segunda-feira, 14 de junho de 2010

Não haverá mesmo homens rectos em Portugal?

José Jacinto Ferreira de Farias, scj


Ainda no avião, e no início da sua viagem a Portugal, Bento XVI declarou que a grande perseguição à Igreja "não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja"[1], o pecado que os filhos da Igreja praticam. O mesmo Bento XVI declarou na celebração eucarística em Lisboa que nada destruirá a Igreja, nem sequer o pecado que no seu interior se pratica, porque ela, apesar de ter filhos pecadores, é santa, da santidade do seu esposo, Cristo, e da santidade dos santos, que são esses que, como disse Bento XVI, reflectem perfeitamente o rosto da Igreja: "A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja"[2].

Este pormenor é muito importante, que os jornalistas de propósito não consideraram, apontando logo o dedo para os outros, como se eles estivessem fora, e não participassem nem no pecado que se pratica na Igreja, se forem católicos (e muitos são pelo menos baptizados, e não viver de acordo com o baptismo já faz parte desse pecado de que fala o Papa) nem no que se pratica no mundo, o pecado do mundo, nesta cultura do terror e da morte que o homem provoca, mas que não pode parar. Deste pecado falou Bento XVI na homilia em Fátima, e já antes havia o denunciado na sua recente encíclica, A Caridade na Verdade (CV 75).

Na homilia no Porto o Papa interpelou os leigos a darem testemunho de Cristo no lugar em que se encontram no mundo, porque “se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar?"[3]. Ora quando se fala na corrupção em Portugal, os cristãos católicos têm grande responsabilidade nisso, e isso faz parte do pecado que se pratica na Igreja, que não pode por isso reduzir-se à sacristia e aos domínios do culto; quando elementos da hierarquia dizem que a Igreja não intervém em determinadas questões – as questões fracturantes - porque elas não são especificamente religiosas, também isso faz parte das omissões e dos silêncios que são o pecado que se pratica na Igreja e que é um dos seus grandes inimigos.

Onde estão os homens rectos que Bento XVI diz ser necessário existir para que em Portugal e no mundo possa construir-se a justiça e a paz? Na encíclica Caridade na Verdade recorda o Papa: "O desenvolvimento é impossível sem homens rectos, sem operadores económicos e homens políticos que sintam intensamente em suas consciências o apelo do bem comum" (CV 71). Quando o Presidente da República promulga leis que vão directamente contra o sentir comum da sociedade portuguesa e da moral católica, abdicando (por alegadas razões políticas) dos princípios nos quais diz pessoalmente acreditar, onde está o carácter, a rectidão, a firmeza que faz os homens grandes nos momentos cruciais da história? Infelizmente parece que já não há homens em Portugal, já não há pastores, e o rebanho encontra-se à mercê de mercenários sem escrúpulos, dispostos a vender a alma ao diabo!...



Como foi diferente a atitude dos Pastorinhos de Fátima: eles acolheram o convite do céu, feito pelo Anjo e Nossa Senhora para rezarem e se sacrificarem pela conversão dos pecadores para que as suas almas não fossem para o inferno; para repararem os pecados que estavam na origem dos males no mundo: as perseguições à Igreja e ao Papa, as guerras e devastações, o extermínio de tantas nações…; para oferecerem as suas vidas para consolarem Deus dos pecados que tanto O ofendiam e ao Coração Imaculado de Maria. E assim fizeram recentemente outras crianças: como aquele menino de cinco anos que disse à sua professora, nas vésperas de Natal, que queria o presépio na escola e não o pai-natal, pois este é o símbolo da coca-cola; ou aquele outro, de 10 anos, que, em obediência ao seu pai, se recusou a participar numa aula de educação sexual, porque o seu pai não tinha sido informado pela escola acerca dos programas e dos conteúdos da disciplina, de acordo com a lei!...

Os Pastorinhos e estes dois meninos mostraram ser homens de carácter e homens rectos. A salvação de Portugal passará por eles, e passaria por tantos outros que o egoísmo e a perversão de leis favorecem o seu precoce desaparecimento. Quem será que hoje responde aos apelos do céu a reparar e a consolar Deus, porque Ele está tão triste?
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[1] BENTO XVI em Portugal, Discursos e Homilias (Lisboa: Paulinas 2010) 12.

[2] BENTO XVI, Discursos e Homilias, 27.

[3] BENTO XVI, Discursos e Homilias, 105.

Ilustrações da Redacção.




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terça-feira, 8 de junho de 2010

Que Deus te cuide!

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Cristãos no Irão estão em perigo de extinção

A jornalista e observadora das igrejas do Próximo Oriente Camille Eid considerou que os cristãos no Irão estão em perigo de extinção devido às severas limitações quotidianas e pressões políticas que sofrem.
Em declarações ao programa radial "WhereGodWeeps (Onde Deus chora)", produzido pelo Catholic Radio and Television Network (CRTN) da associação Ajuda à Igreja que Sofre, Eid explicou o problema do Irão é contar com um regime teocrático muçulmano que restringe a vida diária dos cristãos.
É difícil para os cristãos encontrarem trabalho na administração pública. Inclusive os directores das escolas cristãs são muçulmanos a não ser em alguns casos excepcionais. E os convertidos ao cristianismo sofrem perseguições.
No exército, há alguns anos, descobriram que um coronel se converteu ao cristianismo. Este foi processado e só pôde sair do Irão pela pressão internacional. É muito difícil para os cristãos trabalharem em postos governamentais.
Os convertidos ao cristianismo não podem tornar público este processo no país e costumam abandonar o Irão para viver sua fé. Dentro do Irão não podem expressar ou demonstrar sua fé, pois enfrentariam a morte.
Segundo Eid, embora a pressão política afecte não-muçulmanos e muçulmanos, os cristãos têm dupla pressão porque sentem que a sua liberdade está restringida. É por isso que existe esta fuga massiva e de facto existe um risco real do desaparecimento, de uma extinção do cristianismo no Irão.



domingo, 6 de junho de 2010

O segredo da vida

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A questão dos lefebvristas:
um problema para o diálogo e o tempo resolverem

Há um dossier ecuménico sobre o qual Bento XVi se debruça: o dos fiéis ao Arcebispo Marcel Lefebvre, que continuam na situação de cismáticos em relação à Igreja de Roma por recusarem integralmente o Concílio Vaticano II e o magistério dos papas que se seguiram ao Concílio.
Em 2009, a decisão do Papa levantar a excomunhão aos quatro bispos ordenados ilicitamente por Lefebvre (foto) provocou mal entendidos e polémicas.

Para fazer luz sobre o sentido do seu gesto, Bento XVI escreveu uma carta aos bispos [ver em baixo].
Nessa carta, o Papa reafirma que a procura de reconciliação ainda continua porque o diferendo é de natureza doutrinal, sobre a aceitação do Concílio e o magistério pos-conciliar dos papas.
Nesta carta aos bispos, Bento XVI explica que o apelo à unidade da fé é válido para todos os cristãos. E também que não teria sentido «deixar à deriva, longe da Igreja, 491 padres, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 monges, 164 religiosas e milhares de fiéis que integram a comunidade lefebvrista».
Ao mesmo tempo, o Papa lamenta que se manifeste na Igreja uma intolerância contra os lefebvristas e mesmo contra aqueles que ousam aproximar-se deles.
O próprio Papa é um dos alvos dessa intolerância. Alguns grupos, por vezes sob formas teologicamente sofisticadas, até acusaram abertamente o Papa de «pretender fazer marcha-atrás, ao tempo antes do Concílio Vaticano II».
Dialogar com os lefebvristas é de facto correr o risco de ser acusado de trair o Concílio Vaticano II. O Papa tenta-o, apesar das incompreensões dos radicais antilefebvristas. E a verdade é que, com o diálogo, muitos grupos tradicionalistas já se reconciliaram com a Igreja. 
(Elementos recolhidos num artigo de Sandro Magister, que poderá ler integralmente em

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Texto integral do discurso de Bento XVI a 22 de Dezembro de 2005, sobre a interpretação do Concílio Vaticano II – Ler em especial a partir do décimo parágrafo:
[em português]

Carta dirigida pelo Papa aos bispos a 10 de Março de 2009 depois do levantamento da excomunhão aos lefebvristas:

[em português]







sexta-feira, 4 de junho de 2010

Oração

por Andrea Bocelli e Celine Dion

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

A lição dos pássaros

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Convite à oração

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Protesto contra um Presidente
sem ética e sem responsabilidade

Publicada por O Inimputável


 
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
 
Depois de ter indeferido a petição para a realização de um referendo com cerca de cem mil assinaturas, a Assembleia da República aprovou, sem ser por unanimidade, no passado mês de Fevereiro, uma lei que permite o casamento civil entre dois homens ou entre duas mulheres.

Como o Senhor Presidente da República leu na sua declaração, é de lamentar que não se tenham evitado naquele processo legislativo, clivagens desnecessárias na sociedade portuguesa face à grave crise que o País atravessa. Mas, valha a verdade, também como constatou o Presidente da República, as forças partidárias que aprovaram o referido diploma não estão minimamente preocupadas com a conflitualidade social. Aliás, a chave de todo este miserável imbróglio está aí: é que a visão que do mundo têm essas forças partidárias é definitivamente dialéctico e conflitual.

O Senhor Presidente da República evocou a crise económica para não fazer uso do veto, porém antes de ser económica, a crise que Portugal atravessa é uma profundíssima crise de valores e de convicções. Depois da visita recente do Santo Padre ao nosso país, onde se escutaram palavras em defesa da vida humana e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, os católicos portugueses sentem-se traídos com a promulgação desta lei, tal como já haviam sido traídos com a promulgação por V. Exa. da lei do aborto. Portanto, com mais esta promulgação, o Presidente da República tornou-se mais do que coadjutor, tornou-se cúmplice, o que o há-de amarrar à história com algemas muito pesadas.

Não há uma ética da responsabilidade por oposição a uma ética de convicção pessoal. Há ética, que é como a verdade: não tem relativos. Deste modo, os actos políticos devem ser baseados em convicções ideológicas, dando primazia ao bem comum, e nunca em prognósticos de derrota antecipada, como foi o caso. Hoje perde-se, amanhã ganha-se. Porém, neste caso, V. Exa. escolheu a rendição, criando uma derrota desonrosa, irresponsável, uma profunda desilusão e, acima de tudo, uma ferida aberta no coração de muitos milhares de portugueses.
 
Finalmente, mais do que uma derrota de alguns, a promulgação da lei que permite o casamento civil entre dois homens e entre duas mulheres, foi um desrespeito com as raízes morais do povo português e uma negação do poder constitucional do Presidente da República.



Carta Aberta ao Presidente da República

Fernando Sousa da Pena

Fica Sua Excelência o Presidente da República com o seu nome associado às leis mais iníquas publicadas na história da democracia portuguesa. Por mera estratégia política ou por uma consciência toldada face ao mal radical, Sua Excelência o Presidente Cavaco Silva deixa a sua assinatura na legitimação da morte de milhares de vidas humanas inocentes e indefesas, com a promulgação das leis da procriação medicamente assistida e do aborto. Fica, ainda, associado de modo indelével à destruição da família, célula essencial da nossa civilização, com as leis do divórcio rápido e do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Tinha Sua Excelência o Presidente da República alternativas para evitar qualquer uma destas leis, não tendo vontade ou determinação para parar estes ataques perversos à dignidade da vida humana. Acresce a perplexidade que deixa a sua firmeza quanto ao Estatuto dos Açores, cuja relevância para o País e para o seu futuro é residual.

Sua excelência o Presidente Cavaco Silva tem mostrado enorme preocupação face à economia, às finanças e aos seus poderes formais. Lamentavelmente, o mesmo cuidado não foi colocado na protecção da Nação face a leis gravíssimas que comprometem as gerações futuras. As mesmas que o hão-de julgar nesta sua efémera mas trágica passagem pela mais alta magistratura do País.



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Carta Aberta ao Presidente Cavaco Silva

Maria José Vilaça

Lisboa, 18 de 2010

Exmo Senhor Presidente da República

Dr. Aníbal Cavaco Silva

Faço minhas as palavras que já lhe foram endereçadas por alguns amigos meus. De facto fiquei, se no caso do Lei do Divórcio e da Lei do Aborto já tinha ficado desiludida consigo, desta vez, por causa da vinda do Santo Padre e da forma como nos falou no encontro com a Pastoral Social, nunca esperei que fizesse sua esta Lei totalmente anti-humana. Não está a respeitar direitos nem liberdades de ninguém. Está apenas a ceder a caprichos de quem por doença, ou por dificuldades associadas a percursos de vida difíceis, não sabe usar o seu corpo para expressar o dom da sua vida num compromisso de entrega de si ao outro assumido em liberdade, na totalidade, com fidelidade e fecundidade, como o senhor e a sua esposa fizeram quando casaram, ou como os consagrados fazem quando entregam as suas vidas a Deus para o bem da Igreja. Estas são as características do verdadeiro amor esponsal que fazem da pessoa humana semelhante a Deus também na forma de amar, através do dom esponsal de si e por isso sempre à semelhança da entrega que Cristo fez da Sua vida na Cruz, entrega renovada em cada Eucaristia e cuja analogia esponsal pode ler no livro do apocalipse quando se fala das bodas do cordeiro. Certamente quando casou ou quando os seus filhos casaram deu-se conta disto.
 
Então resta-me pensar que lhe passa pela cabeça que o homem político possa viver e tomar decisões incongruentes com os valores e os princípios morais do homem cristão.
 
Nesse caso, fico muito preocupada porque vejo que está diante dum dilema, uma ferida profunda que só Deus pode curar. O Homem é só um e tem de agir com congruência. A unidade da pessoa é sinónimo de saúde mental. Se houver incongruência há divisões e conflitos internos e rapidamente se gera patologia. Todos os actos políticos são tomados por si enquanto pessoa com todo o peso que os seus valores têm e se não estiver disposto a dar a vida por aquilo em que acredita, é porque não acredita mesmo a sério. Neste caso os eleitores votaram em si acreditando que estaria disposto a dar a vida por esses valores que dizia serem os seus. Sentimo-nos enganados, desiludidos.
 
Mais do que a nós, é por nós, pelo futuro deste País, que terá de responder. O poder que tem foi-lhe dado para exercer a justiça e não para destruir a família, imagem de Deus na terra.
 
O que nos vale a nós todos é que a última palavra de Deus é sempre a misericórdia!




Um presidente inimigo dos católicos

Publicada por O Inimputável

Cavaco Silva andou, não há muitos dias atrás, com ar beatífico e discurso meloso, a marcar presença na visita do Papa Bento XVI. Pelos vistos foi tudo encenação. Factos são factos. Este Presidente de Portugal ficará na história como aquele que:

1) Promulgou a lei do aborto

2) Promulgou a lei do casamento homossexual

Vamos ver se chega ao segundo mandato e se lhe dão a oportunidade de promulgar a inevitável lei da eutanásia. É uma questão de coerência, tal como será a minha de não lhe dar o meu voto.

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A Misericórdia e a condenação eterna

Nuno Serras Pereira

Não é propriamente uma originalidade dos dias que correm a invocação da Misericórdia infinita de Deus para desculpabilizar a gravidade do pecado mortal e as suas consequências no destino eterno da pessoa humana. Já Orígenes admitia uma restauração final em que os condenados ao Inferno e o próprio diabo seriam resgatados e salvos. Em meados do século vinte Giovanni Pappini, no seu livro O Diabo, caiu no mesmo engodo. A Igreja sempre condenou essa teoria, porque não concorde com a Sagrada Escritura nem com a Tradição, reafirmando a eternidade da condenação ao Inferno. A existência deste e a sua eternidade são aliás um Dogma de Fé, isto é, uma verdade Revelada por Deus.

Um outro grande e cultíssimo teólogo contemporâneo, em dois dos seus últimos livros, não advogando embora a apocatástases (restauração final dos condenados, do diabo e demais demónios) defende que o cristão não só pode como deve esperar que todos os homens se possam salvar. Esperar, não significa ter a certeza. Para ele significa que cada um deve viver com tal radicalidade, generosidade e empenho a sua Fé de modo a que “completando na sua carne o que falta à paixão de Cristo” carregue com os pecados dos outros passando, de algum modo, a Graça que lhe é dada para eles, de modo a que se possam converter. Chega a interpretar o sofrimento dos místicos, as suas noites escuras, e o sofrimento dos inocentes como uma participação na Paixão de Cristo capaz de transformar a liberdade inquinada ou ímpia dos outros em liberdade de tender para Deus. Afinal, como diz a Escritura “ Deus quer que todos os homens se salvem”. Adverte, no entanto, que cada um deve, como exorta S. Paulo, “trabalhar com temor e tremor” na sua própria salvação, não a dando, de modo nenhum, como adquirida.

O inferno não foi criado por Deus mas produzido pela liberdade da criatura (angélica) que ao rebelar-se definitivamente contra Ele, se fechou ao Seu amor ou ao Amor que Ele é: “Ide para o fogo eterno destinado ao demónio e aos seus anjos” (Mateus 25, 41). Uma vez que não existirá nenhum pronunciamento solene explícito do Magistério da Igreja declarando, segundo este teólogo, a existência de qualquer ser humano no Inferno podemos e devemos esperar que todos se possam salvar. A verdade porém é que também não há nenhuma declaração do Magistério da Igreja afirmando que o Inferno está vazio de pessoas humanas.

A vulgarização desta hipótese ou especulação teológica acabou por gerar naqueles poucos que ainda aderiam à verdade Revelada da existência do Inferno a convicção de que ninguém lá estaria nem se poderia condenar. Daí se passou à desculpabilização sistemática de toda e qualquer pessoa, por maiores que fossem as enormidades que ela cometesse.

Almas condenadas ao inferno
Segundo Santo Anselmo

Grandes teólogos reagiram, entre eles o eminente Avery Dulles, a muitas das afirmações deste autor. Reconhecendo embora os seus méritos, e muita da doutrina exposta, contestam a necessidade de um pronunciamento solene e explícito do Magistério sobre o assunto e mostram como asserções da Sagrada Escritura, da Tradição e de documentos do Magistério seriam incompreensíveis sem a admissão da eterna perdição efectiva, não só de pessoas angélicas (demónios) mas também de pessoas humanas.

É verdade, como dizia o então Cardeal Ratzinger, que a Fé nos foi dada não para que nos salvemos e os outros se percam mas para que através da nossa Fé os outros também se possam salvar. Mas também não é menos verdade, como dizia numa outra obra, que Deus criou-nos livres e leva a nossa liberdade a sério.

Estou em crer que a Misericórdia de Deus não deve ser invocada em vão, nem para aquietar as consciências dos que procederam mal infundindo-lhes uma falsa esperança de que se podem salvar permanecendo, embora, nos seus pecados porque afinal a última palavra caberá à Misericórdia Divina, que tudo ignorará. Não! A Misericórdia, como nos ensina a parábola do filho pródigo, deve ser invocada para chamar as pessoas ao arrependimento e à conversão, enquanto é tempo, e o tempo é breve. “Morte certa. Hora incerta. Juízo particular. Inferno ou Céu para sempre”. Afinal é isso mesmo que nos diz a Carta de S. Tiago: “Haverá Juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia” (2, 13).

Evidentemente que não usa de misericórdia, ou seja, não é misericordioso, todo aquele que pratica, é cúmplice, coopera formalmente ou é indiferente em relação aquelas monstruosidades legisladas e promulgadas a que me referi no texto de ontem.


Que ninguém duvide: cada um será julgado segundo as suas obras. (Obras praticadas pelo amor, gerado pela Fé que nos foi dada, sem mérito algum da nossa parte. A graça precede sempre, acompanha e guia a vontade.) Por isso podemos ler no Evangelho as palavras severas de Jesus, na parábola do Juízo final, “retirai-vos de Mim, malditos! … para o fogo eterno … ” (Mateus, 25, 41).

E S. Paulo adianta: “ … (C)om a tua dureza e o teu coração impenitente, estás a acumular ira sobre ti, para o dia da cólera e do justo julgamento de Deus, que retribuirá a cada um conforme as suas obras: para aqueles que, ao perseverarem na prática do bem, procuram a glória, a honra e a incorruptibilidade, será a vida eterna; para aqueles que, por rebeldia, são indóceis à verdade e dóceis à injustiça, será ira e indignação. Tribulação e angústia para todo o ser humano que pratica o mal … Glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem …” (Romanos 2, 5-10).







Punição exemplar para Márcia Rodrigues



Afonso de Aguiar Perdigão

É uma vergonha e desrespeito pelos normais princípios de cidadania a forma manipuladora que Márcia Rodrigues utilizou para denegrir a Igreja e Bento XVI.

Márcia Rodrigues utilizou os meios da RTP, serviço público, para fazer comícios anti-Igreja e anti-Bento XVI. O caso é gravíssimo, pelo que a sua autora deve ser punida e sobretudo punida de forma exemplar para fazer diminuir as veleidades dessa gente sem escrúpulos . É um caso muito grave que deve ser punido de forma evidente para servir de exemplo.

 

terça-feira, 18 de maio de 2010

É nos momentos difíceis que o Português revela
o que de melhor tem dentro de si

Eduardo Amarante

Quando, por todo o mundo, o Papa e a Igreja são ferozmente atacados, Portugal acolhe com a sua proverbial hospitalidade e, mais do que isso, com o seu coração místico, Bento XVI, dando testemunho vivo da sua genuína espiritualidade e da sua grandeza de alma. Quando os outros vilipendiam e enterram, Portugal eleva e glorifica.
Com a visita Papal, Portugal recebeu de Bento XVI uma inestimável mensagem de esperança, mas também deu a Sua Santidade todo o seu fervor místico, assente na sua natural vocação humanista e universal.
Num mundo cada vez mais globalizado no materialismo, Portugal reafirmou a contra-corrente de um espiritualismo que se quer universalista. É um reduto de esperança num mundo que se desmorona sem fé e sem crenças.

Bento XVI, ainda no avião e antes de pousar em solo lusitano, assinalou que o maior inimigo da Igreja e da Fé cristã reside no seu próprio seio e também disse explicitamente que o perdão cristão não substitui a justiça, condenando inequivocamente as nódoas pecaminosas de ovelhas transviadas.
 
Já em terra, captando a atmosfera mística da Terra de Santa Maria e absorvendo as energias telúricas de Belém e do Terreiro do Paço, que deixavam transparecer toda a força da seiva lusitana espalhada pelos quatro cantos do mundo através da segunda Missão cumprida pela Ordem de Cristo nos Descobrimentos, Bento XVI, um filósofo místico alemão, convocou os Portugueses para o cumprimento da Terceira Missão, exortando-os a que a levem a cabo e dando-lhes o testemunho e instrumento simbólico-esotérico que, em linguagem cristã, corresponde ao selo e à bênção do Pontífice da civilização cristã.
 
Em primeiro lugar, e defronte do simbólico cais das colunas, de onde partiram as nossas naus e caravelas a espalhar a fé cristã por todo o orbe – e se mais mundos houvera – o místico alemão exortou Portugal a ser o garante da fé cristã numa Europa de raízes e tradições cristãs;
 
Em segundo lugar, convocou Portugal para, de novo, dar novos mundos ao mundo, agora com as caravelas do espírito;
 
Em terceiro lugar, seguindo o exemplo da Ordem de Cristo e dos seus antecessores Templários, o Pontífice da cristandade reiterou a vocação ecuménica dos Portugueses, a sua capacidade de entendimento com os outros povos e culturas, a sua tolerância e sentido da solidariedade para exortar Portugal ao encontro espiritual com os crentes de outros credos religiosos, fazendo lembrar que o Pai celestial ou Deus-Pai é comum a todos os povos da Terra.
 
Em quarto lugar, reafirmou o sagrado vínculo espiritual, tão exaltado por São Bernardo de Claraval, de Portugal a Santa Maria, Nossa Senhora. E, neste sentido, reconheceu o lugar mágico e sagrado de Fátima, como o centro catalisador e emissor da poderosa energia espiritual que daí irradiará para o mundo.
 
Em quinto lugar, o Pontífice estabeleceu uma ponte entre o mundo terreno e o mundo celeste, entre o profano e o sagrado, assinalando a natureza espiritual do homem e os alicerces em que deve assentar: A Verdade, o Bem e o Belo. Esta é a tríplice chave para a nossa conduta espiritual no mundo da existência material, chave essa que nos libertará, aproximando-nos do Divino.
 
Em sexto lugar, o Papa consagrou Portugal no cumprimento da sua missão espiritual, depositando no seio do mais potente foco de energia espiritual em actividade, a “Rosa de Ouro”, isto é, a Rosa mística com um coração no seu interior, sobreposta à Cruz de Cristo.
 
Em sétimo lugar, Bento XVI apelou perante milhões de fiéis à seiva lusitana para levar novos mundos espirituais a um mundo cada vez mais descrente e dessacralizado e, com isso, despertou ancestrais atavismos de carácter espiritual e universal no Povo Português, ou seja, apelou-o à consumação do Quinto Império, consagrado, como outrora haviam sido os Templários, por um místico da mesma origem germânica de São Bernardo e de D. Afonso Henriques, unindo, no Presente, o nosso glorioso Passado a um futuro de Missão a ser cumprida.
 
Antes de deixar o solo português, o Papa chamou aos Portugueses “este povo glorioso”.
 
A partir de agora vivemos um momento único na nossa história, talvez só comparável ao da Fundação e ao dos Descobrimentos. É um momento de Esperança e de Desafio, de União e de Missão.

Sua Santidade, filósofo e místico alemão, realçou a importância de ligar a Fé à Razão, a Ciência à Religião, características essas que marcarão a humanidade do futuro. E depositou em Portugal toda a confiança e esperança, baseadas na Fé e na Razão, no desempenho da sua missão, como um farol (nas suas próprias palavras) do espírito para a humanidade.





 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O pecado promulgado

Nuno Serras Pereira

“ … (A) maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja.”
                                                    Bento XVI, 11. 05. 2010
Não há nenhuma dúvida que quer a Doutrina Católica quer a Lei Moral Natural reconhecem e anunciam que os actos sexuais entre pessoas do mesmo sexo são intrinsecamente perversos e depravados; e que a legalização do pseudo-casamento entre pessoas do mesmo sexo ou de “uniões civis”, como as que existem em França e em Inglaterra, por exemplo, constitui uma grave injustiça e uma cooperação formal com o pecado mortal praticado ao abrigo dessa “lei”, tornando a pessoa que legisla ou promulga tal absurdo, moralmente responsável de todo o mal que dela derivar.


Há preceitos que são absolutos morais e que por isso obrigam sempre, sem excepção alguma, em toda e qualquer circunstância, e que, por isso mesmo, não são negociáveis. Tal é o caso em apreço. E não é verdade que no caso de vetar a “lei” ela passaria de qualquer maneira, porque o Presidente pode dissolver a assembleia da república e pode também renunciar ao mandato.

Ao promulgar a “lei” iníqua do falsamente denominado “casamento” entre pessoas do mesmo sexo o Presidente da República, que se proclama católico praticante, comete um gravíssimo pecado que gera uma “grande perseguição” à Igreja. Não só pelo seu pecado em si, mas também por todos os efeitos funestos que dessa “legislação” derivarão.

Talvez o político consiga enredar as multidões como Lenin, Hitler, Mussolini ou Obama mas um dia, brevemente, terá de responder diante do Supremo Juiz, prestando rigorosas contas dos imensos crimes por que foi responsável.






 
 

O Papa que não sorria


Fernando Madrinha, Expresso, 15 de Maio de 2010

Este era o Papa que, segundo os seus críticos, não condenava os casos de pedofilia na Igreja Católica com a clareza necessária, apesar de já o ter feito repetidas vezes. Na viagem para Lisboa, afirmou 'O sofrimento da Igreja vem do interior da Igreja, dos pecados que existem na Igreja'. Mais 'O perdão não exclui a Justiça'. Isto para quem ainda tivesse dúvidas, ou estivesse para as inventar, sobre o modo como Bento XVI entende que devem ser tratadas as 'ervas daninhas' da sua Igreja.

Este era o Papa retrógrado e fundamentalista, supostamente intolerante para com as outras religiões e os que não têm religião alguma. No Centro Cultural de Belém, disse; 'A convivência da Igreja com as outras 'verdades' e com a 'verdade' dos outros é uma aprendizagem que a própria Igreja está a fazer'.

Este era o Papa enquistado na sua fé, conservador, passadista e, portanto, incapaz de promover o diálogo inter-religioso e de fomentar o ecumenismo. Afirmou, a propósito; 'O diálogo, sem ambiguidades e assente no respeito entre as partes envolvidas, é hoje uma prioridade no mundo, à qual a Igreja não se subtrai.' E ainda sobre a diversidade cultural e a relação entre culturas. 'É preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem a enriquecer-se com ela.'

São exemplos de como, nestes dias da visita a Portugal, Bento XVI passou o tempo a desmentir os mitos, as falsidades e os juízos errados que muitos críticos encartados põem a correr sobre ele e sobre o seu pensamento.

Este era também o Papa que não sorria, incapaz de um gesto afectuoso e de estabelecer empatias com as audiências. Mas vimos como se dirigiu aos jovens na Nunciatura e como eles lhe responderam, vimos como as multidões o receberam no belíssimo palco do Terreiro do Paço, no impressionante cenário de Fátima e na Avenida dos Aliados, ou como o aplaudiram no Centro Cultural de Belém.

Compreende-se que tudo isto irrite os que detestam o Papa e o que ele representa.

Mas enquanto não lhes for possível o Povo, esse empecilho que trava o passo na política e nos seus esforços para derrubarem os Valores que a Igreja defende - muitas vezes de modo incoerente, é certo, e não raro contraditório com a prática de alguns dos seus membros - têm que ter paciência. Eles, que são criaturas perfeitas e exigem uma Igreja perfeita, embora só esta que combatem assanhadamente e não outras bem menos tolerantes, o que têm a fazer é meter a viola no saco."




sábado, 15 de maio de 2010

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI
NA CERIMÓNIA DE DESPEDIDA
Aeroporto Internacional do Porto


Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Senhor Presidente da República,

Ilustres Autoridades,

Amados Irmãos no Episcopado

Queridos amigos,

No termo da minha visita, repassa no meu espírito a densidade de tantos momentos vividos nesta peregrinação a Portugal. Levo guardada na alma a cordialidade do vosso acolhimento afectuoso, a forma tão calorosa e espontânea como se cimentaram os laços de comunhão com os grupos humanos com quem pude contactar, o empenhamento que significou a preparação e a realização do programa pastoral planeado.

Neste momento da despedida, exprimo a todos a minha sincera gratidão: ao Senhor Presidente da República, que me honrou com a sua presença desde que cheguei até aqui, aos meus irmãos Bispos com quem renovei a profunda união no serviço do Reino de Cristo, ao Governo e a todas as autoridades civis e militares, que se desdobraram em visível dedicação ao longo de toda a viagem. Bem hajam! Os meios de comunicação social permitiram-me chegar a muitas pessoas a quem não era possível contactar na proximidade. Também lhes estou muito grato.

Para todos os portugueses, fiéis católicos ou não, aos homens e mulheres que aqui vivem, mesmo sem aqui terem nascido, vai a minha saudação na hora da despedida. Não cesse entre vós de crescer a concórdia, essencial para uma sólida coesão, caminho necessário para enfrentar com responsabilidade comum os desafios com que vos debateis. Continue esta gloriosa Nação a manifestar a grandeza de alma, profundo sentido de Deus, abertura solidária, pautada por princípios e valores bebidos no humanismo cristão. Em Fátima, rezei pelo mundo inteiro pedindo que o futuro traga maior fraternidade e solidariedade, um maior respeito recíproco e uma renovada confiança e confidência em Deus, nosso Pai que está nos céus.

Foi uma alegria para mim ser testemunha da fé e devoção da comunidade eclesial portuguesa. Pude verificar a energia entusiasta das crianças e dos jovens, a adesão fiel dos presbíteros, diáconos e religiosos, a dedicação pastoral dos bispos, a procura livre da verdade e da beleza patente no mundo da cultura, a criatividade dos agentes de pastoral social, a vibração da fé dos fiéis nas dioceses que visitei. O meu desejo é que a minha visita se torne incentivo para um renovado impulso espiritual e apostólico. Que o Evangelho seja acolhido na sua integridade e testemunhado com paixão por todos os discípulos de Cristo, a fim de que se revele como fermento de autêntica renovação de toda a sociedade!

Desça sobre Portugal e todos os seus filhos e filhas a minha Bênção Apostólica, portadora de esperança, de paz e de coragem, que imploro de Deus pela intercessão de Nossa Senhora de Fátima, a quem manifestais tanta confiança e firme amor. Continuemos a caminhar na esperança! Adeus!






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HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Missa na Avenida dos Aliados, Porto


Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Amados Irmãos e Irmãs,

«Está escrito no Livro dos Salmos: […] receba outro o seu cargo. É necessário, portanto, que […] um se torne connosco testemunha da ressurreição» (Act 1, 20-22). Assim falou Pedro, lendo e interpretando a palavra de Deus no meio de seus irmãos, reunidos no Cenáculo depois da Ascensão de Jesus ao Céu. O escolhido foi Matias, que tinha sido testemunha da vida pública de Jesus e do seu triunfo sobre a morte, permanecendo-Lhe fiel até ao fim, não obstante a debandada de muitos. A «desproporção» de forças em campo, que hoje nos espanta, já há dois mil anos admirava os que viam e ouviam a Cristo. Era Ele apenas, das margens do Lago da Galileia às praças de Jerusalém, só ou quase só nos momentos decisivos: Ele em união com o Pai, Ele na força do Espírito. E todavia aconteceu que por fim, pelo mesmo amor que criou o mundo, a novidade do Reino surgiu como pequena semente que germina na terra, como centelha de luz que irrompe nas trevas, como aurora de um dia sem ocaso: É Cristo ressuscitado. E apareceu aos seus amigos, mostrando-lhes a necessidade da cruz para chegar à ressurreição.

Uma testemunha de tudo isto, procurava Pedro naquele dia. Apresentadas duas, o Céu designou «Matias, que foi agregado aos onze Apóstolos» (Act 1, 26). Hoje celebramos a sua memória gloriosa nesta «Cidade Invicta», que se vestiu de festa para acolher o Sucessor de Pedro. Dou graças a Deus por me trazer até ao vosso meio, encontrando-vos à volta do altar. A minha cordial saudação para vós, irmãos e amigos da cidade e diocese do Porto, vindos da província eclesiástica do norte de Portugal e mesmo da vizinha Espanha, e quantos mais estão em comunhão física ou espiritual com esta nossa assembleia litúrgica. Saúdo o Senhor Bispo do Porto, Dom Manuel Clemente, que desejou com grande solicitude a minha visita, me acolheu com grande afecto e se fez intérprete dos vossos sentimentos no início desta Eucaristia. Saúdo seus Predecessores e demais Irmãos no episcopado, os sacerdotes, os consagrados e consagradas, e os fiéis leigos, com um pensamento particular para quantos estão envolvidos na dinamização da Missão Diocesana e, mais concretamente, na preparação desta minha Visita. Sei que a mesma pôde contar com a real colaboração do Presidente da Câmara do Porto e de outras Autoridades públicas, muitas das quais me honram com a sua presença, aproveitando este momento para as saudar e lhes desejar, a elas e a quantos representam e servem, os melhores sucessos a bem de todos.

«É necessário que um se torne connosco testemunha da ressurreição»: dizia Pedro. E o seu Sucessor actual repete a cada um de vós: Meus irmãos e irmãs, é necessário que vos torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. Na realidade, se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar? O cristão é, na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida. Para isso, em cada celebração eucarística, ouviremos mais atentamente a Palavra de Cristo e saborearemos assiduamente o Pão da sua presença. Isto fará de nós testemunhas e, mais ainda, portadores de Jesus ressuscitado no mundo, levando-O para os diversos sectores da sociedade e quantos neles vivem e trabalham, irradiando aquela «vida em abundância» (Jo, 10, 10) que Ele nos ganhou com a sua cruz e ressurreição e que sacia os mais legítimos anseios do coração humano.

Nada impomos, mas sempre propomos, como Pedro nos recomenda numa das suas cartas: «Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder a quem quer que seja sobre a razão da esperança que há em vós» (1 Ped 3, 15). E todos afinal no-la pedem, mesmo quem pareça que não. Por experiência própria e comum, bem sabemos que é por Jesus que todos esperam. De facto, as expectativas mais profundas do mundo e as grandes certezas do Evangelho cruzam-se na irrecusável missão que nos compete, pois «sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja. Perante os enormes problemas do desenvolvimento dos povos, que quase nos levam ao desânimo e à rendição, vem em nosso auxílio a palavra do Senhor Jesus Cristo que nos torna cientes deste dado fundamental: “Sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5), e encoraja: “Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo” (Mt 28, 20)» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 78).

Mas, se esta certeza nos consola e tranquiliza, não nos dispensa de ir ao encontro dos outros. Temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo, que aliás só pode ser missionária, no movimento expansivo do Espírito. Desde as suas origens, o povo cristão advertiu com clareza a importância de comunicar a Boa Nova de Jesus a quantos ainda não a conheciam. Nestes últimos anos, alterou-se o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos. O campo da missão ad gentes apresenta-se hoje notavelmente alargado e não definível apenas segundo considerações geográficas; realmente aguardam por nós não apenas os povos não-cristãos e as terras distantes, mas também os âmbitos sócio-culturais e sobretudo os corações que são os verdadeiros destinatários da actividade missionária do povo de Deus.

Trata-se de um mandato cuja fiel realização «deve seguir o mesmo caminho de Cristo: o caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação própria até à morte, de que Ele saiu vencedor pela sua ressurreição» (Conc. Ecum. Vaticano II, Decr. Ad gentes, 5). Sim! Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra: «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça» (Jo 15, 16). Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto! Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão: a missão recebemo-la sempre de Cristo, que nos deu a conhecer o que ouviu a seu Pai, e somos nela investidos por meio do Espírito na Igreja. Como a própria Igreja, obra de Cristo e do seu Espírito, trata-se de renovar a face da terra a partir de Deus, sempre e só de Deus!

Queridos irmãos e amigos do Porto, levantai os olhos para Aquela que escolhestes como padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. O Anjo da anunciação saudou Maria como «cheia de graça», significando com esta expressão que o seu coração e a sua vida estavam totalmente abertos a Deus e, por isso, completamente invadidos pela sua graça. Que Ela vos ajude a fazer de vós mesmos um «sim» livre e pleno à graça de Deus, para poderdes ser renovados e renovar a humanidade pela luz e a alegria do Espírito Santo.



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DISCURSO DO PAPA BENTO XVI
NO ENCONTRO COM OS BISPOS DE PORTUGAL
Salão das Conferências
de Nossa Senhora do Carmo, Fátima


Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Venerados e queridos Irmãos no Episcopado,

Dou graças a Deus pela oportunidade de vos encontrar a todos aqui no coração espiritual de Portugal, que é o Santuário de Fátima, onde multidões de peregrinos, vindos dos mais variados lugares da terra, procuram reaver ou reforçar em si mesmos as certezas do Céu. Entre eles veio de Roma o Sucessor de Pedro, acedendo aos repetidos convites recebidos e movido por uma dívida de gratidão à Virgem Maria, que aqui comunicara aos seus videntes e peregrinos um intenso amor pelo Santo Padre que frutifica numa vigorosa retaguarda de oração com Jesus à cabeça: Pedro, «Eu roguei por ti, a fim de que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos» (Lc 22, 32).


Como vedes, o Papa precisa de abrir-se cada vez mais ao mistério da Cruz, abraçando-a como única esperança e derradeiro caminho para ganhar e reunir no Crucificado todos os seus irmãos e irmãs em humanidade. Obedecendo à Palavra de Deus, é chamado a viver não para si mesmo mas para a presença de Deus no mundo. Serve-me de conforto a determinação com que seguis no meu encalço, sem nada mais temer que a perda da salvação eterna do vosso povo, como bem o demonstram as palavras com que Dom Jorge Ortiga quis saudar a minha chegada ao vosso meio e testemunhar a fidelidade incondicional dos Bispos de Portugal ao Sucessor de Pedro. De coração vo-lo agradeço. Obrigado ainda por todo o desvelo que pusestes na organização desta minha Visita. Que Deus vos pague, derramando em abundância o Espírito Santo sobre vós e vossas dioceses a fim de que, num só coração e numa só alma, possais levar a cabo o empenho pastoral que vos propusestes: oferecer a todos os fiéis uma iniciação cristã exigente e atractiva, comunicadora da integridade da fé e da espiritualidade radicada no Evangelho, formadora de agentes livres no meio da vida pública.

Na verdade, os tempos que vivemos exigem um novo vigor missionário dos cristãos chamados a formar um laicado maduro, identificado com a Igreja, solidário com a complexa transformação do mundo. Há necessidade de verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo: políticos, intelectuais, profissionais da comunicação que professam e promovem uma proposta mono-cultural com menosprezo pela dimensão religiosa e contemplativa da vida. Em tais âmbitos, não faltam crentes envergonhados que dão as mãos ao secularismo, construtor de barreiras à inspiração cristã. Entretanto, amados Irmãos, aqueles que lá defendem com coragem um pensamento católico vigoroso e fiel ao Magistério continuem a receber o vosso estímulo e palavra esclarecedora para, como leigos, viverem a liberdade cristã.

Mantende viva a dimensão profética sem mordaças no cenário do mundo actual, porque «a palavra de Deus não pode ser acorrentada» (2 Tm 2, 9). As pessoas clamam pela Boa Nova de Jesus Cristo, que dá sentido às suas vidas e salvaguarda a sua dignidade. Como primeiros evangelizadores, ser-vos-á útil conhecer e compreender os diversos factores sociais e culturais, avaliar as carências espirituais e programar eficazmente os recursos pastorais; decisivo, porém, é conseguir inculcar em todos os agentes evangelizadores um verdadeiro ardor de santidade, cientes de que o resultado provém sobretudo da união com Cristo e da acção do seu Espírito.

Ora, quando no sentir de muitos a fé católica deixa de ser património comum da sociedade e, frequentemente, se vê como uma semente insidiada e ofuscada por «divindades» e senhores deste mundo, muito dificilmente aquela poderá tocar os corações graças a simples discursos ou apelos morais e menos ainda a genéricos apelos aos valores cristãos. O apelo corajoso e integral aos princípios é essencial e indispensável; todavia a mera enunciação da mensagem não chega ao mais fundo do coração da pessoa, não toca a sua liberdade, não muda a vida. Aquilo que fascina é sobretudo o encontro com pessoas crentes que, pela sua fé, atraem para a graça de Cristo dando testemunho d’Ele. Vêm-me à mente estas palavras do Papa João Paulo II: «A Igreja tem necessidade sobretudo de grandes correntes, movimentos e testemunhos de santidade entre os fiéis, porque é da santidade que nasce toda a autêntica renovação da Igreja, todo o enriquecimento da fé e do seguimento cristão, uma re-actualização vital e fecunda do cristianismo com as necessidades dos homens, uma renovada forma de presença no coração da existência humana e da cultura das nações» (Discurso no XX aniversário da promulgação do Decreto conciliar «Apostolicam actuositatem», 18/XI/1985). Poderia alguém dizer: «É certo que a Igreja tem necessidade de grandes correntes, movimentos e testemunhos de santidade…, mas não os há»!

A propósito, confesso-vos a agradável surpresa que tive ao contactar com os movimentos e novas comunidades eclesiais. Observando-os, tive a alegria e a graça de ver como, num momento de fadiga da Igreja, num momento em que se falava de «inverno da Igreja», o Espírito Santo criava uma nova primavera, fazendo despertar nos jovens e adultos a alegria de serem cristãos, de viverem na Igreja que é o Corpo vivo de Cristo. Graças aos carismas, a radicalidade do Evangelho, o conteúdo objectivo da fé, o fluxo vivo da sua tradição comunicam-se persuasivamente e são acolhidos como experiência pessoal, como adesão da liberdade ao evento presente de Cristo.

Condição necessária, naturalmente, é que estas novas realidades queiram viver na Igreja comum, embora com espaços de algum modo reservados para a sua vida, de maneira que esta se torne depois fecunda para todos os outros. Os portadores de um carisma particular devem sentir-se fundamentalmente responsáveis pela comunhão, pela fé comum da Igreja e devem submeter-se à guia dos Pastores. São estes que devem garantir a eclesialidade dos movimentos. Os Pastores não são apenas pessoas que ocupam um cargo, mas eles próprios são carismáticos, são responsáveis pela abertura da Igreja à acção do Espírito Santo. Nós, Bispos, no sacramento, somos ungidos pelo Espírito Santo e, por conseguinte, o sacramento garante-nos também a abertura aos seus dons. Assim, por um lado, devemos sentir a responsabilidade de aceitar estes impulsos que são dons para a Igreja e lhe dão nova vitalidade, mas, por outro, devemos também ajudar os movimentos a encontrarem a estrada justa, com correcções feitas com compreensão – aquela compreensão espiritual e humana que sabe unir guia, gratidão e uma certa abertura e disponibilidade para aceitar aprender.

Iniciai ou confirmai nisto mesmo os presbíteros. Neste Ano Sacerdotal que está para concluir, redescobri, amados Irmãos, a paternidade episcopal sobretudo para com o vosso clero. Durante demasiado tempo se relegou para segundo plano a responsabilidade da autoridade como serviço ao crescimento dos outros, e antes de mais ninguém dos sacerdotes. Estes são chamados a servir, no seu ministério pastoral, integrados numa acção pastoral de comunhão ou de conjunto, como nos recorda o decreto conciliar Presbyterorum ordinis: «Nenhum sacerdote pode realizar sozinho suficientemente a sua missão, mas só num esforço conjunto com o dos demais sacerdotes, sob a orientação dos que estão à frente da Igreja» (n. 7). Não se trata de voltar ao passado nem de um mero regresso às origens, mas de uma recuperação do fervor das origens, da alegria do início da experiência cristã, fazendo-se acompanhar por Cristo como os «discípulos de Emaús» no dia de Páscoa, deixando que a sua palavra aqueça o coração, que o «pão partido» abra os nossos olhos à contemplação do seu rosto. Só assim é que o fogo da sua caridade será bastante ardente para impelir cada fiel cristão a tornar-se dispensador de luz e vida na Igreja e entre os homens.

Antes de terminar, queria pedir-vos, na vossa qualidade de presidentes e ministros da caridade na Igreja, para revigorardes em vós e ao vosso redor os sentimentos de misericórdia e compaixão capazes de corresponder às situações de graves carências sociais. Criem-se e aperfeiçoem-se as organizações existentes, com criatividade para corresponder a todas as pobrezas, mesmo a de falta de sentido da vida e de ausência de esperança. É muito louvável o esforço que fazeis por ajudar dioceses mais necessitadas, sobretudo dos países lusófonos. As dificuldades, agora mais sentidas, não vos deixem esmorecer na lógica do dom. Continue bem vivo no país o vosso testemunho de profetas de justiça e da paz, defensores dos direitos inalienáveis da pessoa, juntando a vossa voz à dos mais débeis a quem tendes sabiamente motivado para ter voz própria, sem temer nunca levantar a voz em favor dos oprimidos, humilhados e molestados.

Enquanto vos confio a Nossa Senhora de Fátima, pedindo-Lhe que vos sustente maternalmente nos desafios em que estais empenhados, para serdes promotores de uma cultura e de uma espiritualidade de caridade e de paz, de esperança e de justiça, de fé e de serviço, de coração vos concedo, extensiva aos vossos familiares e comunidades diocesanas, a minha Bênção Apostólica.


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Penútima imagem: D. António Barroso (1854-1918), Bispo do Porto perseguido e preso por Afonso Costa e pela maçonaria durante a I República.

Última imagem: D. Sebastião de Vasconcelos (1852-1923), Bispo de Beja perseguido e desterrado por Afonso Costa e pela maçonaria durante a I República.




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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Os Papas na história de Fátima

Relacionamento ganhou visibilidade com as viagens pontifícias
realizadas por Paulo VI e, sobretudo, João Paulo II

A relação dos Papas com Fátima tem ganho uma visibilidade maior desde as viagens pontifícias realizadas por Paulo VI e, sobretudo, João Paulo II. Mais cedo, contudo, se começara a manifestar o interesse do Bispo de Roma por Fátima e pela sua mensagem.

A 31 de Outubro de 1942, Pio XII - consagrado bispo precisamente no dia 13 de Maio de 1917, dia da primeira aparição -, consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, em plena II Guerra Mundial. Na sua radiomensagem, falou em português a todos os que subiram "à montanha santa de Fátima", para depositar aos pés da Virgem Padroeira "o tributo filial do vosso amor aprisionado".

"Rainha do Santíssimo Rosário, Refúgio do género humano, nós confiamos, entregamos, consagramos, não só a Santa Igreja, Corpo místico do Vosso Jesus, mas também todo o mundo", referiu.

O mesmo Papa, no dia 13 de Maio de 1946, enviou a Fátima, como seu representante, o Cardeal Masella para coroar a imagem de Nossa Senhora e dirigiu, uma vez mais, a sua mensagem em português aos peregrinos ali reunidos e a todo o mundo.

O Beato João XXIII visitou Fátima no dia 13 de Maio de 1956, quando era ainda Patriarca de Veneza. Recordando, mais tarde, esta visita, dirá: "Ó Senhora da Fátima, agradeço-te mais uma vez teres-me convidado para este festim de misericórdia e de amor".

Paulo VI, 1967


Paulo VI foi o primeiro Papa a vir pessoalmente a Fátima, como peregrino de Nossa Senhora, a 13 de Maio de 1967. Na homilia proferida durante a celebração eucarística, Paulo VI começou logo por dizer: "Tão grande é o Nosso desejo de honrar a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Cristo e, por isso, Mãe de Deus e Mãe nossa, tão grande é a Nossa confiança na sua benevolência para com a santa Igreja e para com a Nossa missão apostólica, tão grande é a Nossa necessidade da sua intercessão junto de Cristo, seu divino Filho, que viemos, peregrino humilde e confinante, a este Santuário bendito, onde se celebra hoje o cinquentenário das aparições de Fátima e onde se comemora o vigésimo quinto aniversário da consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria".


João Paulo II, Peregrino de Fátima

Entre os portugueses João Paulo II vai ficar na história como o "Papa de Fátima", Santuário que visitou por três ocasiões. A ideia pode parecer excessiva, mas há bons motivos para este título: a intercessão de Nossa Senhora de Fátima na recuperação de um atentado e a beatificação dos Pastorinhos são momentos notáveis destes 25 anos de Pontificado onde João Paulo II manifestou, por diversas vezes, a sua fé e devoção mariana.

João Paulo II, 1991

Simbolicamente, a bala que lhe atravessou o abdómen no dia 13 de Maio de 1981 repousa hoje na imagem da Virgem na Cova da Iria. A mesma imagem que, em 2000, o Papa colocou entre os bispos de todo o mundo, consagrando-lhe o terceiro milénio.

A anterior consagração da Rússia ao coração Imaculado de Maria, gesto repleto de simbolismo religioso e político, liga-se umbilicalmente a toda a mensagem de Fátima.

Em Maio de 1982, no aniversário desse primeiro atentado contra a sua vida, Karol Wojtyla chegava a Fátima para "agradecer à Divina Providência neste lugar que a mãe de Deus parece ter escolhido de modo tão particular". Ignorava então que voltaria a correr perigo na noite de dia 13, desta vez pelo ex-sacerdote integrista Juan Khron, mas João Paulo II escapou ileso, podendo agradecer à Virgem a salvação da sua vida.

Passou ainda por Lisboa, Vila Viçosa, Coimbra, Braga e Porto, ao longo de quatro dias.

Voltaria nove anos depois. A 10 Maio de 1991, João Paulo II celebrou missa no Estádio do Restelo. Viajaria depois para os Açores e Madeira e, inevitavelmente, terminaria o itinerário no Santuário de Fátima.

Em Maio de 2000, regressou para oficializar a beatificação dos pastorinhos. Uma decisão assumida contra os serviços burocráticos do Vaticano, que chegaram a agendar a cerimónia para 9 de Abril, na Praça de São Pedro.

A revelação da ligação do atentado de 1981 à terceira parte do segredo de Fátima (uma mensagem anunciada por Nossa Senhora aos Pastorinhos em Julho de 1917 e escrita por Lúcia na década de 40) justifica, em boa parte, a razão desta cumplicidade entre o Papa e o Santuário.

João Paulo II sempre se mostrou seguro de que "uma mão maternal" guiou a trajectória da bala naquela tarde de Maio de 1981. Quando a Irmã Lúcia faleceu, no dia 13 de Fevereiro de 2005, o Papa mostrou-se muito emocionado ao lembrar "os encontros que tive com ela e os laços de amizade espiritual que se reforçaram com o passar dos anos".

Bento XVI

O actual Papa enviou como Legado Pontifício para as solenes celebrações de abertura do 90.º aniversário das aparições de Nossa Senhora, a 13 de Maio de 2007, o antigo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Angelo Sodano.

Na carta que enviou ao Cardeal Sodano, o Papa assinala a sua passagem pelo Santuário (13 de Outubro de 1996) e recordou a sua ligação a Fátima, nos tempos de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

"Nós, que já visitámos esse santuário e, como Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, estudámos a mensagem confiada pela Bem-aventurada Virgem Maria aos pastores, desejamos que proponhas novamente aos fiéis o valor da oração do santo rosário, bem como esta mensagem, para que se consigam os favores e graças que a própria Mãe do Redentor prometeu aos devotos do seu Imaculado Coração", apontava.

Bento XVI foi o responsável, ainda como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pelo comentário teológico da terceira parte do segredo, publicado nas “Memórias da Irmã Lúcia”/Apêndice III.

O Papa assinalava que, desde a aparição aos pastorinhos, muitos foram os fiéis que acorreram à Cova da Iria para pedir a protecção de Nossa Senhora nas suas dificuldades. "Há noventa anos, a celeste Rainha da Paz (...) apareceu em Fátima a três pastorinhos, cheios de espanto, enquanto guardavam o seu rebanho. Ao seu amparo têm recorrido muitos fiéis que nos vários perigos se valem da sua protecção", relembra.

A visita de 2010 é a quinta deslocação de um Papa ao Santuário Mariano português, um dos mais importantes do mundo.







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