele que tem com as escolas privadas, que decidiu para já tornar inviáveis e ir matando, por via de uma criminosa asfixia.
Agora, intimidando as mesmas escolas, a Ministra ameaça e, pelos seus serviços vem fazendo que algumas escolas, já sem saber o que fazer com este estrangulamento e incapazes de responder a encargos presentes, acabem por assinar, pressionadas, as condições do Ministério, sob a ameaça incrível de “ou assinas ou perdes tudo”. Esta foi sempre a forma de dialogar e de respeitar dos regimes totalitários e dos ditadores pessoais, que agora por aí pululam.
Edificaram-se, há pouco, escolas onde não havia necessidade delas, como se fossemos um país rico que pode esbanjar o dinheiro do povo, necessário para responder a problemas graves não resolvidos; desrespeita-se um direito primordial dos pais; despreza-se, um contributo válido e concreto, que vem qualificando a educação e o ensino; menosprezam-se experiências avalizadas; deixa-se que, a pretexto da crise económica, que se repitam erros lamentáveis do passado, fazendo assim o jeito aos jacobinos de 2011… Um autêntico desgoverno de um governo acossado pelos disparates cometidos e a virem aí ao de cima, em catadupa. A Ministra da Educação, de cabeça perdida, porque o chefe assim manda, atreve-se a dizer ao país, usando todos os meios, coisas impensáveis, que não diria uma qualquer pessoa sensata, respeitadora das pessoas e das instituições, conhecedora da realidade. E que diz ela mais? “Que o Estado não tem que pagar nem luxos, nem privilégios, nem piscinas, nem campos de golfe e de equitação!…” Não sei quantas escolas privadas, com contrato de associação, conhece a senhora Ministra com este estendal a significar, como diz, luxos e privilégios.
Procure saber, é o mínimo decente, as escolas onde existem tais equipamentos, quem os fez e os paga, qual seu alcance educativo, se são propostas da escola a favor dos alunos e da família, e não atire para aos olhos de ninguém, porque já ninguém de juízo suporta tais aleivosias. A isto chama-se demagogia. Sabe como e porquê as escolas que quer calar e fechar procuram fazer sempre mais e melhor pelos alunos, mormente em zonas mais pobres? Não sabe, porque, se soubesse, não dizia o que disse. Pois, faz-se poupando e administrando bem o que, por direito, se recebe, sem sacrificar o essencial; concorrendo a programas de apoio de cá e de fora; promovendo o voluntariado dos pais, dos professores e das comunidades locais; realizando com os pais iniciativas diversas na comunidade circundante. É evidente que as escolas estatais não precisam de fazer nada disto. O Estado patrão paga e, se ele não paga, não há nada para ninguém. Ou, então e não raro, as escolas do Estado recorrem ao favor das privadas próximas… A Ministra ainda não percebeu a justa indignação dos mal tratados e dos injustiçados, mormente dos pais, dos alunos, dos professores, porque nunca passou por isso. É pena que quem governa não tenha antes sujado as mãos na vida, nem comido pão amassado em suor e lágrimas. Ou, no poleiro do poder, que depressa tenha esquecido a mão que ajudou e a escola privada que lhe abriu caminho.
Depois, vêm as afirmações usuais que denunciam a pobreza da democracia que aí temos, e são a prova de que é real a opção pela ditadura: “o Estado responde a tudo, as escolas privadas são supletivas, os pais se querem luxos, então paguem-nos…” Diálogo, respeito, reconhecimento de trabalho feito e de serviço prestado às comunidades? Mas que é isso? Os alunos interrompem projectos, mudam de professores com o ano em curso, distribuem-se pelas escolas estatais, mesmo que sejam fora do concelho e longe das suas terras? Não há problema. O Estado Social (!) encarrega-se de tudo e, então, paga tudo. Já se viu maior loucura? Não há dúvida que somos ainda mais pobres do que julgamos. Os governantes devem ser modelos de vida, de educação, de respeito pelas pessoas e instituições e pela verdade que devem ao país. Não é isso que se vê hoje em muitos casos, mormente quando não têm razão no que decidem, nem dignidade para reconhecer que a não têm.
Acompanho, de há muito, com atenção e cuidado, os problemas da educação, da escola, da família, do país. E não deixo de ser uma consciência crítica que fala. Luto por esta causa por fidelidade às pessoas e aos princípios e valores que nos devem nortear e dignificar. Passados mais de trinta anos de democracia a liberdade de iniciativa é apenas uma palavra. Assim nos quedamos num patamar social, pobre e vergonhoso. Mas não podemos cruzar os braços, nem desistir. A razão não é a da força do poder. A mediocridade beneficia sempre das omissões e das desistências, quando outro mérito não há para poder progredir com verdade e governar com justiça.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Moderação, o grande exagero do nosso século
Plínio Corrêa de Oliveira, Catolicismo, N.º 39, 1954
Resumamos em duas palavras o nosso artigo anterior.
O exagero é um defeito que pode corromper qualquer virtude. O amor à pátria, por exemplo, é uma qualidade, mas a estatolatria é um defeito. A justiça também é uma qualidade, mas o exagero pode transformá-la em dureza, e até em crueldade. A intransigência é uma virtude, mas, levada ao excesso, pode chegar ao sectarismo. E assim por diante.
Ora, a moderação também é uma qualidade. Logo, é susceptível de ser deformada pelo exagero. Ser "moderadamente moderado" é bom. Ser exageradamente moderado é mau. "Corruptio optimi péssima". A moderação é uma alta, uma altíssima virtude. Precisamente por isto, suas deformações são muito perigosas. Em princípio, é pois muito importante conhecer os exageros da moderação, para os prevenir ou remediar.
* * *
A esta razão doutrinária válida para todos os tempos e todos os lugares soma-se - para recomendar um estudo do assunto nestes primórdios de ano - um motivo circunstancial dos mais ponderáveis. O homem de nossos dias é essencialmente exagerado. Durante decénios inteiros sopraram sobre ele os ventos desencadeados das propagandas políticas e sociais mais extremadas. Ele tomou gosto pelo excesso. Depois da guerra tem-se feito em vários sectores um esforço muito oportuno para lhe incutir alguma moderação. Sucedeu então um fenómeno curioso, mas explicável: viciado no exagero, o homem moderno começou a exagerar a moderação. Daí, pelo menos em parte, a voga de que gozam agora muitas atitudes e modos de pensar do início deste século que há dez ou quinze anos atrás teriam sido apontadas como manifestamente liberais.
Ora, nada poderia comprometer mais a fundo a causa de uma santa e sadia moderação, do que um tal desvio. Apontar, analisar, pôr a nu este desvio em algumas de suas incontáveis manifestações é pois serviço útil e urgente, na luta contra o exagero.
* * *
Há três princípios que o hipermoderantismo leva ao excesso. Tolerante, transigente, quiçá displicente em tudo, ele receia o excesso em todos os campos. Mas nestes três principias ele é intransigente como um inquisidor de legenda, fanático como um maometano, meticuloso como um fariseu. São três princípios excelentes:
1) a norma de Santo Agostinho, "odiai o erro e amai os que erram";
2) "a virtude está no meio termo";
3) a máxima de S. Francisco de Sales: "com uma colherinha de mel se atraem mais moscas do que com um tonel de vinagre".
Daí decorre toda uma série de posições unilaterais que redundam em liberalismo mais ou menos declarado.
* * *
O que o hipermoderantismo tem de característico, é que leva praticamente a uma posição de "terceira força" entre a verdade e o erro, o bem e o mal. Se num extremo está a Cidade de Deus, cujos filhos procuram difundir por todas as formas o bem e a verdade, se no outro extremo está a Cidade do Demónio, cujos soldados procuram difundir o erro e o mal sob todas as suas formas, é claro que a luta entre estas duas Cidades é inevitável. Pois duas forças agindo num mesmo campo em sentidos opostos têm de se combater necessariamente. De onde não pode haver uma difusão da verdade e do bem que não implique num combate ao erro e ao mal, e ainda aos fautores do erro e do mal. Reciprocamente, não pode haver difusão do erro e do mal que não acarrete combate à verdade, ao bem, aos que difundem a verdade, aos que trabalham pelo bem. É precisamente o que não querem ver os hipermoderantistas quando levam ao exagero a primeira máxima. Imaginam que, atacando ideias e só ideias, podem chegar à vitória. Como se as ideias fossem entes concretos, susceptíveis de ser atacados e derrotados. As ideias existem na mente dos que as professam. Derrotá-las é converter os seus adeptos, ou, caso estes se obstinem, apontá-los, desmascará-los, privá-los de qualquer influência.
Mas o "moderantista" exagerado não vê nada disto. Resolvido a atacar as ideias só em tese, ele parte em guerra contra dois adversários:
a) as ideias dos anticatólicos;
b) os católicos que levam o combate ao campo dos fatos concretos.
Entre uns e outros, ele atua pois como uma genuína "terceira força".
Bem entendido, o "moderantista" da "terceira força" aplica seus principias também no caso de luta entre católicos dóceis à Santa Sé, e os que professam os erros que o Santo Padre gloriosamente reinante condenou nas encíclicas "Mystici Corporis" e "Mediator Dei", na constituição "Bis Saeculari" e na encíclica "Humani Generis". Ele quer atacar só as doutrinas. Sempre que se trata de dizer que alguém errou, sempre que se trata de afastar alguém de um cargo ou situação em que sua influência poderia ser perigosa, o moderantista está em desacordo. É que isto seria faltar com a caridade, pois transporta a luta, do campo das ideias, para o campo das pessoas.
Em linhas gerais, é este o católico da "terceira força". Mas ele tem uma característica muito curiosa, que a sábia máxima de Santo Agostinho, ele a aplica só em uma direcção. Quando trata com os que professam doutrinas velada ou abertamente erradas, o católico da "terceira força" é "moderantista". Mas sempre que se defronta com os que lutam pela pureza absoluta da doutrina ele ataca... também, e até principalmente as pessoas.
Apontamos um curioso campo de amostra, para a analise de nossos leitores. Atentem eles para a oposição que a "terceira força" faz ao CATOLICISMO. Comparem a posição dos soldados da "terceira força" em relação a nós, com a sua posição em relação aos que divergem de nossas ideias. Para mera comodidade de exposição, e sem querer dar à expressão qualquer significado especial, chamemos a estes de esquerda, e a nós de direita.
No centro estaria a "terceira força". Vejamos:
1) Os escritos emanados da "esquerda" não oferecem maior perigo, desde que não propugnem abertamente o erro. Por isto, devem ser considerados com vistas gordas. Pelo contrario, os escritos da "direita" são perigosíssimos. Eles difundem pelo menos implicitamente uma atmosfera de pugnacidade e intransigência que lesa a caridade. Em consequência, devem ser analisados a fundo e com a maior atenção, e devem ser rigorosamente "boicotados" sempre que tragam consigo o menor fermento de discussão.
2) Os escritores da "esquerda", ainda quando incidam em um ou outro erro formal, podem ser pessoas excelentes, dignas de todo o apreço, e sua colaboração nas lides do apostolado pode e deve ser francamente aproveitada. Os escritores da "direita" pelo contrário são pessoas perigosas, cuja influência se exerce sempre em detrimento da caridade, e que devem ser afastadas de qualquer actividade apostólica.
3) Haveria falta de caridade em criar pela acção pessoal, em conversas com amigos e parentes, com companheiros das associações que se frequenta, etc., um ambiente de suspeição em torno dos elementos da "esquerda". Mas é obra de salvação pública aplicar toda a diligência para criar tal ambiente em relação aos da "direita".
4) É possível que neste ou naquele caso concreto a acção de algum entusiasta da "esquerda" tenha sido menos leal ou menos caridosa. Cumpre perdoá-lo, pois a paixão muito pode sobre a pobre humanidade decaída. Haveria juízo temerário, ou até manifesta calúnia em suspeitar das intenções de tais pessoas. É patente, porém, que a "direita" peca sempre contra a caridade, que o senso mais elementar da justiça pede que seus adeptos sejam punidos com a maior severidade, que pela energia se façam cessar suas actividades perniciosas. Quanto às suas intenções, se se as considera com muita caridade fica-se no limite de uma grave suspeita.
Qual o resultado desta formidável e feroz contradição? Não poderia ser mais claro. Os fautores do mal ficam cercados de toda a consideração, de todas as simpatias, providos em todas as posições-chave para a difusão do erro. Pelo contrário, os defensores da verdade ficam isolados, antipatizados, afastados de todas as situações estratégicas.
Em outros termos, todo o peso da influência da terceira força concorre para a vitória das ideias que - no mundo da lua pelo menos - ela condena.
Uma ideia fixa: a equidistância
Mas, dirá alguém, a virtude não está no meio? Se a direita é um extremo, se a esquerda é outro, a virtude não tem que estar a meia distância entre uma e outra? Seria preciso começar por indagar se a posição da "terceira força", dos "exageradamente moderados", realmente está no meio. Pois quando se tem todas as cóleras voltadas para um dos lados, e todas as indulgências para o outro, é muito difícil afirmar que se tem o coração a igual distância de um e de outro. Ademais, nada seria mais erróneo do que imaginar que, dadas duas opiniões contrárias, a virtude está sempre no meio-termo entre elas. Assim, se numa roda alguém é a favor da decapitação para punir o homicídio, e outra pessoa é a favor da simples prisão, não se deve deduzir daí que a verdade não consiste em cortar o homicida pelo pescoço, nem em não o cortar de modo nenhum, mas em cortá-lo pelas pernas. Do mesmo modo, em um grupo onde um católico sustenta que a Hierarquia Eclesiástica se compõe de Papa, Bispos e Párocos, e um presbiteriano nega o Papa e os Bispos e admite só os Párocos, a verdade estaria no meio-termo, isto é, no anglicanismo que admite os Bispos, não porém o Papa. Se um ladrão pretende ter direito a todo o dinheiro contido na carteira de sua vítima, e esta afirma que pelo contrário o ladrão não tem direito algum a tal, a virtude consistiria em ficar no meio-termo, e dar ao ladrão a metade do dinheiro. E entre um católico que afirma a existência das três Pessoas da Santíssima Trindade, e um herege que só admitisse em Deus uma Pessoa, a verdade estaria em ficar no meio-termo, aceitando a existência de duas Pessoas em Deus.
Num recto sentido da máxima, é certo que a verdade e a virtude estão no meio. Não porém num meio-termo qualquer, pois isto seria absurdo. O "meio" da máxima significa uma posição de equilíbrio perfeito, do qual estão excluídos todos os exageros teoricamente possíveis, todos os erros imagináveis, no qual há só verdade e bem.
A virtude está no meio
Vamos aos exemplos. Um estudante que sofre uma ou mais reprovações em primeira época é certamente um mau estudante. Outro que passe em todas as matérias com nota 5, é um estudante mediano. Outro ainda, que só alcance distinções em todo o curso, e obtenha todos os prémios, é um estudante excelente. Qual dos três está no meio-termo ideal? Se a virtude está no meio, o meio-termo está com o mais virtuoso. Ora, o mais virtuoso não é o que tirou nota 5 em todos os exames, mas o que tirou nota 10... Isto nos leva a uma formulação que melhor fará compreender a famosa máxima de que a virtude está no meio. Queremos saber onde está o meio? Está na virtude. De onde quanto mais se caminha na virtude, rumo aos píncaros da santidade, tanto mais se está no meio. "Meio" bem diverso, é claro, de mediania, mediocridade, insonsa equidistância entre o bem e o mal. Em matéria de pureza, o "meio" consiste em imitar S. Luiz de Gonzaga, que fugia de tudo quanto fosse mundanismo e tivesse a menor sombra de mal. Em matéria de ortodoxia o meio é a imitação de S. Tomás, Sto. Inácio de Loyola, S. Pio V. Em matéria de oração, é seguir Sta. Tereza de Jesus ou Sta. Terezinha. Em matéria de combatividade consiste em imitar S. Bernardo, o Santo das Cruzadas, ou Santa Joana d'Arc.
Se num extremo está o Céu e noutro o inferno, o "meio" em que a virtude se encontra não está a igual distância entre o trono de Deus e o banco de Satanás, naquela zona de réprobos que Dante viu na entrada do inferno, rejeitados igualmente pelos Anjos e pelos Demónios, isto é, os tíbios, os medíocres, os indiferentes, que passaram pela vida "sanza infâmia e sanza lodo" ( Inf. III, 21 ss. ). O meio se encontra num dos extremos, ou seja, no Céu.
Se queremos saber onde está o meio, só temos um caminho: perguntar à Igreja onde está a virtude.
Mel e vinagre
Mas, dirá por fim mais alguém, não é certo que com uma colherinha de mel se atraem mais moscas do que com um tonel de vinagre? Deixemos de lado a terceira força, e suas lamentáveis incoerências. Não seria melhor que os da "direita" abandonassem definitivamente os métodos polémicos, e procurassem convencer o "outro lado" por meios carinhosos?
Em princípio, o carinho é o que mais atrai os homens. Deve-se deduzir daí, que ele é a única atitude própria do apóstolo? Se Santa Joana d'Arc tivesse querido expulsar os ingleses à força de carícias, teria obtido resultado? S. Bernardo teria agido melhor não pregando as cruzadas, mas organizando na Cristandade um "dia da boa vontade" para com os maometanos? S. Pio V teria procedido mais cristãmente, e mais eficientemente, mandando a Lepanto, em lugar das naus de D. João d’Áustria, algum especialista em sorrisos pacifistas?
De tantos exemplos se deduz claramente que um Santo, preferindo sempre que possível meios suasórios, pode ser obrigado a usar processos muito severos. E isto por duas razões principais. Antes de tudo, no apostolado nem sempre se trata de converter. Desde que uma conversão se revele inviável pela obstinação do pecador, é preciso tirar a este os meios de perder outras almas. E isto raras vezes se obtém com o mero emprego de meios suasórios.
De outro lado, a própria conversão nem sempre se consegue por palavras suaves. A História está cheia de exemplos de almas que só foram tocadas quando ouviram palavras duras, apóstrofes terríveis, ameaças tremendas. Basta pensar no caso de Davi.
Assim, se é verdade que a suavidade atrai mais almas do que a severidade, é certo também que há almas que só a severidade pode converter, situações interiores, estados de crise que só a severidade pode resolver.
Isto posto, firma-se um princípio essencial, que haveria grave erro em esquecer ou subestimar. É que uma técnica de apostolado feita só de doçura é tão errada quanto outra que constasse exclusivamente de severidade.
Severidade ou doçura
Como agir então? Em que medida empregar cada um destes indispensáveis ingredientes da ação apostólica? Quanto de sal? Quanto de açúcar? A primeira vista, o problema parece insolúvel; na realidade é de fácil solução.
Distinga-se cuidadosamente a doçura virtuosa, da viciosa. E o mesmo se faça com a severidade.
"Por seus frutos os conhecereis", diz Nosso Senhor. Pode-se dizer isto dos homens, e também das tácticas de apostolado.
Quando a suavidade do apostolo é de molde a acender nas almas o gosto pela fé, pela pureza, pela vida mortificada, o desapego dos bens da terra, uma confiança sem limites na Igreja de Deus, um ódio inexorável ao pecado: quando a suavidade - em suma - converte e santifica, ela é reta, virtuosa, santa. Mas quando a suavidade do apostolo atola ainda mais o pecador em seu pecado, incutindo nele uma esperança presunçosa de se salvar, diminuindo nele a noção da gravidade de sua culpa, induzindo-o a considerar com indiferença a cólera de Deus, levando-o a odiar as pessoas virtuosas, a se jactar de suas máximas sensuais e mundanas, a sofismar os ditames da Fé e os ensinamentos da Igreja, tal suavidade vem do demónio.
Quando a severidade é turbulenta, irrequieta, contraditória, ora recriminando uma bagatela, ora deixando passar um fato grave; quando ela se exerce mais na defesa dos direitos reais ou supostos da pessoa severa, do que na defesa dos direitos de Deus e da Igreja; quando ela não se aplaca diante de um arrependimento sincero; quando visa desabafar e não edificar; quando não aceita pronta e mansamente os freios da obediência; quando não é de molde a despertar admiração ou atração pela virtude; quando incute um temor que desanima e não converte, não vem de Deus. Mas quando ela é inteiramente razoável mesmo em suas afirmações mais radicais; quando se funda totalmente em princípios, e não em cóleras de momento; quando tem em vista a defesa dos direitos e doutrinas da Igreja, e vê tudo "sub specie aeternitatis", em lugar de se orientar por fobias ou simpatias pessoais; quando aceita bem a obediência, anima para a virtude, afasta do pecado, atrai para Deus as almas, então é dom do Céu.
A santidade é o essencial
Isto posto, o essencial não é que se seja doce ou severo, mas que se seja santamente doce, ou santamente severo.
Severidade, doçura, dependem em grande parte de feitios de alma, e "na casa do Pai celeste há muitas moradas". Diz a Escritura que "o Espírito sopra onde quer", e Deus dá a cada qual Seus dons como entende. A uns dará o dom de atrair principalmente pela suavidade, como São Francisco de Sales. A outros, dará o dom de atrair a Ele pelo vigor de uma polémica fogosa e inflexível, como S. Jerónimo. Não ergamos Santo contra Santo, altar contra altar, virtude contra virtude. Compreendamos antes que onde está a santidade está Deus, fonte de todo o bem. Sejamos mais severos do que suaves, ou mais suaves do que severos: o essencial é que o sejamos santamente. Pois o que se quer é a santidade, isto é, a perfeita adesão à doutrina católica, à prática perfeita dos Mandamentos.
Num ou noutro caso, ainda que cheguemos a extremos estaremos agindo moderadamente, se agirmos santamente.
Repetimos: a virtude está no meio; e este famoso meio está na virtude.
E se não estivesse na virtude, onde poderia estar senão no inferno?
Resumamos em duas palavras o nosso artigo anterior.
O exagero é um defeito que pode corromper qualquer virtude. O amor à pátria, por exemplo, é uma qualidade, mas a estatolatria é um defeito. A justiça também é uma qualidade, mas o exagero pode transformá-la em dureza, e até em crueldade. A intransigência é uma virtude, mas, levada ao excesso, pode chegar ao sectarismo. E assim por diante.
Ora, a moderação também é uma qualidade. Logo, é susceptível de ser deformada pelo exagero. Ser "moderadamente moderado" é bom. Ser exageradamente moderado é mau. "Corruptio optimi péssima". A moderação é uma alta, uma altíssima virtude. Precisamente por isto, suas deformações são muito perigosas. Em princípio, é pois muito importante conhecer os exageros da moderação, para os prevenir ou remediar.
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A esta razão doutrinária válida para todos os tempos e todos os lugares soma-se - para recomendar um estudo do assunto nestes primórdios de ano - um motivo circunstancial dos mais ponderáveis. O homem de nossos dias é essencialmente exagerado. Durante decénios inteiros sopraram sobre ele os ventos desencadeados das propagandas políticas e sociais mais extremadas. Ele tomou gosto pelo excesso. Depois da guerra tem-se feito em vários sectores um esforço muito oportuno para lhe incutir alguma moderação. Sucedeu então um fenómeno curioso, mas explicável: viciado no exagero, o homem moderno começou a exagerar a moderação. Daí, pelo menos em parte, a voga de que gozam agora muitas atitudes e modos de pensar do início deste século que há dez ou quinze anos atrás teriam sido apontadas como manifestamente liberais.
Ora, nada poderia comprometer mais a fundo a causa de uma santa e sadia moderação, do que um tal desvio. Apontar, analisar, pôr a nu este desvio em algumas de suas incontáveis manifestações é pois serviço útil e urgente, na luta contra o exagero.
* * *
Há três princípios que o hipermoderantismo leva ao excesso. Tolerante, transigente, quiçá displicente em tudo, ele receia o excesso em todos os campos. Mas nestes três principias ele é intransigente como um inquisidor de legenda, fanático como um maometano, meticuloso como um fariseu. São três princípios excelentes:
1) a norma de Santo Agostinho, "odiai o erro e amai os que erram";
2) "a virtude está no meio termo";
3) a máxima de S. Francisco de Sales: "com uma colherinha de mel se atraem mais moscas do que com um tonel de vinagre".
Daí decorre toda uma série de posições unilaterais que redundam em liberalismo mais ou menos declarado.
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O que o hipermoderantismo tem de característico, é que leva praticamente a uma posição de "terceira força" entre a verdade e o erro, o bem e o mal. Se num extremo está a Cidade de Deus, cujos filhos procuram difundir por todas as formas o bem e a verdade, se no outro extremo está a Cidade do Demónio, cujos soldados procuram difundir o erro e o mal sob todas as suas formas, é claro que a luta entre estas duas Cidades é inevitável. Pois duas forças agindo num mesmo campo em sentidos opostos têm de se combater necessariamente. De onde não pode haver uma difusão da verdade e do bem que não implique num combate ao erro e ao mal, e ainda aos fautores do erro e do mal. Reciprocamente, não pode haver difusão do erro e do mal que não acarrete combate à verdade, ao bem, aos que difundem a verdade, aos que trabalham pelo bem. É precisamente o que não querem ver os hipermoderantistas quando levam ao exagero a primeira máxima. Imaginam que, atacando ideias e só ideias, podem chegar à vitória. Como se as ideias fossem entes concretos, susceptíveis de ser atacados e derrotados. As ideias existem na mente dos que as professam. Derrotá-las é converter os seus adeptos, ou, caso estes se obstinem, apontá-los, desmascará-los, privá-los de qualquer influência.
Mas o "moderantista" exagerado não vê nada disto. Resolvido a atacar as ideias só em tese, ele parte em guerra contra dois adversários:
a) as ideias dos anticatólicos;
b) os católicos que levam o combate ao campo dos fatos concretos.
Entre uns e outros, ele atua pois como uma genuína "terceira força".
Bem entendido, o "moderantista" da "terceira força" aplica seus principias também no caso de luta entre católicos dóceis à Santa Sé, e os que professam os erros que o Santo Padre gloriosamente reinante condenou nas encíclicas "Mystici Corporis" e "Mediator Dei", na constituição "Bis Saeculari" e na encíclica "Humani Generis". Ele quer atacar só as doutrinas. Sempre que se trata de dizer que alguém errou, sempre que se trata de afastar alguém de um cargo ou situação em que sua influência poderia ser perigosa, o moderantista está em desacordo. É que isto seria faltar com a caridade, pois transporta a luta, do campo das ideias, para o campo das pessoas.
Em linhas gerais, é este o católico da "terceira força". Mas ele tem uma característica muito curiosa, que a sábia máxima de Santo Agostinho, ele a aplica só em uma direcção. Quando trata com os que professam doutrinas velada ou abertamente erradas, o católico da "terceira força" é "moderantista". Mas sempre que se defronta com os que lutam pela pureza absoluta da doutrina ele ataca... também, e até principalmente as pessoas.
Apontamos um curioso campo de amostra, para a analise de nossos leitores. Atentem eles para a oposição que a "terceira força" faz ao CATOLICISMO. Comparem a posição dos soldados da "terceira força" em relação a nós, com a sua posição em relação aos que divergem de nossas ideias. Para mera comodidade de exposição, e sem querer dar à expressão qualquer significado especial, chamemos a estes de esquerda, e a nós de direita.
No centro estaria a "terceira força". Vejamos:
1) Os escritos emanados da "esquerda" não oferecem maior perigo, desde que não propugnem abertamente o erro. Por isto, devem ser considerados com vistas gordas. Pelo contrario, os escritos da "direita" são perigosíssimos. Eles difundem pelo menos implicitamente uma atmosfera de pugnacidade e intransigência que lesa a caridade. Em consequência, devem ser analisados a fundo e com a maior atenção, e devem ser rigorosamente "boicotados" sempre que tragam consigo o menor fermento de discussão.
2) Os escritores da "esquerda", ainda quando incidam em um ou outro erro formal, podem ser pessoas excelentes, dignas de todo o apreço, e sua colaboração nas lides do apostolado pode e deve ser francamente aproveitada. Os escritores da "direita" pelo contrário são pessoas perigosas, cuja influência se exerce sempre em detrimento da caridade, e que devem ser afastadas de qualquer actividade apostólica.
3) Haveria falta de caridade em criar pela acção pessoal, em conversas com amigos e parentes, com companheiros das associações que se frequenta, etc., um ambiente de suspeição em torno dos elementos da "esquerda". Mas é obra de salvação pública aplicar toda a diligência para criar tal ambiente em relação aos da "direita".
4) É possível que neste ou naquele caso concreto a acção de algum entusiasta da "esquerda" tenha sido menos leal ou menos caridosa. Cumpre perdoá-lo, pois a paixão muito pode sobre a pobre humanidade decaída. Haveria juízo temerário, ou até manifesta calúnia em suspeitar das intenções de tais pessoas. É patente, porém, que a "direita" peca sempre contra a caridade, que o senso mais elementar da justiça pede que seus adeptos sejam punidos com a maior severidade, que pela energia se façam cessar suas actividades perniciosas. Quanto às suas intenções, se se as considera com muita caridade fica-se no limite de uma grave suspeita.
Qual o resultado desta formidável e feroz contradição? Não poderia ser mais claro. Os fautores do mal ficam cercados de toda a consideração, de todas as simpatias, providos em todas as posições-chave para a difusão do erro. Pelo contrário, os defensores da verdade ficam isolados, antipatizados, afastados de todas as situações estratégicas.
Em outros termos, todo o peso da influência da terceira força concorre para a vitória das ideias que - no mundo da lua pelo menos - ela condena.
Uma ideia fixa: a equidistância
Mas, dirá alguém, a virtude não está no meio? Se a direita é um extremo, se a esquerda é outro, a virtude não tem que estar a meia distância entre uma e outra? Seria preciso começar por indagar se a posição da "terceira força", dos "exageradamente moderados", realmente está no meio. Pois quando se tem todas as cóleras voltadas para um dos lados, e todas as indulgências para o outro, é muito difícil afirmar que se tem o coração a igual distância de um e de outro. Ademais, nada seria mais erróneo do que imaginar que, dadas duas opiniões contrárias, a virtude está sempre no meio-termo entre elas. Assim, se numa roda alguém é a favor da decapitação para punir o homicídio, e outra pessoa é a favor da simples prisão, não se deve deduzir daí que a verdade não consiste em cortar o homicida pelo pescoço, nem em não o cortar de modo nenhum, mas em cortá-lo pelas pernas. Do mesmo modo, em um grupo onde um católico sustenta que a Hierarquia Eclesiástica se compõe de Papa, Bispos e Párocos, e um presbiteriano nega o Papa e os Bispos e admite só os Párocos, a verdade estaria no meio-termo, isto é, no anglicanismo que admite os Bispos, não porém o Papa. Se um ladrão pretende ter direito a todo o dinheiro contido na carteira de sua vítima, e esta afirma que pelo contrário o ladrão não tem direito algum a tal, a virtude consistiria em ficar no meio-termo, e dar ao ladrão a metade do dinheiro. E entre um católico que afirma a existência das três Pessoas da Santíssima Trindade, e um herege que só admitisse em Deus uma Pessoa, a verdade estaria em ficar no meio-termo, aceitando a existência de duas Pessoas em Deus.
Num recto sentido da máxima, é certo que a verdade e a virtude estão no meio. Não porém num meio-termo qualquer, pois isto seria absurdo. O "meio" da máxima significa uma posição de equilíbrio perfeito, do qual estão excluídos todos os exageros teoricamente possíveis, todos os erros imagináveis, no qual há só verdade e bem.
A virtude está no meio
Vamos aos exemplos. Um estudante que sofre uma ou mais reprovações em primeira época é certamente um mau estudante. Outro que passe em todas as matérias com nota 5, é um estudante mediano. Outro ainda, que só alcance distinções em todo o curso, e obtenha todos os prémios, é um estudante excelente. Qual dos três está no meio-termo ideal? Se a virtude está no meio, o meio-termo está com o mais virtuoso. Ora, o mais virtuoso não é o que tirou nota 5 em todos os exames, mas o que tirou nota 10... Isto nos leva a uma formulação que melhor fará compreender a famosa máxima de que a virtude está no meio. Queremos saber onde está o meio? Está na virtude. De onde quanto mais se caminha na virtude, rumo aos píncaros da santidade, tanto mais se está no meio. "Meio" bem diverso, é claro, de mediania, mediocridade, insonsa equidistância entre o bem e o mal. Em matéria de pureza, o "meio" consiste em imitar S. Luiz de Gonzaga, que fugia de tudo quanto fosse mundanismo e tivesse a menor sombra de mal. Em matéria de ortodoxia o meio é a imitação de S. Tomás, Sto. Inácio de Loyola, S. Pio V. Em matéria de oração, é seguir Sta. Tereza de Jesus ou Sta. Terezinha. Em matéria de combatividade consiste em imitar S. Bernardo, o Santo das Cruzadas, ou Santa Joana d'Arc.
Se num extremo está o Céu e noutro o inferno, o "meio" em que a virtude se encontra não está a igual distância entre o trono de Deus e o banco de Satanás, naquela zona de réprobos que Dante viu na entrada do inferno, rejeitados igualmente pelos Anjos e pelos Demónios, isto é, os tíbios, os medíocres, os indiferentes, que passaram pela vida "sanza infâmia e sanza lodo" ( Inf. III, 21 ss. ). O meio se encontra num dos extremos, ou seja, no Céu.
Se queremos saber onde está o meio, só temos um caminho: perguntar à Igreja onde está a virtude.
Mel e vinagre
Mas, dirá por fim mais alguém, não é certo que com uma colherinha de mel se atraem mais moscas do que com um tonel de vinagre? Deixemos de lado a terceira força, e suas lamentáveis incoerências. Não seria melhor que os da "direita" abandonassem definitivamente os métodos polémicos, e procurassem convencer o "outro lado" por meios carinhosos?
Em princípio, o carinho é o que mais atrai os homens. Deve-se deduzir daí, que ele é a única atitude própria do apóstolo? Se Santa Joana d'Arc tivesse querido expulsar os ingleses à força de carícias, teria obtido resultado? S. Bernardo teria agido melhor não pregando as cruzadas, mas organizando na Cristandade um "dia da boa vontade" para com os maometanos? S. Pio V teria procedido mais cristãmente, e mais eficientemente, mandando a Lepanto, em lugar das naus de D. João d’Áustria, algum especialista em sorrisos pacifistas?
De tantos exemplos se deduz claramente que um Santo, preferindo sempre que possível meios suasórios, pode ser obrigado a usar processos muito severos. E isto por duas razões principais. Antes de tudo, no apostolado nem sempre se trata de converter. Desde que uma conversão se revele inviável pela obstinação do pecador, é preciso tirar a este os meios de perder outras almas. E isto raras vezes se obtém com o mero emprego de meios suasórios.
De outro lado, a própria conversão nem sempre se consegue por palavras suaves. A História está cheia de exemplos de almas que só foram tocadas quando ouviram palavras duras, apóstrofes terríveis, ameaças tremendas. Basta pensar no caso de Davi.
Assim, se é verdade que a suavidade atrai mais almas do que a severidade, é certo também que há almas que só a severidade pode converter, situações interiores, estados de crise que só a severidade pode resolver.
Isto posto, firma-se um princípio essencial, que haveria grave erro em esquecer ou subestimar. É que uma técnica de apostolado feita só de doçura é tão errada quanto outra que constasse exclusivamente de severidade.
Severidade ou doçura
Como agir então? Em que medida empregar cada um destes indispensáveis ingredientes da ação apostólica? Quanto de sal? Quanto de açúcar? A primeira vista, o problema parece insolúvel; na realidade é de fácil solução.
Distinga-se cuidadosamente a doçura virtuosa, da viciosa. E o mesmo se faça com a severidade.
"Por seus frutos os conhecereis", diz Nosso Senhor. Pode-se dizer isto dos homens, e também das tácticas de apostolado.
Quando a suavidade do apostolo é de molde a acender nas almas o gosto pela fé, pela pureza, pela vida mortificada, o desapego dos bens da terra, uma confiança sem limites na Igreja de Deus, um ódio inexorável ao pecado: quando a suavidade - em suma - converte e santifica, ela é reta, virtuosa, santa. Mas quando a suavidade do apostolo atola ainda mais o pecador em seu pecado, incutindo nele uma esperança presunçosa de se salvar, diminuindo nele a noção da gravidade de sua culpa, induzindo-o a considerar com indiferença a cólera de Deus, levando-o a odiar as pessoas virtuosas, a se jactar de suas máximas sensuais e mundanas, a sofismar os ditames da Fé e os ensinamentos da Igreja, tal suavidade vem do demónio.
Quando a severidade é turbulenta, irrequieta, contraditória, ora recriminando uma bagatela, ora deixando passar um fato grave; quando ela se exerce mais na defesa dos direitos reais ou supostos da pessoa severa, do que na defesa dos direitos de Deus e da Igreja; quando ela não se aplaca diante de um arrependimento sincero; quando visa desabafar e não edificar; quando não aceita pronta e mansamente os freios da obediência; quando não é de molde a despertar admiração ou atração pela virtude; quando incute um temor que desanima e não converte, não vem de Deus. Mas quando ela é inteiramente razoável mesmo em suas afirmações mais radicais; quando se funda totalmente em princípios, e não em cóleras de momento; quando tem em vista a defesa dos direitos e doutrinas da Igreja, e vê tudo "sub specie aeternitatis", em lugar de se orientar por fobias ou simpatias pessoais; quando aceita bem a obediência, anima para a virtude, afasta do pecado, atrai para Deus as almas, então é dom do Céu.
A santidade é o essencial
Isto posto, o essencial não é que se seja doce ou severo, mas que se seja santamente doce, ou santamente severo.
Severidade, doçura, dependem em grande parte de feitios de alma, e "na casa do Pai celeste há muitas moradas". Diz a Escritura que "o Espírito sopra onde quer", e Deus dá a cada qual Seus dons como entende. A uns dará o dom de atrair principalmente pela suavidade, como São Francisco de Sales. A outros, dará o dom de atrair a Ele pelo vigor de uma polémica fogosa e inflexível, como S. Jerónimo. Não ergamos Santo contra Santo, altar contra altar, virtude contra virtude. Compreendamos antes que onde está a santidade está Deus, fonte de todo o bem. Sejamos mais severos do que suaves, ou mais suaves do que severos: o essencial é que o sejamos santamente. Pois o que se quer é a santidade, isto é, a perfeita adesão à doutrina católica, à prática perfeita dos Mandamentos.
Num ou noutro caso, ainda que cheguemos a extremos estaremos agindo moderadamente, se agirmos santamente.
Repetimos: a virtude está no meio; e este famoso meio está na virtude.
E se não estivesse na virtude, onde poderia estar senão no inferno?
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Ciclistas peregrinaram a Fátima
No dia 6 de Fevereiro, logo pela manhã, alguns mesmo de madrugada, ciclistas de todo o País pedalaram rumo a Fátima para participar naquela que foi a nona edição da Peregrinação Nacional dos Ciclistas.
O bispo emérito de Leiria-Fátima, recebeu uma bicicleta, oferecida, em nome dos ciclistas, pela Federação Portuguesa de Cicloturismo (FPC). Este gesto simbolizou o agradecimento a D. Serafim Ferreira e Silva, pelo apoio incondicional dado a esta iniciativa desde a primeira edição.
Mais de quatro mil ciclistas participaram no momento da bênção, realizado após a visita às casas dos pastorinhos e aos locais das aparições do Anjo e de Nossa Senhora em Aljustrel.
Para o momento da bênção, a rua lateral sul à Igreja da Santíssima Trindade acolheu este grande grupo de peregrinos das mais diversas categorias e idades, tais como Iniciados, Infantis, Juvenis, Cadetes, Juniores e Esperanças, Elites, Ciclodesportistas, Veteranos, Cicloturistas, e todos os amantes da bicicleta de estrada ou de BTT. A uma só voz, todos rezaram a oração impressa numa pequena pagela oferecida pelo Santuário de Fátima aos participantes. “Nós vos pedimos Senhor por todos os que usam bicicletas, para que percorram o seu caminho com precaução e segurança, com a sua prudência tornem seguro o caminho dos outros e, quer nas viagens de descanso, quer nas de trabalho, sintam sempre a companhia de Jesus Cristo”.
Terminada a bênção celebrou-se a eucaristia, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Educação sexual:
«Estas normas puseram-me a alma
num inferno... »
Joel Costa, autor do programa «Questões de Moral», da Antena 2 da rádio, resolveu ler as normas provenientes do Ministério da Educação que legitimam a Educação sexual como objecto de educação escolar, desde o primeiro ano do Ensino Básico. O resultado dessa análise acutilante, que, como é estilo do radialista, se revereste de um humor fino, pode ser ouvido aqui ou lido a seguir. O texto, que tomámos a liberdade de transcrever, será longo, mas a sua essência valerá o esforço do leitor.
Ler em:
http://uniaodasfamiliasportuguesas.blogspot.com/2011/02/educacao-sexual-estas-normas-puseram-me.html
Bento XVI aos teólogos
Discurso à plenária da Comissão Teológica Internacional
Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010
Nenhuma teologia é tal se não estiver integrada na vida e se não for reflexão da Igreja através do tempo e do espaço. Sim, é verdade que, para ser científica, a teologia deve argumentar de modo racional, as também deve ser fiel à natureza da fé eclesial: centrada em Deus, radicada na oração, numa comunhão com os outros discípulos do Senhor garantida pela comunhão com o Sucessor de Pedro e com todo o Colégio episcopal.
Este acolhimento e transmissão do Logos tem também como consequência que a própria racionalidade da teologia ajuda a purificar a razão humana libertando-a de certos preconceitos e ideias que podem exercer uma forte influência no pensamento de todas as épocas.
Por outro lado, é preciso relevar que a teologia vive sempre em continuidade e em diálogo com os crentes e com os teólogos que vieram antes de nós: dado que a comunhão eclesial é diacrónica, também a teologia o é.
O teólogo nunca começa do zero, mas considera como mestres os Padres e os teólogos de toda a tradição cristã. Radicada na Sagrada Escritura, lida com os Padres e com os Doutores, a teologia pode ser escola de santidade, como nos testemunhou o beato John Henry Newman.
Fazer descobrir o valor permanente da riqueza transmitida do passado não é uma contribuição de pouco valor da teologia ao conjunto das ciências.
Queridos amigos teólogos, o nosso encontro de hoje manifesta de modo precioso e singular a unidade indispensável que deve reinar entre teólogos e Pastores.
Não se pode ser teólogos em solidão: os teólogos precisam do ministério dos Pastores da Igreja, assim como o Magistério precisa de teólogos que realizam até ao fim o seu serviço, com toda a ascese que isto exige.
Governo português
contra a defesa dos cristãos
Aura Miguel, RR
Quando ouvimos notícias sobre atentados contra cristãos, sofremos e, muitas vezes, revoltamo-nos ao saber que foram mortos cobardemente por ódio à fé, enquanto rezavam, como aconteceu recentemente no Iraque e no Egipto.
Entre nós – no Ocidente – não há perseguição aberta nem martírios frequentes, mas muitos cristãos sofrem certa pressão e discriminação: ao nível da opinião pública, nos programas de ensino impostos pelo Governo, na legislação sobre saúde, sobre a família e a vida humana... Enfim, cada um de nós é capaz de enunciar já hoje um ou outro caso.
Às claras, ou veladamente, a violência e intolerância contra os cristãos é sempre condenável. Claro! Foi o que também achou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália ao propor, esta semana, à UE, uma declaração conjunta para condenar a perseguição religiosa anticristã.
A proposta italiana teve o apoio da grande maioria dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União, mas foi bloqueada por cinco países: Portugal, Espanha, Luxemburgo, Irlanda e Chipre. E, por isso, não se chegou a acordo.
Ficamos, pois, a saber que o Governo de Portugal é líder na Europa contra a defesa dos cristãos.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
A Igreja, a abstenção e o voto útil
Sobre as últimas eleições presidenciais, o P.e Gonçalo Portocarrero de Almada publicou dois artigos, que à data publicámos. O P.e Gonçalo Portocarrero de Almada chamava a atenção para o facto de os católicos, para evitarem o mal maior, se deixarem utilizar por aqueles que representariam o chamado mal menor. Os artigos em questão provocaram algumas reacções negativas por parte de alguns católicos instalados no sistema político corrupto, nomeadamente aqueles desculpabilizadores ou colados a Cavaco, «o mal menor». A lavar os cestos, o jornal da Diocese de Lisboa A Voz da Verdade resolveu entrevistar o P.e Gonçalo Portocarrero de Almada. Eis a entrevista.
Nas eleições presidenciais a abstenção ultrapassou os cinquenta por cento. Há quem entenda que o generalizado abstencionismo é um voto de protesto da maioria dos eleitores. Sobre esta questão, quisemos ouvir o Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada.
1. Nas vésperas das eleições presidenciais, assinou dois artigos de opinião que foram entendidos como uma tentativa de influenciar o voto dos cristãos.
P.GPA – Foram então muito mal entendidos, porque tive o cuidado, precisamente para não dar azo a esse tipo de leituras, de não referir nenhuma candidatura, nenhum nome de nenhum candidato, nem nenhum partido ou força política. Também não abordei questões de política partidária, nem emiti qualquer juízo sobre matéria opinável.
2. Mas a alusão ao voto inútil e ao voto em consciência não era, de algum modo, um convite a não votar na candidatura presidencial vencedora?
P. GPA – Era, sobretudo, uma chamada de atenção contra o relativismo a que necessariamente se apela quando se recorre ao argumento do voto útil, e um apelo para a necessidade de votar em consciência. Confesso que me repugna a impunidade política dominante e uma atitude indulgente dos eleitores significa uma certa cumplicidade com essas incoerências.
3. Mas isso não implica um juízo moral dos candidatos?
P. GPA – Enquanto pessoas, é óbvio que ninguém os deve julgar, mas os seus actos políticos podem e devem ser objecto de apreciação moral. Se um candidato defraudar sistematicamente as legítimas expectativas dos seus eleitores e esse facto não tiver quaisquer consequências, é caso para dizer que, em política, o crime compensa. É esta perversa lógica que me pareceu importante denunciar.
4. Mas é evidente que os artigos desfavoreciam a candidatura presidencial que veio a ganhar as eleições, embora com um resultado muito inferior ao total das abstenções.
P.GPA – Pelo contrário, porque em vez de considerar em pé de igualdade todas as candidaturas, afirmei sempre que, se algumas não seriam de modo nenhum admissíveis para um cristão coerente, outras, como a que veio a ganhar, poderiam ser uma opção lícita, em virtude do princípio do mal menor, para quem se revê na Doutrina Social da Igreja.
5. Então, como explica algum mal-estar suscitado por esses seus artigos de opinião?
P. GPA – Não creio que haja motivo para essa admiração se tivermos presente que a pregação de Jesus Cristo também causava escândalo, sobretudo entre os fariseus e os pusilânimes. Hoje, seria preciso acrescentar também os inimigos da liberdade e da Igreja.
6. Como assim?!
P. GPA – O voto dos cristãos é sempre apetecível, nomeadamente num país cuja matriz cultural é essencialmente cristã. Por isso, há sempre quem queira apropriar-se desse voto, recorrendo ao argumento do «voto útil»: os cristãos devem votar e devem votar bem, isto é, votar na candidatura menos má.
7. Mas, não é correcto este argumento?
P. GPA – Claro que não! Ninguém, mesmo sendo católico, é dono do voto dos cristãos, nem a Igreja pode ficar refém de nenhuma força ou partido político. Que os fiéis possam votar na candidatura menos má não quer dizer que estejam obrigados a votar nela, porque também é moralmente legítimo o voto em outras candidaturas, desde que compatíveis com a fé cristã, bem como a abstenção, o voto em branco ou o voto nulo.
8. De todos os modos, uma tal atitude parece, em termos políticos, pouco razoável e pouco ou nada construtiva.
P. GPA – Talvez, mas em termos morais, que são os únicos que me interessam, é importante defender a liberdade da Igreja e a dos fiéis nestas matérias. Acho curioso que os mesmos políticos que apelaram energicamente à participação no sufrágio e censuraram, com azedume, a abstenção, foram também os que impediram essa mesma participação, quando excluíram a possibilidade de um referendo sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, que dezenas de milhares de eleitores tinham pedido.
9. Mas, não lhe parece que se trata de uma questão eminentemente política?
P. GPA – Antes de o ser, é ética e pastoral. Depois de publicados os artigos que referiu, muitos fiéis confidenciaram-me que tinham ficado muito aliviados nas suas consciências, porque erradamente pensavam que estavam obrigados a votar e a votar útil, apesar disso lhes parecer uma violência e uma falsidade, na medida em que não se identificavam minimamente com nenhuma candidatura. É missão dos pastores esclarecer as almas dos fiéis sobre estas questões e defender a sua liberdade de consciência.
10. De todos os modos, não teria sido mais conveniente que esse esclarecimento não tivesse ocorrido em plena campanha eleitoral?
P. GPA – Desculpe-me a ingenuidade, mas pensava que a campanha eleitoral servia precisamente para abordar estes assuntos. É recorrente essa tentativa de amordaçar a Igreja, com a desculpa de que se não deve intrometer em política. Nas vésperas do referendo do aborto, também não faltou quem quisesse silenciar a Igreja, mas os pastores devem pregar a vida nas vésperas dos referendos, nos dias dos referendos e nos dias seguintes aos referendos, porque a nossa agenda é o Evangelho e não o calendário político ou eleitoral.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
França diz não ao "matrimónio" homossexual
O Conselho Constitucional francês decidiu que a proibição do matrimónio entre duas pessoas do mesmo sexo não viola a Constituição do país, e só o Parlamento pode decidir uma mudança na legislação, segundo a resolução publicada na sua página Web.
Os nove "Sábios" que o compõem recordaram que segundo os artigos 75 e 144 do Código Civil, "o matrimónio é a união de um homem e uma mulher". Além disso, o órgão francês indicou que o legislador, "no exercício de sua competência, estimou que a diferença de situação entre os casais do mesmo sexo e os casais compostos por um homem e uma mulher poderia justificar uma diferença de tratamento quanto às regras de direito da família".
"Não corresponde ao Conselho Constitucional substituir a sua apreciação (do legislador) na hora de ter em conta esta diferença de situação", explicou o Conselho referindo-se ao Parlamento.
A resolução vem pelo recurso de inconstitucionalidade interposto por duas lésbicas contra esses dois artigos.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Ajuda de Berço:
Missa de Acção de Graças
A Ajuda de Berço, depois de um período muito, muito difícil que, como todos sabem, quase obrigou fechar uma das casas, teve o milagre da grande benção e protecção de Jesus por esta obra ( que é Dele ) em primeiro lugar, e em segundo a grande generosidade e empenho de todos quantos se empenharam e comprometeram para que esta obra e esta missão continue.
Por tudo isto, pelo acolhimento destes bebés, por todos os postos de trabalho que se conseguiu manter e assegurar , vamos celebrar uma missa de Acção de Graças! Já o fizemos para pedir, agora faremos para agradecer ! Será dia 28, sexta-feira, ás 12 horas na casa de Monsanto .
É muito importante que participem todos os que possam, pois é na comunhão destes momentos que confirmamos a nossa pertença a esta causa.
Venham agradecer o milagre de podermos continuar a dar colo a estes bebés!
A Direcção
21/01/2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Bento XVI:
«Missão do católico é transformar o mundo
com Cristo»
Em Outubro passado, o Papa Bento XVI, aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, citando Paulo VI, declarou:
«A Igreja existe para evangelizar, quer dizer para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus, perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa que é o memorial de sua morte e de sua gloriosa ressurreição.»
Estas e as próximas eleições
Nuno Serras Pereira
1. Segundo noticia a comunicação social Cavaco Silva foi eleito com menos meio milhão de votos (números redondos, de facto são mais) do que no primeiro mandato. Esta diminuição muito significativa do seu eleitorado mostrou claramente a vontade de uma punição ao seu comportamento ético irresponsável ao promulgar leis iníquas e injustas. Esta multidão de pessoas, ao que sabemos em virtude de múltiplos contactos, ou votaram nulo, ou em branco ou em candidatos que sabiam que não seriam eleitos (assim se explicam as percentagens de votos de Fernando Nobre e de José Manuel Coelho) ou pura e simplesmente abstiveram-se.
Era da maior importância que este sinal de indignação e descontentamento fosse dado – só é pena que não fosse ainda mais extenso. Ele constitui uma força que, se bem aproveitada, poderá servir de freio para o mal e de incentivo para o bem àqueles dois partidos políticos que ainda têm uns resquícios de respeito pela vida nascitura, pela família natural, pela liberdade de ensino e de educação, pela liberdade religiosa, pela salvaguarda da inocência de crianças e jovens.
Por isso, proponho que, desde já, se elabore uma Declaração, para ser assinada pelo maior número possível de pessoas, na qual se diga com toda a firmeza que o respeito e a defesa dos absolutos morais, isto é, dos princípios e valores inegociáveis será a condição essencial para votar nesses partidos. De facto, nenhum destes estará em condições de desprezar algumas centenas de milhares de votos.
Todos os cidadãos, crentes ou não crentes, fiéis leigos ou membros da hierarquia deverão participar e ajudar neste esforço que não é somente educativo e evangelizador mas do qual dependerá, em grandíssima parte, o futuro do país e do cristianismo em Portugal.
2. Desde o 25 de Abril que me tenho preocupado com uma coisa a que muitos parecem alheios. Em todas as eleições os partidos de matriz anticristã são sempre muito mais numerosos do que aqueles que se podem, ou podiam!?, reclamar-se de inspiração cristã. Um dos funestos resultados deste estado de coisas - em virtude de uma maior presença na comunicação social, tempos de antena, comícios, etc. -, é o de ter influído “catequeticamente”, o de ter permeado, uma mentalidade avessa à Lei Moral Natural e ao Cristianismo na generalidade dos fiéis e crentes e do povo em geral, mesmo quando pertencem a outros partidos.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Todos os cristãos devem opor-se
à agenda escolar da União Europeia
Para unir-se a esta iniciativa, entre em:
Durão Barroso convidado
por loja maçónica do GOL
Maçonaria anuncia presença do presidente da Comissão Europeia em Lisboa, a confirmar. Assessoria de Durão diz que não está nada na agenda
O Grande Oriente Lusitano (GOL), a mais importante corrente maçónica portuguesa, está a anunciar internamente a presença, ainda que sujeita a confirmação, do presidente da Comissão Europeia num ciclo de conferências sobre o futuro da União Europeia. À SÁBADO, a assessoria de Durão Barroso diz que nada está marcado na agenda do presidente da Comissão Europeia. “Ou não aceitou ou ainda não aceitou”, referiu a assessora Leonor Ribeiro da Silva.
Um Documento interno da Loja Europa a que a SÁBADO teve acesso refere que Durão Barroso deverá encerrar, em Junho, ainda sem data exacta designada, um ciclo de sete conferências sobre a União Europeia.
A sessão deverá decorrer entre as 19h e as 20h30 na sala Magalhães Lima, na sede do GOL, no Bairro Alto, em Lisboa. As inscrições estão ainda a fazer-se para o próprio endereço electrónico da Loja Europa (europa.gol [at] gmail.com), anunciando-se também a participação de António Reis, grão-mestre do GOL, que falará sobre o tema Os valores europeus.
[...]
Este mês já se realizou urna sessão, no dia 2, com a presença de Ernâni Lopes, director do Instituto de Estudos Europeus, prevendo-se que nesta quinta-feira, dia 25, seja o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar, o convidado principal no evento realizado pela maçonaria.
Com ou sem Durão Barroso, ainda irão passar pelo GOL, em Abril, Carlos Santos Ferreira, presidente do Millenium BCP, e, Em Maio, o antigo Presidente da Republica Mário Soares.
In Revista Sábado
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
A fé dos Demónios
Nuno Serras Pereira
1. Poderá um Sacerdote ou um Bispo aconselhar em quem votar ou desaconselhar de votar. Segundo o Cardeal Pell, que recentemente se pronunciou sobre o assunto, qualquer um deles tem plena legitimidade de o fazer, em circunstancias habituais, pois qualquer um deles é cidadão, como todas as outras pessoas.
Em Maio do ano passado escrevi dois pequenos textos sobre as presidenciais[1] nos quais sugeria que não se votasse em Cavaco Silva, em virtude das “leis” injustas, iníquas e criminosas que promulgou, cooperando desse modo formalmente com o mal intrínseco das mesmas e tornando-se moralmente responsável por todos os males, previstos e imprevistos, cometidos ao abrigo dessa mesmas “leis” [2] . Neles propunha, uma vez que os restantes candidatos padecem do mesmo mal, uma abstenção generalizada, com um propósito determinado. O facto de não sugerir o voto branco não se deveu somente ao facto de ele não contar como voto expresso mas também à circunstância de me parecer praticamente impossível persuadir um número significativo de pessoas a saírem de casa para irem votar desse modo. Continuo pois a favorecer a desmobilização eleitoral, pela abstenção.[3]
2. Desde então, e agora com maior frequência, tem-se advogado a escolha de Cavaco Silva em nome do “mal menor”. Este mal dito menor é defendido fundamentalmente por dois motivos. O primeiro consiste em pensar que Cavaco Silva é uma garantia que muito poderá ajudar na resolução da grave crise económica. Mutatis mutandi essa seria uma razão para votar em Hitler em vez de Stalin, caso a eleição se disputasse entre os dois. Julgue o leitor se seria oportuno e lícito escolher o primeiro. Eu, por mim, recusar-me-ia, evidentemente, a votar em qualquer um deles. O segundo motivo prende-se com a Fé. Cavaco diz que acredita em Deus e que é um católico praticante. Alegre pelo contrário professa o ateísmo. Ora, segundo alguns sempre será melhor eleger alguém que acredita em Deus do que quem n’ Ele não crê. Esta afirmação, porém, parece esquecer duas coisas. A primeira prende-se com o que o Papa Bento XVI e toda a história da Igreja têm ensinado, a saber, que os piores inimigos da mesma se encontram dentro dela e não fora. E a segunda de que há uma fé que é pior do que a ausência dela. Trata-se da fé dos demónios, de que fala S. Tiago na sua Carta. O P. António Vieira, desenvolvendo este tema num dos seus sermões acusa, num tempo dado à perseguição dos judeus, os cristãos de serem piores do que esses nossos irmãos mais velhos, precisamente, por terem uma fé como a dos demónios[4]. Essa fé acredita em todas as verdades acerca de Deus, de Cristo, da Igreja, etc., mas não se conforma com a vontade de Deus, não é operante, ignorando não só a Caridade e a Justiça mas indo mesmo contra elas. É uma fé cadavérica, morta, aquela que não tem obras. E se as que tem são contra o Amor e a Justiça é escabrosa, macabra, pestilencial, diabólica. E essa fé, segundo um filósofo judeu, que era ateu e se converteu ao catolicismo, Fabrice Hadjadj, é pior do que o ateísmo[5].
Alguém tem dúvidas, do tipo de fé que é revelado pelas leis promulgadas pelo actual presidente da república? As árvores conhecem-se pelos seus frutos, diz o Senhor no Evangelho.
3. Dantes, alguns manuais de moral, nos dias de hoje superados pela Encíclica O Esplendor da Verdade, diziam que entre dois males inevitáveis devia-se escolher o menor. Ora ninguém é obrigado a votar em qualquer um dos candidatos pelo que não está perante uma escolha má inevitável. A verdade, porém, é que nunca se pode escolher o mal e mesmo que alguém pense em consciência que deve escolher entre algum deles terá de fazê-lo por um bem e nunca por um mal.
De qualquer modo, parece-me claro que nas últimas décadas os eleitores têm vindo a escolher de “mal menor” em “mal menor” caindo sucessivamente nos piores males.
4. Uma vitória à primeira volta e retumbante do actual presidente-candidato constituiria uma consagração triunfal de todas as infâmias e crueldades de que foi cúmplice, uma sagração das políticas antivida, antifamília, antiliberdade de ensino e de educação, antiliberdade religiosa, anti, enfim, princípios e valores inegociáveis. Seria uma validação e premiação do maquiavelismo, da mais baixa imoralidade do falso e pernicioso axioma de que os fins justificam os meios. Seria uma proclamação de que tudo é permitido e nada impedido. Se desta vez não é penalizado nem punido nas urnas quem tanto mal fez em tão breve tempo, será imparável e irreversível, por muitos anos, a degradação e estragação dos católicos na política.
A Igreja não deve fazer concessões
na questão do aborto
e “casamento” de mesmo sexo
Chuck Colson
27 de Julho de 1945. Londres está ainda aos poucos se recuperando de seis anos de guerra com a Alemanha. Centenas de milhares de soldados britânicos estão mortos. As cidades britânicas estão em ruínas. À medida que o noticiário dos cinemas vai expondo os recentes horrores dos campos de morte nazis, o povo britânico fica pensando: “Será que não haverá limite para as atrocidades alemãs?”
Por isso, não foi de surpreender que muitos britânicos tivessem reagido com espanto ao ficarem a saber que haveria um culto na Igreja da Santa Trindade de Londres: um culto em memória, não dos mortos de guerra da Inglaterra, mas de um alemão morto. O culto seria transmitido pela BBC. Muitos ficaram a pensar: será que existiria um bom alemão, digno de tal honra?
A resposta foi um enfático sim. O culto foi em memória do Pastor Dietrich Bonhoeffer, executado pelos nazis três semanas antes do final da guerra. Bonhoeffer é muitas vezes lembrado por sua resistência a Hitler, aliás, por participar da conspiração para matá-lo. Mas Bonhoeffer é também celebrado por seu papel num acontecimento importante na vida da Igreja — a elaboração da Declaração de Barmen.
Depois de Hitler subir ao poder, os nazis tentaram cooptar as igrejas alemãs, misturando a verdade cristã com a doutrina nazi. Alguns líderes cristãos deixaram-se atrair para esse acordo com o diabo. Outros, como Karl Barth e Bonhoeffer, recusaram.
Como o meu amigo do passado Eric Metaxas escreve no seu recente livro inspirador Bonhoeffer, em Maio de 1934, “os líderes da Liga de Emergência dos Pastores realizaram um sínodo em Barmen. Foi ali, à beira do rio Wupper, que eles escreveram a famosa Declaração de Barmen, que originou o que veio a ser conhecido como a Igreja Confessante”.
A Declaração declarava ousadamente independência tanto do Estado como da Igreja cooptada. A Declaração deixava claro que os signatários e suas igrejas não se estavam a separar da igreja alemã; pelo contrário, era a igreja alemã cooptada que havia rompido com todos.
Para Bonhoeffer, escreve Metaxas, a Declaração de Barmen “repetiu o esclarecimento do que a legítima e real Igreja alemã de facto cria e defendia”. A Declaração rejeitava a “falsa doutrina” de que a Igreja podia mudar de acordo com as “posições ideológicas e políticas predominantes”.
Essa rejeição é uma parte essencial do que significa ser a Igreja. César, em todos os seus disfarces, exortar-nos-á a fazer concessões e adaptar a nossa mensagem para atender à agenda dele. A nossa situação não é tão horrenda como a de Bonhoeffer, mas o governo hoje está a tentar forçar a igreja a prostrar-se aos ventos políticos do momento — como, por exemplo, o tão chamado “casamento” de mesmo sexo e as questões de vida como aborto e decisões de fim de vida.
Como Bonhoeffer e seus colegas, temos de lembrar constantemente onde repousa a nossa lealdade máxima. Temos também de estar dispostos a praticar a grande virtude da coragem cívica*.
Nós, a igreja, temos de declarar onde nos situamos. É por isso que, motivados pelo exemplo de Barmen, nós escrevemos a Declaração de Manhattan — e é por isso que um milhão de crentes a assinou. Mas fazer uma declaração é uma coisa. Viver à altura do que declaramos, como Bonhoeffer fez, é outra.
E isso exigirá coragem nos anos que estão vindo. Muita coragem.
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Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/on-abortion-same-sex-marriage-the-church-cannot-compromise
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Votar em consciência
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Os católicos têm a mais absoluta liberdade de voto, pois só em circunstâncias de excepcional gravidade a Igreja, através da voz autorizada da sua hierarquia, pode exigir aos seus fiéis que exerçam esse direito de uma forma concreta. Mas não sendo este o caso, na medida em que o episcopado não se pronunciou nesse sentido, cada cidadão cristão está chamado a decidir, em consciência, a modalidade da sua participação no próximo acto eleitoral.
Que a Igreja respeite a liberdade política dos seus crentes não quer dizer que esta decisão não tenha relevância moral, nem que seja indiferente votar ou não e, votando, apoiar qualquer candidato ou partido. Muito pelo contrário. Os cristãos também têm toda a liberdade matrimonial e profissional, mas a escolha do cônjuge ou do ofício não são indiferentes, como também a prática laboral ou a vivência conjugal se devem pautar por exigências éticas. E casos haverá em que determinadas situações – como é o caso do aborto, por exemplo – ainda que legais, não são admissíveis para um católico, porque incompatíveis com o seu padrão moral.
No panorama eleitoral português há várias opções, mas não se vislumbra nenhuma que corresponda aos principais valores cristãos, como são, entre outros, a vida, que a Igreja defende desde a concepção e até à morte natural; o casamento, entendido como a união indissolúvel entre um homem e uma mulher; a família e a educação. De facto, a maioria das propostas eleitorais são assumidamente favoráveis ao aborto, à eutanásia, ao divórcio, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e são também contrárias à liberdade de educação. Por outro lado, a candidatura ideologicamente mais próxima dos valores humanistas está, à partida, descredibilizada junto do eleitorado cristão, pelo seu reiterado apoio às leis anti-vida, anti-casamento e anti-família.
De acordo com o princípio evangélico – dê-se a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus – não seria desejável a existência de um partido ou candidato oficialmente católico, porque um tal absurdo seria uma expressão do mais anacrónico clericalismo que, para além de coarctar a liberdade política dos católicos, atentaria contra a natureza sobrenatural da Igreja que, como é sabido, não tem ambições temporais. Mas seria de esperar que, num país de tão arreigadas tradições cristãs, se apresentassem vários candidatos que, pela sua ideologia humanista e a sua consequente prática política, pudessem constituir uma opção legítima para o eleitorado que se identifica com os princípios da Doutrina Social Cristã e procura quem possa viabilizar as suas aspirações de justiça e de solidariedade social.
Não sendo este o caso, os cristãos coerentes ver-se-ão assim na contingência de se absterem; de votarem em branco; de votarem contra a sua consciência, se o fizerem em forças políticas assumidamente anti-cristãs; ou à margem da sua consciência, se votarem em quem, mesmo professando, em teoria, os princípios cristãos, na prática favoreceu uma política contrária aos princípios éticos e ao bem comum, nomeadamente viabilizando o aborto, o divórcio e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se o voto contra a consciência é sempre reprovável, é eticamente aceitável, num contexto de mal menor, votar no menos mau dos candidatos, embora seja um voto à margem da consciência.
Votar em consciência é um imperativo ético para todos os cidadãos, mormente para os cristãos. Mas, que fazer quando a consciência – por falta de ciência ou por falta de coerência – não se apresenta às eleições?!
domingo, 16 de janeiro de 2011
Com Bento XVI,
reaprender as coisas essenciais
P. José Jacinto Ferreira de Farias, scj
Meses depois, é bom que aquela chama se mantenha viva e que revisitemos não só aqueles momentos, que agora estão registados em imagem e mesmo em livro recentemente publicado por uma das nossas editoras católicas mais prestigiadas, a Princípia, mas também pela releitura das sucessivas mensagens que nas diversas circunstâncias Bento XVI foi pronunciando.
Foi neste espírito que reli o diálogo de Bento XVI com os jornalistas durante a sua viagem para Portugal, na qual aborda três temas, que de certo modo estruturam toda a sua visita e que ele foi desenvolvendo nos diversos discursos: a situação de Portugal na história e no mundo contemporâneo; a situação da Europa contemporânea no contexto da actual crise; e importância da mensagem de Fátima.
De Portugal, Bento XVI evocava a sua história gloriosa de dar novos mundos ao mundo, sobretudo ter dado ao mundo uma alma profundamente humanista e cristã, mas num contexto de coexistência relativamente pacífica não só do pluralismo decorrente dos novos mundos, de África às Américas e à Ásia, mas também da interligação em muitos momentos dialéctica, da tensão entre racionalidade e fé, tensão que deverá ser mantida ainda hoje como caminho para um futuro humanista e cristão. Bento XVI dizia dirigir-se a Portugal com "sentimentos de alegria, gratidão, por tudo quanto fez e faz este país no mundo e na história, e pela profunda humanidade deste povo…". No contexto de uma cultura aberta como é a do mundo contemporâneo, dizia o Papa ser tarefa de Portugal e da Europa hoje "encontrar este diálogo, integrar a fé e a racionalidade moderna numa única visão antropológica…".
Muito lúcidas foram as suas palavras a propósito de Fátima e da sua mensagem, na qual ele reconhece a indicação dos sofrimentos do Papa e da Igreja, "a necessidade de uma paixão da Igreja…, dos sofrimentos da Igreja que se anunciam. O Senhor disse-nos que a Igreja seria sempre sofredora, de diversos modos, até ao fim do mundo…". Nisto Bento XVI mostrava ser um atento discípulo de Santo Agostinho que escreveu, na Cidade de Deus, que a Igreja peregrina na história entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus. Neste sentido, o que acontece hoje na Igreja, em termos de perseguições cruentas nas pessoas dos mártires ou de calúnias contra a Igreja, está em sintonia com a existência da violência do mal no mundo, a respeito do qual a Igreja representa uma instância crítica, e mal estaria ela verdadeiramente se o mundo, com a qual ela não se pode por natureza identificar, dissesse bem dela.
Mas outra coisa são os sofrimentos e a paixão da Igreja que vêm do seu interior. E aqui muito lucidamente Bento XVI diz, de um modo lapidar, que "a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de reaprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça. Numa palavra, devemos reaprender precisamente estas coisas essenciais: a conversão, a oração, a penitência e as virtudes teologais".
Esta foi, na verdade, uma das palavras mais fortes de toda a viagem e que marcou o estilo e o tom de toda a viagem apostólica, mas que termina com uma visão ainda mais profunda, pois recorda que "o Senhor é mais forte que o mal, e Nossa Senhora é para nós a garantia visível, materna, da bondade de Deus, que é sempre a última palavra na história".
Aqui, nesta expressão final, vê-se nas entrelinhas como Bento XVI defende uma teologia da história que em parte, pelo conhecimento que tem da Mensagem, colheu na sua leitura. De facto, por duas vezes, encontramos na Mensagem, na versão que a Irmã Lúcia nos legou nas suas Memórias, a afirmação da força de Deus que é mais forte que o pecado do mundo e que o pecado que se pratica no interior da Igreja: Não tenhais medo, a graça de Deus será o vosso conforto. E noutra versão mais mariana: Não tenhais medo, o meu coração será o vosso conforto e o caminho que vos há-de conduzir até Deus.Então podemos ver que a crise que hoje globalmente envolve o mundo é apenas a expressão de uma crise mais profunda, do esquecimento do que é essencial. E este essencial articula-se, segundo Bento XVI, em torno de dois temas: o necessário reencontro da fé e da racionalidade, sem o qual não há verdadeira humanidade; a necessária reaprendizagem das verdades essenciais: a conversão, a oração, a penitência e as virtudes teologais.
Para nós, para quem o centro espiritual e moral de Portugal se encontra em Fátima, tudo isto representa um desafio, de conhecermos e vivermos a mensagem de Fátima, pois é nestas coisas essenciais, acessíveis aos simples, que ela se concentra.
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