segunda-feira, 28 de junho de 2010

Conhecida actriz mexicana narra em teatro
conversão do médico «rei do aborto»

A actriz mexicana Laura Zapata, irmã da conhecida cantora Thalía, realizou a peça teatral Vida por Amor com o objectivo de as pessoas terem um pouquinho de consciência sobre o valor da vida humana, em qualquer das suas etapas.

A actriz lançou a obra consciente de que «não há nada melhor na vida que ser mãe. Vida por Amor é algo no que pensei durante muito tempo e agora que o público a recebeu tão bem, dá-me muita felicidade».

«Não sei como pagar os aplausos das pessoas, mas sobretudo que levem um pouquinho de consciência com isto. É muito triste ver que agora a mulher aborta sem pensar, havendo alternativas antes de desprezar uma vida».

A história baseia-se na vida e conversão do «Rei do aborto», Bernard Nathanson, que praticou quase 5 mil abortos nos Estados Unidos, incluindo o do seu próprio filho, e 75 mil sob seu mando; assim como na vida de Norma McCorvey, que, sob o pseudónimo de «Jane Roe» e alegando falsamente ter sido violada, conseguiu a legalização do aborto no em 1973.

              O Dr. Bernard Nathanson >>>



Requiem por Saramago

Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

Não obstante as suas irreverências literárias,
nenhum cristão pode ficar indiferente
ante o passamento do Nobel português.

José Saramago morreu: paz à sua alma. Não obstante as suas reincidentes irreverências literárias, nenhum cristão, digno desse nome, pode ficar indiferente ante o passamento do Nobel português, sobretudo porque o divino Mestre encareceu aos seus discípulos o amor aos inimigos e não há dúvida que, muito embora os fiéis o não fossem dele, ele fez questão de o ser de Cristo e da Igreja.

O sincero pesar pelo seu desaparecimento, tanto mais penoso quanto carente, ao que parece, de qualquer indício de conversão, não quer dizer, como é óbvio, que se possa ignorar que a sua vida foi vivida na teoria e prática de uma ideologia anticristã. Por isso, seria despropositada, senão hipócrita, a pretensão de "baptizar" postumamente o finado militante comunista, num disparatado aproveitamento da sua notoriedade. Por isso também, seria incoerente que a Igreja oficialmente sufragasse a alma do defunto escritor, não porque não se possa e até se deva rezar por quem quer que seja, mas porque as exéquias cristãs só podem ser oficiadas aos fiéis católicos e José Saramago, decididamente, o não era. O seu a seu dono: dêem-se a cada qual as honras fúnebres que lhes são devidas, mas de acordo com as suas convicções e no lugar correspondente, também em nome do respeito devido à memória dos que já partiram.

Surpreende que, em ocasiões desta natureza, entre as carpideiras habituais do regime laico, se oiçam também algumas lamentações cristãs. Num desconcertante exercício de retórica, esses fiéis politicamente muito correctos fazem questão em homenagear a "coerência" do defunto. Mesmo ressalvando escrupulosamente as teses que o dito professou e viveu ao longo da sua vida, essas caridosas almas sentem como que uma irreprimível e pungente necessidade de elogiar a sua "postura", a sua "verticalidade", a "firmeza" das suas convicções e até, reverentemente, se dignam prestar culto à sua incensada "irreverência".

Ora a virtude ética não pode ser apreciada senão na relação com o correspondente valor, que a fundamenta: uma boa acção não é principalmente uma questão de atitude, mas a prática do bem. Quer isto dizer que a "coerência" no mal não é virtuosa, mas defeituosa e, nesse caso, o único comportamento moral digno de louvor é, obviamente, a rejeição do mal e a opção pela verdade e pelo bem. Se ter uma convicção contrária aos mais elementares princípios éticos é lamentável, muito pior é nela persistir toda a vida, porque se errar é humano, perseverar obstinadamente no mal é diabólico. A persistência é louvável no exercício do bem, mas é detestável na prática do mal: não atenua a responsabilidade moral do sujeito, antes a agrava, porque se a falta isolada merece indulgência e perdão, a consciente e voluntária obcecação no erro não é passível de tal compaixão.

Com Cristo foram crucificados dois ladrões: um converteu-se à hora da morte e a Igreja venera-o como santo, porque Jesus lhe prometeu dar, naquele mesmo dia, a glória do céu. Do outro não consta que se tenha emendado, pelo que passou à História como o "mau ladrão". Não faria sentido louvar a sua impenitência final à conta da sua "coerência" no mal, quando a única acção que o poderia ter salvo era o corajoso reconhecimento da sua culpa.
José Saramago morreu. Queira Deus que não tenha comparecido impenitente ante a Face que perdoa os contritos de coração. Paz à sua alma.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

SOMOS NÓS, SOMOS MUITOS, SOMOS DE DEUS

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terça-feira, 15 de junho de 2010

Carta de Nuno Morgado a Bagão Félix

13.6.2010

Dr. Bagão Félix,
Na presente situação política, em que encontramos um parlamento e um presidente da república indiferentes ou impassíveis no que concerne à defesa dos bons costumes, e concludentemente às questões éticas essenciais, nas quais deve assentar a construção da nação, se queremos um futuro interessante para os nossos filhos precisamos de reagir com todo o vigor e empenho.
Tenho assistido com interesse ao elevar do seu nome em múltiplos sectores da sociedade como alguém que se poderia apresentar como alternativa a esta apatia e falta de visão que caracteriza muitos dos nossos políticos, em particular muitos dos líderes em funções.
Conhecemos as limitações e poderes do Presidente da República, mas também sabemos que é o mais alto magistrado da nação e ter um Presidente consistente, com uma visão para Portugal e de elevada estatura moral, é por si só um contributo da maior relevância para um Portugal melhor.
Interrogo-me qual a medida da sua insatisfação e inconformismo. Sei que tem um profundo espírito serviço ao Portugal que amamos e que temos a responsabilidade de deixar melhor do que encontrámos mas que, como vão as coisas, estamos a deixar em matéria de costumes, bem pior do que o encontrámos. Por estas razões venho-lhe solicitar que se candidate, sem temor, a Presidente da República. Precisamos de líderes que se diferenciam pela ausência de cálculo político, que agem pelas suas convicções independentemente do resultado. Se a história de Portugal não estivesse cheia de homens destes, hoje não pensaríamos em português.
Espero sinceramente poder votar Bagão Félix nas próximas presidenciais.
Com os meus melhores cumprimentos,
Nuno Gonçalves Morgado

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Nuno Gonçalves Morgado foi um dos organizadores da manifestação contra os chamados «casamentos» entre invertidos (NDR).



25 anos de adesão de Portugal à União Europeia

D. Amândio José Tomás, Bispo Coadjutor de Vila Real

Há já 25 anos que Portugal aderiu à União Europeia, que nasceu há mais de meio século como projecto de paz, liberdade e respeito da dignidade das pessoas e nações, em prol do bem estar dos Estados aderentes e abertos à partilha solidária. A União de livre circulação de pessoas e bens não se entende, sem o reconhecimento das raízes e valores cristãos, que, segundo os Pais Fundadores, Schuman, De Gasperi, Adenauer e outros, constituem o seu alicerce e a sua alma. A Europa não pode nem deve esquecer a sua origem. Ela não é pura unificação político-económica, mas síntese de valores herdados e partilhados, em paz, na liberdade e na solidariedade.

A celebração dos vinte e cinco anos da adesão de Portugal deve servir para tomar mais consciência da grandeza do projecto em que estamos embarcados, do que há a corrigir e melhorar, cientes de que a Europa não é só a comunidade, da qual se auferem as vantagens económicas, esquecendo deveres e contra-partidas, mas é, antes de mais, comunhão de vontades e esforços, salvaguarda de valores, respeito e humanidade, na promoção do bem comum, sem revanchismos, vinganças, egoísmos desenfreados e ideias hegemónicas, que sempre levaram à catástrofe.

A Europa nasceu após a tragédia de 2 conflitos mundiais. A Declaração de Schuman, de 1950, propôs a via do progresso e da paz, acabou com o círculo vicioso da retaliação e ódio entre as nações europeias. Desconhecer isso é um erro histórico e um perigo, que leva o projecto europeu a ruir como um castelo de cartas. A Europa prega e alimenta o ideal de liberdade, igualdade e democracia e ainda bem. São uma conquista cristã, com o substrato grego da vida pública e elite dos homens livres, mas não dos escravos, amalgamado com direito romano e contributo do liberalismo iluminista. A democracia, sem verdade que a ilumine e sustente, como mera democracia relativista e irracional e hoje sem fundamentação, conduz à ruína, é auto-fágica, devora-se a si mesma, como dizia Platão, pois até Hitler foi eleito democraticamente! O projecto europeu desligado da verdade cristã e do amor, do respeito, igualdade e solidariedade que o explicam e sustentam, ameaça também uma derrocada iminente, se não o alicerçarmos.

As ideologias pagãs nazi e comunista não conduziram ao paraíso terrestre mas aos fornos crematórios, campos de concentração e desrespeito da dignidade humana. O mal espreita sempre a condição humana se não estamos atentos a debelar os perigos. Que o paganismo das ideologias do século XX não devore agora o sonho europeu!

“Relativismo, laicismo, cientismo e o que hoje é colocado, em lugar da fé, são venenos e não antídotos. Eles agridem o corpo já doente, não são anti-corpos que o defendam”, reconhece Marcelo Pera, não crente confesso, que explica porque devemos agir como culturalmente cristãos e, como dizia Pascal aos amigos incrédulos, viver como se Deus existisse, numa Europa, que nasceu e foi plasmada por valores cristãos, que são a base do pensamento moderno e do seu ideal ético e sem os quais ela não se aguenta.

Os teóricos do liberalismo e do iluminismo, como John Locke, Thomas Jefferson e Kant exaltaram a liberdade e a razão humana, mas solidamente baseados, na lei natural, no desejo de adesão ao bem e à verdade, dentro dos limites duma ética natural e cristã.

Os Europeus, crentes ou não, deveriam reconhecer o contributo benéfico da herança cristã, sem se envergonharem dos valores que presidiram ao nascimento da Europa e da cultura ocidental. São, aliás, não cristãos, como Weiler e Benedetto Croce, os que enaltecem o valor do cristianismo, do ponto de vista civil, humano e social. Chegou, pois, a hora de acordar e afirmar, sem vergonha e com coragem, o contributo cristão, o direito à vida e dignidade da pessoa humana, direito prévio, inalienável e imperecível e o direito à liberdade, à solidariedade, à educação e ao uso dos bens, com um destino universal. Reafirmemos estes direitos, no ano em que a União Europeia propôs 2010, como “Ano de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social”.

O cristianismo fundiu, em síntese admirável, razão e eunomia gregas, direito romano e a Revelação judaico-cristã, à luz do mistério da cruz de Cristo, que originou a maior revolução mundial não violenta, tornando os homens e mulheres iguais e irmãos. A civilização ocidental assenta assim em três colinas, na Acrópole de Atenas, no Capitólio de Roma e no Monte Calvário de Jerusalém, como disse Theodor Heuss, presidente da República Federal da Alemanha, após a catástrofe da segunda guerra mundial.

(D. Amândio José Tomás, Bispo Coadjutor de Vila Real, é Delegado da CEP para a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia)





 

Bento XVI: «O cristianismo permitiu
que a Europa compreendesse a liberdade,
a responsabilidade e a ética»

Ao receber aos participantes da reunião do Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa, o Papa Bento XVI insistiu na importância do cristianismo e assegurou que marginá-lo "contribuirá para amputar o nosso continente do manancial fundamental que o nutre incansavelmente e que contribui para a sua verdadeira identidade".

O Santo Padre explicou aos funcionários que, em si mesmo, economia e finanças, não existem porque são apenas meios úteis.

"O seu único fim é a pessoa humana e a realização plena de sua dignidade. Este é o único capital que deverá ser salvo" nas crises, indicou e recordou que este capital humano, encontra-se na dimensão espiritual das pessoas.

"O cristianismo permitiu que a Europa compreendesse o que é a liberdade, a responsabilidade e a ética."
Bento XVI indicou que o cristianismo é a fonte dos valores espirituais e morais que são o património comum dos povos europeus, valores aos quais os Estados-membros do Conselho da Europa manifestaram a sua adesão inquebrável no Preâmbulo ao Estatuto do Conselho da Europa.







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Dura crítica à lei que protegeria animais
mas não embriões humanos na Europa

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A Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) criticou duramente un projecto da directiva da União Europeia que pretende proteger os animais em investigações científicas, mas que deixaria desprotegidos e totalmente disponíveis para realizar experiências com eles os embriões humanos.

Os prelados de Europa assinalaram que "as experiências realizadas a partir de células estaminais embrionárias humanas não devem ser considerados uma alternativa às experiências com animais. Existe o perigo de diluir a diferença entre animal e ser humano".

Os prelados pedem um debate honesto e aberto sobre as alternativas científicas "assim como sobre o assunto ético fundamental, que é o de saber se a nossa sociedade prefere destruir e instrumentalizar embriões humanos para reduzir o número de experiências científicas com animais".









O mundo necessita de sacerdotes convertidos,
não de engenheiros eclesiásticos

O Arcebispo de Colónia, Cardeal Joaquim Meisner, recordou aos sacerdotes dos cinco continentes que para um presbítero não pode haver algo mais importante do que a conversão do próprio coração porque só assim cumprirá com sua missão de transmitir a Cristo.

O Cardeal fez a meditação "Conversão e Missão" perante quatro mil presbíteros de todo o mundo reunidos na basílica de São Paulo Extramuros, uma das três sedes do Encontro Internacional com o qual termina o Ano Sacerdotal.

Para o Cardeal não basta querer "fazer apenas correcções às estruturas de nossa Igreja, para poder fazer um show mais atractivo. Não é suficiente! O que se precisa é uma mudança de coração, do meu coração. Só um Paulo convertido podia mudar o mundo, não um engenheiro de estruturas eclesiásticas".

"Um sacerdote que não fica com frequência no outro lado da grade do confessionário sofre um dano permanente na sua alma e na sua missão". Acrescentou que "aqui vemos sem dúvida uma das principais causa" das múltiplas crises do sacerdócio nos últimos cinquenta anos.

"Quando o sacerdote deixa o confessionário, entra numa grave crise de identidade."

"Estar aí, em ambos os lados da grade do confessionário, permite-nos, através de nosso testemunho, fazer que Cristo seja percebido pelas pessoas. Para perdoar de verdade, necessitamos muito amor. O único perdão que realmente podemos dar é o que recebemos que Deus", acrescentou.






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D. Manuel Linda, Bispo Auxiliar de Braga:
Portugueses devem envolver-se na vida política

D. Manuel Linda, Bispo Auxiliar de Braga, apelou, este domingo, ao envolvimento dos cristãos na vida política.

O prelado, que falava na homilia da missa que encerrou a peregrinação internacional aniversaria de Junho, em Fátima, relembrou que, para recuperar os valores humanistas do evangelho, os cristãos têm de se envolver na causa pública.

D. Manuel Linda exortou os cristãos ao envolvimento na vida política sublinhando que “a igreja não lhe recomenda algum modelo ou algum partido, mas lembra-lhe as fundamentais exigências éticas que perpassam pela Bíblia”.

Para o Bispo Auxiliar de Braga, “não chega uma vaga religiosidade mesmo que esta passe por uma ocasional visita a um santuário. É preciso sentir-se membro da Igreja e participar da sua vida e das suas actividades”.




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D. Jorge Ortiga pede aos cristãos
que levem Deus à sociedade

O Arcebispo de Braga apelou ontem a todos os cristãos para que não fiquem instalados no seu egoísmo e se sintam convocados a colocar Deus no coração das famílias e no coração da sociedade.

Este apelo de D. Jorge Ortiga foi feito durante a celebração da eucaristia a que presidiu na pequena capela de Santo António, no centro da cidade de Vila Nova de Famalicão.







segunda-feira, 14 de junho de 2010

Terá Cavaco realmente surpreendido?
Que tem a propor em alternativa
a suposta elite política católica?
Que pretendem realmente os seus membros?

Heduíno Gomes

Estamos cansados de saber e repetir que somos presididos e governados por gente sem ética e sem vergonha. Por uma «canalhocracia», como sabiamente diria D. Pedro V. Pobre Portugal.

São muitas as manifestações de indignação com tudo o que se passa. Mas esta do «católico» Cavaco promulgar a lei dos «casamentos» entre invertidos provocou uma especial onda de indignação entre os católicos. É bom que manifestem indignação.

Indignação, sim. Surpresa, não. Para quem tenha estado atento às políticas de Cavaco durante os seus governos e quisesse ver o que se passava, não constitui qualquer novidade: foi apenas mais uma peça no seu extenso rol de oportunismos a caminho da Presidência da República e agora da sua permanência lá por mais cinco anos. Por caminhos nada limpos.*

Mas, desta vez, a sua falta de pudor torna-se particularmente chocante: no dia 14 de Maio despede-se do Papa com aquele discurso épico e três dias depois logo lhe crava um punhal nas costas com a tal promulgação obscena.


Falta de coerência com a sua expressão de católico, como muito bem foi dito? Mas quando é que a terá tido na sua vida política?

Contradições nas justificações que apresenta para o acto obsceno, como muito bem foi dito? Mas quando é que não terá sido contraditório?

As iniciativas de protesto, vindas principalmente dos meios católicos, são várias e louváveis, embora saibamos que os protestos não vão mudar nem a ética nem a estratégia pessoalista de Cavaco, nem, de imediato, o rumo dos acontecimentos. Mas, além de alertarem as pessoas, permitem a quem protesta exercitar-se civicamente. É bom. A pessoa luta pela verdade, envolve-se e toma ela própria mais responsabilidade social.

Por mim, repito, todas essas iniciativas de protesto são louváveis e positivas. Mas estão longe de constituir a acção essencial e necessária.


Afinal, o que pretende
a suposta elite política católica?

A acção essencial e necessária é a acção política concertada dos católicos tendo como meta governar a cidade – todos os dias, todas as horas, todos os instantes.

Contudo, curiosamente, em muitos meios católicos, predomina a ideia contrária, sabe-se lá alimentada por quem, do Além e do Aquém...



Quando se diz que é preciso que exista uma elite política católica no terreno, como já aconteceu em tempos do século XX, invoca-se a virgindade da santidade, não miscível com essa porcaria da política e dos partidos. Nada de misturas com os pecadores!

Quando se diz que é preciso pensar na estratégia e na táctica católicas, contrapõe-se a navegação à vista, o espontaneísmo, e, para justificá-lo, a pluralidade dos membros da Igreja. Nada de clareza de objectivos nem de compromissos de cada um!

Quando se diz que é preciso organização, elogia-se o protagonismo do sujeito, o individualismo. Nada de stalinismos!

Quando se diz que é preciso concertação da acção, opta-se pela pulverização de forças. Nada de unidade segundo um plano comum!

Quando se diz que é preciso dedicação, prefere-se o comodismo. Nada de obrigações!

Quando se diz que é preciso afirmar a verdade, discursa-se o cinzentismo. Nada de politicamente incorrecto!

Quando se diz que é preciso frontalidade, opõe-se-lhe o maneirismo e a linguagem cifrada. Nada de clareza nem de indelicadeza com o inimigo!

Quando se diz que é preciso abrir os olhos para compreender a política do inimigo, lança-se a poeira da suposta esperteza. Nada de ciência e experiência políticas!

Quando se diz que é preciso coragem, deserta-se. Nada de dever de combate!

Quando se diz que é preciso agir, invoca-se que o Espírito Santo tudo resolverá. Nada de dever terreno!

E, aqui e agora, quando se diz que é preciso apresentar uma candidatura à Presidência da República para, em tempo de antena e movimentações populares, propor aos Portugueses uma alternativa cristã, e assim, pelo menos, contribuir para lhes abrir as perspectivas e prepará-los para os combates que se seguem, respondem os mesmos senhores que não vão porque é difícil ganhar... Nada de ir à luta sem ser para tirar proveitos pessoais imediatos e honrarias!


Afinal, com quem podem os Portugueses contar?

Que pastores são estes que conduzem desta maneira o rebanho?

Não, não é desta pseudo-elite política, eventualmente cumpridora formal de todos os preceitos e sacramentos da Igreja e ainda mais alguns, que os católicos e os Portugueses em geral precisam.

Não, obrigado!

Por comportamentos destes ao longo de anos e anos, aí temos um Presidente «católico» que, sem escrúpulos, faz o que pensa ser bom para a sua própria carreira política – o que afinal sempre fez – e completa com desculpas esfarrapadas aquilo que fazem os inimigos da moral e da família. Um Presidente «católico» que debita o tal discurso a Bento XVI e logo faz o contrário. E uma suposta elite política católica que não via ou fingia não ver o que sempre foi o verdadeiro católico Cavaco.

Efectivamente, será novidade tal obscenidade vir de Cavaco?

Que fez ele durante os seus dez anos de Governo senão minar os valores da família e a moral através da promoção do feminismo, no seu partido e com o Estado, da desautorização dos pais, da destruição do pudor via televisões (quer a RTP, completamente governamentalizada, e portanto perfeitamente controlável**, quer as privadas, a quem concedeu licenciosas licenças de exploração)?


Que se poderia esperar de um tecnocrata, isto é, de um pragmatista, utilitarista e amoralista? (Claro que estas coisas demasiado eruditas não vêm nos livros de contabilidade e ele, que apenas esses conhece, não sabe o que são; mas, na prática, ele encarna estes conceitos.)

E, para complementar, não esquecer que temos uma Primeira-Dama que se diz do centro-esquerda. Não duvidemos, pois onde a falta de referências se cruza com a hipocrisia e a ignorância, tudo é possível.

Com espírito de reconciliação e unidade, façamos umas perguntas àqueles que, a tempo, foram alertados para a fraude Cavaco, tendo rotulado de «exageros» os alertas e preferido apostar no dito cavalo. Já pensaram bem nas causas profundas que realmente vos levaram a não ouvir os alertas? Não perceberam os alertas ou era-lhes mais conveniente contemporizar com a mentira?


Quem quiser que faça um exame de consciência. Está sempre a tempo de corrigir a atitude e agir na sociedade como católico activo para construir a alternativa verdadeiramente cristã para Portugal. Está sempre a tempo de deixar de agir como um desnorteado ou simples cumpridor formal dos preceitos da Igreja. É o que lhes pede o vosso Papa Bento: «Moldar a terra à imagem do céu».

Estarão dispostos, a partir de agora, a reconhecer e a não repetir os mesmos erros?

Quererão integrar, a partir de agora, a verdadeira elite política católica?

Poderão, a partir de agora, os Portugueses contar convosco?

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*  Ver Dez Anos de Cavaquismo – Breve Balanço da Catástrofe Tecnocrática. 1995. Reedição em 2005 por Lusitânia Expresso.

** O único aspecto de controlo da RTP que interessava a Cavaco era a propaganda directa de si próprio e do seu Governo. Quanto ao resto, era irresponsavelmente entregue aos Carlos Cruz, Marias Elisas, Júlios Isidros e quejandos, que se encarregavam de injectar o veneno político, cultural e moral. O bloco de Esquerda e os Sócrates podem agradecer aos governos de Cavaco a mentalização de muitos portugueses para aceitarem o que hoje aceitam no campo moral. Quando, num Conselho Nacional do PPD-PSD, levantei o problema da pouca-vergonha da programação da RTP, apercebi-me do sorriso (de quê?) da «elite» cavaquista sentada na primeira fila, entre a qual Eurico de Melo. Pudera.




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Não haverá mesmo homens rectos em Portugal?

José Jacinto Ferreira de Farias, scj


Ainda no avião, e no início da sua viagem a Portugal, Bento XVI declarou que a grande perseguição à Igreja "não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja"[1], o pecado que os filhos da Igreja praticam. O mesmo Bento XVI declarou na celebração eucarística em Lisboa que nada destruirá a Igreja, nem sequer o pecado que no seu interior se pratica, porque ela, apesar de ter filhos pecadores, é santa, da santidade do seu esposo, Cristo, e da santidade dos santos, que são esses que, como disse Bento XVI, reflectem perfeitamente o rosto da Igreja: "A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja"[2].

Este pormenor é muito importante, que os jornalistas de propósito não consideraram, apontando logo o dedo para os outros, como se eles estivessem fora, e não participassem nem no pecado que se pratica na Igreja, se forem católicos (e muitos são pelo menos baptizados, e não viver de acordo com o baptismo já faz parte desse pecado de que fala o Papa) nem no que se pratica no mundo, o pecado do mundo, nesta cultura do terror e da morte que o homem provoca, mas que não pode parar. Deste pecado falou Bento XVI na homilia em Fátima, e já antes havia o denunciado na sua recente encíclica, A Caridade na Verdade (CV 75).

Na homilia no Porto o Papa interpelou os leigos a darem testemunho de Cristo no lugar em que se encontram no mundo, porque “se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar?"[3]. Ora quando se fala na corrupção em Portugal, os cristãos católicos têm grande responsabilidade nisso, e isso faz parte do pecado que se pratica na Igreja, que não pode por isso reduzir-se à sacristia e aos domínios do culto; quando elementos da hierarquia dizem que a Igreja não intervém em determinadas questões – as questões fracturantes - porque elas não são especificamente religiosas, também isso faz parte das omissões e dos silêncios que são o pecado que se pratica na Igreja e que é um dos seus grandes inimigos.

Onde estão os homens rectos que Bento XVI diz ser necessário existir para que em Portugal e no mundo possa construir-se a justiça e a paz? Na encíclica Caridade na Verdade recorda o Papa: "O desenvolvimento é impossível sem homens rectos, sem operadores económicos e homens políticos que sintam intensamente em suas consciências o apelo do bem comum" (CV 71). Quando o Presidente da República promulga leis que vão directamente contra o sentir comum da sociedade portuguesa e da moral católica, abdicando (por alegadas razões políticas) dos princípios nos quais diz pessoalmente acreditar, onde está o carácter, a rectidão, a firmeza que faz os homens grandes nos momentos cruciais da história? Infelizmente parece que já não há homens em Portugal, já não há pastores, e o rebanho encontra-se à mercê de mercenários sem escrúpulos, dispostos a vender a alma ao diabo!...



Como foi diferente a atitude dos Pastorinhos de Fátima: eles acolheram o convite do céu, feito pelo Anjo e Nossa Senhora para rezarem e se sacrificarem pela conversão dos pecadores para que as suas almas não fossem para o inferno; para repararem os pecados que estavam na origem dos males no mundo: as perseguições à Igreja e ao Papa, as guerras e devastações, o extermínio de tantas nações…; para oferecerem as suas vidas para consolarem Deus dos pecados que tanto O ofendiam e ao Coração Imaculado de Maria. E assim fizeram recentemente outras crianças: como aquele menino de cinco anos que disse à sua professora, nas vésperas de Natal, que queria o presépio na escola e não o pai-natal, pois este é o símbolo da coca-cola; ou aquele outro, de 10 anos, que, em obediência ao seu pai, se recusou a participar numa aula de educação sexual, porque o seu pai não tinha sido informado pela escola acerca dos programas e dos conteúdos da disciplina, de acordo com a lei!...

Os Pastorinhos e estes dois meninos mostraram ser homens de carácter e homens rectos. A salvação de Portugal passará por eles, e passaria por tantos outros que o egoísmo e a perversão de leis favorecem o seu precoce desaparecimento. Quem será que hoje responde aos apelos do céu a reparar e a consolar Deus, porque Ele está tão triste?
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[1] BENTO XVI em Portugal, Discursos e Homilias (Lisboa: Paulinas 2010) 12.

[2] BENTO XVI, Discursos e Homilias, 27.

[3] BENTO XVI, Discursos e Homilias, 105.

Ilustrações da Redacção.




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terça-feira, 8 de junho de 2010

Que Deus te cuide!

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Cristãos no Irão estão em perigo de extinção

A jornalista e observadora das igrejas do Próximo Oriente Camille Eid considerou que os cristãos no Irão estão em perigo de extinção devido às severas limitações quotidianas e pressões políticas que sofrem.
Em declarações ao programa radial "WhereGodWeeps (Onde Deus chora)", produzido pelo Catholic Radio and Television Network (CRTN) da associação Ajuda à Igreja que Sofre, Eid explicou o problema do Irão é contar com um regime teocrático muçulmano que restringe a vida diária dos cristãos.
É difícil para os cristãos encontrarem trabalho na administração pública. Inclusive os directores das escolas cristãs são muçulmanos a não ser em alguns casos excepcionais. E os convertidos ao cristianismo sofrem perseguições.
No exército, há alguns anos, descobriram que um coronel se converteu ao cristianismo. Este foi processado e só pôde sair do Irão pela pressão internacional. É muito difícil para os cristãos trabalharem em postos governamentais.
Os convertidos ao cristianismo não podem tornar público este processo no país e costumam abandonar o Irão para viver sua fé. Dentro do Irão não podem expressar ou demonstrar sua fé, pois enfrentariam a morte.
Segundo Eid, embora a pressão política afecte não-muçulmanos e muçulmanos, os cristãos têm dupla pressão porque sentem que a sua liberdade está restringida. É por isso que existe esta fuga massiva e de facto existe um risco real do desaparecimento, de uma extinção do cristianismo no Irão.



domingo, 6 de junho de 2010

O segredo da vida

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A questão dos lefebvristas:
um problema para o diálogo e o tempo resolverem

Há um dossier ecuménico sobre o qual Bento XVi se debruça: o dos fiéis ao Arcebispo Marcel Lefebvre, que continuam na situação de cismáticos em relação à Igreja de Roma por recusarem integralmente o Concílio Vaticano II e o magistério dos papas que se seguiram ao Concílio.
Em 2009, a decisão do Papa levantar a excomunhão aos quatro bispos ordenados ilicitamente por Lefebvre (foto) provocou mal entendidos e polémicas.

Para fazer luz sobre o sentido do seu gesto, Bento XVI escreveu uma carta aos bispos [ver em baixo].
Nessa carta, o Papa reafirma que a procura de reconciliação ainda continua porque o diferendo é de natureza doutrinal, sobre a aceitação do Concílio e o magistério pos-conciliar dos papas.
Nesta carta aos bispos, Bento XVI explica que o apelo à unidade da fé é válido para todos os cristãos. E também que não teria sentido «deixar à deriva, longe da Igreja, 491 padres, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 monges, 164 religiosas e milhares de fiéis que integram a comunidade lefebvrista».
Ao mesmo tempo, o Papa lamenta que se manifeste na Igreja uma intolerância contra os lefebvristas e mesmo contra aqueles que ousam aproximar-se deles.
O próprio Papa é um dos alvos dessa intolerância. Alguns grupos, por vezes sob formas teologicamente sofisticadas, até acusaram abertamente o Papa de «pretender fazer marcha-atrás, ao tempo antes do Concílio Vaticano II».
Dialogar com os lefebvristas é de facto correr o risco de ser acusado de trair o Concílio Vaticano II. O Papa tenta-o, apesar das incompreensões dos radicais antilefebvristas. E a verdade é que, com o diálogo, muitos grupos tradicionalistas já se reconciliaram com a Igreja. 
(Elementos recolhidos num artigo de Sandro Magister, que poderá ler integralmente em

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Texto integral do discurso de Bento XVI a 22 de Dezembro de 2005, sobre a interpretação do Concílio Vaticano II – Ler em especial a partir do décimo parágrafo:
[em português]

Carta dirigida pelo Papa aos bispos a 10 de Março de 2009 depois do levantamento da excomunhão aos lefebvristas:

[em português]







sexta-feira, 4 de junho de 2010

Oração

por Andrea Bocelli e Celine Dion

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

A lição dos pássaros

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Convite à oração

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Protesto contra um Presidente
sem ética e sem responsabilidade

Publicada por O Inimputável


 
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
 
Depois de ter indeferido a petição para a realização de um referendo com cerca de cem mil assinaturas, a Assembleia da República aprovou, sem ser por unanimidade, no passado mês de Fevereiro, uma lei que permite o casamento civil entre dois homens ou entre duas mulheres.

Como o Senhor Presidente da República leu na sua declaração, é de lamentar que não se tenham evitado naquele processo legislativo, clivagens desnecessárias na sociedade portuguesa face à grave crise que o País atravessa. Mas, valha a verdade, também como constatou o Presidente da República, as forças partidárias que aprovaram o referido diploma não estão minimamente preocupadas com a conflitualidade social. Aliás, a chave de todo este miserável imbróglio está aí: é que a visão que do mundo têm essas forças partidárias é definitivamente dialéctico e conflitual.

O Senhor Presidente da República evocou a crise económica para não fazer uso do veto, porém antes de ser económica, a crise que Portugal atravessa é uma profundíssima crise de valores e de convicções. Depois da visita recente do Santo Padre ao nosso país, onde se escutaram palavras em defesa da vida humana e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, os católicos portugueses sentem-se traídos com a promulgação desta lei, tal como já haviam sido traídos com a promulgação por V. Exa. da lei do aborto. Portanto, com mais esta promulgação, o Presidente da República tornou-se mais do que coadjutor, tornou-se cúmplice, o que o há-de amarrar à história com algemas muito pesadas.

Não há uma ética da responsabilidade por oposição a uma ética de convicção pessoal. Há ética, que é como a verdade: não tem relativos. Deste modo, os actos políticos devem ser baseados em convicções ideológicas, dando primazia ao bem comum, e nunca em prognósticos de derrota antecipada, como foi o caso. Hoje perde-se, amanhã ganha-se. Porém, neste caso, V. Exa. escolheu a rendição, criando uma derrota desonrosa, irresponsável, uma profunda desilusão e, acima de tudo, uma ferida aberta no coração de muitos milhares de portugueses.
 
Finalmente, mais do que uma derrota de alguns, a promulgação da lei que permite o casamento civil entre dois homens e entre duas mulheres, foi um desrespeito com as raízes morais do povo português e uma negação do poder constitucional do Presidente da República.



Carta Aberta ao Presidente da República

Fernando Sousa da Pena

Fica Sua Excelência o Presidente da República com o seu nome associado às leis mais iníquas publicadas na história da democracia portuguesa. Por mera estratégia política ou por uma consciência toldada face ao mal radical, Sua Excelência o Presidente Cavaco Silva deixa a sua assinatura na legitimação da morte de milhares de vidas humanas inocentes e indefesas, com a promulgação das leis da procriação medicamente assistida e do aborto. Fica, ainda, associado de modo indelével à destruição da família, célula essencial da nossa civilização, com as leis do divórcio rápido e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Tinha Sua Excelência o Presidente da República alternativas para evitar qualquer uma destas leis, não tendo vontade ou determinação para parar estes ataques perversos à dignidade da vida humana. Acresce a perplexidade que deixa a sua firmeza quanto ao Estatuto dos Açores, cuja relevância para o País e para o seu futuro é residual.

Sua excelência o Presidente Cavaco Silva tem mostrado enorme preocupação face à economia, às finanças e aos seus poderes formais. Lamentavelmente, o mesmo cuidado não foi colocado na protecção da Nação face a leis gravíssimas que comprometem as gerações futuras. As mesmas que o hão-de julgar nesta sua efémera mas trágica passagem pela mais alta magistratura do País.



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Carta Aberta ao Presidente Cavaco Silva

Maria José Vilaça

Lisboa, 18 de 2010

Exmo Senhor Presidente da República

Dr. Aníbal Cavaco Silva

Faço minhas as palavras que já lhe foram endereçadas por alguns amigos meus. De facto fiquei, se no caso do Lei do Divórcio e da Lei do Aborto já tinha ficado desiludida consigo, desta vez, por causa da vinda do Santo Padre e da forma como nos falou no encontro com a Pastoral Social, nunca esperei que fizesse sua esta Lei totalmente anti-humana. Não está a respeitar direitos nem liberdades de ninguém. Está apenas a ceder a caprichos de quem por doença, ou por dificuldades associadas a percursos de vida difíceis, não sabe usar o seu corpo para expressar o dom da sua vida num compromisso de entrega de si ao outro assumido em liberdade, na totalidade, com fidelidade e fecundidade, como o senhor e a sua esposa fizeram quando casaram, ou como os consagrados fazem quando entregam as suas vidas a Deus para o bem da Igreja. Estas são as características do verdadeiro amor esponsal que fazem da pessoa humana semelhante a Deus também na forma de amar, através do dom esponsal de si e por isso sempre à semelhança da entrega que Cristo fez da Sua vida na Cruz, entrega renovada em cada Eucaristia e cuja analogia esponsal pode ler no livro do apocalipse quando se fala das bodas do cordeiro. Certamente quando casou ou quando os seus filhos casaram deu-se conta disto.
 
Então resta-me pensar que lhe passa pela cabeça que o homem político possa viver e tomar decisões incongruentes com os valores e os princípios morais do homem cristão.
 
Nesse caso, fico muito preocupada porque vejo que está diante dum dilema, uma ferida profunda que só Deus pode curar. O Homem é só um e tem de agir com congruência. A unidade da pessoa é sinónimo de saúde mental. Se houver incongruência há divisões e conflitos internos e rapidamente se gera patologia. Todos os actos políticos são tomados por si enquanto pessoa com todo o peso que os seus valores têm e se não estiver disposto a dar a vida por aquilo em que acredita, é porque não acredita mesmo a sério. Neste caso os eleitores votaram em si acreditando que estaria disposto a dar a vida por esses valores que dizia serem os seus. Sentimo-nos enganados, desiludidos.
 
Mais do que a nós, é por nós, pelo futuro deste País, que terá de responder. O poder que tem foi-lhe dado para exercer a justiça e não para destruir a família, imagem de Deus na terra.
 
O que nos vale a nós todos é que a última palavra de Deus é sempre a misericórdia!




Um presidente inimigo dos católicos

Publicada por O Inimputável

Cavaco Silva andou, não há muitos dias atrás, com ar beatífico e discurso meloso, a marcar presença na visita do Papa Bento XVI. Pelos vistos foi tudo encenação. Factos são factos. Este Presidente de Portugal ficará na história como aquele que:

1) Promulgou a lei do aborto

2) Promulgou a lei do casamento homossexual

Vamos ver se chega ao segundo mandato e se lhe dão a oportunidade de promulgar a inevitável lei da eutanásia. É uma questão de coerência, tal como será a minha de não lhe dar o meu voto.

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A Misericórdia e a condenação eterna

Nuno Serras Pereira

Não é propriamente uma originalidade dos dias que correm a invocação da Misericórdia infinita de Deus para desculpabilizar a gravidade do pecado mortal e as suas consequências no destino eterno da pessoa humana. Já Orígenes admitia uma restauração final em que os condenados ao Inferno e o próprio diabo seriam resgatados e salvos. Em meados do século vinte Giovanni Pappini, no seu livro O Diabo, caiu no mesmo engodo. A Igreja sempre condenou essa teoria, porque não concorde com a Sagrada Escritura nem com a Tradição, reafirmando a eternidade da condenação ao Inferno. A existência deste e a sua eternidade são aliás um Dogma de Fé, isto é, uma verdade Revelada por Deus.

Um outro grande e cultíssimo teólogo contemporâneo, em dois dos seus últimos livros, não advogando embora a apocatástases (restauração final dos condenados, do diabo e demais demónios) defende que o cristão não só pode como deve esperar que todos os homens se possam salvar. Esperar, não significa ter a certeza. Para ele significa que cada um deve viver com tal radicalidade, generosidade e empenho a sua Fé de modo a que “completando na sua carne o que falta à paixão de Cristo” carregue com os pecados dos outros passando, de algum modo, a Graça que lhe é dada para eles, de modo a que se possam converter. Chega a interpretar o sofrimento dos místicos, as suas noites escuras, e o sofrimento dos inocentes como uma participação na Paixão de Cristo capaz de transformar a liberdade inquinada ou ímpia dos outros em liberdade de tender para Deus. Afinal, como diz a Escritura “ Deus quer que todos os homens se salvem”. Adverte, no entanto, que cada um deve, como exorta S. Paulo, “trabalhar com temor e tremor” na sua própria salvação, não a dando, de modo nenhum, como adquirida.

O inferno não foi criado por Deus mas produzido pela liberdade da criatura (angélica) que ao rebelar-se definitivamente contra Ele, se fechou ao Seu amor ou ao Amor que Ele é: “Ide para o fogo eterno destinado ao demónio e aos seus anjos” (Mateus 25, 41). Uma vez que não existirá nenhum pronunciamento solene explícito do Magistério da Igreja declarando, segundo este teólogo, a existência de qualquer ser humano no Inferno podemos e devemos esperar que todos se possam salvar. A verdade porém é que também não há nenhuma declaração do Magistério da Igreja afirmando que o Inferno está vazio de pessoas humanas.

A vulgarização desta hipótese ou especulação teológica acabou por gerar naqueles poucos que ainda aderiam à verdade Revelada da existência do Inferno a convicção de que ninguém lá estaria nem se poderia condenar. Daí se passou à desculpabilização sistemática de toda e qualquer pessoa, por maiores que fossem as enormidades que ela cometesse.

Almas condenadas ao inferno
Segundo Santo Anselmo

Grandes teólogos reagiram, entre eles o eminente Avery Dulles, a muitas das afirmações deste autor. Reconhecendo embora os seus méritos, e muita da doutrina exposta, contestam a necessidade de um pronunciamento solene e explícito do Magistério sobre o assunto e mostram como asserções da Sagrada Escritura, da Tradição e de documentos do Magistério seriam incompreensíveis sem a admissão da eterna perdição efectiva, não só de pessoas angélicas (demónios) mas também de pessoas humanas.

É verdade, como dizia o então Cardeal Ratzinger, que a Fé nos foi dada não para que nos salvemos e os outros se percam mas para que através da nossa Fé os outros também se possam salvar. Mas também não é menos verdade, como dizia numa outra obra, que Deus criou-nos livres e leva a nossa liberdade a sério.

Estou em crer que a Misericórdia de Deus não deve ser invocada em vão, nem para aquietar as consciências dos que procederam mal infundindo-lhes uma falsa esperança de que se podem salvar permanecendo, embora, nos seus pecados porque afinal a última palavra caberá à Misericórdia Divina, que tudo ignorará. Não! A Misericórdia, como nos ensina a parábola do filho pródigo, deve ser invocada para chamar as pessoas ao arrependimento e à conversão, enquanto é tempo, e o tempo é breve. “Morte certa. Hora incerta. Juízo particular. Inferno ou Céu para sempre”. Afinal é isso mesmo que nos diz a Carta de S. Tiago: “Haverá Juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia” (2, 13).

Evidentemente que não usa de misericórdia, ou seja, não é misericordioso, todo aquele que pratica, é cúmplice, coopera formalmente ou é indiferente em relação aquelas monstruosidades legisladas e promulgadas a que me referi no texto de ontem.


Que ninguém duvide: cada um será julgado segundo as suas obras. (Obras praticadas pelo amor, gerado pela Fé que nos foi dada, sem mérito algum da nossa parte. A graça precede sempre, acompanha e guia a vontade.) Por isso podemos ler no Evangelho as palavras severas de Jesus, na parábola do Juízo final, “retirai-vos de Mim, malditos! … para o fogo eterno … ” (Mateus, 25, 41).

E S. Paulo adianta: “ … (C)om a tua dureza e o teu coração impenitente, estás a acumular ira sobre ti, para o dia da cólera e do justo julgamento de Deus, que retribuirá a cada um conforme as suas obras: para aqueles que, ao perseverarem na prática do bem, procuram a glória, a honra e a incorruptibilidade, será a vida eterna; para aqueles que, por rebeldia, são indóceis à verdade e dóceis à injustiça, será ira e indignação. Tribulação e angústia para todo o ser humano que pratica o mal … Glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem …” (Romanos 2, 5-10).







Punição exemplar para Márcia Rodrigues



Afonso de Aguiar Perdigão

É uma vergonha e desrespeito pelos normais princípios de cidadania a forma manipuladora que Márcia Rodrigues utilizou para denegrir a Igreja e Bento XVI.

Márcia Rodrigues utilizou os meios da RTP, serviço público, para fazer comícios anti-Igreja e anti-Bento XVI. O caso é gravíssimo, pelo que a sua autora deve ser punida e sobretudo punida de forma exemplar para fazer diminuir as veleidades dessa gente sem escrúpulos . É um caso muito grave que deve ser punido de forma evidente para servir de exemplo.