sábado, 8 de maio de 2010

Uma Velada de Armas por Portugal

(Basílica de Nossa Senhora dos Mártires, 22 de Abril de 2010)

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

1. Introdução. Há pouco menos de cem anos, Nossa Senhora apareceu na Cova da Iria para pedir a três pastorinhos que rezassem o terço todos os dias «para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra». Aqueles três jovens aceitaram o desafio que lhes vinha do Céu, por intermédio daquela «Senhora mais brilhante do que o sol» e, poucos meses depois, concluía-se a primeira Guerra Mundial.
Hoje, é essa mesma Senhora que nos convoca para uma nova cruzada pela paz no mundo e, em especial, por esta Terra de Santa Maria. É Nossa Senhora quem nos pede que de novo empunhemos o terço, que é arma poderosa, e restauremos assim o esplendor de Portugal.
Para esta guerra de paz e de amor, para esta luta do bem contra o mal, contamos não só com a força de Deus e dos seus Santos Anjos, mas também com a poderosa intercessão daquele que, nos campos de Aljubarrota, Atoleiros e Valverde, venceu os inimigos de Deus e da pátria: São Nuno de Santa Maria!

2. Os paradoxos de Fátima. Quando, a 13 de Maio de 1917, Nossa Senhora desceu sobre o descampado de Fátima e apareceu, sobre uma azinheira, a três jovens incultos que nem sequer o terço diário rezavam – não obstante a recomendação materna para que assim fizessem todos os dias, enquanto se dedicavam à guarda do rebanho que lhes fora confiado – dir-se-ia que a Santíssima Virgem cometeu um tríplice erro.
Em primeiro lugar, parece que Nossa Senhora falhou no alvo que pretendia atingir. Se a sua vinda estava relacionada com a conversão da Rússia e o fim da guerra que se travava no centro da Europa, era nas distantes estepes russas ou em terras de França que deveria ter aparecido, e nunca em Portugal, que embora potência beligerante, estava muito arredado dos cenários da guerra e no extremo continental oposto à que viria a ser a grande nação soviética.
Em segundo lugar, se se desejava o fim de uma guerra e, ainda por cima mundial, a Rainha da Paz deveria ter aparecido num fórum internacional, nos parlamentos em que tais decisões são tomadas, nos conselhos de ministros que gerem esses conflitos, nos quartéis-generais que comandam as tropas que se confrontam nos campos de batalha, e não ante três pacíficos pastorinhos que, não só ignoravam as vicissitudes da atormentada Europa, como desconheciam ainda a existência de uma distante Rússia. Mesmo que os pequenos videntes de Fátima estivessem a par da grave situação internacional, também é certo que nada poderiam fazer, por si mesmos, para resolver a crise mundial.
Em terceiro e último lugar, se Maria vinha despertar nos homens e mulheres o desejo da paz e o empenho pela construção de uma sociedade mais justa, deveria ter ido ao encontro de cidadãos de consolidada experiência e de provada sabedoria, e nunca servir-se de três jovens que, pela sua então falta de idade, de ciência e de virtude, dificilmente poderiam ser aceites, na Igreja e no mundo, como intermediários do Céu em tão complexa questão.
E, contudo, foram eles – os Beatos Francisco e Jacinta e a sua prima Lúcia – os escolhidos por Nossa Senhora! Ela, que tinha à sua disposição tantos cristãos ilustres e sábios, alguns talvez até poderosos e ricos. Ela, que se poderia ter servido de instrumentos de grande qualidade humana e espiritual, não desdenhou aquelas três crianças, antes as preferiu e destinou para que fossem, num mundo ferido pelo pecado e pela guerra, as corajosas mensageiras do amor de Deus e da paz entre os homens.
Quando, depois da queda do muro de Berlim e do fim da tirania comunista nos países do Leste europeu, uma significativa representação de católicos russos veio a Fátima agradecer a protecção de Nossa Senhora, tive a graça e a felicidade de falar com o Senhor Arcebispo de Moscovo. No santuário da Cova da Iria, esse prelado confidenciou-me que, durante os longos anos da perseguição comunista, os católicos não podiam ter igrejas abertas ao culto, nem seminários, nem padres, nem livros, nem manifestar a sua religião católica. Por isso, só lhes restava um modo de viverem a sua fé: rezando, individualmente ou em família, nas suas casas e pelas ruas, o terço de Nossa Senhora.
Porquê esta oração? Decerto porque é uma prática a todos acessível, mas porque também nessas longínquas paragens constava que, no outro extremo do continente europeu, em Fátima, Maria tinha prometido a sua maternal protecção ao povo russo. Num campo de concentração, numa caserna do exército, numa escola pública, num hospital do Estado, numa repartição oficial, certamente não se poderia celebrar comunitariamente a fé, mas até nesses lugares, oficialmente interditos a Deus, se rezava pessoalmente o terço de Nossa Senhora. E quantos milhões de terços se não terão rezado nesse país por esta intenção?! Foram essas contas, desgranadas com filial confiança, que abriram as portas da esperança e que reinventaram o amor na renovada expressão da nossa fé!
Queridos jovens! Nossa Senhora não subestimou a força e o poder dos inimigos da fé e da Igreja, quando recomendou a reza diária do rosário! A nossa Mãe do Céu não se equivocou, quando escolheu, para seus interlocutores, três crianças ignorantes! Maria não errou a pontaria, quando aterrou na Cova da Iria! Porquê?! Porque Nossa Senhora sabe que o terço é a arma adequada para recristianizar Portugal e renovar o mundo! Porque Nossa Senhora, a quem foi entregue por Cristo o Apóstolo adolescente, confia nos jovens e no poder da sua oração! Porque Nossa Senhora, que exulta de alegria no Deus que destrona os poderosos e eleva os humildes, conta com Portugal!

3. Um compromisso de oração por Portugal. Em Maio de 1917 era a Guerra Mundial que entristecia a nossa Mãe do Céu e, poucos meses depois, no outro extremo do continente europeu, erguia-se a superpotência que contagiou o mundo inteiro com os seus erros. Mas hoje, quase um século volvido sobre aquela bênção de Nossa Senhora à nossa terra, é também Portugal terra de missão.
Este projecto, nascido à sombra do pendão de São Nuno Álvares Pereira e por ocasião da sua solene canonização, a 26 de Abril de 2009, é um convite lançado a toda a Igreja para que, na magnífica multiplicidade das suas Instituições e dos seus Movimentos, se una na reza diária do Santo Rosário e, mensalmente, na recitação comunitária do terço de Nossa Senhora, na primeira quinta-feira de cada mês. É intenção prioritária dessa oração pessoal e comunitária a defesa da fé em Portugal, prometida por Nossa Senhora aos três pastorinhos na aparição de 13 de Julho de 1917, sem prejuízo de outras razões pelas quais os cristãos que assumem este compromisso queiram também rezar.
Não sendo obrigatória a reza do Santo Rosário, aqueles que individualmente e por um período anual se propõem rezar um ou mais terços diários, ou mesmo uma só dezena, pela referida intenção, não assumem uma responsabilidade que os obrigue, sob razão de pecado, embora se espere que, como mulheres e homens de fé e de palavra, honrem diariamente este seu propósito com Nossa Senhora e com Portugal.
O carácter patriótico desta campanha não pode prestar-se a interpretações de carácter político, de todo alheias ao projecto. Mesmo o cunho marcadamente nacional, mas não nacionalista, desta empresa apostólica não pode ser entendido senão à luz da catolicidade da própria Igreja, do mesmo modo como o preceito divino que obriga a honrar em especial os próprios progenitores, não contradiz o mandato evangélico da caridade universal. A bem dizer, Portugal, na história da nossa fé, não se resume ao rectângulo à beira-mar plantado, mas realiza-se em todas as partes do mundo aonde aportaram as caravelas da Cruz de Cristo. Por isso, desde a sua primeira hora, que foi no passado dia 1 de Junho de 2009, este empreendimento tem um claro sentido missionário.
Um poeta do império português de aquém e além-mar cantou, em eloquente verso, as gestas dos nossos antepassados que esforçadamente dilataram o reino de Cristo na terra. Em jeito de prece, inspiremo-nos nós também na sua palavra, para agora dizermos a Maria, nossa Mãe e Rainha: Senhora, falta cumprir Portugal!

4. A petição pelo Santo Padre. Porque português e também universal, este empenho por alcançar um milhão de terços diários não pode ignorar uma intenção muito particularmente relacionada com as aparições de Fátima: a oração pela pessoa e intenções do Papa.
Foi a Jacinta que, numa visão particular, contemplou o Santo Padre «numa casa muito grande, de joelhos diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar. Fora da casa, estava muita gente: e uns atiravam-lhe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias. Coitadinho do Santo Padre! Temos de rezar muito por ele!».
Esta profética visão é hoje uma triste realidade, pois a amabilíssima pessoa do Papa Bento XVI é publicamente enxovalhada e objecto dos mais soezes e injustos ataques. Do mesmo modo como a bem-aventurada Jacinta reagiu, em 1917, com ainda mais orações e heróicos sacrifícios pelo Romano Pontífice, respondamos a esta campanha mundial com uma mais intensa prece pelo «doce Cristo na terra», como gostava de dizer Santa Catarina de Sena, numa cada vez mais inquebrantável adesão a Sua Santidade e ao seu magistério. Sejamos dignos de ostentar, também nestes conturbados tempos, o grandioso título de nação fidelíssima, outrora concedido pela Sé Apostólica ao nosso país e aos seus reis.

5. Cinquenta razões para rezar o terço todos os dias. Sendo cinquenta as Avé-Marias de um terço, ocorre-me oferecer cinquenta razões para que tu e eu rezemos diariamente o terço de Nossa Senhora. E, como me falta o engenho e a arte para tal efeito, permite que por mim falem dois mil anos de devoção mariana e assim conheças cinquenta títulos de Maria que justificam abundantemente que nunca lhe deixes de recitar esta oração, que é tão do seu agrado e, para ti e para o mundo, de tão grande proveito.
Reza pois, todos os dias, o terço do Santo Rosário, porque Nossa Senhora é:

1) Virgem prudentíssima,
2) Virgem venerável,
3) Virgem louvável,
4) Virgem poderosa,
5) Virgem clemente,
6) Virgem fiel,
7) Espelho de justiça,
8) Sede da sabedoria
9) Causa da nossa alegria,
10) Vaso espiritual,
11) Vaso honorífico,
12) Vaso insigne de devoção,
13) Rosa mística,
14) Torre de David,
15) Torre de marfim,
16) Casa do ouro,
17) Arca da Aliança,
18) Porta do Céu,
19) Estrela da manhã,
20) Saúde dos Enfermos,
21) Refúgio dos pecadores,
22) Consoladora dos aflitos,
23) Auxílio dos cristãos,
24) Rainha dos Anjos,
25) Rainha dos Patriarcas,
26) Rainha dos Apóstolos,
27) Rainha dos Mártires,
28) Rainha dos Confessores,
29) Rainha das Virgens,
30) Rainha de todos os Santos,
31) Rainha concebida sem mancha de pecado original,
32) Rainha elevada ao Céu em corpo e alma,
33) Rainha do Santíssimo Rosário,
34) Rainha da Família,
35) Rainha da Paz,
36) Rainha de Portugal,
37) Nossa Padroeira,
38) Mãe do bom conselho,
39) Mãe admirável,
40) Mãe amável,
41) Mãe intacta,
42) Mãe imaculada,
43) Mãe castíssima,
44) Mãe puríssima,
45) Mãe da divina graça,
46) Mãe da Igreja,
47) Mãe do Criador,
48) Mãe do Salvador,
49) Mãe de Cristo,
50) E tua Mãe também!

6. Conclusão. É hora de rezar o Santo Rosário. Deus quer a nossa oração, Maria deseja-a e o nosso País necessita-a cada vez mais.
Que cada Glória seja um cântico de louvor à Santíssima Trindade! Que cada Pai-Nosso seja um acto de fé, de esperança e de caridade! Que cada Avé-Maria seja um acto de entrega pessoal a Cristo e à sua Igreja!
Que cada oração seja, em suma, um tiro certeiro contra o mal e uma rosa de amor posta, com devoção, aos pés de Nossa Senhora, nossa Mãe e Rainha de Portugal.






quarta-feira, 5 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

O aperto de mão mais bonito que já vi

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Porquê ir à igreja?

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domingo, 2 de maio de 2010

A NASA confirma a Bíblia

A ciência desmente ou confirma a Bíblia?

Veja a apresentação seguinte.

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sábado, 1 de maio de 2010

O livro de capa preta e a ciência

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terça-feira, 27 de abril de 2010

Petição online:
«Música Católica na Rádio Renascença»

Caros Amigos,

A actividade musical dos jovens católicos é grande. Ela reparte-se por inúmeras paróquias, do Minho ao Algarve, em quase todas as dioceses. A música de inspiração cristã é uma importante via de catequese.

É grande o número de bandas jovens. Embora o nível artístico seja diferente entre umas e outras, a verdade é que a elevação do nível geral é possível com a divulgação das melhores e a troca de experiências. O Festival Jota é um dos pontos de encontro destas bandas musicais.

A Rádio Renascença, emissora católica, tem a obrigação de participar activamente na divulgação dessas actividades musicais. Contudo, não o faz. Porquê?

Se concordam com o dever da Rádio Renascença participar nesta forma de catequese, podem assinar a petição online: «Música Católica na Rádio Renascença».

http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N1926

Subscreve a petição e divulga-a pelos teus contactos.
















sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Papa Bento abençoa Virgem bombardeada
do Japão

Ao finalizar a Audiência Geral da quarta-feira na Praça de São Pedro, o Papa Bento XVI abençoou a imagem da chamada "Virgem bombardeada", um rosto da Mãe de Deus que não foi destruído na explosão da bomba atómica em Nagasaki, Japão, em 9 de agosto de 1945.

No marco de uma peregrinação de paz que a levará à sede das Nações Unidas pela ocasião das conversações pela não-proliferação nuclear, em Maio, e em Novembro ao templo expiatório da Sagrada da Família, o Arcebispo de Nagasaki, Dom Joseph Mitsuaki Takami, levou a Roma a imagem da qual só resta a cabeça.

Em Fvereiro, o Arcebispo publicou um artigo no qual explica que esta imagem de madeira criada na Itália e levada ao Japão em 1930, se unirá a outro ícone da Virgem Maria que também sobreviveu a um bombardeamento, esta vez em Guernica, Espanha, em 26 de abril de 1937 durante a Guerra Civil Espanhola.

Ambas as imagens farão parte de uma exibição que se realizará no Museu de Paz de Guernica para comemorar o 65 aniversário das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki no Japão.



 
 
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Carta aberta ao Presidente da República
apelando à defesa dos valores da família







CARTA ABERTA DA ASSOCIAÇÃO ACÇÃO FAMÍLIA
AO EXMº SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Lisboa, 21 de Abril de 2010

Excelentíssimo Senhor Presidente da República

Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva

Senhor Presidente,

O País encontra-se mergulhado numa das mais graves crises dos tempos recentes, com contornos políticos, económicos, sociais e culturais, isto para não mencionar os morais, em si mesmos os mais profundos e determinantes.
A presente crise é de si muito peculiar, já que não é acompanhada - pelo menos por agora – por graves convulsões sociais, violentos ataques às instituições políticas ou pela instabilidade fundamental e generalizada das diversas esferas do Estado, nem mesmo por dramáticas necessidades económicas. Razão pela qual o amplo alcance da mesma não subtrai à rotina quotidiana uma percepção de aparente normalidade; dir-se-ia que é permeada por uma certa apatia, da qual não está sequer ausente uma nota de bonomia, tão característica do nosso povo.
Mas, Senhor Presidente, quem se preocupa em auscultar a realidade viva do País, apercebe-se de um crescente desalento, de uma progressiva descrença nas instituições, de um alarmante divórcio entre a classe política e a sociedade, de um descontentamento muitas vezes indefinido mas real, de uma discordância muda com certos rumos, e até, por parte de um número considerável de portugueses, de uma alienação relativamente aos problemas do País, como forma de defesa face à realidade que os perturba, mas que não conseguem alterar. O Portugal profundo começa a ficar temeroso, inclusive perante certas notas de autoritarismo que despontam.

* * *

Neste caldo de cultura psico-político-social, vai sendo imposta a toda a sociedade portuguesa uma agenda política radical, com um calendário definido, promovida por uma minoria bem articulada, que conta com posições-chaves no mundo político, nos meios jornalísticos, no aparelho do Estado, em certos círculos económica, social e culturalmente influentes e até mesmo em ambientes religiosos afins ao progressismo católico. Curiosamente, beneficia-se também tal corrente minoritária de omissões e cumplicidades inexplicáveis e inconcebíveis, mas que se diriam estratégicas.
Essa minoria manipula os mecanismos do Estado de Direito para inverter substancialmente os princípios e valores fundamentais que regem a nossa sociedade. Para atingir esse objectivo, articula sectores "oprimidos", cujas exigências reivindicativas faz crer - sempre com o apoio solícito de amplos sectores da imprensa - serem clamores sociais, e alardeia como “generalizadas” situações de facto, afirmando que não podem continuar a ser ignoradas pelo legislador.
Mais ainda, nas palavras dos próprios promotores das aludidas transformações, todos aqueles que se opõem às ditas mudanças passam a ser vistos como suspeitos e agarrados a ideologias e princípios retrógrados e discriminatórios.

* * *

O termo "consenso" tornou-se uma palavra talismã na nossa cultura política. No seu sentido genuíno, os "consensos" só podem ser entendidos como momentos de grande entendimento nacional em torno de metas e princípios comuns ao corpo social como um todo. Entretanto, não é a isso que assistimos, Senhor Presidente! Os "consensos" construídos artificialmente têm servido para “apaziguar” a sociedade e fazê-la ceder sem grandes sobressaltos ante metas que lhe são impostas, sobre as quais não se pronunciou e às quais não dá a sua plena adesão.
Por detrás dos biombos consensuais, assistimos à imposição de um projecto político-ideológico radical, de carácter sectário, que visa mudar as formas de sentir, de actuar e de pensar dos indivíduos, ou seja, de toda a sociedade, e submeter o País a uma nova moral, uma moral imposta através do Estado, com formas de vida colectiva “alternativas”.
Aliás, é sobejamente compreensível que os arautos destas mudanças não hesitem em proclamar estar em marcha em Portugal uma profunda transformação civilizacional.
E é indiscutível que o alvo preferencial de tal ofensiva tem sido a instituição da família.

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O mais recente lance de tal revolução, silenciosa e tranquila - pois é a isso que assistimos - foi o atabalhoado processo legislativo-mediático que culminou com a aprovação, a 8 de Janeiro deste ano, da lei do infamante e erroneamente designado "casamento" homossexual.
Ao contrário do que ardilosamente apregoam os propugnadores do "casamento" homossexual, o reconhecimento legal do mesmo não constitui apenas o consagrar de uma opção pessoal (em si mesma já profundamente censurável, por se tratar de um comportamento aberrante à Natureza e à Moral); ou do reconhecimento de meros direitos individuais; ou ainda de um acto de tolerância e não discriminação. Trata-se, isso sim, de uma transformação profunda e substancial da própria instituição do casamento e da família, o que, de si, acarretará uma subversão da ordem moral e social, que obrigatoriamente trará consigo outras alterações profundas no sistema de valores, nas normas educativas, nas relações familiares, sociais e profissionais, etc.
Em última análise, o "casamento" homossexual ao alterar radicalmente o modelo do casamento como uma união legítima e socialmente reconhecida entre homem e mulher, com vistas à constituição de uma família, à procriação (e, portanto, à continuidade da espécie humana) e à educação da prole, nega a própria essência do casamento e é, pois, o toque de finados do mesmo.
Mais, Senhor Presidente. Uma vez aceites e levados até às últimas consequências os princípios da "não discriminação" de minorias, ou da livre constituição de uniões que tornem felizes aqueles que as contraem, princípios estes fixados nos fundamentos da presente legislação, quem poderá no futuro recusar o reconhecimento legal da poligamia ou da própria pedofilia, isto para mencionar apenas dois exemplos? Não é possível ignorar que activistas ou actores políticos em diversos países defendem tais reconhecimentos.

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Impõe-se ainda outra consideração geral. Os activistas ao serviço do lóbi homossexual passaram a constituir a nova tropa de choque do tão apregoado laicismo de Estado, que sob a capa de um indiferentismo religioso oficial, tantas vezes investiu contra a Igreja e os valores cristãos da sociedade. Aí está a nossa primeira república para disto dar sobejo e inequívoco testemunho.
O deputado socialista que propôs a lei do "casamento" homossexual afirmou ser a mesma o conveniente marco inicial das comemorações do centenário da República. Esta ilação histórica só é compreensível se se vir na presente lei o retomar do sectarismo político anticristão que marcou o início do nosso regime republicano.
Difícil é crer que V. Exa. deseje ver as comemorações do Centenário da República - a que deu início em cerimónia solene - atreladas a tal sectarismo, o que inevitavelmente aconteceria com a promulgação da presente lei.
Está nas suas mãos, Senhor Presidente, sancionar ou não esta lei. E as razões que lhe impõem uma recusa são de monta e inapeláveis, motivo pelo qual Acção Família lhe dirige esta Carta Aberta.

* * *

A presente lei do "casamento" homossexual é um diploma legal abusivo, que em muito extrapola o âmbito de uma mera legislação. Na verdade, condiciona ele a sociedade e impõe-lhe, através dos mecanismos do Estado de Direito, uma moral nova (uma moral de regime, como afirmou acertadamente alguém), uma transformação das mentalidades dos indivíduos e das formas de vida colectiva.
Vozes autorizadas do meio jurídico apontaram inegáveis inconstitucionalidades que permeiam este diploma legal. Entretanto, o Tribunal Constitucional, após pedido de fiscalização preventiva solicitada por V. Exa., decidiu pronunciar-se noutro sentido, dando guarida à estranha tese jurídica de que o casamento é "um conceito aberto, que admite não só diversas conformações legislativas, mas também diversas concepções políticas, éticas ou sociais”.
Mas, Senhor Presidente, não é na constitucionalidade ou não de tal diploma que se esgota a discussão da legitimidade do mesmo. Muitos outros aspectos inquinam de grosseira ilegitimidade a presente lei do "casamento" homossexual.

* * *

O princípio do mandato popular em nome do qual os Srs. Deputados da Assembleia da República se manifestam e votam, exige que a representatividade do mesmo seja inequívoca, sobretudo em matérias transcendentes para a conformação e futuro da sociedade portuguesa. Ora tal não se deu em relação ao "casamento" homossexual.
Há quem alegue que ocorrera uma consulta popular a esse respeito, uma vez que os eleitores haviam concedido maioria parlamentar aos partidos que consignavam nos seus programas eleitorais o projecto do assim chamado "casamento" homossexual.
Tal argumento mais não é do que um legalismo, um mero formalismo democrático. Antes de mais, porque de todos os partidos que incentivaram e apoiaram tal projecto ou as variantes da chamada união civil, apenas um (o Bloco de Esquerda) foi inteiramente inequívoco na sua proposta eleitoral.
Além disso, como poderá alguém sustentar honestamente que tal proposta de consagrar na legislação, com o reconhecimento de amplos direitos, o "casamento" ou as uniões civis entre homossexuais tenha sido objecto de um largo e aprofundado debate na sociedade portuguesa, por ocasião da campanha eleitoral para as legislativas de 27 de Setembro de 2009? E como sustentar, então, que o eleitorado se tenha pronunciado de modo incontestável a tal propósito?
Isso agrava-se quando vozes autorizadas e não desmentidas dentro do próprio Partido Socialista - o Partido do Governo e promotor da presente legislação - afirmam que tal debate não se realizou nem sequer dentro das fileiras partidárias, tendo sido imposto internamente.
Também é necessário levar em conta que, ao votar num partido, o eleitor é condicionado por uma série de circunstâncias próximas e de necessidades imediatas da própria vida pública do País, não implicando por isso a sua escolha uma adesão consciente e incondicional a todos os pontos programáticos apresentados por essa força política, uma vez que não tem a possibilidade de, ao votar, tornar autónomas as propostas programáticas, adoptando umas e recusando outras. Isso é tanto mais verdade em relação àquelas opções que ficaram na sombra.
Assistimos, isso sim, Senhor Presidente, a um processo legislativo apressado, furtivo, em que a aprovação sorrateira deu a clara impressão de que para considerável parte dos nossos legisladores o eleitorado e o público em geral são um adversário a ludibriar ou mesmo a derrotar.
Estas razões impõem-lhe, Senhor Presidente, o dever de vetar o presente diploma legal. Mas não são as únicas.

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Senhor Presidente, todos os agentes políticos se gabam de vivermos num regime político regido pelos assim chamados princípios democráticos. É natural, pois, que aqueles que tanto o proclamam sejam coerentes com esses mesmos princípios.
Ora V. Exa. foi eleito. E como mandatário eleito, como representante que é daqueles que o elegeram tem o dever de consciência e o dever legal de atender à representação que lhe foi atribuída. Se não o fizer estará inequivocamente a atentar contra a autenticidade e a legitimidade do próprio regime democrático.
A maioria dos portugueses que lhe deu o voto, Senhor Presidente, não lhe concedeu de forma alguma um mandato para que ajudasse a impor ao País estas transformações civilizacionais radicais de que ele agora é vítima.
Antes de tudo, porque V. Exa. jamais propôs aos seus eleitores a perspectiva de tais transformações radicais como a sua meta para o País. Além disso, porque no conjunto das candidaturas em que se deu a sua eleição, o eleitorado que votou em V. Exa. era por certo o mais avesso e contrário a tais mudanças.
Aos portugueses que em si votaram, não os movia um anseio de uma ruptura com os seus valores, inclusive e muito marcadamente com os valores cristãos que há séculos conformam a sociedade. Pelo contrário - e sabe-o V. Exa. melhor do que ninguém - os portugueses que em si votaram, na sua maioria, viram nas suas propostas um modo de Portugal trilhar, nos tempos modernos, as sendas de um sadio progresso, em continuidade com a sua História e em coerência com os valores que conformaram a sua identidade; e não um modo do País entrar no século XXI pelas vias da instabilidade e da subversão fundamental das instituições, até mesmo daquelas, como o casamento, anteriores ao próprio Estado.
V. Exa. tem, pois, mais um imperativo para vetar a presente lei: a coerência e a fidelidade ao mandato popular com que foi investido pelo voto dos portugueses.

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Senhor Presidente, uma das suas prerrogativas enquanto Supremo Mandatário da Nação é manter o equilíbrio entre os diversos poderes e sanar os abusos ou as lacunas que de alguma forma prejudiquem o bom funcionamento do Estado de Direito e penalizem a sociedade em geral.
Nenhum partido em Portugal defendeu, com frontalidade e de modo inequívoco, um anseio largamente presente na nossa sociedade, ou seja, a manutenção no nosso corpo legislativo do reconhecimento social e jurídico do casamento, exclusivamente como a união duradoura e legítima entre homem e mulher, potencialmente fecunda, de acordo com o conceito comum e universal.
Ora tal ausência cria também, de si, um considerável desequilíbrio e mais um factor de inautenticidade no nosso regime democrático. É natural, pois, que uma importante parte da opinião pública que se vê assim defraudada no seu anseio de representação se volte para V. Exa. e procure que o Presidente da República sane essa grave lacuna, dando voz e vez àqueles que se sentem silenciados.
Mais silenciados ainda se considerarmos que em poucas semanas foram recolhidas 90.785 assinaturas a pedir um referendo, e boa parte do nosso Parlamento decidiu, num gesto de inexplicável autoritarismo antidemocrático, pura e simplesmente ignorar tal pedido. É difícil afastar a impressão de que os nossos legisladores têm receio de se confrontar com o sentimento popular. O que, de si, Senhor Presidente, é bem oposto ao espírito que deve reger o chamado regime de liberdades democráticas.

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Acabamos de mencionar a estabilidade das instituições. Enquanto Presidente da República cabe a V. Exa. o primordial dever de garantir esta mesma estabilidade e não o de subverter a ordem político-social. Aliás, V. Exa. tem sempre primado por dar destaque a este seu papel e desígnio.
Seria, pois, completamente contraditório com este seu propósito e dever, apor a sua assinatura a uma lei que, além de pecar pela ilegitimidade em diversos aspectos, abala e subverte, com profundas consequências morais e sociais, a instituição do casamento - e, portanto, da família, célula-base da nossa sociedade - anterior ele mesmo ao próprio Estado.
Sim, o casamento não é uma criação do Estado, é anterior a este e o Estado não pode, pois, utilizar a sua prerrogativa de legislador para deturpar essa instituição. Admiti-lo, como se daria no caso da sanção à presente lei, seria admitir uma forma inequívoca de despotismo.

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Como já foi referido, os principais mentores e apoiantes da presente legislação do "casamento" homossexual, regozijam-se e proclamam sem pejo aos quatro ventos que está em marcha, em Portugal, uma mudança civilizacional, que qualificam como imperativa.
Senhor Presidente, desde quando o voto eleitoral conferiu aos nossos legisladores uma representação para impor ao País mudanças civilizacionais, que submetam os cidadãos e o conjunto da sociedade portuguesa a transformações de mentalidade, de modos de ser, de agir e de pensar?
O extravasar indevido do mandato eleitoral a esses extremos transformaria o mundo político numa verdadeira seita filosófico-religiosa, incumbida de tutelar, com assomos inquisitoriais, os costumes, sentimentos e convicções dos indivíduos.
Por mais esta razão e para não ser conivente com tal abuso de poder, cabe a V. Exa o dever de coarctá-lo, vetando a presente lei.

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Impõe-se ainda uma última reflexão a respeito da natureza de tal mudança civilizacional.
Estando o nosso País inserido no âmbito da Civilização Ocidental e Cristã, qualquer mudança só poderá considerar-se verdadeiramente uma "mudança civilizacional" se atingir no seu âmago os princípios cristãos que há séculos conformam a sociedade portuguesa.
Não é difícil perceber que - como no caso da presente lei do "casamento" homossexual - são precisamente os valores cristãos que têm vindo a ser sistematicamente afrontados e relegados ao desprezo em nome de uma "modernidade" que pretende subverter as leis, as estruturas e os costumes da presente ordem social.
Recentemente, o Primeiro-ministro, Eng.º José Sócrates, após ter-se deslocado à Mesquita de Lisboa para actos oficiais e ao ser confrontado com a (in)coerência da sua atitude face ao tão apregoado laicismo de Estado, surpreendeu a todos ao afirmar que o Estado é laico mas a sociedade não o é. Ora, Senhor Presidente, se a sociedade portuguesa não é laica, deve-se isso ao facto de ser maioritariamente cristã. E assim sendo deveria tal realidade social ser levada em conta e, sobretudo, respeitada. O que parece estranho é que tal argumento de que a sociedade não é laica seja apenas brandido quando se tenta de alguma forma promover ou beneficiar credos religiosos totalmente minoritários em Portugal, e não quando se trata de respeitar os valores e princípios cristãos da grande maioria da nossa população.
Uma vez mais, Senhor Presidente, encontramo-nos diante de um desses desequilíbrios nocivos à nossa realidade político-social, que cabe a V. Exa. corrigir, e para tal impõe-se o seu veto à presente lei do "casamento" homossexual.

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Nesta conturbada época histórica, como em outras que o nosso País viveu, é imperativo que as pessoas incumbidas de o liderar, actuem com determinação e sem calculismos políticos, fazendo prevalecer os princípios sobre as ondas da publicidade e da moda. É esta a esperança de muitos portugueses em relação a V. Exa., Senhor Presidente: a de que saiba neste momento crítico vetar a lei do “casamento” homossexual, impedindo desta forma que uma minoria radical e sectária imponha ao País uma agenda que não corresponde aos mais profundos anseios da sociedade.
A Nossa Senhora da Conceição, a quem os nossos monarcas consagraram como Rainha e Padroeira de Portugal, Acção Família -juntamente com inúmeros portugueses - ergue as suas preces, tendo como certo que, para além das insídias e falácias dos estranhos arautos de uma nova ordem, permanecerá Aquele que é o Alfa e o Ómega, o Caminho, a Verdade e a Vida.

José Carlos Alves de Matos Sepúlveda da Fonseca

Director de campanha de Acção Família




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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rezai por mim, para que eu não fuja, por receio,
diante dos lobos

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1 minuto com Deus

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A conversão de Teresa

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terça-feira, 20 de abril de 2010

Orvalho de vida

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Postal

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Eles desafiaram Deus...

Muitos foram os casos daqueles que, insensatamente, desafiaram Deus e pagaram caro por isso. O diaporama apresenta alguns casos. Muitos outros poderiam acrescentar-se.
A ideia «religiosamente correcta» de Deus bonzinho e permissivo, sem mão pesada, está profundamente errada e faz parte da táctica liberalizante que visa a destruição dos costumes e da fé em Deus. Essa ideia é alimentada por cristãos liberais e mesmo por alguns padres ditos «modernos».

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30 crianças da Academia de Santa Cecília
vão receber Bento XVI no aeroporto

As crianças que vão acolher Bento XVI no aeroporto de Lisboa, no dia 11 de Maio, são 30 alunos da Academia de Música de Santa Cecília, que vão cantar o Hino Oficial da visita do Papa a Portugal, composto pelo Pe. António Cartageno.

Fundada em 1964 pela Embaixatriz Vera Franco Nogueira, a Associação da Academia de Música de Santa Cecília (AMSC), instituição sem fins lucrativos (1964), declarada de Utilidade Pública em 1983, tem desenvolvido o seu plano pedagógico – ministrar ao longo do período da infância e adolescência o sistema educativo convencional, do ensino pré-escolar ao 12º ano de escolaridade, a par do ensino musical oficial.

Actualmente, com cerca de 640 alunos, entre os 3 e os 17 anos, a AMSC mantém-se ainda como a única escola do ensino integrado de música no nosso País com estas características.







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A falta de profissionalismo e mentiras
da Associated Press

Em resposta a uma recente reportagem da Associated Press (AP), o porta-voz da diocese do Oakland (Califórnia, Estados Unidos) Mike Brown, explicou que o Pe. Stephen Kiesle -- ao qual se refere a informação que busca apresentar o Papa Bento XVI como seu "encobridor"-- já "não tinha nenhuma função sacerdotal na diocese" logo depois das acusações por abusos que cometeu em 1978. Indicou também que a referida agência nunca comunicou com eles para conhecer a sua versão dos factos.

O caso que a AP apresentou sobre o Pe. Stephen Kiesle, que foi acusado de abusar de dois menores em 1978, tentava apresentar ao então Cardeal Ratzinger como seu encobridor, mostrando na primeira página uma carta assinada por ele, em latim, em 1985. A mesma agência reconhecia que o texto era parte de "anos de correspondência entre a diocese e o Vaticano".

Em declarações à agência ACI Prensa, Mike Brown explicou que a AP não contactou a diocese para confirmar ou comentar a notícia publicada há alguns dias, que pretendeu apresentar como "o golpe mais duro contra o pontificado de Bento XVI".

Brown assinala também que "em 1979 pouco depois de sua prisão e de todos estes cargos, o Bispo John Cummins retirou o Pe. Kiesle formalmente do ministério activo na diocese. E desde esse período de Novembro de 1979 em diante, este presbítero não cumpriu nenhuma função sacerdotal na mesma".

Com esta explicação o porta-voz desmente as acusações feitas pela AP nas quais se alegava que o Pe. Kiesle tinha continuado a cometer abusos.

O porta-voz da diocese de Oakland insistiu em que as acusações sobre o Pe. Kiesle "abusando uma e outra vez durante o período prévio à sua expulsão do estado clerical são absolutamente incorretas".

Por outra parte, o fundador da Ignatius Press, Pe. Joseph Fessio, adverte outra falta de profissionalismo da AP: a carta do então Cardeal Ratzinger não se refere a nenhuma medida de disciplina para o Pe. Kiesle e sim à dispensa dos seus votos. Em 1985, a Congregação da Doutrina da Fé que presidia o agora Papa Bento XVI não se encarregava destes casos. Ela começou a fazê-lo em 2001.

Com esta desinformação da AP, explica o Pe. Joseph Fessio, o único que a citada agência de imprensa demonstrou é "ser extremamente não-profissional jornalisticamente falando".

"Quando se faz este tipo de informação, deve-se procurar as pessoas que saibam como funciona a Igreja, o quê é o direito canónico. Não podem imprimir assim sem nenhuma razão, sem antes ter falado com gente competente a esse respeito", acrescentou.

"Por não ter feito isso, a AP demonstrou um jornalismo não-profissional do pior tipo", concluiu.






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Viagem Apostólica de Bento XVI destaca
a universalidade e a actualidade
da mensagem de Fátima

Na sua reflexão mensal sobre a actualidade da Igreja e do mundo, publicada no jornal Voz da Fátima com o título "Com Bento XVI, apóstolos de Fátima", o Reitor deste santuário, o Pe. Virgílio Antunes, destacou a propósito da viagem apostólica de Bento XVI a Portugal em de Maio, que a peregrinação do Papa à Cova da Iria "é o sinal maior de que Fátima tem uma mensagem para o século XXI e de que, com Deus presente, a esperança da humanidade é possível".

A peregrinação do Papa ao Santuário de Fátima reaviva a "sua actualidade e a sua universalidade", destacou o padre Reitor do santuário mariano.

"A partir da mensagem de Fátima, a Igreja e o Mundo encontraram fortes motivos de esperança: trabalhou-se pela paz; manteve-se viva a fé cristã; o nome de Deus não foi definitivamente aniquilado; a guerra nuclear não teve as proporções que se temiam; os blocos políticos e opostos desfizeram-se; os regimes materialistas e ateus caíram; o martírio dos crentes não fez perder a força da fé", assinalou o Pe. Antunes.

"A mensagem de Fátima começa a revelar a sua actualidade e a sua universalidade, mesmo para o século XXI. As multidões continuam a afluir de todas as partes do mundo, de tal modo que no ano de 2009 passaram por Fátima peregrinos de 144 países. São milhares os lugares de culto, escolas, ruas, instituições que adoptaram este nome por o considerarem altamente significativo para a actualidade. São inúmeros os grupos de pessoas que, nos cinco Continentes, se reúnem em sintonia com as palavras de Nossa Senhora aos três Pastorinhos e delas fazem as razões da sua confiança", destacou o sacerdote no seu artigo mensal.

Por isso, o Reitor considera que, "a palavra de Nossa Senhora aos Pastorinhos tem ainda campo aberto para a sua realização: 'o meu Imaculado Coração será o caminho que te conduzirá até Deus'. A mensagem de Fátima proclamará a centralidade de Deus e a esperança de salvação que animará o nosso tempo e o nosso século. Será dessa forma um pólo de graça e de misericórdia a auxiliar a Igreja no anúncio da Verdade e na realização da sua missão. Esta é uma mensagem para todos os tempos, mas particularmente para o que vivemos", concluiu o Pe. Antunes.



quinta-feira, 15 de abril de 2010

«Eu vi o Santo Padre com as mãos no rosto
a chorar»...

“Eu vi o Santo Padre numa casa muito grande, de joelhos diante de uma mesa, com as mãos no rosto
a chorar;
fora da casa estava muita gente e uns atiravam-lhe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias.
Coitadinho do Santo Padre, temos de pedir muito por ele!”






Estará chegando essa hora? A pergunta coloca-se e, por isso, com os mesmos sentimentos de Jacinta, pedimos à pequena vidente e a Nossa Senhora de Fátima para que intercedam junto de Nosso Senhor Jesus Cristo e obtenham para Sua Santidade assinaladas graças de discernimento e fortaleza, com as quais possa dirigir a Barca de Pedro com mão segura, no meio desta tempestade publicitária, com a qual pretendem afundá-La.
Esforço vão, pois sabemos que, no final, conforme a promessa indefectível de Nosso Senhor, “portae inferi non praevalebunt” (as portas do inferno não prevalecerão contra ela).

terça-feira, 13 de abril de 2010

A campanha contra o Papa

OUTRO DISPARATE DA IMPRENSA SOBRE PADRES PEDÓFILOS:
A CARTA DE 1985 DO CARDEAL RATZINGER

http://forumrprp.blogspot.com/2010/04/outro-disparate-da-imprensa-sobre.html






domingo, 11 de abril de 2010

«Não se pode condenar a Igreja e o Papa
pelos abusos de uns quantos» -- diz rabino

O rabino Jack Bemporad, Director do Centro para o Entendimento Inter-religioso em New Jersey, Estados Unidos, assinalou que "não se pode condenar coletivamente a Igreja pelo que alguns sacerdotes e indivíduos nela possam ter feito", perante a campanha mediática difamatória contra o Papa Bento XVI.

Em entrevista concedida à agência ACI Prensa logo depois de defender a comparação que fez o Pe. Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia, equiparando os ataques contra a Igreja ao anti-semitismo, o rabino disse que afinal o que o sacerdote tentou dizer "é correcto" pois não se pode condenar o corpo pela falta de alguns.

Dirigindo-se logo àqueles que criticam o Santo Padre, o rabino Bemporad afirmou que "necessita-se algo do sentido da compaixão, caridade, e dizer: 'como podemos fazer isto adequadamente?' Em vez de condená-lo e dizer: 'Viu só?, ele não está fazendo o suficiente'".

Há muitos casos de abusos a menores, disse. "Não é simplesmente um problema católico", precisou. "Considero que o Papa está tentando fazer o melhor que pode", declarou.

Depois de criticar a cobertura mediática e qualificá-la de "unidimensional", o rabino lamentou que "a tragédia dos meios é que tem a capacidade de educar. O que estão fazendo com isto é mostrar os piores elementos dos seres humanos. O elemento mais voyeurista de todos". Aqui o rabino se refere ao voyeurismo que é uma prática que consiste num indivíduo conseguir obter prazer sexual através da observação de outras pessoas.

"Não devemos ser tão rápidos para ler os titulares que são virulentos, e em minha opinião, histéricos", acrescentou.

Logo depois de elogiar os esforços do Papa Bento XVI por aproximar a Igreja com a comunidade judia, o rabino assegurou que "tudo o que estou pedindo é caridade". "Temos que pensar no que se pode fazer para ajudar-nos mutuamente em vez de condenar-nos", concluiu.



sábado, 10 de abril de 2010

Quando a esmola é grande...
... o pobre desconfia!

Bernardo Motta, no blog Espectadores

Não há dúvidas de que tem sido uma excelente Páscoa para os inimigos da Igreja. Têm voado pedras e cuspidelas, e anda tudo maluco, com a cabeça a andar à roda, a disparar em todas as direcções. A blogosfera anticatólica anda feliz da vida. Parecem crianças à procura de ovos de Páscoa no jardim.

Mas o mais enraivecido anticatólico, desde que dotado de meio cérebro, começará a desconfiar desta situação.

Veja-se a nova enxurrada de notícias, desta feita provenientes da Noruega. Neste país de tão fortes tradições católicas (desculpem-me a ironia, mas não resisto), estalou mais um mega-escândalo de padres pedófilos. Um caso de abuso por parte de um bispo norueguês, Mueller, ocorrido nos anos 90 em que ele ainda era padre, e revelado pelo Bispo Eidsvig a pedido da Santa Sé, disparou mais este escândalo mediático. Mas a notícia não pode ser a desse caso já antigo. A notícia agora é que a Igreja Católica na Noruega dá conta de que está a receber desde os últimos dias uma avalanche de denúncias de supostos "novos casos".

Veja-se o desgraçado do Bispo Brent Eidsvig, no aeroporto de Oslo, rodeado de uma "trupe" de jornalistas sedentos por mais escândalos.
(Foto: AP Photo/Scanpix, Lise Aserud)



O Bispo Eidsvig terá dito aos jornalistas: "I received so many email tip-offs about possible aggressions and other sexual abuse that the computer server crashed". Ou seja, na sequência da revelação, por parte de Eidsvig, do crime do seu predecessor, começaram a chover "e-mails" de denúncia na caixa de correio de Eidsvig. Será que os acusadores que enviaram estes "e-mails" só se lembraram agora dos abusos?

Eidsvig diz que o seu computador ficou entupido com "e-mails".

Ai, se os jornalistas soubessem de quantos "e-mails" se trata... Se fossem mil "e-mails" recebidos, seria logo noticiado: "Mil casos de abuso por parte de padres pedófilos relevados na Noruega". Não. Melhor ainda: "Há mil padres pedófilos na Noruega".

O que se passa é que, no meio da euforia, ninguém se dá conta (ou não se quer dar conta) de que uma coisa são suspeitas, denúncias (algumas anónimas) ou insinuações. Outra coisa são condenações. Esta confusão está a baralhar muita gente.

Nos EUA, segundo o estudo do John Jay College of Criminal Justice, entre 1950 e 2002 foram suspeitos de abuso sexual de menores 4392 padres e diáconos católicos americanos (num total de 109 694) [1]. Falamos então de uma percentagem de 4% de sacerdotes e diáconos, do total de sacerdotes e diáconos norte-americanos, sob suspeição durante o período em causa. Mas apenas cerca de uma centena foram realmente condenados pelos tribunais civis. Ora, se presumimos que o suspeito é culpado à partida, temos 4.392 abusadores de menores. Mas se respeitamos o princípio de presunção da inocência, e se respeitamos os tribunais, teremos apenas cerca de 100 abusadores de menores (nem todos pedófilos). Outro dado curioso do estudo norte-americano é que dessa centena de condenações, só 54 diziam respeito a condenações por pedofilia (sexo com menores não adolescentes). Mesmo que admitamos que muitas das suspeitas não chegaram aos tribunais, ou que algumas das que chegaram não terminaram em condenação e deveriam ter terminado em condenação, podemos ser pessimistas, e ficar-nos pelo "tecto" de 4% de sacerdotes e diáconos, do total norte-americano, que viram os seus nomes envolvidos em suspeitas de abusos.

Convenhamos: 4% de sacerdotes e diáconos, pegando no caso norte-americano porque este apresentou o maior impacto social, não é um fenómeno "massificado" ou "generalizado" como afirma tanta comunicação social e tantos comentadores de pacotilha.

E há outro dado "incómodo". O relatório do John Jay College of Criminal Justice faz uma análise temporal aos dados estatísticos. O "pico" dos casos de abuso coincide com o "pico" do número de acusações, e calha no ano de 1980. A curva que se pode ver na página 28 do dito estudo é ilustrativa: é uma curva em forma de montanha, com uma curva acentuada de crescimento que se nota a partir de 1960. Depois do "pico" de 1980, a curva desce acentuadamente, até 1995, ano em que atinge os valores de 1950. Interessante, o comportamento desta curva, que sustenta todos aqueles que têm relacionado este fenómeno com a revolução sexual dos anos 60 e 70, bem como todos os que têm dito, em defesa da Igreja, que desde o final do século passado, a Santa Sé tomou as rédeas deste problema. Olhando para esta curva, característica dos EUA, se os números não mentem, algo aconteceu para esta queda acentuada no número de casos entre 1980 e 1995 (ver ainda o gráfico da página 35).
Ainda outro dado "incómodo". Segundo o mesmo relatório, 80,9% dos casos reportados nos EUA são abusos a rapazes[2]. Para aqueles que juram a pés juntos que este escândalo não tem nada a ver com homosexualidade, estes números frios merecem segunda reflexão...

Os números da Alemanha, outro país alvo da especulação em torno dos padres pedófilos, reportam 210.000 casos de abusos de menores desde 1995. Os casos relacionados com padres ou religiosos da Igreja foram apenas 94 desse total. Falamos de 0,04%!

Os números da Irlanda são graves pelo fenómeno social em si, que envolve muita gente, não apenas padres, e não apenas membros da hierarquia da Igreja Católica. Primeiro, há que ver que o Relatório Ryan contém dados desde 1914. É importante saber o intervalo temporal dos dados recolhidos, para fazermos comparações justas em termos de números absolutos de sacerdotes e de casos de abusos!

No Relatório Ryan temos 1090 casos de violência contra menores (sexual, física e psicológica). O total de elementos do clero envolvidos nestes casos é de 23 (0,02%). Muitos dos casos de abuso dizem respeito a pessoal auxiliar educativo (professores, contínuos, etc.).

Eu devo confessar que, no início de Março, quando começou esta palhaçada mediática, eu senti-me sinceramente chocado, porque os "media" faziam passar a imagem de um escândalo em larga escala, quer nos crimes sexuais, quer na ocultação. Passado um mês, penso que os "media" e os agentes anti-católicos forçaram demasiado a barra, e caem no descrédito. Foram várias as notícias desmentidas, e toda a campanha mediática tem pés de barro.

Os crimes, apesar de serem todos graves e horríveis, têm uma dimensão bem diferente da que nos querem vender. A montanha pariu um rato. Notícias como esta da Noruega, ainda por cima um país pouco religioso, e da parte que é religiosa, pouco católico, não ajudam a causa anti-católica. Antes pelo contrário: ajudam ao descrédito.

Esta campanha mediática começa a ser vista por aquilo que é: uma palhaçada imoral. Uma difamação em grande escala. Mas o mais grave não está na campanha em si, pois grande parte dela, como todas as campanhas, é movida pelo dinheiro. O que me parece particularmente grave, em tudo isto, é a sanha com que as notícias são lidas e difundidas. Há muita gente que reage indignada (mesmo que secretamente feliz) a estes escândalos, porque é uma oportunidade imperdível para manifestar um ódio profundo à Igreja Católica.

Os críticos da praxe dirão que estou a exagerar, e a fazer dos católicos as vítimas. Sejamos claros: há aqui dois tipos de vítimas: as dos abusos sexuais e as de difamação. Certamente que é um crime muitíssimo mais grave o de abuso sexual, quando comparado com o de difamação. Mas esta justa comparação não nos deve impedir a nós, católicos, de dizermos "basta!" a esta campanha infame.

É que o ódio anticatólico existe e é bem real. Basta ler, por exemplo, os recentes "posts" de um conhecido blogue nacional, onde pululam corifeus da tribo anticatólica, tribo essa que não tem dado descanso ao teclado nos últimos dias, certamente com um sorriso na cara (sorriso esse que a Internet, felizmente para eles, esconde com eficácia).
Toda esta gente sempre odiou a Igreja Católica. Não a odeiam por causa dos seus rituais, por causa da (treta) da suposta incompatibilidade da religião com a Ciência, não a odeiam por causa de certos erros históricos do passado da Igreja, não a odeiam por causa da sua dimensão à escala global, e não a odeiam por causa do seu imenso trabalho planetário de assistência social.

Odeiam-na por causa da sua mensagem moral. Sejamos claros: a moral da Igreja não é seguida por esta gente. É verdade que também muitos católicos não seguem a moral da Igreja (pelo menos em todos os pontos), mas ao menos estes sabem (ou deviam saber) que estão em erro quando não a seguem. Ora estes inimigos da Igreja defendem em voz alta uma vida plena de imoralidade (aborto, contracepção, homossexualidade, pornografia, eutanásia, entre outras aberrações). E a única voz, em todo o Mundo, que surge para os refutar é a da Igreja Católica. Ora isso deve ser muito irritante. O último baluarte contra a vitória final da imoralidade é a moral católica. É, então, o inimigo a abater.

O alvo é a moral da Igreja, a moral de Jesus Cristo.

A estratégia é simples e clara: atacar o coração moral da Igreja. Acusá-la das piores imoralidades. E, nos dias de hoje, há duas imoralidades especialmente chocantes (e ainda bem) para a opinião pública: o anti-semitismo e o abuso de crianças. Por isso é que os casos contra Pio XII e contra Bento XVI têm tantos paralelos. Do mesmo modo que se procurou "assassinar moralmente" Pio XII, acusando-o de anti-semita e pró-nazi, para que atancando-o, se desfira um golpe forte à moral da Igreja, procura-se agora "assassinar moralmente" Bento XVI, acusando-o de cúmplice na ocultação de crimes, para que atacando-o, se desfira novo golpe forte à moral da Igreja.
Isto não tem nada de novo.

Podemos encontrar coisas muito parecidas nas campanhas anti-católicas dos terroristas da Convenção durante a Revolução Francesa, nas do "risorgimento" italiano na segunda metade do século XIX, na humilhação do clero francês durante a Terceira República, na guerrilha do regime Costa durante a Primeira República, entre tantos outros casos.

A história não se repete, mas há coisas que nunca passam de moda. Cuspir no padre é uma delas. Só que o problema é que estas estratégias, sendo sempre as mesmas, também produzem sempre os mesmos efeitos. O que têm em comum estas estratégias de "assassinato moral" dos representantes da Igreja é sempre o mesmo: a sua relativa eficácia local, e a sua completa ineficácia "à la longue". Se a propaganda anti-católica sempre conseguiu enganar os desgraçados dos ignorantes que, no seu tempo, foram por ela levados, a verdade é que a Igreja deu sempre a volta por cima. Os da Convenção já morreram todos (mataram-se uns aos outros), os Garibaldis desta vida foram à vida, os que profetizavam o final da Igreja nas primeiras décadas do século XX estão hoje a fazer tijolo (apesar de terem, hoje em dia, uns "descendentes" muito espigadotes que ainda julgam que vivem nos tempos do Costa).

Desde os anos 60 que não falta gente (alguns que se dizem católicos) a aproveitar os escândalos mediáticos para tentar pressionar uma mega-reforma (melhor seria dizer, uma implosão) da Igreja. Nesta matéria, os "reformistas" aliam-se aos inimigos não católicos da Igreja, pois na prática, querem todos o mesmo: que a força moral da Igreja desapareça de vez. Quando a Igreja deixar de ser o contraditório da imoralidade, então ela deixa de ser Igreja.
Mas enquanto os cães ladram, a caravana passa...

Bento XVI sabe isso melhor do que ninguém. Ele não governa a Igreja com os olhos postos nos "media", nos abaixo-assinados, nas petições de supostos "povos de Deus", nas sondagens, ou na "vox populi". Ele governa com os olhos postos em Cristo. Deus o ajude, ampare e proteja.


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[1] "The nature and the scope of the problem of sexual abuse of minors by catholic priests and deacons in the United States 1950-2002", John Jay College of Criminal Justice, págs. 26 e 28.

[2] Ibidem, p. 69.